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sexta-feira, 1 de junho de 2018

Líder socialista derruba Rajoy e vira primeiro-ministro da Espanha

Com 180 votos a favor e 169 contra, o Congresso dos Deputados da Espanha aprovou hoje uma moção de censura ao primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy, entregando a chefia do futuro governo ao líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez.

"Foi uma honra chefiar o governo e deixar a Espanha melhor do que encontrei", declarou Rajoy num breve discurso de despedida, citado pelo jornal espanhol El País. "Oxalá meu substituto possa dizer o mesmo."

Pela primeira vez, a mudança de governo através de moção desconfiança aconteceu na Espanha sob a Constituição de 1978, marco da democratização da Espanha depois da ditadura do generalíssimo Francisco Franco (1936-75).

Sánchez apresentou o moção depois da sentença condenatória contra vários membros do Partido Popular (PP) num escândalo de corrupção. O próprio partido foi multado. Ao contrário de outros regimes parlamentaristas, em que a queda do governo leva à convocação de novas eleições, na Espanha o líder da oposição vitorioso assume o poder.

O líder socialista teve o apoio da esquerda e de partidos nacionalistas de várias regiões da Espanha. Os votos decisivos vieram do Partido Nacionalista Basco (PNV), o último a ser convencido de que a era de Rajoy chegara ao fim.

Neste sábado, Sánchez deve prestar juramento e tomar posse perante o rei Felipe VI. Em seguida, poderá nomear seu ministério.

Seu maior desafio será negociar com o movimento pela independência da Catalunha. O líder do PSOE apoiou a intervenção de Rajoy suspendendo a autonomia regional da Catalunha, mas criticou os métodos truculentos do governo deposto.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Rei dissolve Parlamento e convoca eleições na Espanha

O rei Felipe VI dissolveu hoje o Parlamento e convocou novas eleições gerais na Espanha para 26 de junho de 2016 depois que os deputados eleitos em dezembro de 2015 não conseguiram formar um novo governo. Estarão em jogo as 350 cadeiras da Câmara e 208 das 226 cadeiras do Senado.

De acordo com a Constituição da Espanha, são necessários 54 dias entre a dissolução das Cortes Gerais e as eleições. Até o momento, não há nenhuma indicação de que o resultado em junho será muito diferente.

A crise provocada pela incapacidade financeira do governo de socorrer o setor bancário espanhol, atingido pela crise financeira internacional, elevou o desemprego no país a 25% e a mais de 50% entre os jovens. Foi a pior crise enfrentada pelos espanhóis desde a morte do generalíssimo Francisco Franco e do fim da ditadura, em 1975.

Com a insatisfação popular e o movimento dos Indignados, houve o desgaste dos tradicionais Partido Popular, conservador pós-franquista, e Partido Socialista Operário Espanhol. Nasceram dois novos partidos, Podemos, de esquerda radical, e Cidadãos, liberal de centro-direita.

Em dezembro do ano passado, foi eleito o Parlamento mais fragmentado desde a redemocratização PP do primeiro-ministro Mariano Rajoy, no poder desde 2011, caiu de 45% para 28,7% dos votos, perdeu 64 deputados e elegeu 123, ficando sem a maioria absoluta que lhe permitia governar sozinho.

Sob a liderança de Pedro Sánchez, o PSOE foi o segundo partido mais votado, mas caiu de 28,8% para 20% da votação. A bancada diminuiu de 110 para 90 e Sánchez se negou a formar uma grande aliança entre direita e esquerda com Rajoy. Tentou se tornar primeiro-ministro em aliança com os novos partidos.

A nova esquerda do Podemos, inspirado pela Coligação de Esquerda Radical (Syriza) da Grécia e financiado pelo regime chavista da Venezuela, estreou levando 20,7% dos votos e 69 cadeiras, mas seu líder Pablo Iglesias se negou a fazer aliança com os Cidadãos, de Albert Rivera, que elegeram 40 deputados com 13,9% dos votos, minando o sonho de poder de Sánchez.

Como quase nada mudou mudou, a economia está crescendo mas o desemprego ainda está em 20,7%, a expectativa é de um resultado parecido. Podemos está tentando consolidar alianças com pequenos partidos de esquerda.