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segunda-feira, 8 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 8 de junho

PROFETA MAOMÉ MORRE

     Em 632, o profeta Maomé morre em Medina nas braços de sua terceira mulher, Aicha, a favorita.

Fundador do islamismo, é um dos líderes políticos e religiosos mais importantes da história. De origem humilde, Maomé nasce em Meca por volta do ano 570. Aos 25 anos, casa com uma viúva rica. Durante 15 anos, é um simples mercador.

Numa caverna do Monte Hira, em 610, Maomé tem uma visão em que o anjo Gabriel fala com ele em nome de Deus e o orienta a criar a "verdadeira religião". Começa aí uma era 22 anos de revelações em que pela tradição islâmica o anjo Gabriel dita para o profeta o Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, que é considerado pelos fiéis como a palavra de Alá (Deus em árabe).

Maomé se considera o último profeta da tradição judaico-cristã, o último profeta de Abraão, depois do próprio Abraão, de seus filhos Isaac e Ismael, de Davi, Moisés e Jesus. Usa a teologia das religiões anteriores para unir as tribos árabes, que vivem em estado de anarquia.

Por isso, desde sua origem, o islamismo tem um projeto político, um modelo de sociedade que o cristianismo, nascido numa pequena província do grande Império Romano, não tinha. Quando convidaram Jesus para participar de uma revolta contra os impostos cobrados por Roma, ele disse: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus." A frase sugere uma separação entre Igreja e Estado.

Sob ameaça de morte, em 21 de junho de 622, Maomé foge de Meca para Medina, onde chega em 2 de julho. A Hégira, a fuga de Meca para Medina, é o marco inicial do islamismo. 

Em Medina, ele cria um Estado teocrático e começa a construir um império que, em menos de 100 anos, domina a Arábia, boa parte do Oriente Médio, o Norte da África e a Península Ibérica, invadida em 711. A expansão na Europa é contida por Carlos Martel em 732 em Poitiers, hoje parte da França.

O islamismo é hoje a segunda maior religião do mundo, com 1,9 bilhão de seguidores, quase 25% da população mundial.

DAVID DE MICHELANGELO

    Em 1504, a estátua de David do escultor italiano Michelangelo Buonarroti, um símbolo do ideal de beleza do Renascimento, é instalada na Catedral de Florença.

O escultor, pintor, arquiteto, poeta e anatomista Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni nasce em Caprese, na Toscana, em 6 de março de 1475 e se torna um dos maiores artistas da história, um dos maiores escultores, um dos maiores criadores, responsável pelos afrescos da Capela Sistina, no Vaticano, entre outras obras espetaculares.

Por mais de 70 anos, ele desenvolve seu trabalho entre Roma e Florença, onde estão seus grandes mecenas, os papas e a família Medici. 

HERÓI DA RESISTÊNCIA

    Em 1874, morre de causa natural, provavelmente câncer, no Novo México o cacique apache Cochise, da tribo chiricahua, que vivia na região do Deserto de Sonora, no Nordeste do México, no Arizona e no Novo México, tomados pelos EUA na Guerra Mexicano-Americana (1846-48).

Cochise nasce em 1805 no Vice-Reino da Nova Espanha, que se torna independente como México. Ele resiste à invasão dos europeus e lidera seu povo em guerras contra mexicanos e norte-americanos.

ISRAEL ATACA NAVIO DOS EUA

    Em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, Israel ataca o navio de inteligência norte-americano USS Liberty em águas internacionais diante da Faixa de Gaza.

Como só tem armamento leve, o Liberty tenta pedir ajuda pelo rádio, mas a Força Aérea de Israel bloqueia a transmissão. Depois, o Liberty consegue contato com o Saratoga, que envia um esquadrão aéreo com 12 caças-bombardeiros. Ao saber da operação, o secretário da Defesa dos EUA, Robert McNamara, manda suspender a resposta norte-americana.

Depois do bombardeio aéreo, lanchas torpedeiras israelenses atacam o Liberty. Em duas horas de ataque, 34 norte-americanos morrem e outros 171 saem feridos. Israel pede desculpas. Afirma ter confundido o Liberty com um navio egípcio. Sobreviventes norte-americanos duvidam da versão israelense por entender que sofreram o ataque para encobrir a conquista por Israel das Colinas do Golã, da Síria.

PRESO ASSASSINO DE LUTHER KING

    Em 1968, James Earl Ray, assassino do líder do movimento pelos direitos civis dos negros dos Estados Unidos Martin Luther King Jr., é preso em Londres, na Inglaterra.

Luther King é morto por um atirador quando está na varanda de seu quarto no Hotel Lorraine, em Memphis, no Tennessee, em 4 de abril de 1968. 

Na mesma noite, a polícia encontra a arma do crime, uma espingarda de caça. A perícia na arma, com impressões digitais, e depoimentos de testemunhas levam a Ray, um condenado por assalto à mão armada que fugira da prisão.

O FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, inicia uma grande caçada ao fugitivo e descobre que ele tem um passaporte canadense falso. A polícia britânica, a Scotland Yard prende Ray no Aeroporto de Heathrow, em Londres.

Ray pretendia ir para a Bélgica e da lá para a Rodésia, hoje Zimbábue, na época governada por um regime segregacionista da minoria branca semelhante ao apartheid da África do Sul. Extraditado para os EUA, confessa o crime para escapar da pena de morte na cadeira elétrica e é condenado a 99 anos de cadeia. Morre na prisão em 1998.

DEPUTADA NEGRA VISITA GOVERNADOR RACISTA

    Em 1972, a deputada Shirley Chisholm, primeira mulher negra eleita para o Congresso dos Estados Unidos, visita no hospital o então governador do Alabama, George Wallace, talvez o maior segregacionista da história recente do país, que se recupera de uma tentativa de assassinato. Ambos disputam a candidatura do Partido Democrata à Casa Branca.

Wallace é eleito governador com uma plataforma que promete "segregação agora, segregação amanhã, segregação para sempre". Em 1963, vai pessoalmente impedir o acesso de negros à Universidade do Alabama. Como candidato de um terceiro partido à Casa Branca, ganha em cinco estados do Sul prometendo acabar com as iniciativas do governo federal para acabar com a segregação racial.

Chisholm quer abrir espaço para a mulher negra e acredita nunca ter sido levada a sério pelo partido. Wallace está na disputa até ser baleado cinco vezes em Laurel, no estado de Maryland, em 15 de maio de 1972, o que o deixa paralítico.

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domingo, 8 de junho de 2025

Hoje na História do Mundo: 8 de junho

MORTE DO PROFETA MAOMÉ

     Em 632, o profeta Maomé morre em Medina nas braços de sua terceira mulher, Aicha, a favorita.

Fundador do islamismo, é um dos líderes políticos e religiosos mais importantes da históriaDe origem humilde, Maomé nasce em Meca por volta do ano 570. Aos 25 anos, casa com uma viúva rica. Durante 15 anos, é um simples mercador.

Numa caverna do Monte Hira, em 610, Maomé tem uma visão em que o anjo Gabriel fala com ele em nome de Deus e o orienta a criar a "verdadeira religião". Começa aí uma era 22 anos de revelações em que pela tradição islâmica o anjo Gabriel dita para o profeta o Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, que é considerado pelos fiéis como a palavra de Alá (Deus em árabe).

Maomé se considera o último profeta da tradição judaico-cristã, o último profeta de Abraão, depois do próprio Abraão, de seus filhos Isaac e Ismael, de Davi, Moisés e Jesus. Usa a teologia das religiões anteriores para unir as tribos árabes, que vivem em estado de anarquia.

Por isso, desde sua origem, o islamismo tem um projeto político, um modelo de sociedade que o cristianismo, nascido numa pequena província do grande Império Romano, não tinha. Quando convidaram Jesus para participar de uma revolta contra os impostos cobrados por Roma, ele disse: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus." A frase sugere uma separação entre Igreja e Estado.

Sob ameaça de morte, em 21 de junho de 622, Maomé foge de Meca para Medina, onde chega em 2 de julho. A Hégira, a fuga de Meca para Medina, é o marco inicial do islamismo. 

Em Medina, ele cria um Estado teocrático e começa a construir um império que, em menos de 100 anos, dominaria a Arábia, boa parte do Oriente Médio, o Norte da África e a Península Ibérica, invadida em 711. A expansão é contida por Carlos Martel em 732 em Poitiers, hoje parte da França.

O islamismo é hoje a segunda maior religião do mundo, com 1,9 bilhão de seguidores, quase 25% da população mundial.

DAVID DE MICHELANGELO

    Em 1504, a estátua de David do escultor italiano Michelangelo Buonarroti, um símbolo do ideal de beleza do Renascimento, é instalada na Catedral de Florença.

O escultor, pintor, arquiteto, poeta e anatomista Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni nasce em Caprese, na Toscana, em 6 de março de 1475 e se torna um dos maiores artistas da história, um dos maiores escultores, um dos maiores criadores, responsável pelos afrescos da Capela Sistina, no Vaticano, entre outras obras espetaculares.

Por mais de 70 anos, ele desenvolve seu trabalho entre Roma e Florença, onde estão seus grandes mecenas, os papas e a família Medici. 

HERÓI DA RESISTÊNCIA

    Em 1874, morre no Novo México o cacique apache Cochise, da tribo chiricahua, que vivia na região do Deserto de Sonora, no Nordeste do México, no Arizona e no Novo México, tomados pelos EUA na Guerra Mexicano-Americana (1846-48).

Cochise nasce em 1805 no Vice-Reino da Nova Espanha, que se torna independente como México. Ele resiste à invasão dos europeus e lidera seu povo em guerras contra mexicanos e norte-americanos.

ISRAEL ATACA NAVIO DOS EUA

    Em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, Israel ataca o navio de inteligência norte-americano USS Liberty em águas internacionais diante da Faixa de Gaza.

Como só tem armamento leve, o Liberty tenta pedir ajuda pelo rádio, mas a Força Aérea de Israel bloqueia a transmissão. Depois, o Liberty consegue contato com o Saratoga, que envia um esquadrão aéreo com 12 caças-bombardeiros. Ao saber da operação, o secretário da Defesa, Robert McNamara, manda suspender a resposta americana.

Depois do bombardeio aéreo, lanchas torpedeiras israelenses atacam o Liberty. Em duas horas de ataque, 34 norte-americanos morrem e outros 171 saem feridos. Israel pede desculpas. Afirma ter confundido o Liberty com um navio egípcio. Sobreviventes norte-americanos duvidam da versão israelense por entender que sofreram o ataque para encobrir a conquista por Israel das Colinas do Golã, da Síria.

PRESO ASSASSINO DE LUTHER KING

    Em 1968, James Earl Ray, assassino do líder do movimento pelos direitos civis dos negros dos Estados Unidos, Martin Luther King Jr., é preso em Londres, na Inglaterra.

Luther King é morto por um atirador quando está na varanda de seu quarto no Hotel Lorraine, em Memphis, no Tennessee, em 4 de abril de 1968. 

Na mesma noite, a polícia encontra a arma do crime, uma espingarda de caça. A perícia na arma, com impressões digitais, e depoimentos de testemunhas levam a Ray, um condenado por assalto à mão armada que fugira da prisão.

O FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, inicia uma grande caçada ao fugitivo e descobre que ele havia conseguido um passaporte canadense falso. A polícia britânica, a Scotland Yard prende Ray no Aeroporto de Heathrow, em Londres.

Ray pretendia ir para a Bélgica e da lá para a Rodésia, hoje Zimbábue, na época governada por um regime segregacionista da minoria branca semelhante ao apartheid da África do Sul. Extraditado para os EUA, confessa o crime para escapar da pena de morte na cadeira elétrica e é condenado a 99 anos de cadeia. Morre em 1998.

DEPUTADA NEGRA VISITA GOVERNADOR RACISTA

    Em 1972, a deputada Shirley Chisholm, primeira mulher negra eleita para o Congresso dos EUA, visita no hospital o então governador do Alabama, George Wallace, talvez o maior segregacionista da história recente do país, que se recupera de uma tentativa de assassinato. Ambos disputam a candidatura do Partido Democrata à Casa Branca.

Wallace é eleito governador com uma plataforma que promete "segregação agora, segregação amanhã, segregação para sempre". Em 1963, vai pessoalmente impedir o acesso de negros à Universidade do Alabama. Como candidato de um terceiro partido à Casa Branca, ganha em cinco estados do Sul prometendo acabar com as iniciativas do governo federal para acabar com a segregação racial.

Chisholm quer abrir espaço para a mulher negra e acredita nunca ter sido levada a sério pelo partido. Wallace está na disputa até ser baleado cinco vezes em Laurel, no estado de Maryland, em 15 de maio de 1972, o que o deixa paralítico.

sexta-feira, 4 de abril de 2025

Hoje na História do Mundo: 4 de Abril

 FUNDAÇÃO DA OTAN

    Em 1949, em resposta ao Bloqueio de Berlim Ocidental decretado pelo ditador soviético Josef Stalin em 1948, os Estados Unidos, a Bélgica, o Canadá, a Dinamarca, a França, a Holanda, a Islândia, a Itália, a Noruega, Portugal e o Reino Unido assinam o Tratado de Washington, que cria a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

A OTAN se apresenta como uma aliança defensiva com o objetivo de impedir o expansionismo soviético na Europa. Sua regra básica está no art. 5, que considera que um ataque contra é um ataque contra todos.

Com o fim da Guerra Fria e a dissolução da União Soviética e do Pacto de Varsóvia, a aliança militar do Bloco Soviético, a OTAN fica sem inimigo, mas recebe a adesão de vários países da Europa Oriental temerosos da Rússia.

Em 27 de maio de 1997, a Rússia passa a fazer parte de um conselho conjunto com a OTAN. As relações começam a se deteriorar depois das revoluções coloridas, a Revolução Rosa em 2003 na Geórgia e a Revolução Laranja em 2004-5 na Ucrânia, em que o ditador russo, Vladimir Putin vê influência do Ocidente.

Depois da anexação ilegal da Crimea pela Rússia, em 1º de abril de 2014, a OTAN suspende a cooperação com a Rússia. A invasão da Ucrânia, em 2022, leva a Finlândia e a Suécia, historicamente neutras, a entrar para a OTAN, que tem hoje 32 países, e mostra que os antigos países do Bloco Soviético tinham razão ao entrar para a aliança atlântica.

LUTHER KING ASSASSINADO

    Em 1968, James Earl Ray mata a tiros num hotel em Memphis, no Tennessee, o reverendo Martin Luther King Jr., o principal líder da luta pacífica pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos.

Além da luta por direitos iguais, o Dr. King manifesta uma preocupação com a miséria e a desigualdade social nos EUA. Ele organiza a Marcha sobre Washington por Empregos e Liberdade, que reúne 250 mil pessoas diante do Memorial de Lincoln, em 28 de agosto de 1963, quando faz o famoso discurso Eu Tenho um Sonho, e cria a Campanha pelos Pobres, em 1968, planejando nova marcha sobre Washington.

O líder negro vai a Memphis apoiar uma greve de trabalhadores do setor de limpeza pública. Em 28 de março de 1968, lidera uma marcha que termina em choque com a polícia e a morte de um adolescente negro. 

Luther King deixa a cidade, mas volta no início de abril para liderar outra manifestação. Em 3 de abril, faz seu último discurso: "Vamos ter dias difíceis à frente. Mas isto não me preocupa porque eu estive no alto da montanha... Ele [Deus] me deixou subir a montanha. Eu olhei e vi a Terra Prometida. Posso não chegar lá com vocês. Mas quero que vocês saibam nesta noite que nós, como um povo, vamos chegar à Terra Prometida."

King está na sacada do quarto 306 do Motel Lorraine quando é baleado, às 18h01. Sua morte provocou uma explosão de violência em grandes cidades como Los Angeles, Chicago, Baltimore e Washington. Mahalia Jackson, grande amiga do pastor, canta Take my Hand, Precious Lord no funeral.

Na noite do assassinato, a polícia encontra uma espingarda de caça caída na rua a uma quadra do Motel Lorraine. Testemunhas e as impressões digitais revelam a identidade do assassino. 

Ray, condenado por assalto à mão armada, foge da prisão em abril de 1967. Um ano depois, mata o Dr. King. Logo, começa uma caçada ao assassino. O FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, descobre que ele tirou um passaporte canadense,

Em 8 de junho, a polícia britânica Scotland Yard prende Ray no Aeroporto de Heathrow, em Londres, quando ele tenta chegar a Bélgica para ir para a Rodésia, hoje Zimbábue, na época dominada por um regime segregacionista da minoria branca semelhante ao apartheid da África do Sul.

Extraditado para os EUA, Ray confessa o crime para não ser condenado à morte na cadeira elétrica. Pega uma pena de 99 anos de prisão. Depois, nega e afirma ter sido alvo de uma armação. A família King também duvida da versão oficial porque Luther King era vigiado constantemente pelos serviços secretos. Mas nenhum inquérito chegou a uma conclusão diferente: Ray matou o grande líder negro porque era racista. 

 PAZ EM ANGOLA

    Em 2002, depois de 27 anos de guerra civil desde a independência, o governo do Movimento Popular de Libertação da Angola (MPLA) assina um acordo de paz com a União Nacional pela Independência Total de Angola (UNITA).

Angola conquista a independência em 1975, um ano depois da queda da ditadura salazarista em Portugal, a potência colonial, no fim de uma guerra de 14 anos, sob a égide do MPLA, um grupo guerrilheiro marxista-leninista. A Frente Nacional de Libertação de Angola (FPLA) e a UNITA formam um governo paralelo em Huambo e pedem a ajuda da África do Sul para derrubar o regime comunista.

O governo recebe ajuda militar de Cuba, que envia 40 a 50 mil soldados e repele a invasão sul-africana. A FNLA foge para o exílio. A partir de 1985, a UNITA começa a receber ajuda dos EUA. A África do Sul também apoia a UNITA, enquanto o MPLA ajuda a guerrilha contra a ocupação sul-africana da África do Sudoeste, hoje Namíbia.

Em 1988, a África do Sul decide dar independência à Namíbia, o que fortalece o MPLA. Cuba concorda em se retirar de Angola até 1991. O MPLA negocia com a UNITA e são realizadas eleições em 1992. O governo vence, mas a UNITA consegue uma boa votação, denuncia fraude e volta à luta armada. 

No fim de 1992, a UNITA controla dois terços de Angola. Em 1993, os EUA e a África do Sul reconhecem a independência de Angola. O Acordo de Lusaka, de 20 de novembro de 1994, integra a UNITA ao governo. Em agosto de 1996, seu líder, Jonas Savimbi, aceita o título de líder da oposição.

A guerra civil na República Democrática do Congo complica a situação. A UNITA apoia o ditador Joseph Mobutu, que mudara o nome do país para Zaire em 1971, enquanto o MPLA  fica do lado dos rebeldes liderados por Laurent Kabila.

As hostilidades recomeçam. Com a morte de Savimbi pelas forças governistas, em fevereiro de 2002, a UNITA volta a negociar a paz.

sábado, 8 de junho de 2024

Hoje na História do Mundo: 8 de junho

 MORTE DE MAOMÉ 

    Em 632, o profeta Maomé morre em Medina nas braços de sua terceira mulher, Aicha, a favorita.

Fundador do islamismo, é um dos líderes políticos e religiosos mais importantes da históriaDe origem humilde, Maomé nasce em Meca por volta do ano 570. Aos 25 anos, casa com uma viúva rica. Durante 15 anos, é um simples mercador.

Numa caverna do Monte Hira, em 610, Maomé tem uma visão em que o anjo Gabriel fala com ele em nome de Deus e o orienta a criar a "verdadeira religião". Começa aí uma era 22 anos de revelações em que o anjo Gabriel dita para o profeta o Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, que é considerado pelos fiéis como a palavra de Alá (Deus em árabe).

Maomé se considera o último profeta da tradição judaico-cristã, o último profeta de Abraão, depois do próprio Abraão, de seus filhos Isaac e Ismael, de Davi, Moisés e Jesus. Usa a teologia das religiões anteriores para unir as tribos árabes, que vivem em estado de anarquia.

Por isso, desde sua origem, o islamismo tem um projeto político um modelo de sociedade que o cristianismo, nascido numa pequena província do grande Império Romano, não tinha. Quando convidaram Jesus para participar de uma revolta contra os impostos cobrados por Roma, ele disse: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus." A frase sugere uma separação entre Igreja e Estado.

Sob ameaça de morte, em 21 de junho de 622, Maomé foge de Meca para Medina, onde chega em 2 de julho. A Hégira, a fuga de Meca para Medina, é o marco inicial do islamismo. 

Em Medina, ele cria um Estado teocrático e começa a construir um império que, em menos de 100 anos, dominaria a Arábia, boa parte do Oriente Médio, o Norte da África e a Península Ibérica, invadida em 711. A expansão é contida por Carlos Martel em 732 em Poitiers, hoje parte da França.

O islamismo é hoje a segunda maior religião do mundo, com 1,9 bilhão de seguidores, quase 25% da população mundial.

DAVID DE MICHELANGELO

    Em 1504, a estátua de David do escultor italiano Michelangelo Buonarroti, um símbolo do ideal de beleza do Renascimento, é instalada na Catedral de Florença.

O escultor, pintor, arquiteto, poeta e anatomista Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni nasce em Caprese, na Toscana, em 6 de março de 1475 e se torna um dos maiores artistas da história, um dos maiores escultores, um dos maiores criadores, responsável pelos afrescos da Capela Sistina, no Vaticano, entre outras obras espetaculares.

Por mais de 70 anos, ele desenvolve seu trabalho entre Roma e Florença, onde estão seus grandes mecenas, os papas e a família Medici. 

HERÓI DA RESISTÊNCIA

    Em 1874, morre no Novo México o cacique apache Cochise, da tribo chiricahua, que vivia na região do Deserto de Sonora, no Nordeste do México, no Arizona e no Novo México, tomados pelos EUA na Guerra Mexicano-Americana (1846-48).

Cochise nasce em 1805 no Vice-Reino da Nova Espanha, que se torna independente como México. Ele resiste à invasão dos europeus e lidera seu povo em guerras contra mexicanos e norte-americanos.

ISRAEL ATACA NAVIO DOS EUA

    Em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, Israel ataca o navio de inteligência norte-americano USS Liberty em águas internacionais diante da Faixa de Gaza.

Como só tem armamento leve, o Liberty tenta pedir ajuda pelo rádio, mas a Força Aérea de Israel bloqueia a transmissão. Depois, o Liberty consegue contato com o Saratoga, que envia um esquadrão aéreo com 12 caças-bombardeiros. Ao saber da operação, o secretário da Defesa, Robert McNamara, manda suspender a resposta americana.

Depois do bombardeio aéreo, lanchas torpedeiras israelenses atacam o Liberty. Em duas horas de ataque, 34 norte-americanos morrem e outros 171 saem feridos. Israel pede desculpas. Afirma ter confundido o Liberty com um navio egípcio. Sobreviventes norte-americanos duvidam da versão israelense por entender que sofreram o ataque para encobrir a conquista por Israel das Colinas do Golã, da Síria.

PRESO ASSASSINO DE LUTHER KING

    Em 1968, James Earl Ray, assassino do líder do movimento pelos direitos civis dos negros dos Estados Unidos, Martin Luther King Jr., é preso em Londres, na Inglaterra.

Luther King é morto por um atirador quando está na varanda de seu quarto no Hotel Lorraine, em Memphis, no Tennessee, em 4 de abril de 1968. 

Na mesma noite, a polícia encontra a arma do crime, uma espingarda de caça. A perícia na arma, com impressões digitais, e depoimentos de testemunhas levam a Ray, um condenado por assalto à mão armada que fugira da prisão.

O FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, inicia uma grande caçada ao fugitivo e descobre que ele havia conseguido um passaporte canadense falso. A polícia britânica, a Scotland Yard prende Ray no Aeroporto de Heathrow, em Londres.

Ray pretendia ir para a Bélgica e da lá para a Rodésia, hoje Zimbábue, na época governado por um regime segregacionista da minoria branca semelhante ao apartheid da África do Sul. Extraditado para os EUA, confessa o crime para escapar da pena de morte na cadeira elétrica e é condenado a 99 anos de cadeia. Morre em 1998.

DEPUTADA NEGRA VISITA GOVERNADOR RACISTA

    Em 1972, a deputada Shirley Chisholm, primeira mulher negra eleita para o Congresso dos EUA, visita no hospital o então governador do Alabama, George Wallace, talvez o maior segregacionista da história recente do país, que se recupera de uma tentativa de assassinato. Ambos disputam a candidatura do Partido Democrata à Casa Branca.

Wallace é eleito governador com uma plataforma que promete "segregação agora, segregação amanhã, segregação para sempre". Em 1963, vai pessoalmente impedir o acesso de negros à Universidade do Alabama. Como candidato de um terceiro partido à Casa Branca, ganha em cinco estados do Sul prometendo acabar com as iniciativas do governo federal para acabar com a segregação racial.

Chisholm quer abrir espaço para a mulher negra e acredita nunca ter sido levada a sério pelo partido. Wallace está na disputa até ser baleado cinco vezes em Laurel, no estado de Maryland, em 15 de maio de 1972, o que o deixa paralítico.

quinta-feira, 4 de abril de 2024

Hoje na História do Mundo: 4 de Abril

FUNDAÇÃO DA OTAN

    Em 1949, em resposta ao Bloqueio de Berlim Ocidental decretado pelo ditador soviético Josef Stalin em 1948, os Estados Unidos, a Bélgica, o Canadá, a Dinamarca, a França, a Holanda, a Islândia, a Itália, a Noruega, Portugal e o Reino Unido assinam o Tratado de Washington, que cria a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

A OTAN se apresenta como uma aliança defensiva com o objetivo de impedir o expansionismo soviético na Europa. Sua regra básica está no art. 5, que considera que um ataque contra é um ataque contra todos.

Com o fim da Guerra Fria e a dissolução da União Soviética e do Pacto de Varsóvia, a aliança militar do Bloco Soviético, a OTAN fica sem inimigo, mas recebe a adesão de vários países da Europa Oriental temerosos da Rússia.

Em 27 de maio de 1997, a Rússia passa a fazer parte de um conselho conjunto com a OTAN. As relações começam a se deteriorar depois das revoluções coloridas, a Revolução Rosa em 2003 na Geórgia e a Revolução Laranja em 2004-5 na Ucrânia, que o ditador russo, Vladimir Putin viu influência do Ocidente.

Depois da anexação ilegal da Crimea pela Rússia, em 1º de abril de 2014, a OTAN suspende a cooperação com a Rússia. A invasão da Ucrânia, em 2022, leva a Finlândia e a Suécia, historicamente neutras, a entrar para a OTAN, que tem hoje 32 países.

LUTHER KING ASSASSINADO

    Em 1968, James Earl Ray mata a tiros num hotel em Memphis, no Tennessee, o reverendo Martin Luther King Jr., o principal líder da luta pacífica pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos.

Além da luta por direitos iguais, o Dr. King manifesta uma preocupação com a miséria e a desigualdade social nos EUA. Ele organiza a Marcha sobre Washington por Empregos e Liberdade, que reúne 250 mil pessoas diante do Memorial de Lincoln, em agosto de 1963, quando faz o famoso discurso Eu Tenho um Sonho, e cria a Campanha pelos Pobres, em 1968, planejando nova marcha sobre Washington.

O líder negro vai a Memphis apoiar uma greve de trabalhadores do setor de limpeza pública. Em 28 de março de 1968, lidera uma marcha que termina em choque com a polícia e a morte de um adolescente negro. 

Luther King deixa a cidade, mas volta no início de abril para liderar outra manifestação. Em 3 de abril, faz seu último discurso: "Vamos ter dias difíceis à frente. Mas isto não me preocupa porque eu estive no alto da montanha... Ele [Deus] me deixou subir a montanha. Eu olhei e vi a Terra Prometida. Posso não chegar lá com vocês. Mas quero que vocês saibam nesta noite que nós, como um povo, vamos chegar à Terra Prometida."

King está na sacada do quarto 306 do Motel Lorraine quando é baleado, às 18h01. Sua morte provocou uma explosão de violência em grandes cidades como Los Angeles, Chicago, Baltimore e Washington. Mahalia Jackson, grande amiga do pastor, cantou Take my Hand, Precious Lord no funeral.

Na noite do assassinato, a polícia encontrou uma espingarda de caça caída na rua a uma quadra do Motel Lorraine. Testemunhas e as impressões digitais revelaram a identidade do assassino. 

Ray, condenado por assalto à mão armada, foge da prisão em abril de 1967. Um ano depois, mata o Dr. King. Logo, começa uma caçada ao assassino. O FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, descobre que ele tirou um passaporte canadense,

Em 8 de junho, a polícia britânica Scotland Yard prende Ray no Aeroporto de Heathrow, em Londres, quando ele tenta chegar a Bélgica para ir para a Rodésia, hoje Zimbábue, na época dominada por um regime segregacionista da minoria branca semelhante ao apartheid da África do Sul.

Extraditado para os EUA, confessa o crime para não ser condenado à morte na cadeira elétrica. Pega uma pena de 99 anos de prisão. Depois, nega e afirma ter sido alvo de uma armação. A família King também duvida da versão oficial porque Luther King era vigiado constantemente pelos serviços secretos. Mas nenhum inquérito chegou a uma conclusão diferente: Ray matou o grande líder negro porque era racista. 

 PAZ EM ANGOLA

    Em 2002, depois de 27 anos de guerra civil desde a independência, o governo do Movimento Popular de Libertação da Angola (MPLA) assina um acordo de paz com a União Nacional pela Independência Total de Angola (UNITA).

Angola conquista a independência um ano depois da queda da ditadura salazarista em Portugal, a potência colonial, no fim de uma guerra de 14 anos, sob a égide do MPLA, um grupo guerrilheiro marxista leninista. A Frente Nacional de Libertação de Angola (FPLA) e a UNITA formam um governo paralelo em Huambo e pedem a ajuda da África do Sul para derrubar o regime comunista.

O governo recebe ajuda militar de Cuba, que envia 40 a 50 mil soldados e repele a invasão sul-africana. A FNLA foge para o exílio. A partir de 1985, a UNITA começa a receber ajuda dos EUA. A África do Sul também apoia a UNITA, enquanto o MPLA ajuda a guerrilha contra a ocupação sul-africana da África do Sudoeste, hoje Namíbia.

Em 1988, a África do Sul decide dar independência à Namíbia, o que fortalece o MPLA. Cuba concorda em se retirar de Angola até 1991. O MPLA negocia com a UNITA e são realizadas eleições em 1992. O governo vence, mas a UNITA consegue uma boa votação, denuncia fraude e volta à luta armada. 

No fim de 1992, a UNITA controla dois terços de Angola. Em 1993, os EUA e a África do Sul reconhecem a independência de Angola. O Acordo de Lusaka, de 20 de novembro de 1994, integra a UNITA ao governo. Em agosto de 1996, seu líder, Jonas Savimbi, aceita o título de líder da oposição.

A guerra civil na República Democrática do Congo complica a situação. A UNITA apoia o ditador Joseph Mobutu, que mudara o nome do país para Zaire em 1971, enquanto o MPLA  fica do lado dos rebeldes liderados por Laurent Kabila.

As hostilidades recomeçam. Com a morte de Savimbi pelas forças governistas, em fevereiro de 2002, a UNITA volta a negociar a paz.

quinta-feira, 8 de junho de 2023

Hoje na História do Mundo: 8 de junho

 MORTE DE MAOMÉ 

    Em 632, o profeta Maomé morre em Medina nas braços de sua terceira mulher, Aicha, a favorita.

Fundador do islamismo, é um dos líderes políticos e religiosos mais importantes da históriaDe origem humilde, Maomé nasce em Meca por volta do ano 570. Aos 25 anos, casa com uma viúva rica. Durante 15 anos, é um simples mercador,

Numa caverna do Monte Hira, em 610, Maomé tem uma visão em que o anjo Gabriel fala com ele em nome de Deus e o orienta a criar a "verdadeira religião". Começa aí uma era 22 anos de revelações em que o anjo Gabriel dita para o profeta o Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, que é considerado pelos fiéis como a palavra de Alá (Deus em árabe).

Maomé se considera o último profeta da tradição judaico-cristã, o último profeta de Abraão, depois do próprio Abraão, de seus filhos Isaac e Ismael, de Davi, Moisés e Jesus. Usa a teologia das religiões anteriores para unir as tribos árabes, que vivem em estado de anarquia.

Por isso, desde sua origem, o islamismo tem um projeto político um modelo de sociedade que o cristianismo, nascido numa pequena província do grande Império Romano, não tinha. Quando convidaram Jesus para participar de uma revolta contra os impostos cobrados por Roma, ele disse: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus." A frase sugere uma separação entre Igreja e Estado.

Sob ameaça de morte, em 21 de junho de 622, Maomé foge de Meca para Medina, onde chega em 2 de julho. A Hégira, a fuga de Meca para Medina, é o marco inicial do islamismo. 

Em Medina, ele cria um Estado teocrático e começa a construir um império que, em menos de 100 anos, dominaria a Arábia, boa parte do Oriente Médio, o Norte da África e a Península Ibérica, invadida em 711. A expansão é contida por Carlos Martel em 732 em Poitiers, hoje parte da França.

O islamismo é hoje a segunda maior religião do mundo, com 1,9 bilhão de seguidores, cerca de 25% da população mundial.

HERÓI DA RESISTÊNCIA

    Em 1874, morre no Novo México o cacique apache Cochise, da tribo chiricahua, que vivia na região do Deserto de Sonora, no Nordeste do México, no Arizona e no Novo México, tomados pelos EUA na Guerra Mexicano-Americana (1846-48).

Cochise nasce em 1805 no Vice-Reino da Nova Espanha, que se torna independente como México. Ele resiste à invasão dos europeus e lidera seu povo em guerras contra mexicanos e norte-americanos.

ISRAEL ATACA NAVIO DOS EUA

    Em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, Israel ataca o navio de inteligência norte-americano USS Liberty em águas internacionais diante da Faixa de Gaza.

Como só tinha armamento leve, o Liberty tenta pedir ajuda pelo rádio, mas a Força Aérea de Israel bloqueia a transmissão. Depois, o Liberty consegue contato com o Saratoga, que envia um esquadrão aéreo com 12 caças-bombardeiros. Ao saber da operação, o secretário da Defesa, Robert McNamara, manda suspender a resposta americana.

Depois do bombardeio aéreo, lanchas torpedeiras israelenses atacam o Liberty. Em duas horas de ataque, 34 norte-americanos morrem e outros 171 saem feridos. Israel pede desculpas. Afirma ter confundido o Liberty com um navio egípcio. Sobreviventes norte-americanos duvidam da versão israelense por entender que sofreram o ataque para encobrir a conquista por Israel das Colinas do Golã, da Síria.

PRESO ASSASSINO DE LUTHER KING

    Em 1968, James Earl Ray, assassino do líder do movimento pelos direitos civis dos negros dos Estados Unidos, Martin Luther King Jr., é preso em Londres, na Inglaterra.

Luther King é morto por um atirador quando está na varanda de seu quarto no Hotel Lorraine, em Memphis, no Tennessee, em 4 de abril de 1968. 

Na mesma noite, a polícia encontra a arma do crime, uma espingarda de caça. A perícia na arma, com impressões digitais, e depoimentos de testemunhas levam a Ray, um condenado por assalto à mão armada que fugira da prisão.

O FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, inicia uma grande caçada ao fugitivo e descobre que ele havia conseguido um passaporte canadense falso. A polícia britânica, a Scotland Yard prende Ray no Aeroporto de Heathrow, em Londres.

Ray pretendia ir para a Bélgica e da lá para a Rodésia, hoje Zimbábue, na época governado por um regime segregacionista da minoria branca semelhante ao apartheid da África do Sul. Extraditado para os EUA, confessa o crime para escapar da pena de morte na cadeira elétrica e é condenado a 99 anos de cadeia. Morre em 1998.

DEPUTADA NEGRA VISITA GOVERNADOR RACISTA

    Em 1972, a deputada Shirley Chisholm, primeira mulher negra eleita para o Congresso dos EUA, visita no hospital o então governador do Alabama, George Wallace, talvez o maior segregacionista da história recente do país, que se recupera de uma tentativa de assassinato. Ambos disputam a candidatura do Partido Democrata à Casa Branca.

Wallace é eleito governador com uma plataforma que promete "segregação agora, segregação amanhã, segregação para sempre". Em 1963, vai pessoalmente impedir o acesso de negros à Universidade do Alabama. Como candidato de um terceiro partido à Casa Branca, ganha em cinco estados do Sul prometendo acabar com as iniciativas do governo federal para acabar com a segregação racial.

Chisholm quer abrir espaço para a mulher negra e acredita nunca ter sido levada a sério pelo partido. Wallace está na disputa até ser baleado cinco vezes em Laurel, no estado de Maryland, em 15 de maio de 1972, o que o deixa paralítico.

terça-feira, 4 de abril de 2023

Hoje na História do Mundo: 4 de Abril

LUTHER KING ASSASSINADO

    Em 1968, James Earl Ray mata a tiros num hotel em Memphis, no Tennessee, o reverendo Martin Luther King Jr., o principal líder da luta pacífica pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos.

Além da luta por direitos iguais, o Dr. King manifesta uma preocupação com a miséria e a desigualdade social nos EUA. Ele organiza a Marcha sobre Washington por Empregos e Liberdade, que reúne 250 mil pessoas diante do Memorial de Lincoln, em agosto de 1963, quando faz o famoso discurso Eu Tenho um Sonho, e cria a Campanha pelos Pobres, em 1968, planejando nova marcha sobre Washington.

O líder negro vai a Memphis apoiar uma greve de trabalhadores do setor de limpeza pública. Em 28 de março de 1968, lidera uma marcha que termina em choque com a polícia e a morte de um adolescente negro. 

Luther King deixa a cidade, mas volta no início de abril para liderar outra manifestação. Em 3 de abril, faz seu último discurso: "Vamos ter dias difíceis à frente. Mas isto não me preocupa porque eu estive no alto da montanha... Ele [Deus] me deixou subir a montanha. Eu olhei e vi a Terra Prometida. Posso não chegar lá com vocês. Mas quero que vocês saibam nesta noite que nós, como um povo, vamos chegar à Terra Prometida."

King está na sacada do quarto 306 do Motel Lorraine quando é baleado, às 18h01. Sua morte provocou uma explosão de violência em grandes cidades como Los Angeles, Chicago, Baltimore e Washington. Mahalia Jackson, grande amiga do pastor, cantou Take my Hand, Precious Lord no funeral.

Na noite do assassinato, a polícia encontrou uma espingarda de caça caída na rua a uma quadra do Motel Lorraine. Testemunhas e as impressões digitais revelaram a identidade do assassino. 

Ray, condenado por assalto à mão armada, foge da prisão em abril de 1967. Um ano depois, mata o Dr. King. Logo, começa uma caçada ao assassino. O FBI (Federal Bureau of Invetigation), a polícia federal dos EUA, descobre que ele tirou um passaporte canadense,

Em 8 de junho, a polícia britânica Scotland Yard prende Ray no Aeroporto de Heathrow, em Londres, quando ele tenta chegar a Bélgica para ir para a Rodésia, hoje Zimbábue, na época dominada por um regime segregacionista da minoria branca semelhante ao apartheid da África do Sul.

Extraditado para os EUA, confessa o crime para não ser condenado à morte na cadeira elétrica. Pega uma pena de 99 anos de prisão. Depois, nega e afirma ter sido alvo de uma armação. A família King também duvida da versão oficial porque Luther King era vigiado constantemente pelos serviços. Mas nenhum inquérito chegou a uma conclusão diferente: Ray matou o grande líder negro porque era racista.