O Exército do Líbano impediu as milícias xiitas Hesbolá (Partido de Deus) e Amal (Esperança) de atacar um acampamento no centro de Beirute de manifestantes que protestam contra o governo, o desemprego e a desigualdade social.
A milícia fundamentalista xiita Hesbolá ameaça os manifestantes para manter sua influência sobre o governo. Vai precisar usar mais força para intimidar seus adversários ou terá de aceitar um peso menor dentro do sistema político do país.
Os protestos paralisam o país e o governo desde outubro, quando renunciou o primeiro-ministro sunita Saad al-Hariri. Desde então, os partidos não conseguiram formar um novo governo para fazer as reformas necessárias para enfrentar a crise econômica.
Com dívida pública equivalente a 150% do produto interno bruto, o Líbano está à beira de um calote capaz de agravar ainda mais a crise.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador Amal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amal. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 17 de dezembro de 2019
domingo, 7 de junho de 2009
Governo pró-EUA vence eleições no Líbano
Cerca de 54% dos 3,26 milhões de eleitores libaneses votaram neste domingo para eleger uma nova Assembléia Nacional com 128 deputados. Ao contrário das previsões, a aliança governista, apoiada pelos Estados Unidos e a Arábia Saudita, venceu a oposição liderada pela milícia fundamentalista xiita Hesbolá, apoiada pelo Irã e a Síria.
O governo elegeu 71 deputados e a oposição, 57.
Diante da perspectiva de vitória da coligação pró-Síria, o vice-presidente americano, Joe Biden, chegou a ameaçar com o corte da ajuda dos EUA ao Líbano. O resultado é sobretudo uma derrota do Hesbolá, que acreditava ter aumentando seu cacife eleitoral substancialmente ao resistir à ofensiva israelense de 12 de julho a 14 de agosto de 2006 e pretendia ter esse poder legitimado nas urnas.
A coligação vencedora é liderada pelo deputado Saad Hariri, filho do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri, assassinado há quatro anos num atentado terrorista atribuído a um dos serviços secretos sírios, e pelo atual primeiro-ministro, Fouad Siniora.
Do outro lado, estão o Hesbolá, chefiado pelo xeque Hassan Nasrallah, a milícia xiita Amal, liderada pelo presidente do parlamento, Nabih Berri, e até mesmo o general cristão Michel Aoun, que foi para o exílio com a derrota na guerra civil libanesa (1975-90) e voltou aliado de seus ex-inimigos.
O governo elegeu 71 deputados e a oposição, 57.
Diante da perspectiva de vitória da coligação pró-Síria, o vice-presidente americano, Joe Biden, chegou a ameaçar com o corte da ajuda dos EUA ao Líbano. O resultado é sobretudo uma derrota do Hesbolá, que acreditava ter aumentando seu cacife eleitoral substancialmente ao resistir à ofensiva israelense de 12 de julho a 14 de agosto de 2006 e pretendia ter esse poder legitimado nas urnas.
A coligação vencedora é liderada pelo deputado Saad Hariri, filho do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri, assassinado há quatro anos num atentado terrorista atribuído a um dos serviços secretos sírios, e pelo atual primeiro-ministro, Fouad Siniora.
Do outro lado, estão o Hesbolá, chefiado pelo xeque Hassan Nasrallah, a milícia xiita Amal, liderada pelo presidente do parlamento, Nabih Berri, e até mesmo o general cristão Michel Aoun, que foi para o exílio com a derrota na guerra civil libanesa (1975-90) e voltou aliado de seus ex-inimigos.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Hesbolá toma setor muçulmano de Beirute
Depois de três dias de combates em que pelo menos 15 pessoas morreram e outras 40 foram feridas, a milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus) e seus aliados xiitas da milícia Amal (Esperança) tomaram o setor oeste de Beirute de grupos aliados ao governo cristão e sunita, dominando toda a parte muçulmana da cidade, enquanto a paz reinava no lado cristão, no leste da capital do Líbano.
O governo pró-ocidental acusou o Hesbolá de dar um golpe de Estado. Com o primeiro-ministro Fouad Siniora sob proteção em local secreto, o ministro Ahmad Fatfat acusou o Hesbolá de violar a Constituição. Ele rejeitou totalmente a exigência da renúncia do governo feita pela oposição liderada pela milícia, dizendo que só criaria um vácuo maior de poder no país, que não tem presidente há seis meses.
Duas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, nºs 1.559 e 1.701, exigem a retirada de forças estrangeiras e o desarmamento das milícias para pacificar o Líbano.
A Síria retirou suas tropas em 2004, depois de 28 anos de intervenção no Líbano. Tinha forças no país vizinho desde 1976, no início da Guerra Civil Libanesa (1975-90). Foi pressionada pela onda de protestos pelo assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri. Outras milícias entregaram as armas, mas não o Hesbolá.
Seu líder, xeque Hassan Nasrallah, aliado da Síria e do Irã, não reconhece a autoridade da ONU para desarmá-lo. Seria apenas uma conspiração ocidental para desarmar a "resistência" libanesa. Ele acusou o governo de declarar guerra ao desmontar as redes de comunicação do Hesbolá e disse que, se o governo quiser lutar contra o Hesbolá, terá de combater, de lutar para valer, com a força das armas.
O Partido de Deus, guiado por sua missão divina, financiado e inspirado por Damasco e Teerã, não vai se extinguir nem se transformar num partido democrático.
O governo pró-ocidental acusou o Hesbolá de dar um golpe de Estado. Com o primeiro-ministro Fouad Siniora sob proteção em local secreto, o ministro Ahmad Fatfat acusou o Hesbolá de violar a Constituição. Ele rejeitou totalmente a exigência da renúncia do governo feita pela oposição liderada pela milícia, dizendo que só criaria um vácuo maior de poder no país, que não tem presidente há seis meses.
Duas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, nºs 1.559 e 1.701, exigem a retirada de forças estrangeiras e o desarmamento das milícias para pacificar o Líbano.
A Síria retirou suas tropas em 2004, depois de 28 anos de intervenção no Líbano. Tinha forças no país vizinho desde 1976, no início da Guerra Civil Libanesa (1975-90). Foi pressionada pela onda de protestos pelo assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri. Outras milícias entregaram as armas, mas não o Hesbolá.
Seu líder, xeque Hassan Nasrallah, aliado da Síria e do Irã, não reconhece a autoridade da ONU para desarmá-lo. Seria apenas uma conspiração ocidental para desarmar a "resistência" libanesa. Ele acusou o governo de declarar guerra ao desmontar as redes de comunicação do Hesbolá e disse que, se o governo quiser lutar contra o Hesbolá, terá de combater, de lutar para valer, com a força das armas.
O Partido de Deus, guiado por sua missão divina, financiado e inspirado por Damasco e Teerã, não vai se extinguir nem se transformar num partido democrático.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Protestos violentos causam oito mortes no Líbano

Pelo menos oito pessoas morreram e outras 22 foram feridas domingo em Beirute, em um dos dias de maior violência doméstica desde o fim da guerra civil no Líbano (1975-90). A maioria dos mortos era ligada aos partidos oposicionistas xiitas Amal e Hesbolá (Partido de Deus).
Os protestos de domingo começaram no bairro de Mar Mikhael, no Sul de Beirute, perto de onde aconteceu o massacre de palestinos que deflagrou a guerra civil.
A situação se agravou quando um ativista da Amal, Ali Hassan Hamza, foi mortalmente baleado quando apelava a seus companheiros para atender aos pedidos do Exército para dispersar uma manifestação contra cortes de energia elétrica.
Mais tarde, uma granada de mão foi jogada em Ain al-Rummaneh, um bairro cristão próximo de Mar Mikhael. Homens armados circulavam pelas ruas. Houve violentos tiroteios nos bairros cristão e xiita.
Vários carros foram incendiados. Os manifestantes também queimaram pneus e usaram o fogo para bloquear diversas ruas, inclusive o acesso ao aeroporto da capital.
A violência se alastrou além dos bairros xiitas do Sul de Beirute e chegou ao Vale do Becá, no Leste do Líbano.
O governo pró-ocidental do Líbano acusou os partidos xiitas de manipular os movimentos sociais com objetivos políticos.
Assinar:
Postagens (Atom)