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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Preços param de cair na Zona do Euro

Depois de quatro meses em queda, o índice de preços ao consumidor nos 19 países da União Europeia que usam o euro como moeda ficou em zero em abril de 2015, afastando os temores de deflação do Banco Central Europeu, informou o jornal americano The Wall Street Journal citando como fonte o Eurostat, escritório oficial de estatísticas do bloco europeu.

No mês passado, o índice preços na Zona do Euro havia baixado 0,1%, numa curva ascendente, depois de registrar -0,3% em fevereiro e -0,6% em janeiro de 2015.

Neste mês, os preços subiram mais em serviços (0,9%, em comparação com 1% em março) e no item alimentos, álcool e tabaco (0,9%, foi de 0,6% em março). A maior queda foi no setor de energia (-5,8%, depois de -6% no mês passado).

A ameaça de queda continuada dos preços na Eurozona levou o BCE a lançar um programa de compra de títulos que deve jogar em circulação um trilhão de euros até setembro de 2016.

Com a queda pela metade nos preços do petróleo nos últimos dez meses, havia o risco de uma deflação capaz de levar a uma espiral de queda nos preços, no investimento, na produção e no consumo. "Está claro que nossa política monetária evitou este risco", declarou no início do mês o presidente do BCE, o italiano Mario Draghi.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Deflação na Zona do Euro recua para -0,1% ao ano

O índice de preços ao consumidor ficou negativo pelo quarto mês consecutivo em março de 2015 nos 19 países que usam o euro como moeda, mas a deflação recuou de -0,6% ao ano em janeiro para -0,3% em fevereiro e -0,1% no mês passado, revelou hoje o Eurostat, escritório oficial de estatísticas da União Europeia.

As maiores altas de preços na Zona do Euro foram em restaurantes e cafés (+0,11%), habitação (+0,09%) e produtos de tabaco (+0,07%). As maiores quedas em combustíveis para transporte (-0,44%), combustíveis líquidos (-016%) e telecomunicações (-0,06%).

Por país, a deflação foi maior na Grécia (-1,9%), em Chipre (1,4%) e na Polônia (-1,2%). A inflação foi mais alta na Áustria (0,9%), na Romênia (0,8%) e na Suécia (0,7%).

Todos os países da Eurozona ficaram abaixo da meta de inflação de 2% ao ano perseguida pelo Banco Central Europeu, que iniciou em março um programa de compra de títulos públicos por um ano e meio para jogar mais 1 trilhão de euros em circulação e assim estimular a frágil recuperação econômica da Europa. Está justificado.

Até agora, o crescimento projetado para 1,1% neste ano está sendo impulsionado pela queda nos preços internacionais do petróleo e pela desvalorização do euro por causa da política do BCE de imprimir mais dinheiro. A deflação também pode ser atribuída em parte à queda nos preços de energia.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Inflação nula ameaça economia japonesa com volta da recessão

Pela primeira vez desde maio de 2013, o núcleo do índice crescimento de preços ao consumidor ficou em zero no Japão, mostrando mais uma vez as dificuldades do primeiro-ministro Shinzo Abe para combater a estagnação e a deflação.

No mês passado, a taxa anual ficou em 0,2%. A inflação zero é atribuída ao fraco consumo doméstico e à queda nos preços internacionais do petróleo. O núcleo da inflação exclui os preços mais voláteis de alimentos frescos. O índice amplo ficou em 2,2%.

Em fevereiro de 2015, na comparação anual, o consumo doméstico foi 0,4% inferior em termos nominais e de -2,9% em termos reais, no décimo-terceiro mês consecutivo de baixa. Ainda assim, melhorou em relação aos -5,1% da janeiro de 2015. A renda doméstica subiu 1,9% em termos nominais, mas caiu 0,7% em termos reais.

A abeconomia, as políticas do primeiro-ministro para recuperar a economia, sofreu um duro golpe em 1º de abril do ano passado, quando o governo aumentou de 5% para 8% um imposto sobre consumo, refreando o apetite dos consumidores.

O Banco do Japão, banco central do país, faz no momento o maior programa de alívio quantitativo do mundo, anunciado em abril de 2013. Desde então, está comprando títulos para colocar em circulação mais ienes, no valor total de US$ 1,4 trilhão. A meta é chegar a uma inflação de 2% ao ano.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Japão cresceu menos no fim de 2014 do que estimativa inicial

O Japão, terceira maior economia do mundo, saiu da recessão no último trimestre de 2014, mas cresceu apenas 0,4% e não 0,6% como calculado na primeira estimativa, anunciou hoje o Banco do Japão, o banco central do país.

A recuperação tímida se reflete no crescimento do produto interno bruto do ano passado, que fechou em 0,5%, abaixo do 1,8% de 2012 e do 1,6% de 2013, quando o Japão se reerguia depois da catástrofe tríplice de 11 de março de 2011: um dos maiores terremotos da história, seguido de maremoto e de um acidente nuclear.

A retomada desandou em abril de 2014, quando o primeiro-ministro Shinzo Abe, no poder desde dezembro de 2012, autorizou um aumento de 5% para 8% na alíquota do imposto sobre consumo, equivalente ao imposto sobre circulação de mercadorias e serviços no Brasil.

O consumo desabou e a economia entrou em recessão, recuando 1,6% no segundo trimestre e 0,7% no terceiro trimestre de 2014. A recuperação se deve em parte ao aumento das exportações por causa da desvalorização iene depois que o Banco do Japão adotou a chamada política de "alívio quantitativo", passando a imprimir dinheiro para comprar títulos públicos. O objetivo é aumentar a quantidade de dinheiro em circulação para estimular a economia.

quinta-feira, 5 de março de 2015

BCE começa a comprar títulos na segunda-feira

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), o italiano Mario Draghi, confirmou hoje que o programa de compra de bônus para aumentar a quantidade de dinheiro em circulação, estimular o crescimento e combater a deflação na Zona do Euro começa na segunda-feira, 9 de março de 2015.

O chamado "alívio quantitativo" foi adotado com sucesso pelos bancos centrais dos Estados Unidos e do Reino Unido. Draghi anunciou em janeiro que o BCE deve comprar títulos no valor total de 1 trilhão de euros durante o período de um ano e meio. Na prática, vai imprimir o dinheiro. Uma consequência será a desvalorização da moeda comum europeia.

A economia da Eurozona apresentou sinais positivos nos úlitmos dias, como o aumento de 1,1% nas vendas no varejo em janeiro, bem acima da expectativa dos economistas. Como importadora de energia, a Europa se beneficia da queda nos preços internacionais do petróleo.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Deflação se aprofunda na Zona do Euro

Depois de cair para 0,2% ao ano em dezembro de 2014, o índice de preços ao consumidor registrou queda de 0,6% ao ano em janeiro de 2015 nos países da União Europeia que usam o euro como moeda, informou o Eurostat, escritório oficial de estatísticas do bloco.

O segundo mês consecutivo de alta de preços é atribuído à queda nos preços internacionais do petróleo, mas reacende o alerta para a ameaça de deflação, uma baixa sustentada nos preços que desestimula a produção e o consumo, colocando a economia numa espiral negativa. No setor de energia, a queda nos preços foi de 6,3% em dezembro e 8,9% em janeiro.

Para combater a deflação, o Banco Central Europeu anunciou em 22 de janeiro de 2015 a intenção de comprar títulos no valor de 1,1 trilhão de euros dentro de um ano e meio a partir de março. O objetivo do chamado alívio quantitativo é colocar mais dinheiro em circulação a fim de reativar a economia.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

BCE vai comprar 60 bilhões de euros em títulos por mês

Para combater a deflação e estimular a retomada do crescimento nos 19 países da Zona do Euro, o Banco Central Europeu vai comprar títulos públicos e privados no valor de 60 bilhões de euros (R$ 175 bilhões) por mês, mais do que esperado, durante um ano e meio colocando assim mais de 1 trilhão de euros em circulação.

A operação começa em março e vai até setembro de 2016, anunciou hoje em Frankfurt o presidente do BCE, o italiano Mario Draghi. A compra de títulos não poderá passar de um terço da dívida total de um país e 80% das aquisições serão feitas pelos bancos centrais nacionais.

No caso europeu, o objetivo da política de alívio quantitativo, aplicada com sucesso nos Estados Unidos e no Reino Unido, é elevar a inflação para a meta de 2% ao ano. Em 2014, a Eurozona teve deflação de 0,2%. Foi a primeira queda de preços em cinco anos. O desemprego está em 11,5% e o crescimento foi de apenas 0,2% no terceiro trimestre do ano passado.

"A inflação deve continuar muito baixa ou negativa nos próximos meses", declarou Draghi em entrevista coletiva, "por causa da queda acentuada nos preços do petróleo".

Para evitar o impacto de uma possível desvalorização do euro, a Dinamarca, que tem paridade cambial com o euro, reduziu as taxas de juros e o Banco Central da Suíça desvinculou a cotação do frango suíço do euro, levando a uma valorização imediata de sua moeda em 20%.

As bolsas de valores subiram com o anúncio do BCE, mas a moeda comum europeia atingiu sua cotação mais baixa diante do dólar americano em 11 anos: US$ 1,137.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Alemanha cresceu 1,5% em 2014

O produto interno bruto da Alemanha, maior economia da Europa e quarta do mundo, avançou 1,5% no ano passado, batendo a previsão oficial de 1,2%, anunciou hoje o instituto oficial de estatísticas Destatis.

Com a desaceleração da Zona do Euro, durante o último verão no Hemisfério Norte, em meados do ano passado, parecia que a Alemanha cairia em recessão, mas sua poderosa economia cresceu moderadamente e o desemprego é o menor desde a reunificação do país, em 1990.

Esse crescimento, mesmo sendo muito moderado, tende a fortalecer a resistência alemã às propostas de compra de títulos pelo Banco Central Europeu (BCE) para aumentar a quantidade de dinheiro em circulação na Eurozona e assim estimular as economias mais fracas, especialmente França e Itália.

O chamado "alívio quantitativo" parece inevitável e a Alemanha ganha com isso. Seus parceiros estão em sérias dificuldades e as políticas de austeridade impostas por Berlim estão sendo questionadas mais uma vez na campanha eleitoral da Grécia, onde a coligação esquerdista Syria lidera as pesquisas.

A Finlândia já avisou que não aceita nenhuma redução a mais da dívida grega, de cerca de 175% do PIB, como quer o líder esquerdista Alexis Tsipras.

O crescimento da Alemanha e algum alívio quantitativo ajudariam a recuperação da Eurozona.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Inflação na Alemanha cai para 0,1% ao ano

Com a Alemanha à beira da deflação e a Zona do Euro ameaçada pela estagnação e a queda de preços, cresce a pressão para o Banco Central Europeu (BCE) adotar políticas de compra de títulos públicos para aumentar a quantidade de dinheiro em circulação e assim estimular a economia, como fizeram os Estados Unidos e o Reino Unido. Em dezembro, o índice de crescimento de preços ao consumidor alemão baixou para 0,1% ao ano. É o menor desde outubro de 2009.

Na Eurozona como um todo, a inflação ficou em 0,3% ao ano em novembro. No mês passado, a Espanha registrou deflação de 1,1%. Diante do dado da Alemanha, a expectativa dos analistas é de uma queda de 0,1% nos preços da região.

O euro caiu a sua menor cotação em nove anos, comprando US$ 1,19.

"Claramente, existe uma alta probabilidade de deflação na Eurozona", reconhece o economista Carsten Brzeski, do banco holandês ING, baseado em Frankfurt. "Aumenta a pressão para o BCE agir."

A próxima reunião do BCE está marcada para 22 de janeiro de 2015. A Alemanha impôs a austeridade fiscal à Eurozona por não querer bancar as dívidas da Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália. Com a obsessão anti-inflacionária que vem da hiperinflação de 1923, é o país que mais resiste às políticas de "alívio quantitativo".

Por isso, a Europa é a única região do mundo que ainda não superou a crise que agora se renova com a deflação e a ameaça de eleição na Grécia de um governo contrário às políticas de austeridade fiscal. O presidente linha-dura do Bundesbank, o banco central alemão, Jens Weidmann, atacou as propostas de compra de títulos alegando que a baixa nos preços do petróleo será suficiente para estimular o crescimento europeu.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Mercado espera dados indicando desaceleração na China

Depois de ganhos importantes nas bolsas de valores da China, que subiu 40% desde setembro, o mercado financeiro da Ásia está atento nesta semana a dados sobre o comércio exterior, a inflação, a produção industrial e os investimentos em capital fixo no país em novembro.

Se for confirmada a desaceleração da economia, o Banco Popular da China deve adotar novas medidas de estímulo, antecipa a televisão americana CNBC, uma associação da rede NBC com o jornal The Wall St. Journal, especializada em noticiário econômico.

"Os dados de novembro devem mostrar a economia da China num ritmo abaixo do seu potencial, alimentando a expectativa de um novo alívio monetário", disseram em nota economistas da agência de classificação de risco Moody's. O Japão anunciou uma contração maior do que estimada inicialmente no terceiro trimestre de 2014 (veja abaixo).

As estatísticas do comércio exterior da China serão divulgadas hoje. "Esperamos uma queda no crescimento das exportações de 11,6% em outubro para 7,5% em novembro na comparação anual, e uma baixa no crescimento das importações de 4,6% para 3,5% ao ano", previu o Citibank.

Com essa desaceleração do crescimento, o saldo comercial diminuiu de US$ 45,5 bilhões, mas ainda registrou em novembro formidáveis US$ 43,1 bilhões.

A inflação no atacado deve crescer de 2,2% para 2,4% ao ano. Já o índice de preços ao consumidor deve ficar inalterado em 1,6% ao ano, dando margem de manobra ao banco central chinês para baixar ainda mais os juros depois do corte inesperado no mês passado.

Nas previsões da Moody's, o crescimento anual da produção industrial deve baixar de 7,7% em outubro para 7,6% em novembro. As fábricas de Beijim foram paradas durante uma semana para aliviar a poluição do ar durante a reunião de cúpula do fórum de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC).

O avanço anual das vendas no varejo deve subir de 11,5% para 11,6%, enquanto a alta nos investimentos em capital fixo vai baixar de 15,9% para 15,7% ao ano, a menor em 13 anos na China.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Japão amplia compra de títulos para US$ 724 bilhões por ano

O Banco do Japão surpreendeu os investidores hoje ao anunciar uma expansão de seu programa ultra-agressivo de compra de títulos para retirar papéis negociados no mercado financeiro e aumentar a quantidade de dinheiro em circulação num volume anual de 80 trilhões de ienes, US$ 724 bilhões pela cotação de hoje. As bolsas da Ásia reagiram operando em alta.

Tanto o Banco do Japão quanto o Banco Central Europeu recorrem aos chamados programas de alívio quantitativo para combater a deflação e estimular o crescimento no momento em que a Reserva Federal (Fed), o banco central dos Estados Unidos, encerra seu programa. O Fed acredita que a maior economia do mundo está recuperada, mas o Banco do Japão reduziu hoje sua previsão de crescimento para este ano para 0,5% e para 2015 de 1,4% para 1%.

Ao anunciar a ampliação do programa de compra de ativos, as autoridades monetárias japonesas afirmaram ser necessária para combater a "mentalidade deflacionária", diante do consumo fraco e da queda nos preços internacionais do petróleo. Em setembro, a inflação caiu para 1%, a menor taxa em 12 meses.

A meta de inflação do primeiro-ministro Shinzo Abe é de 2% ao ano. Desde que chegou ao poder, em dezembro de 2012, Abe mostrou determinação para reinflar a terceira maior economia do mundo e acabar com a estagnação e a deflação que já dura mais de duas décadas, entre outras razões por causa da competição estratégica com a China, que ultrapassou o Japão em 2010 para se tornar a segunda maior economia do mundo.

Depois de um sucesso inicial, a chamada abeconomia, que combina gastos públicos com aumento da quantidade de moeda em circulação e reformas estruturais, sofreu um golpe.

O aumento, em 1º de abril de 2014, de um imposto sobre consumo de 5% a 10% derrubou o produto interno bruto em 1,8% no segundo trimestre para US$ 4,9 trilhões, depois de uma alta de 1,5% no primeiro. Com a ameaça de queda de preços e o aumento do desemprego de 3,5% para 3,6% em setembro, o Banco do Japão reagiu hoje.

Até agora, as aquisições eram sobretudo de títulos de longo prazo da dívida pública do Japão. Daqui para a frente, devem triplicar as compras de títulos de fundos negociados em bolsas e de fundos de investimento imobiliário.

Com a notícia, a moeda japonesa, o iene caiu para 110 por dólar, a menor cotação desde 1º de outubro de 2014. Isso ajuda as exportações japonesas abaladas pela concorrência de países vizinhos com custos de produção muito menores, a começar pela China. Os saldos comerciais espetaculares japoneses são passado.

De 1970 a 2010, o Japão apresentou saldos comerciais positivos. Desde 2011, compra mais do que vende ao exterior. Em setembro de 2014, o déficit comercial foi de US$ 8,7 bilhões.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Fed encerra compra de títulos para colocar mais dinheiro em circulação

A Reserva Federal (Fed), o banco central dos Estados Unidos, anunciou hoje que encerra no fim deste mês o "programa de alívio quantitativo", a compra de títulos públicos para aumentar a quantidade de dinheiro em circulação e assim estimular a economia do país a sair da crise. Neste mês de outubro de 2014, o Fed comprou títulos no valor de US$ 15 bilhões.

Ao todo, desde o início da crise, o Fed colocou em circulação mais US$ 3,7 trilhões. A dúvida é se a maior economia do mundo já consegue andar com suas próprias forças.

O próximo passo para normalizar a política monetária será elevar as taxas básicas de juros. No momento, o mercado prevê que isto aconteça em meados de 2015. Vai depender do comportamento da inflação. O Fed segue informalmente uma meta de 1% a 2% ao ano. O índice de preços ao consumidor está em 1,5% desde setembro de 2012.

Depois de baixar a taxa básica de juros para praticamente zero em dezembro de 2008, diante da Grande Recessão deflagrada pelo colapso do banco de investimentos Lehman Brothers três meses antes, o banco central americano entendeu que o único instrumento de política monetária capaz de estimular a economia era colocar mais dinheiro em circulação, imprimir dinheiro.

De dezembro de 2008 a junho de 2010, o banco central americano comprou títulos de crédito imobiliário no valor de US$ 600 bilhões. Os EUA saíram da recessão no terceiro trimestre de 2009, mas, como foi a crise financeira mais séria desde a Grande Depressão (1929-39), as dívidas pessoais e do governo frearam a retomada no consumo.

Em agosto de 2010, concluindo que a recuperação era frágil e estava ameaçada, o banco central dos EUA passou a comprar notas do Tesouro Nacional, títulos da dívida pública americana no valor de US$ 30 bilhões por mês.

A segunda rodada de alívio quantitativo começou logo depois. De novembro de 2010 a junho de 2011, o Fed comprou mais US$ 600 bilhões em títulos do Tesouro. Ainda não foi suficiente para tirar os EUA da lona.

Uma terceira etapa foi anunciada em 13 de setembro de 2012, quatro anos depois da falência do Lehman Brothers. Por 11-1, o Conselho da Reserva Federal, a diretoria do banco central dos EUA, decidiu comprar US$ 40 bilhões por mês em títulos da dívida pública e da dívida hipotecária por prazo indeterminado. Esse valor foi elevado para US$ 85 bilhões por mês em dezembro de 2012.

Como esta é uma política monetária não convencional que só havia sido aplicada no Japão no início do século 21 para combater a estagnação e a deflação, o fim do programa foi lento e gradual para evitar sobressaltos.

No Brasil, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, denunciou uma "guerra cambial" quando o banco central dos EUA começou a imprimir dólares, como se o objetivo fosse simplesmente desvalorizar a moeda para baixar o preço e aumentar a competitividade das exportações americanas.

Durante seis anos, houve uma abundância de dólares no mercado internacional, com benefício para os países emergentes, que não estavam em crise como os países ricos e tinham grande oferta de capital.

Quando as taxas de juros do Fed começarem a subir, vai haver um aumento do fluxo de dólares em direção aos EUA. Isso pode causar problemas num momento em que as contas externas brasileiras estão deficitárias. A expectativa é de alta do dólar.

O Banco da Inglaterra usou a mesma estratégia para tirar o Reino Unido da crise, comprando 375 bilhões de libras em bônus da dívida pública. São US$ 600 bilhões ou R$ 1,477 trilhão pela cotação de hoje. Na atual conjuntura, o Banco do Japão e o Banco Central Europeu estão comprando títulos para evitar a deflação e atingir a meta de inflação de 2% ao ano.

A proposta do Fed era manter a enxurrada de dólares até que a taxa de desemprego nos EUA caísse para 6,5%. Já está em 5,9%, o que mostra a cautela das autoridades monetárias em desativar o programa. Nos últimos 12 meses, houve um saldo de 2,6 milhões entre empregos gerados e eliminados.

O início do fim do programa foi anunciado pelo então presidente, Ben Bernanke, em junho de 2013, se os indicadores econômicos fossem positivos. Em setembro, o Fed resolveu manter o programa. Finalmente, em dezembro de 2013, o banco central dos EUA prometeu reduzir gradualmente o programa de alívio quantitativo num ritmo de menos US$ 10 bilhões a cada mês.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Japão reduz previsão de crescimento para 2014

O governo do Japão reduziu de 1,4% para 1,2% a previsão oficial de crescimento para o ano fiscal japonês de 2014, que termina em 31 de março de 2015, informou hoje o jornal Mainichi Shimbun. A expectativa é que o primeiro aumento do imposto sobre consumo em 17 anos, em vigor desde 1º de abril, tenha um peso sobre a economia.

Dentro da política do primeiro-ministro Shinzo Abe para combater a estagnação e a deflação, o Banco do Japão está injetando desde o ano passado US$ 60 bilhões e US$ 80 bilhões por mês. Esse aumento da quantidade de moeda em circulação pode ajudar a compensar o fim do "alívio quantitativo" feito pelo banco central dos Estados Unidos para comater a crise econômica.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Fed dá primeiro sinal de aumento de juros

A Reserva Federal (Fed), o banco central dos Estados Unidos, retirou de seu comunicado oficial da reunião do Comitê de Mercado Aberto realizada ontem e hoje o compromisso de só aumentar juros quando a taxa de desemprego cair para 6,5%, preparando o terreno para a primeira alta de juros desde a crise, observa o jornal The Washington Post.

Como esperado, o Fed reduziu em US$ 10 bilhões para US$ 55 bilhões, em abril, o volume mensal da compra de títulos para jogar mais dinheiro em circulação e assim estimular a economia com o chamado "alívio quantitativo".

Desde o fim de 2012, o Fed prometia só cogitar o aumento das taxas de juros, que estão próximas de zero desde dezembro de 2008, até que o índice de desemprego baixasse para 6,5%, se a inflação ficasse abaixo de 2,5%.

Na sua primeira entrevista coletiva como presidente do Fed, Janet Yellen, confirmou a tendência. Ela disse que os juros devem começar a subir seis meses depois do fim do programa de alívio quantitativo, ou seja, no primeiro semestre de 2015.

A expectativa é que a taxa básica de juros da maior economia do mundo suba para 1% ao ano em 2015 e 2% ao ano em 2016. O Fed considera que 4% seria uma taxa de juros normal para uma economia equilibrada.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

EUA cresceram 1,9% em 2013

Os Estados Unidos cresceram 1,9% em 2013, abaixo dos 2,8% do ano anterior, mas terminaram o ano passado em alta, informou hoje o Departamento do Comércio.

No último trimestre de 2013, a maior economia do mundo avançou 0,8%, o que projeta uma taxa anual de 3,2%. A expectativa é que esse ritmo se mantenha em 2014, confirmando a recuperação.

Por este motivo, o Comitê da Reserva Federal (Fed), o banco central americano, reduziu em mais US$ 10 bilhões a quantidade de títulos que compra mensalmente para jogar mais dinheiro em circulação e assim estimular a economia. É uma política que o Fed adotou três vezes, depois de ter praticamente zerado as taxas básicas de juros.

O banco central dos EUA estava comprando US$ 85 bilhões em títulos hipotecários e da dívida pública. No mês passado, na última reunião de 2013, reduziu esse montante em US$ 10 bilhões e ontem  em mais US$ 10 bilhões, num processo gradual para evitar um choque no mercado que deve se estender até setembro ou outubro.

No momento, o maior impacto recai sobre países emergentes com balança comercial em déficit comercial. Com a menor oferta de dólares e a maior atração de investimentos pelos EUA, o dinheiro tende a sair de países como África do Sul, Brasil, Índia, Indonésia e Turquia, que sofrem com a desvalorização de suas moedas.

A alegação de que o Fed não está olhando para os países emergentes não se justifica. Quando o banco central dos EUA iniciou o programa de "alívio quantitativo", o ministro da Fazenda, Guido Mantega, falou em guerra cambial, como se o objetivo final fosse baratear o dólar e exportar a crise.

Ben Bernanke, que deixa amanhã a presidência do Fed depois de oito anos, é um economista especializado na Grande Depressão. Depois de zerar os juros, só lhe restava imprimir dinheiro para enfrentar a crise. O Fed jogou US$ 3 trilhões em circulação. Sem grandes opções de negócios nos países ricos em crise, parte desse dinheiro foi para países em desenvolvimento.

Agora, o fluxo de dólares se inverte. A situação dos emergentes só pesa na medida em que possa afetar o comércio ou a estabilidade internacional. O Brasil é afetado, mas sabia de tudo há muito tempo.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Fed corta programa de estímulo em mais US$ 10 bilhões

O banco central dos Estados Unidos anunciou há pouco, como esperado, que vai cortar em mais US$ 10 bilhões o total de títulos hipotecários e da dívida pública que compra mensalmente para jogar mais dólares em circulação e assim estimular a economia do país. O valor mensal cai para US$ 65 bilhões.

Foi a última reunião do Comitê da Reserva Federal (Fed) presidida por Ben Bernanke, que sai assim deixando uma impressão de que a situação volta para a normalidade em que um banco central usa a taxa de juros para aquecer ou esfriar a economia. Desde o auge da crise, a taxa básica do Fed está em praticamente zero.

Na prática, especialmente para os países em desenvolvimento, é um sinal de que a era do dólar barato acabou.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Preços no atacado têm maior alta em 6 meses nos EUA

O índice de preços ao produtor registrou em dezembro de 2013 a maior alta em seis meses nos Estados Unidos, principalmente devido ao aumento da gasolina, mas a inflação ainda é baixa. Ficou em 0,4% em dezembro, maior nível desde junho, depois de cair 0,1% em novembro.

Em 12 meses, a inflação anual no atacado foi de 1,2%, bem acima do 0,7% de novembro do ano passado. As autoridades monetárias americanas perseguem uma meta informal de inflação no varejo entre 1% e 2% ao ano, então está dentro da faixa.

A alta de preços nas fazendas, fábricas e refinarias em dezembro, depois de dois meses de baixa, está de acordo com a expectativa dos economistas. Excluídos os preços mais voláteis de alimentos e energia, o índice mensal ficou em 0,3%. O item que mais subiu foi tabaco, 3,6%

Os analistas atribuem a inflação baixa neste momento de retomada do crescimento aos salários achatados pelo desemprego elevado. Mas a maioria acredita que o Comitê da Reserva Federal (Fed), o banco central dos EUA, deve cortar suas compras de títulos no mercado financeiro em US$ 10 bilhões a US$ 15 bilhões na reunião do Comitê do Mercado Aberto de 28 e 29 de janeiro, reduzindo seu programa de alívio quantitativo para estimular a economia.

Outro relatório revelou que a atividade industrial do estado de Nova York chegou em janeiro ao maior nível em um ano e dez meses, informa a agência de notícias Reuters.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Geração de empregos tem forte queda nos EUA

Ao contrário do que previu a estimativa da consultoria privada ADP, a economia dos Estados Unidos registrou um saldo de apenas 74 mil empregos novos em dezembro de 2013, bem abaixo dos mais de 200 mil de outubro e novembro, informou hoje o relatório oficial de emprego do Departamento do Trabalho.

Em outra pesquisa, o índice de desemprego caiu de 7% para 6,7%, mas isso se deve à redução do número de trabalhadores em busca de emprego.

Os dois dados sugerem uma forte desaceleração no mercado de trabalho. Isso deve levar o Comitê da Reserva Federal (Fed), a diretoria do banco central dos EUA, a reexaminar a redução do terceiro programa de alívio quantitativo, a compra de títulos das dívidas pública e hipotecária para jogar mais dinheiro em circulação.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Senado aprova primeira mulher para presidir Fed

Por 56-26, o Senado dos Estados Unidos aprovou hoje a indicação de Janet Yellen para presidir a Reserva Federal (Fed), o banco central americano, a partir de 1º de fevereiro de 2014. Será a primeira mulher a dirigir a instituição, que completou 100 anos em 23 de dezembro.

Janet Yellen, de 67 anos, era vice-presidente do Fed. É considerada demorada. Deve manter a política de retirada gradual do estímulo à economia através da compra de títulos, iniciada pelo atual presidente, Ben Bernanke, com um olho na inflação e o outro na taxa de desemprego.

No ano passado, Bernanke prometeu manter o programa de estímulos até que o desemprego caísse para 6,5%; está em 7%, o menor em cinco anos, mas ainda elevado. O total de títulos comprados mensalmente pelo Fed foi reduzido de US$ 85 bilhões para US$ 75 bilhões neste mês. A economia dá sinais de recuperação, mas ainda há dúvidas sobre a consistência da retomada.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

EUA reduzem gradualmente compra de títulos

A partir de janeiro de 2014, a Reserva Federal (Fed), o banco central dos Estados Unidos, vai reduzir sua compra mensal de títulos de US$ 85 bilhões para US$ 75 bilhões, anunciou ontem seu presidente Ben Bernanke. A medida era esperada pelo mercado havia meses.

O programa de "alívio quantitativo" foi lançado para injetar mais dinheiro na economia depois que a taxa básica de juros foi rebaixada a praticamente zero para combater a crise financeiro de 2008-9. Bernanke acrescentou que os juros continuarão neste patamar até que a taxa de desemprego caia para 6,5% ao ano ou a inflação passe da meta informal perseguida pelo Fed, de 2% ao ano.

No mundo inteiro, a moeda americana se valoriza. As bolsas de valores da Ásia, o polo mais dinâmico da economia mundial, operam em alta porque os EUA são um dos maiores mercados para seus produtos industriais, ao lado da Europa e cada vez mais da China.