No dia de seus 66 anos, o antigo príncipe foi preso ontem por ligações com o pedófilo norte-americano Jeffrey Epstein, que morreu na cadeia em 2019. Foi solto 12 horas depois, mas a investigação continua. Sua face revela o tamanho da desgraça de sua queda espetacular.
É a maior crise da monarquia britânica desde a abdicação de Eduardo VIII, em 11 de dezembro de 1936, para se casar com uma norte-americana divorciada. Um membro da família real britânica não era preso desde a Guerra Civil Inglesa do século 17, quando o rei Carlos I foi condenado por traição e decapitado, em 30 de janeiro de 1649, pelos republicanos liderados por Oliver Cromwell.
Oficialmente, Andrew Albert Christian Edward Mountbatten Windsor está sendo investigado por "má conduta em cargo público", no caso, por passar a Epstein documentos do governo como enviado comercial para promover os negócios e as empresas do Reino Unido no exterior.
Uma vítima da gangue de Epstein que se matou no ano passado acusa o ex-príncipe de ter mantido relações sexuais quando ela tinha 17 anos. Há suspeitas de que Epstein tenha traficado mulheres para fazer sexo com Andrew no Reino Unido.
No início do mês, Peter Mandelson, o ideólogo do neotrabalhismo do ex-primeiro-ministro Tony Blair, renunciou a uma cadeira vitalício na Câmara dos Lordes e deixou o partido, depois de perder o cargo de embaixador nos EUA por receber dinheiro de Epstein e ter repassado ao pedófilo documento sigilosos do governo britânico.
Agora, é a família real que está perto do banco dos réus. Como alertou o jornal republicano The Guardian, a velha fórmula de silêncio e exílio discreto, de resolver internamente os problemas da monarquia, não funciona mais. A era da impunidade da realeza chegou ao fim.

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