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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Governo do Egito renuncia

Todos os ministros do Egito pediram demissão hoje, abrindo caminho para a ascensão do comandante das Forças Armadas, marechal Abdel Fattah al-Sissi, à Presidência em eleição prevista para abril. Como vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa, ele precisava se desincompatibilizar

O presidente interino do governo formado pelos militares depois do golpe de 3 de julho de 2013, Adli Mansour, pediu ao primeiro-ministro Hazem el-Beblawi, um pau mandado da era Mubarak (1981-2011), para que continue administrando o país até a nomeação de um novo chefe de governo, informou o jornal egípcio Al-Ahram.

As Forças Armadas, que mandam no Egito desde a queda da monarquia, em 1952, estão tentando criar um governo supostamente civil dominado pelos militares depois de uma breve experiência democrática depois da revolução que derrubou o ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011. Tanto as eleições parlamentares quanto a presidencial foram vencidas pelo movimento islamita Irmandade Muçulmana, que depois do golpe foi declarado terrorista e ilegal.

Dois anos depois da revolução, os militares estão de volta e mesmo os militantes secularistas que lutaram pela democracia no Egito estão sendo perseguidos pelo renitente Estado policial. Não acredito que os democratas desistam, mas terão fazer outra revolução.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Militares aprovaram candidatura de marechal no Egito

As Forças Armadas do Egito aprovaram hoje a candidatura a presidente de seu comandante supremo, general Abdel Fattah al-Sissi, principal responsável pelo golpe de Estado de 3 de julho de 2013, que foi promovido a marechal-de-campo.

Ontem, o presidente interino indicado pelos militares, Adli Mansour, anunciou que a eleição presidencial vai preceder as eleições parlamentares, o que é visto como uma manobra para facilitar a eleição de Al-Sissi.

Mais de mil pessoas morreram desde o golpe que derrubou o presidente Mohamed Mursi e afastou do poder a Irmandade Muçulmana, declarada terrorista e banida. Há dois dias, no aniversário do início da revolução que derrubou o ditador Hosni Mubarak em 11 de fevereiro de 2011, pelo menos 64 pessoas morreram, outras 334 foram feridas e mais de 1,1 mil presas.

O total de mortos depois do golpe já supera os da revolução que derrubou Mubarak.

domingo, 7 de julho de 2013

El Baradei agora é nomeado vice-presidente do Egito

O presidente interino do Egito, Ali Mansour, o presidente do Supremo Tribunal do país, nomeou hoje o ex-diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) Mohamed El Baradei, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 2005, para o cargo de vice-presidente e Ziad Bahaa el-Din como primeiro-ministro, informou à noite a televisão estatal.

Enquanto extremistas muçulmanos revoltados com o golpe de quarta-feira passada contra o presidente Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, lançavam novos ataques contra postos militares no Deserto do Sinai, o novo governo fez um apelo à Irmandade para que participe do processo político.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Novo governo dissolve Parlamento do Egito

O presidente interino Adli Mansour dissolveu hoje por decreto o Senado do Egito.

Em reação ao golpe de quarta-feira passada, houve confrontos nas ruas de pelo menos cinco cidades entre partidários da Irmandade Muçulmana, do presidente deposto Mohamed Mursi, e ativistas que apoiaram a intervenção militar por medo da islamização do país. Pelo menos 10 pessoas morreram e 210 saíram feridas.

A Irmandade Muçulmana deve continuar realizando manifestações de massa nos próximos dias. Diante da prisão de líderes do grupo e da repressão, o mais provável é o aumento da violência.

O Egito e o Oriente Médio vivem um momento crítico. A tentativa de atrair os islamitas para o jogo político sofreu um golpe. Isso pode aumentar o recurso à violência como arma política.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Comandante militar suspende Constituição do Egito

O comandante supremo das Forças Armadas do Egito, general Abdel Fattah al-Sissi, anuncia neste momento o "roteiro de viagem" proposto pelos militares para romper o impasse político no país, suspendendo a Constituição, dissolvendo o Parlamento e entregando a Presidência da República ao presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Adli Mansour.

Sob a presidência do chefe do Poder Judiciário, serão realizadas eleições parlamentares e presidenciais abertas à participação de todos os partidos políticos, declarou o general.

Uma comissão de notáveis será encarregada de reescrever a Constituição, organizar as eleições e promover a reconciliação nacional. Também será criado um código de conduta para os meios de comunicação, nas palavras do general, para proteger os jornalistas, mas também coibir seus excessos.

"As Forças Armadas aconselham a todo o povo do Egito que mantenha suas manifestações pacíficas, de acordo com a lei", concluiu o comandante militar.

Logo após o anúncio da suspensão da Constituição, a multidão reunida na Praça da Libertação, no Centro do Cairo, explodiu em júbilo.

Em seguida, falou na televisão o ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica Mohamed ElBaradei, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 2005, alegando que não houve golpe, mas, sim "um recomeço da revolução egípcia e da Primavera Árabe".

Sob todos os aspectos, é um golpe militar contra o presidente Mohamed Mursi, ainda que apoiado pela oposição secularista, que repudia o governo da Irmandade Muçulmana. Em entrevista à CNN, um porta-voz da Irmandade admitiu que "Mursi cometeu erros, mas não se afasta um presidente eleito cada vez que comete um erro".

O general da reserva Sameh Sei Eliazal argumentou na mesma CNN que não houve golpe porque "as Forças Armadas não têm intenção de governar o país" e só intervieram para "manter a ordem", mas, sim, "uma nova revolução no Egito, desta vez contra o fascismo islâmico".

Depois da queda de Mubarak, o Comando Supremo das Forças Armadas fez um acordo com a Irmandade Muçulmana, que tinha interesse numa transição rápida por ser o único grupo político organizado do Egito. Os islamitas ganharam as eleições parlamentares e presidenciais, sob protesto da dividida oposição secularista.

Como os revolucionários liberais e de esquerda não se uniram para lançar um candidato forte, o segundo turno da eleição presidencial de um ano atrás foi disputado entre um candidato islamita e outro militar. Mursi ganhou por 51,7% a 48%. Os revolucionários que mesmo envergonhados votaram no segundo turno no ex-primeiro-ministro Ahmed Chafik hoje apoiam o golpe, na expectativa que leve a uma democracia liberal e não a um regime islâmico.

O risco é de ditadura, guerra civil ou ambas.