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sexta-feira, 25 de junho de 2021

Assassino de George Floyd é sentenciado a 22 anos e meio de prisão

 A Justiça dos Estados Unidos sentenciou hoje o ex-policial branco Derek Chauvin a 22 anos e meio de prisão pelo homicídio do segurança negro George Floyd, sufocado com um joelho no pescoço durante 9min25seg em 25 de maio de 2020. Foi uma rara condenação a um policial americano que mata em serviço. Quando as imagens do assassinato correram o mundo, provocaram uma onda de protestos em vários países contra o racismo e a violência policial.

Chauvin e três colegas prenderam Floyd há exatamente 13 meses sob suspeita de haver passado uma nota falsa de US$ 20. Depois de algemado, caído no chão de barriga para baixo, o preso foi sufocado até a morte enquanto reclamava e dizia repetidas vezes: "Eu não consigo respirar."

Condenado em abril por um júri popular, Chauvin, de 45 anos, voltou hoje ao tribunal para ouvir a sentença. Terence Floyd, irmão da vítima pediu a pena máxima, de 40 anos de cadeia: "Quando você se ajoelhou no pescoço do meu irmão, sabia que ele não representava nenhuma ameaça."

Em breve declaração, Chauvin, que ficou em silêncio durante o processo, apresentou condolências à família Floyd, mas não lamentou nem pediu desculpas. O advogado de defesa, Ben Crump, pediu liberdade condicional. Ao pedir 30 anos de cadeia, a promotoria alegou que ele "cometeu um crime brutal, traumatizou a família da vítima e chocou a consciência da nação."

Ao proferir a sentença, o juiz Peter Cahill afirmou que não se deixou influenciar pela emoção nem pela opinião pública. O juiz declarou que o ex-policial "abusou de sua posição de confiança e autoridade" e agiu com "grande crueldade" e cometeu seu crime na presença de menores de idade.

Depois da condenação, em abril, o presidente Joe Biden comentou que o caso foi um reflexo do racismo estrutural da sociedade americana.

"Esta sentença histórica deve ajudar a família Floyd e nossa nação a dar um passo a mais rumo à reconciliação ao permitir virar a página e apontar os responsáveis", declarou hoje o advogado da família Floyd.

Momentos depois da sentença, Bridgett Floyd, irmã da vítima e fundadora da Fundação pela Memória de George Floyd, divulgou um comunicado: "A sentença proferida hoje contra o policial de Mineápolis que matou meu irmão George Floyd mostra que as questões da brutalidade policial estão finalmente sendo levadas a sério. Mas ainda temos um longo caminho a percorrer e muitas mudanças a fazer antes que os negros e pardos finalmente sintam que estão sendo tratados de forma justa e humana pelas autoridades policiais neste país."

O primeiro procurador-geral negro do estado de Minnesota, Keith Ellison, concordou: "O resultado deste caso é extremamente importante. Mas não é suficiente. Uma janela se abriu, mas ainda temos muito trabalho a fazer."

Hoje na História do Mundo: 25 de Junho

    Em 1876, as tribos Sioux lideradas por Touro Sentado e Cavalo Doido vencem o 7º Regimento de Cavalaria do Exército dos Estados Unidos, comandado pelo coronel George Custer, perto do Rio Little Big Horn, no Sul do estado de Montana.

Depois da descoberta de ouro em Dakota do Sul, o Exército dos EUA entrou na região, ignorando os tratados vigentes. Muitos sioux e cheyennes abandonaram as reservas e se juntaram a Touro Sentado e Cavalo Doido em Montana.

Na primavera de 1876, havia 10 mil índios acampados junto ao Rio Little Big Horn, desafiando ordens do governo americano de voltar para suas reservas. Três colunas do Exército foram enviadas para atacar os indígenas. Em 17 de junho, 1,2 mil nativos rechaçaram a primeira ofensiva do Exército em 17 de junho.

Cinco dias depois, o general Alfred Terry mandou o coronel Custer e o 7º Regimento de Cavalaria. Na manhã de 25 de junho, Custer chegou perto do acampamento e decidiu atacar, sem esperar os reforços que estavam a caminho. Ao meio-dia, Custer entrou no Vale de Little Big Horn com 600 homens. Os índios logo perceberam o ataque.

Enquanto Touro Sentado, mais velho, organiza a retaguarda para proteger mulheres e crianças, Cavalo Doido parte para um contra-ataque frontal. Custer e um batalhão de 200 homens enfrentaram 3 mil indígenas. Em um hora, o coronel e todos os seus soldados estavam mortos.

A Batalha de Little Big Horn foi a maior vitória dos índios e a maior derrota do Exército nas guerras indígenas dos EUA. A morte de Custer e seus homens reforçou a imagem de "selvagens" dos nativos. Cinco anos depois, quase todos os cheyennes e sioux estavam confinados suas reservas. Em 29 de dezembro de 1890, eles foram massacrados num acampamento junto ao Riacho de Wounded Knee, no estado de Dakota do Sul. Pelo menos 150 homens, mulheres e crianças indígenas morreram.

    Em 1950, um time de amadores dos Estados Unidos derrota a Inglaterra por 1-0 em Belo Horizonte na primeira Copa do Mundo no Brasil, numa das maiores zebras da história do futebol. Os ingleses se consideravam os reis do futebol e disputavam sua primeira Copa do Mundo.

O gol foi marcado por Joe Gaetjens, nascido no Haiti. Mais tarde, ele voltou à sua terra natal e desapareceu durante a ditadura de François Duvalier, o Papa Doc (1957-71).

     Em 1950, a Coreia do Norte invade a Coreia do Sul no começo da Guerra da Coreia. Os Estados Unidos e aliados reagem e entram na guerra com um mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas para reunificar a Península Coreana. A União Soviética, que criara a Coreia do Norte, não vetou. Estava boicotando a ONU por causa da não admissão da República Popular a China.

Os EUA repelem a invasão norte-coreana e invadem a Coreia do Norte, levando o 4º Exército da China, comandado por Lin Piao, a entrar na guerra em outubro de 1950 e a empurrar as forças americanas e aliadas de volta para o Sul, restaurando a situação anterior ao conflito armado. A partir daí, há um equilíbrio de forças, um impasse, até o fim dos combates, em 27 de julho de 1953.

Dentro da Guerra da Coreia, houve uma guerra entre EUA e China. A China ganhou, no sentido de que atingiu seu objetivo político de restaurar o status quo pré-guerra, evitando a presença de um aliado dos EUA junto à sua fronteira. Os dois países nunca mais entraram em guerra. Agora que a China também se tornou uma superpotência e disputa a supremacia mundial, o risco de conflito aumentou. O maior desafio das relações internacionais nos próximos anos e décadas será acomodar a ascensão da China e o declínio relativo dos EUA. 

Cerca de 5 milhões de pessoas morreram na Guerra da Coreia. Até hoje, não houve um acordo de paz definitivo. Os EUA mantêm 28,5 mil soldados na Coreia do Sul e, desde 2006, a Coreia do Norte possui armas nucleares. O presidente Donald Trump tentou um diálogo direto com o ditador Kim Jong Un, sem sucesso.

    Em 1996, um atentado terrorista com um caminhão-bomba carregado com 11 toneladas de explosivos atingiu as Torres Khobar, um complexo habitacional de soldados da Força Aérea dos Estados Unidos em Darã, na Arábia Saudita, matando 19 militares e ferindo outros 498. Foi a pior ação terrorista contra militares americanos desde o ataque com caminhão-bomba contra o quartel-general dos fuzileiros navais em Beirute, no Líbano, que matou 241 soldados em 1983.

Os EUA acusaram a milícia fundamentalista xiita libanesa, apoiada pelo Irã, pelo ataque às Torres Khobar. Em julho de 2020, a Justiça americana condenou o Irã a pagar US$ 879 milhões, R$ 4,34 bilhões pelo câmbio atual, de indenização aos sobreviventes.

    Em 2021, a Justiça dos Estados Unidos sentencia o ex-policial branco Derek Chauvin a 22 anos e meio de prisão pelo assassinato do segurança negro George Floyd, em Mineápolis, em 25 de maio de 2020. Durante 9 minutos e 25 segundos, o policial pressionou o pescoço de Floyd, algemado e caído de bruços no chão, enquanto a vítima reclamava: "Eu não consigo respirar."

As imagens feita or uma menor de idade correram o mundo e causaram uma onda de protestos contra o racismo e a violência policial em dezenas de países do mundo inteiro. Ao proferir a sentença, o juiz Peter Cahill considerou agravantes a "grande crueldade" de Chauvin e a presença de menores assistindo a tudo.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Trump ignora apelos antirracistas e convoca reunião sobre segurança

Em mais de 350 cidades dos Estados Unidos, houve manifestações contra o racismo e a violência policial ontem e hoje. Indiferente diante da voz das ruas , o presidente Donald Trump desapareceu no fim de semana e ainda fez ironia com o candidato do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos. 

O ex-vice-presidente Joe Biden, se ajoelhou em homenagem ao segurança negro George Floyd, assassinado há uma semana em Mineápolis por um policial branco que pisou no seu pescoço com o joelho por quase nove minutos.

"Os covardes se ajoelham", escreveu o presidente no Twitter.

Nesta segunda-feira, duas semanas depois da morte de Floyd, Trump vai se reunir com ministros para discutir a manutenção da ordem. A onda de protestos provocou mais violência policial. A Casa Branca examina a possibilidade de Trump fazer um pronunciamento público sobre a situação.

O Partido Republicano se opõe a um projeto da oposição democrata para criar um registro nacional dos policiais que cometerem abusos. Derek Chauvin, o policial que pisou no pescoço de Floyd com o joelho, tinha 19 reclamações contra ele.

A punição de policiais é difícil por causa do corporativismo e da força dos sindicatos da categoria, noticiou o jornal The New York Times. Enquanto a participação de trabalhadores em sindicatos caiu pela metade para 10% desde os anos 1980s, em serviços de segurança é de 33,8%. Só um sindicato de Nova York gastou US$ 1 milhão em campanhas desde 2014.

Entre as reivindicações dos manifestantes, está a redução do orçamento das polícias e o uso do dinheiro para financiar projetos sociais para a comunidade negra. A Câmara Municipal de Mineápolis pode dissolver a polícia e recriar o departamento em novas bases.

Trump tenta se apresentar como o presidente da "segurança pública", repetindo o lema de Richard Nixon, que se elegeu no tumultuado ano de 1968, quando foram assassinados o líder do movimento pelos direitos civis dos negros, Martin Luther King Jr., e o favorito para candidato do Partido Democrata na eleição presidencial daquele ano, Robert Kennedy.

Durante o governo de Barack Obama, o primeiro e único presidente negro da história do país, pelo menos 20 departamentos de polícia iniciaram programas de retreinamento dos agentes para combater o racismo institucionalizado. O governo Trump acabou com o programa.

Por ameaçar convocar o Exército para acabar com os protestos, Trump foi duramente criticado por autoridades militares por esta declaração de guerra ao povo americano. Seu próprio secretário da Defesa, Mark Esper, se opôs ao uso de tropas federais nas ruas dos EUA.

O ex-secretário da Defesa James Cachorro Louco Mattis, um general do Corpo de Fuzileiros Navais condecorado por bravura nas guerras do Afeganistão e do Iraque, foi mais duro. Acusou o Trump de ser "o primeiro presidente na minha vida que não uniu nem fingiu tentar unir o povo americano, tenta nos dividir" e comentou que o país "testemunha as consequências de três anos sem uma liderança madura".

Depois que Trump usou a Guarda Nacional para acabar com uma manifestação pacífica diante da Casa Branca para ir até uma igreja posar para fotos com uma Bíblia na mão, Mattis criticou "aqueles que, no poder, fizeram zombaria da nossa Constituição" e declarou estar "irritado e horrorizado" como que viu.

A Emenda nº 1 à Constituição dos EUA garante, entre outras liberdades fundamentais, o direito de livre associação para fins pacíficos.

Outro general, John Kelly, ex-chefe da Casa Civil e ex-secretário da Segurança Interna, concordou com Mattis e acrescentou que "precisamos olhar com mais cuidado com quem elegemos".

O ex-secretário de Estado (ministro do Exterior) e ex-comandante do Estado-Maior da Forças Armadas Colin Powell, que é negro, chamou Trump de "mentiroso e desonesto. Ele anunciou voto no candidato da oposição, o ex-vice-presidente Joe Biden, na eleição presidencial de 3 de novembro.

Em entrevista à rede de televisão americana CNN, Powell afirmou ter concluído que Trump é racista quando o atual presidente questionou se o ex-presidente Barack Obama nasceu mesmo nos EUA. Também o considerou um perigo por insultar aliados dos EUA, colocando em risco a política externa americana.

Sob pressão dos militares, Trump ordenou a retirar da Guarda Nacional do Distrito de Colúmbia.

Na sexta-feira, o Corpo de Fuzileiros Navais, uma das armas das Forças Armadas dos EUA, anunciou que vai retirar todas as apresentações públicas da bandeira dos Estados Confederados do Sul, que lutaram contra o Norte durante a Guerra Civil Americana (1861-65) para manter a escravidão.

sábado, 30 de maio de 2020

Tortura e morte de negro deflagra onda de cólera nos EUA

No quarto dia de cólera contra a tortura e morte de George Floyd, de 46 anos, diante das câmeras em Mineápolis, os protestos contra o racismo institucional e a violência policial se espalharam por várias cidades dos Estados Unidos, inclusive Nova York, Los Angeles, Chicago, Washington, Denver, Detroit e Atlanta. Na capital, manifestantes cercaram a Casa Branca.

Floyd morreu na segunda-feira depois que um policial o imobilizou no chão apertando seu pescoço com o joelho durante nove minutos, enquanto três colegas assistiam e populares filmavam e pediam que parasse com a tortura. "Não consigo respirar", gritava a vítima antes de perder os sentidos. Ele foi detido sob suspeita de usar uma nota de dinheiro falsa.

Embora o policial assassino, Derek Chauvin, tenha sido preso ontem e acusado de homicídio em terceiro grau (não intencional), não foi suficiente para conter a revolta popular. Os quatro policiais haviam sido demitidos. Lojas e edifícios foram depredados e saqueados.

Na noite de quinta-feira, a multidão incendiou a delegacia de polícia onde os policiais estavam lotados. O prefeito de Mineápolis, Jacob Frey, tirou a polícia das ruas para evitar um confronto maior dizendo que "tijolos e argamassa" podem ser reconstruídos.

Ontem o governador democrata de Minnesota, Tim Walz, chamou a Guarda Nacional para impor um toque de recolher noturno, que não foi respeitado. Mais cedo, em outro ato racista, Omar Jimenez, um repórter negro da rede de televisão CNN foi preso e solto horas depois

Em Atlanta, na Geórgia, onde a sede da CNN foi atacada, a prefeita Keisha Bottoms decretou estado de emergência e fez um discurso enérgico pedindo aos manifestantes que parassem de depredar a cidade e votassem nas eleições de novembro, se quiserem mudar os EUA.

O presidente Donald Trump chamou os manifestantes de bandidos e ameaçou mandar o Exército: "Quando os saques começarem, os tiros vão começar", escreveu no Twitter, que fez uma advertência afirmando que ele estava violando as regras da rede social.

Em Detroit, um homem foi baleado por alguém que atirou contra a multidão de manifestantes.