Depois de declarar um prejuízo de US$ 916 milhões em 1995, o bilionário Donald Trump, candidato do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos em 8 de novembro, pode ter aproveitado incentivos fiscais para investimentos imobiliários para não pagar imposto de renda durante 18 anos, suspeita o jornal The New York Times.
Na sexta-feira, a repórter Susanne Craig recebeu um envelope com endereço de retorno na Organização Trump. Isso sugere que possa ter vindo de um funcionário das empresas do candidato.
Lá dentro, estavam partes de três declarações de renda do magnata imobiliário de 1995 nos estados de Nova York, Nova Jérsei e Connecticut. Especialistas ouvidos pelo jornal revelaram que um prejuízo daquele tamanho permitiria abater impostos a pagar naquele valor por um período de 18 anos, mais de US$ 50 milhões por ano.
Os prejuízos foram resultado de fracassos empresariais em três cassinos da cidade de Atlantic City, de sua tentativa de criar uma companhia aérea e da compra do magnífico Hotel Plaza, situado diante do Central Park, em Nova York.
Aliados do empresário, como o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, declararam que a manobra comprova a genialidade de Trump, enquanto sua campanha se apressou em divulgar uma declaração insistindo que tudo foi feito dentro da lei.
"O Sr. Trump é um empresário de grande talento que tem uma responsabilidade fiduciária com suas empresas, sua família e seus empregados de não pagar mais imposto do que exigido legalmente", diz a nota. "Dito isto, o Sr. Trump pagou centenas de milhões de dólares em impostos sobre a propriedade, sobre vendas, consumo, impostos municipais, estaduais e federais."
Um advogado do magnata ameaçou processar o jornal, argumentando que a quebra do sigilo fiscal é ilegal porque não foi autorizada pelo bilionário.
Trump rompeu uma tradição. Nos últimos 40 anos, todos os candidatos à Casa Branca por grandes partidos divulgaram sua declaração de renda. O magnata alega que seus advogados o desaconselham a fazer isso.
Diante da recusa, sua adversária do Partido Democrata, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, acusou o republicano de "não pagar imposto de renda" no primeiro debate entre os candidatos. Numa das muitas vezes em que interrompeu Hillary, demonstrando falta de respeito e de educação, ele sussurrou no microfone: "Isso me torna esperto."
A revelação completa das declarações poderia derrubar os mitos que o candidato criou sobre si mesmo, de empresário bem-sucedido com uma fortuna de US$ 9 bilhões e grande talento capaz de dinamizar a economia dos EUA, de benemérito que faz doações generosas para instituições beneficentes, especialmente de veteranos de guerra. Mais mentiras de Trump seria desmascaradas.
Pelos cálculos da revista Forbes, Trump tem hoje pouco mais de US$ 3 bilhões em bens e direitos, e mais de US$ 1 bilhão de dívidas.
"Ele teve grandes benefícios de sua destruição", observou Joel Rosenfeld, professor do Instituto Schack de Mercado Imobiliário da Universidade de Nova York. Ele admitiu que, se um cliente apresentasse os dados de Trump, perguntaria: "Você percebe que pode gerar uma renda de US$ 916 milhões sem pagar um níquel de impostos?"
Os documentos mostram ainda que Trump declarou uma renda de US$ 7,4 milhões com juros em 1995, e apenas US$ 6.108 em salários e comissões. Aproveitando-se de furos na lei, Trump declarou um prejuízo de US$ 15,8 milhões em seus negócios imobiliários.
Esse "prejuízo operacional líquido" permite fazer uma série de deduções fiscais por despesas das empresas, depreciação do patrimônio imobiliário e responsabilidade limitada.
Tudo isso pode ser legal, mas é imoral e injusto com os contribuintes que pagam regularmente seus impostos, sem direito a manobras fiscais. Para atenuar o impacto, a campanha de Trump apela para o antiestatismo dos conservadores americanos, que estão convencidos de que o governo arrecada demais e gasta demais.
Se colar, colou. Mas é impressionante como a candidatura Trump sobrevive a uma sucessão de escândalos.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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domingo, 2 de outubro de 2016
NY Times suspeita que Trump não pagou imposto de renda por 18 anos
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terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Duzentos bancos da Rússia podem quebrar em 2015
Cerca de 20% dos bancos da Rússia correm o risco de entrar em colapso em 2015, adverte hoje o jornal econômico russo Vedomosti, citando como fonte o Centro de Análise Macroeconômica e Previsões de Curto Prazo, um centro de pesquisas.
O temor é que até 200 possam falir sob o peso de dívidas incobráveis e da desvalorização do rublo por causa de queda de mais de 50% nos preços do petróleo e das sanções internacionais impostas em protesto contra a intervenção militar russa na ex-república soviética da Ucrânia.
Ontem, a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou a nota de crédito da dívida pública da Rússia para a categoria de lixo, retirando-lhe o grau de investimento, condição necessária para que fundos de pensão possam os bônus emitidos pelo país.
O temor é que até 200 possam falir sob o peso de dívidas incobráveis e da desvalorização do rublo por causa de queda de mais de 50% nos preços do petróleo e das sanções internacionais impostas em protesto contra a intervenção militar russa na ex-república soviética da Ucrânia.
Ontem, a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou a nota de crédito da dívida pública da Rússia para a categoria de lixo, retirando-lhe o grau de investimento, condição necessária para que fundos de pensão possam os bônus emitidos pelo país.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Rússia terá de pagar US$ 50 bi a acionistas da Yukos
Numa das maiores multas impostas a um país soberano, a Rússia foi condenada pela Corte Internacional de Arbitragem, com sede em Haia, na Holanda, a pagar US$ 50 bilhões aos acionistas da companhia de petróleo Yukos, que pediam US$ 100 bilhões.
O painel de arbitragem concluiu que a falência, venda de ativos e desapropriação da empresa na década passada foram ilegais, informa o jornal inglês Financial Times. A Rússia pretende recorrer a todas as instâncias possíveis.
O presidente Vladimir Putin começou a perseguir o empresário Mikhail Khodorkovsky, na época o maior acionista da empresa e homem mais rico da Rússia, quando ele financiou partidos de oposição, insatisfeito com o autoritarismo do homem-forte do Kremlin.
Khodorkovsky era o 16º homem mais rico do mundo na lista da revista americana Forbes quando foi preso, em 25 de outubro de 2003. Ficou dez anos na cadeia por sonegação de impostos e fraude fiscal. Sempre afirmou que o processo foi político.
"Do início ao fim, o caso Yukos foi exemplo de um saque descarado de uma empresa de sucesso por uma máfia ligada ao Estado", disse ele hoje, admitindo ter recebido a decisão "com um sentimento de satisfação".
Com a estatização da Yukos, seus ativos hoje formam a maior parte do patrimônio da empresa de economia mista Rosneft, a maior companhia petrolífera do mundo cotada em bolsa de valores, que está sob sanções dos Estados Unidos por causa da intervenção militar russa na Ucrânia. O caso revelou os métodos autocráticos de Putin para restabelecer o controle estatal sobre os setores de gás e petróleo, os mais importantes da economia russa.
O painel de arbitragem concluiu que a falência, venda de ativos e desapropriação da empresa na década passada foram ilegais, informa o jornal inglês Financial Times. A Rússia pretende recorrer a todas as instâncias possíveis.
O presidente Vladimir Putin começou a perseguir o empresário Mikhail Khodorkovsky, na época o maior acionista da empresa e homem mais rico da Rússia, quando ele financiou partidos de oposição, insatisfeito com o autoritarismo do homem-forte do Kremlin.
Khodorkovsky era o 16º homem mais rico do mundo na lista da revista americana Forbes quando foi preso, em 25 de outubro de 2003. Ficou dez anos na cadeia por sonegação de impostos e fraude fiscal. Sempre afirmou que o processo foi político.
"Do início ao fim, o caso Yukos foi exemplo de um saque descarado de uma empresa de sucesso por uma máfia ligada ao Estado", disse ele hoje, admitindo ter recebido a decisão "com um sentimento de satisfação".
Com a estatização da Yukos, seus ativos hoje formam a maior parte do patrimônio da empresa de economia mista Rosneft, a maior companhia petrolífera do mundo cotada em bolsa de valores, que está sob sanções dos Estados Unidos por causa da intervenção militar russa na Ucrânia. O caso revelou os métodos autocráticos de Putin para restabelecer o controle estatal sobre os setores de gás e petróleo, os mais importantes da economia russa.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Ex-capital mundial do automóvel declara falência
Ela já foi a quarta maior cidade dos Estados Unidos, depois de Nova York, Los Angeles e Chicago, sede da maior indústria automobilística do mundo. Com dívidas de US$ 18 bilhões, Detroit declarou-se falida e pediu concordata, ou seja, proteção contra seus credores.
É a maior falência municipal da História dos EUA. De 1,8 milhão de habitantes, caiu para apenas 700 mil. Com bairros inteiros com casas caindo aos pedaços, parece uma cidade-fantasma.
Depois de tomar posse, em 20 de janeiro de 2009, o presidente Barack Obama usou dinheiro público para salvar a General Motors e a Chrysler, que estavam falidas, sob protestos da oposição republicana, que preferia uma solução de mercado.
A indústria se salvou, mas sua cidade-símbolo, não.
É a maior falência municipal da História dos EUA. De 1,8 milhão de habitantes, caiu para apenas 700 mil. Com bairros inteiros com casas caindo aos pedaços, parece uma cidade-fantasma.
Depois de tomar posse, em 20 de janeiro de 2009, o presidente Barack Obama usou dinheiro público para salvar a General Motors e a Chrysler, que estavam falidas, sob protestos da oposição republicana, que preferia uma solução de mercado.
A indústria se salvou, mas sua cidade-símbolo, não.
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