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segunda-feira, 12 de junho de 2023

Ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi morre aos 86 anos

O magnata e ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, o chefe de governo que ficou mais tempo no poder na Itália no pós-guerra, cerca de nove anos, morreu hoje aos 86 anos. De 1994 a 2011, liderou quatro governos, um reeleito. Seu partido é um parceiro menor da coalizão de governo da primeira-ministra Giorgia Meloni. Há anos, sofria de leucemia.

Silvio Berlusconi nasceu em Milão em 29 de setembro de 1936 numa família de classe média. Começou a construir sua carreira empresarial no setor imobiliário antes de criar a Mediaset, a maior empresa privada de televisão do país. De 1986 a 2017, foi dono do clube de futebol Milan. Com fortuna estimada em US$ 6,8 bilhões, era o terceiro homem mais rico da Itália.

Berlusconi foi um dos beneficiários dos escândalos de corrupção revelados pela Operação Mãos Limpas. Com o colapso da Democracia Cristã, que dominava a política italiana depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), temendo a ascensão da esquerda, fundou em 1993 o partido Força Itália, o grito de guerra dos torcedores da seleção do país.

Em 11 de maio de 1994, chegou ao poder com o governo mais direitista da Itália desde 1945, que caiu depois de oito meses, em 17 de janeiro de 1995. Voltou em 11 de junho de 2001 para chefiar o mais longo governo da Itália no pós-guerra, que durou até 17 de maio de 2006, com uma reeleição. Seu quarto governo foi de 8 de maio de 2008 a 16 de novembro de 2011.

No segundo governo, o serviço secreto italiano afirmou que o Iraque havia tentado comprar urânio no Níger. Isto serviu de pretexto para a invasão do Iraque pelos Estados Unidos em 2003. Após investigar a alegação em viagem ao Níger, o embaixador norte-americano Joseph Wilson concluiu que era mentira e publicou um artigo no jornal The New York Times contestando a história. 

Em retaliação, o escritório do vice-presidente Dick Cheney deixou vazar para a imprensa que a mulher de Wilson, Valerie Plame, era agente da CIA (Agência Central de Inteligência), o que é um crime. O chefe de gabinete de Cheney, Scooter Libby, foi condenado a dois anos e meio de prisão. Teve a pena comutada pelo presidente George W. Bush, responsável pela invasão do Iraque.

Il Cavalière foi o terceiro chefe de governo com mais tempo no poder desde a unificação da Itália, em 1861, atrás apenas do ditador fascista Benito Mussolini (1922-45) e de Giovanni Giolitti (1892-93, 1903-5, 1906-9, 1911-14 e 1920-21).

Alvo de investigações de corrupção e pivô de escândalos sexuais, conseguiu aprovar leis que reduziram penas, mas foi condenado por fraude fiscal em 2012. Por causa da idade, a pena de prisão foi convertida em trabalho comunitário.

Em abril, foi internado no Hospital San Raffaele, em Milão, onde ficou seis semanas e foi readmitido na sexta-feira. Foi casado duas vezes e deixa cinco filhos.

domingo, 4 de março de 2018

Populistas e ultradireita vencem eleições na Itália

Como previsto, as eleições parlamentares deste domingo na Itália apresentaram um resultado inconclusivo. Nenhum bloco deve ter maioria absoluta no Congresso. O partido mais votado foi o Movimento 5 Estrelas (M5E). Com 226 deputados, está longe dos 316 necessários para a maioria absoluta. 

A maior bancada será da centro-direita, com 236 cadeiras. A neofascista Liga (antiga Liga Norte) teve 18,8% dos votos, superando sua aliada Força Itália, que ficou em 13,3%.

A expectativa é de um governo mais eurocético, que deve aumentar os gastos públicos, ignorando as restrições orçamentárias impostas pela União Europeia para reduzir a dívida pública italiana, de 130% do produto interno bruto.

O M5E obteve 30,5% dos votos, seguido pelo Partido Democrático, de centro-esquerda, liderado pelo ex-primeiro-ministro Matteo Renzi. Com 20,2%, o partido que estava no governo desde a queda de Berlusconi, em 2011, no auge da Crise do Euro, foi o grande derrotado, por causa da estagnação econômica, do crescimento da pobreza e da onda de refugiados.

Com a centro-direita como maior força política, o líder por trás do trono será o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, do partido Força Itália. No momento, ele é inelegível por causa de condenações por corrupção e fraude fiscal. Deve indicar o atual presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, como próximo chefe de governo. Mas o líder da Liga Norte, Matteo Salvini, quer o cargo, assim como o candidato do M5E, Luigi di Maio.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Justiça da Itália condena Berlusconi por subornar senador

Um tribunal de Nápoles, no Sul da Itália, condenou hoje o ex-primeiro-ministro conservador Silvio Berlusconi a três anos de prisão por subornar um ex-senador entre 2006 e 2008 para derrubar o governo de seu rival esquerdista Romano Prodi. A defesa vai recorrer. Como o caso está perto de prescrever, é improvável que a sentença definitiva saia antes do fim do prazo legal.

Berlusconi foi denunciado por subornar o então senador Sergio de Gregorio, do partido Valores da Itália, para deixar a coalizão de centro-esquerda e assim derrubar o governo Prodi. De Gregorio confessou a culpa em 2013, em troca de uma sentença de um ano e oito meses de prisão com direito a suspensão da pena.

A promotoria pediu cinco anos de cadeia para o magnata, o líder que governou a Itália por mais tempo depois da Segunda Guerra Mundial. Berlusconi negou tudo, como faz em todos os processos de uma vida marcada por escândalos sexuais e de corrupção.

Em 2013, condenado por fraude fiscal, Berlusconi foi proibido de ocupar cargos públicos por seis anos. A pena de prisão de quatro anos foi convertida em um ano de trabalho comunitário. Agora, deve se beneficiar da extinção de punibilidade por decurso de prazo. O processo vai durar mais tempo do que a lei permite.

Desde então, seu partido de direita Força Itália (o slogan da torcida da seleção de futebol do país) vem caindo por divisões internas e falta de liderança. Nas eleições regionais de maio, foi superado pela neofascista Liga do Norte, que emerge como a grande força política da direita italiana.

Por ironia do destino ou da história da Itália, Berlusconi surgiu no vácuo deixado pela Democracia Cristã. O principal partido político italiano do pós-guerra desapareceu com os processos de corrupção da Operação Mãos Limpas, no início dos anos 1990s, junto com o Partido Socialista, deixando um vazio na direita italiana, habilmente preenchido pelo homem mais rico do país, um empresário arquicorrupto.