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sábado, 11 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 11 de Julho

QUAKERS CHEGAM A BOSTON

     Em 1656, as inglesas Ann Austin e Mary Fischer, as primeiras quakers a emigrar para as colônias norte-americanas, chegam a Boston, na Baía de Massachusetts. Elas vêm de Barbados, onde criaram um centro missionário.

A Sociedade dos Amigos, uma entidade religiosa, é fundada na Inglaterra por George Fox. O nome deriva do tremor causado pelo fervor religioso de seus membros, que são contra a violência e a guerra, e se dedicam à educação e à caridade. São contra a escravidão e a favor da igualdade entre os sexos.

Sua pregação liberal contraria o puritanismo de Massachusetts. Elas são presas e deportadas para Barbados cinco anos depois. Em 1658, o grupo é banido da colônia sob ameaça de pena de morte. Mais tarde, estas leis são revogadas.

No século 18, o quaker John Woolman viaja pelas colônias americanas pregando a religião e o abolicionismo. Ele promove boicotes aos produtos fabricados por escravos e tenta convencer as comunidades quakers a aderir à campanha abolicionista. 

A quaker Lucretia Mott é uma abolicionista importante no século 19. Trabalha na Estrada de Ferro Subterrânea, um movimento clandestino para ajudar na fuga de escravos para a liberdade. Também é pioneira da luta pelos direitos das mulheres.

HAMILTON MORRE EM DUELO

    Em 1804, o vice-presidente Aaron Burr, acerta seu inimigo político Alexander Hamilton, que foi o primeiro secretário do Tesouro dos Estados Unidos, num dos duelos mais famosos da história do país. O líder do Partido Federalista e o principal arquiteto da ordem da econômica dos EUA morre no dia seguinte.

Hamilton nasce na ilha caribenha de Névis e emigra para os EUA em 1773. Durante a Guerra da Independência dos EUA (1775-83), entra para o Exército Continental e chama a atenção do comandante, general George Washington, que o nomeia assessor.

Dez anos depois, é delegado na Convenção Constitucional que redige a Constituição dos EUA e luta por sua ratificação por criar um um governo central forte como ele queria.

Quando Washington é eleito primeiro presidente dos EUA, em 1788, convida Hamilton para o governo. Em 1789, ele se torna o primeiro secretário do Tesouro.

Burr nasce numa família de elite da colônia de Nova Jérsei em 1756. Adere ao Exército Continental 1775. É deputado estadual e procurador-geral de Nova York. Em 1796, disputa a eleição presidencial na chapa de Thomas Jefferson, quando é atacado por Hamilton. John Adams vence. 

Na época, cada eleitor votava em dois candidatos e o Colégio Eleitoral num só. O segundo mais votado era eleito vice-presidente.

Em 1800, de novo, a chapa Jefferson-Burr concorre pelo Partido Democrata-Republicano, o futuro Partido Democrata. Burr divulga um documento em que Hamilton critica Adams, o que divide os federalistas. Jefferson e Burr vencem.

No Colégio Eleitoral, há  empate em 73 votos. A eleição vai para a Câmara dos Representantes e os federalistas apoiam Burr. Depois de 35 empates, parte dos federalistas muda da lado sob a influência de Hamilton e Jefferson ganha, uma das razões do duelo.

Em 1804, Jefferson não indica Burr para vice. Este tenta entrar no Partido Federalista. É barrado numa campanha inflamada de Hamilton, que continua quando ele se lança como candidato independente. No mesmo ano, o Congresso aprova a 12ª Emenda à Constituição dos EUA, estabelecendo votações distintas para presidente e vice.

ATAQUE À TOCA DO LOBO

Em 1944, o Conde Claus von Stauffenberg, coronel do Exército da Alemanha, vai com uma bomba até o quartel-general de Adolf Hitler em Berchtesgaden, na Baviera, com a intenção de assassinar o Führer.

O atentado seria em 15 de julho, mas Hitler é chamado ao quartel-general de Rastenburg, na Prússia Oriental, hoje parte da Polônia, conhecido como Toca do Lobo.

Desde o início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), as atrocidades do nazismo provocam a indignação de alemães e, com o tempo, de conspirações para derrubar Hitler. A maior reúne cerca de 500 oficiais alemães.

Stauffenberg serve o Exército alemão desde 1926. Durante a guerra, participa da invasão à União Soviética, onde judeus e prisioneiros soviéticos são sumariamente eliminados. Transferido para o Norte da África, perde um olho, a mão direita e dois dedos da mão esquerda. Como comandante das Forças da Reserva, tem acesso direto a Hitler.

Líder da conspiração, chamada de Operação Valquíria, ele recebe a bomba do major Helmuth Stieff em 3 de julho. Com a viagem de Hitler e o adiamento do ataque, ele sabe em 16 de julho, num encontro com o coronel Cæsar von Hofacker, que a Muralha do Atlântico entrara em colapso na Normandia e que a guerra havia mudado na frente ocidental. É chegado o momento de se livrar de Hitler e negociar a paz.

O atentado fica para 20 de julho. Como Hitler vai receber Mussolini, a reunião é antecipada em uma hora. Stauffenberg tem pouco tempo para armar as duas bombas escondidas numa pasta. Ele só consegue preparar uma, a aciona e deixa a reunião. 

O coronel Heinz Brandt chuta acidentalmente a pasta de Stauffenberg, que fica do outro lado do grosso pé da mesa de carvalho. No momento da explosão, Hitler está do outro lado da mesa e não morre.

Do lado de fora da cabana, Stauffenberg e outros conspiradores saem convencidos da morte do Führer. Horas depois, o coronel anuncia que está tomando o poder na Alemanha. 

A proposta da conspiração é assinar um cessar-fogo com os aliados ocidentais, numa rendição incondicional, e concentrar esforços na guerra contra a URSS na frente oriental para impedir o Exército Vermelho de tomar a Europa Oriental e chegar a Berlim.

Com o fracasso do atentado, 5 mil pessoas são presas e 200 executadas, inclusive Stauffenberg.

FIM DO SKYLAB

    Em 1979, a estação espacial norte-americana Skylab cai na Terra, na Austrália e no Oceano Índico, cinco anos do fim da última missão tripulada nela realizada.

A Skylab, lançada em 1973, é a primeira estação espacial bem-sucedida, depois do fracasso da soviética Salyut. Com 36 metros de altura, é cilíndrica e pesa 77 toneladas. É capaz de abrigar até três tripulações de três astronautas.

Os tripulantes a Skylab passam mais de 700 horas observando o Sol e tiram mais de 175 mil fotos da nossa estrela. Realizam estudos para examinar os efeitos biológicos da longa permanência no espaço. Com o desgate prematuro causado por radiação solar acima do esperado, a estação especial é desativada e cai na Terra.

EUA REATAM COM VIETNÃ

    Em 1995, duas décadas depois da queda de Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, e do fim da guerra entre os dois países, os Estados Unidos estabelecem relações diplomáticas com o Vietnã, citando a cooperação do regime comunista vietnamita na busca pelos restos mortais de 2.238 desaparecidos em ação durante a intervenção militar norte-americana (1964-73) na Guerra do Vietnã (1955-75).

A normalização das relações com o inimigo que derrota a superpotência começam em 1994, quando o presidente democrata Bill Clinton suspende o embargo comercial. O senador republicano John McCain, um ex-piloto da Força Aérea que fica cinco anos e meio como prisioneiro de guerra no Vietnã, é importante no reatamento.

O envolvimento dos EUA na guerra aumenta de mil assessores militares em 1959 para pelo menos 2,8 mil na época do assassinato do presidente John Kennedy (1961-63). Depois do Incidente do Golfo de Tonkin, forjado para justificar a entrada direta dos EUA no conflito, em agosto de 1964, o presidente Lyndon Johnson declara guerra ao Vietnã do Norte.

Em abril de 1969, os EUA chegam a um máximo de 543 mil soldados no Vietnã, mas a erosão do apoio político interno por causa das 58.281 mortes minam o esforço de guerra. Cerca de 2 milhões de vietnamitas morrem na Guerra do Vietnã, que deflagra guerras civis no Laos e no Camboja. Em 1975, os três países da antiga Indochina Francesa se tornam comunistas.

MASSACRE DE SREBRENICA

    Em 1995, o exército da autointitulada a não reconhecida República Sérvia da Bósnia-Herzegovina toma a cidade de Srebrenica e mata em duas semanas 8.373 muçulmanos bósnios, praticamente toda a população adulta masculina da cidade.

É o maior massacre nas guerras que destroem a Iugoslávia. Uma força de paz das Nações Unidas formada por militares holandeses não reage. Centenas de homens buscam refúgio no quartel da ONU quando as forças sérvias ocupam Srebrenica, que tinha sido declarada "zona de segurança". As Mães de Srebrenica afirmam que "a Holanda é responsável por todas as mortes".

Os dois principais acusados, o líder sérvio na Bósnia, Radovan Karadzic, e o comandante militar sérvio-bósnio, general Ratko Mladic, são condenados anos mais tarde pelo Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia. Karadzic é sentenciado a 40 anos de prisão e Mladic, o Carniceiro da Bósnia, à prisão perpétua. Em 2004, antes dos dois serem presos, o tribunal considera o massacre um genocídio.

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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 14 de Maio

 COLÔNIA DE JAMESTOWN

    Em 1607, os ingleses fundam seu primeiro assentamento permanente na América, a colônia de Jamestown, na Virgínia, hoje parte dos Estados Unidos.

Até então, a Espanha e Portugal dominam o Novo Mundo. A colônia é um empreendimento privado da Companhia da Virgínia, com sede em Londres. O rei Jaime I da Inglaterra dá uma carta real aos investidores em 10 de abril de 1606.

Na época os ingleses chamam de Virgínia toda a costa leste da América do Norte ao norte da Flórida. É uma homenagem à rainha Elizabeth I (1558-1603), conhecida como a Rainha Virgem porque não teve filhos. Os colonos podem se estabelecer  na região que hoje vai da Carolina do Norte a Nova York.

O plano da companhia é remunerar os investidores com a descoberta de ouro e prata e de um rio que chegue à Ásia para fazer comércio com o Oriente.

Cerca de 105 colonos saem da Inglaterra em três navios no fim do dezembro de 1606 e chegam à Baía de Chesapeake em 27 de abril de 1607.

A maioria das tribos da região faz parte do Império Powhatan, com o cacique Powhatan como líder. As relações com os nativos inicialmente variam entre amizade e hostilidade. Os colonos fazem negócios com os índios, por exemplo, trocando ferramentas de metal por comida, mas há encontros violentos e às vezes os índios matam os colonos que saem do forte.

No outono de 1609, o cacique inicia uma campanha para matar os colonos de fome e acabar com a colônia, negando-se a fornecer comida. É o início da Primeira Guerra Powhatan (1609-14). Entre 1609 e 1611, a colônia quase é abandonada. Os colonos sobreviventes embarcam em quatro navios.

Com a introdução da cultura do tabaco, a partir de 1613, a colônia começa a prosperar. John Rolfe, o pioneiro da produção de tabaco, casa com a princesa Pocahontas, filha do cacique.

No verão de 1619, a colônia cria o primeiro governo representativo na América, com a eleição de uma Assembleia Geral de 22 burgueses e seis indicados pela companhia. Só os homens com propriedades têm direito de voto.

É em Jamestown que chegam os primeiros escravos africanos ao que hoje é os EUA. Em 20 de agosto de 1619, 20 dos 50 angolanos de um navio negreiro português atacado por dois navios piratas ingleses são vendidos em Jamestown. É o marco do início da escravidão no país.

Em 1620, a expansão da área agrícola para produzir tabaco e a infiltração dos colonos em regiões de caça dos indígenas provocam atritos na região da Baía de Chesapeke que explodem em 1622.

Os powhatans chegam desarmados a Jamestown, com veados, perus, frutas, peixes e outros mantimentos como se fossem para vender. Pegam todas as ferramentas e armas disponíveis e matam todos os colonos europeus, homens, mulheres e crianças de todas as idades. É o início da Segunda Guerra Powhatan (1622-32).

Na Terceira Guerra Powhatan (1644-46), Opechancanough é capturado e morto. Uma linha divisória, uma fronteira, é traçada entre a colônia e as terras indígenas. Exige autorização para ser cruzada.

EUA EXPLORAM NOROESTE

    Em 1804, um ano depois que os Estados Unidos dobraram seu território comprando a Louisiana da França de Napoleão Bonaparte, a expedição de Lewis e Clark deixa São Luís, no Missouri, para explorar o Noroeste do país, entre o Rio Mississípi e o Oceano Pacífico.

Antes de concluir a negociação, o presidente Thomas Jefferson convoca seu secretário particular, Meriwether Lewis, e o capitão do Exército William Clark para liderar a missão, que parte com 45 homens.

A expedição sobe o Rio Missouri num barco de 17 metros e dois menores. Um comerciante de peles franco-canadense e sua esposa indígena se juntam ao grupo como intérpretes. Eles passam o inverno no que hoje é o estado de Dakota do Norte. Quando entram no que hoje é Montana, avistam pela primeira vez as Montanhas Rochosas.

Do outro lado da cordilheira, encontram os índios Shoshones, que vendem cavalos à expedição, e seguem até o Rio Colúmbia, que os leva até o mar. Em 5 de novembro de 1805, a missão chega ao Pacífico. Depois do inverno, os exploradores iniciam a viagem de volta a São Luís.

FUNDAÇÃO DE ISRAEL

    Em 1948, David Ben Gurion proclama a fundação de Israel, criando o primeiro Estado do povo judeu em quase 2 mil anos, e se torna primeiro-ministro, mas os países árabes não aceitam e iniciam a guerra que não acabou até hoje. 

É o fim do mandato concedido pela Liga das Nações ao Império Britânico em 1922 para administrar a Palestina depois da dissolução do Império Otomano no fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

O Egito faz um bombardeio aéreo à noite. Mesmo com blecaute na capital, Telavive, os israelenses festejam o nascimento do país, reconhecido pelos Estados Unidos.

O movimento sionista, a favor da criação de uma pátria para o povo judeu, tem origem nos massacres registrados na Europa Oriental no fim do século 19 e do Caso Dreyfus, na França, onde um oficial judeu é condenado por espionagem e enviado para prisão da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa.

Em 1896, o jornalista judeu austríaco Theodor Herzl, lança o panfleto O Estado Judaico e vira líder do movimento sionista, que decide voltar ao território histórico de Israel.

Na Declaração de Balfour, em 2 de novembro de 1917, o secretário do Exterior britânico, Arthur James Balfour, promete ao Barão de Rothschild, líder da comunidade judaica no Reino Unido, refundar Israel na Palestina, onde vive uma população árabe. O conflito entre árabes e judeus começa em 1929.

Por causa do Holocausto, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), muitos judeus migram para a Palestina. Grupos terroristas judaicos atacam os britânicos por achar que renegaram a promessa.

Com o fim da guerra, os EUA abraçam a causa sionista. Em novembro de 1947, a Assembleia Geral das Nações Unidas, presidida pelo ex-chanceler brasileiro Oswaldo Aranha, aprova a divisão do território histórico da Palestina entre um Estado judaico e outro árabe.

Na Guerra da Independência, que termina em 10 de março de 1949, Israel amplia seu território e cria a diáspora palestina. Em 1967, na Guerra dos Seis Dias, Israel toma a Faixa de Gaza e a Península do Sinai do Egito; a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém da Jordânia; e as Colinas do Golã da Síria.

Depois de uma tentativa fracassada de reconquistar o Sinai na Guerra do Yom Kippur, em 1973, o Egito abandona a aliança com a União Soviética, se aproxima dos EUA e faz o Acordo de Paz de Camp David com Israel, em troca do Sinai, na fórmula terra por paz, que seria o modelo para acabar com o conflito árabe-israelense.

O processo da paz no Oriente Médio é retomado na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, depois da Guerra do Golfo de 1991, quando Israel se conteve diante dos ataques do ditador do Iraque, Saddam Hussein.

Negociações secretas realizadas em Oslo, na Noruega, levam ao histórico aperto de mãos nos jardins da Casa Branca, em 13 de setembro de 1993, do primeiro-ministro israelense, Yitzhak Rabin, e do presidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat. Nasce a Autoridade Nacional Palestina (ANP), que inicialmente controla a Faixa de Gaza e Jericó.

O assassinato de Rabin por um extremista israelense, em 4 de novembro de 1995, e a volta da direita ao poder com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que superou Ben Gurion como governante que ficou mais tempo no poder em Israel, desgastam o processo de paz. O resultado é esta guerra sem fim, que adquiriu nova dimensão com o ataque terrorista de 7 de outubro de 2023.

ESTAÇÃO ESPACIAL

    Em 1973, os Estados Unidos lançam sua primeira estação espacial, o Skylab, a 435 quilômetros de altitude, para fazer novas observações e examinar a adaptação do organismo ao espaço.

O laboratório espacial Skylab é fruto de um programa da NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos EUA) para adaptar as naves e os sistemas desenvolvidos para levar o homem à Lua para outras missões científicas.

A estação espacial tem 30,2 metros de comprimento e 6,7m de diâmetro. Pesa 75 toneladas. Apesar dos recursos e espaço limitados, é mais espaçosa do que a primeira estação espacial, a Salyut, lançada pela União Soviética em 19 de abril de 1971.

Em 11 de julho de 1979, a plataforma reentrou na atmosfera acidentalmente, se partiu e caiu prematuramente no Oceano Índico e no Oeste da Austrália.

MORTE DE FRANK SINATRA

    Em 1998, morre aos 82 anos em Los Angeles, na Califórnia, o músico e ator Frank Sinatra, uma das mais belas vozes da música popular.

Francis Albert Sinatra nasce em 12 de dezembro de 1915 em Hoboken, no estado de Nova Jérsei. Na adolescência, depois de ouvir discos de Bing Crosby, decide se tornar cantor. Entra para o grupo Hoboken Four, que ganha um concurso de calouros em 1935.

O grupo faz turnês durante um ano, mas só Sinatra se torna músico profissional. Durante três anos, ele canta com bandas menores. Em 1939, canta e trabalha como garçon na Rustic Cabin, em Englewood Cliffs, em Nova Jérsei, quando o trumpetista Harry James o contrata ao formar uma nova banda depois de deixar a Orquestra de Benny Goodman.

A banda grava 10 discos em seis meses. A voz barítono de Sinatra se destaca em músicas como From the Bottom of My Heart. Em dezembro de 1939, recebe uma porposta melhor e vai para a banda de Tommy Dorsey, com quem grava 83 discos de 1940 a 1942.

No fim de 1942, ele deixa a banda e se arrisca numa carreira solo. Em semanas, vira um fenômeno cultural. Suas apresentações no Teatro Paramount, em Nova York, em janeiro de 1943, provocam um frenesi entre as fãs como não se via desde Rodolfo Valentino.

Em novembro de 1944, Sinatra começa a trabalhar para a gravadora Columbia Records com grande sucesso até 1948, quando é criticado por manter sempre o mesmo estilo e por relações com mafiosos como Lucky Luciano e Joe Fischetti.

Sinatra entre num período de cinco anos de depressão e declínio. Chega a ficar sem voz por meses em 1950 por causa de uma hemorragia nas cordas vocais. O divórcio de sua primeira mulher, Nancy, em 1951, e um casamento tempestuoso com a atriz Ava Gardner abala ainda mais sua reputação. Em 1952, a Columbia Records não renova o contrato.

Nos anos 1940, Sinatra começa a trabalhar como ator cinematográfico. Ganha um Oscar de melhor ator coadjuvante em A Um Passo da Eternidade (1953).

Em 1953, ele assina um contrato com a Capitol Records, onde durante nove anos grava alguns de seus melhores discos. É um dos pioneiros dos "álbuns conceituais", LPs com um único tema. Mas as relações com a máfia continuam pesando.

Na campanha presidencial de 1960, a pedido do patriarca Joseph Kennedy, faz contato com o mafioso Sam Giancana para conseguir apoio à candidatura de John Kennedy.

Em 1960, quando ainda tem contrato com a Capitol, funda sua própria gravadora, a Reprise Records, em que grava em 1967 um de seus melhores discos em parceria com o grande compositor brasileiro Antônio Carlos Jobim. É uma década de grandes sucessos como Strangers in the Night (1966) e My Way (1969).

Com a ascensão do rock e da Geração de Woodstock, o grande festival de 1969, Sinatra fica em segundo plano. Queixa-se de que "ninguém mais escreve músicas para mim." Ele anuncia a aposentadoria em 1971, mas volta a gravar em 1973. O abuso do cigarro e do álcool tornam sua voz rouca.

Nas últimas duas décadas, Sinatra grava apenas sete álbuns com novas músicas. Faz várias apresentações ao vivo, a última em 1995. Com mais de 1.400 gravações em 50 anos de carreiras, é um dos cantores populares mais importantes da história e um ícone da cultura dos EUA.

MORTE DE B. B. KING

    Em 2015, morre em Las Vegas aos 89 anos o guitarrista e cantor norte-americano B. B. King, o Rei do Blues, um gênero musical que ajuda a desenvolver.

Riley King nasce perto de Itta Ben, no estado do Mississípi, no Sul dos Estados Unidos, em 16 de setembro de 1925. É criado na região do Delta do Mississípi. Sua primeira influência é a música gospel das igrejas da comunidade afro-americana no Sul do país, onde a segregação racial dura até os anos 1960.

Quando trabalha como disc-jockey em Memphis, no Tennessee, ganha o apelido de Blues Boy e vira B. B. King. Seu primeiro sucesso é o disco Three O'Clock Blues, de 1951. A partir daí, ele começa a viajar pelo país com uma banda de até 13 músicos.

Nos anos 1960, guitarristas de rock influenciados por ele o apresentam a plateias brancas. B. B. King se torna uma figura comum nas paradas de sucesso. É um dos primeiros a entrar, em 1980 para o Blues Hall of Fame. Em 1987, ganha um Prêmio Grammy pelo conjunto da obra e entra para o Rock and Roll Hall of Fame. Em Deuces Wild (1997), ele convida músicos como Eric Clapton e Van Morrison para uma fusão de blues, rock, pop e country.

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sexta-feira, 11 de julho de 2025

Hoje na História do Mundo: 11 de Julho

 QUAKERS CHEGAM A BOSTON

     Em 1656, as inglesas Ann Austin e Mary Fischer, as primeiras quakers a emigrar para as colônias norte-americanas, chegam a Boston, na Baía de Massachusetts. Elas vêm de Barbados, onde criaram um centro missionário.

A Sociedade dos Amigos, uma entidade religiosa, é fundada na Inglaterra por George Fox. O nome deriva do tremor causado pelo fervor religioso de seus membros, que são contra a violência e a guerra, e se dedicam à educação e à caridade. São contra a escravidão e a favor da igualdade entre os sexos.

Sua pregação liberal contraria o puritanismo de Massachusetts. Elas são presas e deportadas para Barbados cinco anos depois. Em 1658, o grupo é banido da colônia sob ameaça de pena de morte. Mais tarde, estas leis são revogadas.

No século 18, o quaker John Woolman viaja pelas colônias americanas pregando a religião e o abolicionismo. Ele promove boicotes aos produtos fabricados por escravos e tenta convencer as comunidades quakers a aderir à campanha abolicionista. 

A quaker Lucretia Mott é uma abolicionista importante no século 19. Trabalha na Estrada de Ferro Subterrânea, um movimento clandestino para ajudar na fuga de escravos para a liberdade. Também é pioneira da luta pelos direitos das mulheres.

HAMILTON MORRE EM DUELO

    Em 1804, o vice-presidente Aaron Burr, acerta seu inimigo político Alexander Hamilton, que foi o primeiro secretário do Tesouro dos Estados Unidos, num dos duelos mais famosos da história do país. O líder do Partido Federalista e o principal arquiteto da ordem da econômica dos EUA morre no dia seguinte.

Hamilton nasce na ilha caribenha de Névis e emigra para os EUA em 1773. Durante a Guerra da Independência dos EUA (1775-83), entra para o Exército Continental e chama a atenção do comandante, general George Washington, que o nomeia assessor.

Dez anos depois, é delegado na Convenção Constitucional que redige a Constituição dos EUA e luta por sua ratificação por criar um um governo central forte como ele queria.

Quando Washington é eleito primeiro presidente dos EUA, em 1788, convida Hamilton para o governo. Em 1789, ele se torna o primeiro secretário do Tesouro.

Burr nasce numa família de elite da colônia de Nova Jérsei em 1756. Adere ao Exército Continental 1775. É deputado estadual e procurador-geral de Nova York. Em 1796, disputa a eleição presidencial na chapa de Thomas Jefferson, quando é atacado por Hamilton. John Adams vence. 

Na época, cada eleitor votava em dois candidatos e o Colégio Eleitoral num só. O segundo mais votado era eleito vice-presidente.

Em 1800, de novo, a chapa Jefferson-Burr concorre pelo Partido Democrata-Republicano, o futuro Partido Democrata. Burr divulga um documento em que Hamilton critica Adams, o que divide os federalistas. Jefferson e Burr vencem.

No Colégio Eleitoral, há  empate em 73 votos. A eleição vai para a Câmara dos Representantes e os federalistas apoiam Burr. Depois de 35 empates, parte dos federalistas muda da lado sob a influência de Hamilton e Jefferson ganha, uma das razões do duelo.

Em 1804, Jefferson não indica Burr para vice. Este tenta entrar no Partido Federalista. É barrado numa campanha inflamada de Hamilton, que continua quando ele se lança como candidato independente. No mesmo ano, o Congresso aprova a 12ª Emenda à Constituição dos EUA, estabelecendo votações distintas para presidente e vice.

ATAQUE À TOCA DO LOBO

Em 1944, o Conde Claus von Stauffenberg, coronel do Exército da Alemanha, vai com uma bomba até o quartel-general de Adolf Hitler em Berchtesgaden, na Baviera, com a intenção de assassinar o Führer.

O atentado seria em 15 de julho, mas Hitler é chamado ao quartel-general de Rastenburg, na Prússia Oriental, hoje parte da Polônia, conhecido como Toca do Lobo.

Desde o início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), as atrocidades do nazismo provocam a indignação de alemães e, com o tempo, de conspirações para derrubar Hitler. A maior reúne cerca de 500 oficiais alemães.

Stauffenberg serve o Exército alemão desde 1926. Durante a guerra, participa da invasão à União Soviética, onde judeus e prisioneiros soviéticos são sumariamente eliminados. Transferido para o Norte da África, perde um olho, a mão direita e dois dedos da mão esquerda. Como comandante das Forças da Reserva, tem acesso direto a Hitler.

Líder da conspiração, chamada de Operação Valquíria, ele recebe a bomba do major Helmuth Stieff em 3 de julho. Com a viagem de Hitler e o adiamento do ataque, ele sabe em 16 de julho, num encontro com o coronel Cæsar von Hofacker, que a Muralha do Atlântico entrara em colapso na Normandia e que a guerra havia mudado na frente ocidental. É chegado o momento de se livrar de Hitler e negociar a paz.

O atentado fica para 20 de julho. Como Hitler vai receber Mussolini, a reunião é antecipada em uma hora. Stauffenberg tem pouco tempo para armar as duas bombas escondidas numa pasta. Ele só consegue preparar uma, a aciona e deixa a reunião. 

O coronel Heinz Brandt chuta acidentalmente a pasta de Stauffenberg, que fica do outro lado do grosso pé da mesa de carvalho. No momento da explosão, Hitler está do outro lado da mesa e não morre.

Do lado de fora da cabana, Stauffenberg e outros conspiradores saem convencidos da morte do Führer. Horas depois, o coronel anuncia que está tomando o poder na Alemanha. 

A proposta da conspiração é assinar um cessar-fogo com os aliados ocidentais, numa rendição incondicional, e concentrar esforços na guerra contra a URSS na frente oriental para impedir o Exército Vermelho de tomar a Europa Oriental e chegar a Berlim.

Com o fracasso do atentado, 5 mil pessoas são presas e 200 executadas, inclusive Stauffenberg.

FIM DO SKYLAB

    Em 1979, a estação espacial norte-americana Skylab cai na Terra, na Austrália e no Oceano Índico, cinco anos do fim da última missão tripulada nela realizada.

A Skylab, lançada em 1973, é a primeira estação espacial bem-sucedida, depois do fracasso da soviética Salyut. Com 36 metros de altura, é cilíndrica e pesa 77 toneladas. É capaz de abrigar até três tripulações de três astronautas.

Os tripulantes a Skylab passam mais de 700 horas observando o Sol e tiram mais de 175 mil fotos da nossa estrela. Realizam estudos para examinar os efeitos biológicos da longa permanência no espaço. Com o desgate prematuro causado por radiação solar acima do esperado, a estação especial é desativada e cai na Terra.

EUA REATAM COM VIETNÃ

    Em 1995, duas décadas depois da queda de Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, e do fim da guerra entre os dois países, os Estados Unidos estabelecem relações diplomáticas com o Vietnã, citando a cooperação do regime comunista vietnamita na busca pelos restos mortais de 2.238 desaparecidos em ação durante a intervenção militar norte-americana (1964-73) na Guerra do Vietnã (1955-75).

A normalização das relações com o inimigo que derrota a superpotência começam em 1994, quando o presidente democrata Bill Clinton suspende o embargo comercial. O senador republicano John McCain, um ex-piloto da Força Aérea que fica cinco anos e meio como prisioneiro de guerra no Vietnã, é importante no reatamento.

O envolvimento dos EUA na guerra aumenta de mil assessores militares em 1959 para pelo menos 2,8 mil na época do assassinato do presidente John Kennedy (1961-63). Depois do Incidente do Golfo de Tonkin, forjado para justificar a entrada direta dos EUA no conflito, em agosto de 1964, o presidente Lyndon Johnson declara guerra ao Vietnã do Norte.

Em abril de 1969, os EUA chegam a um máximo de 543 mil soldados no Vietnã, mas a erosão do apoio político interno por causa das 58.281 mortes minam o esforço de guerra. Cerca de 2 milhões de vietnamitas morrem na Guerra do Vietnã, que deflagra guerras civis no Laos e no Camboja. Em 1975, os três países da antiga Indochina Francesa se tornam comunistas.

MASSACRE DE SREBRENICA

    Em 1995, o exército da autointitulada a não reconhecida República Sérvia da Bósnia-Herzegovina toma a cidade de Srebrenica e mata em duas semanas 8.373 muçulmanos bósnios, praticamente toda a população adulta masculina da cidade.

É o maior massacre nas guerras que destroem a Iugoslávia. Uma força de paz das Nações Unidas formada por militares holandeses não reage. Centenas de homens buscam refúgio no quartel da ONU quando as forças sérvias ocupam Srebrenica, que tinha sido declarada "zona de segurança". As Mães de Srebrenica afirmam que "a Holanda é responsável por todas as mortes".

Os dois principais acusados, o líder sérvio na Bósnia, Radovan Karadzic, e o comandante militar sérvio-bósnio, general Ratko Mladic, são condenados anos mais tarde pelo Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia. Karadzic é sentenciado a 40 anos de prisão e Mladic, o Carniceiro da Bósnia, à prisão perpétua. Em 2004, antes dos dois serem presos, o tribunal considera o massacre um genocídio.

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Hoje na História do Mundo: 14 de Maio

 COLÔNIA DE JAMESTOWN

    Em 1607, os ingleses fundam seu primeiro assentamento permanente na América, a colônia de Jamestown, na Virgínia, hoje parte dos Estados Unidos.

Até então, a Espanha e Portugal dominam o Novo Mundo. A colônia é um empreendimento privado da Companhia da Virgínia, com sede em Londres. O rei Jaime I da Inglaterra dá uma carta real aos investidores em 10 de abril de 1606.

Na época os ingleses chamam de Virgínia toda a costa leste da América do Norte ao norte da Flórida. É uma homenagem à rainha Elizabeth I (1558-1603), conhecida como a Rainha Virgem porque não teve filhos. Os colonos podem se estabelecer  na região que hoje vai da Carolina do Norte a Nova York.

O plano da companhia é remunerar os investidores com a descoberta de ouro e prata e de um rio que chegue à Ásia para fazer comércio com o Oriente.

Cerca de 105 colonos saem da Inglaterra em três navios no fim do dezembro de 1606 e chegam à Baía de Chesapeake em 27 de abril de 1607.

A maioria das tribos da região faz parte do Império Powhatan, com o cacique Powhatan como líder. As relações com os nativos inicialmente variam entre amizade e hostilidade. Os colonos fazem negócios com os índios, por exemplo, trocando ferramentas de metal por comida, mas há encontros violentos e às vezes os índios matam os colonos que saem do forte.

No outono de 1609, o cacique inicia uma campanha para matar os colonos de fome e acabar com a colônia, negando-se a fornecer comida. É o início da Primeira Guerra Powhatan (1609-14). Entre 1609 e 1611, a colônia quase é abandonada. Os colonos sobreviventes embarcam em quatro navios.

Com a introdução da cultura do tabaco, a partir de 1613, a colônia começa a prosperar. John Rolfe, o pioneiro da produção de tabaco, casa com a princesa Pocahontas, filha do cacique.

No verão de 1619, a colônia cria o primeiro governo representativo na América, com a eleição de uma Assembleia Geral de 22 burgueses e seis indicados pela companhia. Só os homens com propriedades têm direito de voto.

É em Jamestown que chegam os primeiros escravos africanos ao que hoje é os EUA. Em 20 de agosto de 1619, 20 dos 50 angolanos de um navio negreiro português atacado por dois navios piratas ingleses são vendidos em Jamestown. É o marco do início da escravidão no país.

Em 1620, a expansão da área agrícola para produzir tabaco e a infiltração dos colonos em regiões de caça dos indígenas provocam atritos na região da Baía de Chesapeke que explodem em 1622.

Os powhatans chegam desarmados a Jamestown, com veados, perus, frutas, peixes e outros mantimentos como se fossem para vender. Pegam todas as ferramentas e armas disponíveis e matam todos os colonos europeus, homens, mulheres e crianças de todas as idades. É o início da Segunda Guerra Powhatan (1622-32).

Na Terceira Guerra Powhatan (1644-46), Opechancanough é capturado e morto. Uma linha divisória, uma fronteira, é traçada entre a colônia e as terras indígenas. Exige autorização para ser cruzada.

EUA EXPLORAM NOROESTE

    Em 1804, um ano depois que os Estados Unidos dobraram seu território comprando a Louisiana da França de Napoleão Bonaparte, a expedição de Lewis e Clark deixa São Luís, no Missouri, para explorar o Noroeste do país, entre o Rio Mississípi e o Oceano Pacífico.

Antes de concluir a negociação, o presidente Thomas Jefferson convoca seu secretário particular, Meriwether Lewis, e o capitão do Exército William Clark para liderar a missão, que parte com 45 homens.

A expedição sobe o Rio Missouri num barco de 17 metros e dois menores. Um comerciante de peles franco-canadense e sua esposa indígena se juntam ao grupo como intérpretes. Eles passam o inverno no que hoje é o estado de Dakota do Norte. Quando entram no que hoje é Montana, avistam pela primeira vez as Montanhas Rochosas.

Do outro lado da cordilheira, encontram os índios Shoshones, que vendem cavalos à expedição, e seguem até o Rio Colúmbia, que os leva até o mar. Em 5 de novembro de 1805, a missão chega ao Pacífico. Depois do inverno, os exploradores iniciam a viagem de volta a São Luís.

FUNDAÇÃO DE ISRAEL

    Em 1948, David Ben Gurion proclama a fundação de Israel, criando o primeiro Estado do povo judeu em quase 2 mil anos, e se torna primeiro-ministro, mas os países árabes não aceitam e iniciam a guerra que não acabou até hoje. 

É o fim do mandato concedido pela Liga das Nações ao Império Britânico em 1922 para administrar a Palestina depois da dissolução do Império Otomano no fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

O Egito faz um bombardeio aéreo à noite. Mesmo com blecaute na capital, Telavive, os israelenses festejam o nascimento do país, reconhecido pelos Estados Unidos.

O movimento sionista, a favor da criação de uma pátria para o povo judeu, tem origem nos massacres registrados na Europa Oriental no fim do século 19 e do Caso Dreyfus, na França, onde um oficial judeu é condenado por espionagem e enviado para prisão da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa.

Em 1896, o jornalista judeu austríaco Theodor Herzl, lança o panfleto O Estado Judaico e vira líder do movimento sionista, que decide voltar ao território histórico de Israel.

Na Declaração de Balfour, em 2 de novembro de 1917, o secretário do Exterior britânico, Arthur James Balfour, promete ao Barão de Rothschild, líder da comunidade judaica no Reino Unido, refundar Israel na Palestina, onde vive uma população árabe. O conflito entre árabes e judeus começa em 1929.

Por causa do Holocausto, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), muitos judeus migram para a Palestina. Grupos terroristas judaicos atacam os britânicos por achar que renegaram a promessa.

Com o fim da guerra, os EUA abraçam a causa sionista. Em novembro de 1947, a Assembleia Geral das Nações Unidas, presidida pelo ex-chanceler brasileiro Oswaldo Aranha, aprova a divisão do território histórico da Palestina entre um Estado judaico e outro árabe.

Na Guerra da Independência, que termina em 10 de março de 1949, Israel amplia seu território e cria a diáspora palestina. Em 1967, na Guerra dos Seis Dias, Israel toma a Faixa de Gaza e a Península do Sinai do Egito; a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém da Jordânia; e as Colinas do Golã da Síria.

Depois de uma tentativa fracassada de reconquistar o Sinai na Guerra do Yom Kippur, em 1973, o Egito abandona a aliança com a União Soviética, se aproxima dos EUA e faz o Acordo de Paz de Camp David com Israel, em troca do Sinai, na fórmula terra por paz, que seria o modelo para acabar com o conflito árabe-israelense.

O processo da paz no Oriente Médio é retomado na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, depois da Guerra do Golfo de 1991, quando Israel se conteve diante dos ataques do ditador do Iraque, Saddam Hussein.

Negociações secretas realizadas em Oslo, na Noruega, levam ao histórico aperto de mãos nos jardins da Casa Branca, em 13 de setembro de 1993, do primeiro-ministro israelense, Yitzhak Rabin, e do presidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat. Nasce a Autoridade Nacional Palestina (ANP), que inicialmente controla a Faixa de Gaza e Jericó.

O assassinato de Rabin por um extremista israelense, em 4 de novembro de 1995, e a volta da direita ao poder com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que superou Ben Gurion como governante que ficou mais tempo no poder em Israel, desgastam o processo de paz. O resultado é esta guerra sem fim, que adquiriu nova dimensão com o ataque terrorista de 7 de outubro de 2023.

ESTAÇÃO ESPACIAL

    Em 1973, os Estados Unidos lançam sua primeira estação espacial, o Skylab, a 435 quilômetros de altitude, para fazer novas observações e examinar a adaptação do organismo ao espaço.

O laboratório espacial Skylab é fruto de um programa da NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos EUA) para adaptar as naves e os sistemas desenvolvidos para levar o homem à Lua para outras missões científicas.

A estação espacial tem 30,2 metros de comprimento e 6,7m de diâmetro. Pesa 75 toneladas. Apesar dos recursos e espaço limitados, é mais espaçosa do que a primeira estação espacial, a Salyut, lançada pela União Soviética em 19 de abril de 1971.

Em 11 de julho de 1979, a plataforma reentrou na atmosfera acidentalmente, se partiu e caiu prematuramente no Oceano Índico e no Oeste da Austrália.

MORTE DE FRANK SINATRA

    Em 1998, morre aos 82 anos em Los Angeles, na Califórnia, o músico e ator Frank Sinatra, uma das mais belas vozes da música popular.

Francis Albert Sinatra nasce em 12 de dezembro de 1915 em Hoboken, no estado de Nova Jérsei. Na adolescência, depois de ouvir discos de Bing Crosby, decide se tornar cantor. Entra para o grupo Hoboken Four, que ganha um concurso de calouros em 1935.

O grupo faz turnês durante um ano, mas só Sinatra se torna músico profissional. Durante três anos, ele canta com bandas menores. Em 1939, canta e trabalha como garçon na Rustic Cabin, em Englewood Cliffs, em Nova Jérsei, quando o trumpetista Harry James o contrata ao formar uma nova banda depois de deixar a Orquestra de Benny Goodman.

A banda grava 10 discos em seis meses. A voz barítono de Sinatra se destaca em músicas como From the Bottom of My Heart. Em dezembro de 1939, recebe uma porposta melhor e vai para a banda de Tommy Dorsey, com quem grava 83 discos de 1940 a 1942.

No fim de 1942, ele deixa a banda e se arrisca numa carreira solo. Em semanas, vira um fenômeno cultural. Suas apresentações no Teatro Paramount, em Nova York, em janeiro de 1943, provocam um frenesi entre as fãs como não se via desde Rodolfo Valentino.

Em novembro de 1944, Sinatra começa a trabalhar para a gravadora Columbia Records com grande sucesso até 1948, quando é criticado por manter sempre o mesmo estilo e por relações com mafiosos como Lucky Luciano e Joe Fischetti.

Sinatra entre num período de cinco anos de depressão e declínio. Chega a ficar sem voz por meses em 1950 por causa de uma hemorragia nas cordas vocais. O divórcio de sua primeira mulher, Nancy, em 1951, e um casamento tempestuoso com a atriz Ava Gardner abala ainda mais sua reputação. Em 1952, a Columbia Records não renova o contrato.

Nos anos 1940, Sinatra começa a trabalhar como ator cinematográfico. Ganha um Oscar de melhor ator coadjuvante em A Um Passo da Eternidade (1953).

Em 1953, ele assina um contrato com a Capitol Records, onde durante nove anos grava alguns de seus melhores discos. É um dos pioneiros dos "álbuns conceituais", LPs com um único tema. Mas as relações com a máfia continuam pesando.

Na campanha presidencial de 1960, a pedido do patriarca Joseph Kennedy, faz contato com o mafioso Sam Giancana para conseguir apoio à candidatura de John Kennedy.

Em 1960, quando ainda tem contrato com a Capitol, funda sua própria gravadora, a Reprise Records, em que grava em 1967 um de seus melhores discos em parceria com o grande compositor brasileiro Antônio Carlos Jobim. É uma década de grandes sucessos como Strangers in the Night (1966) e My Way (1969).

Com a ascensão do rock e da Geração de Woodstock, o grande festival de 1969, Sinatra fica em segundo plano. Queixa-se de que "ninguém mais escreve músicas para mim." Ele anuncia a aposentadoria em 1971, mas volta a gravar em 1973. O abuso do cigarro e do álcool tornam sua voz rouca.

Nas últimas duas décadas, Sinatra grava apenas sete álbuns com novas músicas. Faz várias apresentações ao vivo, a última em 1995. Com mais de 1.400 gravações em 50 anos de carreiras, é um dos cantores populares mais importantes da história e um ícone da cultura dos EUA.

MORTE DE B. B. KING

    Em 2015, morre em Las Vegas aos 89 anos o guitarrista e cantor norte-americano B. B. King, o Rei do Blues, um gênero musical que ajuda a desenvolver.

Riley King nasce perto de Itta Ben, no estado do Mississípi, no Sul dos Estados Unidos, em 16 de setembro de 1925. É criado na região do Delta do Mississípi. Sua primeira influência é a música gospel das igrejas da comunidade afro-americana no Sul do país, onde a segregação racial dura até os anos 1960.

Quando trabalha como disc-jockey em Memphis, no Tennessee, ganha o apelido de Blues Boy e vira B. B. King. Seu primeiro sucesso é o disco Three O'Clock Blues, de 1951. A partir daí, ele começa a viajar pelo país com uma banda de até 13 músicos.

Nos anos 1960, guitarristas de rock influenciados por ele o apresentam a plateias brancas. B. B. King se torna uma figura comum nas paradas de sucesso. É um dos primeiros a entrar, em 1980 para o Blues Hall of Fame. Em 1987, ganha um Prêmio Grammy pelo conjunto da obra e entra para o Rock and Roll Hall of Fame. Em Deuces Wild (1997), ele convida músicos como Eric Clapton e Van Morrison para uma fusão de blues, rock, pop e country.

quinta-feira, 11 de julho de 2024

Hoje na História do Mundo: 11 de Julho

 QUAKERS CHEGAM A BOSTON

     Em 1656, as inglesas Ann Austin e Mary Fischer, as primeiras quakers a emigrar para as colônias norte-americanas, chegam a Boston, na Baía de Massachusetts. Elas vêm de Barbados, onde criaram um centro missionário.

A Sociedade dos Amigos, uma entidade religiosa, é fundada na Inglaterra por George Fox. O nome deriva do tremor causado pelo fervor religioso de seus membros, que são contra a violência e a guerra, e se dedicam à educação e à caridade. São contra a escravidão e a favor da igualdade entre os sexos.

Sua pregação liberal contraria o puritanismo de Massachusetts. Elas são presas e deportadas para Barbados cinco anos depois. Em 1658, o grupo é banido da colônia sob ameaça de pena de morte. Mais tarde, estas leis são revogadas.

No século 18, o quaker John Woolman viaja pelas colônias americanas pregando a religião e o abolicionismo. Ele promove boicotes aos produtos fabricados por escravos e tenta convencer as comunidades quakers a aderir à campanha abolicionista. 

A quaker Lucretia Mott é uma abolicionista importante no século 19. Trabalha na Estrada de Ferro Subterrânea, um movimento clandestino para ajudar na fuga de escravos para a liberdade. Também é pioneira da luta pelos direitos das mulheres.

HAMILTON MORRE EM DUELO

    Em 1804, o vice-presidente Aaron Burr, acerta seu inimigo político Alexander Hamilton, que foi o primeiro secretário do Tesouro dos Estados Unidos, num dos duelos mais famosos da história do país. O líder do Partido Federalista e o principal arquiteto da ordem da econômica dos EUA morre no dia seguinte.

Hamilton nasce na ilha caribenha de Névis e emigra para os EUA em 1773. Durante a Guerra da Independência dos EUA (1775-83), entra para o Exército Continental e chama a atenção do comandante, general George Washington, que o nomeia assessor.

Dez anos depois, é delegado na Convenção Constitucional que redige a Constituição dos EUA e luta por sua ratificação por criar um um governo central forte como ele queria.

Quando Washington é eleito primeiro presidente dos EUA, em 1788, convida Hamilton para o governo. Em 1789, ele se torna o primeiro secretário do Tesouro.

Burr nasce numa família de elite da colônia de Nova Jérsei em 1756. Adere ao Exército Continental 1775. É deputado estadual e procurador-geral de Nova York. Em 1796, disputa a eleição presidencial na chapa de Thomas Jefferson, quando é atacado por Hamilton. John Adams vence. 

Na época, cada eleitor votava em dois candidatos e o Colégio Eleitoral num só. O segundo mais votado era eleito vice-presidente.

Em 1800, de novo, a chapa Jefferson-Burr concorre pelo Partido Democrata-Republicano, o futuro Partido Democrata. Burr divulga um documento em que Hamilton critica Adams, o que divide os federalistas. Jefferson e Burr vencem.

No Colégio Eleitoral, há  empate em 73 votos. A eleição vai para a Câmara dos Representantes e os federalistas apoiam Burr. Depois de 35 empates, parte dos federalistas muda da lado sob a influência de Hamilton e Jefferson ganha, uma das razões do duelo.

Em 1804, Jefferson não indica Burr para vice. Este tenta entrar no Partido Federalista. É barrado numa campanha inflamada de Hamilton, que continua quando ele se lança como candidato independente. No mesmo ano, o Congresso aprova a 12ª Emenda à Constituição dos EUA, estabelecendo votações distintas para presidente e vice.

ATAQUE À TOCA DO LOBO

Em 1944, o Conde Claus von Stauffenberg, coronel do Exército da Alemanha, vai com uma bomba até o quartel-general de Adolf Hitler em Berchtesgaden, na Baviera, com a intenção de assassinar o Führer.

O atentado seria em 15 de julho, mas Hitler é chamado ao quartel-general de Rastenburg, na Prússia Oriental, hoje parte da Polônia, conhecido como Toca do Lobo.

Desde o início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), as atrocidades do nazismo provocam a indignação de alemães e, com o tempo, de conspirações para derrubar Hitler. A maior reúne cerca de 500 oficiais alemães.

Stauffenberg servia o Exército alemão desde 1926. Durante a guerra, participa da invasão à União Soviética, onde judeus e prisioneiros soviéticos são sumariamente eliminados. Transferido para o Norte da África, perde um olho, a mão direita e dois dedos da mão esquerda. Como comandante das Forças da Reserva, tem acesso direto a Hitler.

Líder da conspiração, chamada de Operação Valquíria, ele recebe a bomba do major Helmuth Stieff em 3 de julho. Com a viagem de Hitler e o adiamento do ataque, ele sabe em 16 de julho, num encontro com o coronel Cæsar von Hofacker, que a Muralha do Atlântico entrara em colapso na Normandia e que a guerra havia mudado na frente ocidental. É chegado o momento de se livrar de Hitler e negociar a paz.

O atentado fica para 20 de julho. Como Hitler vai receber Mussolini, a reunião é antecipada em uma hora. Stauffenberg tem pouco tempo para armar as duas bombas escondidas numa pasta. Ele só consegue preparar uma, a aciona e deixa a reunião. 

O coronel Heinz Brandt chuta acidentalmente a pasta de Stauffenberg, que fica do outro lado do grosso pé da mesa de carvalho. No momento da explosão, Hitler está do outro lado da mesa e não morre.

Do lado de fora da cabana, Stauffenberg e outros conspiradores saem convencidos da morte do Führer. Horas depois, o coronel anuncia que está tomando o poder na Alemanha. 

A proposta da conspiração é assinar um cessar-fogo com os aliados ocidentais, numa rendição incondicional, e concentrar esforços na guerra contra a URSS na frente oriental para impedir o Exército Vermelho de tomar a Europa Oriental e chegar a Berlim.

Com o fracasso do atentado, 5 mil pessoas são presas e 200 executadas, inclusive Stauffenberg.

FIM DO SKYLAB

    Em 1979, a estação espacial americana Skylab cai na Terra, na Austrália e no Oceano Índico, cinco anos do fim da última missão tripulada nela realizada.

A Skylab, lançada em 1973, é a primeira estação espacial bem-sucedida, depois do fracasso da soviética Salyut. Com 36 metros de altura, é cilíndrica e pesa 77 toneladas. É capaz de abrigar até três tripulações de três astronautas.

Os tripulantes a Skylab passam mais de 700 horas observando o Sol e tiram mais de 175 mil fotos da nossa estrela. Realizam estudos para examinar os efeitos biológicos da longa permanência no espaço. Com o desgate prematuro causado por radiação solar acima do esperado, a estação especial é desativada e cai na Terra.

EUA REATAM COM VIETNÃ

    Em 1995, duas décadas depois da queda de Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, os Estados Unidos estabelecem relações diplomáticas com o Vietnã, citando a cooperação do regime comunista vietnamita na busca pelos restos mortais de 2.238 desaparecidos em ação durante a intervenção militar norte-americana (1964-73) na Guerra do Vietnã (1955-75).

A normalização das relações com o inimigo que derrota a superpotência começam em 1994, quando o presidente democrata Bill Clinton suspende o embargo comercial. O senador republicano John McCain, um ex-piloto da Força Aérea que fica cinco anos e meio como prisioneiro de guerra no Vietnã, é importante no reatamento.

O envolvimento dos EUA na guerra aumenta de mil assessores militares em 1959 para pelo menos 2,8 mil na época do assassinato do presidente John Kennedy (1961-63). Depois do Incidente do Golfo de Tonkin, forjado para justificar a entrada direta dos EUA no conflito, em 1964, o presidente Lyndon Johnson declara guerra ao Vietnã do Norte.

Em abril de 1969, os EUA chegam a um máximo de 543 mil soldados no Vietnã, mas a erosão do apoio político interno por causa das 58.281 mortes minam o esforço de guerra. Cerca de 2 milhões de vietnamitas morrem na Guerra do Vietnã, que deflagra guerras civis no Laos e no Camboja. Em 1975, os três países da antiga Indochina Francesa se tornam comunistas.