Se os países ricos querem conter o fluxo de refugiados, devem erradicar a miséria e combater a fome, afirmou o ex-embaixador e pesquisador marroquino Mohamed Loulichki, ao participar do painel sobre a gestão de fluxos de refugiados da 15ª Conferência do Forte de Copacabana, realizada em 21 de setembro no Rio de Janeiro pela Fundação Konrad Adenauer, o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e a Delegação da União Europeia no Brasil.
"A crise migratória mudou a política na Alemanha", admitiu diplomata Henning Speck, assessor de política externa e segurança da bancada da União Democrata-Crista (CDU), o partido da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, e da União Social Cristã (CSU), sua aliada na Baviera.
Com a chegada de 1 milhão de refugiados em 2015, "o peso financeiro para as comunidades que os receberam foi enorme", declarou Speck, que defendeu uma harmonização dos sistemas de asilo político, a diplomacia preventiva e um planejamento de contingência para crises.
Loulichki lembrou crises de refugiados anteriores como a dos palestinos em 1948, quando foi criado o Estado de Israel, e das 800 mil pessoas que fugiram do Vietnã depois que a vitória da revolução comunista unificou o país, entre 1975 e 1995.
A solução é acabar com conflitos como as guerras civis da Síria e da Líbia, "a falta de democracia e de desenvolvimento econômico e social", preconizou o ex-embaixador do Marrocos, observando que "a migração é o estado normal dos seres humanos ao longo da história".
A África, acrescentou, tem 31% do total de refugiados no mundo. A maioria fica no continente. Nos últimos anos, entraram e média 25 mil africanos por ano na UE. Eles têm uma imagem negativa na Europa, associada "ao terrorismo, à doença e a invasões. Isto não ajuda.
Muito mais pobres do que a Alemanha, a Colômbia e a Jordânia receberam 1 milhão de refugiados cada uma, sírios no Oriente Médio, venezuelanos na América do Sul.
O pesquisador marroquina propôs "o respeito às obrigações internacionais" de conceder asilo, com um processo transparente de exame dos pedidos, e uma mudança na abordagem da segurança internacional para se concentrar no desenvolvimento e na responsabilidade de proteger os migrantes e refugiados.
"A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) deve ter um papel mais ativo e as organizações não governamentais devem ser encorajadas e não criminalizadas", enfatizou o embaixador Loulichki, numa crítica ao partido de extrema direita Liga, que faz parte do atual governo da Itália com seu líder Matteo Salvino como ministro do Interior.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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segunda-feira, 24 de setembro de 2018
terça-feira, 5 de julho de 2016
Hungria convoca referendo sobre refugiados
A Hungria fará uma consulta popular em 2 de outubro para rejeitar o plano de distribuição de refugiados pelos diferentes países-membros da União Europeia, anunciou hoje o gabinete do presidente Janos Ader.
O país já ergueu cercas na fronteira sul para impedir a entrada de imigrantes e refugiados das guerras na África e no Oriente Médio. Para o primeiro-ministro direitista Viktor Orban, o referendo é uma forma de se opor ao que considera uma violação da soberania nacional da Hungria pela Comissão Europeia.
A oposição de esquerda defende um boicote ao referendo. A maioria dos húngaros esqueceu seu passado. Depois da frustrada revolução anti-stalinista de 1956, pelo menos 200 mil pessoas fugiram do país.
O país já ergueu cercas na fronteira sul para impedir a entrada de imigrantes e refugiados das guerras na África e no Oriente Médio. Para o primeiro-ministro direitista Viktor Orban, o referendo é uma forma de se opor ao que considera uma violação da soberania nacional da Hungria pela Comissão Europeia.
A oposição de esquerda defende um boicote ao referendo. A maioria dos húngaros esqueceu seu passado. Depois da frustrada revolução anti-stalinista de 1956, pelo menos 200 mil pessoas fugiram do país.
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