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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Justiça da Itália condena Berlusconi por subornar senador

Um tribunal de Nápoles, no Sul da Itália, condenou hoje o ex-primeiro-ministro conservador Silvio Berlusconi a três anos de prisão por subornar um ex-senador entre 2006 e 2008 para derrubar o governo de seu rival esquerdista Romano Prodi. A defesa vai recorrer. Como o caso está perto de prescrever, é improvável que a sentença definitiva saia antes do fim do prazo legal.

Berlusconi foi denunciado por subornar o então senador Sergio de Gregorio, do partido Valores da Itália, para deixar a coalizão de centro-esquerda e assim derrubar o governo Prodi. De Gregorio confessou a culpa em 2013, em troca de uma sentença de um ano e oito meses de prisão com direito a suspensão da pena.

A promotoria pediu cinco anos de cadeia para o magnata, o líder que governou a Itália por mais tempo depois da Segunda Guerra Mundial. Berlusconi negou tudo, como faz em todos os processos de uma vida marcada por escândalos sexuais e de corrupção.

Em 2013, condenado por fraude fiscal, Berlusconi foi proibido de ocupar cargos públicos por seis anos. A pena de prisão de quatro anos foi convertida em um ano de trabalho comunitário. Agora, deve se beneficiar da extinção de punibilidade por decurso de prazo. O processo vai durar mais tempo do que a lei permite.

Desde então, seu partido de direita Força Itália (o slogan da torcida da seleção de futebol do país) vem caindo por divisões internas e falta de liderança. Nas eleições regionais de maio, foi superado pela neofascista Liga do Norte, que emerge como a grande força política da direita italiana.

Por ironia do destino ou da história da Itália, Berlusconi surgiu no vácuo deixado pela Democracia Cristã. O principal partido político italiano do pós-guerra desapareceu com os processos de corrupção da Operação Mãos Limpas, no início dos anos 1990s, junto com o Partido Socialista, deixando um vazio na direita italiana, habilmente preenchido pelo homem mais rico do país, um empresário arquicorrupto.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Berlusconi é absolvido de prostituição de menor

Um tribunal de recursos de Milão anulou hoje a condenação ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi a sete anos de prisão por prostituição de menor a abuso de poder no chamado Rubygate.

Ruby é uma prostituta que teria mantido relações sexuais com Berlusconi com apenas 16 anos da idade. Além disso, o então primeiro-ministro pressionou a polícia a libertá-la quando ela tinha sido presa sob a acusação de roubo.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Berlusconi fará trabalho comunitário como pena

Condenado a um ano de prisão por fraude fiscal, o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, de 77 anos, é muito velho para ir para a cadeia pelas leis da Itália. Hoje um tribunal de Milão decidiu que ele vai trabalho comunitário num asilo para idosos "uma vez por semana durante pelo menos quatro horas consecutivas".

Depois de anos usando seu prestígio político para fugir de inúmeros processos por corrupção, Berlusconi foi condenado há oito meses definitivamente por sonegação de impostos e fraude fiscal. Por este motivo, perdeu o cargo de deputado e foi proibido de se candidatar a cargos públicos.

A Fundação Sagrada Família oferece ajuda e exercícios de reabilitação para pessoas "com deficiências psicofísicas e para idosos não autossuficientes". Os velhinhos não gostaram muito da notícia. Alguns prometeram tomar mais cuidado de suas propriedades diante do líder que virou um dos maiores exemplos de político corrupto.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Berlusconi recua e apoia governo

Diante da revolta de seu partido, o Povo da Liberdade, o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi voltou atrás e decidiu apoiar o governo Enrico Letta no voto de confiança a que será submetido hoje no Congresso da Itália.

Ameaçado de perder o mandato de senador depois de uma condenação definitiva por fraude e evasão fiscal, Berlusconi decidiu derrubar o governo, forçando os cinco ministros do partido a pedir demissão, no sábado passado, e defendendo a realização de novas eleições, no domingo.

Como as eleições de fevereiro tiveram resultado inconclusivo, com vitória da direita no
Senado e da esquerda na Câmara, o presidente Giorgio Napolitano fez um esforço para evitar a antecipação do pleito, capaz de agravar a crise econômica italiana, que enfrenta sua mais longa e profunda recessão desde a Segunda Guerra Mundial. Sob pressão de seu vice-líder e de parte da bancada do PdL, Berlusconi recuou.

domingo, 29 de setembro de 2013

Berlusconi quer eleições antecipadas na Itália

Depois de derrubar o governo ao obrigar os cinco ministros de seu partido Povo da Liberdade a pedir demissão ontem, o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi propôs hoje a realização de eleições antecipadas na Itália.

Como as eleições de fevereiro deste ano foram inconclusivas, dando a vitória à esquerda na Câmara e à direita no Senado, o presidente Giorgio Napolitano deve convocar os líderes dos partidos que formam a grande coalizão do primeiro-ministro Enrico Letta para tentar evitar a realização de novas eleições.

A instabilidade crônica da política italiana agrava a crise econômica do país, que praticamente não cresceu no século 21. Amanhã, os investidores estarão atentos à variação nas taxas de juros cobradas para financiar a dívida pública da Itália, uma das maiores do mundo, de quase 200% do produto interno bruto.

Mais uma vez, Berlusconi, condenado com sentença definitiva por fraude e evasão fiscal, ameaçado de perder a cadeira no Senado e a imunidade, resolveu derrubar o governo para tentar salvar a própria pele.

É incrível que um personagem arquicorrupto e venal continue dominando a direita italiana. A Itália não consegue se livrar de Berlusconi. Não admira que o maior partido hoje seja o Movimento 5 Estrelas, do comediante Beppe Grillo.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Supremo Tribunal confirma prisão para Berlusconi

O supremo tribunal de justiça da Itália confirmou hoje a condenação do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi a quatro anos de prisão e cinco anos de interdição para exercer funções públicas no processo sobre sonegação de impostos na compra de direitos de transmissão de eventos esportivos por sua rede de televisão Mediaset.

A primeira condenação foi anunciada em outubro de 2012. O ex-primeiro-ministro recorreu. Agora, a sentença é definitiva.

Aos 76 anos, Berlusconi deve escapar da prisão por causa de sua idade, mas a decisão é mais um golpe contra seu partido direitista. A frágil coalizão de governo liderada pelo primeiro-ministro Enrico Letta pode ser a primeira vítima.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Eleições deixam Itália ingovernável, diz La Repubblica

A vocação da Itália para o caos desta vez se manifestou nas urnas. Com o fim da apuração das 61.446 seções eleitorais, a aliança de centro-esquerda teve uma vitória apertada com 29,5% dos votos, mas terá 340 deputados, enquanto a coligação de direita liderada pelo ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi ganhou 128 cadeiras com 29,1%.

O maior partido no Câmara será o movimento 5 Estrelas, do humorista Beppe Grillo, reporta o jornal italiano La Repubblica, comentando que as eleições deixam o país ingovernável, em parte por causa de Grillo, que aproveitou o vácuo criado pelo descrédito dos partidos políticos tradicionais. Com 25,5% dos votos, Grillo elegeu uma bancada de 108 deputados e se nega a fazer alianças.

No Senado, onde a maioria é 128, a centro-esquerda liderada pelo Partido Democrático terá 119 cadeiras e a coligação direitista Povo da Liberdade-Liga Norte, 117. O movimento 5 Estrelas elegeu 54 senadores e a aliança do ex-primeiro-ministro Mario Monti, 18 senadores.

Monti, um tecnocrata, ex-comissário antimonopólio da União Europeia, substituiu Berlusconi em novembro de 2011, no auge da crise da dívida pública da Zona do Euro, quando parecia que a Itália também quebraria. Foi um dos grandes derrotados.

Como impôs o remédio amargo imposto pela Europa do Norte e o Fundo Monetário Internacional, Monti e sua aliança receberam apenas 10,5% dos votos, conquistando 45 cadeiras. Ele deve se aliar ao centro-esquerdista Pier Luigi Bersani, da aliança Itália Bem-Comum, para tentar formar um governo.

Um escritor disse que mais da metade dos italianos é idiota porque votou em Berlusconi ou Grillo, mas a alternativa era aprovar o remédio econômico amargo imposto pela Alemanha, que aumentou impostos e cortou benefícios sociais.

Muitos analistas já preveem a realização de novas eleições para tentar romper esse impasse.

A crise política italiana derrubou as bolsas de valores no mundo inteiro e pode trazer de volta a crise das dívidas públicas do euro, já que os eleitores rejeitaram as políticas de austeridade e corte de gastos públicos.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Volta de Berlusconi agrava crise da Zona do Euro

A Bolsa de Valores de Milão registrou queda de 2,2% diante da incerteza criada pela volta à política do arquicorrupto ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi e a decisão consequente do atual primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, de pedir demissão.

Berlusconi deixou o poder em novembro de 2011, em meio a uma onda de escândalos sexuais e de corrupção, depois de ter sido o chefe de governo que ficou mais tempo no cargo desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Monti, ex-comissário europeu antimonopólio, foi a solução tecnocrática encontrada para evitar que o país seguisse o caminho da Espanha e precisasse de uma ajuda de emergência. Como a Itália, é quarta maior economia do euro, com dívida de US$ 2 trilhões, havia o risco de que todo o dinheiro dos fundos europeus para emergências fosse insuficiente.

O ex-primeiro-ministro não parece preocupado. Diante do risco de uma vitória da esquerda nas eleições parlamentares previstas para abril, decidiu voltar à política, para desespero dos aliados europeus da Itália na União Europeia.

Seu discurso: "A situação está pior do que quando eu saí". Mas um grupo de empresários já articula a candidatura Monti para evitar a volta ao poder de um símbolo da corrupção e do que a política tem de pior.

Como o ajuste fiscal promovido pelo atual governo é impopular, em plena crise, as chances eleitorais de Monti são difíceis.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Escândalo derruba Umberto Bossi na Itália

O líder da Liga Norte, Umberto Bossi, que ficou famoso por tentar dividir a Itália para criar um novo país chamado Padânia, pediu demissão ontem por causa de um escândalo de financiamento eleitoral.

Ao lado dos neofascistas, Bossi foi um importante aliado do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, quando o homem mais rico da Itália resolveu entrar na política no vácuo criado pela dissolução da Democracia Cristã sob o peso de uma série de escândalos de corrupção revelados pela Operação Mãos Limpas no início dos anos 90.

"É o fim de uma era. Depois do fim de Berlusconi, agora sai Bossi", observou o cientista político Roberto D'Alimonte, professor da Universidade Luis Guido Carli, em Roma. "É realmente o fim de um ciclo", acrescentou, referindo-se ao período iniciado com o fim da dominação da política italiana pelos democratas-cristãos.

A Liga Norte faz oposição ao governo tecnocrático do primeiro-ministro Mario Monti, encarregado de resolver a crise da dívida pública italiana, uma das maiores do mundo, estimada em 1,9 trilhão de euros ou 120% de toda a riqueza que o país produz num ano.

Uma declaração divulgada pela Liga Norte declara que a demissão de Bossi é "irrevogável". Seu objetivo seria "defender e proteger melhor o movimento e sua família neste momento delicado".

Bossi, de 70 anos, não é acusado diretamente, mas nesta semana o tesoureiro Francesco Belsito e outros funcionários da Liga começaram a ser investigados por fraude e financiamento ilegal do partido. Belsito deixou o cargo na terça-feira diante de acusações de dinheiro do fundo partidário foi usado em benefício da família Bossi.

Com o terremoto político causado pela Operação Mãos Limpas, a Liga Norte, fundada em 1987, é hoje o mais antigo partido da Itália. O movimento nasceu como protesto contra a corrupção, a imigração ilegal e a criminalidade do Sul da Itália. Sua proposta central era tornar o Norte independente.

Depois do colapso da ordem política criada por democratas-cristãos, socialistas e comunistas, no início dos anos 90, a Liga passou a receber apoio e votos da classe operária na região mais rica do país, lembra o jornal The New York Times.

sábado, 12 de novembro de 2011

Itália festeja o fim da era Berlusconi

Debaixo de vaia, sob gritos de "bufão", "mafioso" e "vergonha", o primeiro-ministro Silvio Berlusconi esteve agora há pouco no Palácio do Quirinal, sede da Presidência da Itália, para apresentar sua demissão. Uma multidão festeja nas ruas de Roma e outras grandes cidades italianas.

Berlusconi governou a Itália durante oito e meio dos últimos 17 anos. Desde o início do século passado, só o ditador Benito Mussolini esteve mais tempo no poder no país.

Acompanhe a festa da oposição ao vivo no sítio do jornal Corriere della Sera.

Itália aprova lei de estabilização financeira

Por 380 a 26, a Câmara dos Deputados da Itália aprovou agora à tarde a Lei de Estabilização de 2012, o orçamento  que incorpora as medidas necessárias para reduzir o déficit público e evitar um agravamento da crise das dívidas públicas da Zona do Euro.

A aprovação abre caminho para a renúncia do primeiro-ministro Silvio Berlusconi. Ele será substituído pelo ex-comissário europeu antimonopólio, Mario Monti, que deve formar um governo tecnocrático para aplicar as duras medidas necessárias para estabilizar a terceira maior dívida pública do mundo, de 1,9 trilhão de euros, atrás dos Estados Unidos e do Japão.

Nos últimos 17 anos, o homem mais rico da Itália governou o país durante oito e meio. O fim da era Berlusconi é a mudança mais importante na política italiana desde que a Operação Mãos Limpas (1992-94) acabou com a Democracia Cristã, que a dominava desde 1945, deixando um vácuo na centro-direita.

"Este é o momento mais dramático da nossa história recente", comentou em entrevista à televisão Ferruccio de Bortoli, editor do Corriere della Sera, o principal diário de Milão.

Neste momento, o jornal transmite imagens ao vivo do Palácio do Quirinal (uma das sete colinas de Roma), sede da Presidência da Itália, onde Berlusconi deve apresentar sua demissão às 20h30 pela horal local, 17h30 pelo horário de Brasília. Seus adversários políticos já se concentram diante dos palácios do Quirinal e Chigi, residência oficial do primeiro-ministro.

Antes da votação, deputados leais ao primeiro-ministro, alvo de várias denúncias de corrupção e quatro processos, gritaram em coro: "Silvio! Silvio!", informa o jornal The New York Times.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Senado da Itália aprova plano de ajuste de contas

Por 152 a 12, com uma abstenção, o Senado da Itália acaba de aprovar a Lei de Estabilidade Financeira de 2012, um conjunto de medidas para reduzir o déficit público da terceira maior economia da Zona do Euro. É uma das condições para a renúncia do primeiro-ministro Silvio Berlusconi,  que chefiou o governo do país três vezes nos últimos 17 anos.

Nos próximos dias, talvez amanhã, ele deve ser substituído pelo ex-comissário europeu antimonopólio Mario Monti. Como a Grécia, observa o jornal The New York Times, a Itália optou por uma solução tecnocrática para evitar o colapso econômico e um calote na sua dívida pública, de 1,9 trilhão de euros.

As medidas aprovadas hoje incluem um aumento do imposto sobre valor agregado, o equivalente ao imposto sobre circulação de mercadorias e serviços, para 21% e o aumento da idade mínima para a aposentadoria das mulheres, que passará a ser a mesma dos homens: 60 anos, a partir de 2014; 65 anos, a partir de 2026.

Homem mais rico da Itália, Berlusconi entrou na política no vácuo da Operações Mãos Limpas, uma campanha de combate à corrupção que acabou com a Democracia Cristã, o partido de centro-direita que dominava a política italiana desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Por ironia, depois de se livrar de uma leva de políticos corruptos, a Itália elegeu um empresário atingido por inúmeras denúncias de corrupção que recentemente incluíram até prostituição de menores.

Para evitar a ascensão da esquerda, Berlusconi criou um partido com o nome de Forza Italia, o grito de guerra da torcida de futebol da Itália. Com os neofascistas e a separatista e preconceituosa Liga Norte, formou o chamado Pólo da Liberdade para se opor a socialistas, comunistas e comunistas reformados.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Bônus de 10 anos da Itália pagam 7,28% de juros

Os juros pagos pelos títulos da dívida pública da Itália com prazo de 10 anos chegaram hoje a 7,28% ao ano, superando o limite de 7% acima do qual um país é considerado incapaz de honrar seus compromissos.

Ontem, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi prometeu renunciar quando o Congresso aprovar o novo orçamento com as medidas necessárias para reduzir o déficit orçamentário do país, que deve acontecer na próxima semana ou no máximo num mês. Mas o mercado ainda duvida que ele esteja blefando.

A dívida italiana, de 120% do produto interno bruto, está em 1,9 trilhão, cerca de US$ 2,5 trilhões. No próximo ano, o país vai precisar tomar emprestado 300 bilhões de euros.

Além da falta de credibilidade de um chefe de governo atingido por sucessivas denúncias de corrupção, o país cresce muito pouco e terá de enfrentar o envelhecimento da população e o peso que isso terá sobre a Previdência Social.

Hoje o ex-comissário europeu antimonopólio Mario Monti foi citado como um provável sucessor de Berlusconi.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Berlusconi renuncia quando orçamento for aprovado

O primeiro-ministro Silvio Berlusconi prometeu renunciar assim que o Congresso aprovar a nova proposta orçamentária, informou agora há pouco a Presidência da Itália, o que pode acontecer na próxima segunda-feira, mas pode demorar até um mês.

Berlusconi conseguiu aprovar uma proposta hoje à tarde com os votos de 308 deputados, com 321 abstenções.

A votação era vista como um voto de confiança no chefe do governo italiano. Como ele não obteve a maioria absoluta de 316 deputados, a pressão se tornou irresistível.

Sob pressão de escândalos sexuais e de corrupção, o homem mais rico da Itália se tornou um líder fraco, sem a autoridade necessária para implementar as profundas reformas necessárias para que a terceira maior economia da Zona do Euro supere a crise de uma dívida estimada em 120% do produto interno bruto.

A partir de agora, o presidente Giorgio Napolitano deve receber os líderes dos partidos representados no Congresso para discutir o que fazer daqui para a frente.

Por uma ironia da História, Berlusconi é um resultado da Operação Mãos Limpas, que combateu a corrupção de 1992 a 1994 e acabou com a Democracia Cristã, que dominava a política italiana desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

No vácuo deixado pelo desaparecimento do grande partido de centro-direita, para impedir que a esquerda governasse o país, entrou o homem mais rico da Itália, Silvio Berlusconi, já naquela época acusado de corrupção.

Em aliança com os neofascistas, que não tinham voltado ao poder no pós-guerra, e do movimento separatista Liga Norte, Berlusconi foi eleito três vezes primeiro-ministro da Itália, apesar de todos os escândalos e falcatruas de que é acusado.

Se perder a imunidade parlamentar, terá de enfrentar quatro processos, além do que já responde por prostituição de menores.

Berlusconi aprova orçamento sem obter maioria

Com 308 votos a favor e 321 abstenções, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi venceu uma votação parlamentar crucial para tentar equilibrar as contas públicas da Itália e evitar o agravamento da crise das dívidas públicas. Mas não obteve maioria absoluta na Câmara dos Deputados, o que torna ainda mais frágil sua situação política.

Horas antes da votação, seu principal aliado político, o líder da Liga Norte, Umberto Bossi, pediu sua renúncia, informa a revista alemã Der Spiegel. Isso agrava ainda mais a crise das dívidas públicas, no momento em que o mercado puxa os juros pagos pelos títulos italianos para críticos 7%, considerado o limite acima do qual o refinanciamento da dívida se torna insustentável.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Itália é obrigada a pagar juros de 6,68% ao ano

O governo da Itália está sendo forçado a pagar juros de 6,68% ao ano para rolar sua dívida pública de 1,9 trilhão de euros, cerca de 120% do produto interno bruto. Sete por cento é uma taxa considerável insustentável.

Na quinta-feira, a Itália aceitou se submeter a uma fiscalização do Fundo Monetário Internacional sobre seu programa de ajuste das contas públicas e a evolução de sua dívida.

A pressão pela renúncia do primeiro-ministro Silvio Berlusconi é cada vez maior, mas ele precisa da imunidade para escapar dos inúmeros processos que enfrenta, de corrupção política à exploração sexual de menores de idade. Amanhã, ele será submetido a um novo voto de confiança.

domingo, 30 de outubro de 2011

Hillary teve papel decisivo na queda de Kadafi

Quando quatro caças-bombardeiros da França atacaram uma coluna de tanques do coronel Muamar Kadafi a caminho de Bengázi, principal foco da rebelião na Líbia, em 19 de março de 2011, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi ficou furioso. Acusou o presidente Nicolas Sarkozy de passar por cima da Organização do Atlântico Norte (OTAN) e ameaçou vetar o uso das bases na operação para proteger a população civil.

Foi necessário um longo e delicado trabalho diplomático para articular e manter unida a aliança durante os sete meses até a queda e morte de Kadafi. Uma personagem central nesta história foi a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, a ministra mais destacada do governo Barack Obama, que colecionou mais uma vitória em política externa para tentar compensar a situação difícil da economia doméstica, informa o jornal The Washington Post.

Vários deputados da oposição republicana ironizaram a expressão "liderar de trás", sem estar na primeira linha das operações nem usar todo o poder aéreo dos Estados Unidos para vencer logo a resistência de Kadafi, principal crítica do senador John McCain, candidato derrotado por Obama em 2008.

Mas uma intervenção considerada desnecessária num conflito onde não havia interesses estratégicos dos EUA em jogo nem apoio popular se transformou num modelo. Como observou o vice-presidente Joe Biden, o custo foi de US$ 2 bilhões e não morreu nenhum americano.

"Houve períodos de angústia e remorso" nesses sete meses, admitiu Hillary, mas "adotados uma política que estava do lado certo da História, dos nossos valores e interesses estratégicos na região".

De sua primeira ação armada, em 18 de fevereiro, até 9 de março, o desorganizado movimento rebelde conquistou sucessivas vitórias. Quando Kadafi reagiu e prometeu esmagá-los como "ratos", os rebeldes pediram ajuda internacional.

Por iniciativa da França e do Reino Unido, em 17 de março, o Conselho Segurança das Nações aprovou a Resolução 1.973, autorizando o uso da força para "proteger a população civil" da Líbia da contraofensiva das forças leais ao coronel Kadafi por 1o a zero, com quatro abstenções, da Alemanha, China, Rússia, Brasil e Índia.

A proposta inicial era criar uma zona de exclusão aérea ou proibição de voo para impedir Kadafi de usar a Força Aérea para atacar os rebeldes. No último momento, sob pressão dos EUA, o texto foi mudado para autorizar o uso de "todos os meios necessários" para proteger a população civil líbia.

Na Casa Branca, temia-se que a guerra aérea não fosse suficiente para derrotar Kadafi. O secretário da Defesa, Robert Gates, era contra envolver os EUA em mais uma guerra. Em duas visitas à Europa no início de março, Hillary deixou claro que os americanos não estavam dispostos a liderar mais uma ação militar arriscada contra um país muçulmano.

"Éramos contra fazer algo meramente simbólico", relembra Hillary. "Teríamos cruzado a barreira da intervenção sem conseguir nada."

Em 12 de março, a Liga Árabe aprovou a imposição de uma zona de exclusão aérea na Líbia. Era a aprovação que faltava para o modelo de intervenção do que poderá a ser a Doutrina Obama (ou Hillary) para lidar com conflitos desta natureza, em que que ditadores ameaçam massacrar seu próprio povo. Os EUA agem em conjunto, com o apoio de uma aliança e a aprovação da ONU, afastando-se do unilateralismo do governo George W. Bush.

No dia seguinte, em Paris, durante uma conferência do Grupo dos Oito (G-8), a secretária de Estado recebeu pela primeira vez Mahmoud Jibril, vice-líder do Conselho Nacional de Transição da Líbia. Ela também negociou o apoio militar de países árabes da região do Golfo Pérsico para que não fosse uma intervenção militar só do Ocidente e esteve com o ministro do Exterior da Rússia, que poderia vetar a resolução da ONU.

"Quando Hillary chegou à França, não tinha orientação expressa da Casa Branca para apoiar o uso da força contra a Líbia", observa um diplomata americano. Não havia consenso no governo Obama sobre o que fazer.

Dois dias depois, a secretária de Estado tinha uma resposta: "É uma oportunidade para os EUA atenderem a um pedido árabe. Iria melhorar a imagem dos EUA no mundo árabe a mandar um sinal importante para os movimentos da primavera árabe".

Ao falar com Obama em 15 de março, Hillary se tornara uma forte defensora da intervenção militar. O presidente concordou.

Quando Sarkozy decidiu iniciar os bombardeios aéreos, Berlusconi não gostou e o presidente da Turquia, Abdullah Gul, manifestou suspeita de que a França tivesse "interesses secretos" intervenção militar.

A estrutura de comando das operações da OTAN foi definida numa conferência telefônica entre Hillary e os ministros do Exterior da França, Alain Juppé; do Reino Unido, William Hague; e da Turquia, Ahmet Davutoglu.

Com a OTAN pacificada, foram os aliados árabes que se rebelaram. A Jordânia, o Catar e os Emirados Árabes Unidos tinham prometido mandar aviões de combate. Três dias depois do início dos bombardeios, recuaram temendo a reação interna de suas populações e descontentes com as críticas de Washington à intervenção militar da Arábia Saudita no Bahrein.

Hillary pressionou diretamente o emir do Catar e o rei da Jordânia: "É importante para os EUA, é importante para o presidente e é importante para mim pessoalmente."

Em 25 de março, os aviões catarinos entraram em combate. Logo a força aérea internacional conteve o avanço dos kadafistas rumo à capital rebelde. Mas, em maio, a guerra civil líbia entrou num impasse, sem avanços significativos de nenhuma parte.

No início de julho, os rebeldes estavam sem armas, munições e até mesmo comida. Hillary pediu a Obama que reconhecesse o CNT como governo provisório da Líbia, contrariando a recomendação dos advogados do Departamento de Estado. Num encontro em Istambul, na Turquia, em 15 de julho, convenceu 30 outros governos árabes e ocidentais a fazer o mesmo.

Assim, os rebeldes teriam acesso aos fundos líbios congelados pelas sanções contra a ditadura do coronel Kadafi.

Cinco semanas depois, Trípoli caiu. A Força Aérea dos EUA fez menos de um terço das 14 mil missões de ataque, mas deu apoio logístico e realizou operações de reabastecimento no ar.

O balanço final da intervenção ainda está longe de ser concluído. Vai depender da natureza do regime que os rebeldes construírem na Líbia. Mas foi claramente uma tentativa dos EUA de tentar manter sua preeminência nas relações internacionais de forma discreta, formando alianças e economizando recursos.

Uma pesquisa da revista Time divulgada na semana passada indicou que, se fosse a candidata do Partido Democrata à eleição presidencial de 2012, Hillary venceria todos os possíveis adversários republicanos. Obama ficaria num empate técnico com o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney.

Para a maioria do eleitorado, Hillary teria dado uma presidente melhor, mais firme e decidida do que Obama.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Berlusconi sobrevive a voto de desconfiança

 Por 316 a 301 votos, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi sobreviveu hoje a mais uma moção de desconfiança na Câmara dos Deputados da Itália.

A medida é insuficiente para acalmar os mercados e as dúvidas sobre a capacidade do sistema político do país de oferecer uma resposta satisfatória à crise das dívidas públicas da Zona do Euro.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Berlusconi chama Itália de "país de merda"

Para o primeiro-ministro Silvio Berlusconi, acossado por intermináveis denúncias de corrupção e escândalos sexuais, a Itália é um "país de merda".

A expressão foi captada numa escuta telefônica de uma conversa de julho do chefe de governo com um amigo jornalista, divulgada pela agência de notícias Ansa e publicada no jornal esquerdista francês Libération.

"Sou transparente, altamente correto nos meus negócios para que ninguém possa me incomodar”, desabafou Berlusconi. “Podem dizer que eu namoro, é a única coisa que podem dizer. Dentro de alguns meses, vou cuidar das minhas cebolas ou vou-me embora deste país de merda que me dá ânsia de vômito.”

O caradurismo dos políticos corruptos e ladrões não tem mesmo limites, aqui no Brasil, na Itália e em todo o mundo.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Itália vende bônus de 6,5 bilhões sem problemas

Com a ajuda do Banco Central da Europa, a Itália vendeu hoje títulos da dívida pública com 12 anos de prazo a juros menores do que o mercado exigia na semana passada. Mas os escândalos envolvendo o primeiro-ministro Silvio Berlusconi e o ministro das Finanças, Giulio Tremonti, afetam a credibilidade do país, observa o jornal americano The Washington Post.