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quinta-feira, 22 de maio de 2025

Trump proíbe Harvard de matricular estrangeiros

 Em sua guerra contra a ciência, a cultura e as universidades, o governo Donald Trump proibiu hoje a Universidade de Harvard, uma das mais prestigiadas do Brasil e do mundo, de matricular estudantes estrangeiros. Os que já estão lá seriam obrigados a pedir transferência para não perder o visto de residência temporária nos EUA, mas acredito que a Justiça anule a medida absurda.

Trump quer controlar as admissões, contratações, currículos e convênios das universidades numa guerra ideológica de caráter fascistoide por considerá-las antros do progressismo e do globalismo que contrariam o ultranacionalismo do movimento MAGA (Torne a América Grande de Novo). Na verdade, é uma guerra contra o pensamento independente.

A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, acusou hoje Harvard de permitir agitação e antissemitismo no campus em apoio à violência e ao terrorismo, e até mesmo de conluio com o Partido Comunista da China. É patético.

No dia seguinte, um juiz anulou a decisão do governo. A batalha judicial deve ir até a Suprema Corte.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Discurso raivoso de Bolsonaro na ONU isola ainda mais o Brasil

Ao abrir os debates gerais da reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, o presidente Jair Bolsonaro repetiu hoje a costumeira ladainha de teorias conspiratórias, paranoia, mentiras e ataques a inimigos reais ou imaginários para justificar suas políticas de extrema direita. Para o ex-secretário de Assuntos Estratégicos no governo Michel Temer, Hussein Kalout, "foi o discurso mais agressivo já proferido por um presidente brasileiro" na ONU.

A Organização das Nações Unidas é a segunda organização internacional de caráter universal dedicada a garantir a paz mundial. Substituiu a Liga das Nações, criada depois da Primeira Guerra Mundial, que fracassou ao não impedir a Segunda Guerra Mundial. A guerra no Oceano Pacífico ainda não havia acabado quando a ONU foi fundada. 

A Carta da ONU foi aprovada em 25 de junho de 1945 e assinada no dia seguinte por 50 países. Quando foi instalada, em 24 de outubro de 1945, eram 51 países. A Polônia, invadida pela Alemanha nazista no primeiro dia da guerra, em 1º de setembro de 1939, havia recuperado sua independência. Hoje, a ONU tem 193 países-membros.

A ONU tem como objetivos: manter a paz e a segurança internacionais; desenvolver relações amistosas entre as nações com base na igualdade, na autodeterminação dos povos e da soberania nacional; e promover a cooperação internacional para resolver problemas internacionais de caráter econômico, social, cultural e humanitário.

Se não conseguiu acabar com a guerra, a ONU é um foro permanente para negociações internacionais. A Assembleia Geral é um parlamento mundial. Não houve mais guerras entre grandes potências. As organizações econômicas internacionais, o Fundo Monetário Internacional, o FMI, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio, a OMC, contribuíram para debelar crises econômicas. E a ONU foi uma grande agência de descolonização e até hoje é essencial na promoção do desenvolvimento da África.

Desde 1949, é tradição que o Brasil seja o primeiro a falar nos debates da Assembleia Geral. Isso vem do tempo da Guerra Fria, quando o Brasil não fazia parte do bloco soviético nem da aliança militar liderada pelos Estados Unidos. Meu comentário:

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Trump rejeita globalismo e ataca o Irã e a Venezuela na ONU

Em seu segundo discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas como presidente dos Estados Unidos, Donald Trump rejeitou hoje o globalismo, defendeu o "patriotismo" e sua política externa de "EUA, primeiro".

Com uma visão negocista das relações internacionais, Trump aproveitou esse parlamento mundial para deixar claro que os EUA não vão aceitar nenhuma limitação a seu poder, "vão sempre escolher a independência e a cooperação à governança global, ao controle e à dominação."

Em 35 minutos, defendeu sua visão isolacionista, que vai contra a política externa dos EUA no pós-guerra de gestão coletiva das crises internacionais através do multilateralismo: "Honro o direito de cada nação nesta sala de seguir seus próprios costumes, crenças e tradições. Os EUA não vão dizer a vocês como viver, trabalhar ou rezar. Só pedimos que honre nossa soberania."

Os EUA "nunca vão pedir desculpas por proteger seus cidadãos", afirmou Trump, no que pode ser interpretado dos pontos de vista econômico e militar, justificando a guerra comercial e o aumento do orçamento de defesa para mais de US$ 700 bilhões anuais.

"Os EUA não vão tolerar serem passados para trás", vociferou, pensando no déficit comercial, de US$ 566 bilhões no ano passado.

Ao criticar governos anteriores, Trump costuma dizer "os EUA viraram piada no resto do mundo". Desta vez, acertou. Quando disse que seu governo fez mais em dois anos do que a maioria dos governos da história do país, o plenário caiu na risada.

Também aproveitou a oportunidade para atacar os líderes do Irã, da Síria, da Venezuela e da China. O principal alvo foi o Irã. O presidente citou a retirada dos EUA do acordo nuclear firmado em 2015 pelas grandes potências do Conselho de Segurança da ONU e o Irã para desarmar o programa nuclear iraniano como um marco significativo de seu governo.

A partir de novembro, os EUA voltam a impor sanções ao Irã e estão pressionando o resto do mundo a fazer o mesmo. Mas os outros países signatários e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) entendem que o regime teocrático iraniano estava cumprindo o acordo. A União Europeia já estuda meios para fugir das sanções cruzadas dos EUA.

No ano passado, o alvo era o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un, o mais novo amigão de Trump, que chamou de "fogueteiro" num discurso tão forte que suscitou medo de que os EUA bombardeassem a Coreia do Norte. Hoje, agradeceu a Kim pela "coragem e os passos que deu".

Depois, Trump comentou que a mesma tática pode funcionar com o Irã. No discurso, responsabilizou a "ditadura corrupta do Irã" pela guerra civil da Síria: "Eles semeiam o caos, a morte e a destruição. Os EUA lançaram uma campanha de pressão econômica para negar ao regime os fundos para avançar com sua agenda sanguinária."

O governo Trump exige que o Irã, além de abandonar o desenvolvimento de armas atômicas, pare de fabricar mísseis de médio e longo alcances e de interferir em outros países da região.

Quando o presidente iraniano, Hassan Rouhani, falou, criticou o "nacionalismo extremado e o racismo". Sem nenhum incentivo para negociar no momento, o Irã aguarda o desenrolar as negociações entre os EUA e a Coreia do Norte para reavaliar a conveniência de retomar o diálogo com Washington.

Ignorante e incompetente em política externa, Trump joga para destruir a ordem internacional liberal criada depois da Segunda Guerra Mundial sob a inspiração do presidente Franklin Delano Roosevelt para resolver as crises internacionais em conjunto com os aliados num sistema multilateral.

Trump acredita que o multilateralismo limita o poder dos EUA, em vez de ampliá-lo. Prefere negociações bilaterais diretas em que pretende impor a supremacia americana. Sua visão de mundo despreza aliados tradicionais como a Europa, o Canadá e o Japão.

O mundo de Trump seria uma recriação da era dos impérios, anterior à Primeira Guerra Mundial, um mundo dividido em esferas de influência de grandes potências, EUA, China e Rússia, que levou a duas guerras mundiais. Como ele só acredita em poderio militar, a União Europeia, uma superpotência econômica, não pesa.

Na sua paixão indiscreta por homens-fortes e ditaduras, o presidente americano elogiou a Arábia Saudita, ignorando a tragédia causada pela intervenção militar saudita na guerra civil do Iêmen, o conflito mais mortal no mundo hoje.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Trump nomeia inimigo da China para comércio exterior

Em mais um sinal de que deve jogar duro com a China, o presidente eleito Donald Trump indicou ontem Peter Navarro para presidente do Conselho Nacional de Comércio dos Estados Unidos. Navarro acusa a China de guerra econômica contra os EUA.

Mais tarde, Trump apontou o investidor bilionário Carl Icahn como assessor especial para desregulamentação sem um cargo formal nem salário. Durante a campanha, o candidato republicano prometeu acabar com 90% das normas federais que afetam a geração de emprego. A nomeação está sendo criticada porque, como megainvestidor, Icahn pode se beneficiar das desregulamentações que promover.

Para o jornal The Wall Street Journal, porta-voz do centro financeiro de Wall Street, em Nova York, as nomeações sugerem que a política econômica de Trump será um misto de valores tradicionais do Partido Republicano, como desregulamentação e cortes de impostos, com uma abordagem mais populista em comércio, indústria e imigração.

Ao justificar a indicação de Navarro, Trump afirmou que ele foi "presciente ao documentar os danos infligidos pelo globalismo aos trabalhadores americanos e mostrou o caminho para restaurar nossa classe média."

Navarro é autor de vários livros críticos do regime comunista chinês e sua estratégia de desenvolvimento econômico como As Próximas Guerra da China e Morte pela China: confrontando o dragão - uma convocação global à ação.

"O que temos em comum é uma profunda compreensão de que o problema estrutural chave da economia americana é o comércio", declarou Navarro em entrevista antes da eleição de 8 de novembro de 2016.

Trump provocou a China ao telefonar para a presidente da Taiwan, Tsai Ing-wen, que Beijim considera uma província rebelde, contrariando a política de que "só existe uma China", representada pelo regime comunista no poder desde 1949.

Com seu discurso em defesa dos trabalhadores sem curso superior, Trump atraiu a simpatia dos sindicatos. "No passado, a política comercial foi usada como instrumento de política externa pelo Conselho de Segurança Nacional e não como instrumento para promover a produção doméstica e a geração de empregos", afirmou o presidente do sindicato Metalúrgicos Unidos, Leo Gerard.