Três semanas depois de ser deposta num processo da impeachment referendado pelo Supremo Tribunal da Coreia do Sul, a ex-presidente Park Geun Hye foi presa hoje sob as acusações de receber suborno e abusar do poder.
O escândalo político envolve tráfico de influência de uma amiga íntima que usou a proximidade com a presidente para extorquir dinheiro das maiores empresas sul-coreanas, inclusive a maior de todas a Samsung. O herdeiro e diretor executivo da companhia, Lee Jae Yong, também está preso.
Para o juiz Kang Bu Yeong, do Tribunal Distrital do Centro de Seul, Park, de 65 anos, precisa ficar presa para não destruir provas e obstruir a Justiça. Ela é acusada de ajudar a amiga Choi Soon Il a extorquir doações das grandes empresas do país em troca de favores políticos.
A Samsung, por exemplo, pagou para facilitar a aprovação de uma fusão de duas subsidiárias sem correr risco de ser acusada de monopólio por agentes reguladores da livre concorrência. Tanto o herdeiro da Samsung quanto a ex-presidente negam qualquer culpa.
Park é filha mais velha do ditador Park Chung Hee, o presidente que governou a Coreia do Sul por mais tempo, de 1961 a 1979, quando foi assassinado. Ele foi o pai do milagre econômico que transformou a Coreia do Sul num dos pouquíssimos países a vencer o subdesenvolvimento no século 20.
Neste processo, a Coreia do Sul criou grandes conglomerados industriais de grande poder político (chaebol, no singular), como a Samsung e a Hyundai. Como no Brasil, a corrupção é endêmica no sistema político sul-coreano. O impeachment e o julgamento de Park são um avanço civilizatório da democracia no Leste da Ásia.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quinta-feira, 30 de março de 2017
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
MP da Coreia do Sul pede prisão de herdeiro da Samsung
Como parte do escândalo de corrupção que gerou um processo de impeachment contra a presidente Park Geun Hye, o Ministério Público da Coreia do Sul pediu hoje a prisão do herdeiro e presidente na prática da Samsung, Lee Jae Yong.
Os procuradores especiais encarregados do caso investigam se a Samsung, hoje a maior fibricante de produtos eletroeletrônicos do mundo, pagou propina para obter o apoio do governo para a fusão de duas subsidiárias, em 2015.
Lee Jae Yong é acusado de pagar propina, apropriação indébita e de mentir sob juramento. O pedido de prisão será examinado pela Justiça sul-coreana na quarta-feira. Deve ser seguido de uma denúncia com acusações formais.
Ao admitir que a prisão terá impacto sobre a economia do país, um porta-voz do procurador especial argumentou que "é mais importante obter justiça". A Samsung é responsável por cerca de um terço do valor das ações negociadas na Bolsa de Valores de Seul.
Em sua defesa, a empresa negou "ter feito contribuições para receber favores" e rejeitou "o argumento do procurador especial de que a Samsung fez pedidos indevidos relacionados à fusão de subsidiárias da Samsung."
No mês passado, a Assembleia Nacional da Coreia do Sul aprovou o impeachment da presidente por causa de sua amiga e confidente Choi Soon Sil, acusada de usar a intimidade com Park Geun Hye para tomar dinheiro de grandes empresas sul-coreanas para projetos pessoais. O Supremo Tribunal tem seis meses para confirmar ou não o afastamento da presidente.
A Samsung é suspeita de ter pago suborno no valor de 43 bilhões de wons sul-coreanos, cerca de US$ 36 milhões ou R$ 116 milhões.
"Acreditamos que a propina esteja ligada à presidente", declarou o porta-voz do procurador especial, afirmando ter provas de que Park e a amiga de beneficiaram do dinheiro.
Para a Samsung, maior fabricante mundial de telefones celulares, é mais um golpe. No momento, a empresa tenta se recuperar do abalo sofrido com a retirada de circulação do Note 7, proibido de entrar nos aviões de várias companhias aéreas depois de explosões de bateria capazes de provocar incêndios.
Além de ser o principal executivo e fazer o microgerenciamento da empresa, Lee é o grande estrategista e a imagem pública da companhia. Sua eventual condenação criaria um problema sucessório.
O MP sul-coreano denunciou hoje o presidente do Serviço Nacional de Pensões, Moon Hyung Pyo, acusado de abuso de autoridade e de mentir sob juramento por supostamente ter ordenado que o terceiro maior fundo de pensão do mundo, de US$ 430 bilhões (R$ 1,116 trilhão), aprovasse a fusão. O SNP tem uma participação de 11% na Samsung C&T Corporation e não comentou a denúncia.
Os procuradores especiais encarregados do caso investigam se a Samsung, hoje a maior fibricante de produtos eletroeletrônicos do mundo, pagou propina para obter o apoio do governo para a fusão de duas subsidiárias, em 2015.
Lee Jae Yong é acusado de pagar propina, apropriação indébita e de mentir sob juramento. O pedido de prisão será examinado pela Justiça sul-coreana na quarta-feira. Deve ser seguido de uma denúncia com acusações formais.
Ao admitir que a prisão terá impacto sobre a economia do país, um porta-voz do procurador especial argumentou que "é mais importante obter justiça". A Samsung é responsável por cerca de um terço do valor das ações negociadas na Bolsa de Valores de Seul.
Em sua defesa, a empresa negou "ter feito contribuições para receber favores" e rejeitou "o argumento do procurador especial de que a Samsung fez pedidos indevidos relacionados à fusão de subsidiárias da Samsung."
No mês passado, a Assembleia Nacional da Coreia do Sul aprovou o impeachment da presidente por causa de sua amiga e confidente Choi Soon Sil, acusada de usar a intimidade com Park Geun Hye para tomar dinheiro de grandes empresas sul-coreanas para projetos pessoais. O Supremo Tribunal tem seis meses para confirmar ou não o afastamento da presidente.
A Samsung é suspeita de ter pago suborno no valor de 43 bilhões de wons sul-coreanos, cerca de US$ 36 milhões ou R$ 116 milhões.
"Acreditamos que a propina esteja ligada à presidente", declarou o porta-voz do procurador especial, afirmando ter provas de que Park e a amiga de beneficiaram do dinheiro.
Para a Samsung, maior fabricante mundial de telefones celulares, é mais um golpe. No momento, a empresa tenta se recuperar do abalo sofrido com a retirada de circulação do Note 7, proibido de entrar nos aviões de várias companhias aéreas depois de explosões de bateria capazes de provocar incêndios.
Além de ser o principal executivo e fazer o microgerenciamento da empresa, Lee é o grande estrategista e a imagem pública da companhia. Sua eventual condenação criaria um problema sucessório.
O MP sul-coreano denunciou hoje o presidente do Serviço Nacional de Pensões, Moon Hyung Pyo, acusado de abuso de autoridade e de mentir sob juramento por supostamente ter ordenado que o terceiro maior fundo de pensão do mundo, de US$ 430 bilhões (R$ 1,116 trilhão), aprovasse a fusão. O SNP tem uma participação de 11% na Samsung C&T Corporation e não comentou a denúncia.
terça-feira, 22 de abril de 2014
Coreia do Sul resgatou 103 corpos do naufrágio
Pelo menos 103 corpos foram retirados do mar desde o naufrágio de um ferryboat na semana passada na Coreia do Sul. Ainda há 199 desaparecidos. A chance de encontrar mais sobreviventes é praticamente nula.
A presidente Park Geon Hye acusou ontem o capitão do navio e três tripulantes de "assassinato", mas há críticas à reação do governo, que teria demorado em mobilizar navios para salvar os náufragos.
A presidente Park Geon Hye acusou ontem o capitão do navio e três tripulantes de "assassinato", mas há críticas à reação do governo, que teria demorado em mobilizar navios para salvar os náufragos.
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