Um tribunal administrativo de Ancara suspendeu hoje o bloqueio de acesso ao Twitter imposto na semana passada a pedido do primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que tenta se safar de um escândalo de corrupção.
Até o presidente turco, Abdullah Gul, que disputa a liderança do partido do governo com Erdogan, criticou a censura. Se dependesse do primeiro-ministro, ela seria mantida até as eleições municipais de 30 de março de 2014.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 26 de março de 2014
sexta-feira, 21 de março de 2014
Turquia bloqueia acesso ao Twitter
A pedido do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, que luta para sobreviver a um escândalo de corrupção, a Justiça da Turquia bloqueou o acesso ao Twitter até as eleições municipais de 30 de março, informa a agência Reuters.
Horas antes, Erdogan ameaçou acabar com o Twitter, um dos principais instrumentos das críticas da oposição, observa o jornal turco T24, reproduzido no jornal francês Courrier International, uma coletânea de artigos da imprensa mundial.
O presidente Abdullah Gul, que disputa o poder com Erdogan dentro do partido do governo, criticou a medida tuitando que proibir o acesso a redes sociais é "inaceitável", noticia a agência Reuters. A Turquia é um dos dez países com mais usuários do Twitter.
Depois de uma onda de manifestações duramente reprimidas no ano passado, o clima político está criado para o crescimento dos protestos antes e depois das eleições.
Uma gravação de um telefonema do primeiro-ministro para o filho em que os dois aparentemente discutiam maneiras de esconder dinheiro sujo deflagrou a indignação nas ruas e nas redes sociais.
Horas antes, Erdogan ameaçou acabar com o Twitter, um dos principais instrumentos das críticas da oposição, observa o jornal turco T24, reproduzido no jornal francês Courrier International, uma coletânea de artigos da imprensa mundial.
O presidente Abdullah Gul, que disputa o poder com Erdogan dentro do partido do governo, criticou a medida tuitando que proibir o acesso a redes sociais é "inaceitável", noticia a agência Reuters. A Turquia é um dos dez países com mais usuários do Twitter.
Depois de uma onda de manifestações duramente reprimidas no ano passado, o clima político está criado para o crescimento dos protestos antes e depois das eleições.
Uma gravação de um telefonema do primeiro-ministro para o filho em que os dois aparentemente discutiam maneiras de esconder dinheiro sujo deflagrou a indignação nas ruas e nas redes sociais.
terça-feira, 10 de junho de 2008
Primeiro-ministro turco desafia Estado laico
O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, desafia o Estado laico ao declarar ao Parlamento que o Supremo Tribunal “não está autorizado” a anular a Lei do Véu.
Desde sua criação, em 1923, por Mustafá Kemal Ataturk, o Pai dos Turcos, depois da dissolução do Império Otomano, no fim da Primeira Guerra Mundial, a República da Turquia afastou a Igreja do Estado. Mas, como a grande maioria da população é muçulmana, é islamismo político é uma força importante.
Por esta razão, durante boa parte de sua existência, a república turca foi governada por ditaduras militares. As Forças Armadas se consideram as guardiãs do kemalismo, a doutrina laica e secularista que é base do nacionalismo turco.
No momento, o país é governado pelo Partido da Justiça e Desenvolvimento, islamita moderado, que tem ampla maioria no Parlamento. Sob pressão de seu eleitorado, o governo aprovou a Lei do Véu, autorizando as mulheres a useram o véu islâmico nas universidades públicas.
A oposição secularista recorreu ao Supremo Tribunal, alegando que a lei mina as bases laicas da república, e ganhou. Os ministros do Tribunal Constitucional resolveram anular a Lei do Véu.
Isto indica a tendência do Supremo para outro processo muito mais importante. O procurador-geral pediu a cassação do registro do partido e a suspensão por cinco anos dos direitos políticos do presidente Äbdullah Gül e do primeiro-ministro Erdogan.
Desde sua criação, em 1923, por Mustafá Kemal Ataturk, o Pai dos Turcos, depois da dissolução do Império Otomano, no fim da Primeira Guerra Mundial, a República da Turquia afastou a Igreja do Estado. Mas, como a grande maioria da população é muçulmana, é islamismo político é uma força importante.
Por esta razão, durante boa parte de sua existência, a república turca foi governada por ditaduras militares. As Forças Armadas se consideram as guardiãs do kemalismo, a doutrina laica e secularista que é base do nacionalismo turco.
No momento, o país é governado pelo Partido da Justiça e Desenvolvimento, islamita moderado, que tem ampla maioria no Parlamento. Sob pressão de seu eleitorado, o governo aprovou a Lei do Véu, autorizando as mulheres a useram o véu islâmico nas universidades públicas.
A oposição secularista recorreu ao Supremo Tribunal, alegando que a lei mina as bases laicas da república, e ganhou. Os ministros do Tribunal Constitucional resolveram anular a Lei do Véu.
Isto indica a tendência do Supremo para outro processo muito mais importante. O procurador-geral pediu a cassação do registro do partido e a suspensão por cinco anos dos direitos políticos do presidente Äbdullah Gül e do primeiro-ministro Erdogan.
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Turcos protestam contra proibição do véu
Milhares de pessoas protestaram na Turquia hoje contra a decisão do Supremo Tribunal de Justiça do país de anular a lei que permitia o uso do véu islâmico pelas mulheres em universidades, alegando que é contra os princípios secularistas da república turca.
A decisão aprofunda uma crise institucional entre o governo islamita moderado, que tem ampla maioria no parlamento e o apoio da maior parte da população, e as instituições do Estado turco, como a Justiça e as Forças Armadas.
O procurador-geral pediu a extinção do governista Partido da Justiça e Desenvolvimento e a suspensão dos direitos políticos do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan e do presidente Abdullah Gül por cinco anos. Se o julgamento do véu for uma pista para a decisão do Supremo sobre o governo, a crise pode piorar ainda mais.
Quando fundou a República da Turquia, em 1923, o general Mustafá Kemal Ataturk, o Pai dos Turcos, depois da dissolução do Império Otomano no fim da Primeira Guerra Mundial, separou constitucionalmente a religião dos negócios de Estado, algo comum nos países democráticos do Ocidente.
Na Turquia, é o contrário. O país teve longas ditaduras militares e a oposição democrática tradicionalmente era muçulmana. Agora os islamitas moderados estão no governo, mas o poder ainda está com os militares, guardiães do kemalismo, dos ideais e do sonho de Mustafá Kemal Ataturk.
A decisão aprofunda uma crise institucional entre o governo islamita moderado, que tem ampla maioria no parlamento e o apoio da maior parte da população, e as instituições do Estado turco, como a Justiça e as Forças Armadas.
O procurador-geral pediu a extinção do governista Partido da Justiça e Desenvolvimento e a suspensão dos direitos políticos do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan e do presidente Abdullah Gül por cinco anos. Se o julgamento do véu for uma pista para a decisão do Supremo sobre o governo, a crise pode piorar ainda mais.
Quando fundou a República da Turquia, em 1923, o general Mustafá Kemal Ataturk, o Pai dos Turcos, depois da dissolução do Império Otomano no fim da Primeira Guerra Mundial, separou constitucionalmente a religião dos negócios de Estado, algo comum nos países democráticos do Ocidente.
Na Turquia, é o contrário. O país teve longas ditaduras militares e a oposição democrática tradicionalmente era muçulmana. Agora os islamitas moderados estão no governo, mas o poder ainda está com os militares, guardiães do kemalismo, dos ideais e do sonho de Mustafá Kemal Ataturk.
terça-feira, 28 de agosto de 2007
Islamita é eleito presidente da Turquia
Em terceira votação, o parlamento da Turquia elegeu o ministro do Exterior, Abdullah Gul, para presidir o país, apesar da oposição do Exército e da oposição secularista.
Sua eleição indireta provocou uma crise meses atrás, mas na eleição presidencial direta também não houve maioria absoluta e mais uma vez a eleição foi para o Parlamento, que na terceira votação finalmente consagrou Gul. Ele tomou posse em cerimônia reserva na terça-feira à noite.
Gul pertence ao mesmo Partido da Justiça e do Desenvolvimento, do primeiro-ministro Recep Tayyp Erdogan. É um partido islamista moderado, que chegou a ser cassado no passado e hoje ocupa os dois cargos mais importantes da República da Turquia.
Isso provocou uma reação negativa da oposição secularista e das Forças Armadas, guardiãs do secularismo imposto pelo fundador da república turca, Mustafá Kemal Ataturk (Pai dos turcos).
"Nossa nação está atenta ao comportamento daqueles separatistas que não consegue abraçar a natureza unitária da Turquia, e os centros do mal que tentam sistematicamente corroer a natureza secular da República da Turquia, declarou o general Yassar Buyukanit, principal comandante militar do país, no website das Forças Armadas. Na primeira parte, o general ataca os rebeldes que sonham em criar o Curdistão; na segunda, os islamitas ou fundamentalistas muçulmanos.
Na prática, o governo Erdogan é bastante moderado. Seu principal objetivo é aderir à União Européia e não fundar uma república islâmica na Turquia.
Sua eleição indireta provocou uma crise meses atrás, mas na eleição presidencial direta também não houve maioria absoluta e mais uma vez a eleição foi para o Parlamento, que na terceira votação finalmente consagrou Gul. Ele tomou posse em cerimônia reserva na terça-feira à noite.
Gul pertence ao mesmo Partido da Justiça e do Desenvolvimento, do primeiro-ministro Recep Tayyp Erdogan. É um partido islamista moderado, que chegou a ser cassado no passado e hoje ocupa os dois cargos mais importantes da República da Turquia.
Isso provocou uma reação negativa da oposição secularista e das Forças Armadas, guardiãs do secularismo imposto pelo fundador da república turca, Mustafá Kemal Ataturk (Pai dos turcos).
"Nossa nação está atenta ao comportamento daqueles separatistas que não consegue abraçar a natureza unitária da Turquia, e os centros do mal que tentam sistematicamente corroer a natureza secular da República da Turquia, declarou o general Yassar Buyukanit, principal comandante militar do país, no website das Forças Armadas. Na primeira parte, o general ataca os rebeldes que sonham em criar o Curdistão; na segunda, os islamitas ou fundamentalistas muçulmanos.
Na prática, o governo Erdogan é bastante moderado. Seu principal objetivo é aderir à União Européia e não fundar uma república islâmica na Turquia.
sábado, 21 de julho de 2007
Turquia vota para decidir seu futuro
Cerca de 43 milhões de turcos estão aptos para votar hoje em eleições parlamentares que opõem o governista Partido da Justiça e do Desenvolvimento, muçulmano moderado, e o nacionalismo secularista, o chamado kemalismo, a ideologia de Mustafá Kemal Ataturk, o fundador da república da Turquia, em 1923, depois da derrota do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial (1914-18).
As urnas serão abertas daqui a pouco, às 7h em Ancara (1h em Brasília), e fechadas às 21h (15h em Brasília). O governo é o favorito nas pesquisas de opinião para ficar no poder por mais cinco anos. A dúvida é o tamanho da vitória do primeiro-ministro Recep Tayyp Erdogan, que tem como um objetivo central entrar para a União Européia, ou seja, não é muçulmano tão radical assim.
Erdogan declarou na campanha que um aumento da votação de seu partido fortalecerá a democracia na Turquia, onde em 1997 o Exército, guardião do kemalismo, derrubou um governo islamita há 10 anos. O primeiro-ministro tem o apoio do empresariado, favorável à adesão à UE.
Além do Partido da Justiça e do Desenvolvimento, só outros dois devem superar a barreira de 10% dos votos para conseguir entrar no parlamento - o Partido Popular Republicano, nacionalista de centro-esquerda, e o Partido Movimento Nacionalista, de extrema direita.
Os dois partidos de oposição fizeram campanha alegando defender o Estado secularista contra o fundamentalismo muçuimano. Mas Erdogan ridicularizou as sugestões de que ele pretende impor à Turquia um regime como o dos aiatolás no Irã.
Alguns candidatos independentes, na maior parte representantes da minoria curda, também podem se eleger. Com a autonomia dos curdos no Norte do Iraque, o Exército da Turquia vê com inquietação a possibilidade do surgimento do Curdistão, que inevitavelmente reivindicaria a região turca onde os curdos são maioria. Síria e Irã também têm importantes minorias curdas, mas a maior de todas está na Turquia.
A expectativa é que o governo ganhe mas fique com uma maioria parlamentar menor porque a oposição está mais unida. O mercado aprova as políticas liberais de Erdogan mas teme o aumento as tensões com os secularistas, se o governo islamita ampliar sua maioria no parlamento.
O novo governo terá de enfrentar diversos desafios, a começar pelo controle da violência dos rebeldes curdos no Leste do país e decidir se o Exército vai invadir o Iraque para combater os grupos guerrilheiros curdos que montaram suas bases no Iraque.
Também precisa encontrar um candidato de consenso à presidência, um cargo cerimonial, já que o governo está nas mãos do primeiro-ministro. Foi a tentativa de eleição indireta para a presidência do ministro do Exterior, Abdullah Gul, que deflagrou a crise que levou às eleições disputadas hoje.
As urnas serão abertas daqui a pouco, às 7h em Ancara (1h em Brasília), e fechadas às 21h (15h em Brasília). O governo é o favorito nas pesquisas de opinião para ficar no poder por mais cinco anos. A dúvida é o tamanho da vitória do primeiro-ministro Recep Tayyp Erdogan, que tem como um objetivo central entrar para a União Européia, ou seja, não é muçulmano tão radical assim.
Erdogan declarou na campanha que um aumento da votação de seu partido fortalecerá a democracia na Turquia, onde em 1997 o Exército, guardião do kemalismo, derrubou um governo islamita há 10 anos. O primeiro-ministro tem o apoio do empresariado, favorável à adesão à UE.
Além do Partido da Justiça e do Desenvolvimento, só outros dois devem superar a barreira de 10% dos votos para conseguir entrar no parlamento - o Partido Popular Republicano, nacionalista de centro-esquerda, e o Partido Movimento Nacionalista, de extrema direita.
Os dois partidos de oposição fizeram campanha alegando defender o Estado secularista contra o fundamentalismo muçuimano. Mas Erdogan ridicularizou as sugestões de que ele pretende impor à Turquia um regime como o dos aiatolás no Irã.
Alguns candidatos independentes, na maior parte representantes da minoria curda, também podem se eleger. Com a autonomia dos curdos no Norte do Iraque, o Exército da Turquia vê com inquietação a possibilidade do surgimento do Curdistão, que inevitavelmente reivindicaria a região turca onde os curdos são maioria. Síria e Irã também têm importantes minorias curdas, mas a maior de todas está na Turquia.
A expectativa é que o governo ganhe mas fique com uma maioria parlamentar menor porque a oposição está mais unida. O mercado aprova as políticas liberais de Erdogan mas teme o aumento as tensões com os secularistas, se o governo islamita ampliar sua maioria no parlamento.
O novo governo terá de enfrentar diversos desafios, a começar pelo controle da violência dos rebeldes curdos no Leste do país e decidir se o Exército vai invadir o Iraque para combater os grupos guerrilheiros curdos que montaram suas bases no Iraque.
Também precisa encontrar um candidato de consenso à presidência, um cargo cerimonial, já que o governo está nas mãos do primeiro-ministro. Foi a tentativa de eleição indireta para a presidência do ministro do Exterior, Abdullah Gul, que deflagrou a crise que levou às eleições disputadas hoje.
quinta-feira, 7 de junho de 2007
Turquia invade Iraque para atacar curdos
Centenas de soldados turcos invadiram hoje o Norte do Iraque para perseguir guerrilheiros curdos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) que atacam a Turquia a partir de bases no Iraque. Um oficial disse que as tropas voltaram para seus quartéis no final do dia. Já o Ministério do Exterior turco negou qualquer participação do país em operações no Iraque.
Os oficiais turcos descreveram a ação como uma "perseguição quente" e não uma "incursão". Mas pelo menos 600 comandos entraram até três quilômetros do território iraquiano.
"Não houve nada disso. Não entramos em país nenhum. Se uma coisas dessas acontecer, vamos avisar", reagiu o ministro do Exterior, Abdullah Gul. "Estamos numa guerra contra o terror, faremos o que for necessário para combater o terrorismo".
Com mais de 20 milhões de habitantes, os curdos são o maior povo do mundo sem um país. Eles se dividem entre Turquia, Síria, Irã e Iraque. A maior parte está na Turquia. Agora, com a situação caótica criada pela invasão americana no Iraque, grupos guerrilheiros curdos da Turquia instalaram bases em território iraquiano.
Os oficiais turcos descreveram a ação como uma "perseguição quente" e não uma "incursão". Mas pelo menos 600 comandos entraram até três quilômetros do território iraquiano.
"Não houve nada disso. Não entramos em país nenhum. Se uma coisas dessas acontecer, vamos avisar", reagiu o ministro do Exterior, Abdullah Gul. "Estamos numa guerra contra o terror, faremos o que for necessário para combater o terrorismo".
Com mais de 20 milhões de habitantes, os curdos são o maior povo do mundo sem um país. Eles se dividem entre Turquia, Síria, Irã e Iraque. A maior parte está na Turquia. Agora, com a situação caótica criada pela invasão americana no Iraque, grupos guerrilheiros curdos da Turquia instalaram bases em território iraquiano.
sexta-feira, 11 de maio de 2007
Turquia aprova eleição presidencial direta
Para superar uma crise constitucional, depois que o Supremo Tribunal anulou a primeira votação da eleição presidencial indireta, o Parlamento da Turquia aprovou ontem uma série de reformas, inclusive a eleição direta do presidente.
Na primeira votação no Parlamento, ganhara o ministro do Exterior, Abdullah Gul, do mesmo partido islamita Justiça e Desenvolvimento, do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan.
A oposição secularista luta pela tradição laica da República da Turquia, fundada em 1923 por Mustafa Kemal Ataturk depois da dissolução do Império Otomano no fim de Primeira Guerra Mundial (1914-18). Boicotou a votação e recorreu ao Supremo Tribunal de Justiça, que anulou a eleição indireta, sob pressão das Forças Armadas.
"Foi um tiro na democracia", protestou Erdogan na ocasião. A solução foi aprovar a eleição direta do presidente.
Na primeira votação no Parlamento, ganhara o ministro do Exterior, Abdullah Gul, do mesmo partido islamita Justiça e Desenvolvimento, do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan.
A oposição secularista luta pela tradição laica da República da Turquia, fundada em 1923 por Mustafa Kemal Ataturk depois da dissolução do Império Otomano no fim de Primeira Guerra Mundial (1914-18). Boicotou a votação e recorreu ao Supremo Tribunal de Justiça, que anulou a eleição indireta, sob pressão das Forças Armadas.
"Foi um tiro na democracia", protestou Erdogan na ocasião. A solução foi aprovar a eleição direta do presidente.
terça-feira, 1 de maio de 2007
Primeiro-ministro turco antecipa eleições
Para tentar superar a crise provocada pela anulação do primeiro turno da eleição presidencial indireta pelo Supremo Tribunal da Turquia, o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan decidiu antecipar as eleições parlamentares previstas para dezembro. Elas podem ser realizadas em 24 de junho.
Na sexta-feira passada, o Parlamento elegeu para presidente o atual ministro do Exterior, Abdullah Gul, de um partido muçulmano moderado. Como Gul pertence ao mesmo partido do primeiro-ministro, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento, há temor de uma erosão dos princípios secularistas da Turquia pós-Primeira Guerra Mundial, que acabou com o Império Otomano.
Mais de 700 mil pessoas protestaram no domingo contra a islamização do país em Istambul, defendendo a República da Turquia laica e secularista como queria seu fundador, em 1923, Mustafa Kemal Ataturk, até hoje o grande herói nacional. As Forças Armadas são as guardiãs do kemalismo, a base ideológica da república.
Os rumores de golpe militar derrubaram a bolsa de valores, que caiu 6,3% na segunda e 3,2 na terça-feira.
Na sexta-feira passada, o Parlamento elegeu para presidente o atual ministro do Exterior, Abdullah Gul, de um partido muçulmano moderado. Como Gul pertence ao mesmo partido do primeiro-ministro, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento, há temor de uma erosão dos princípios secularistas da Turquia pós-Primeira Guerra Mundial, que acabou com o Império Otomano.
Mais de 700 mil pessoas protestaram no domingo contra a islamização do país em Istambul, defendendo a República da Turquia laica e secularista como queria seu fundador, em 1923, Mustafa Kemal Ataturk, até hoje o grande herói nacional. As Forças Armadas são as guardiãs do kemalismo, a base ideológica da república.
Os rumores de golpe militar derrubaram a bolsa de valores, que caiu 6,3% na segunda e 3,2 na terça-feira.
Supremo anula eleição presidencial na Turquia
Depois de dias de protestos, o Tribunal Constitucional da Turquia anulou hoje a eleição presidencial indireta, acolhendo uma representação da oposição alegando que não houve maioria de dois terços na votação no Parlamento, vencida pelo ministro do Exterior, Abdullah Gul.
As manifestações de rua foram convocadas porque Gul pertence ao mesmo partido muçulmano do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento. No exterior, ambos são vistos como moderados. Mas a oposição argumenta que ameaçaria o secularismo imposto por Mustafa Kemal Ataturk, o fundador da República da Turquia, em 1923.
Como as Forças Armadas são as guardiãs do kemalismo, nos últimos dias houve rumores de golpe militar na Turquia, o que sepultaria de vez a candidatura turca à União Européia.
A decisão, a ser tomada até 2015, enfrenta séria oposição entre os cidadãos europeus, enquanto os Estados Unidos gostariam de integrar a Turquia ao Ocidente para desmentir a tese do conflito de civilizações. Seria uma ponte entre o Ocidente cristão e o Islã. Se rejeitar a Turquia, a Europa estará se firmando como um clube de países cristãos, aprofundando assim o fosso entre Oriente e Ocidente.
As manifestações de rua foram convocadas porque Gul pertence ao mesmo partido muçulmano do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento. No exterior, ambos são vistos como moderados. Mas a oposição argumenta que ameaçaria o secularismo imposto por Mustafa Kemal Ataturk, o fundador da República da Turquia, em 1923.
Como as Forças Armadas são as guardiãs do kemalismo, nos últimos dias houve rumores de golpe militar na Turquia, o que sepultaria de vez a candidatura turca à União Européia.
A decisão, a ser tomada até 2015, enfrenta séria oposição entre os cidadãos europeus, enquanto os Estados Unidos gostariam de integrar a Turquia ao Ocidente para desmentir a tese do conflito de civilizações. Seria uma ponte entre o Ocidente cristão e o Islã. Se rejeitar a Turquia, a Europa estará se firmando como um clube de países cristãos, aprofundando assim o fosso entre Oriente e Ocidente.
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