Mesmo sem qualquer prova de ligação do ditador Saddam Hussein e do Iraque com os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, altos assessores do governo George Walker Bush forçaram "até o limite da insubordinação" para levar o país a uma nova guerra, declarou hoje o general Hugh Shelton, que na época era comandante do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas.
"Havia uma enorme pressão naqueles dias para invadirmos o Iraque, e não havia nenhum relatório de inteligência, nada, apontando em direção aos iraquianos", declarou hoje o general Shelton, em entrevista a Christiane Amanpour, no programa This Week, da rede de televisão americana ABC.
Entre os principais defensores da guerra contra Saddam, estavam o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, e seu subsecretário, Paul Wolfowitz, considerado o grande arquiteto da invasão do Iraque.
"Tudo apontava para Al Caeda, para Ossama ben Laden", acrescentou Shelton, "mas ao mesmo tempo estávamos entrando em guerra com o Iraque".
Ele entende que a guerra no Afeganistão, hoje o maior conflito internacional do governo, ia bem e o desvio de recursos e atenções para o Iraque foi contraproducente.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador Wolfowitz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Wolfowitz. Mostrar todas as postagens
domingo, 24 de outubro de 2010
domingo, 2 de março de 2008
Guerras de Bush custarão US$ 3 trilhões
As guerras do Iraque e do Afeganistão vão custar US$ 3 trilhões aos Estados Unidos, prevê o ex-vice-presidente do Banco Mundial Joseph Stiglitz, ganhador do Prêmio Nobel de Economia.
Além dos US$ 845 bilhões já autorizados pelo Congresso, o cálculo inclui a reposição das armas utilizadas e os gastos de longo prazo com os veteranos de guerra.
Quando a guerra do Iraque começou, em março de 2003, o então secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, considerou exageradas estimativas de que custaria US$ 200 bilhões. O subsecretário da Defesa na época, Paul Wolfowitz, chegou a afirmar que a guerra se pagaria com a renda da produção de petróleo do Iraque.
Stiglitz e Linda Bilmes, que lançam nesta segunda-feira o livro A Guerra de Três Bilhões de Dólares, temem que o custo total das guerras de Bush supere o da Segunda Guerra Mundial, estimado, em valores atualizados, em US$ 5 trilhões.
Além dos US$ 845 bilhões já autorizados pelo Congresso, o cálculo inclui a reposição das armas utilizadas e os gastos de longo prazo com os veteranos de guerra.
Quando a guerra do Iraque começou, em março de 2003, o então secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, considerou exageradas estimativas de que custaria US$ 200 bilhões. O subsecretário da Defesa na época, Paul Wolfowitz, chegou a afirmar que a guerra se pagaria com a renda da produção de petróleo do Iraque.
Stiglitz e Linda Bilmes, que lançam nesta segunda-feira o livro A Guerra de Três Bilhões de Dólares, temem que o custo total das guerras de Bush supere o da Segunda Guerra Mundial, estimado, em valores atualizados, em US$ 5 trilhões.
Marcadores:
Bush,
Comitê Olímpico dos EUA,
Comitês de Defesa da Revolução,
Guerra do Afeganistão,
Guerra do Iraque,
Joseph Stiglitz,
Linda Bilmes,
Rumsfeld,
Wolfowitz
segunda-feira, 25 de junho de 2007
Zoellick é o novo presidente do Banco Mundial
A Junta de Governadores do Banco Mundial aprovou hoje a candidatura do ex-representante comercial dos Estados Unidos e ex-subsecretário de Estado Robert Zoellick para substituir na presidência da instituição o ex-subsecretário da Defesa Paul Wolfowitz, acusado de tráfico de influência para beneficiar a namorada e amigos.
Zoellick assume em 1º de julho por um período de cinco anos.
Zoellick assume em 1º de julho por um período de cinco anos.
terça-feira, 29 de maio de 2007
Zoellick é indicado para presidir Banco Mundial
O ex-representante comercial dos Estados Unidos e ex-subsecretário de Estado Robert Zoellick, que um dia o presidente Lula chamou de "sub do sub do sub", foi indicado pelo presidente George W. Bush para ser o próximo presidente do Banco Mundial. Ele substituirá o ex-secretário da Defesa Paul Wolfowitz, que deixa o cargo no final de junho, sob acusações de corrupção, tráfico de influência e favoritismo por conseguir promoção e aumento para a namorada, além de bons salários para amigos.
Tradicionalmente, os EUA indicam o presidente do Banco Mundial, deixando a direção geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) para um europeu. A Casa Branca faz hoje o anúncio oficial.
Tradicionalmente, os EUA indicam o presidente do Banco Mundial, deixando a direção geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) para um europeu. A Casa Branca faz hoje o anúncio oficial.
segunda-feira, 21 de maio de 2007
Bush descarta Blair para Banco Mundial
O presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush, descartou hoje a possibilidade de convidar o demissionário primeiro-ministro britânico Tony Blair para a Presidência do Banco Mundial, substituindo Paul Wolfowitz, ex-subsecretário da Defesa de Bush, que renunciou diante de denúncias de favorecimento da namorada.
"Não falei com Tony Blair sobre este assunto, mas penso que é melhor ter um americano à frente do banco", declarou Bush. Por uma tradição, os EUA indicam o presidente do Banco Mundial e a Europa o diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Além de Blair, já foram citados como possíveis candidatos o ex-representante comercial dos EUA, Robert Zoellick; o ex-presidente do banco central americano Paul Volcker; o ex-presidente do México Ernesto Zedillo; o presidente do Banco de Israel, Stanley Fischer; o atual secretário do Tesouro, Henry Paulson; e até o ex-secretário de Estado Colin Powell.
"Não falei com Tony Blair sobre este assunto, mas penso que é melhor ter um americano à frente do banco", declarou Bush. Por uma tradição, os EUA indicam o presidente do Banco Mundial e a Europa o diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Além de Blair, já foram citados como possíveis candidatos o ex-representante comercial dos EUA, Robert Zoellick; o ex-presidente do banco central americano Paul Volcker; o ex-presidente do México Ernesto Zedillo; o presidente do Banco de Israel, Stanley Fischer; o atual secretário do Tesouro, Henry Paulson; e até o ex-secretário de Estado Colin Powell.
sexta-feira, 18 de maio de 2007
Wolfowitz deixa Banco Mundial em 30 de junho
Depois de mais de um mês de resistência, sob a acusação de corrupção e tráfico de influência por conseguir aumenta de salário e transferência para a namorada, o presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz, concordou em deixar o cargo em 30 de junho.
Subsecretário da Defesa dos Estados Unidos no primeiro governo George W. Bush (2001-05), Wolfowitz foi um dos principais articulares da invasão do Iraque, que defendera nos anos 90, muito antes dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra os EUA. Com o fracasso da ocupação, foi indicado pelos EUA em 2005 para a Presidência do Banco Mundial, onde chegou com um discurso de combate à corrupção, alegando que boa parte dos empréstimos e da ajuda aos países pobres é desviada por dirigentes políticos corruptos.
O Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) foi criado em 1944, na Conferência de Bretton Woods, nos EUA, para financiar a reconstrução dos países atingidos pela guerra, ao lado do Fundo Monetário Internacional (FMI). Eram as organizações internacionais responsáveis pela ordem econômica internacional do pós-guerra.
Com a recuperação da Europa e a descolonização da África e da Ásia, o BIRD se transformou numa agência de desenvolvimento internacional e passou a ser conhecido como Banco Mundial.
Wolfowitz não chegou a propor um modelo de desenvolvimento. Seu programa era combater a corrupção. Precisava dar o bom exemplo, com uma conduta irretocável.
Quando estourou o escândalo de que teria favorecido sua namorada, Shaha Riza, que foi transferida para o Departamento de Estado, o Ministério das Relações Exteriores dos EUA, com aumento de US$ 50 mil na renda anual, o que lhe dá um salário superior ao da secretária Condoleezza Rice, alegou estar sendo perseguido por sua defesa da guerra no Iraque.
Mas os países europeus não cederam. Não se pode pregar a correção, a probidade administrativa, a transparência e a boa governança, e fazer exatamente o contrário.
Tradicionalmente os EUA indicam o presidente do Banco Mundial. O presidente Bush estaria pensando no ex-representante comercial americano Robert Zoellick, aquele que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou de "sub do sub do sub"; o ex-presidente do Federal Reserve Board (Fed), o banco central americano, Paul Volcker; o atual secretário do Tesouro, Henry Paulson; e até mesmo o demissionário primeiro-ministro britânico Tony Blair.
Por causa de seu apoio incondicional a Bush no Iraque, Blair ficou contra as posições da Alemanha, da França e da opinião pública européia ao ir à guerra sem a aprovação do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Isto reduz a possibilidade de que venha a ocupar um cargo como a Presidência da União Européia (UE).
Se Blair for mesmo para o Banco Mundial, isto sinalizará um fortalecimento da instituição. Nos últimos anos, o primeiro-ministro britânico foi um dos líderes mundiais que mais defendeu a promoção do desenvolvimento da África e o combate ao aquecimento global.
Subsecretário da Defesa dos Estados Unidos no primeiro governo George W. Bush (2001-05), Wolfowitz foi um dos principais articulares da invasão do Iraque, que defendera nos anos 90, muito antes dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra os EUA. Com o fracasso da ocupação, foi indicado pelos EUA em 2005 para a Presidência do Banco Mundial, onde chegou com um discurso de combate à corrupção, alegando que boa parte dos empréstimos e da ajuda aos países pobres é desviada por dirigentes políticos corruptos.
O Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) foi criado em 1944, na Conferência de Bretton Woods, nos EUA, para financiar a reconstrução dos países atingidos pela guerra, ao lado do Fundo Monetário Internacional (FMI). Eram as organizações internacionais responsáveis pela ordem econômica internacional do pós-guerra.
Com a recuperação da Europa e a descolonização da África e da Ásia, o BIRD se transformou numa agência de desenvolvimento internacional e passou a ser conhecido como Banco Mundial.
Wolfowitz não chegou a propor um modelo de desenvolvimento. Seu programa era combater a corrupção. Precisava dar o bom exemplo, com uma conduta irretocável.
Quando estourou o escândalo de que teria favorecido sua namorada, Shaha Riza, que foi transferida para o Departamento de Estado, o Ministério das Relações Exteriores dos EUA, com aumento de US$ 50 mil na renda anual, o que lhe dá um salário superior ao da secretária Condoleezza Rice, alegou estar sendo perseguido por sua defesa da guerra no Iraque.
Mas os países europeus não cederam. Não se pode pregar a correção, a probidade administrativa, a transparência e a boa governança, e fazer exatamente o contrário.
Tradicionalmente os EUA indicam o presidente do Banco Mundial. O presidente Bush estaria pensando no ex-representante comercial americano Robert Zoellick, aquele que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou de "sub do sub do sub"; o ex-presidente do Federal Reserve Board (Fed), o banco central americano, Paul Volcker; o atual secretário do Tesouro, Henry Paulson; e até mesmo o demissionário primeiro-ministro britânico Tony Blair.
Por causa de seu apoio incondicional a Bush no Iraque, Blair ficou contra as posições da Alemanha, da França e da opinião pública européia ao ir à guerra sem a aprovação do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Isto reduz a possibilidade de que venha a ocupar um cargo como a Presidência da União Européia (UE).
Se Blair for mesmo para o Banco Mundial, isto sinalizará um fortalecimento da instituição. Nos últimos anos, o primeiro-ministro britânico foi um dos líderes mundiais que mais defendeu a promoção do desenvolvimento da África e o combate ao aquecimento global.
Marcadores:
África,
Alemanha,
Aquecimento global,
Banco Mundial,
BIRD,
Blair,
Bush,
EUA,
França,
Guerra do Iraque,
Paul Volcker,
Paulson,
Shaha Riza,
UE,
Wolfowitz
quarta-feira, 16 de maio de 2007
Wolfowitz já negocia sua demissão
Depois de muita resistência, o presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz, acusado de corrupção, nepotismo e tráfico de influência por ter conseguido um grande aumento de salário para a namorada, está negociando os termos de sua demissão. Sua sorte seria decidida hoje mas, a pedido dos Estados Unidos, a reunião do Conselho Diretor do banco foi adiada para amanhã.
Ex-subsecretário da Defesa dos Estados Unidos no primeiro governo George W. Bush, Wolfowitz foi um dos principais arquitetos da invasão do Iraque. Com o fracasso da ocupação, em janeiro de 2005 foi nomeado para a Presidência do Banco Mundial, onde chegou prometendo combater a corrupção.
Agora, alega estar sendo perseguido por causa de seu papel na guerra. Várias vezes, ele tentou "passar adiante deste conflito de interesses" dizendo que queria discutir suas políticas. Mas os países europeus não aceitam que o homem que chegou ao Banco Mundial para combater a corrupção nos países pobres que desviam os empréstimos e ajudas externas que recebem seja pego em flagrante e finja não ter feito nada de errado.
Para sair, Wolfowitz estaria exigindo o reconhecimento dos supostos méritos de seu trabalho à frente do banco.
Pela tradição, os EUA indicam o presidente do Banco Mundial e a Europa o diretor-geral do Fundo Monetário Internacional.
Ex-subsecretário da Defesa dos Estados Unidos no primeiro governo George W. Bush, Wolfowitz foi um dos principais arquitetos da invasão do Iraque. Com o fracasso da ocupação, em janeiro de 2005 foi nomeado para a Presidência do Banco Mundial, onde chegou prometendo combater a corrupção.
Agora, alega estar sendo perseguido por causa de seu papel na guerra. Várias vezes, ele tentou "passar adiante deste conflito de interesses" dizendo que queria discutir suas políticas. Mas os países europeus não aceitam que o homem que chegou ao Banco Mundial para combater a corrupção nos países pobres que desviam os empréstimos e ajudas externas que recebem seja pego em flagrante e finja não ter feito nada de errado.
Para sair, Wolfowitz estaria exigindo o reconhecimento dos supostos méritos de seu trabalho à frente do banco.
Pela tradição, os EUA indicam o presidente do Banco Mundial e a Europa o diretor-geral do Fundo Monetário Internacional.
sexta-feira, 13 de abril de 2007
Wolfowitz é pressionado a sair do Banco Mundial
Às vésperas da reunião anual do Banco Mundial, o presidente desta instituição internacional, Paul Wolfowitz, sofre intensas pressões para renunciar. Ontem, ele admitiu ter favorecido sua namorada com um aumento de salário: "Cometi um erro e lamento".
O conselho de administração do banco alega não ter sido informado de que a namorada do presidente recebeu um aumento de mais de US$ 5 mil mensais, o que elevou seu salário para cerca de US$ 16,7 mil por mês.
A associação dos empregados do banco e o jornal econômico-financeiro inglês Financial Times exigiram ontem sua demissão.
Um dos principais articuladores da guerra do Iraque como subsecretário da Defesa dos Estados Unidos, Wolfowitz perdeu prestígio com o fracasso da invasão americana. Ele deixou o Pentágono no final do primeiro governo George W. Bush. Em janeiro de 2005, foi nomeado presidente do Banco Mundial, prometendo fazer do combate à corrupção seu maior objetivo. Agora, desmoralizado, terá de deixar o cargo.
O conselho de administração do banco alega não ter sido informado de que a namorada do presidente recebeu um aumento de mais de US$ 5 mil mensais, o que elevou seu salário para cerca de US$ 16,7 mil por mês.
A associação dos empregados do banco e o jornal econômico-financeiro inglês Financial Times exigiram ontem sua demissão.
Um dos principais articuladores da guerra do Iraque como subsecretário da Defesa dos Estados Unidos, Wolfowitz perdeu prestígio com o fracasso da invasão americana. Ele deixou o Pentágono no final do primeiro governo George W. Bush. Em janeiro de 2005, foi nomeado presidente do Banco Mundial, prometendo fazer do combate à corrupção seu maior objetivo. Agora, desmoralizado, terá de deixar o cargo.
terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
Ocupação reforça tese do choque de civilizações
A incapacidade americana de criar uma democracia no Iraque reforçou a tese de Samuel Huntington, apresentada em 1993 para explicar, entre outros conflitos, a guerra na república iugoslava da Bósnia-Herzegovina. Huntington é o quarto colocado na lista de ganhadores da guerra da revista Foreign Policy.
Os terroristas fundamentalistas muçulmanos ou jihadistas adoram a tese de Samuel Huntington, um veterano linha-dura do tempo da Guerra Fria. Aqui está minha maior discordância com a revista. Os neoconservadores que assessoravam Bush, como o ex-subsecretário da Defesa Paul Wolfowitz, apostaram que o Iraque poderia ser democratizado, como a Alemanha e o Japão depois de 1945, mas eclodiram diversos conflitos tribais, étnicos e religiosos, por isso Huntington tinha razão e Wolfowitz estava errado, argumenta Foreign Policy.
É uma visão um tanto simplista. A invasão destruiu o Estado, a Polícia e as Forças Armadas do Iraque, deixando um vácuo onde a insurgência se instalou. Qualquer cientista político ou especialista em relações internacionais sabe que o colapso do Estado provoca anarquia, e que anarquia é pior do que ditadura, é a guerra de todos contra todos.
Certamente o Iraque não estava preparado para a democracia mas ela não pode ser imposta a ferro e fogo.
Huntington previu que “os conflitos entre países cristãos e muçulmanos, que têm séculos, não devem declinar. Devem se tornar mais violentos”. Disse que “a democracia ocidental, no mundo árabe, favorece as forças anti-ocidentais”.
Mas não há guerras entre países cristãos e muçulmanos, a não ser em regiões periféricas como a invasão da Somália pela Etiópia cristã para combater, com o apoio dos EUA, a União dos Tribunais Islâmicos, que tomara o poder em Mogadíscio, capital somaliana, em junho do ano passado. Os conflitos hoje são guerras assimétricas entre um país e grupos armados irregulares.
A questão é se o fundamentalismo é um conflito de civilizações ou uma guerra civil dentro do Islã sobre qual é a verdadeira interpretação do Corão, se o islamismo é uma religião de paz ou uma religião guerreira, onde converter os infiéis é uma obrigação.
Para mim, o jihadismo é uma guerra civil interna do Islã que transborda para outras culturas porque há muçulmanos espalhados por todo o mundo. É uma reação patológica diante dos conflitos da modernidade, uma proposta política populista, que manipula a religião por motivos políticos.
Quando os militantes do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) entram em conflito com o pessoal da Fatah, do presidente palestino, Mahmoud Abbas, não estão discutindo questões religiosas. Estão disputando o poder.
Foreign Policy conclui que as civilizações estão em choque. Mas uma pesquisa recente da rede de rádio, TV e internet pública britânica BBC indica que a maioria dos muçulmanos acredita que os conflitos com o Ocidente são políticos e econômicos, e não culturais ou religiosos.
A tese do choque de civilizações é simplista, ignora a complexidade e a interpenetração das culturas na era da globalização. O verdadeiro choque de civilizações houve quando os europeus conquistaram a América, a África e parte da Ásia.
Os terroristas fundamentalistas muçulmanos ou jihadistas adoram a tese de Samuel Huntington, um veterano linha-dura do tempo da Guerra Fria. Aqui está minha maior discordância com a revista. Os neoconservadores que assessoravam Bush, como o ex-subsecretário da Defesa Paul Wolfowitz, apostaram que o Iraque poderia ser democratizado, como a Alemanha e o Japão depois de 1945, mas eclodiram diversos conflitos tribais, étnicos e religiosos, por isso Huntington tinha razão e Wolfowitz estava errado, argumenta Foreign Policy.
É uma visão um tanto simplista. A invasão destruiu o Estado, a Polícia e as Forças Armadas do Iraque, deixando um vácuo onde a insurgência se instalou. Qualquer cientista político ou especialista em relações internacionais sabe que o colapso do Estado provoca anarquia, e que anarquia é pior do que ditadura, é a guerra de todos contra todos.
Certamente o Iraque não estava preparado para a democracia mas ela não pode ser imposta a ferro e fogo.
Huntington previu que “os conflitos entre países cristãos e muçulmanos, que têm séculos, não devem declinar. Devem se tornar mais violentos”. Disse que “a democracia ocidental, no mundo árabe, favorece as forças anti-ocidentais”.
Mas não há guerras entre países cristãos e muçulmanos, a não ser em regiões periféricas como a invasão da Somália pela Etiópia cristã para combater, com o apoio dos EUA, a União dos Tribunais Islâmicos, que tomara o poder em Mogadíscio, capital somaliana, em junho do ano passado. Os conflitos hoje são guerras assimétricas entre um país e grupos armados irregulares.
A questão é se o fundamentalismo é um conflito de civilizações ou uma guerra civil dentro do Islã sobre qual é a verdadeira interpretação do Corão, se o islamismo é uma religião de paz ou uma religião guerreira, onde converter os infiéis é uma obrigação.
Para mim, o jihadismo é uma guerra civil interna do Islã que transborda para outras culturas porque há muçulmanos espalhados por todo o mundo. É uma reação patológica diante dos conflitos da modernidade, uma proposta política populista, que manipula a religião por motivos políticos.
Quando os militantes do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) entram em conflito com o pessoal da Fatah, do presidente palestino, Mahmoud Abbas, não estão discutindo questões religiosas. Estão disputando o poder.
Foreign Policy conclui que as civilizações estão em choque. Mas uma pesquisa recente da rede de rádio, TV e internet pública britânica BBC indica que a maioria dos muçulmanos acredita que os conflitos com o Ocidente são políticos e econômicos, e não culturais ou religiosos.
A tese do choque de civilizações é simplista, ignora a complexidade e a interpenetração das culturas na era da globalização. O verdadeiro choque de civilizações houve quando os europeus conquistaram a América, a África e parte da Ásia.
Assinar:
Postagens (Atom)