Cinco dias depois do atentado que matou 22 pessoas e feriu outras 64 em Manchester, na Inglaterra, o governo britânico reduziu hoje de "crítico" para "grave" o nível de alerta contra o terrorismo, anunciou a primeira-ministra Theresa May.
Nos últimos dias, foram presos 11 suspeitos de dar apoio ao terrorista suicida, Salman Abedi, de 22 anos, britânico de origem líbia. A polícia britânica, a Scotland Yard, está certa de que ele não agiu sozinho. Seu pai e um irmão foram presos na Líbia.
Até a meia-noite de segunda-feira, o Exército Real vai continuar nas ruas do Reino Unido ajudando no policiamento ostentivo, preventivo e repressivo. A partir daí, começa a voltar aos quartéis.
O nível de alerta grave significa que ainda há uma alta probabilidade de novos ataques. O nível crítico indica risco iminente. Foi anunciado na terça-feira. As autoridades temiam uma retaliação da célula terrorista.
A milícia jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a autoria do atentado. Costuma fazer isso em todo ataque de extremistas muçulmanos, tenham ou não relação direta com o grupo. Mas, neste caso, a polícia está convencida de que Abedi não agiu sozinho e as ligações de sua família com o terror reforçam essa possibilidade.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sábado, 27 de maio de 2017
quarta-feira, 24 de maio de 2017
Homem-bomba de Manchester tinha recém-chegado da Líbia
O terrorista suicida que matou 22 pessoas na saída de um show da cantora pop americana Ariana Grande dois dias atrás, em Manchester, na Inglaterra, tinha voltado há poucos dias de uma viagem de três semanas à Líbia, terra natal de seus pais. Também esteve na Síria.
A polícia do Reino Unido estava convencida de que Salman Abedi estava ligado a uma rede terrorista, provavelmente o Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Um irmão dele preso na Líbia confirmou a suspeita, afirmou a milícia líbia que o deteve. O pai também foi preso na Líbia. Oito pessoas foram presas na Inglaterra, na maioria, líbios.
Como de costume, o Estado Islâmico reivindicou a responsabilidade pelo atentado. Em muitos casos recentes, os terroristas agiram por conta própria sob a inspiração do EI e suas múltiplas peças de propaganda encontradas na Internet, sem relação operacional com a milícia.
Desta vez, pela sofisticação da bomba e do colete suicida usado no ataque, as autoridades britânicas concluíram que ele não pode ter feito tudo sozinho. Um irmão dele, Hashim Abedi, foi preso na Líbia em conexão com o atentado em Manchester e confessou que os dois eram membros do EI.
A Líbia é mais um caso de anarquia generalizada, de colapso do Estado, depois da queda do ditador Muamar Kadafi, em agosto de 2011. Kadafi caiu numa intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e de aliados árabes, com o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para evitar o massacre dos rebeldes que lutavam contra a ditadura na chamada Primavera Árabe.
Desde a queda de Kadafi, a Líbia não tem um governo central que controle todo o território nacional. As diversas milícias que derrubaram o coronel disputam o poder. Ninguém faz turismo na Líbia. Viaja a este país do Norte da África quem quer aderir a milícias jihadistas.
O mesmo colapso do Estado aconteceu no Líbano, nos anos 1970s; no Afeganistão, nos anos 1990s; na Somália, desde 1991; no Iraque, depois da invasão americana de 2003; e na Síria, a partir do início da guerra civil, em 2011.
Neste vácuo político, proliferam as milícias irregulares e o terrorismo. Na Líbia, houve uma proliferação de grupos jihadistas como Ansar al-Suna, responsável pelo ataque contra o Consulado dos Estados Unidos em Bengázi, em 11 de setembro de 2012, quando o embaixador e outros três cidadãos americanos foram mortos.
Em entrevista à CNN, o pesquisador alemão Peter Neumann, diretor do Centro Internacional de Estudos de Radicalização e Violência Política e professor do King's College, de Londres, observou que há uma comunidade líbia no Reino Unido de refugiados da ditadura de Kadafi. Muitos se radicalizaram, especialmente depois da queda de Kadafi.
O EI aproveitou o vácuo para criar uma base na Líbia, especialmente depois que começou a perder territórios na Síria e no Iraque, onde chegou a dominar uma área habitada por 8 milhões de pessoas e fundou um califado em junho de 2014. Também entrou no Afeganistão.
Na Líbia, o EI massacrou cristãos egípcios e montou uma base em Sirte, a terra natal de Kadafi, destruída por milícias líbias e pela Força Aérea dos EUA. Pelo jeito, continua vivo e atuante.
A lição maior de tudo isso é que uma intervenção militar por razões humanitárias, realizada a pretexto de proteger uma população ameaçada por um ditador, precisa ser complementada por uma série de medidas de reconstrução e reconciliação nacional para conquistar a paz.
Faltou o trabalho das missões de paz da ONU, que é sempre limitado se não houver uma recuperação econômica do país, como mostra o trabalho liderado pelo Exército Brasileiro no Haiti.
A polícia do Reino Unido estava convencida de que Salman Abedi estava ligado a uma rede terrorista, provavelmente o Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Um irmão dele preso na Líbia confirmou a suspeita, afirmou a milícia líbia que o deteve. O pai também foi preso na Líbia. Oito pessoas foram presas na Inglaterra, na maioria, líbios.
Como de costume, o Estado Islâmico reivindicou a responsabilidade pelo atentado. Em muitos casos recentes, os terroristas agiram por conta própria sob a inspiração do EI e suas múltiplas peças de propaganda encontradas na Internet, sem relação operacional com a milícia.
Desta vez, pela sofisticação da bomba e do colete suicida usado no ataque, as autoridades britânicas concluíram que ele não pode ter feito tudo sozinho. Um irmão dele, Hashim Abedi, foi preso na Líbia em conexão com o atentado em Manchester e confessou que os dois eram membros do EI.
A Líbia é mais um caso de anarquia generalizada, de colapso do Estado, depois da queda do ditador Muamar Kadafi, em agosto de 2011. Kadafi caiu numa intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e de aliados árabes, com o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para evitar o massacre dos rebeldes que lutavam contra a ditadura na chamada Primavera Árabe.
Desde a queda de Kadafi, a Líbia não tem um governo central que controle todo o território nacional. As diversas milícias que derrubaram o coronel disputam o poder. Ninguém faz turismo na Líbia. Viaja a este país do Norte da África quem quer aderir a milícias jihadistas.
O mesmo colapso do Estado aconteceu no Líbano, nos anos 1970s; no Afeganistão, nos anos 1990s; na Somália, desde 1991; no Iraque, depois da invasão americana de 2003; e na Síria, a partir do início da guerra civil, em 2011.
Neste vácuo político, proliferam as milícias irregulares e o terrorismo. Na Líbia, houve uma proliferação de grupos jihadistas como Ansar al-Suna, responsável pelo ataque contra o Consulado dos Estados Unidos em Bengázi, em 11 de setembro de 2012, quando o embaixador e outros três cidadãos americanos foram mortos.
Em entrevista à CNN, o pesquisador alemão Peter Neumann, diretor do Centro Internacional de Estudos de Radicalização e Violência Política e professor do King's College, de Londres, observou que há uma comunidade líbia no Reino Unido de refugiados da ditadura de Kadafi. Muitos se radicalizaram, especialmente depois da queda de Kadafi.
O EI aproveitou o vácuo para criar uma base na Líbia, especialmente depois que começou a perder territórios na Síria e no Iraque, onde chegou a dominar uma área habitada por 8 milhões de pessoas e fundou um califado em junho de 2014. Também entrou no Afeganistão.
Na Líbia, o EI massacrou cristãos egípcios e montou uma base em Sirte, a terra natal de Kadafi, destruída por milícias líbias e pela Força Aérea dos EUA. Pelo jeito, continua vivo e atuante.
A lição maior de tudo isso é que uma intervenção militar por razões humanitárias, realizada a pretexto de proteger uma população ameaçada por um ditador, precisa ser complementada por uma série de medidas de reconstrução e reconciliação nacional para conquistar a paz.
Faltou o trabalho das missões de paz da ONU, que é sempre limitado se não houver uma recuperação econômica do país, como mostra o trabalho liderado pelo Exército Brasileiro no Haiti.
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terça-feira, 23 de maio de 2017
Reino Unido entra em estado de alerta máximo contra terrorismo
A primeira-ministra britânica, Theresa May, decretou hoje estado de alerta máximo no Reino Unido, depois do atentado terrorista que matou 11 pessoas ontem em Manchester, na Inglaterra. Isso significa que as forças de segurança e os serviços secretos temem a realização de novos ataques.
O terrorista suicida se explodiu às 22h35 (18h35 em Brasília) de ontem, na saída de um show da cantora pop americana Ariana Grande. Ele foi identificado como Salman Abedi, de 22 anos, filho de imigrantes da Líbia nascido em Manchester.
Foi o pior atentado terrorista na Europa desde que um caminhão atropelou a multidão e matou 86 pessoas no feriado de 14 de julho, data nacional da França, na cidade de Nice. No Reino Unido, foi o pior desde os quatro ataques coordenados contra o sistema de transportes de Londres, com 52 mortes, em 7 de julho de 2005.
Pela natureza da bomba e do colete suicida, a Scotland Yard acredita que Abedi deve estar ligado a uma rede ou pelo menos a uma célula terrorista. Não teria agido sozinho como os chamados "lobos solitários", células terroristas de um homem só e portanto dificílimas de detectar.
A organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou hoje a autoria do atentado, mas costuma cantar vitória sempre. Pode ter inspirado o ato sem ter relações operacionais com o homem-bomba.
Com uma população de 2,7 milhões de muçulmanos, na maioria descendentes de imigrantes de antigas colônias do Império Britânico, muitos dos quais se sentem marginalizados, o Reino Unido tem 23 mil suspeitos de ligações com o extremismo muçulmano. É gente demais para os serviços secretos vigiarem. Para vigiar uma pessoa durante 24 horas, são necessários 20 agentes.
Assim, novos atentados no Reino Unido e na Europa são inevitáveis. À medida que o Estado Islâmico é derrotado nos campos de batalha do Oriente Médio e vê o sonho de recriar o califado ser adiado, resta o terrorismo para mostrar que está vivo e manter a propaganda para atrair novos recrutas. A maioria dos atentados acontece no Oriente Médio, mas ações contra alvos ocidentais têm muito mais impacto.
O terrorista suicida se explodiu às 22h35 (18h35 em Brasília) de ontem, na saída de um show da cantora pop americana Ariana Grande. Ele foi identificado como Salman Abedi, de 22 anos, filho de imigrantes da Líbia nascido em Manchester.
Foi o pior atentado terrorista na Europa desde que um caminhão atropelou a multidão e matou 86 pessoas no feriado de 14 de julho, data nacional da França, na cidade de Nice. No Reino Unido, foi o pior desde os quatro ataques coordenados contra o sistema de transportes de Londres, com 52 mortes, em 7 de julho de 2005.
Pela natureza da bomba e do colete suicida, a Scotland Yard acredita que Abedi deve estar ligado a uma rede ou pelo menos a uma célula terrorista. Não teria agido sozinho como os chamados "lobos solitários", células terroristas de um homem só e portanto dificílimas de detectar.
A organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou hoje a autoria do atentado, mas costuma cantar vitória sempre. Pode ter inspirado o ato sem ter relações operacionais com o homem-bomba.
Com uma população de 2,7 milhões de muçulmanos, na maioria descendentes de imigrantes de antigas colônias do Império Britânico, muitos dos quais se sentem marginalizados, o Reino Unido tem 23 mil suspeitos de ligações com o extremismo muçulmano. É gente demais para os serviços secretos vigiarem. Para vigiar uma pessoa durante 24 horas, são necessários 20 agentes.
Assim, novos atentados no Reino Unido e na Europa são inevitáveis. À medida que o Estado Islâmico é derrotado nos campos de batalha do Oriente Médio e vê o sonho de recriar o califado ser adiado, resta o terrorismo para mostrar que está vivo e manter a propaganda para atrair novos recrutas. A maioria dos atentados acontece no Oriente Médio, mas ações contra alvos ocidentais têm muito mais impacto.
Polícia britânica identifica autor do atentado em Manchester
A Scotland Yard, polícia do Reino Unido, identificou hoje Salman Abedi, um britânico de de 22 anos e origem líbia, como o terrorista suicida responsável pelo atentado que matou 22 pessoas e deixou outras 59 feridas ontem em Manchester, no Noroeste da Inglaterra, na saída de um show da cantora pop americana Ariana Grande.
O chefe de polícia de Manchester, Ian Hopkins, declarou que o atentado foi cometido por um homem só com "um artefato explosivo improvisado". A polícia tenta descobrir se ele tinha uma rede de apoio ou qualquer contato direto com algum grupo terrorista. Um homem de 23 anos foi preso
Hoje a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante assumiu a responsabilidade pelo atentado através de sua agência de propaganda Amaq, mas sempre faz isso. Nos casos mais recentes, pode ter inspirado os terroristas, mas não tinha relações operacionais com ele.
A Arena de Manchester, com capacidade para 21 mil espectadores, estava lotada por um público predominantemente infanto-juvenil. A vítima mais jovem tinha apenas oito anos.
Cristina Serra, mulher do treinador do Manchester City, Pepe Guardiola, e suas duas filhas, María e Valentina, estavam no show, mas não foram feridas. O Ministério das Relações Exteriores informou que não há brasileiros entre as vítimas.
O salafismo, a corrente ultrapuritana do Islã seguida pelos jihadistas, prega o retorno aos valores e hábitos da Arábia no século 7, quando o profeta Maomé fundou o islamismo. É contra a música, a dança e a exposição do corpo.
O chefe de polícia de Manchester, Ian Hopkins, declarou que o atentado foi cometido por um homem só com "um artefato explosivo improvisado". A polícia tenta descobrir se ele tinha uma rede de apoio ou qualquer contato direto com algum grupo terrorista. Um homem de 23 anos foi preso
Hoje a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante assumiu a responsabilidade pelo atentado através de sua agência de propaganda Amaq, mas sempre faz isso. Nos casos mais recentes, pode ter inspirado os terroristas, mas não tinha relações operacionais com ele.
A Arena de Manchester, com capacidade para 21 mil espectadores, estava lotada por um público predominantemente infanto-juvenil. A vítima mais jovem tinha apenas oito anos.
Cristina Serra, mulher do treinador do Manchester City, Pepe Guardiola, e suas duas filhas, María e Valentina, estavam no show, mas não foram feridas. O Ministério das Relações Exteriores informou que não há brasileiros entre as vítimas.
O salafismo, a corrente ultrapuritana do Islã seguida pelos jihadistas, prega o retorno aos valores e hábitos da Arábia no século 7, quando o profeta Maomé fundou o islamismo. É contra a música, a dança e a exposição do corpo.
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