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quarta-feira, 9 de outubro de 2024

Nobel de Química premia descrição e criação de proteínas

Três cientistas vão dividir o Prêmio Nobel de Química de 2024 por revelar o potencial de tecnologias avançadas, inclusive da inteligência artificial, para descobrir a forma das proteínas e criar novas proteínas e novos medicamentos, anunciou hoje em Estocolmo a Academia Real de Ciências da Suécia. É o segundo Nobel deste ano ligado à inteligência artificial.

O britânico Demis Hassabis, de 48 anos, e o norte-americano John Jumper, de 39 anos, ambos da empresa Google DeepMind, usaram a inteligência artificial para desvendar a estrutura de milhões de proteínas. O norte-americano David Baker, de 62 anos, professor da Universidade de Washington, usou computador para inventar uma nova proteína.

A importância do trabalho dos agraciados é "verdadeiramente enorme", declarou Johan Advist, membro do Comitê do Nobel para Química: "Para entender como as proteínas funcionam, você precisa saber como parecem e é isto que os laureados fizeram." 

Era uma tarefa para meses, anos e até décadas. Com os modelos de inteligência artificial, pode ser realizada em minutos ou poucos horas. O modelo AlphaFold citados mais de 20 mil vezes em ensaios acadêmicos.

"A inteligência artificial está mudando a maneira como fazemos ciência", observou a engenheira química Frances Arnold, professora do Instituto de Tecnologia da Califórnia que ganhou o Prêmio Nobel de Química de 2018. "Está dando um grande impulso a nossa capacidade de explorar problemas antes intratáveis."

O Dr. Hassabis advertiu que a inteligência artificial "é uma tecnologia de uso duplo. Tem potencial extraordinário para o bem, mas também pode ser usada para o mal', por exemplo, para criar novos vírus e substâncias tóxicas que podem ser usadas como armas biológicas. O Dr. Baker e mais de 90 cientistas assinaram um documento propondo regulamentar os equipamentos usados para fabricar novas armas biológicas.

As proteínas são as moléculas plásticas que formam a estrutura dos seres vivos, controlam a orientam as reações químicas que sustentam a vida. Agem como hormônios, anticorpos. São os tijolos ou blocos de construção da vida. Geralmente, são formadas por 20 aminoácidos diferentes.

Em 2003, Baker conseguiu usar esses blocos para inventar uma proteína inteiramente nova. Desde então, sua equipe criou proteínas que podem ser usadas como medicamentos, vacinas, nanomateriais e sensores minúsculos.

Os outros dois laureados conseguiram descobrir a estrutura tridimensional das proteínas, algo que a ciência tentava fazer desde os anos 1970. 

Hassabis nasceu em Londres, filho de um casal greco-cipriota com cingaporeana que tinha uma loja de brinquedos. Como adolescente, era considerado o segundo melhor enxadrista do mundo até 14 anos. Antes de entrar na universidade, ele começou a desenvolver videogames profissionalmente.

Depois de se graduar em ciências da computação na Universidade de Cambridge, Hassabis fundou uma empresa de videogame e voltou à academia para fazer doutorado em neurociências. Com Shane Legg, um colega de faculdade, e Mustafa Suleyman, um amigo de infância, fundou uma start-up de inteligência artificial chamada DeepMind em 2010. Quatro anos depois, o Google comprou a empresa por US$ 650 milhões.

Jumper, o mais jovem laureado com o Nobel de Química em mais de 70 anos, nasceu em Little Rock, no estado de Arkansas, em 1985. Depois de se graduar na Universidade Vanderbilt, fez mestrado na Universidade de Cambridge e doutorado em química teórica na Universidade de Chicago. Entrou para a DeepMind como pesquisador em 2017, depois que o Google comprou a empresa. Em 2020, o Google apresentou o AlphaFold2.

Em 2020, Hassabis e Jumper apresentaram um modelo de inteligência artificial chamado de AlphaFold2, capaz de desvendar a estrutura de praticamente todas as 200 milhões de proteínas conhecidas. Desde então, esse modelo foi usado por mais de 2 milhões de pessoas em 190 países.

Hassabis e Jumper ficam com a metade do prêmio de 11 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 5,92 milhões de reais pela cotação de hoje.

Amanhã, a Academia Real da Suécia revela o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura. Na sexta-feira, sai o Prêmio Nobel da Paz, o único anunciado pelo comitê norueguês do Nobel. Na próxima segunda-feira, será a vez do Prêmio Nobel de Economia.

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Nobel de Economia premia pesquisas sobre trabalho feminino

 A economista e historiadora norte-americana Claudia Goldin, de 77 anos, professora da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, ganhou hoje o Prêmio Nobel de Economia por estudos sobre a participação da mulher no mercado de trabalho, anunciou hoje em Estocolmo a Academia Real de Ciências da Suécia. É a terceira mulher laureada e a primeira a ganhar sozinha desde que o prêmio passou a ser concedido, em 1969.


Primeira catedrática do Departamento de Economia de Harvard, ela examinou em profundidade as causas das diferenças entre homens e mulheres no mercado de trabalho, a evolução do trabalho feminino nos últimos 200 anos e perspectivas para o futuro.

"Espero mostrar que é possível para uma mulher ser bem-sucedida, ser reconhecida pelo sucesso e inspirar muitas, muitas outras mulheres a continuar trabalhando e muitos outros homens a lhes dar o respeito que merecem", declarou Goldin ao receber a notícia.

Suas pesquisas revelam que a participação da mulher no mercado de trabalho diminuiu no século 19, quando a economia evoluiu da da agricultura para a indústria, e cresceu no século 20, com a expansão do setor de serviços.

Ela considera os anos 1970 um "período revolucionário" em que as mulheres nos EUA passaram a casar mais tarde, fazer cursos universitários e avançar no mercado de trabalho. A pílula anticoncepcional foi importante para que as mulheres pudessem ter maior controle sobre suas vidas. Mas elas ainda não conquistaram a paridade salarial: o salário médio das mulheres no país é 80% do salário dos homens.

No passado, essa diferença poderia ser explicada pela educação, formação profissional e tipo de ocupação. Hoje a disparidade se mantém mesmo entre homens e mulheres que fazem o mesmo trabalho e aumenta um ou dois anos depois que a mulher tem o primeiro filho.

"Não vamos chegar à igualdade de gênero enquanto não tivermos equidade nos casais", comentou a economista. Apesar da "mudança progressiva monumental, há importantes diferenças, com frequência ligadas ao fato de que as mulheres ainda fazem a maior parte do trabalho doméstico.

A Drª Claudia Goldin e os outros laureados recebem o prêmio de 11 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 5 milhões, numa cerimônia em Estocolmo em 10 de dezembro, data da morte do cientista e empresário Alfred Nobel, o descobridor da dinamite, que destinou 94% de sua fortuna de 31 milhões de coroas suecas, mais de R$ 1 bilhão pelas cotações de hoje para um prêmio que reconhecesse anualmente "o maior benefício para a humanidade" nas áreas de medicina, física, química, literatura e paz. 

O Nobel de Economia foi criado depois. Oficialmente, se chama Prêmio do Banco Central da Suécia em Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel.

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Economistas dos EUA dividem Nobel por pesquisas sobre bancos e crises financeiras

 O ex-presidente do banco central dos Estados Unidos, Ben Bernanke, hoje na Brookings Institution, e os professores Douglas Diamond, da Universidade de Chicago, e Philip Dybvig, da Universidade Washington em Saint Louis, ganharam hoje o Prêmio Nobel de Economia de 2022 por pesquisas sobre bancos, corridas bancárias e crises financeiras, anunciou a Academia Real de Ciências da Suécia.
Eles criaram as bases para entender “por que os bancos são necessários, por que são vulneráveis e o que fazer a respeito”, integrante do comitê do Nobel de Economia. “As ações tomadas por bancos centrais e reguladores financeiros ao redor do mundo para entrar crises recentes como a Grande Recessão (2007-9) e o impacto da pandemia foram em grande parte motivadas pelas pesquisas dos laureados.”

Os três dividem o prêmio de 10 milhões de coroas suecas (US$ 881 mil ou R$ 4,57 milhões).

Bernanke, um estudioso da Grande Depressão (1929-39), presidente do Conselho da Reserva Federal (Fed) de 2006 a 2014, enfrentou a recessão global deflagrada pela falência do banco de investimentos Lehman Brothers.

Diamond e Dybvig criaram um modelo para explicar a dinâmica das corridas bancárias, quando os correntistas correm para tirar o dinheiro por medo da falência do banco e aí eles quebram mesmo, podendo levar a um colapso financeiro.

Os três laureados começaram as pesquisas nos anos 1980 em busca dos fatores que tornam  os bancos vulneráveis, como as falências bancárias agravam e prolongam as crises financeiras e como fortalecer o sistema para evitar estes riscos.

Com os bancos centrais aumentando os juros para combater a inflação, os mercados financeiros estão abalados, com bolsas de valores em queda e estresse nos bancos.

O Comitê do Nobel citou pesquisas antigas, como um ensaio de Bernanke de 1983 em que ele argumenta que as falências bancárias tendem a espalhar as crises financeiras, em vez de serem simplesmente um produto dessas crises.

Em 2008, ele e a equipe enfrentaram a pior crise desde a Grande Depressão. Foi a “aplicação na prática” de anos de trabalho teórico para evitar um colapso ainda maior, disse Bernanke numa conferência na Brookings Institution uma semana atrás. “Acredito firmemente que, se isso tivesse acontecido, derrubaria o resto da economia.”

Quando o mercado imobiliário começou a desabar, mutuários em dificuldades pararam de pagar as prestações da casa própria. Os bancos e outras instituições financeiras ficaram com pilhas de dívidas incobráveis em seus balanços. Isso levou a uma paralisia do mercado financeiro  porque as instituições não sabiam como estavam os balanços das outras e pararam de  emprestar umas às outras.

Os governos precisaram intervir, oferecendo garantias de crédito, para restaurar a confiabilidade do sistema financeiro e o dinheiro, o sangue da economia, voltar a circular. 

A Grande Recessão foi um exemplo do impacto da falência de bancos sobre a economia real. O Fed e o Tesouro dos EUA deixaram o banco Lehman Brothers falir, em 15 de setembro de 2008.

No dia seguinte, o American International Group (AIG), na época a maior seguradora do mundo, revelou dívidas de US$ 180 bilhões. Era grande demais para falir. Tinha em sua carteira desde dívidas de empresas imobiliárias e bancos a seguros pessoais e de automóveis.

“Não sabíamos na época, mas há 15 anos boa parte do mundo estava à beira de uma crise econômica devastadora. A maioria de nós estava despreparada, mas alguns economistas estavam preparados e preocupados”, declarou o secretário-geral da Academia da Suécia, Hans Ellegren.

“Eles haviam estudado a teoria das corridas bancárias, acreditavam no seu trabalho e suspeitavam que a possibilidade de corridas bancárias estava sendo considerada irrelevante”, acrescentou. A realidade comprovou a teoria de que bancos só estão seguros quando bem regulamentados.

O antecessor de Bernanke no Fed, Alan Greenspan, era um ícone do neoliberalismo, visto como um oráculo pelos mercados. Admitiu que “não esperava que os bancos dessem um tiro no pé.” Confiava na autorregulamentação das empresas financeiras.

Bernanke ajudou a montar o Programa de Alívio de Ativos Tóxicos (TARP, em inglês), de US$ 750 bilhões. A maior parte foi paga à medida que os bancos, financeiras e seguradoras se recuperaram.

Num ensaio de 1983, Diamond e Dybvig mostraram os riscos que os bancos correm quando captam dinheiro que pode ser sacado a qualquer momento pelos correntistas e fazem empréstimos de longo prazo.

Uma forma de evitar falências bancárias é dar garantias de que o dinheiro depositado será devolvido mesmo que a instituição financeira quebre. Desta maneira, os clientes não correm para sacar o dinheiro em momentos de pânico.

“Mesmo que estes resgates tenham problemas, pode ser bons para a sociedade”, afirmou Diamond em entrevista após o anúncio do prêmio.

Também é importante para os bancos monitorar quem toma empréstimos. Emprestando para quem tem condições de pagar, conseguem reduzir a inadimplência e baixar os juros, beneficiando a sociedade.

É preciso estar preparado para surpresas, advertiu Bernanke ao aconselhar jovens economistas: “Uma das lições da minha vida é que a gente nunca sabe o que pode acontecer.”

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Construção de moléculas com clique dá Nobel de Química

 Dois norte-americanos, Barry Sharples, da empresa de pesquisas Scripps Research, e a professora Carolyn Bertozzi, da Universidade Stanford, e o dinamarquês Morten Meldal, da Universidade de Copenhague, ganharam hoje o Prêmio Nobel de Química de 2022 pelo desenvolvimento da construção de moléculas com um clique e a química bio-ortogonal, anunciou em Estocolmo a Academia Real de Ciências da Suécia.

Seu trabalho “levou a uma revolução na maneira como os químicos pensam sobre a ligação entre moléculas”, declarou o presidente do Comitê do Nobel de Química. Eles dividem igualmente o prêmio de 10 milhões de coroas suecas (US$ 915 mil ou R$ 4,76 milhões).

Sharples é o quinto cientista a receber dois prêmios Nobel, ao lado de Marie Curie, John Bardeen, Linus Pauling e Frederick Sanger. Bertozzi é a oitava mulher laureada com o Nobel de Química.

A expressão química do clique se refere à simplicidade do processo. É uma forma de construir moléculas com reações rápidas que conseguem evitar a formação de subprodutos indesejados.

As moléculas reagem todo o tempo, na nossa comida e bebida, nos telefones celulares, na pele e em todo o corpo. Estas reações quebram velhas moléculas, criam novas, liberam energia. 

Ao tentar entender estes processos, os cientistas precisam associar moléculas de maneira controlada. É difícil em ambientes como uma célula viva porque as reações atingem outras moléculas ao redor.

Em 2001, o Dr. Sharples e colegas publicaram um ensaio introduzindo o conceito de química do clique, propondo uma nova abordagem neste controle molecular na criação de novas substâncias medicinais.

Uma regra básica foi: “Todas as buscas devem se restringir a moléculas fáceis de fabricar.” Em vez de sintetizar ou criar moléculas orgânicas forçando uma ligação complexa, a equipe focou em ligações que se formam rapidamente e criam substâncias estáveis.

Se isto for feito corretamente, as ligações mais fortes acontecem automaticamente. “Pense nelas como dádivas da natureza”, escreveu o Dr. Sharples.

“O que é único da química do clique é que dois reagentes, na presença de milhares de diferentes tipos de moléculas, vão procurar somente um ao outro e criar um único produto”, comentou Jiong Yang, diretor de programa do Instituto Nacional de Ciência Médica Geral, supervisor do trabalho do Dr. Sharples.

É fundamental identificar os fechos químicos capazes de exercer a função precisamente. Ai entra a contribuição dos outros dois laureados.

Meldal e Sharples descobriram a chave para realizar este tipo de reação: a cicloadição azido-alcino catalisada pelo cobre. Em parte, a descoberta foi acidental. 

Durante uma reação rotineira com íons de cobre, um dos componentes reagiu de maneira inesperada e formou uma substância chamada triazol. O segredo estava no controle do processo pelos íons de cobre.

Ao mesmo tempo, Bertozzi fazia experiências com glicanos, carboidratos complexos geralmente encontrados na superfície de células e proteínas. Ela funda a química bio-ortogonal, que abarca toda reação química dentro de organismos vivos que não afete nem seja afetada pelo ser vivo.

O trabalho dos laureados hoje já tem aplicação prática. Bertozzi descobriu que os gllicanos protegem as células de tumores do ataque do sistema imunológico. Sua equipe desenvolveu um medicamento capaz de impedir a ação protetora dos glicanos. O fármaco está em testes em paciente com câncer avançado.

Amanhã, sai o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, Na sexta-feira, o Comitê Norueguês do Nobel concede o Prêmio Nobel da Paz, o único anunciado na Noruega. O ganhador do Nobel de Economia será conhecido na segunda-feira.

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Cientistas dividem Nobel de Física por pesquisas sobre física quântica

O francês Alain Aspect, professor da Universidade de Paris-Saclay e da Escola Politécnica da França, o norte-americano John Clauser, da empresa J. F. Clauser & Associates, e o austríaco Anton Zeilinger, da Universidade de Viena, foram agraciados hoje com o Prêmio Nobel de Física por pesquisas sobre o emaranhado quântico que podem revolucionar a criptografia, aumentando a segurança da transferência de informações, e avançam a computação quântica.

Suas experiências confirmaram a teoria sobre o emaranhado de fótons (partículas de luz). “O que acontece com uma partícula num par emaranhado determina o que acontece com a outra, mesmo se elas estiverem muito longe para afetar uma à outra. Os laureados desenvolveram instrumentos experimentais que lançam as bases para uma nova era da tecnologia quântica”, justificou em Estocolmo o Comitê do Nobel de Física da Academia Real de Ciências da Suécia.

A física quântica estuda sistemas físicos minúsculos, como átomos e partículas subatômicas. Surgiu no início do século passado para explicar fenômenos que não se enquadravam na teoria física clássica. 

Uma de suas bases teóricas é o Princípio da Incerteza, enunciado em 1927 pelo alemão Werner Heisenberg, um dos maiores físicos teóricos. Ainda bem que ele não era tão bom na prática porque chefiou o programa de armas nucleares da Alemanha Nazista.

O Princípio de Incerteza diz que é impossível medir a posição e a energia de uma partícula sem alterar uma ou outra.

A descoberta do trio ganhador do Nobel “é um jeito de transmitir informação”, observou o professor Antônio Barranco, da Universidade de Campinas. 

Em 1997, Zeilinger e sua equipe mostraram que, quando duas partículas emaranhadas vão em direções opostas e encontram outra partícula, esta partícula e suas propriedades são assimiladas pelo sistema quântico.

É o chamado teletransporte quântico. Pode ser usado em criptografia para transmitir mensagens com segurança. Em 2012, ele e a equipe conseguiram teletransportar um estado quântico entre fótons que estavam a 143 quilômetros um do outro.

Em 2017, Zeilinger usou a técnica do emaranhamento de fótons emitidos por um satélite chinês para uma conversa telefônica com Pan Jieiwei, um ex-aluno que hoje é membro da Academia de Ciências da China.

Albert Einstein, talvez o maior cientista do século 20, desconfiava da mecânica quântica e da hipótese do emaranhamento. Acreditava que variáveis desconhecidas poderiam explicar a correlação entre as partículas.

Nos anos 1960, John Stewart Bell comparou a física clássica e a mecânica quântica e concluiu que o resultado seria muito diferente se o emaranhamento fosse explicado por uma teoria e pela outra. É a desigualdade de Bell. Ele demonstrou matematicamente que Einstein estava errado.

Clauser fez uma experiência com fótons emaranhados emitidos em sentidos opostos para testar a desigualdade de Bell. Comprovou que o resultado era o previsto pela mecânica quântica.

Aspect aperfeiçoou a experiência de Clauser e conseguiu medir mais e melhor o comportamento dos fótons.

Os três cientistas vão dividir o prêmio de 10 milhões de coroas suecas (US$ 919 mil ou R$ 4,76 milhões) em 10 de dezembro, data de nascimento de Alfred Nobel, o cientista e empresário que legou parte de sua fortuna para financiar os prêmios.

Amanhã, será anunciado o ganhador do Prêmio Nobel de Química. Na quinta-feira, sai o Nobel de Literatura. Na sexta-feira, será a vez do Nobel da Paz, o único anunciado na Noruega. Na próxima segunda-feira, será concedido o Nobel de Economia.

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Nobel de Economia premia estudos sobre trabalho e relações causa-efeito

 O canadense-norte-americano David Card, o israelense naturalizado norte-americano Joshua Angrist e o holandês naturalizado norte-americano Guido Imbens ganharam o Prêmio Nobel de Economia de 2021 "por trazer novas ideias sobre o mercado de trabalho e mostrar as conclusões que se podem tirar de experiências naturais em termos de causas e consequências", anunciou hoje em Estocolmo a Academia Real de Ciências da Suécia.

"Suas proposições se estenderam a outras áreas e revolucionaram a investigação empírica" em ciências sociais, acrescentou o comitê do Prêmio do Banco da Suécia em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, o nome oficial do Nobel de Economia, que existe há 67 anos, enquanto outros têm 120 anos.

"Card estudou questões centrais para a sociedade e as contribuições metodológicas de Angrist e Imbens mostraram como experiências naturais são uma rica fonte de conhecimento. Suas pesquisas melhoraram substancialmente nossa habilidade para responder a questões causais chaves de grande benefício para a sociedade", declarou Peter Fredriksson, presidente do comitê.

Como experimentos naturais, Card, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, observou, por exemplo, o impacto sobre o mercado de trabalho da migração de 135 mil cubanos que saíram de Porto Mariel, em Cuba, em 1980, a maioria para Miami, na Flórida. 

O estudo concluiu que não houve impactos negativos como aumento do desemprego e redução de salários, desafiando ideias preconcebidas que aparecem até hoje no debate sobre imigração nos Estados Unidos e em outros países ricos. 

Em outro caso, uma pesquisa em lanchonetes de Nova Jérsei e da Pensilvânia, Card percebeu que o aumento do salário mínimo não causa necessariamente uma queda na oferta de emprego. Ele também comprovou o aumento da renda ligado a mais anos de educação.

Angrist, professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), e Imbens, professor da Escola de Pós-Graduação em Negócios da Universidade de Stanford, mostraram ser possível chegar a conclusões importantes sobre o impacto de políticas econômicas e sociais através da observação da experiências naturais, "situação na qual os eventos casuais e as mudanças políticas resultam em tratamentos diferenciados para diferentes grupos de pessoas de uma forma que relembra os testes clínicos na medicina."

David Card leva a metade do prêmio de 10 milhões de coroas suecas, cerca de US$ 1,15 milhão ou R$ 6,37 milhões pelo câmbio de hoje. Os outros dois laureados dividem a outra metade.

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Americanos ganham Nobel de Economia por inventar novas formas de leilões

Os acadêmicos americanos Paul Milgrom, de 72 anos, e Robert Wilson, de 83 anos, pesquisadores da Universidade de Stanford, na Califórnia, nos Estados Unidos, foram agraciados hoje com o Prêmio Nobel de Economia de 2020 por "melhoramentos na teoria dos leilões e pela invenção de novos formados de leilões", que permitiram leiloar bens e serviços difíceis de vender, anunciou em Estocolmo e Academia Real de Ciências da Suécia.

Seu trabalho deu resultado prático, beneficiou "compradores, vendedores, contribuintes, usuários e a sociedade como um todo", declarou Tommy Andersson, do comitê do Nobel. "Os projetos foram implementados no mundo todo para vender frequências de rádio, cotas de pesca e direitos de aterrissagem em aeroportos."

Ao receber a notícia, Wilson prometeu guardar sua metade do prêmio em dinheiro (5 milhões de coroas suecas = R$ 3,15 milhões) para a mulher e os filhos e confessou nunca ter participado de um leilão. Ele contribuiu para a reengenharia do sistema elétrico com suas tarifas multidimensionais.

Wilson concluiu que os compradores tendem a oferecer inicialmente menos do que o valor dos produtos ou serviços em leilão por medo de pagar caro demais, especialmente quando estão mal informados. O contrário é a chamada maldição do comprador, quando ele realmente paga mais do que o valor real

Milgrom se especializou no mercado de telecomunicações, de leilões de frequências do espectro eletromagnético, criou uma consultoria nesta área e também pesquisou os mercados de diamantes, madeira, gás natural e software. Concluiu que os compradores tendem a pagar menos no modelo britânico, que parte de um preço mínino, do que no holandês, onde o preço começa alto e pode cair.

Num mundo onde parte do faturamento do Google vem de leilões digitais e empresas como eBay universalizaram os leilões por objetos, seus estudos pioneiros ajudaram, por exemplo, governos a administrar melhor os leilões nos mercados de eletricidade, telecomunicações e petróleo.

A premiação deste ano consolida o domínio dos EUA no Prêmio Nobel de Economia. Dos 86 premiados até hoje, 45 eram americanos. Só duas mulheres ganharam até hoje: a americana Elinor Ostrom, em 2009, e a francesa Esther Duflos, em 2019, por seu trabalho no combate à pobreza e à desigualdade social.

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Duas mulheres ganham Nobel de Química por pesquisas sobre 'tesouras moleculares'

As geneticistas francesa Emmanuelle Charpentrier e americana Jennifer Doudna levaram o Prêmio Nobel de Química de 2020 por pesquisas sobre as chamadas tesouras moleculares, capazes de fazer edições precisas do DNA (ácido desoxirribonucleico) alterando o genoma, o conjunto de genes dos seres vivos. 

Seus estudos permitiram reescrever o "código da vida", o que "contribui para o desenvolvimento de novas terapias contra o câncer e pode tornar realidade o sonho de curar doenças hereditárias", anunciou hoje em Estocolmo a Academia Real de Ciências da Suécia.

"Estou na Lua. Estou chocada", reagiu a Drª Doudna, bioquímica e professora da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos. Há oito anos, ela e a Drª Charpentrier, hoje diretora da Unidade do Instituto Max Planck para a Ciência dos Patógenes, em Berlim, na Alemanha, publicaram seu primeiro ensaio acadêmico sobre o sistema CRISPR-Cas9.

As CRISPR (Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas) são um mecanismo de defesa natural de bactérias. Quem deu esse nome foi Francisco Mojica, microbiólogo da Universidade de Alicante, na Espanha, em 2000. Cas9 é uma proteína associada, uma enzima que fatia o material genético.

Leia mais em Quarentena News.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Origem do Universo e exoplaneta dão Prêmio Nobel de Física de 2019

Por seus estudos sobre a origem e a evolução do Universo, o cosmólogo canadense naturalizado americano James Peebles, professor da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, vai dividir o Prêmio Nobel de Física deste ano com dois astrônomos suíços, Michael Mayor e Didier Queloz, da Universidade de Genebra, na Suíça. 

Em 1995, eles descobriram o primeiro exoplaneta, de fora do Sistema Solar, orbitando ao redor de uma estrela semelhante ao Sol. O anúncio foi feito esta manhã em Estocolmo pela Academia Real de Ciências da Suécia.

"Os três ganhadores transformaram nossas ideias sobre o Universo", declarou em nota o Comitê do Nobel. "Enquanto as descobertas teóricas de Peebles contribuíram para entender a evolução do Universo depois do Big Bang, Mayor e Queloz exploraram nossa vizinhança cósmica em busca de planetas desconhecidos. Suas descobertas mudaram para sempre nossa concepção de mundo."

Peebles estuda o universo há 55 anos, quando as hipóteses sobre sua origem eram conjeturas: "Havia alguns indícios, mas eram esparsos, escassos e insuficientes para me convencer de que eu tinha a impressão geral correta."

O modelo teórico do Big Bang descreve o Universo a partir de uma grande explosão que teria ocorrido há 13,8 bilhões de anos quando o cosmo se tornou suficientemente quente e denso para permitir a formação de átomos de hidrogênio e hélio. Desde então, ele se expande e se torna mais frio.

Quase 400 mil anos depois, com o Universo mais transparente, os raios de luz conseguiram atravessar o espaço. Parte desta radiação ainda é detectável e revela segredos estudados por Peebles. Ele conclui que apenas 5% do Universo são conhecidos, são a matéria que forma astros, estrelas e todas as formas de vida. Os outros 95% são matéria escura (antimatéria) e energia escura, que a ciência ainda não entende.

"Espero que sejamos surpreendidos pela matéria escura", declarou Peebles em entrevista citada pelo Nobel. "Não posso dizer como será descoberta. Ela vai aparecer. Não sabemos para onde olhar para procurá-la. Todos esses lindos experimentos precisam escolher uma direção. (...) Podem estar olhando para o lugar errado."

Mayor e Queloz descobriram o primeiro exoplaneta, batizado de 51 Pegasi b, no Observatório de Alta Provença, no Sul da França, em 1995. É uma bola gasosa comparável a Júpiter, o maior planeta do sistema solar da Terra. Leva apenas quatro dias para completar a órbita ao redor de sua estrela, que esquenta o exoplaneta a uma temperatura de mil graus centígrados.

Desde então, os astrônomos descobriram quase 4 mil exoplanetas na Via Láctea, a galáxia onde fica a Terra. A grande expectativa dos cientistas é se alguma forma de vida se desenvolveu nestes planetas.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Nobel de Economia premia atualização da análise macroeconômica

Os professores americanos William Nordhaus, da Universidade de Yale, e Paul Romer, da Universidade de Nova York e ex-vice-presidente do Banco Mundial, foram agraciados hoje com o Prêmio Nobel de Economia de 2018 pela Academia Real de Ciências da Suécia. 

Nordhaus, de 77 anos, dividiu o prêmio por "integrar a mudança climática na análise macroeconômica de longo prazo" e Romer, de 62 anos, por "integrar inovações tecnológicas na análise macroeconômica de longo prazo".

Os dois desenvolveram suas pesquisas independentemente, "ampliando o alcance da análise econômica" com a criação de modelos usados para estudar mudanças de longo prazo e sua implicações políticas.

"William Nordhaus e Paul Romer criaram métodos para enfrentar algumas das questões mais básicas e urgentes sobre como criar crescimento econômico sustentado e sustentável", declarou o comitê do Nobel.

Pioneiro no estudo da economia ambiental desde os anos 1970s, o professor Nordhaus foi o primeiro a criar, nos anos 1990s, um modelo que "descreve a interação global entre a economia e o clima". Usando ideias da física, da química e da economia, explora os possíveis efeitos das intervenções políticas para tentar controlar o aquecimento global.

A cobrança de impostos sobre as emissões de gases carbônicos para combater a mudança do clima é uma proposta de Nordhaus, aplicada hoje em larga escala na Europa.

Romer, de 62 anos, formulou métodos para analisar o crescimento econômico a longo prazo e sobre as condições de mercado necessárias para promover inovações tecnológicas. Seu trabalho mais importante, publicado em 1990, lançou as bases da "teoria do crescimento endógeno".

Esta teoria mostra que o desenvolvimento tecnológico é impulsionado por políticas que promovam o crescimento, a educação e a pesquisa. Destaca a importância de investir em países e ideias para acelerar o crescimento, quando a maioria dos economistas acreditava que era impossível aumentar o ritmo da inovação tecnológica.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Dois americanos e um britânico ganham Prêmio Nobel de Química

A engenheira química e bioquímica americana Frances Arnold, professora do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), em Pasadena, na Califórnia, nos Estados Unidos, ganhou hoje a metade do Prêmio Nobel de Química de 2018. O químico americano George Smith, professor da Universidade do Missouri em Colúmbia, e o bioquímico britânico Gregory Winter, professor da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, dividiram a outra metade.

Os três cientistas domesticaram a evolução para criar proteínas. Eles levaram as mutações para os laboratórios e tubos, acelerando o processo para multiplicar as mutações das moléculas e selecioná-las, num processo de evolução dirigida. Isso permitiu o desenvolvimento de novos medicamentos, declarou a Academia Real de Ciências da Suécia ao anunciar a premiação hoje de manhã em Estocolmo.

Arnold, de 62 anos, é a quinta mulher a ganhar o Nobel de Química e a primeira desde 2009. Foi agraciada "pela evolução dirigida de enzimas", proteínas que catalisam reações químicas.

Smith, de 77 anos, desenvolveu em 1985 um mecanismo para usar um vírus que infecta bactérias para gerar novas proteínas.

Winter, de 67 anos, usou esse processo na evolução dirigida de anticorpos. Isso levou à produção de novos medicamentos.

O primeiro medicamento criado desta forma, o o adalimumab, surgiu em 2002. É usado no tratamento de doenças autoimunes, psoríase e artrite reumatoide, para neutralizar toxinas e até mesmo para curar curar metástases de câncer.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Americano e japonês dividem Prêmio Nobel de Medicina de 2018

Os professores James Allison, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, e Tasuku Honjo, da Universidade de Quioto, no Japão, ganharam hoje o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia por pesquisas sobre tratamento do câncer em que o próprio sistema imunológico do doente ataca os tumores e células cancerosas.

Suas descobertas revelaram que o próprio sistema imunológico pode atacar os tumores. De acordo com o Instituto Karolinska da Academia Real de Ciências da Suécia, os imunologistas "mostraram como diferentes estratégias para inibir os freios do sistema imunológico podem ser usadas no tratamento do câncer".

No Twitter, a academia sueca declarou que "o câncer mata milhões de pessoas por ano e é um dos maiores desafios de saúde da humanidade. Ao estimular a habilidade do nosso sistema imunológico para atacar células cancerosas, os laureados do Prêmio Nobel deste ano estabeleceram um princípio inteiramente novo para o tratamento do câncer."

O sistema imunológico, encarregado da defesa do organismo, é capaz de reconhecer as células cancerosas, mas os linfócitos citotóxicos T, glóbulos brancos especializados, não conseguem destruí-las porque o ambiente tumoral desregula o mecanismo de ativação dos linfócitos T, impedindo-os de avançar até o tumor e atacá-lo.

Esta ação inibidora do sistema imunológico se deve a uma proteína chamada CTLA-4.

Em 2004, as primeiras experiências, realizadas com pacientes com melanoma, o câncer de pele, mostrou que com anticorpos contra a CTLA-4, os ataques dos linfócitos T às células cancerígenas voltaram a ser eficazes. Isso aumentou as chances de sobrevivência e fez até mesmo recuar metástases do melanoma.

A mesma terapia foi usada em outros tipos de cânceres.

Enquanto Allison pesquisava os anticorpos anti-CTLA-4 e o melanoma, Honjo descobriu paralelamente o papel inibidor de uma proteína presente no sistema imunológico, mas de outro mecanismo regulador.

O pesquisador japonês examinou a proteína PD-L1, presente em células tumorais, que se liga ao receptor PD-1 levado pelos linfócitos T. Assim, bloqueia o mecanismo de morte programada, que permite a destruição das células doentes.

As moléculas anti-PD-1 e anti-PD-L1 permitem suspender a desativação dos linfócitos T, que assim conseguem exercer sua função de defesa do organismo.

No ano passado, o Nobel de Medicina foi dado a três geneticistas americanos que estudaram o relógio biológico que adapta o corpo ao ciclo do dia e da noite.

Amanhã, será anunciada a premiação do Nobel de Física. Na quarta-feira, sai o Nobel de Química. Na sexta-feira, o comitê norueguês do Nobel anuncia o ganhador do Prêmio da Paz. O Nobel de Economia sai na próxima segunda-feira.

Neste ano, não haverá Prêmio Nobel de Literatura porque um escândalo sexual provocou a demissão de parte do comitê responsável.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Economia comportamental dá Nobel a americano Richard Thaler

Se alguém prometer uma maçã hoje e duas amanhã, o lógico seria esperar até amanhã para ter o dobro da recompensa. Mas sempre existe o risco de que amanhã não haja coisa alguma. A ciência econômica parte do princípio de que as decisões humanas são racionais. Nem sempre é assim. Os seres humanos geralmente preferem a gratificação imediata.

A relação entre economia e psicologia, a economia comportamental, deu hoje o Prêmio Nobel da Paz ao americano Richard Thaler, de 72 anos professor da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos.

"Richard Thaler incorporou hipóteses psicologicamente realistas na análise das tomadas de decisões", declarou a Academia Real de Ciências da Suécia ao anunciar a premiação. Seus estudos "permitiram construir uma ponte entre a economia e a análise psicológica das decisões dos indivíduos".

Às vezes, basta um empurrãozinho. Na Áustria, por lei, todos são doadores de órgãos, a não ser que expressem claramente a intenção de não doar; 99% dos austríacos são doadores de órgãos. Na Alemanha, onde as pessoas têm de declarar se pretendem ser doadores, só 23% fazem isso.

Nos livros Nudge, publicado no Brasil como Nudge: o empurrão para a escolha cerca, e Comportando-se Mal, Thaler defende uma intervenção sutil em mercados ineficientes, contrariando a doutrina neoliberal, que argumenta que os mercados são eficientes em si mesmos e devem ser deixados livres da ação governamental. Sua conclusão: o mercado é tão irracional quanto o homem.

Em entrevista ao jornal The New York Times, Thaler afirmou que, "para fazer boa economia, é preciso ter em mente que as pessoas são humanas. A lição mais importante é que os agentes econômicos são seres humanos e os modelos econômicos têm de incluir isso".

À Academia da Suécia, quando perguntaram o que faria com o US$ 1,1 milhão do prêmio (R$ 3,45 milhões), ele disse: "Tentarei gastar da maneira mais irracional possível."

O Nobel de Economia não fazia parte do grupo original de prêmios em homenagem a Alfred Nobel. Oficialmente, chama-se Prêmio do Banco da Suécia em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Três cientistas ganham Nobel de Química por microscopia eletrônica

Três cientistas europeus, o suíço Jacques Dubochet, da Universidade de Lausanne, na Suíça; o britânico Richard Henderson, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra; e o alemão naturalizado americano Joachim Franck, da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos; ganharam o Prêmio Nobel de Química de 2017 por "desenvolverem a microscopia crioeletrônica" para produzir imagens de moléculas em três dimensões e alta definição, anunciou hoje em Estocolmo a Academia Real de Ciências da Suécia.

De acordo com o Comitê do Nobel, durante muito tempo os microscópios eletrônicos serviam apenas para examinar matéria morta. O feixe de elétrons disparado para produzir a imagem e o vácuo necessário para funcionar destruíam qualquer material biológico.

Entre 1975 e 1986, Franck desenvolveu um método de processamento da imagem fundindo duas imagens bidimensionais para produzir uma imagem em três dimensões.

Dubochet acrescentou água ao microscópio eletrônico para permitir a sobrevivência de matéria viva diante do vácuo e do bombardeio com feixes de elétrons. Antes, o líquido evaporava no vácuo, destruindo as moléculas biológicas.

No início dos anos 1980s, ele chegou a uma técnica de vitrificação da água, congelada tão rapidamente que se solidifica em estado líquido ao redor de uma mostra biológica que assim mantém a estrutura molecular em sua forma natural.

Em 1990, Henderson conseguiu gerar uma imagem tridimensional de uma proteína com resolução a nível atômico e até mesmo a posição individual de átomos.

"Logo, não havia mais segredos", declarou Sara Snogerup Linse, presidente do Comitê do Prêmio Nobel de Química. "Agora, podemos ver os intrincados detalhes das biomoléculas em cada canto de nossas células e cada gota dos fluidos do corpo. Estamos vivendo uma revolução bioquímica."

Assim, nos últimos anos, com outros aperfeiçoamentos nos microscópios eletrônicos, os pesquisadores conseguem visualizar as estruturas tridimensionais das biomoléculas, de proteínas resistentes a antibióticos ao vírus da zika. A justaposição de várias fotografias permite fazer filmes mostrando a interação entre as moléculas.

"No futuro, seremos capazes de ver os processos, o que está acontecendo dentro das células, como as moléculas interagem, como se movem, o que fazem", observou Peter Brzezinski, outro membro do Comitê do Nobel de Química.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Americanos levam Nobel de Medicina por decifrar relógio biológico

Três cientistas dos Estados Unidos, Jeffrey Hall, da Universidade do Maine; Michael Rosbash, da Universidade Brandeis; e Michael Young, da Universidade Rockefeller; ganharam o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2017 por descobertas sobre os mecanismos moleculares que controlam o chamado relógio biológico. 

Suas pesquisas ajudaram a entender como as plantas, os animais e os homens se adaptam ao movimento de rotação da Terra, que produz o dia e a noite, anunciou hoje em Estocolmo o Comitê do Prêmio Nobel do Instituto Karolinska, da Academia de Ciências da Suécia.

O foco principal era entender como funcionam os ritmos circadianos. Circadiano significa "ao redor do dia". Esses ritmos permitem que as células e os organismos se adaptem para melhorar o rendimento de acordo com a hora.

"Com uma precisão sofisticada, nosso relógio interno adapta nossa fisiologia às fases dia dramaticamente diferentes", observou o Comitê do Nobel. "O relógio regula funções críticas como comportamento, níveis hormonais, sono, temperatura do corpo e metabolismo."

As pesquisas sobre o relógio biológico são usadas no tratamento de distúrbios do sono, diabetes, hipertensão, obesidade, colesterol elevado e falta de memória, entre outros problemas de saúde.

Ao examinar moscas de frutas da espécie Drosophila melanogaster, Hall e Rosbash descobriram o gene período, que permite a acumulação de uma proteína nas células durante a noite e seu consumo durante o dia. Este gene produz o Ácido Ribonucleico mensageiro (RNAm), responsável pela fabricação da proteína PER.

Com o acúmulo desta proteína, a produção do RNAm é inibida. Outras proteínas ajudam a regular o ciclo de vida com a rotação da Terra ao redor de si mesma a cada 24 horas.

Young descobriu como outro gene do relógio biológico, o gene atemporal, gera a proteína TIM, que se associa à proteína PER para penetrar no núcleo da célula e inibir a atividade do gene período. Ele descobriu ainda o gene templo duplo, que faz a proteína DBT, que também contribui diretamente para degradar a PER.

Os ganhadores vão dividir o prêmio de 9 milhões de coroas suecas, cerca de US$ 1,1 milhão ou R$ 3,477 milhões.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Britânicos ganham Nobel de Física por estudo de estados da matéria

Três cientistas britânicos que trabalham nos Estados Unidos, David Thouless, Duncan Haldane e Michael Kosterlitz, foram agraciados hoje com o Prêmio Nobel de Física por descobertas sobre estados incomuns da matéria capazes de levar ao desenvolvimento de novos materiais com propriedades especiais.

Com modelos matemáticos avançados, eles examinaram estados exóticos da matéria como supercondução de eletricidade, superfluidos e películas magnéticas finas.

Ao fazer o anúncio, o Instituto Karolinska, da Academia Real de Ciências da Suécia, atribuiu a premiação a "descobertas teóricas sobre transições de fases topológicas e fases topológicas da matéria. Graças a seu trabalho pioneiro, segue a busca por novas fases incomuns da matéria. Muita gente tem esperança de futuras aplicações destas descobertas em ciência dos materiais e eletrônica."

A metade do prêmio de 8 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 3 milhões, ficará com Thouless, da Universidade de Washington. Haldane, da Universidade de Princeton, e Kosterlitz, da Universidade Brown, dividem o resto.

No início dos anos 1970s, Kosterlitz e Thouless "demonstraram que a supercondutividade pode correr a baixas temperaturas e também explicaram o mecanismo, a transição de fase, que faz a supercondutividade desaparecer a altas temperaturas", declarou o comitê do Nobel.

A transição de fase é a mudança de estado da matéria. Os estados comuns são sólido, líquido e gasoso. Em temperaturas extremas, muito quentes ou muito frias, a matéria pode se alterar e assumir estados exóticos.

Na década seguinte, Thouless descobriu que as maneiras pelas quais a condutividade pode ser medida são topológicas por natureza e Haldane como os conceitos topológicos podem ser usados para entender as propriedades de cadeias de pequenos ímãs encontrados em alguns materiais.

A topologia é um ramo sofisticado da matemática. Estuda propriedade de figuras geométricas que não variam quando estas figuras sofrem deformações. Com a topologia, eles explicaram por que a condução de eletricidade em camadas muito finas só muda gradualmente.

Kosterlitz e Thouless investigaram o comportamento da eletricidade na superfície de camadas muito finas que os físicos chamam de "materiais bidimensionais". Haldane estudou fios tão finos que podem ser considerados unidimensionais.

O Prêmio Nobel de Física é o segundo anunciado este ano. Ontem, o japonês Yoshinori Ohsumi ganhou o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia por estudos sobre autofagia celular. Amanhã, será divulgado o vencedor do Prêmio Nobel de Química. Na sexta-feira, sai o ganhador do Prêmio Nobel da Paz. Na segunda-feira, será a vez do Prêmio Nobel de Economia. Na quinta-feira da próxima semana, será o dia do Prêmio Nobel de Literatura.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Três americanos dividem Prêmio Nobel de Economia

Os americanos Eugene Fama, Lars Peter Hansen e Robert Shiller ganharam hoje o Prêmio Nobel de Economia de 2013 por suas "análises empíricas dos preços dos ativos", anunciou hoje em Estocolmo a Academia Real de Ciências da Suécia. Os dois primeiros são da Universidade de Chicago e o terceiro da Universidade de Yale. Eles vão dividir US$ 1,23 milhão.

A questão central para os três era entender o que determina o preço de um ativo, sejam ações, bônus ou imóveis.

Fama, de 74 anos, defendia a "hipótese da eficiência dos mercados", que pressupõe que o mercado incorpore ao preço todas as informações disponíveis sobre o valor do ativo. Ele desconfia assim da capacidade de prever o futuro com base em dados do passado. As mudanças imprevistas se devem a novas realidades.

Shiller, de 67 anos, entende que os mercados são impulsionados por sensações psicológicas de seres humanos e por isso sujeitos a distorções de preços. É um adepto da chamada "economia comportamental", que alega que os agentes do mercado nem sempre agem racionalmente, mas são movidos por impulsos. Ele criou o índice Case-Shiller, que mede a evolução dos preços dos imóveis.

Hansen, de 60 anos, aproveitou o trabalho de Shiller para usar novos métodos estatísticos para testar o que exatamente causa a volatilidade nos mercados financeiros, atribuindo-as ao maior ou menor apetite por risco. Em tempos difíceis, os investidores estão menos dispostos a aceitar riscos.

Ao distribuir o prêmio entre os três, a Academia da Suécia tenta de certa forma harmonizar as diferentes posições. Elas levam à conclusão de que as variações dos preços dos ativos a curto prazo se devem a fatores casuais e imprevisíveis, mas a psicologia humana podem ocasionar distorções em prazos mais longos.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Três americanos ganham o Nobel de Química

Os pesquisadores Martin Karplus, da Universidade de Harvard, Michael Levitt, da Universidade de Stanford, e Arieh Warshel, da Universidade do Sul da Califórnia, ganharam hoje da Academia Real de Ciências da Suécia o Prêmio Nobel de Química de 2013 por terem desenvolvido nos anos 1970s "modelos de computador para entender processos químicos complexos".

Todos são judeus e têm cidadania americana, mas nenhum nasceu nos Estados Unidos. Karplus fugiu da Áustria durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial. Levitt nasceu em Pretória, na África do Sul. Warshel nasceu em Israel e lutou nas guerras árabe-israelenses de 1967 e 1973.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Bóson de Higgs dá Nobel de Física a belga e inglês

O cientista belga François Englert, um judeu sobrevivente do Holocausto, e o britânico Peter Higgs ganharam hoje da Academia Real de Ciências da Suécia o Prêmio Nobel de Física pelas "descobertas teóricas de um mecanismo que contribui para nosso entendimento da origem da massa das partículas subatômicas". O bóson de Higgs, a chamada "partícula de Deus", seria fundamental para a aglutinação das partículas subatômicas para formar a matéria.

Como jovem cientista, Higgs ficou fascinado pela física subatômica e tentou entender como a matéria se forma. Em 1964, ele formulou a tese de que uma partícula agiria como uma amálgama nessa construção.

Só em julho de 2012, em experiência no grande Colisor de Hadrons, o acelerador de partículas instalado pelo Centor Europeu de Pesquisas Nucleares na fronteira entre a França e a Suíça, os físicos finalmente comprovaram a tese de Higgs.