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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Governo decreta estado de emergência no Egito

Diante de um clima de guerra civil, depois do massacre de partidários da Irmandade Muçulmana que protestavam contra o golpe que depôs em 3 de julho o presidente Mohamed Mursi, o governo do Egito decretou hoje estado de emergência por 30 dias.

Para agravar a situação, o vice-presidente Mohamed ElBaradei, ex-diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, o civil mais conhecido do governo formado pelos militares, acaba de renunciar ao cargo.

O total de mortos passou de 281. O governo disse que pelo menos 43 policiais foram mortos. A Irmandade Muçulmana acusou os salafistas do partido Jemmah Islamiya, islamitas radicais, de terem atirado na polícia.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Ex-ministro das Finanças será primeiro-ministro do Egito

O ex-ministro das Finanças Hazem al-Biblawi, foi nomeado hoje chefe de governo interino do Egito. É um economista liberal, fundador do Partido Social-Democrata Egípcio. Seu nome não tinha sido citado em dois anúncios anteriores não confirmados.

Favorito no primeiro momento, o ex-diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica Mohamed ElBaradei, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 2005, foi vetado pelo partido salafista Nour. Hoje foi indicado para vice-presidente.

Líder da Frente de Salvação Nacional, que se opõe à islamização da política, ElBaradei é uma das principais vozes liberais do Egito revolucionário. É visto com desconfiança por parte do país por ter passado a maior parte de sua vida pública no exterior.

Ontem, o presidente interino Adli Mansour anunciou que um referendo para aprovar uma nova Constituição preparada por uma comissão de notáveis será realizado dentro de quatro meses e meio. As eleições parlamentares devem ocorrer no início de 2014. Depois da instalação do novo Parlamento, haveria uma nova eleição presidencial

A Irmandade Muçulmana rejeitou o cronograma do presidente interino, insistindo na reinstauração no poder do presidente deposto, Mohamed Mursi.

domingo, 7 de julho de 2013

El Baradei agora é nomeado vice-presidente do Egito

O presidente interino do Egito, Ali Mansour, o presidente do Supremo Tribunal do país, nomeou hoje o ex-diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) Mohamed El Baradei, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 2005, para o cargo de vice-presidente e Ziad Bahaa el-Din como primeiro-ministro, informou à noite a televisão estatal.

Enquanto extremistas muçulmanos revoltados com o golpe de quarta-feira passada contra o presidente Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, lançavam novos ataques contra postos militares no Deserto do Sinai, o novo governo fez um apelo à Irmandade para que participe do processo político.

sábado, 6 de julho de 2013

ElBaradei é anunciado e rejeitado como primeiro-ministro

O ex-diretor-geral da Agência Internacional da Energia Atômica (AIEA) Mohmaed ElBaradei, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 2005, foi anunciado hoje como primeiro-ministro interino do Egito. Horas mais tarde, um porta-voz da Presidência desmentiu a notícia, dizendo que é um dos nomes considerados, mas ainda não houve uma decisão final.

Três dias do golpe contra o primeiro presidente eleito democraticamente da história do país, Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, a indicação é vista como uma tentativa de dar uma face civil e liberal ao governo imposto pelas Forças Armadas em resposta a uma ampla mobilização popular.

Fortemente secularista, contrário à mistura de política com religião, ElBaradei sofre forte oposição dos partidos islâmicos. A Irmandade Muçulmana incluiu o repúdio ao ex-diretor de AIEA entre os palavras de ordem gritadas em suas manifestações.

O partido salafista (mais radical do que a Irmandade), que apoiou a convocação das Forças Armadas para participar das futuras eleições, também o rejeita. Ameaçou deixar o processo se ElBaradei fosse confirmado no cargo.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

ElBaradei deve ser primeiro-ministro do Egito

O ex-diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) Mohamed ElBaradei, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 2005 junto com a instituição, é o candidato mais provável à vaga de primeiro-ministro interino do Egito.

ElBaradei chefia o Partido da Constituição e é um dos líderes da Frente de Salvação Nacional, que luta contra a islamização da política do país. Chegou a lançar sua candidatura à Presidência no ano passado, mas desistiu porque estava mal nas pesquisas e apoiou o ex-ministro do Exterior e ex-secretário-geral da Liga Árabe, Amir Moussa.

Como diretor da AIEA, ElBaradei foi enfático em 2003 ao negar as acusações dos Estados Unidos de que o Iraque estaria desenvolvendo armas nucleares antes da invasão do país a mando do então presidente George W. Bush, supostamente para tomar as armas de destruição em massa de Saddam Hussein, nunca encontradas. Também defendeu o regime fundamentalista do Irã das acusações de Israel e do Ocidente de que estaria desenvolvendo bombas atômicas.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Comandante militar suspende Constituição do Egito

O comandante supremo das Forças Armadas do Egito, general Abdel Fattah al-Sissi, anuncia neste momento o "roteiro de viagem" proposto pelos militares para romper o impasse político no país, suspendendo a Constituição, dissolvendo o Parlamento e entregando a Presidência da República ao presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Adli Mansour.

Sob a presidência do chefe do Poder Judiciário, serão realizadas eleições parlamentares e presidenciais abertas à participação de todos os partidos políticos, declarou o general.

Uma comissão de notáveis será encarregada de reescrever a Constituição, organizar as eleições e promover a reconciliação nacional. Também será criado um código de conduta para os meios de comunicação, nas palavras do general, para proteger os jornalistas, mas também coibir seus excessos.

"As Forças Armadas aconselham a todo o povo do Egito que mantenha suas manifestações pacíficas, de acordo com a lei", concluiu o comandante militar.

Logo após o anúncio da suspensão da Constituição, a multidão reunida na Praça da Libertação, no Centro do Cairo, explodiu em júbilo.

Em seguida, falou na televisão o ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica Mohamed ElBaradei, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 2005, alegando que não houve golpe, mas, sim "um recomeço da revolução egípcia e da Primavera Árabe".

Sob todos os aspectos, é um golpe militar contra o presidente Mohamed Mursi, ainda que apoiado pela oposição secularista, que repudia o governo da Irmandade Muçulmana. Em entrevista à CNN, um porta-voz da Irmandade admitiu que "Mursi cometeu erros, mas não se afasta um presidente eleito cada vez que comete um erro".

O general da reserva Sameh Sei Eliazal argumentou na mesma CNN que não houve golpe porque "as Forças Armadas não têm intenção de governar o país" e só intervieram para "manter a ordem", mas, sim, "uma nova revolução no Egito, desta vez contra o fascismo islâmico".

Depois da queda de Mubarak, o Comando Supremo das Forças Armadas fez um acordo com a Irmandade Muçulmana, que tinha interesse numa transição rápida por ser o único grupo político organizado do Egito. Os islamitas ganharam as eleições parlamentares e presidenciais, sob protesto da dividida oposição secularista.

Como os revolucionários liberais e de esquerda não se uniram para lançar um candidato forte, o segundo turno da eleição presidencial de um ano atrás foi disputado entre um candidato islamita e outro militar. Mursi ganhou por 51,7% a 48%. Os revolucionários que mesmo envergonhados votaram no segundo turno no ex-primeiro-ministro Ahmed Chafik hoje apoiam o golpe, na expectativa que leve a uma democracia liberal e não a um regime islâmico.

O risco é de ditadura, guerra civil ou ambas.