O Banco Mundial reduziu hoje para baixo sua previsão para o crescimento da economia mundial em 2016, de 2,9% para 2,4%, por causa da queda nos preços das matérias-primas, do esfriamento da demanda nos países ricos, da fraqueza do comércio internacional e da diminuição dos fluxos de capital.
"A economia mundial está sujeita a sérios riscos", adverte um relatório semestral Prospectos para a Economia Mundial citando ameaças geopolíticas e a volatilidade financeira. A expectativa para 2017 foi cortada em 0,3 ponto percentual para 2,8%.
Na análise do banco, um problema central é a queda nos preços das matérias-primas, principais fontes de renda dos países em desenvolvimento: "Os mercados emergentes e os países em desenvolvimento exportadores de produtos primários não conseguiram se adaptar à fraqueza nos preços do petróleo e de outros produtos essenciais."
Os países emergentes devem crescer 3,5%, com destaque para a Índia (7,6%) e a China (6,7%). Já o Brasil e a Rússia terão recessões mais profundas do que previsto anteriormente pelo Banco Mundial. A previsão para os Estados Unidos foi reduzida em 0,8 ponto percentual para 1,9%.
Para o Brasil, a expectativa é de -4% (-1,5 em relação à previsão anterior, seis meses atrás) em 2016, -0,2% (-1,6) em 2017 e 0,8% (-0,7) em 2018.
"Em 2015, a América Latina e o Caribe viram sua primeira contração desde a crise financeira. Em 2016, esta recessão deve se aprofundar. O produto interno bruto regional deve declinar 1,3% em 2016 depois de encolher 0,7%. Mas há uma grande heterogeneidade entre suas três sub-regiões", observa o relatório.
"Na América do Sul, grande exportadora de petróleo e metais, que estão em baixa, a incerteza política, a crescente aversão global ao risco e políticas de juros altos contribuíram para a contração da atividade econômica em 2015", acrescenta o Banco Mundial.
"No Brasil, a maior economia da América Latina e do Caribe, o PIB encolheu cerca de 3,8% em 2015 na pior recessão em décadas. A confiança do investidor desabou em parte devido às incertezas cercando as investigações da Lava Jato e o processo de impeachment contra a presidente.
"A depreciação substancial do real em relação ao dólar de mais de 30% em 2015 e a remoção dos subsídios à energia elevaram a inflação para cerca de 10%. Para reancorar as expectativas de inflação, o Banco Central mantém uma política monetária apertada apesar da queda na produção, e a expectativa é que daqui a um a inflação volte para a banda de flutuação da meta.
"A inflação elevada e o aumento do desemprego erodiram a renda real e pesaram sobre o consumo doméstico, enquanto o investimento em capital fixo está em declínio acentuado desde 2014", concluem os analistas do banco.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 8 de junho de 2016
Banco Mundial reduz previsão de crescimento para 2016
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Brasil ajuda Unicef a combater mortalidade infantil
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou hoje o Compromisso com a sobrevivência infantil, um programa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) destinado a ajudar países pobres em dificuldades para atingir as Metas de Desenvolvimento do Milênio, que incluem a redução em dois terços da mortalidade infantil até 2015.
Como o Brasil cumpriu a meta quatro anos antes do prazo e registrou uma queda de 73% na mortalidade infantil desde 1990, a experiência brasileira é muito importante para países como o Haiti, onde o Brasil lidera a missão de paz da ONU, e pode ser transferida a outros países da América Latina e da África.
Na oportunidade, o ministro destacou iniciativas como a Rede Cegonha, a política nacional de aleitamento materno, o programa nacional de vacinação e a ampliação do acesso aos cuidados básicos de saúde.
A medida reforça aspectos centrais da política externa brasileira, o fortalecimento das relações Sul-Sul, entre países em desenvolvimento, e da cooperação nas relações internacionais, em contraste com uma diplomacia mais concorrencial baseada na competição que caracteriza a atuação dos países ricos.
O Brasil já foi chamada de uma potência herbívora porque não ameaça os países vizinhos. Acredita que o desenvolvimento social é a melhor maneira de prevenir conflitos internos e internacionais.
Em 1990, de cada mil nascimentos, 58 crianças não chegavam a completar cinco anos de idade. Em 2011, a proporção para 16 mortes prematuras para cada mil crianças na mesma faixa de idade.
Na educação infantil, a meta do milênio é nenhuma criança sem escola até 2015. Um relatório divulgado em 31 de agosto indica que 3,7 milhões de crianças brasileiras ainda estavam fora da escola em 2010.
Como o Brasil cumpriu a meta quatro anos antes do prazo e registrou uma queda de 73% na mortalidade infantil desde 1990, a experiência brasileira é muito importante para países como o Haiti, onde o Brasil lidera a missão de paz da ONU, e pode ser transferida a outros países da América Latina e da África.
Na oportunidade, o ministro destacou iniciativas como a Rede Cegonha, a política nacional de aleitamento materno, o programa nacional de vacinação e a ampliação do acesso aos cuidados básicos de saúde.
A medida reforça aspectos centrais da política externa brasileira, o fortalecimento das relações Sul-Sul, entre países em desenvolvimento, e da cooperação nas relações internacionais, em contraste com uma diplomacia mais concorrencial baseada na competição que caracteriza a atuação dos países ricos.
O Brasil já foi chamada de uma potência herbívora porque não ameaça os países vizinhos. Acredita que o desenvolvimento social é a melhor maneira de prevenir conflitos internos e internacionais.
Em 1990, de cada mil nascimentos, 58 crianças não chegavam a completar cinco anos de idade. Em 2011, a proporção para 16 mortes prematuras para cada mil crianças na mesma faixa de idade.
Na educação infantil, a meta do milênio é nenhuma criança sem escola até 2015. Um relatório divulgado em 31 de agosto indica que 3,7 milhões de crianças brasileiras ainda estavam fora da escola em 2010.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Falta de diplomacia de Dilma preocupa Itamaraty
A falta de talento e disposição da presidente Dilma Rousseff para a diplomacia está deixando setores do Ministério das Relações Exteriores tensos e preocupados em relação à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), a ser realizada no Rio de Janeiro de 20 a 22 de junho de 2012.
Com a crise econômica mundial, a possibilidade de avanços importantes na questão ambiental é praticamente nula. Os países em desenvolvimento, liderados pelos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) querem ênfase no desenvolvimento para não se comprometer com medidas capazes de comprometer seu crescimento econômico.
Por sua vez, os países ricos não querem fazer concessões que não sejam acompanhadas pelas grandes economias emergentes, que veem como concorrentes. Estão mais preocupados com a retomada do crescimento e a geração de empregos.
O Brasil pode aproveitar a oportunidade para fortalecer seus laços com os países em desenvolvimento. A maioria provavelmente se interessa por encontros bilaterais com a presidente brasileira. Isto inquieta o Itamaraty.
Um dos países emergentes da Ásia é o Vietnã, hoje o segundo produtor mundial de café, atrás apenas do Brasil. Tem mais de 90 milhões de habitantes. Desde 1986, faz uma reforma econômica no estilo da chinesa, chamada de Doi Moi (Renovação). Com o aumento de custos e salários na China, parte da produção industrial de mão de obra intensiva está se transferindo para outras economias asiáticas, principalmente Indonésia e Vietnã.
Como o Vietnã vive sob um regime comunista, o secretário-geral do partido, Nguyen Phu Trong, é um dos homens mais poderosos do país, membro da troika que manda de fato no país. Ele vinha ao Brasil. Tinha audiência marcada com a presidente, que, ao revisar sua agenda, decidiu não mais recebê-lo.
O secretário-geral do PC vietnamita simplesmente cancelou a visita ao Brasil.
Membro do comitê central do partido desde janeiro de 1994 e do Politburo desde dezembro de 1997, Trong foi secretário do partido em Hanói (2000-6), o que na prática o tornava prefeito da capital vietnamita, e presidente da Assembleia Nacional (2006-11).
Em 19 de janeiro do ano passado, foi eleito secretário-geral pelo 11º Congresso do Partido Comunista do Vietnã.
Se o governo brasileiro gosta tanto do regime comunista cubano, não tem razões para discriminar o vietnamita.
Com a crise econômica mundial, a possibilidade de avanços importantes na questão ambiental é praticamente nula. Os países em desenvolvimento, liderados pelos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) querem ênfase no desenvolvimento para não se comprometer com medidas capazes de comprometer seu crescimento econômico.
Por sua vez, os países ricos não querem fazer concessões que não sejam acompanhadas pelas grandes economias emergentes, que veem como concorrentes. Estão mais preocupados com a retomada do crescimento e a geração de empregos.
O Brasil pode aproveitar a oportunidade para fortalecer seus laços com os países em desenvolvimento. A maioria provavelmente se interessa por encontros bilaterais com a presidente brasileira. Isto inquieta o Itamaraty.
Um dos países emergentes da Ásia é o Vietnã, hoje o segundo produtor mundial de café, atrás apenas do Brasil. Tem mais de 90 milhões de habitantes. Desde 1986, faz uma reforma econômica no estilo da chinesa, chamada de Doi Moi (Renovação). Com o aumento de custos e salários na China, parte da produção industrial de mão de obra intensiva está se transferindo para outras economias asiáticas, principalmente Indonésia e Vietnã.
Como o Vietnã vive sob um regime comunista, o secretário-geral do partido, Nguyen Phu Trong, é um dos homens mais poderosos do país, membro da troika que manda de fato no país. Ele vinha ao Brasil. Tinha audiência marcada com a presidente, que, ao revisar sua agenda, decidiu não mais recebê-lo.
O secretário-geral do PC vietnamita simplesmente cancelou a visita ao Brasil.
Membro do comitê central do partido desde janeiro de 1994 e do Politburo desde dezembro de 1997, Trong foi secretário do partido em Hanói (2000-6), o que na prática o tornava prefeito da capital vietnamita, e presidente da Assembleia Nacional (2006-11).
Em 19 de janeiro do ano passado, foi eleito secretário-geral pelo 11º Congresso do Partido Comunista do Vietnã.
Se o governo brasileiro gosta tanto do regime comunista cubano, não tem razões para discriminar o vietnamita.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Texto acirra divisão entre ricos e pobres em Copenhague
O vazamento de um texto que estava sendo discutindo num pequeno grupo de 20 países, divulgado pelo jornal inglês The Guardian, apimentou o segundo dia da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que se realiza até 18 de dezembro de 2009, em Copenhague, na Dinamarca.
Pelo "texto dinamarquês", como o chamou o jornal britânico, acabaria o princípio básico do Protocolo de Quioto de que os países desenvolvidos, industrializados há muito mais tempo, tem maior responsabilidade pelo aumento da concentração de gases carbônicos na atmosfera. As emissões por habitante projetadas para o ano 2050 dariam uma vantagem de dois para um, mantendo a desigualdade entre as nações existente hoje.
Esse texto teria sido preparado pela Dinamarca junto com os Estados Unidos e o Reino Unido, e apresentado a um grupo de cerca de 20 países, entre eles o Brasil.
Ao analisar o documento, o Guardian concluiu que:
• força os países em desenvolvimento a se comprometerem com metas obrigatórias de redução de emissões, ao contrário de acordos anteriores da ONU, baseados no princípio que orientou o acordo de Quioto;
• divide os países em desenvolvimento dos países pobres criando a categoria dos "mais vulneráveis";
• enfraquece a posição da ONU como coordenadora do combate à mudança do clima;
• limita as emissões dos países pobres em 2050 em 1,44 toneladas por habitante, enquanto os ricos tem direito a 2,67 toneladas por pessoa.
A China imediatamente reafirmou, em entrevista coletiva, o princípio de que os países em desenvolvimento estão se propondo a adotar metas voluntárias de controle das emissões, mas só vão fazer isso se os ricos ou desenvolvidos derem o exemplo, o dinheiro e a tecnologia.
Em um evento paralelo, a ativista Naomi Klein culpou o consumismo pelo aquecimento global.
Pelo "texto dinamarquês", como o chamou o jornal britânico, acabaria o princípio básico do Protocolo de Quioto de que os países desenvolvidos, industrializados há muito mais tempo, tem maior responsabilidade pelo aumento da concentração de gases carbônicos na atmosfera. As emissões por habitante projetadas para o ano 2050 dariam uma vantagem de dois para um, mantendo a desigualdade entre as nações existente hoje.
Esse texto teria sido preparado pela Dinamarca junto com os Estados Unidos e o Reino Unido, e apresentado a um grupo de cerca de 20 países, entre eles o Brasil.
Ao analisar o documento, o Guardian concluiu que:
• força os países em desenvolvimento a se comprometerem com metas obrigatórias de redução de emissões, ao contrário de acordos anteriores da ONU, baseados no princípio que orientou o acordo de Quioto;
• divide os países em desenvolvimento dos países pobres criando a categoria dos "mais vulneráveis";
• enfraquece a posição da ONU como coordenadora do combate à mudança do clima;
• limita as emissões dos países pobres em 2050 em 1,44 toneladas por habitante, enquanto os ricos tem direito a 2,67 toneladas por pessoa.
A China imediatamente reafirmou, em entrevista coletiva, o princípio de que os países em desenvolvimento estão se propondo a adotar metas voluntárias de controle das emissões, mas só vão fazer isso se os ricos ou desenvolvidos derem o exemplo, o dinheiro e a tecnologia.
Em um evento paralelo, a ativista Naomi Klein culpou o consumismo pelo aquecimento global.
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