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quinta-feira, 12 de março de 2015

Dois policiais são baleados em protesto antirracista nos EUA

A violência voltou a explodir ontem na cidade de Ferguson, no estado de Missouri, seis meses depois da morte de um jovem negro desarmado pela polícia. Dois policiais foram baleados num protesto diante da delegacia da polícia local e hospitalizados, mas já tiveram alta, informou o jornal The Washington Post. O comando de policiamento da Grande São Luís declarou que eles foram alvo de uma emboscada.

Em novembro de 2014, um júri local decidiu não processar o policial Darren Wilson, que matou Michael Brown. Agora, o Departamento da Justiça dos Estados Unidos resolveu não denunciar o agente por crimes federais, mas divulgou um relatório denunciando atitudes racistas da polícia em Ferguson. Isso deflagrou uma nova onda de protestos.

Horas antes da manifestações, o chefe de polícia de Ferguson, Thomas Jackson, pediu demissão por causa das acusações do governo federal.

Hoje a família de Brown condenou o ataque aos policiais: "Rejeitamos qualquer tipo de violência dirigida aos agentes da lei. Ela não pode e não será tolerada. Denunciamos especificamente as ações de agitadores individualistas que tentam perturbar um movimento pacífico e não violento que emergiu através da nação para confrontar a brutalidade policial e avançar a causa da igualdade de todos perante a lei."

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Novo caso de racismo institucional gera tensão nos EUA

Quando um tribunal do júri do condado de São Luís, no estado do Missouri, decidiu na semana passada não processar criminalmente o policial branco Darren Wilson, que matara Michael Brown, um jovem negro desarmado, em 3 de agosto de 2014, a revista inglesa The Economist afirmou que os Estados Unidos haviam mudado e que isso não se repetiria numa grande cidade. Mas aconteceu em Nova York.

Ontem, um júri popular do aristocrático bairro de Staten Island decidiu não denunciar criminalmente o policial Daniel Pantaleo, que sufocou com um golpe de luta chamado de gravata Eric Garner, um negro asmático de 43 anos que tinha cometido um crime menor: vender cigarros avulsos sem pagar imposto.

Se Brown era suspeito de roubar cigarros e ameaçar um policial que alegou ter agido em legítima defesa, Garner estava cercado e imobilizado por seis policiais.

Nos dois casos, os parentes e amigos das vítimas esperavam que os policiais fossem ao menos levados a um julgamento público. O Departamento da Justiça está examinando os casos para ver se houve crimes federais.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Júri não denuncia policial branco que matou jovem negro nos EUA

CAMBRIDGE-MA, EUA - Uma multidão protesta nas ruas da cidade de Ferguson, no estado do Missouri, na madrugada desta terça-feira depois do anúncio de uma decisão do júri popular de não processar criminalmente o policial branco Darren Wilson, que matou em 9 de agosto de 2014 o jovem negro Michael Brown, que estava desarmado, deflagrando manifestações violentas na época, retomadas agora.

Pelo menos dois carros da polícia, outros veículos e 24 lojas foram incendiadas, outras depredadas e saqueadas, 150 tiros foram disparados e policiais atacados com pedras e garrafas. A polícia reagiu com bombas de gás lacrimogênio e prendeu 61 manifestantes.

Também há protestos em Nova York, Los Angeles, Oakland, Miami Beach e na Filadélfia. A família de Brown expressou "profundo descontentamento", mas condenou a violência.

Ao anunciar a decisão, o procurador do condado de São Luís, a principal cidade do Missouri, Robert McCulloch, no cargo desde 1991, deixou claro seu apoio ao júri popular, levando os repórteres a supor que tenha aconselhado seus promotores a não processor o policial. Nos EUA, juízes e procuradores são eleitos pelo voto popular. MacCulloch é do Partido Democrata,

Brown, de 18 anos, era suspeito de roubar uma loja quando foi interpelado pela polícia. Testemunhas contam que Brown discutiu com Wilson quando este estava dentro do carro da polícia. Algumas versões dizem que Wilson tentou puxar Brown para dentro da viatura, enquanto outros afirmam que ele tentou tomar o revólver do policial.

O agente deu um tiro de advertência. Neste momento, Brown teria se virado e, de acordo com a defesa, avançado ameaçadoramente em direção ao policial. Isso justificaria a alegação de que Wilson agiu em legítima defesa. Outras fontes disseram que o jovem foi assassinado depois de levantar as mãos para se render. A polícia só divulgou o nome do agente seis dias depois.

Todas essas controvérsias deveriam ser objeto de um processo criminal onde o policial teria chance de provar sua inocência. O júri de 12 pessoas, sendo nove brancas, preferiu não denunciar Wilson. Isso foi considerado inaceitável pela comunidade negra da Grande São Luís, que se sentiu discriminada.

Em pronunciamento na televisão, o presidente Barack Obama pediu calma, argumentando que a depredação e a violência não são meios adequados para manifestar o descontentamento. A senadora estadual Maria Chappelle-Nadal declarou à televisão MSNBC que a decisão foi mais um sinal do "racismo institucionalizado no governo estadual do Missouri".

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Missouri decreta emergência antes de decisão sobre morte de negro

CAMBRIDGE-MA, EUA - O governador Jay Nixon decretou ontem estado de emergência durante 30 dias no estado do Missouri para tentar evitar distúrbios quando sair a decisão do júri de processar ou não por homicídio o policial responsável pela morte do jovem negro Michael Brown na cidade de Ferguson, na Grande Saint Louis.

Sob protestos dos manifestantes, o governador, do Partido Democrata, mobilizou as polícias municipais e estaduais e a Guarda Nacional para manter a ordem e proteger propriedades públicas e privadas de possíveis atos violentos de protesto como os ocorridos em agosto.

A senadora estadual democrata Marie-Chapelle Nadal criticou Nixon: "Eu não sei o que o governador está pensando. Cada vez que fala incita a população."

Já o prefeito de Saint Louis, Francis Slay, apoiou o governador: "Não podemos esperar a decisão para colocar a polícia na rua."

Brown, de 18 anos, estava desarmado quando foi morto pelo policial branco Darren Wilson, em Ferguson em 9 de agosto de 2014. Foi mais um caso de uma comunidade maioritariamente negra patrulhada por uma polícia predominantemente branca que terminou em tragédia.

No fim de semana, manifestantes se deitaram no chão como se estivessem mortos numa cena de crime. As imagens do circuito interno da TV do hospital onde Wilson foi atendido não revelam os supostos ferimentos no rosto que comprovariam a agressividade do jovem assassinado.

"Está fazendo -1ºC e estamos na rua em grande número", declarou Derek Lane ao jornal The Wall St. Journal diante do tribunal da cidade de Clayton, no Missouri, onde o júri está reunido há semanas. "As pessoas estão ficando mais comprometidas e mais determinadas."