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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Presidente do México cancela visita aos EUA

Com a decisão do presidente Donald Trump de iniciar imediatamente a construção de um muro na fronteira entre os dois países, o presidente do México, Enrique Peña Nieto, cancelou uma viagem que faria a Washington na próxima terça-feira.

Desde que tomou posse, no dia 20 de janeiro, Trump tenta deixar clara sua determinação de cumprir as promessas da campanha. Ele retirou os EUA da Parceria Transpacífica, praticamente entreando a região à China, proibiu a entrada de nacionais de sete países muçulmanos e reduziu o financiamento americano a várias organizações internacionais, inclusive as Nações Unidas.

O muro é uma promessa para tentar barrar a imigração ilegal, sobretudo de mexicanos. Desde a campanha, Trump garante que o México vai pagar. 

Ontem, o porta-voz da Casa Branca disse que uma sobretaxa de 20% no imposto de importação vai financiar a obra, de custo estimado entre 12 e 15 bilhões de dólares pelo líder do Partido Republicano, Mitch McConnell.

Peña Nieto iria a Washington iniciar conversas sobre a renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) exigida por Trump. Depois dessas declarações de guerra e de acusar os mexicanos de serem estupradores, traficantes e assassinos na campanha, será um diálogo difícil.

Diante da hostilidade aberta de Trump, o México pode tentar reforçar os laços com a América Latina, mas 75% de seu comércio exterior são com os EUA.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Presidente dos EUA inicia visita histórica a Cuba

Depois de mais de 50 anos de afastamento por causa da Guerra Fria, o presidente Barack Obama recebeu ontem uma recepção calorosa em Havana selando o reatamento entre os Estados Unidos e Cuba. Mas horas antes o regime comunista de Cuba prendeu dezenas de manifestantes que participavam da marcha das Damas de Branco, mães, filhas, mulheres e irmãs de presos políticos.

É a segunda visita de um presidente americano a Cuba no exercício do mandato. Calvin Coolidge esteve lá em janeiro de 1928, numa viagem marcada por bebedeiras, orgias e fracassos diplomáticos.

Ao longo do caminho de saída do aeroporto, o atual presidente foi saudado aos gritos de "USA! USA!" em vez do "Yankees, go home!" que marcava a visita de autoridades dos EUA na América Latina durante a Guerra Fria.

Obama se encontra amanhã com o presidente Raúl Castro, sacramentando o reatamento de relações diplomáticas anunciado pelos dois em 17 de dezembro de 2014. Hoje ele esteve com o arcebispo de Havana, Jaime Ortega, um dos mediadores do reatamento, e visitou a Velha Havana com a mulher, Michelle, e as filhas, Malia e Sasha.

Na terça-feira, Obama se reúne com dissidentes, inclusive com Berta Soler, líder das Damas de Branco. A prisão, observa o jornal The New York Times, é uma amostra dos desafios que o presidente terá ao negociar com os irmãos Raúl e Fidel sem esquecer os compromissos com a defesa dos direitos humanos e da liberdade de expressão.

Também na terça-feira, o presidente americano fará um discurso no Grande Teatro Alicia Alonso transmitido ao vivo pela televisão cubana.

"Esperávamos uma trégua", admitiu o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, Elizardo Sánchez, lembrando que as prisões aconteceram "no momento em que Obama estava no ar rumo a Cuba".

A segurança e o controle são as marcas da visita. Quando Obama assistir depois de amanhã um jogo de beisebol entre a seleção cubana e o Tampa Bay, da Flórida, todo o estádio será tomado por convidados oficiais.

No sábado, Sánchez foi preso e separado da mulher durante três horas e meia no aeroporto de Havana. A polícia disse que estava "retido", não "detido". Enquanto copiavam todos os seus documentos, o presidente da Comissão de Direitos Humanos foi proibido de telefonar.

"É este o clima de intimidação criado pelo governo para a visita de Obama", comentou ele. "Vemos hoje uma repressão preventiva para que nada aconteça enquanto Obama estiver aqui".

Cuba tinha uma relação colonial com os EUA, que entraram em guerra com a Espanha para dar independência à ilha.

Em 1959, a revolução liderada por Fidel Castro e Ernesto Che Guevara derrubou o ditador Fulgencio Batista, apoiado pelos EUA. No ano seguinte, Fidel confiscou as propriedades de americanos na ilha e se aproximou da União Soviética. O presidente Dwight Eisenhower congelou os bens de cubanos nos EUA, impôs um embargo econômico e cortou relações diplomáticas, em 1960.

A fracassada invasão da Baía dos Porcos, em abril de 1961, quando exilados cubanos tentaram invadir a ilha com o apoio da CIA (Agência Central de Inteligência), aumentou a hostilidade, que chegou ao máximo de 14 a 27 de outubro de 1962. O mundo nunca esteve tão perto de uma guerra nuclear.

Os EUA descobriram que a URSS estava instalando mísseis nucleares em Cuba. Isso daria aos soviéticos capacidade de lançar um primeiro ataque que poderia ser decisivo numa guerra nuclear, neutralizando a superioridade americana em mísseis de longo alcance.

No momento mais quente da Guerra Fria, o presidente John Kennedy impôs um bloqueio naval a Cuba ameaçando revistar qualquer navio para impedir a entrada de mísseis nucleares e componentes na ilha. Um submarino soviético preparou o disparo de um míssil, mas seu comandante foi prudente e evitou a Terceira Guerra Mundial.

Quando os EUA estavam prestes a invadir Cuba, a URSS recuou e fez um acordo tácito de retirada dos mísseis em troca do fim do apoio a tentativas de invasão.

Os EUA também retiraram mísseis nucleares de curto alcance de uma base militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), mas eles eram obsoletos e seriam desativados de qualquer jeito. Fizeram mais para dar uma justificativa para o recuo do líder soviético Nikita Kruschev.

Não adiantou. Dois anos depois, em 1964, Kruschev foi derrubado por Leonid Brejnev, que reinaria supremo até 1982, período de estagnação e prelúdio do fim do comunismo soviético.

Antes da Crise dos Mísseis, em 7 de fevereiro de 1962, o embargo econômico dos EUA a Cuba passou a ser total. Desde 1992, o embargo é lei aprovada pelo Congresso. Com a Lei Helms-Burton, desde 1996, só pode ser revogado quando todos os presos políticos forem libertados e forem realizadas eleições livres, democráticas e pluripartidárias na ilha.

Com o fim da URSS, em 1991, Cuba perdeu seu maior patrocinador, que lhe dava cerca de US$ 5 bilhões por ano em petróleo barato, assistência e serviços médicos, por exemplo.

No ano 2000, Fidel fechou um acordo com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que substituiu a URSS. Passou a fornecer petróleo barato em troca do intercâmbio de médicos e outros profissionais cubanos, inclusive do setor de segurança. Com a crise terminal do regime chavista, o reatamento com os EUA dá uma boia de salvação ao regime comunista. Ao mesmo tempo, leva de volta à ilha o poder subversivo do dólar.

Depois de deixar o poder por força de uma hemorragia intestinal em 31 de julho de 2006, Fidel Castro passou definitivamente a presidência ao irmão em fevereiro de 2008. Raúl promete cumprir dois mandatos e transferir o poder há uma nova geração. É nesta mudança de gerações que Obama aposta.

Com a crise econômica e a necessidade do regime comunista de demitir 1 milhão de funcionários públicos Raúl autorizou a volta de pequenas empresas. Bares, restaurantes, lojinhas, oficinas mecânicas marcam a volta ainda tímida mas definitiva do capitalismo à ilha.

Em seu último Discurso sobre o Estado de União, Obama pediu ao Congresso o fim do embargo, mas a oposição republicana não aceita isso antes da democratização do país. O presidente americano tenta consolidar o reatamento de relações com o fortalecimento dos laços culturais e econômicos entre os dois países.

No ano passado, as embaixadas foram reabertas. Há poucos dias, os EUA suspenderam restrições de viagem. Os voos comerciais diretos foram retomados em fevereiro de 2016. No segundo semestre deste ano, a expectativa é de que haja cerca de 100 voos diários entre EUA e Cuba.

Com medo de que o pleno restabelecimento de relações altere a política de asilo dos EUA para cubanos, aumentou a tentativa de atravessar em barcos precários os 144 entre e ilha e o continente. Na sexta-feira, a Guarda Costeira dos EUA resgatou 18 cubanos no Estreito da Flórida. Outros nove morreram afogados.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Obama vai a Cuba em março

O presidente Barack Obama deve ir a Cuba em março de 2016. Será a primeira visita de um presidente dos Estados Unidos à ilha em 88 anos, anunciou o jornal The Wall Street Journal citando como fonte altos funcionários públicos americanos.

Em dezembro de 2014, os EUA e Cuba anunciaram a decisão de reatar as relações diplomáticas depois de mais de 50 anos de hostilidades, desde que a revolução liderada por Fidel Castro alinhou o país com a União Soviética durante a Guerra Fria.

No seu último Discurso sobre o Estado da União, Obama pediu ao Congresso que acabe com o embargo econômico imposto a Cuba a partir de 1960. A viagem é mais um desafio do presidente à maioria conservadora que domina a Câmara e o Senado. Desde Calvin Coolidge em 1928, nenhum presidente dos EUA foi a Cuba no exercício do mandato.

Em ano eleitoral, não há a menor chance de suspender o embargo. Desde 1992, é lei aprovada pelo Congresso. Só pode ser revogado com base nessa lei se houver eleições democráticas em Cuba.

A Casa Branca confirmou a notícia e informou que a viagem deve ser realizada em 21 e 22 de março.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

França convida presidente do Irã a visitar o país

Na primeira visita de um ministro do Exterior francês ao Irã em 12 anos, Laurent Fabius convidou o presidente iraniano, Hassan Rouhani, a visitar a França em novembro de 2015, noticiou hoje a agência Reuters.

O último presidente iraniano em exercício a visitar a França foi o aiatolá moderado Mohamed Khatami, em 1999.

Fabius chegou a Teerã nesta quarta-feira com o objetivo de relançar as relações internacionais com o regime fundamentalista iraniano depois da assinatura do acordo nuclear entre as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a Alemanha e o Irã para desarmar o programa nuclear iraniano.

Durante as negociações, Fabius fez o papel do negociador linha-dura preocupado com as exigências sobretudo de Israel para evitar que a república dos aiatolás faça a bomba atômica. Ao desembarcar na capital iraniana, ele foi recebido por manifestantes que prometiam "não perdoar nem esquecer".

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Raúl Castro recebe Câmara de Comércio dos EUA

O presidente Raúl Castro recebeu hoje em Havana o presidente da Câmara de Comércio dos Estados Unidos, Thomas Donahue, para discutir as reformas econômicas em Cuba, noticiaram a agência de notícias espanhola Efe e a revista América Economía.

Foi a primeira missão comercial da Câmara Americana de Comércio a ir a Cuba desde 1999. Também participaram do encontro as empresas Amway e Cargill e os ministros cubanos das relações exteriores e do comércio internacional.

Desde 1962, os EUA impõem um embargo comercial à ilha em retaliação à adoção do regime comunista e à expropriação das propriedades de americanos em Cuba. Hoje até mesmo dentro da comunidade cubana exilada em Miami há um interesse cada vez maior no fim do boicote econômico.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Presidente do Paquistão faz rara visita à Índia

Em troca da promessa de melhora nas relações comerciais, pela primeira vez em sete anos, um presidente do Paquistão visitou a Índia inimiga histórica.

Os dois rivais, armados com bombas atômicas, negociam muito pouco entre si e estavam com as relações abaladas desde um ataque terrorista de 3 dias contra Mumbai realizada por um grupo paquistanês em novembro de 2008.

No domingo, o presidente paquistanês, Assif Ali Zardari, almoçou em Nova Déli com o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh.

"As relações entre a Índia e o Paquistão devem se normalizar", declarou Singh em entrevista coletiva."É nosso desejo comum". Zardari espera que novo encontro seja realizado em breve em território paquistanês.