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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Trump transforma os EUA numa república de bananas

Com a absolvição no processo de impeachment, o presidente Donald Trump se tornou ainda mais arrogante, prepotente, autoritário e vingativo. Ameaça transformar os Estados Unidos numa república de bananas. 

Antes do impeachment, Trump afirmou que o artigo 2 da Constituição Americana o autorizava a fazer qualquer coisa. A presidente da Câmara, a deputada democrata Nancy Pelosi, retrucou que ele não é rei, mas, ao ser absolvido pela bancada republicana no Senado, Trump se transformou num ditador eleito. 

Quando Bill Clinton foi absolvido no impeachment por mentir sobre as relações sexuais com uma estagiária, em fevereiro de 1999, pediu desculpas à nação. Trump só pensa em vingança, em perseguir quem o acusou de abuso do poder e obstrução do Congresso. 

Só a Justiça poderia ser capaz de limitar os poderes do presidente sem limites. Mas o ministro da Justiça virou um serviçal do presidente e não do país. Meu comentário:

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Donald Trump vira alvo de um processo de impeachment

A transcrição de um telefonema de 25 de julho entre Trump e o presidente da Ucrânia, Volodymir Zelensky, reforça a impressão de que o presidente dos Estados Unidos pressionou um chefe de Estado estrangeiro para investigar um adversário político, o ex-vice-presidente Joe Biden, favorito para ser o candidato do Partido Democrata na eleição presidencial de 2020.

Em 12 de agosto, um analista de informações que teve acesso ao conteúdo do telefonema advertiu o inspetor-geral de inteligência de que o presidente tomara atitudes capazes de comprometer a segurança nacional dos Estados Unidos. 

O inspetor-geral manifestou preocupação. A notícia foi divulgada primeiro pelo jornal conservador The Wall Street Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova York. A primeira dúvida era qual seria o país.

É a Ucrânia. Depois de segurar uma ajuda militar de 391 milhões de dólares e uma ajuda econômica de 250 milhões de dólares, Trump pediu ao presidente Zelensky que investigasse Hunter Biden, que foi diretor de uma empresa ucraniana de gás quando o pai era vice-presidente no governo Barack Obama. 

Trump avisou Zelensky que o ministro da Justiça e procurador-geral dos Estados Unidos, William Barr, e o ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani, advogado particular de Trump, iriam entrar em contato para ajudar na investigação. Iam procurar lama para sujar o nome de Biden na campanha. Meu comentário:

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Procurador especial sugere que Congresso julgue Trump

Em sua primeira declaração pública após concluir o inquérito, o procurador especial Robert Mueller reafirmou ontem que houve interferência indevida da Rússia nas eleições de 2016 nos Estados Unidos e que não eximiu de responsabilidade o presidente Donald Trump. 

Mueller não encontrou provas de conluio da campanha de Trump com o Kremlin, mas não exonerou o presidente de obstrução de justiça, observando que um presidente no exercício do cargo só pode ser julgado pelo Congresso num processo de impeachment.

"Se eu tivesse confiança de que o presidente claramente não cometeu crime, teria dito isso", afirmou Mueller, em pronunciamento no Departamento da Justiça. "Não determinamos se o presidente cometeu um crime".

O procurador especial esclareceu que "um presidente não pode ser acusado de crime federal enquanto estiver no cargo. Isto seria inconstitucional. Mesmo se a denúncia for mantida selada e oculta do público - isto também é proibido." Só cabe um julgamento político em processo de impeachment.

Desde que a primeira versão do Relatório Mueller veio a público, resumido de mais de 400 páginas para quatro numa carta do ministro da Justiça e procurador-geral, William Barr, ao Congresso, Trump fala numa "exoneração total": "Não houve conluio com a Rússia e não houve obstrução de justiça."

Quem atestou que não havia indícios suficientes para denunciar Trump por obstrução de justiça, tentar impedir o andamento de uma investigação ou processo, foi o procurador-geral, nomeado pelo presidente para protegê-lo. Em vez de defender a nação, Barr defende o presidente.

O Relatório Mueller, examinado por juristas, lista pelo menos dez atos de Trump capazes de caracterizar obstrução de justiça, como pedir para o ex-diretor-geral do FBI (polícia federal) James Comey parar de investigar as relações com a Rússia do general Michael Flynn, assessor de Segurança Nacional da Casa Branca; demitir Comey por não suspender as investigações; pressionar o então advogado-geral Don McGhan para pedir ao procurador-geral a demissão do próprio Mueller; e orientar assessores e advogados a mentir.

Com maioria na Câmara dos Deputados, o Partido Democrata pode abrir um processo de impeachment de Trump. Basta a maioria simples da Câmara para dar início ao processo e denunciar o presidente. Mas a votação para afastá-lo no Senado, o julgamento propriamente dito, exige dois terços dos votos, de 67 dos 100 senadores.

Como o Partido Republicano tem maioria no Senado, os democratas precisariam da defecção de 20 senadores governistas para derrubar Trump. Com a popularidade do presidente entre o eleitorado republicano, isto é praticamente impossível, a não ser que as investigações da Câmara tragam revelações bombásticas.

A presidente da Câmara, deputada Nancy Pelosi, principal líder democrata do país, resiste à pressão dos deputados mais radicais da bancada para iniciar um processo de impeachment. Ela entende que vai dividir ainda mais o país e, no caso de derrota, vai fortalecer Trump, que posaria de vítima e teria caminho aberto para a reeleição.

Ao rejeitar todas as intimações da Câmara para entregar declarações de renda e outros documentos e vetar depoimentos de seus assessores em comissões parlamentares, o presidente estaria provocando os democratas a tentar o impeachment. Trump se alimenta do confronto e a eleição é logo ali.

domingo, 24 de março de 2019

Relatório Mueller isenta campanha de Trump de conluio com a Rússia

O inquérito do procurador especial Robert Mueller não encontrou provas de que "a campanha do presidente Donald Trump ou qualquer associado conspirou ou se coordenou com a Rússia em seus esforços para influenciar a eleição presidencial de 2016 nos Estados Unidos", de acordo com um resumo apresentado hoje pelo Departamento da Justiça a deputados e senadores.

Também não há provas "suficientes" de que Trump tenha obstruído a justiça e tentado dificultar a investigação, afirmou o secretário da Justiça e procurador-geral dos EUA, William Barr, sem exonerar totalmente o presidente.

Trump festejou o resultado da investigação que atacou várias vezes como uma "caça às bruxas", alegando ter sido "total e completamente exonerado", mas o Partido Democrata, de oposição, exige a divulgação pública integral do relatório. "O povo americano tem o direito de saber", insistiram a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, e o líder democrata no Senado, Chuck Schumer.

"Depois de uma longa investigação, depois de não olhar para o outro lado - onde aconteceu uma série de coisas ruins, um monte de coisas horríveis para nosso país -, acaba de ser anunciado que não houve conluio com a Rússia", declarou o presidente na Flórida. "É uma vergonha que nosso país tenha passado por isto, para ser honesto é uma vergonha que nosso presidente tenha sido submetido a isso."

Aparentemente, a conclusão do inquérito é uma vitória do presidente e um elemento importante para sua campanha à reeleição em 2020. Os republicanos festejaram: "É um grande dia para o presidente Trump. Uma nuvem que pairava sobre o presidente Trump foi removida", comentou o presidente da Comissão de Justiça do Senado, Lindsay Graham, que jogou golfe com Trump no fim de semana.

Mas seis assessores do presidente foram denunciados criminalmente e há outras investigações, relacionadas a seu ex-advogado Michael Cohen e o pagamento para que duas mulheres que alegam ter tido casos amorosos com Trump ficassem em silêncio durante a campanha eleitoral. Pela lei eleitoral americana, os pagamentos deveriam ter sido registrados como despesa de campanha.

A suspeita de obstrução de justiça era uma questão central da investigação. Mueller, ex-diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal americana, foi nomeado procurador especial depois que Trump demitiu, em maio de 2017 o então diretor-geral do FBI, James Comey, por se negar a suspender o inquérito sobre a interferência russa nas eleições de 2016.

Em um ano e dez meses, o inquérito de Muller fez 199 acusações contra 37 pessoas, sendo seis ligadas a Trump. Doze militares russos foram denunciados por pirataria cibernética e 13 por conspiração para defraudar os EUA. Houve 2,8 mil intimações e 500 operações de busca e apreensão. Cerca de 500 testemunhas foram interrogadas e 13 pedidos foram feitos a governos estrangeiros.

Na carta aos congressistas, o procurador-geral disse que não houve conspiração "apesar dos múltiplos esforços de indivíduos ligados à Rússia para ajudar a campanha de Trump". A suspeita foi reforçada pela negativa do presidente de criticar o presidente Vladimir Putin depois que os serviços secretos dos EUA concluíram que o governo russo tentou manipular o eleitorado americano.