O advogado Abelardo de la Espriella, do movimento de ultradireita Defensores da Pátria, venceu o primeiro turno da eleição presidencial na Colômbia com mais de 670 mil votos de vantagem e é favorito para o segundo turno, marcado para 21 de junho. É uma derrota para o presidente Gustavo Petro, o primeiro esquerdista a governar o país, que rejeitou o que chamou de "resultados preliminares".
Com todas as urnas apuradas, De la Espriella conquistou 10.361.499 votos (43,7%) contra 9.688.361 votos (40,9%) do filósofo Ivan Cepeda, do Movimento Político Pacto Histórico, do presidente Petro. Havia uma expectativa de que Cepeda sairia na frente no primeiro turno.
A terceira colocada foi Paloma Valencia Laserna, do Partido Centro Democrático, do ex-presidente Álvaro Uribe, com 1.639.685 votos (6,9%), que anunciou apoio a De la Espriella no segundo turno. Seus eleitores de direita devem apoiar o vencedor do primeiro turno.
De la Espriella, de 47 anos, é admirador do presidente neofascista de El Salvador, Nayib Bukele, que consegiu resultados expressivos no combate à criminalidade com políticas autoritárias e ditatorias e dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei.
Ele foi advogado de Alex Saab, um empresário colombiano naturalizado venezuelano que foi ministro da Indústria e da Produção Nacional da Venezuela e é apoiado com o operador do dinheiro sujo do ex-ditador Nicolás Maduro. Saab foi preso e extraditado para os Estados Unidos, onde é acusado de lavar US$ 350 milhões.
Sua campanha prometeu reformas radicais. Teve como principais temas a segurança pública, o combate à corrupção, a defesa da livre iniciativa. De la Espriella propõe o fortalecimento das Forças Armadas, uma ofensiva militar contra grupos armados ilegais da guerrilha e do narcotráfico e um crescimento econômico de 5% ao ano, sua fórmula para reduzir a pobreza e a desigualdade social, com programas de educação, saúde, habitação e geração de empregos.
Cepeda, de 63 anos, liderava a maioria das pesquisas desde o lançamento de sua candidatura sete meses atrás. Filho do líder comunista Manuel Cepeda Vargas, assassinado em 1994 por paramilitares aliados ao governo na luta contra a esquerda e a guerrilha, viveu no exílio. Estudou filosofia na Bulgária, mas adotou ideias socialistas reformistas e democráticas, na contramão do stalinismo que dominava o Bloco Soviético.
Desde 2010, Cepeda se dedica a preservar a memória das vítimas da longa guerra civil colombiana, que começa com o assassinato do candidato liberal à Presidência Jorge Eliécer Gaitán, em 9 de abril de 1948, e a negociações de paz com grupos armados. Ele colaborou nas negociações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e defende a política de "paz total" do presidente Petro, com grupos guerrilheiros e máfias do narcotráfico.
Seu programa prevê a continuidade das reformas sociais do governo atual, maior participação do Estado na economia, combate à corrupção, luta contra a desigualdade com subsídios para os pobres, universidade gratuita, melhoria na cobertura de saúde e paz através do diálogo. Enfrenta a oposição dos que são contra negociações com grupos armados e dos empresários que criticam os gastos sociais, o desequilíbrio nas contas públicas e a intervenção estatal na economia.
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