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domingo, 30 de abril de 2023

Partido Colorado vence mais uma eleição no Paraguai

A Associação Nacional Republicana, mais conhecida como Partido Colorado, que está no poder desde 1947 no Paraguai, com uma breve interrupção, vence mais uma eleição presidencial, a oitava realizada desde a queda do ditador Alfredo Stroessner, em 14 de fevereiro de 1989. 

Com 99,82% das urnas apuradas, o candidato governista, Santiago Peña, ganha com mais de 1,2 milhão de votos, 42,74% do total, contra 27,48% de Efraín Alegre, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) e da Concertação, uma ampla aliança de 40 partidos da esquerda à centro-direita. O Paraguai é o único país da América do Sul com eleição presidencial em turno único.

Nos últimos 75 anos, o Partido Colorado só não governou o país de 2008 a 2012, da eleição ao impeachment do padre Fernando Lugo, um candidato de esquerda que conseguiu galvanizar a oposição, mas depois foi abandonado, inclusive pelo PLRA, e foi alvo de um processo de impeachment de pouco mais de 24 horas, sem o menor direito de defesa. 

Depois da ocupação de uma fazenda de um ex-senador do Partido Colorado por cerca de 100 agricultores sem terra para pedir uma reforma agrária, em maio de 2012, em Curuguaty, a 240 quilômetros de Assunção, a polícia enfrentou os manifestantes para fazer a reintegração de posse. Dezessete pessoas morreram, 11 sem-terra e 6 policiais.

Os policiais alegaram que foram alvos de uma emboscada e acusaram o Exército do Povo Paraguaio, um movimento guerrilheiro, de infiltrar o movimento camponês e o então presidente de apoiar os sem-terra. Em 21 de junho de 2012, o Câmara dos Deputados do Paraguai autorizou a abertura de um julgamento político de Lugo por "mau desempenho de suas funções".

Não houve nenhum inquérito parlamentar sobre o confronto nebuloso na fazenda do ex-senador Blas Riquelme. No dia seguinte, o Senado destituiu Lugo por 39 a 4. Para o ex-ministro da Ação Social Hugo Richert, "o episódio pode ter sido preparado para contar com um motivo perfeito para destituir o presidente."

Então, a grande questão hoje era se o Partido Colorado manteria seu monopólio de poder. Todas as pesquisas recentes previam a vitória de Peña, menos a da AtlasIntel, que dava um empate técnico com pequena vantagem para a Alegre. Era considerada mais confiável porque os outros institutos são de empresários ligados aos colorados.

O presidente eleito, Santiago Peña, de 44 anos, foi ministro da Fazenda no governo de Horácio Cartes (2013-18), o homem mais rico do Paraguai, atualmente presidente do Partido Colorado. Cartes foi acusado pelos Estados Unidos em julho do ano passado de ser "significativamente corrupto".

Durante a campanha, Alegre acusou o grupo de Cartes de governar o país como "uma máfia" e descreveu Peña como seu representante. Cinco empresas de Cartes são alvos de sanções dos EUA, que proibiram sua entrada no país. 

Alegre também acenou com a possibilidade de romper com Taiwan e estabelecer relações com a China para atrair comércio e investimentos. O Paraguai é um dos 13 países que ainda reconhecem Taiwan, o único da América do Sul. Não bastou para derrotar os colorados.

Um terceiro candidato, Paraguayo Cubas, de extrema direita, conquistou quase 23% dos votos, esvaziando a candidatura de oposição. O chamado Bolsonaro paraguaio defende ideias ultranacionalistas, mas não tem apoio nas Forças Armadas, fortemente ancoradas ao Partido Colorado. Durante a ditadura do general Stroessner, para entrar na universidade, no serviço público ou nas Forças Armadas, era preciso ser filiado ao partido do governo.

Cubas era senador. Perdeu o mandato em 2019 por agredir um policial. Chegou a defender a morte de "100 mil bandidos brasileiros", de um total de 2 milhões que disse que vivem no Paraguai.

Este número está errado. O país com mais brasileiros é os EUA (1,9 milhões), seguido por Portugal (275 mil) e Paraguai (246 mil). Os números reais podem ser maiores porque muitos imigrantes não se registram nos consulados brasileiros. Só para comparar, na Argentina, há 90 mil residentes brasileiros.

No discurso da vitória, Peña prometeu combater "a pobreza, a corrupção e a impunidade". Ele toma posse em 15 de agosto para um cumprir um mandato de cinco anos sem direito a reeleição. Alegre reconheceu a derrota terceira derrota consecutiva e pediu à oposição que mantenha a unidade para as próximas eleições.

Em relação ao Mercosul, a posição dos dois candidatos é semelhante. Ambos disseram que os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram bons para o Paraguai.

Por considerar o impeachment de Lugo um golpe, Brasil, Argentina e Uruguai suspenderam a participação do Paraguai no Mercosul. Isto permitiu a entrada da Venezuela sem se adaptar a todas as normas do bloco, que passou a ter caráter mais político do que econômico. A ideia agora é retomar a integração como alavanca para o desenvolvimento.

O Uruguai quer fechar um acordo de livre comércio com a China. Isto não interessa a Brasil e Argentina, que tentam se reindustrializar. Nem ao Paraguai, que também tem a ambição de se industrializar, com a energia abundante das usinas hidrelétricas de Itaipu e Yaciretá, mão de obra barata e um sistema de impostos muito mais simples do que o brasileiro.

Isto tem atraído empresários brasileiros. Inicialmente, eram sobretudo fazendeiros produtores de carne e grãos, os brasiguaios. Hoje há fábricas brasileiras de tecidos e autopeças comparadas às maquiadoras, as empresas norte-americanas instaladas no Norte do México para atuar como montadoras e vender para o mercado dos EUA.

A Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) arrasou o país na Guerra do Paraguai (1864-70), que eles chamam de Guerra Grande, quando 90% da população adulta masculina foi morta. A dívida de guerra só foi perdoada em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas.

Com população de 7,3 milhões de habitantes e produto interno bruto estimado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em US$ 42,8 bilhões em 2023, o Paraguai é o 100º país mais rico do mundo. A expectativa do FMI de crescimento para este ano é de 4,5%, acima das médias mundial (2,8%) e latino-americana (1,6%).

Historicamente, o Brasil tinha saldo comercial positivo no comércio bilateral. Em 2022, as exportações brasileiras para o Paraguai somaram US$ 3,519 bilhões e as importações do país vizinho, US$ 3,636 bilhões, numa corrente de comércio de US$ 7,155 bilhões com saldo negativo para o Brasil de US$ 117,2 milhões.

Neste ano, de janeiro a março, as exportações brasileiras somam US$ 797,8 milhões e as paraguaias, US$ 753,3 milhões, com superávit de US$ 44,5 milhões para o Brasil.

A exportação de energia elétrica representa 37% do que o Paraguai vende ao Brasil, seguida por arroz (9,3%), equipamentos para distribuição de energia elétrica (6,4%), milho (5,7%) e soja (5,5%). O Paraguai importa principalmente máquinas agrícolas e peças (10,1%), veículos (5,4%), adubos e fertilizantes (5,3%) e outros produtos industriais (4,8%).

Daí a importância para o Paraguai da energia gerada por grandes hidrelétricas. O acordo de Itaipu, assinado quando os dois países eram ditaduras militares, faz 50 anos neste ano e deve ser renegociado. O Paraguai ficou anos devendo pela obra e tem direito à metade da energia gerada, mas só pode vendê-la para o Brasil.

Em 2009, no governo Lugo, o presidente Lula concordou em triplicar de US$ 120 milhões para US$ 360 milhões a taxa anual paga ao Paraguai pela energia que o país vizinho não utiliza. Na época, o Paraguai consumia apenas 5% da energia a que tinha direito.

Lula cumprimentou o vencedor e prometeu trabalhar em conjunto por uma América do Sul "com mais união e desenvolvimento".

domingo, 24 de novembro de 2019

Centro-direitista Lacalle Pou se considera presidente eleito do Uruguai

Num disputa muito mais apertada do que previam as pesquisas, com 99% das urnas apuradas no segundo turno da eleição presidencial no Uruguai, o centro-direitista Luis Alberto Lacalle Pou, do Partido Nacional (blanco), tem uma pequena vantagem de 48,76% a 47,46% para Daniel Martínez, da Frente Ampla, de esquerda, que governa o país desde 2005.

Lacalle Pou, filho do ex-presidente Luis Alberto Lacalle, se considera vencedor e espera um telefonema do adversário reconhecendo a derrota, mas Martínez ainda não admite que perdeu, informou o jornal El Observador. Mas o Tribunal Eleitoral declarou que o resultado oficial pode sair só na quinta ou na sexta-feira.

No segundo turno, Lacalle Pou recebeu o apoio de uma aliança de cinco partidos de direita, inclusive o Colorado e o Cabildo Aberto, do ex-comandante do Exército Guido Manini Ríos, que fez uma declaração pública de repúdio à esquerda criticada pelos políticos. As pesquisas lhe davam em média uma vantagem de cinco pontos percentuais.

Às 23h30 em Montevidéu, mesmo hora de Brasília, Martínez fez um pronunciamento depois de falar com a Justiça Eleitoral: "O que está claro é que, não importa quem ganhe, não vai chegar a 50%. Isto obriga a fazer entendimentos para lutar por um só país. Agora, não resta mais do que esperar", concluiu, deixando claro que pretende aguardar o resultado oficial.

No momento, a vantagem de Lacalle Pou é de cerca de 30 mil votos, menos do que o número de "votos observados". Estes são votos de pessoas que não cumpriram alguma exigência para participar da eleição, mas foram autorizadas a votar e seus votos devem ser revisados.

Por este motivo, o presidente do Tribunal Eleitoral, José Arocena, acredita que só será possível anunciar o resultado oficial na quinta ou na sexta-feira. O novo presidente toma posse em março de 2020 para um mandato de cinco anos sem direito à reeleição na próxima eleição.

O Uruguai é o país mais democrático e menos corrupto da América Latina. Ao contrário de outros países, a transição de governo não apresenta qualquer risco. Foi pioneiro em previdência social, divórcio, aborto, união estável entre pessoas do mesmo sexo, adoção de crianças por casais homossexuais e legalização da maconha.

domingo, 26 de outubro de 2014

Eleição presidencial no Uruguai terá segundo turno

Os uruguaios voltam às urnas em 30 de novembro, no segundo turno da eleição presidencial, para escolher entre o candidato da governista Frente Ampla, o ex-presidente Tabaré Vázquez, e Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional (Blanco).

De acordo com as pesquisas de boca de urna, Vázquez teve 45% dos votos contra 32% para Lacalle, filho do ex-presidente Luis Alberto Lacalle, e 13% para Pedro Bordaberry, do Partido Colorado, filho do ex-presidente Juan María Bordaberry. Com essa divisão de votos, nenhum partido conseguiu maioria no Congresso.

Como blancos e colorados, antes inimigos históricos, hoje são de centro-direita, enquanto a Frente Ampla é uma aliança de centro-esquerda, é provável que Bordaberry apoie Pou no segundo turno. Para Vázquez, isso ressuscita o fantasma de 1999, quando ele venceu o primeiro turno, mas perdeu para o colorado Jorge Batlle no segundo turno.

Muito popular por seu estilo despojado, o atual presidente José Mujica, um ex-guerrilheiro tupamaro, foi eleito senador. A Constituição do Uruguai proíbe mandatos consecutivos numa tentativa de evitar o caudilhismo que ensanguentou o país no século 19.

Num país que já foi chamado de Suíça sul-americana, acostumado a decidir questões polêmicas em plebiscitos, o tema desta vez era a redução da maioria penal de 18 para 16 anos para combater o aumento da criminalidade. De acordo com a boca de urna, perdeu por 52% a 48%.

sábado, 20 de abril de 2013

Paraguai vota em meio a denúncias de corrupção

Mesmo para os baixos padrões de moralidade política da América Latina, a eleição presidencial deste domingo no Paraguai é um escândalo, observa o jornal esquerdista britânico The Guardian.

O favorito é Horacio Cartes, do conservador Partido Colorado, que governou o Paraguai por 61 anos, um homofóbico que já foi preso por fraude cambial, é investigado por evasão de impostos e acusado de envolvimento com o tráfico de drogas.

Seu maior adversário é Efraín Alegre, do Partido Liberal Radical Autêntico, de centro-direita, acusado de usar milhões de dólares de fundos públicos para comprar aliados políticos e ter alguma chance amanhã.

Uma vitória de Cartes representará tudo o que o Paraguai tem de pior, uma classe política corrupta ligada à criminalidade.

Alegre o descreve como "a expressão máxima do modelo do contrabando, da máfia e pirataria". Mas também não é limpo. O governo comprou uma fazenda do pai do presidente do Congresso, Jorge Oviedo, por US$ 11,5 milhões para selar a aliança que o apoia.

Com o escândalo, Oviedo renunciou à Presidência dos Congresso. Alegre herdou os votos do general golpista Lino Oviedo, que morreu durante a campanha

"Não há ninguém limpo no Paraguai", admite um eleitor envergonhado.

O PLRA governo o país em aliança com os colorados desde o impeachment do presidente Fernando Lugo no ano passado. Como dava o vice de Lugo, ocupa a Presidência, o que lhe permitiu usar dinheiro público na campanha.

Em entrevista ao sítio Terra, Alegre considerou o impeachment de Lugo inevitável. Pois sim. Como disse Clovis Rossi na Folha nove meses atrás, foi uma jogada dos grandes partidos para usar a máquina e os recursos do governo na campanha.

Assim, caiu o primeiro e único governo de esquerda da História do Paraguai. O saque dos recursos públicos para uso privado por uma elite autoritária e corrupta continua. Amanhã, será eleito mais um príncipe da corrupção.

sábado, 25 de julho de 2009

Brasil e Paraguai fazem acordo sobre Itaipu

O Paraguai não conseguiu uma negociação ampla do Tratado de Itaipu, mas os presidentes Luiz Inacio Lula da Silva e Fernando Lugo fecharam um acordo para o país vizinho vender livremente no mercado brasileiro o excedente de sua cota de 50%.

A energia de Itaipu é um dos poucos recursos que o Paraguai tem para promover o desenvolvimento do país, um dos mais pobres da América Latina.

Lugo foi eleito no ano passado com uma proposta política de esquerda, rompendo um monopólio de poder de 61 anos do Partido Colorado. Sua ambição era renegociar a dívida de Itaipu, de US$ 18 bilhões, duas vezes maior do que o produto interno bruto paraguaio, de US$ 9 bilhões.

Além de Itaipu, há outras questões bilaterais importantes como a presença de fazendeiros e agricultores brasileiros, os chamados brasiguaios, o problema do contrabando formiguinha dos sacoleiros, tráfico de armas e drogas, lavagem de dinheiro e uso da Tríplice Fronteira, na Foz do Iguaçu, para atividades criminosas e terroristas.

Os brasiguaios são brasileiros que compraram terras no Paraguai e produzem, especialmente soja. Há um movimento de paraguaios sem terra que defende uma reforma agrária com expropriação das terras dos brasileiros.

domingo, 20 de abril de 2008

Padre Lugo sai na frente na eleição no Paraguai

O ex-bispo Fernando Lugo, candidato da esquerda, lidera a apuração dos votos da eleição presidencial deste domingo no Paraguai.

Com 16% das urnas apuradas, o Padre Lugo, como ele é conhecido, tem 39% dos votos contra 32% para a ex-ministra da Educação Blanca Ovelar, candidata oficial do governo e do Partido Colorado, no poder desde 1947. Nos últimos dias, foram levantadas suspeitas de fraude, na expectativa de que os colorados tentariam fraudas o resultado das urnas.

Lugo lidera as pesquisas há muito tempo e pode se tornar presidente porque no Paraguai não há segundo. Na campanha, ele defendeu uma renegociação do Tratado de Itaipu para que seu país possa receber pela energia gerada pela usina hidrelétrica a preços de mercado.

O governo brasileiro rejeita o reajuste alegando que o Paraguai não leva em conta a dívida com a construção de Itaipu. Pelo tratado, o Paraguai, que usa apenas 6% da energia gerada pela hidrelétrica, só pode vender o excedente para o Brasil.

Único país do mundo onde o embaixador do Brasil é mais importante que o americano, como me disse um diplomata do Itamaraty, o Paraguai é extremamente dependente do Brasil. Além de Itaipu, o pobre país vizinho tem no comércio dos sacoleiros, os brasileiros que compram na Cidade do Leste, do outro lado da Foz do Iguaçu, outra importante fonte de renda.

Na agricultura, o Paraguai tornou-se um exportador de soja graças aos brasiguaios, agricultores brasileiros que compraram terras no país vizinho e ajudaram a desenvolver a agricultura paraguaia. Agora, temem a reforma agrária prometida pelo Padre Lugo.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Padre Lugo lidera pesquisa eleitoral no Paraguai

O candidato da esquerda, o padre Fernando Lugo, mantém a liderança nas pesquisas sobre a eleição presidencial de 20 de abril no Paraguai.

Candidato da Aliança Patriótica para a Mudança, Lugo tem 34,8% das preferências contra 28,9% da candidata oficial do governo e do Partido Colorado, a ex-ministra da Educação Branca Ovelar.

Em terceiro, está o general golpista Lino Oviedo, da União Nacional dos Cidadãos Éticos (Unace), que não passad de um nome de partido. O general da reserva teria 23% dos votos e o empresário Pedro Fadul, 1,9%. Os indecisos são 11,4%.