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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 23 de Janeiro

 PIOR TERREMOTO DA HISTÓRIA

    Em 1556, o terremoto de Xaanxi ou do Condado de Hua mata cerca de 830 mil pessoas na China, o que o torna o mais mortífero da história.

Dez províncias chinesas são abaladas. Uma área de 1,3 mil quilômetros quadrados é arrasada. Em alguns condados, 60% da população morrem. A maioria morava em cavernas naturais que desabam com o tremor de terra.

PRIMEIRA MÉDICA MULHER NOS EUA

  Em 1849, numa cerimônia de formatura realizada numa igreja de Genebra, no estado de Nova York, Elizabeth Blackwell torna-se a primeira mulher a se graduar em medicina nos Estados Unidos.

Seu pai era do movimento abolicionista. O irmão e a mulher dele eram ativistas da luta pelo voto feminino. Boa aluna, Elizabeth decide estudar medicina depois de ouvir de uma amiga que estava morrendo que teria sido mais bem-tratada por uma mulher.

A questão vai para o conselho universitário e é aprovada por estudantes, talvez por troça tão inacreditável é a ideia para a época. Elizabeth recebe sua carta de aceitação e começa a estudar em 1847.

Elizabeth Blackwell monta uma clínica para pobres em Nova York, funda um hospital e uma enfermaria para crianças e mulheres junto com uma irmã mais moça que também se forma em medicina,

Durante a Guerra da Secessão (1861-65), elas treinam enfermeiras para atender os feridos. Em 1868, abrem sua faculdade de medicina. Elizabeth vai então para Londres, onde dá aula de ginecologia na Escola de Medicina para Mulheres.

Blackwell é uma pioneira. Seu exemplo contribui para que as mulheres aos poucos sejam aceitas numa profissão predominantemente masculina. Em 2017, pela primeira vez, há mais mulheres do que homens estudando medicina nos EUA.

MULHER NO PODER

    Em 1997, um dia depois de aprovação unânime no Senado, Madeleine Albright toma posse como a primeira secretária de Estado, a primeira mulher a chefiar a diplomacia dos Estados Unidos.

Albright nasce em 1937 na Tcheco-Eslováquia e é batizada como Madeleine Jana Korbelova. Sua família foge para os EUA em 1948, depois que os comunistas tomam o poder. 

Ela estuda direito e política na Universidade Colúmbia, em Nova York, e vai até o doutorado. Em 1959, casa com Joseph Albright, de uma família de editores. Nos anos 1970, trabalha como funcionária do Conselho de Segurança Nacional nos anos 1970. 

Em janeiro de 1993, no início do governo, o presidente Bill Clinton a nomeia embaixadora junto às Nações Unidas. Em dezembro de 1996, Clinton a indica para secretaria da Estado, tornando-a na primeira mulher a ocupar o cargo e a mais alta funcionária até então do governo dos EUA.

Imigrante da Europa Oriental, fala francês, polonês, russo e tcheco, Madeleine Albright se interessa especialmente pelos países de sua região de origem no mundo pós-Guerra Fria. É uma das principais responsáveis pela intervenção internacional da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Guerra do Kossovo contra o ditador sérvio Slobodan Milosevic, também conhecida como a guerra da Srª Albright.

Madeleine Albright é secretária de Estado até o fim do governo Clinton, em janeiro de 2001. Volta então a lecionar na Universidade Georgetown. Torna-se uma voz importante do antifascismo nos EUA. Ela morre em 23 de março de 2022. Um mês antes, na véspera da invasão da Ucrânia, o jornal The New York Times publica um artigo da ex-secretária advertiu o ditador russo, Vladimir Putin, para o "erro histórico" de ir à guerra.

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Janeiro

 MORTE DA RAINHA VITÓRIA

    Em 1901, depois de 63 anos de reinado e 81 de vida, morre a rainha Vitória, do Reino Unido, imperatriz da Índia, marco do fim de uma era de grande expansão do Império Britânico, onde o Sol nunca se punha.

Vitória nasce em 24 de maio de 1819 e ascende ao trono com 18 anos, em 20 de junho de 1837, com a morte de seu tio Guilherme IV. 

Amiga de seu primeiro primeiro-ministro, Lorde Melbourne, Vitória tenta evitar que seja sucedido pelo conservador Sir Robert Peel em 1839. Dois anos depois, os conservadores vencem a eleição. Ela é obrigada a aceitar Peel. Nunca mais intervém diretamente na política.

Em fevereiro de 1840, ela se casa com o primo Albert, um príncipe alemão. Ele se torna um conselheiro importante e secretário particular da rainha. O casal organiza a primeira exposição internacional, a Grande Exposição, em 1851, para apresentar ao mundo o poder da indústria britânica.

Albert leva Vitória a se afastar dos liberais e se aproximar dos conservadores. A rainha apoia claramente Benjamin Disraeli, líder do Partido Conservador. Quando Disraeli se torna primeiro-ministro, dá a Vitória o título de imperatriz da Índia, em 1876.

DIREITO AO ABORTO

    Em 1973, a Suprema Corte dos Estados Unidos toma uma de suas decisões mais discutidas, criando o direito constitucional ao aborto ao declarar que uma lei do estado do Texas que criminalizava a interrupção da gravidez era inconstitucional por violar o direito da mulher à privacidade com base na Emenda nº 14.

Depois que o então presidente Donald Trump nomeia três juízes conservadores para a Suprema Corte, em 24 de junho de 2022, por 5 a 4, o supremo tribunal dos EUA revoga o direito constitucional ao aborto ao decidir que, como a Constituição não toca no assunto, a competência é dos estados.

Naquele caso, por 6 a 3, a Suprema Corte considera constitucional uma lei do estado do Alabama que proíbe o aborto após 15 semanas de gravidez. O presidente do tribunal, ministro John Roberts, tenta evitar a mudança na jurisprudência firmada em 1973 dando direito ao aborto, mas é atropelado pelos outros juízes conservadores.

Desde então, vários estados decidem em plebiscitos manter o direito ao aborto. A questão favorece os candidatos democratas em eleições recentes, inclusive em 2022, quando os democratas mantêm a maioria no Senado, mas perdem na Câmara. Não evita a vitória de Donald Trump em 2024, quando a vice-presidente Kamala Harris faz do direito ao aborto um ponto central de sua campanha.

SAKHAROV PRESO 

    Em 1980, o físico Andrei Sakharov, o pai da bomba de hidrogênio da União Soviética, é preso por criticar a invasão do Afeganistão, se torna o mais importante dissidente do regime comunista, perde todas as honrarias e é enviado para o exílio interno na cidade de Gorki.

Sakharov nasce em Moscou em 1921 e estuda física na Universidade de Moscou. Em 1948, é recrutado pelo programa nuclear soviético.

Depois de detonar sua primeira bomba atômica, em 29 de agosto de 1949, a URSS entra na corrida nuclear com os Estados Unidos para desenvolver a bomba H. Os EUA conseguem primeiro, em 31 de outubro de 1952. Três anos depois, em 22 de novembro de 1955, a URSS explode sua bomba H.

Diante da potência da nova bomba, milhares de vezes maior do que a das bombas atômicas de urânio e plutônio, Sakharov se arrepende. Num artigo sobre os males da radioatividade, em 1957, pede o fim dos testes nucleares.

A URSS tolera as críticas até 1969, quando o jornal The New York Times publica um artigo de Sakharov atacando a corrida armamentista e o regime comunista soviético, e defende "uma sociedade democrática e pluralista livre da intolerância e do dogmatismo, uma sociedade humanitária que cuide da Terra e de seu futuro."

Afastado do programa nuclear soviético, ele se torna um ativista em defesa dos direitos humanos. Em 1975, ganha o Prêmio Nobel da Paz. Quando denuncia a invasão do Afeganistão, vai para o exílio interno em Gorki.

Com a liberalização do regime promovida por Mikhail Gorbachev a partir de 1985, Sakharov é reabilitado em dezembro de 1986 e é eleito para o Congresso dos Deputados do Povo. Morre de ataque cardíaco em 1989, aos 68 anos.

MAIOR MINORIA

    Em 2003, o Birô do Censo nos Estados Unidos revela que os hispânicos (latino-americanos) se tornam a maior minoria racial do país ultrapassando os negros.

Hoje os hispânicos são 20% da população dos EUA e os negros 12,6%. Os brancos não latinos e não hispânicos são 57,5%. Os brancos, considerando todos, são 71%.

PRESIDENTE INDÍGENA

    Em 2006, Evo Morales, do povo aimará, toma posse como o primeiro presidente indígena da história da Bolívia e o segundo da América Latina, depois do mexicano Benito Juárez (1858-72). Durante seus três governos, o produto interno bruto boliviano cresce 344% e a pobreza extrema cai de 38% para 15%.

Morales nasce em Orinoca em 26 de outubro de 1959. Entra na política como sindicalista dos agricultores produtores da folha de coca, sagrada para os índios da região dos Andes, e se opõe firmemente às tentativas dos Estados Unidos de erradicar as plantações de coca, matéria-prima para fabricação de cocaína.

Depois de ficar em segundo lugar na eleição de 2002, Evo se elege no primeiro turno em 18 de dezembro de 2005, com 54% dos votos, nacionaliza o petróleo e o gás, ocupando militarmente instalações da Petrobrás no país. Consegue aprovar uma nova Constituição que declara que a Bolívia é um Estado plurinacional e reconhece os direitos dos povos indígenas, inclusive a seu próprio sistema de justiça.

Reeleito em 6 de dezembro de 2009 no primeiro turno com 64% dos votos, Evo declara que o limite constitucional de dois mandatos só vale após a aprovação da nova Constituição e concorre a uma segunda reeleição em 12 de outubro de 2014. Vence com 61%.

Como a Constituição só permite uma reeleição, Evo convoca um referendo constitucional para mudar a regra e perde, em 21 de fevereiro de 2016 por 51% a 49%, mas ignora o resultado. Recorre ao Tribunal Constitucional Plurinacional.

Em 28 de novembro de 2017, o supremo tribunal boliviano autoriza nova reeleição com base em decisão Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), o Tribunal de São José da Costa Rica, que considera o direito de ser candidato um direito humano fundamental. 

Evo sai na frente no primeiro turno da eleição de 20 de outubro de 2019, mas denúncias de fraude confirmadas em relatório da missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) deflagram uma onda de protestos populares com mortes. Em 10 de novembro, o presidente cede e admite convocar nova eleição. Horas depois, renuncia sob pressão das Forças Armadas, da Polícia Nacional e da Central Operária Boliviana (COB) para evitar mais mortes.

Numa manobra golpista, o presidente, o vice-presidente e os presidentes da Câmara e do Senado, todos do Movimento ao Socialismo (MAS), o partido de Morales, renunciam coletivamente, deixando o Estado boliviano acéfalo para tentar voltar ao poder. Evo foge para o México. A segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Ágnez, assume a Presidência. Hoje, está presa sob a acusação de liderar um golpe de Estado.

O MAS volta ao poder com a vitória de Luis Arce, ministro da Economia de Morales, em 18 de outubro de 2020. Evo se comporta como oposição a seu próprio partido e trama a volta ao poder em 2025, mas é barrado pelo Tribunal Constitucional de 30 de dezembro de 2023, que revoga a decisão de 2017 a favor de Morales.

Em 16 de agosto de 2021, a CIDH decide que "a proibição da reeleição indefinida é compatível com a Convenção Americana de Direitos Humanos", revogando a medida que beneficiara Morales.

Em 17 de janeiro de 2025, a Justiça decreta a prisão de Morales por tráfico de uma menor de idade. Ele não se apresenta à Justiça e não é preso. Seus bens estão congelados e ele está proibido de sair do país. 

O ex-presidente acusa o sucessor, Luis Arce, de perseguição política. Ambos são do mesmo partido, o MAS, que tem uma votação de pouco mais de 3% na eleição presidencial de 17 de agosto de 2025. Rodrigo Paz, de centro-direita, é eleito no segundo turno, em 19 de outubro, marcando o fim de 20 anos de domínio do MAS sobre a política boliviano.

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 22 de Janeiro

 MORTE DA RAINHA VITÓRIA

    Em 1901, depois de 63 anos de reinado e 81 de vida, morre a rainha Vitória, do Reino Unido, imperatriz da Índia, marco do fim de uma era de grande expansão do Império Britânico, onde o Sol nunca se punha.

Vitória nasce em 24 de maio de 1819 e ascende ao trono com 18 anos, em 20 de junho de 1837, com a morte de seu tio Guilherme IV. 

Amiga de seu primeiro primeiro-ministro, Lorde Melbourne, Vitória tenta evitar que seja sucedido pelo conservador Sir Robert Peel em 1839. Dois anos depois, os conservadores vencem a eleição. Ela é obrigada a aceitar Peel. Nunca mais intervém diretamente na política.

Em fevereiro de 1840, ela se casa com o primo Albert, um príncipe alemão. Ele se torna um conselheiro importante e secretário particular da rainha. O casal organiza a primeira exposição internacional, a Grande Exposição, em 1851, para apresentar ao mundo o poder da indústria britânica.

Albert leva Vitória a se afastar dos liberais e se aproximar dos conservadores. A rainha apoia claramente Benjamin Disraeli, líder do Partido Conservador. Quando Disraeli se torna primeiro-ministro, dá a Vitória o título de imperatriz da Índia, em 1876.

DIREITO AO ABORTO

    Em 1973, a Suprema Corte dos Estados Unidos toma uma de suas decisões mais discutidas, criando o direito constitucional ao aborto ao declarar que uma lei do estado do Texas que criminalizava a interrupção da gravidez era inconstitucional por violar o direito da mulher à privacidade com base na Emenda nº 14.

Depois que o então presidente Donald Trump nomeia três juízes conservadores para a Suprema Corte, em 24 de junho de 2022, por 5 a 4, o supremo tribunal dos EUA revoga o direito constitucional ao aborto ao decidir que, como a Constituição não toca no assunto, a competência é dos estados.

Naquele caso, por 6 a 3, a Suprema Corte considera constitucional uma lei do estado do Alabama que proíbe o aborto após 15 semanas de gravidez. O presidente do tribunal, ministro John Roberts, tenta evitar a mudança na jurisprudência firmada em 1973 dando direito ao aborto, mas é atropelado pelos outros juízes conservadores.

Desde então, vários estados decidem em plebiscitos manter o direito ao aborto. A questão favorece os candidatos democratas em eleições recentes, inclusive em 2022, quando os democratas mantiveram a maioria no Senado, mas perderam na Câmara, não evitou a vitória de Donald Trump em 2024. A vice-presidente Kamala Harris fez do direito ao aborto um ponto central de sua campanha.

SAKHAROV PRESO 

    Em 1980, o físico Andrei Sakharov, o pai da bomba de hidrogênio da União Soviética, é preso por criticar a invasão do Afeganistão, se torna o mais importante dissidente do regime comunista, perde todas as honrarias e é enviado para o exílio interno na cidade de Gorki.

Sakharov nasce em Moscou em 1921 e estuda física na Universidade de Moscou. Em 1948, é recrutado pelo programa nuclear soviético.

Depois de detonar sua primeira bomba atômica, em 29 de agosto de 1949, a URSS entra na corrida nuclear com os Estados Unidos para desenvolver a bomba H. Os EUA conseguem primeiro, em 31 de outubro de 1952. Três anos depois, em 22 de novembro de 1955, a URSS explode sua bomba H.

Diante da potência da nova bomba, milhares de vezes maior do que a das bombas atômicas de urânio e plutônio, Sakharov se arrepende. Num artigo sobre os males da radioatividade, em 1957, pede o fim dos testes nucleares.

A URSS tolera as críticas até 1969, quando o jornal The New York Times publica um artigo de Sakharov atacando a corrida armamentista e o regime comunista soviético, e defende "uma sociedade democrática e pluralista livre da intolerância e do dogmatismo, uma sociedade humanitária que cuide da Terra e de seu futuro."

Afastado do programa nuclear soviético, ele se torna um ativista em defesa dos direitos humanos. Em 1975, ganha o Prêmio Nobel da Paz. Quando denuncia a invasão do Afeganistão, vai para o exílio interno em Gorki.

Com a liberalização do regime promovida por Mikhail Gorbachev a partir de 1985, Sakharov é reabilitado em dezembro de 1986 e é eleito para o Congresso dos Deputados do Povo. Morre de ataque cardíaco em 1989, aos 68 anos.

MAIOR MINORIA

    Em 2003, o Birô do Censo nos Estados Unidos revela que os hispânicos (latino-americanos) se tornam a maior minoria racial do país ultrapassando os negros.

Hoje os hispânicos são 19,1% da população dos EUA e os negros 13,7%. Os brancos não latinos e não hispânicos são 58%. Os brancos, considerando todos, são 71%.

PRESIDENTE INDÍGENA

    Em 2006, Evo Morales, da tribo aimará, toma posse como o primeiro presidente indígena da história da Bolívia e o segundo da América Latina, depois do mexicano Benito Juárez (1858-72). Durante seus três governos, o produto interno bruto boliviano cresce 344% e a pobreza extrema cai de 38% para 15%.

Morales nasce em Orinoca em 26 de outubro de 1959. Entra na política como sindicalista dos agricultores produtores da folha de coca, sagrada para os índios da região dos Andes, e se opõe firmemente às tentativas dos Estados Unidos de erradicar as plantações de coca, matéria-prima para fabricação de cocaína.

Depois de ficar em segundo lugar na eleição de 2002, Evo se elege no primeiro turno em 18 de dezembro de 2005, com 54% dos votos, nacionaliza o petróleo e o gás, ocupando militarmente instalações da Petrobrás no país. Consegue aprovar uma nova Constituição que declara que a Bolívia é um Estado plurinacional e reconhece os direitos dos povos indígenas, inclusive a seu próprio sistema de justiça.

Reeleito em 6 de dezembro de 2009 no primeiro turno com 64% dos votos, Evo declara que o limite constitucional de dois mandatos só vale após a aprovação da nova Constituição e concorre a uma segunda reeleição em 12 de outubro de 2014. Vence com 61%.

Como a Constituição só permite uma reeleição, Evo convoca um referendo constitucional para mudar a regra e perde, em 21 de fevereiro de 2016 por 51% a 49%, mas ignora o resultado. Recorre ao Tribunal Constitucional Pluriancional.

Em 28 de novembro de 2017, o supremo tribunal boliviano autoriza nova reeleição com base em decisão Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), o Tribunal de São José da Costa Rica que considera o direito de ser candidato um direito humano fundamental. 

Evo sai na frente no primeiro turno da eleição de 20 de outubro de 2019, mas denúncias de fraude confirmadas em relatório da missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) deflaglaram uma onda de protestos populares com mortes. Em 10 de novembro, o presidente cede e admite convocar nova eleição. Horas depois, renuncia sob pressão das Forças Armadas, da Polícia Nacional e da Central Operária Boliviana (COB) para evitar mais mortes.

Numa manobra golpista, o presidente, o vice-presidente e os presidentes da Câmara e do Senado, todos do Movimento ao Socialismo (MAS), o partido de Morales, renunciam coletivamente, deixando o Estado boliviano acéfalo para tentar voltar ao poder. Evo foge para o México. A segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Ágnez, assume a Presidência. Hoje, está presa sob a acusação de liderar um golpe de Estado.

O MAS volta ao poder com a vitória de Luis Arce, ministro da Economia de Morales, em 18 de outubro de 2020. Evo se comporta como oposição a seu próprio partido e trama a volta ao poder em 2025, mas é barrado pelo Tribunal Constitucional de 30 de dezembro de 2023, que revoga a decisão de 2017 a favor de Morales.

Em 16 de agosto de 2021, a CIDH decide que "a proibição da reeleição indefinida é compatível com a Convenção Americana de Direitos Humanos", revogando a medida que beneficiara Morales.

Na semana passada, em 17 de janeiro, a Justiça decreta a prisão de Morales por tráfico de uma menor de idade. A ordem de prisão é renovada hoje. Ele está foragido. Seus bens estão congelados e ele está proibido de sair do país. O ex-presidente acusa o atual, Luis Arce de perseguição política. Ambos são do mesmo partido. 

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 22 de Janeiro

 MORTE DA RAINHA VITÓRIA

    Em 1901, depois de 63 anos de reinado e de 81 de vida, morre a rainha Vitória, da Inglaterra, imperatriz da Índia, marco do fim de uma era de grande expansão do Império Britânico, onde o Sol nunca se punha.

Vitória nasce em 24 de maio de 1819 e ascende ao trono com 18 anos, em 20 de junho de 1837, com a morte de seu tio Guilherme IV. 

Amiga de seu primeiro primeiro-ministro, Lorde Melbourne, Vitória tenta evitar que seja sucedido pelo conservador Sir Robert Peel em 1839. Dois anos depois, os conservadores vencem a eleição. Ela é obrigada a aceitar Peel. Nunca mais intervém diretamente na política.

Em fevereiro de 1840, ela se casa com o primo Albert, um príncipe alemão. Ele se torna um conselheiro importante e secretário particular da rainha. O casal organiza a primeira exposição internacional, a Grande Exposição, em 1851, para apresentar ao mundo o poder da indústria britânica.

Albert leva Vitória a se afastar dos liberais e se aproximar dos conservadores. A rainha apoia claramente Benjamin Disraeli, líder do Partido Conservador. Quando Disraeli se torna primeiro-ministro, dá a Vitória o título de imperatriz da Índia, em 1876.

DIREITO AO ABORTO

    Em 1973, a Suprema Corte dos Estados Unidos toma uma de suas decisões mais discutidas, criando o direito constitucional ao aborto ao declarar que uma lei do estado do Texas que criminalizava a interrupção da gravidez era inconstitucional por violar o direito da mulher à privacidade com base na Emenda nº 14.

Depois que o então presidente Donald Trump nomeia três juízes conservadores para a Suprema Corte, em 24 de junho de 2022, por 5 a 4, o supremo tribunal dos EUA revoga o direito constitucional ao aborto ao decidir que, como a Constituição não toca no assunto, a questão é de competência dos estados.

Naquele caso, por 6 a 3, a Suprema Corte considera constitucional uma lei do estado do Alabama que proíbe o aborto após 15 semanas de gravidez. O presidente do tribunal, ministro John Roberts, tenta evitar a mudança na jurisprudência firmada em 1973, mas é atropelado pelos outros juízes conservadores.

Desde então, vários estados decidiram em plebiscitos manter o direito ao aborto. A questão favorece os candidatos democratas em eleições recentes, inclusive em 2022, quando os democratas mantiveram a maioria no Senado, mas perderam na Câmara.

SAKHAVOV PRESO 

    Em 1980, o físico Andrei Sakharov, o pai da bomba de hidrogênio da União Soviética, é preso por criticar a invasão do Afeganistão, se torna o mais importante dissidente do regime comunista, perde todas as honrarias e é enviado para o exílio interno na cidade de Gorki.

Sakharov nasce em Moscou em 1921 e estuda física na Universidade de Moscou. Em 1948, é recrutado pelo programa nuclear soviético.

Depois de detonar sua primeira bomba atômica, em 29 de agosto de 1949, a URSS entra na corrida nuclear com os Estados Unidos para desenvolver a bomba H. Os EUA conseguem primeiro, em 31 de outubro de 1952. Três anos depois, em 22 de novembro de 1955, a URSS explode sua bomba H.

Diante da potência da nova bomba, milhares de vezes maior do que a das bombas atômicas de urânio e plutônio, Sakharov se arrependeu. Num artigo sobre os males da radioatividade, em 1957, pediu o fim dos testes nucleares.

A URSS tolera as críticas até 1969, quando o jornal The New York Times publica um artigo de Sakharov atacando a corrida armamentista e o regime comunista soviético, e defende "uma sociedade democrática e pluralista livre da intolerância e do dogmatismo, uma sociedade humanitária que cuide da Terra e de seu futuro."

Afastado do programa nuclear soviético, ele se torna um ativista em defesa dos direitos humanos. Em 1975, ganha o Prêmio Nobel da Paz. Quando denuncia a invasão do Afeganistão, vai para o exílio interno em Gorki.

Com a liberalização do regime promovida por Mikhail Gorbachev a partir de 1985, Sakharov é reabilitado em dezembro de 1986 e é eleito para o Congresso dos Deputados do Povo. Morre de ataque cardíaco em 1989, aos 68 anos.

MAIOR MINORIA

    Em 2003, o Birô do Censo nos Estados Unidos revela que os hispânicos (latino-americanos) se tornam a maior minoria racial do país ultrapassando os negros.

Hoje os hispânicos são 19,1% da população dos EUA e os negros 13,6%. Os brancos não latinos e não hispânicos são 58,9%. Os brancos, considerando todos, são 75,5%.

PRESIDENTE INDÍGENA

    Em 2006, Evo Morales, da tribo aimara, toma posse como o primeiro presidente indígena da história da Bolívia e o segundo da América Latina, depois do mexicano Benito Juárez (1858-72). Durante seus três governos, o produto interno bruto boliviano cresce 344% e a pobreza extrema cai de 38% para 15%.

Morales nasce em Orinoca em 26 de outubro de 1959. Entra na política como sindicalista dos agricultores produtores da folha de coca, sagrada para os índios da região dos Andes, e se opõe firmemente às tentativas dos Estados Unidos de erradicar as plantações de coca, matéria-prima para fabricação de cocaína.

Depois de ficar em segundo lugar na eleição de 2002, Evo se elege no primeiro turno em 18 de dezembro de 2005, com 54% dos votos, nacionaliza o petróleo e o gás, ocupando militarmente instalações da Petrobrás no país e consegue aprova uma nova Constituição que declara que a Bolívia é um Estado plurinacional e reconhece os direitos dos povos indígenas, inclusive a seu próprio sistema de justiça.

Reeleito em 6 de dezembro de 2009 no primeiro turno com 64% dos votos, Evo declara que o limite constitucional de dois mandatos só vale após a aprovação da nova Constituição e concorre a uma segunda reeleição em 12 de outubro de 2014. Vence com 61%.

Como a Constituição só permite uma reeleição, Evo convoca um referendo constitucional para mudar a regra e perde, em 21 de fevereiro de 2016 por 51% a 49%, mas ignora o resultado. Recorre ao Tribunal Constitucional Pluriancional.

Em 28 de novembro de 2017, o supremo tribunal boliviano autoriza nova reeleição com base em decisão Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), o Tribunal de São José da Costa Rica que considera o direito de ser candidato um direito humano fundamental. 

Evo sai na frente no primeiro turno da eleição de 20 de outubro de 2019, mas denúncias de fraude confirmadas em relatório da missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) deflaglaram uma onda de protestos populares com mortes. Em 10 de novembro, o presidente cede e admite convocar nova eleição. Horas depois, renuncia sob pressão das Forças Armadas, da Polícia Nacional e da Central Operária Boliviana (COB) para evitar mais mortes.

Numa manobra golpista, o presidente, o vice-presidente e os presidentes da Câmara e do Senado, todos do Movimento ao Socialismo (MAS), o partido de Morales, renunciam coletivamente, deixando o Estado boliviano acéfalo para tentar voltar ao poder. Evo foge para o México. A segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Ágnez, assume a Presidência. Hoje, está presa sob a acusação de liderar um golpe de Estado.

O MAS volta ao poder com a vitória de Luis Arce, ministro da Economia de Morales, em 18 de outubro de 2020. Evo se comporta como oposição a seu próprio partido e trama a volta ao poder em 2025, mas é barrado pelo Tribunal Constitucional de 30 de dezembro de 2023, que revoga a decisão de 2017 a favor de Morales.

Em 16 de agosto de 2021, a CIDH decide que "a proibição da reeleição indefinida é compatível com a Convenção Americana de Direitos Humanos", revogando a medida que beneficiara Morales. 

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Bebês não brancos já são maioria nos EUA

Pela primeira vez, em 2011, mais da metade dos bebês nascidos nos Estados Unidos, cerca de 50,4%, foram considerados não brancos, ou seja, têm origem africana, asiática ou latino-americana.

A taxa de natalidade entre os brancos caiu 10,1% nos últimos dez anos.

Se a tendência se mantiver, entre 2040 e 2050 os brancos serão minoria nos EUA.