domingo, 20 de maio de 2018

Oposição da Venezuela denuncia coação na eleição presidencial

Na mais escandalosa fraude eleitoral desde a redemocratização da América Latina no fim da Guerra Fria, o ditador Nicolás Maduro armou uma farsa para desgovernar a Venezuela por mais seis anos. O regime chavista vetou os principais candidatos da oposição, antecipou a data da eleição presidencial e botou Maduro dez vezes na cédula de votação.

Hoje a ditadura exigiu que os eleitores provassem sua lealdade ao regime chavista para continuar recebendo benefícios sociais em meio à pior crise econômica da história contemporânea da América Latina, denunciou a oposição consentida, citada pelo jornal Tal Cual.

O governo proibiu a presença de jornalistas nas zonas de votação para evitar a divulgação de imagens de lugares vazios. As fotos dos jornais da Venezuela mostram zonas eleitorais vazias e até mesmo um mesário dormindo. As seções eleitorais ficaram abertas além da hora, mas tudo indica que o boicote defendido pela oposição deu resultado.

Como parte da farsa, numa cena patética, o próprio ditador foi filmado acenando para uma multidão inexiste na saída de sua seção eleitoral, revelou o jornal El Nacional.

Os principais candidatos da oposição seriam:
• o ex-governador Henrique Capriles, derrotado nas duas últimas eleições presidenciais e banido da vida pública por 15 anos em 2017;
• Leopoldo López, preso desde 2014, hoje em prisão domiciliar, foi condenado a 13 anos e 9 meses de prisão pela acusação de incitar à violência que causou 43 mortes durante manifestações de protesto; e
• Freddy Guevara, o vereador mais votado da história da Venezuela, hoje deputado da Assembleia Nacional eleita democraticamente, também acusado de instigar a violência, está refugiado na Embaixada do Chile em Caracas.

Outro líder político importante, o ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma fugiu da prisão domiciliar em 17 de novembro de 2017, foi para a Colômbia e se exilou na Espanha, onde mantém a luta pela democracia na Venezuela.

Mesmo assim, há pesquisas indicando a vitória do dissidente chavista Henri Falcón, que denunciou a coação em massa do eleitorado, junto com o outro candidato de oposição, o pastor evangélico Javier Bertussi.

Perto dos locais de votação foram instalados os chamados Pontos Vermelhos. Sob toldos vermelhos, funcionários públicos e militantes chavistas escaneavam os carnês da pátria dos eleitores, usados para ter acesso aos programas sociais. Quem votar hoje terá direito a um "bônus" no valor equivalente a oito dólares.

Para ganhar benefícios neste valor, o eleitor precisava fotografar o voto e enviar via Internet para um endereço indicado. Dentro das cabines de votação, agentes do governo "orientavam" os eleitores sobre como votar em Maduro para não perder as vantagens.

Os Estados Unidos, a União Europeia, o Parlamento Europeu, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Grupo de Lima, do qual o Brasil faz parte, não vão reconhecer o resultado da eleição na Venezuela.

Em várias cidades do mundo, como Bogotá, Miami e Madri, venezuelanos no exílio denunciaram a farsa eleitoral madurista, noticiou o jornal venezuelano La Patilla. Cerca de 300 pessoas se concentraram diante do Consulado da Venezuela em Miami, onde vive a maior comunidade venezuelana nos Estados Unidos.

"Não há saída eleitoral. Nós, venezuelanos, não podemos sozinhos", afirmou o ex-prefeito de Chacao Ramón Muchacho, para em seguida pedir intervenção humanitária para salvar vidas." A multidão, em coro, pediu "intervenção militar". Até o meio da tarde, só oito dos 19 mil venezuelanos registrados haviam votado em Miami.

sábado, 19 de maio de 2018

China rejeita exigência dos EUA para redução do saldo comercial

Depois do início de negociações para evitar uma guerra comercial catastrófica para a economia mundial, os Estados Unidos e a China divulgaram hoje um comunicado conjunto declarando que os chineses vão "aumentar significativamente" as compras de produtos e serviços americanos. O conflito está adiado, mas a China não se comprometeu com a redução de US$ 200 bilhões exigida pelo governo Donald Trump.

A declaração saiu no fim de uma negociação de alto nível, com a participação do vice-primeiro-ministro chinês Liu He. O diálogo vai continuar. Trump quer a diminuição do saldo comercial chinês, que no ano passado chegou a US$ 375 bilhões.

Para pressionar a segunda maior economia do mundo, Trump ameaçou impor tarifas de importação sobre produtos chineses num total de US$ 150 bilhões, além de restrição de investimentos em setores estratégicos. A China prometeu reciprocidade e planejou impor tarifas, especialmente sobre produtos agrícolas de estados onde o presidente americano ganhou a eleição em 2016.

Desde o fim da Guerra Fria, os EUA eram a única superpotência econômica e militar. O extraordinário desenvolvimento chinês criou um rival capaz de superá-los. Entre outras questões, as tarifas e restrições de Trump visam a dificultar o desenvolvimento tecnológico da China, necessário para equilibrar o poderio militar das duas superpotências do século 21.

Ao entrar na Organização Mundial do Comércio OMC), em 2001, com o apoio dos EUA, a China deslanchou seu potencial econômico, ampliando o acesso ao mercado internacional e a seu mercado interno, de 1,25 bilhão na época e de 1,4 milhão de pessoas hoje.

Na realidade, a China volta a ocupar a posição de maior potência econômica e militar da Ásia, o antigo Império do Centro, que começou a desabar com a derrota para o Império Britânico nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60). O Projeto Maddison de Estatísticas Históricas da Universidade de Groningen, na Holanda, estima que a China fosse responsável por um terço da economia mundial 200 anos atrás.

O imperialismo ocidental e a industrialização da Europa e da América do Norte tiraram a China de sua posição de preeminência. Um objetivo central da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung, que chegou ao poder em 1949, era acabar com a humilhação histórica a que o país foi submetido pelas potências ocidentais.

Com as reformas econômicas lançadas por Deng Xiaoping, em 1978, depois da caótica Revolução Cultural (1966-76) do maoísmo, a China cresceu durante 30 anos a taxas em torno de 10%, no mais rápido e extraordinário desenvolvimento econômico da história, para retomar seu lugar.

China leva bombardeiros estratégicos para o Mar do Sul da China

Em mais uma reafirmação de seu crescente poderio militar, pela primeira vez, um bombardeiro estratégico de longo alcance da China pousou numa pista de pouso construída em ilhas artificiais no Mar do Sul da China, que o regime comunista chinês disputa com seis países vizinhos, noticiou o jornal oficial Diário da China. O avião com capacidade nuclear foi participar de uma manobra militar na região disputada.

A China reivindica 90% da superfície do Mar do Sul da China com base num antigo mapa, rejeitado pelo Tribunal Internacional de Justiça das Nações Unidas, com sede em Haia, na Holanda, em 12 de julho de 2016, numa questão levantada pelas Filipinas. O governo chinês ignorou a decisão.

O treinamento com o bombardeiro H-6K deixa claro que a ditadura chinesa está pronta para intimidar os países vizinhos, no caso Brunei, Filipinas, Indonésia, Malásia, Taiwan e Vietnã, e se necessário usar a força para afirmar sua reivindicação de soberania sobre o Mar do Sul da China.

É uma disputa sobre ilhotas, atóis e recifes em águas por onde passam um terço do comércio marítimo mundial e 39% do comércio exterior chinês, com grande potencial pesqueiro, jazidas de petróleo e gás natural.

Os Estados Unidos acusam a China de militarizar a região para se impor pela força. Cruzam o mar com seus navios de guerra para destacar que são águas internacionais abertas à livre navegação. Como os EUA não devem entrar em guerra com a China por causa do Mar do Sul da China, a demonstração de força de Beijim tem como alvo os vizinhos litigantes.

A China está desenvolvendo sua Marinha de guerra para neutralizar a superioridade militar dos EUA na Ásia. Transformou ilhotas, atóis e recifes em sete ilhas artificiais no arquipélago das Ilhas Spratlys, onde instalou portos, aeroportos, quartéis, radares, hangares, búnqueres, equipamentos de telecomunicações e de guerra eletrônica.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Todos bispos chilenos pedem demissão em escândalo de pedofilia

Em um documento bombástico, o papa Francisco reconheceu o fracasso coletivo da Igreja Católica do Chile no combate à pedofilia, acobertando "númerosas situações de abuso de poder, abuso de autoridade e abusos sexuais". Os "documentos comprometedores" foram destruídos. Toda a cúpula da Igreja Católica chilena foi convocada para dar explicações no Vaticano e pediu demissão.

"Nós, todos os bispos presentes em Roma, entregamos nossos postos nas mãos do Santo Padre para que ele decida livremente" quem vai chefiar a Igreja chilena, declararam porta-vozes da Conferência Nacional dos Bispos do Chile. "Pedimos perdão pela dor causada às vítimas, ao papa, a Deus e a nosso país pelos graves erros e omissões que cometemos."

O texto, revelado ontem pela televisão chilena T13, se baseia num relatório não divulgado de 2,3 mil páginas redigido por dois investigadores nomeados pelo papa. Denuncia "a existência de gravíssimas negligências na proteção de vulneráveis de parte de bispos e superiores religiosos". Religiosos expulsos por "comportamentos imorais" foram acolhidos por outras dioceses, onde mantinham "contatos cotidianos diretos com menores".

As acusações de pedofilia foram consideradas "inverossímeis" quando apresentavam "graves indícios de delitos efetivos", além da "homossexualidade ativa" de religiosos, em flagrante violação às normas da Igreja.

"Seria irresponsável de nossa parte não escavar para encontrar as raízes e as estruturas que permitiram que esses acontecimentos se produzissem e fossem perpetuados", afirmou o papa Francisco.

Durante visita recente ao Chile, o papa atacou quem denunciava a pedofilia na Igreja, mas voltou atrás, reconheceu o erro e decidiu punir os responsáveis com rigor.

Ebola ameaça a República Democrática do Congo

O governo corrupto e ilegítimo da República Democrática do Congo luta para conter um surto de ebola. A doença hemorrágica, que pode levar à morte, chegou a uma grande cidade, Mbandaka, um porto com 1,2 milhão de habitantes, depois de matar várias pessoas em Bikoro, uma comunidade rural situada a 150 quilômetros de distância.

A Organização Mundial da Saúde pode declarar uma "emergência de saúde internacional" para facilitar o acesso de ajuda externa. Seus agentes identificaram 432 pessoas que tiveram contato com doentes. Até agora, foram diagnosticados 14 casos no país.

"Agora, estamos rastreando mais de 4 mil contatos dos pacientes, que se espalham por toda a região do Noroeste do Congo. Tiveram de ser seguidos e a única maneira de chegar onde estão é de motocicleta", declarou Peter Salama, porta-voz da OMS.

Na maior epidemia do vírus ebola, cerca de 11,3 mil pessoas morreram na Guiné, na Libéria e em Serra Leoa entre 2014 e 2016. Uma vacina ainda não aprovada totalmente foi usada com sucesso. Milhares de doses foram enviadas com urgência a Kinshasa. Desde 1978, houve oito surtos de ebola no Congo, com 811 mortes.

"Estamos entrando numa nova fase do surto de ebola, que agora atinge três regiões, inclusive uma em zona urbana", declarou o ministro da Saúde congolês, Ilunga Kalenga.

A RDC é um grande país de 2,3 milhões de quilômetros quadrados e 79 milhões de habitantes situado no coração da África, riquíssimo em recursos naturais, mas ao mesmo tempo pobre e miserável, com uma renda média de apenas US$ 476 por ano (177ª do mundo), e uma história trágica.

Já foi chamado de Congo Belga, Congo Oriental, Congo-Kinshasa, simplesmente Congo, ou Zaire, nome adotado pelo ditador Joseph Mobutu em 1971 e abandonado depois de sua queda, em 1997.

O país foi colonizado brutalmente por uma empresa privada a mando do rei Leopoldo II, da Bélgica, com métodos hoje considerados violações inaceitáveis dos direitos humanos beirando o genocídio. Essa história está contada no livro No Coração das Trevas, de Joseph Conrad. Em 1908, sob pressão do Império Britânico, a Bélgica assumiu a administração colonial.

Depois da independência, em 1960, a Bélgica apoiou uma rebelião secessionista na província de Katanga. Sem sucesso ao apelar aos Estados Unidos e às Nações Unidas para evitar a divisão do Congo, o primeiro-ministro Patrice Lumumba pediu ajuda à União Soviética. Assim, dividiu o Exército e ficou contra os EUA e a Bélgica.

Lumumba ficou apenas 12 semanas no poder. Um golpe militar liderado por Mobutu levou ao assassinato de Lumumba, em 17 de janeiro de 1961, numa conspiração organizada pela CIA (Agência Central de Inteligência), o serviço de espionagem dos EUA.

A guerra civil durou até 1964 e terminou com o poder absoluto de Mobutu, aliado dos EUA, da Europa Ocidental e da China na luta contra a influência da União Soviética na África durante a Guerra Fria.

O genocídio de 800 mil pessoas em Ruanda e a fuga da milícia assassina hutu Interahamwe para o Leste da RDC, em 1994, desestabilizou a região. Os baniamulengues do Congo são da mesma etnia dos tútsis e entraram em choque com os hutus.

Esse conflito levou Laurent Kabila sair do seu esconderijo nas Montanhas da Lua, onde estava desde que sua revolta, em que lutou Ernesto Che Guevara, fracassou, e marchar com o Exército de Ruanda até Kinshasa para derrubar Mobutu, em 1997.

A queda do ditador corrupto, com fortuna estimada entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões, deflagrou a chamada Primeira Guerra Mundial Africana, em que lutaram nove exércitos nacionais e 25 grupos armados irregulares.

Entre 1996 e 2008, estima-se que 5,4 milhões de pessoas morreram em combate, de fome ou de doenças causadas pela guerra civil congolesa. A ONU mantém no país sua maior missão de paz, com 17 mil soldados. Mas o país não tem estradas e infraestrutura que o una. As regiões são relativamente isoladas umas das outras.

Para agravar a situação, o presidente Joseph Kabila, que substituiu o pai, assassinado em 2001, não convocou até hoje as eleições presidencial e parlamentares previstas para 2016, sob a pretexto de que a comissão nacional eleitoral não poderia organizar o pleito antes de um novo censo da população.

Na prática, isso significou a prorrogação indefinida do que deveria ser o último mandato de Kabila, que perdeu toda legitimidade.

Quando o surto anterior de ebola chegou à Nigéria, o país mais populoso da África, a infraestrutura estatal e o sistema de saúde foram capazes de evitar uma epidemia. O teste será muito mais difícil para o Congo. A OMS espera que as lições da Guiné, da Libéria e de Serra Leoa ajudem a evitar mais uma tragédia congolesa.

Petróleo chega a US$ 80 o barril por problemas no Irã e na Venezuela

Com a economia mundial em crescimento, o aumento do consumo e a queda na produção por causa das sanções dos Estados Unidos ao Irã e do colapso da Venezuela, o preço do barril de petróleo do tipo Brent, padrão da Bolsa de Mercadorias de Londres, passou ontem de US$ 80, a maior cotação em quase quatro anos.

Desde o início do ano, os preços do petróleo cresceram mais de 40%. Só em maio, o barril aumentou US$ 5.

Em junho de 2014, o barril de petróleo custava US$ 110, depois de atingir o recorde de US$147,50 em julho de 2008, antes da crise financeira internacional deflagrada pela falência do banco Lehman Brothers, em 15 de setembro daquele ano.

Aí o preço começou a cair até ficar abaixo de US$ 30 no início de 2016, com uma demanda fraca e o aumento da oferta com a produção de óleo de xisto betuminoso nos Estados Unidos, que devem voltar a ser os maiores produtores mundiais, superando a Rússia e a Arábia Saudita, a volta do Irã ao mercado depois do acordo nuclear de 2015 e o aumento da produção do Iraque.

Sob pressão dos preços baixos danosos a suas economias, os grandes produtores de petróleo, liderados pela Arábia Saudita dentro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e pela Rússia, decidir diminuir a produção para forçar uma alta nos preços.

Se na Arábia Saudita o governo ficou em déficit, Rússia, Argélia, Nigéria e Venezuela caíram em recessão nos últimos anos. O Irã fechou o acordo nuclear na expectativa de resgatar sua economia sufocada por sanções internacionais.

A República Islâmica precisa de mais de US$ 100 bilhões para desenvolver os setores de petróleo e gás. Uma grande investidora era a companhia de petróleo francesa Total, que explorava no Irã uma das maiores jazidas de gás natural do mundo. Acaba de anunciar o abandono do projeto.

O projeto foi abandonado por causa das sanções dos EUA. Elas não visam apenas o Irã. Toda empresa estrangeira que fizer negócios com o Irã corre o risco de ser proibida de operar no sistema financeiro dos EUA. Nenhuma grande empresa transnacional quer perder o acesso ao dólar e ao mercado americano.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Israel intercepta foguete lançado da Síria nas Colinas do Golã

O alarme antiaéreo voltou a soar hoje nas Colinas do Golã. Israel interceptou mais um foguete vindo da Síria. O número crescente de ataques e contra-ataques indica uma escala da intervenção militar israelense na Síria, onde tenta impedir que o Irã instale bases militares permanentes perto de suas fronteiras.

Depois da morte de militares iranianos em bombardeios israelenses a bases sírias, em 10 de maio, o Irã e a Síria lançaram um ataque retaliatório contra Israel com pelo menos 20 foguetes. Em resposta, o governo israelense lançou forte contra-ataque. O ministro da Defesa ultradireitista, Avigdor Lieberman, declarou que "quase toda a infraestrutura iraniana na Síria" foi alvejada.

Israel e o Irã travam assim uma guerra limitada no meio da guerra civil síria. Em fevereiro, o sistema de defesa antiaérea israelense abateu um drone armado iraniano vindo da Síria. Foi a primeira vez que o regime fundamentalista iraniano atacou Israel diretamente. Fazia isso através de aliados como a milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) e o Movimento de Resistência Islâmica palestino (Hamas).

A Força Aérea de Israel contra-atacou a base de onde partiu o drone e lançou novos ataques a alvos iranianos. Em 29 de abril, um bombardeio a um quartel em Homs, no Centro da Síria, matou 26 militares sírios e iranianos. Em 8 de maio, foram pelo menos 15 mortes em ataques a bases situadas em Damasco e 42 no grande ataque da quinta-feira, 10 de maio.

Ao retirar os Estados Unidos do acordo nuclear negociado pelo Irã com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia), de certa forma, o presidente Donald Trump endossou a política de confrontação com o Irã do primeiro-ministro linha-dura israelense, Benjamin Netanyahu.

O risco de uma guerra direta entre Israel e o Irã é de uma conflagração generalizada no Oriente Médio, já que o Irã tem forte presença entre os xiitas no Iraque, na Síria e no Líbano, além de aliados extremistas sunitas como o Hamas.

Em caso de guerra, Israel poderia ter de lutar em três frentes, contra as forças iranianas na Síria, contra o Hamas na Faixa de Gaza, no Sul do país, e contra o Hesbolá no Norte, na fronteira com o Líbano.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Hamas admite que 50 dos 62 mortos em Gaza eram militantes

O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), principal partido fundamentalista palestino, reconheceu hoje que 50 dos 62 mortos em conflitos com Israel na fronteira da Faixa de Gaza eram militantes do grupo. Israel afirma que eram 53, informou o jornal The Times of Israel.

"Nos últimos confrontos, se 62 pessoas foram martirizadas, 50 mártires eram do Hamas e 12 do povo. Como o Hamas pode colher os frutos, se paga um preço tão alto?", questionou o dirigente Salah Bardawil em entrevista a um meio de comunicação palestino.

Sem confirmar a alegação, o porta-voz do Hamas, Fawzy Barhoum, declarou que o grupo pagou os enterros dos 50, "fossem eles membros ou simpatizantes do Hamas, ou mesmo se não tivessem relação".

Outro alto dirigente do Hamas, Bassem Naim, também não desmentiu nem confirmou a notícia, alegando que o Hamas é "um grande movimento, com amplo apoio popular". Assim, seria "natural ver membros ou simpatizantes do Hamas em grande número" num protesto. Naim afirmou que ele foram mortos quando "participavam pacificamente" das manifestações.

"Isto prova o que tantos tentam ignorar: o Hamas está por trás dos tumultos e chamar as manifestações de 'protestos pacíficos' está longe da verdade", declarou o porta-voz das Forças de Defesa de Israel, tenente-coronel Jonathan Conricus.

Israel acusa o Hamas de organizar as chamadas Marchas do Retorno para reivindicar o direito de retorno dos palestinos expulsos de suas casas e terras quando da criação de Israel há 70 anos, e de estimular os manifestantes a atacar a cerca na fronteira de Gaza. O objetivo é questionar a legitimidade do Estado de Israel, que o Hamas quer destruir.

A grande manifestação de segunda-feira coincidiu com a transferência da Embaixada dos Estados Unidos de Telavive para Jerusalém. Implica o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, o que nenhum país havia feito porque o setor árabe (oriental) é um território ocupado na Guerra dos Seis Dias, em 1967. O movimento nacional palestino pretende instalar sua capital no setor oeste de Jerusalém.

Hoje, a Guatemala se tornou o segundo país a transferir sua embaixada para Jerusalém. O Paraguai anunciou a intenção de fazer o mesmo.

Japão sofre primeira contração econômica desde 2015

Com uma queda de 0,9% no consumo pessoal em 12 meses, a economia do Japão passou no primeiro trimestre de 2018 por sua primeira contração em bases anuais desde o último trimestre de 2015. Em mais uma derrota das políticas de estímulo do primeiro-ministro Shinzo Abe, o produto interno bruto da terceira maior economia do mundo, de US$ 4,9 trilhões em 2017, recuou 0,6% no início de 2018.

Na comparação trimestral, o PIB japonês caiu 0,2% no primeiro trimestre, a taxa que economistas ouvidos pela agência de notícias Reuters esperavam para 12 meses.

É o fim do período de crescimento mais longo desde 1989, no auge do Super Japão. Mas os analistas ouvidos pelo jornal inglês Financial Times não esperam uma recessão. Aguardam a segunda estimativa do PIB do primeiro trimestre, a ser divulgada em 8 de junho.

A expansão do quarto trimestre de 2017 foi revisada para baixo, de 1,6% para 0,6% ao ano. Em relação ao trimestre anterior, diminuiu de 0,4% para 0,1%.

A maior responsável pela contração da economia japonesa foi o consumo pessoal. Na comparação trimestral, caiu 0,3%, enquanto o investimento no setor habitacional recuou 2,1%.

Apesar da contração, em março, os salários registraram aumento médio de 2,1% ao ano. O índice de desemprego está em 2,5%. É um dos menores do mundo.

UE e Zona do Euro cresceram 0,4% no primeiro trimestre

A União Europeia e a Zona do Euro registram um crescimento de 0,4% no primeiro trimestre de 2018 em relação ao trimestre anterior. Nos últimos 12 meses, a UE avançou 2,4% e a Eurozona, 2,5%, revelou hoje o Eurostat, o escritório oficial de estatísticas do bloco europeu.

No último trimestre de 2017, a UE, formada por 28 países, tinha crescido 0,6% e a Eurozona, de 19 países, 0,7%. Os maiores avanços foram registrados na Polônia (1,6%), na Hungria (1,2%) e na Finlândia (1,1%). Os piores desempenhos foram da Romênia (0%), Reino Unido (0,1%) e Alemanha, Dinamarca, França e Itália (todos com 0,3%).

Os EUA avançaram 0,7% no fim de 2017 e 0,6% no começo de 2018, na comparação trimestral. Com o fortalecimento da economia americana, o dólar está em alta no mundo inteiro.

A Europa começou o ano sob o risco de uma guerra comercial deflagrada pelas políticas protecionistas do governo Donald Trump, com o enfraquecimento da liderança da chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, depois das eleições do ano passado, a discordância da Alemanha ante as propostas de reforma da UE propostas pelo presidente da França, Emmanuel Macron, a expectativa de formação de um governo populista antieuropeu na Itália e o desafio da ascensão do ultranacionalismo na Polônia e na Hungria.

Alemanha cresceu apenas 0,3% no início do ano

O crescimento da Alemanha caiu dramaticamente no primeiro trimestre de 2018, arrastando a Zona do Euro para o risco de estagnação depois de um avanço geral de 2,5% no ano passado, o melhor na Europa desde a crise de 2008, noticiou o jornal britânico Financial Times.

Maior economia da Eurozona, com 30% da produção regional, a Alemanha se desacelerou de 0,6% no fim do ano passado para 0,3% nos três primeiros meses do ano, principalmente por causa da queda nas exportações.

As empresas alemãs temem menor crescimento global por conta do crescimento das tensões geopolíticas e as políticas protecionistas do governo Donald Trump nos EUA.

No mesmo ritmo, a Eurozona cresceu 0,4% no início do ano, depois de avançar 0,7% no fim do ano passado, realimentando a discussão sobre a necessidade de novos estímulos ao crescimento. O Banco Central Europeu (BCE) planeja encerrar em dezembro seu programa de alívio quantitativo, depois de comprar bônus no valor de 2,4 trilhões de euros para aumentar a quantidade de dinheiro em circulação.

O maior risco no momento vem de um possível governo populista na Itália, formado pelo Movimento 5 Estrelas e a Liga, a antiga Liga Norte, de extrema direita.

terça-feira, 15 de maio de 2018

Coreia do Norte ameaça cancelar reunião com Trump

Em protesto contra a realização da manobras militares conjuntas dos Estados Unidos com a Coreia do Sul, a Coreia do Norte adiou hoje o próximo encontro do diálogo com o Sul, prevista para amanhã, e ameaçou suspender a reunião de cúpula com o presidente Donald Trump, marcada para 12 de junho em Cingapura.

Horas mais tarde, o vice-ministro do Exterior norte-coreano, Kim Kye Gwan, alertou que não há interesse num encontro de cúpula com os EUA apenas para aceitar um "acordo unilateral" de desarmamento. O secretário de Estado, Mike Pompeo, prometeu grandes obras de infraestrutura para impulsionar a decrépita econoia da Coreia do Norte. Não foi suficiente.

Depois de quatro meses e meio de degelo no último conflito da Guerra Fria, o regime comunista norte-coreano volta a dar sinais ambíguos, indicando que as negociações sobre a desnuclearização não serão fáceis como pressupõe o presidente americano.

Quando se encontrou com o presidente sul-coreano, Moon Jae In, em 27 de abril, o ditador norte-coreano, Kim Jong Un, disse não ver problemas nos exercícios militares conjuntos realizados regularmente entre os EUA e a Coreia do Sul.

Neste ano, as manobras foram adiadas por causa dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang, na Coreia do Sul, em que a Coreia do Norte participou em delegação conjunta com o Sul, um dos gestos de reaproximação entre os dois países, que não chegaram a um acordo de paz na Guerra da Coreia (1950-53).

"As autoridades da Coreia do Sul e os EUA iniciaram uma treinamento conjunto de forças aéreas contra nossa república antes mesmo que a tinta da histórica declaração intercoreana secasse", afirmou a agência oficial de notícias da Coreia do Norte. "Nossa boa vontade tem limite."

Diante de uma "deliberada provocação militar", advertiu Pyongyang, "vamos vigiar de perto a atitude das autoridades dos EUA e da Coreia do Sul."

Hoje, depois dos elogios bajulatórios de Trump, a Casa Branca ficou em silêncio. O presidente foi muito criticado nos EUA por tratar Kim como estadista. Afinal, o ditador norte-coreano é acusado de mandar um tio e um meio-irmão. No ano passado, um americano torturado por tentar roubar um cartaz de propaganda do regime stalinista de Pyongyang morreu logo depois de voltar da Coreia do Norte.

Mais uma vez, a ditadura norte-coreana mostra-se enigmática, imprevisível e inconfiável. A rejeição do acordo nuclear com o Irã diminuiu a credibilidade dos EUA. Trump deixou claro que não respeita os acordos internacionais assinados por governos anteriores ao deixar os acordos do clima e com o Irã.

Nos últimos dias, Trump apresentou um certo triunfalismo e chegou a ser saudado em comício como candidato ao Prêmio Nobel da Paz pela desnuclearização da Coreia do Norte. Mas nada indica que o regime norte-coreano pretenda abrir mão das armas nucleares em que investiu tanto como sua última garantia de segurança.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

EUA inauguram embaixada em Jerusalém sob protesto palestino

Sob aplausos do primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu, os Estados Unidos transferiram hoje a Embaixada de Israel de Jerusalém para Telavive, com a presença de 800 convidados, inclusive o secretário do Tesouro, Steven  Mnuchin, o subsecretário de Estado, John Sullivan, a filha do presidente Donald Trump, Ivanka Trump, e seu marido, Jared Kushner, enviado especial para a paz no Oriente Médio.

"Só se pode construir a paz com base na verdade", declarou Netanyahu, afirmando que a medida contribui para a paz no Oriente Médio, enquanto o Exército de Israel matava dezenas de palestinos que protestavam junto à fronteira da Faixa de Gaza. "Jerusalém é e será sempre a capital de Israel."

Nos EUA, Trump alegou que Israel é um país soberano e tem o direito de instalar a capital onde quiser, contrariando uma política externa de 70 anos. Desde sua fundação, Israel declarou que Jerusalém seria sua capital, mas a resolução das Nações Unidas que criou o país queria transformá-la numa cidade internacional.

Para todos os efeitos, a capital da Israel era Telavive. Depois de ocupar o setor oriental (árabe) de Jerusalém na Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel aprovou uma lei em 1980 proclamando a cidade unificada pela força como capital do país.

Até hoje, nenhum dos 86 países com relações diplomáticas com o Estado judaico tinha embaixada em Jerusalém por causa do status de cidade ocupada da parte oriental. Depois dos EUA, a Guatemala e o Paraguai declararam a intenção de seguir o exemplo.

"Que dia de glória!", festejou Netanyahu. "Relembrem este momento histórico. Presidente Trump, ao reconhecer a história, você fez história."

Desde que Trump anunciou a transferência da embaixada, o movimento nacional palestino acusa os EUA de se desqualificarem como mediadores do processo de paz. Para os líderes da Autoridade Nacional Palestina, Trump acabou com a esperança de uma paz baseada na convivência de dois países, um árabe e outro judaico, no território histórico da Palestina.

Com 900 mil habitantes, cerca de 10% da população do país, Jerusalém é hoje a maior cidade de Israel. Os judeus são 62,3% da população da cidade, em comparação com 69,5% 20 anos atrás. A população palestina cresceu de 30,5% para 37,7%. Há 150 anos, os judeus são maioria na cidade.

Além da criação de uma pátria palestina e do futuro status de Jerusalém, a colonização dos territórios árabes ocupados e o direito de retorno dos palestinos expulsos de suas casas e terras desde a fundação de Israel são os maiores obstáculos à paz entre árabes e judeus.

De 2009 a 2014, o número de colonos israelenses na Cisjordânia ocupada cresceu 25% para cerca de 356 mil. A população palestina no território era de 2,72 milhões. A população total de Israel, excluídos os territórios ocupados era de 8,13 milhões; hoje se aproxima de 9 milhões.

Israel mata 60 palestinos e fere mais de 2,7 mil na fronteira de Gaza

Pelo menos 60 palestinos morreram e mais de 2,7 mil saíram feridos hoje, o dia mais sangrento na Faixa de Gaza desde a guerra de 2014 de Israel contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas). Os palestinos protestavam contra os 70 anos da fundação de Israel e a transferência da Embaixada dos Estados Unidos de Telavive para Jerusalém.

Cerca de 35 mil palestinos participaram de mais uma Marcha do Retorno em 12 pontos diferentes da fronteira, convocada pelo Hamas para lembrar os 750 mil palestinos expulsos de suas casas e terras na Guerra da Independência de Israel (1948-49), que até hoje reivindicam o "direito de retorno".

Desde 30 de março, o Hamas organiza protestos junto à cerca que separa Israel de Gaza, um território palestino que vive sob o cerco israelense. Até agora, 102 palestinos foram mortos nas manifestações. O Exército de Israel afirma só usar munição letal quando a cerca é atacada.

"Estamos aqui por Jerusalém e pela terra palestina", declarou Nirma Attalah, de 29 anos, que teve um irmão baleado há duas semanas.

Israel jogou folhetos advertindo os palestinos a ficar longe da cerca: "Salvem suas vidas e trabalhem na construção do futuro." Também alertou os líderes do Hamas de que eles podem virar alvos, se as manifestações não cessarem.

Em protesto, a Turquia e a África do Sul retiraram seus embaixadores de Israel. O governo turco pediu ao embaixador israelense que deixe o país, rebaixando as relações bilaterais.

Mais de 70% dos palestinos de Gaza são refugiados ou descendentes de refugiados. Israel retirou suas forças de Gaza em 2005, mas as Nações Unidas ainda a consideram um território ocupado por causa do cerco e do controle israelense sobre o espaço aéreo e o acesso ao mar.

domingo, 13 de maio de 2018

Terrorista de Paris era um jovem nascido na Chechênia

O terrorista morto ontem na capital da França depois de matar uma pessoa e ferir outras quatro a facadas foi identificado como Khamzat Asimov, de 20 anos, nascido na república da Chechênia, na Federação Russa, e naturalizado francês desde 2010. Ele não tinha antecedentes criminais, mas desde 2016 estava na lista da polícia de jovens radicalizados pelo extremismo muçulmano.

Os dois feridos que estavam em estado grave melhoraram. Não correm mais risco de vida.

A lista dos serviços secretos franceses inclui cerca de 10 mil suspeitos de islamismo radical, de manter contato com movimentos terroristas, torcedores de futebol violentos e membros de grupos de extrema direita e extrema esquerda.

Asimov entrou na lista quando morava em Estrasburgo, antes de se mudar para Paris com a mãe, por andar com uma turma de chechenos que pretendiam ir para a Síria lutar ao lado da organização terrorista Estado Islâmico, que reivindicou a responsabilidade pelo atentado, embora talvez tenha apenas inspirado a ação.

sábado, 12 de maio de 2018

Terrorista mata um e fere mais quatro a facadas em Paris

Um homem armado com uma faca matou uma pessoa e feriu outras quatro hoje à noite no 2º distrito de Paris, perto da Ópera Garnier. Dois feridos estão em estado grave. De acordo com testemunhas, o terrorista teria gritado "Alá é grande!", indicando se tratar de extremista muçulmano, noticiou o jornal francês Le Monde.

O ataque ocorreu por volta das 21h (16h em Brasília) na rua Monsigny, a centenas de metros do teatro da Ópera Garnier. Quando a polícia chegou, tentou dominar o agressor com arma de choque. Ele foi baleado duas vezes e morreu no local.

O procurador da República em Paris, François Moulins, abriu inquérito sobre "associação de malfeitores terrorista" e "assassinato e tentativa de assassinato de pessoa investida de autoridade pública com intenção terrorista".

A investigação será realizada pela Brigada Criminal da Polícia Judiciária de Paris, a Direção Geral de Segurança Interior (DGSI) e a Subdireção Antiterrorista (SDAT) da Polícia Judiciária.

Através de sua agência de propaganda Amaq, a organização terrorista Estado Islâmico reivindicou a responsabilidade pelo ataque, atribuindo-o a um "soldado do Califado", mas costuma fazer isso sempre, mesmo quando não tem relação operacional com o terrorista.

O presidente Emmanuel Macron lamentou que "a França pague mais uma vez um preço de sangue, mas não ceder um centímetro aos inimigos da liberdade. (...) Saúdo em nome de todos os franceses a coragem dos policiais que neutralizaram o terrorista".

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Israel mata mais um palestino em protesto na fronteira de Gaza

O Exército de Israel matou hoje um palestino e feriu 170 manifestantes que protestavam junto à fronteira da Faixa de Gaza. Desde o início da Marchas do Retorno, convocadas pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), em 30 de março, 44 palestinos foram mortos, supostamente ao forçar a cerca da fronteira com Israel.

As manifestações devem continuar até 15 de maio, quando Israel festeja 70 anos de fundação. Na véspera, os Estados Unidos devem abrir sua nova embaixada, transferida de Telavive para Jerusalém, num reconhecimento de que esta é a capital de Israel.

Como o setor oriental e árabe de Jerusalém foi ocupado na Guerra dos Seis Dias, em 1967, a maioria dos países, inclusive o Brasil, não reconhece a cidade como capital e mantém suas embaixadas em Telavive.

Ao reivindicar o "direito de retorno", os seguidores do Hamas falam de todos os palestinos expulsos de suas casas e terras desde a criação de Israel, em 1948. Esta é uma das questões centrais das negociações de paz, que no momento estão estagnadas, ao lado da criação de um Estado palestino, das colônias nos territórios ocupados e do futuro status de Jerusalém. As marchas são realizadas toda sexta-feira, dia da folga religiosa semanal dos muçulmanos.

Se todos os palestinos voltassem, mudariam a composição demográfica de Israel. Num possível acordo de paz, é mais provável que o problema seja resolvido com uma indenização. Ao convocar as marchas, o Hamas quer denunciar a própria existência do Estado de Israel, que considera ilegítimo. Quer deslegitimar Israel. Rejeita a existência de Israel. Não é o caminho para a paz.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Colômbia espera negociar cessar-fogo com ELN em 27 de maio

O governo da Colômbia pretende negociar em 27 de maio uma trégua com o Exército de Libertação Nacional (ELN), maior grupo guerrilheiro do país depois do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), noticiou ontem o jornal colombiano El Heraldo. No mesmo dia, será realizado o primeiro turno da eleição presidencial.

A primeira rodada da nova fase de negociações começou nesta semana em Cuba, depois de uma suspensão porque o ELN voltou a atacar e o Equador deixou o papel de mediador.

O governo Juan Manuel Santos iniciou o diálogo direto com o ELN em 7 de fevereiro de 2017, em Quito, e rompeu as negociações em 29 de janeiro de 2018, depois de ataques da guerrilha em que sete policiais foram mortos.

Em fevereiro deste ano, o ELN declarou uma trégua eleitoral nas primeiras eleições em que as FARC participaram como partido político, indicando a vontade de retomar as negociações. O governo quer agora uma medida concreta, um cessar-fogo de longo prazo para permitir negociações sem a ameaça de ações armadas.

Trump encontra Kim Jong Un no dia 12 de junho em Cingapura

Depois da chegada, na madrugada de hoje, do secretário de Estado, Mike Pompeo, em companhia de três coreano-americanos libertados pela Coreia do Norte, o presidente dos Estados Unidos anunciou que o encontro de cúpula com o ditador Kim Jong Un será realizado em 12 de junho em Cingapura.

Os EUA exigem o fim do programa nuclear e o desmantelamento das armas atômicas norte-coreanas. A Coreia do Norte concordou em princípio, mas não revelou ainda o que vai exigir em troca. Se quiser a retirada total das tropas americanas da Coreia do Sul, os EUA não devem aceitar.

É improvável que o regime comunista de Pyongyang abra mão de todas as armas nucleares depois de tanto esforço para consegui-las como garantia de sobrevivência. Ao anunciar a suspensão dos testes nucleares e de mísseis, Kim afirmou que fazia isso porque já desenvolveu a tecnologia.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Irã e Síria contra-atacam e Israel revida em batalha de mísseis

Na madrugada desta quinta-feira, 10 de maio, os exércitos da Síria e do Irã lançaram um ataque retaliatório contra alvos militares israelenses nas Colinas do Golã, ocupadas por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. 

Pelo menos 20 foguetes foram disparados de território sírio. Israel respondeu imediatamente com seu maior ataque à Síria em décadas, atingindo várias posições sírias e iranianas no Oeste do país.

Esta batalha de mísseis é uma escalada no conflito entre Israel e o Irã dentro da guerra civil da Síria. Nas últimas semanas, Israel fez vários ataques a alvos iranianos com o objetivo de impedir que a república islâmica instale bases permanentes na Síria, onde intervém em apoio à ditadura do aliado Bachar Assad.

O último ataque, em 9 de maio, atingiu alvos da Guarda Revolucionária do Irã em subúrbios do Sul de Damasco, a capital síria. Pelo menos 15 pessoas morreram, inclusive oito iranianos, precipitando a retaliação.

Israel esperava o contra-ataque desde que sete iranianos foram mortos, inclusive um comandante da Guarda, num bombardeio israelense à base síria de Tiyas, na província de Homs, usada por forças do Irã, em 9 de abril.

A tensão entre Israel e o Irã aumentou desde a invasão do espaço aéreo israelense por um drone armado iraniano vindo da Síria, em 9 de fevereiro de 2018. Foi o primeiro ataque direto a Israel do regime fundamentalista xiita iraniano, que costuma usar milícias aliadas como o Hesbolá (Partido de Deus), no Líbano.

Ao se instalar perto da fronteira da Síria, o Irã tenta abrir uma nova frente de luta contra Israel. Isso é inaceitável para o Estado judaico, que no Irã seu maior inimigo. A pressão do primeiro-ministro linha dura Benjamin Netanyahu foi importante na decisão do presidente Donald Trump de retirar os EUA do acordo das grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas e da Alemanha com o Irã para congelar o programa nuclear militar iraniano por 10 anos, evitando que o país faça bombas atômicas.

Tanto o Irã quanto Israel devem tentar manter o conflito restrito aos campos de batalha da Síria. Mas sempre há o risco de que a situação saia fora de controle.

Coreia do Norte liberta três coreano-americanos

Num gesto de boa vontade, o regime comunista da Coreia do Norte libertou três coreano-americanos que viajam de volta para os Estados Unidos junto com o secretário de Estado, Mike Pompeo, que foi acertar detalhes do encontro de cúpula do presidente Donald Trump com o ditador Kim Jong Un, anunciou o próprio Trump hoje no Twitter.

"Tenho o prazer de informar que o secretário de Estado, Mike Pompeo, está no ar de volta da Coreia do Norte com três calheiros maravilhosos que todos estão querendo encontrar. Eles parecem estar bem de saúde. Também [houve] bom encontro com Kim Jong Un. Data e lugar marcados", escreveu Trump pela manhã.

Em campanha para não perder a maioria na Câmara e no Senado nas eleições de meio de mandato, em novembro, Trump vai receber os ex-reféns da ditadura stalinista norte-coreana às 2h de quinta-feira na base aérea de Andrews, perto de Washington (3h em Brasília).

Trump considera a negociação direta com Kim sua maior vitória em política externa. Mas é altamente improvável que o regime comunista de Pyongyang esteja disposto a aceitar uma desnuclearização depois de investir tanto nas armas atômicas como garantia de sobrevivência.

Desde o anúncio do histórico encontro de cúpula das duas Coreias, em 27 de maio, a Coreia do Norte propôs fechar sua instalação de testes nucleares, suspender os testes nucleares e de mísseis e, por fim, desnuclearizar a Península Coreana.

É uma mudança significativa no discurso. No ano passado, a Coreia do Norte exigia o reconhecimento como potência nuclear. Agora, promete uma série de concessões. Ainda não disse o que quer em troca.

Kim fez há dois dias outra visita secreta ao ditador da China, Xi Jinping, em Beijim. Xi é um protetor e interessado direto nas negociações para evitar uma nova guerra na Coreia e, se possível, reduzir a presença militar dos EUA na Coreia do Sul.

Os EUA devem rejeitar uma exigência de retirada total das tropas americanas, mas o governo Trump está otimista. O novo assessor de Segurança Nacional, John Bolton, notório linha-dura, falou em usar o modelo das negociações com a Líbia.

Como o ditador líbio Muamar Kadafi foi deposto e morto em 2011 por uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, Kim certamente não vai querer seguir o mesmo roteiro.

O atual ditador norte-coreano chegou ao poder em dezembro de 2011, com a morte do pai, e acelerou os programas nucleares e de mísseis para não ter o mesmo destino de Kadafi, que abriu mão de suas armas de destruição em massa e se tornou aliado do Ocidente na guerra contra o terrorismo islâmico.

terça-feira, 8 de maio de 2018

Argentina volta ao FMI em busca de US$ 30 bilhões

Em meio à pior crise em dois anos e meio de governo, o presidente Mauricio Macri anunciou hoje um pedido de empréstimo de US$ 30 bilhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para conter a desvalorização do peso e evitar problemas de financiamento. O ministro da Fazenda da Argentina, Nicolás Dujovne, viajou para Washington para discutir as condições e o valor da linha de crédito.

O dólar passava de 23 pesos quando o presidente revelou o acordo de "financiamento preventivo" acertado hoje de manhã num telefonema de Dujovne e Macri à diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, ex-ministra das Finanças da França.

"Isto vai nos permitir avançar neste plano de crescimento e desenvolvimento, dando-nos apoio para enfrentar este cenário global e evitar a crise", declarou Macri na Casa Rosada.

Na noite anterior, diante de nova queda do peso, o ministro das Finanças, Luis Caputo, alertara para a dificuldade de obter financiamento externo neste momento difícil. Com o FMI, pode tomar empréstimo a juros de 4% ao ano, observou a deputada governista Elisa Carrió.

Trump retira EUA do acordo nuclear com o Irã

O presidente Donald Trump vai retirar os Estados Unidos do acordo nuclear assinado em 2015 pelas grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar o programa nuclear militar do Irã, evitando assim que a república islâmica fabrique armas atômicas, antecipou o jornal The New York Times, citando como fonte o presidente da França, Emmanuel Macron.

Trump confirmou a notícia hoje à tarde na Casa Branca. A França, a Alemanha e o Reino Unido fizeram uma série de apelos de última hora para convencer o presidente americano a manter o acordo, sem sucesso. O governo americano vai voltar a impor sanções contra o regime dos aiatolás.

"Hoje, anuncio que os EUA saem do acordo nuclerar com o Irã", declarou Trump na Casa Branca. "Nas próximas horas, vou assinar um decreto reestabelecendo duras sanções ao regime iraniano."

Além de aumentar a tensão e o risco de guerra no Oriente Médio, e o preço do petróleo, Trump se afasta dos aliados, isola ainda mais os EUA e dificulta as negociações com a Coreia do Norte. Se os EUA não cumprem um acordo assinado pelo presidente anterior, que garantia tem o ditador Kim Jong Un de que vão honrar o próximo?

O novo assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, o ultralinha-dura John Bolton, inimigo do acordo com o Irã, cita o acordo com a Líbia como modelo para a Coreia do Norte.

Diante da ameaça do terrorismo dos jihadistas, depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA, o ditador Muamar Kadafi abriu mão de seus programas de armas de destruição em massa, em 2003, e passou a colaborar com as potências ocidentais na guerra contra o terror.

Oito anos anos depois, quando Kadafi ameaçava massacrar rebeldes em Bengázi durante uma revolta da chamada Primavera Árabe, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Líbia. A aliança militar liderada pelos EUA foi decisiva para a queda do ditador, em agosto de 2011, e sua morte, em em 20 de outubro do mesmo ano, meses antes da ascensão de Kim Jong Un.

O terceiro Kim a governar a Coreia do Norte, depois do pai e avô, teria acelerado seus programas nuclear e de mísseis como garantia máxima de sobrevivência do regime e de si mesmo. Se já era improvável que Kim entregue as armas, ao romper o acordo com o Irã, Trump torna os EUA num parceiro pouco confiável para negociar.

Para a linha dura que domina o governo Trump, o acordo de 2015 não impede o Irã de desenvolver tecnologia de mísseis nem uma política externa agressiva no Oriente Médio. Estas questões nunca estiveram na pauta das negociações sobre o acordo nuclear iraniano.

Numa tentativa de persuadir Trump, quando esteve em Washington, o presidente francês argumentou que o acordo deveria ser ampliado para incluir as outras questões que preocupam os EUA, mas não abandonado.

O presidente segue em sua obstinação de destruir a herança de seu antecessor, Barack Obama. Trump ignora os aliados europeus, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e seus próprios generais, que consideram o regime de inspeções a que o Irã estava submetido bastante rigoroso.

Quem bombardeou o acordo foi o primeiro-ministro linha-dura de Israel, Benjamin Netanyahu, sem apresentar provas de que o Irã violou o acordo. Os generais e os serviços secretos israelenses também consideravam o acordo importante.

A Arábia Saudita, grande rival do Irã na disputa pela liderança do mundo muçulmano, também elogiou a decisão de Trump.

Se o Irã retomar imediatamente o enriquecimento de urânio, como ameaçou, há o risco de uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio. A Arábia Saudita, o Egito e a Turquia também vão querer armas atômicas, fragilizando ainda mais o regime de não proliferação nuclear.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Israel teme barragem de mísseis iranianos disparados por milícias xiitas na Síria

Desde que Israel bombardeou quartéis na Síria e matou militares iranianos, espera uma retaliação do Irã. O temor é que milícias xiitas financiadas, treinadas e armadas pelo Irã que lutam na guerra civil da Síria lancem uma barragem de mísseis contra o Norte de Israel.

O ministro da Energia de Israel, Yuval Steinitz, ameaçou matar o ditador Bachar Assad, se permitir um ataque do território sírio, informou o jornal The Times of Israel.

Os informes de inteligência dos serviços secretos israelenses indicam que o planejamento da retaliação iraniana está nas fases finais. O ataque pode ser com mísseis ou drones iranianos disparados por uma milícia xiita.

Israel acredita no envolvimento direto da milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), que obteve uma vitória parcial nas eleições no Líbano, ganhando força política. O comando superior seria do general Kassem Suleimani, comandante da Força Quods, o braço da Guarda Revolucionária Iraniana para operações no exterior.

"A ideia é usar mísseis pesados iranianos, inclusive o Fateh-110 sob o comando do Hesbolá, sem a presença da Guarda Revolucionária Iraniana", informou domingo à noite o Canal 10 da televisão israelense.

Para o analista militar israelense Roni Daniel, só a Guarda e o Hesbolá têm capacidade de realizar o ataque, mas ele deve partir de uma milícia xiita menor para o Irã negar qualquer responsabilidade. Há várias candidatas.

"A guerra civil na Síria permitiu à Guarda Revolucionária Iraniana expandir sua rede de clientes na região", observou Aymenn Jawad al-Tamimi. "Há uma variedade de grupos que podem atacar Israel em seu favor, como os muitos novos hesbolás sírios integrados às Forças Armadas da Síria, ou grupos que emergiram durante a guerra no Iraque, como Harakat al-Nujaba e sua Brigada de Libertação do Golã."

O primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu ordenou os bombardeios porque está determinado a impedir que o Irã tenha bases permanentes na Síria. Amanhã, o presidente Donald Trump se vai ou não certificar se o Irã está cumprindo o acordo nuclear assinado em 2015 para congelar o programa nuclear iraniano e evitar que o país tenha armas atômicas.

Sob pressão de Netanyahu, contra a opinião de seus generais, Trump deve seguir a orientação de assessores da linha dura, como o novo secretário de Estado, Mike Pompeo, e o novo assessor de Segurança Nacional, John Bolton.

A expectativa é que Trump retire os EUA do acordo, assinado pelas cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a Alemanha e o Irã, aumentando ainda mais a tensão no Oriente Médio e o risco de uma guerra entre Israel e o Irã.

Exército da Nigéria anuncia libertação de mil reféns do Boko Haram

Nesta segunda-feira, o Exército da Nigéria anunciou a libertação de mais de mil pessoas que eram reféns da milícia extremista muçulmana Boko Haram em vilas do município de Bama, no estado de Borno, no Nordeste do país, informou o jornal nigeriano Daily Post.

O resgate foi realizado por soldados da 22ª Brigada da Operação Lafiya Dole e da Força-Tarefa Conjunta Multinacional, uma aliança com países da região (Benin, Camarões, Chade, Níger e Nigéria) para combater o terrorismo islâmico, informou em Maiduguri, a capital de Borno, o diretor de relações públicas do Exército, general Texas Chukwu.

De acordo com o general, a maioria dos reféns era de mulheres, crianças e jovens recrutados à força para lutar pelo Boko Haram. A operação atacou os rebeldes nas vilas Amchaka, Gora, Malamkari e Walasa.

"O Exército nigeriano queria lembrar o público de sua determinação de acabar com o Boko Haram e de libertar todos os reféns", declarou o general Chukwu. "O público também é aconselhado a denunciar qualquer pessoa suspeita para ação imediata das autoridades competentes."

Desde que o Boko Haram aderiu à luta armada para impor a lei islâmica à Africa Ocidental, cerca de 20 mil pessoas morreram na guerra civil do grupo contra a Nigéria, o Níger, o Chade e Camarões.

Em março de 2015, o líder do Boko Haram, Abubakar Shekau, jurou lealdade à organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Desde então, o grupo se apresenta como a Província do Estado Islâmico na África Ocidental.

Mas o Boko Haram, que significa repúdio à educação ocidental, se dividiu. Outra parte aderiu à Vanguarda para Proteção dos Muçulmanos nas Terras Negras (Ansaru), o ramo da rede terrorista Al Caeda na África subsaariana, ao sul do Sahel.

domingo, 6 de maio de 2018

Mães marcham em silêncio contra a violência no México

Centenas de mães e parentes de mortos e desaparecidos marcharam em silêncio ontem pelas ruas de Guadalajara, a segunda maior cidade do México, em protesto contra a violência. A cidade é a capital do estado de Jalisco, onde atuam várias máfias do tráfico de drogas, inclusive o Cartel de Novo Jalisco, considerado hoje o mais poderoso do país.

Os rostos de milhares de desaparecidos estavam em faixas, cartazes, fotos e camisetas carregados com expressões de tristeza. Vestidas de branco, muitas de braços dados, as mães caminharam em silêncio para manifestar sua dor, seu medo e sua raiva.

"Não estou morta. Não durmo porque fico pensando. Não temos notícias do nosso filho. Não sabemos onde está. Não sabemos onde ele está. É uma dor muito grande", lamentou María Miramontes à agência espanhola Efe. Ela não recebe notícias do filho há um mês.

Desde que o então presidente Felipe Calderón declarou guerra às drogas, ao assumir o poder, em 2006, cerca de 200 mil pessoas foram mortas na violência ligada ao tráfico. Os cartéis mexicanos faturam cerca de US$ 50 bilhões por ano com o tráfico de drogas para os Estados Unidos.

sábado, 5 de maio de 2018

Câmara dos Lordes propõe Carta Magna para a era digital

Depois de seis meses de trabalho, a Comissão Especial para Inteligência Artificial da Câmara dos Lordes do Parlamento Britânico propôs a elaboração de uma Carta Magna para regulamentar internacionalmente as grandes empresas da Internet e a inteligência artificial, informou o jornal digital americano The Huffington Post.

"Em 1215, a Inglaterra adotou a Magna Carta para impedir os reis de abusarem de seus poderes. Hoje os novos reis são as grandes empresas de alta tecnologia e, como séculos atrás, precisamos de uma carta para governá-los", escreveu o sociólogo e lorde Anthony Giddens, ex-diretor da London School of Economics e membro do comitê que estudou o assunto.

A carta estabeleceria princípios para o desenvolvimento da inteligência artificial no mundo inteiro. Os pontos principais seriam:

• Deve ser desenvolvimento para o bem comum.
• Operar de acordo com os princípios de inteligibilidade e transparência: os usuários devem ser capazes de entender facilmente os termos nos quais seus dados pessoais serão usados.
• Respeitar o direito à privacidade.
• Ser baseada em mudanças profundas na educação. O ensino exige reformas para utilizar os recursos digitais, e os estudantes devem aprender não apenas as habilidades digitais, mas também como desenvolver uma perspectiva crítica on-line.
• Nunca ter o poder autônomo para ferir, destruir ou enganar seres humanos.

Giddens entende que "a revolução digital é a força mais dinâmica hoje no mundo. Afeta tudo, das intimidades da vida cotidiana aos conflitos geopolíticos e uniu o mundo como nunca antes. Mas, ao mesmo tempo, fratura e divide. A inteligência artificial e a Internet são as duas forças gêmeas que dirigem estas mudanças."

O sociólogo vê a inteligência artificial entrando numa terceira fase. Na primeira, dos esforços de Alan Turing para decifrar os códigos secretos da Alemanha na Segunda Guerra Mundial até o fim dos anos 1980s, o domínio foi dos governos e da academia.

Na segunda fase, o mercado toma conta do processo com a ascensão das empresas do Vale do Silício, na Califórnia, com a máxima de "mova-se rapidamente e quebre coisas". As novas empresas de Internet fazem novos bilionários.

Nesta terceira fase, o ex-diretor da LSE acredita ser fundamental maior participação do Estado e do público em geral: "Por um momento, os avanços positivos das tecnologias digitais - maior conexão entre amigos ou acadêmicos, a análise de uma massa de dados sobre o código genético, a conveniência de comprar on-line - tomaram o palco principal."

A ilusão de que não haveria problemas fez parte da euforia inicial com a revolução tecnológica: "Mas os aspectos negativos provaram ser profundos, mesmo que tomem tempo para aflorar", pondera Giddens. "Eles incluem ameaçam ao próprio tecido da nossa democracia - movimentos on-line que desafiam ou até mesmo substituem. Estão emergindo ao mesmo tempo em que há dramáticos avanços na inteligência das máquinas."

O desafio, acrescenta, é corrigir os erros preservando o dinamismo e a inovação.

A tarefa de negociar um acordo internacional para regulamentar o desenvolvimento da inteligência artificial em bases éticas é gigantesca. "As notícias falsas não são apenas um problema estrutura profundo da era digital; foram transformadas diretamente em armas pela Rússia e outros países", observa Giddens.

Como a China também tem um regime ditatorial que usa a Internet para vigiar e policiar seus cidadãos, tem a maior capacidade em supercomputadores do mundo e deve assumir a liderança tecnológica em inteligência artificial, um acordo global é ainda mais difícil.

A corrida tecnológica é a parte central do conflito geoestratégico e da luta pela liderança internacional entre os Estados Unidos e a China.

"As vantagens da revolução são enormes e remodelaram nossas vidas, em muitos aspectos para melhor. Como nas revoluções tecnológicas anteriores, as sociedades precisam encontrar uma maneira de colher os benefícios da inovação enquanto contêm seus problemas e riscos", concluiu Giddens. "Uma carta que proteja os direitos e liberdades dos cidadãos - uma Carta Magna para a era digital - é um bom começo."

Rússia prende líder e 1,6 mil militantes da oposição

A polícia da Rússia prendeu hoje em Moscou o líder da oposição, Alexei Navalny, e cerca de 1,6 mil manifestantes oposicionistas no país inteiro para conter protestos contra a posse, em 7 de maio de 2018, do ditador Vladimir Putin para um quarto mandato presidencial.

Navalny, um advogado e ativista político de 41 anos, foi impedido de desafiar Putin na eleição presidencial de 8 de março por força de um processo forjado pelo Kremlin.

Mesmo sendo ignorado pelos meios de comunicações oficiais, mostrou liderança ao convocar manifestações para denunciar o autoritarismo do "czar Putin". Dos 1.597 manifestantes presos em 27 cidades, 708 eram de Moscou, uma indicação de que foram para o interior mobilizar as populações locais.

Em público, o governo ignora e menospreza o líder da oposição, mas a prisão em 31 de março do empresário Ziyavudin Magomedov, ligado ao primeiro-ministro Dimitri Medvedev, sob acusação de corrupção, revela uma preocupação do governo de dar alguma satisfação à opinião pública.

As autoridades russas estão atentas a uma possível tentativa de criar uma onda de manifestações de protesto a pouco menos de um mês do início da Copa do Mundo na Rússia, em 14 de junho.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

EUA fazem exigências para evitar guerra comercial com a China

O governo Donald Trump apresentou hoje à China sua lista pesada de exigências para equilibrar o comércio entre os dois países e evitar uma guerra comercial entre as maiores economias do mundo, a começar por uma redução de 200 bilhões no saldo comercial chinês, que em 2017 chegou a US$ 375 bilhões.

A delegação americana acusou a China de roubo de tecnologia e propriedade intelectual. Exigiu o fim dos subsídios ao setor industrial dentro do programa Made in China 2025 (Fabricado na China 2025), que visa a tornar o país líder em tecnologias de ponta, num desafio à liderança tecnológica e militar dos EUA.

Um dos grandes objetivos não declarados da guerra comercial que Trump ameaça travar com a China é impedir que o país, que deve ultrapassar a economia americana entre 2020 e 2030, se torne uma superpotência tecnológica e militar capaz de superar os EUA. Pode dificultar e atrasar, mas dificilmente vai conseguir.

Dentro desta disputa tecnológica, os EUA vão restringir o investimento chinês nos EUA em vários setores de tecnologia de ponta e não aceitam retaliações, que com certeza virão. Ao mesmo tempo, querem mais facilidades para as empresas americanas investirem na China de olho no cobiçado mercado chinês.

Os EUA também querem a abertura do mercado chinês, com a redução de tarifas e a eliminação de barreiras não tarifárias aos produtos e serviços americanos, a "reciprocidade" cobrada por Trump. Ainda exigem que a China retire a reclamação contra os EUA na Organização Mundial do Comércio (OMC) porque Washington não trata a China como uma economia de mercado.

Não existe a menor chance da China aceitar estas exigências. Dentro do estilo de negociação de Trump, os EUA apresentaram uma lista maximalista na esperança de barganhar. A bola está com a China para continuar o jogo.

Líder da oposição na Armênia encontra embaixadores estrangeiros

Além de obter o apoio do Partido Republicano da Armênia, o líder da oposição, deputado Nikol Panchinian, se encontrou ontem em Ierevã com os embaixadores da Rússia, dos Estados Unidos, da União Europeia e da Geórgia. A expectativa é que seja eleito primeiro-ministro em 8 de maio de 2018, pondo fim à atual crise política política.

Em 1º de maio, a Assembleia Nacional, onde o Partido Republicano tem a maior bancada, rejeitou Panchinian em primeira votação. Como líder da oposição, ele criticara e ameaçara punir os deputados governistas que apoiavam o ex-presidente e primeiro-ministro por seis dias, Serge Sarkissian, que caiu em 23 de abril depois de 11 dias de manifestações de rua convocadas por Panchinian.

Os encontros com embaixadores estrangeiros ajudam a indicar que Panchinian não deve mudar a política externa da ex-república soviética da Armênia, que vive na esfera de influência da Rússia, sob a proteção militar do Kremlin contra dois vizinhos, a ex-república soviética do Azerbaijão, com que disputa o território de Nagorno-Karabakh, e a Turquia, que os armênios acusam de genocídio durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Rússia prende oposicionistas antes da posse de Putin

Partidários do líder da oposição, Alexei Navalny, foram presos hoje em várias cidades da Rússia, na véspera de um grande protesto contra a posse do ditador Vladimir Putin para um quarto mandato presidencial, em 7 de maio de 2018.

Condenado em processos forjados, Navalny foi impedido de disputar a eleição presidencial de março. O advogado, ativista político e blogueiro se tornou o maior líder da oposição russa depois de fazer uma série de denúncias de corrupção.

O governo russo está atento ao aumento das manifestações de protesto anticorrupção. Para dar uma satisfação à opinião púbica, em 31 de março, um oligarca muito ligado ao Kremlin, Ziyavudin Magomedov, seu irmão e um sócio foram presos sob acusações de corrupção.

Magomedov se tornou uma figura pública entre 2008 e 2012, quando seu ex-colega de universidade Arkady Dvorkovich se tornou um dos principais assessores do então presidente Dimitri Medvedev, que substituiu Putin durante 4 anos, enquanto o ditador mandava por trás da cena como primeiro-ministro.

Dono do Summa Group, ele tem empresas de exploração de portos, comércio de grãos e energia. Como protegido de Medvedev, sua prisão pode indicar que o padrinho perdeu prestígio político dentro do Kremlin, reforçando os rumores de que no novo mandato Putin vai trocar de primeiro-ministro. Quer um economista peso-pesado capaz de realizar reformas para acelerar o crescimento econômico.

Banco Central da Argentina eleva taxa básica de juros para 40%

O Banco Central da Argentina surpreendeu hoje o mercado financeiro, elevando a taxa básica de juros pela terceira vez em uma semana para 40% ao ano para tentar conter a desvalorização do peso. 

Sob o impacto da medida, a moeda argentina subiu 5% para 21,238 pesos por dólar, mas depois caiu 2,3% e chegou a 22,25 por dólar. A moeda americana terminou o dia valendo 22,17 pesos em Buenos Aires.

Várias economias em desenvolvimento estão sob pressão com a alta do dólar diante da expectativa de mais três altas na taxa básica de juros neste ano nos Estados Unidos: Argentina, Brasil, México, Polônia e Turquia, entre outras. Como aqui, o BC argentino entrou no mercado vendendo US$ 5 bilhões das reservas cambiais do país.

Desde o início do ano, o peso perdeu 15% do valor, o real 13% e a lira turca também caiu mais de 10%. Para o jornal inglês Financial Times, é o primeiro grande teste do mercado à política de reformas do presidente Mauricio Macri, eleito há dois anos e meio com a promessa de tornar a Argentina num país normal depois de 12 anos de governos de Néstor e Cristina Kirchner.

Néstor Kirchner (2003-7) chegou ao poder em meio a uma depressão econômica, depois do fim da dolarização da era Carlos Menem (1989-99), de uma megadesvalorização do peso e de todos os ativos e de um calote de US$ 100 bilhões na dívida do país.

A crise sem precedentes numa economia razoavelmente desenvolvida, superada agora pelo colapso econômico da Venezuela, jogou 58% dos argentinos para baixa da linha de pobreza e levou Kirchner a adotar uma série de subsídios a alimentos, transportes e energia.

Quando veio a Grande Recessão de 2008-9, no início do governo Cristina Kirchner (2007-15), com a escassez de dólares, a saída foi sobretaxar as exportações agrícolas, o que provocou uma greve de produtores rurais. A greve do campo esvaziou as prateleiras dos supermercados e afetou o comércio exterior de uma grande potência agrícola mundial.

Sem o apoio dos ruralistas, Cristina deu uma guinada à esquerda e manteve os subsídios para garantir o apoio de sua base política, sindicalista e peronista, aumentando com isso o déficit orçamentário e a dívida pública.

Hoje o ministro da Economia, Nicolás Dujovne, anunciou uma redução do superávit primário de 3,2% para 2,7% do produto interno bruto e defendeu a alta nos juros: "A convergência para o equilíbrio fiscal não é negociável", declarou, prometendo resistir às "pressões populistas".

Com a redução do superávit primário (saldo nas contas públicas sem computar o pagamento de juros), o governo da Argentina deixará de tomar emprestado US$ 3 bilhões e já garantiu os recursos para 80% de sua necessidade de financiamento em 2018.

Apesar dos problemas econômicos, Macri ainda tem o apoio de mais de 50% dos argentinos.

Secretário-geral da OEA reconhece suspensão de Maduro por TSJ no exílio

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-chanceler uruguaio Luis Almagro, reconheceu a suspensão do ditador Nicolás Maduro pelo Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela, reunido no exílio em Bogotá, a capital da vizinha Colômbia, informou o canal de televisão especializado em jornalismo NTN24.

Quando o TSJ subserviente à ditadura de Maduro tentou usurpar os poderes da Assembleia Nacional eleita democraticamente em 6 de dezembro de 2015, no ano passado, os deputados nomearam novos ministros para o supremo tribunal venezuelano. Sob ameaça de prisão pelo regime chavista, eles fugiram da Venezuela.

Ontem, em Bogotá, os magistrados decidiram afastar Maduro e ordenar à Assembleia Nacional que inicie uma transição para a democracia. De acordo com o artigo 380 do Código de Processo Penal venezuelano, o ditador está proibido de exercer qualquer função pública enquanto durar o processo no Parlamento.

"Por império da Constituição da República Bolivarista da Venezuela, se ordena a todas as autoridades civis e militares, sob risco de desacato, a cumprir a presente decisão e prestar toda a colaboração para sua execução imediata", declararam os ministros do TSJ.

A decisão foi comunicada à Secretaria-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), à Secretaria-Geral da OEA, à Presidência da Comissão Europeia, ao Parlamento Europeu e às chancelarias dos países do denominado Grupo de Lima, inclusive o Brasil, "a fim de seu conhecimento que Nicolás Maduro Moros está suspenso e inabilitado a exercer as funções de presidente da República Bolivarista da Venezuela".

Na prática, a medida apenas aumenta o isolamento político e diplomático de Maduro. Ele está protegido pela Força Armada Nacional Bolivarista (FANB). Só deve cair quando houver uma dissidência interna no regime chavista diante do colapso da economia da Venezuela. Em 20 de maio, deve ser reeleito presidente em mais uma eleição manipulada pela ditadura.

Taxa de desemprego cai para 3,9% nos EUA

A maior economia do mundo registrou em abril um saldo de 164 mil novos postos de trabalho, abaixo da expectativa dos analistas, que era de 195 mil, revelou hoje o relatório mensal de emprego do Departamento do Trabalho. Mas a taxa de desemprego, medida em outra pesquisa, caiu de 4,1% para 3,9%, o menor índice desde dezembro de 2000, antes do estouro da bolha das empresas de Internet.

O emprego aumentou principalmente na indústria manufatureira e nos setores de saúde e contabilidade, mas o saldo de vagas ficou abaixo das médias deste ano, de 200 mil novos empregos por mês, e do ano passado, quando ficou em 182 mil.

O mercado de trabalho dos Estados Unidos cresce sem parar há 7 anos e 7 meses, desde outubro de 2010. É o período mais longo da história. A economia cresce sem parar há 8 anos e 11 meses. O desemprego chegou a um pico de 10% em outubro de 2009, no auge da Grande Recessão, deflagrada pela falência do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008.

Nos últimos 70 anos, a taxa de desemprego caiu poucas vezes abaixo de 4%, durante a Guerra da Coreia (1950-53), a Guerra do Vietnã (1964-71) e o surgimento das chamadas empresas ponto com, no início do século 21. Em todos esses casos, a inflação em alta e a indisciplina financeira geraram recessões.

Apesar da euforia no mercado financeiro, abalada pelo risco de guerra comerciais deflagrada pelo governo Donald Trump, a inflação está sob controle e se aproxima da meta perseguida informalmente pelo Conselho da Reserva Federal (Fed), o banco central dos EUA, de 2% ao ano.

Com o desemprego abaixo de 5%, considerado o "índice natural de desemprego" pelos economistas, a tendência é que a escassez de mão de obra pressione os salários para cima, gerando inflação. Mas os salários cresceram em média apenas 2,6% nos últimos 12 meses.

Ao fim de sua última reunião, nesta semana, o Comitê de Mercado Aberto do Fed não aumentou as taxas básicas de juros. Indicou que vai fazer isso, como parte da normalização da política monetária. O mercado espera mais três altas de juros em 2018.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Líder histórico da oposição de Moçambique morre aos 65 anos

O veterano líder rebelde Afonso Dhlakama, chefe da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), o maior partido de oposição de Moçambique, morreu aos 65 anos em seu refúgio na Floresta da Gorongosa, aparentemente depois de sofrer um ataque cardíaco, informou hoje a Agência France Presse (AFP).

A Resistência Nacional Moçambicana nasceu com nome inglês em 1976 na antiga Rodésia, hoje Zimbábue, na época governada por uma ditadura da minoria branca, como a vizinha África do Sul. Era uma aliança anticomunista sustentada pelos regime brancos do Sul da África e os conservadores nos Estados Unidos para combater o governo marxista da Frente da Libertação de Moçambique (Frelimo), aliada da União Soviética na Guerra Fria.

Para o ditador rodesiano Ian Smith, a preocupação era que a Frelimo desse refúgio aos guerrilheiros da União Nacional Africana do Zimbábue (ZANU, em inglês), que chegaria ao poder em 1980 com Robert Mugabe. Ironicamente, o governo Margaret Thatcher chegou a apoiar a Frelimo porque o Reino Unido queria acabar com a ditadura de Ian Smith.

Dhlakama chegou a ser membro da Frelimo na luta pela independência, mas foi um dos fundadores da Renamo. Depois da morte em combate do primeiro presidente, André Maitsangaíssa, em 17 de outubro de 1979, Dhlakama assumiu o comando da luta armada contra o governo comunista da Frelimo.

A guerra civil moçambicana durou até 1992. Com o acordo de paz, garantido por uma força de paz das Nações Unidas com grande participação brasileira, Dhlakama disputou cinco eleições presidenciais e a Renamo, cinco eleições legislativas. Ficaram sempre em segundo lugar, atrás da Frelimo, que governa Moçambique até hoje. Seu melhor resultado foi 2.133.655 votos (47,7%), em 1999, quando perdeu para o então presidente Joaquim Chissano (1986-2005), com 2.338.888 votos (52,3%).

Como na África o chefe é o chefe, não pode ser segundo de ninguém, Dhlakama nunca aceitou ser vice-presidente ou líder da oposição na Assembleia Nacional, em Maputo. Viveu sempre em regiões onde a Renamo ganhava as eleições. Defendia um regime federativo onde a Renamo pudesse ter uma base de poder.

De tempos em tempos, a frágil trégua entre o eterno governo e a eterna oposição se rompeu. Em outubro de 2013, a Renamo rejeitou o acordo de paz de 1992. Houve combates esporádicos, mas não um conflito generalizado.

Um segundo acordo de paz foi acertado em setembro de 2014. A Frelimo deu à Renamo a chance de integrar seus homens às Forças Armadas, uma anistia ampla e maior acesso às finanças públicas. Mas não durou, Dhlakama não reconhecei a eleição de Filipe Nyusi e, em dezembro de 2014, ameaçou declarar a independência da República do Centro e Norte de Moçambique.

Em fevereiro de 2015, os dois negociaram a aprovação de uma lei para dar mais autonomia às províncias. O Parlamento rejeitou a proposta como inconstitucional em maio daquele ano.

A Renamo mantém seus redutos, como a Floresta de Gorongosa. A violência ocasional tende a continuar, prevê a empresa de consultoria e análise estratégica Stratfor.

Desde o acordo de paz, a Frelimo se concentrou no desenvolvimento da região da capital, Maputo, no Sul de Moçambique, que fica perto de Joanesburgo, a capital econômica da África do Sul, negligenciando o Centro e o Norte do país, onde estão as bases da Frelimo.

A partir da década passada, aumentou o interesse pelas regiões mais pobres por causa de suas jazidas de carvão e gás natural. A exploração do gás pelas empresas Anadarko, ENI e Statoil deve mobilizar investimentos de US$ 31 bilhões nos próximos cinco anos.

É uma quantia importante num país com produto interno bruto estimado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) US$ 12,345 bilhões no ano passado. Em duas décadas, o gás natural deve render US$ 37 bilhões a Moçambique e há potencial para novas descobertas.

Com esta riqueza, Moçambique deve se tornar uma economia baseada em hidrocarbonetos como Angola, segunda maior produtora de petróleo da África, depois da Nigéria. Como país litorâneo, os portos de Maputo, Beira e Nacala podem ser centros logísticos para o comércio exterior dos países sem saída para o mar.

Os recursos para um projeto de desenvolvimento capaz de fortalecer a unidade nacional estão dados. Ao mesmo tempo em que Moçambique crescia, a legitimidade do sistema eleitoral passou a ser contestada. Em 2009, o presidente Armando Guebuza ganhou um segundo mandato com 75% dos votos.

A seguir, houve uma mudança de gerações. Saíram os heróis da independência. O novo presidente, Filipe Nyusi, teve a eleição contestada por Dhlakama.

Grupo separatista basco ETA anuncia sua extinção

Seis anos e meio depois da abandonar o terrorismo e a luta armada, o movimento separatista Pátria Basca e Liberdade (ETA) comunicou publicamente sua dissolução, sem atingir o objetivo de criar um país basco independente e socialista unindo províncias do Nordeste da Espanha e do Sul da França, informou o jornal espanhol El País.

Com 378 palavras, a Declaração Final da ETA ao Povo Basco tenta justificar a luta armada sem reconhecer os danos causados às vítimas de suas ações terroristas. De acordo com o Ministério do Interior da Espanha, foram 854 assassinatos, 79 sequestrados, dos quais 12 assassinados, e 6.389 feridos.

A ETA nasceu em 1959, sob a ditadura do generalíssimo Francisco Franco, e aderiu à luta armada em 1968, na onda dos movimentos de libertação nacional de esquerda dos anos 1960s, quando o franquismo se aproximava do fim. Cometeu atos terroristas durante seis anos de franquismo e 36 entre a transição e a democracia. Foram 7% na ditadura e 93% na transição e na democracia.

Sob o pretexto de criar uma república socialista basca, tentou desestabilizar a democracia espanhola e o governo autônomo da região basca. Em 1979 e 1980, matou 244 pessoas para tentar impedir a criação do primeiro governo basco desde a Guerra Civil Espanhola (1936-39).

Quando o coronel Antonio Tejero Molina deu tiros dentro do Parlamento espanhol em ataque à democracia, em 23 de fevereiro de 1981, citou a ETA como desculpa para o golpe fracassado.

Inflação da Zona do Euro cai para 1,2% ao ano

O crescimento de preços nos 19 países da Europa que usam o euro como moeda continua fraco, abaixo de meta inflacionária do Banco Central Europeu (BCE), de 2% ao ano. Em abril, baixou para 1,2%, depois de uma alta de 1,3% em março, informou hoje o Eurostat, escritório oficial de estatísticas da União Europeia.

O núcleo do índice, expurgados os preços voláteis de energia e alimentos, ficou em 0,7%. Em março, foi de 1%.

Na semana passada, o presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, manifestou a esperança de que o crescimento pressione o índice de inflação a atingir a meta. A expansão de apenas 0,4% no primeiro trimestre ronda a estagnação e pode ter o efeito contrário, reduzindo a alta nos preços.

O presidente do Bundesbank, o banco central da Alemanha, Jens Weidmann, um dos falcões contrários a programas de estímulo com dinheiro público, declarou hoje que os formuladores da política monetária da Eurozona esperam que a inflação suba para 1,7% em 2020.

China instala mísseis em áreas disputadas do Mar do Sul da China

Nos últimos 30 dias, a China consolidou a ocupação militar do Mar do Sul da China, instalando mísseis antiaéreos e antinavios em ilhas artificiais construídas ilegalmente, noticiou ontem a televisão americana CNBC, especializada em economia. As águas territoriais são disputadas pela China com Brunei, as Filipinas, a Malásia, Taiwan e o Vietnã.

O regime comunista chinês reivindica a soberania sobre 90% da superfície do Mar do Sul da China com base em mapas antigos rejeitados pela Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas, com sede em Haia, na Holanda, em reclamação feita pelas Filipinas. Acaba de quebrar a promessa de não militarizar os recifes que transformou em ilhas artificiais.

A notícia atrapalha as negociações iniciadas hoje para evitar uma guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, que ainda não confirmaram a instalação dos mísseis. No mês passado, a China fez sua maior manobra de treinamento naval perto da ilha de Hainã. Três navios italianos que passaram pelo mar foram advertidos.

As relações da Austrália com a China, sua maior parceira comercial, se deterioraram desde que o governo australiano começou a combater a influência chinesa no país. O governo australiano está proibindo o fim de contribuições eleitorais vindas do exterior. A China protestou contra "a mentalidade da Guerra Fria e o viés ideológico" do que chamou de "típica histeria anti-China".

Os EUA fazem regularmente "operações de liberdade de navegação" no Mar do Sul da China. A Austrália não faz o mesmo deliberadamente.

Com seu extraordinário desenvolvimento econômico e a rápida ascensão a superpotência, a China intimida cada vez mais seus vizinhos. Ontem, fez um treinamento naval com munição real no Estreito de Taiwan.

Depois de uma dessas manobras militares, o ditador Xi Jinping declarou a bordo de um contratorpedeiro que a China precisa criar a maior força naval do mundo, o que a coloca em rota de colisão com os EUA.

Marrocos rompe com o Irã e se aproxima da Arábia Saudita

O reino do Marrocos fechou ontem sua embaixada em Teerã e retirou o embaixador, rompendo relações com o Irã. O ministro do Exterior marroquino, Nasser Bourita, acusou a república islâmica de fornecer armas para a Frente Polisário, que luta pela independência da República Árabe Saariana Democrática no Saara Ocidental, antigo Saara Espanhol, especialmente mísseis terra-ar, através da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus).

As relações bilaterais são difíceis há muito tempo. Em 2009, o Marrocos rompeu com o Irã por causa do apoio do regime fundamentalista iraniano a uma rebelião xiita no Bahrein. Na época, também acusou o Irã de tentar converter os marroquinos ao xiismo.

O Marrocos ocupa a maior parte do Saara Ocidental desde 1975, quando a Espanha abandonou a antiga colônia com a morte do ditador Francisco Franco. Em 1991, depois de anos de guerra da Frente Polisário contra os vizinhos Marrocos e Mauritânia, houve uma trégua dentro de um processo de paz conduzido pelas Nações Unidas. Mas o Marrocos nunca permitiu a realização de um plebiscito para que o povo saariano decidisse a questão da independência.

Em maio de 2005, o conflito ressurgiu como a Intifada da Independência e durou até novembro daquele ano. Desde então, houve várias ondas de protesto dos saarianos contra a dominação marroquina.

No mês passado, o Marrocos denunciou às Nações Unidas a ajuda da Argélia à Frente Polisário. Para contrabalançar a influência argelina, o Marrocos procura o apoio dos Estados Unidos da França e do Conselho de Cooperação do Golfo, liderado pela Arábia Saudita.

Sob a liderança do jovem príncipe herdeiro, Mohamed ben Salman, os sauditas lideram uma aliança sunita contra a expansão iraniana no mundo árabe e muçulmano. A Argélia é aliada do Irã.

Assim, a Arábia Saudita elogiou imediatamente a decisão do Marrocos de romper com o Irã. O governo marroquino espera agora auferir benefícios dados pela Arábia Saudita em razão do rompimento com Teerã.

Arábia Saudita espera retomar crescimento em 2018

Depois da cair em recessão no ano passado, a Arábia Saudita está a caminho de uma recuperação neste ano, afirmou em Riade o ministro das Finanças, Mohammed al-Jadaan, em entrevista ao jornal britânico Financial Times.

A expectativa oficial é de uma expansão acima de 2%, superior à previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI), de 1,7%, com queda no déficit orçamentário para 7% do produto interno bruto, de US$ 684 bilhões em 2017, depois de chegar a 13% em 2016 por causa da baixa nos preços do petróleo.

"A maior parte do crescimento será no setor não petrolífero, que é o que queremos. Também atinge nosso objetivo de desenvolver o setor privado", declarou o ministro. Ele destacou a importância de um plano de estímulo à iniciativa privada de US$ 19 bilhões, inclusive nos setores de educação e saúde.

Na sua opinião, a campanha anticorrupção deflagrada pelo príncipe herdeiro, Mohamed ben Salman, criou "um ambiente de negócios melhor", apesar das preocupações de investidores internacionais com as denúncias contra algumas das pessoas mais ricas da Arábia Saudita.

"O desempenho fiscal, a disciplina governamental e o crescimento da renda das pequenas e médias empresas enviam a mensagem correta, de que as coisas estão se movimentando na direção correta e que hoje há um ambiente melhor para investimentos do que em novembro", acrescentou Jaddan.

A campanha confiscou mais de US$ 100 bilhões de príncipes e altos funcionários, inclusive o homem mais rico do país, Alwaleed ben Talal. O príncipe Mohamed foi aos Estados Unidos, à França e ao Reino Unido em busca de investimentos, mas, até agora, pouco foi anunciado.

Seu plano de vender 5% das ações da companhia estatal de petróleo Saudi Aramco, maior empresa do mundo, com reservas de mais de 270 bilhões de barris e valor estimado de US$ 2 trilhões a US$10 trilhões, foi adiado para 2019. A expectativa é que seja um marco, uma mudança de paradigma para diversificar a economia saudita e reduzir a dependência do petróleo até 2030.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Manifestantes fecham estradas em mais protestos na Armênia

As manifestações de protesto retomaram a força hoje na Armênia, com bloqueio de ruas, estradas e estações de trem e de metrô, um dia depois que a Assembleia Nacional rejeitou a indicação do líder da oposição, o deputado Nikol Pashinian, para primeiro-ministro, informou a Rádio Europa Livre, financiada pelo Congresso dos Estados Unidos. Os protestos devem continuar até nova votação para escolher um chefe de governo, em 8 de maio.

Os armênios saíram às ruas em 13 de abril para impedir o ex-presidente Serge Sarkissian de se tornar primeiro-ministro depois de dez anos e dois governos medíocres em que a economia não avançou e a pobreza aumentou. Ele desistiu em 23 de abril.

Ex-jornalista crítico da corrupção no governo, Pashinian só conseguiu um voto do Partido Republicano da Armênia, liderado por Sarkissian, depois de liderar o movimento por seu afastamento.

Até agora, as manifestações chegaram a reunir 100 mil pessoas na capital armênia, Ierevã, mas foram pacíficas e a reação das autoridades, moderada.

A Rússia, que mantém a Armênia em sua esfera de influência, com 5 mil soldados russos para defender esta ex-república soviética, acompanha com atenção, mas não espera mudanças na política externa.

Durante o debate na Assembleia Nacional, Pashinian deixou claro que vai manter a aliança com a Rússia, essencial para a segurança da Armênia, diante do conflito com a ex-república soviética do Azerbaijão pelo território de Nagorno-Karabakh e da inimizade histórica com a Turquia, que acusa de genocídio durante a Primeira Guerra Mundial.

Se a situação degenerar em caos e anarquia e as relações bilaterais estiverem ameaçadas, a Rússia pode intervir.

Estado Islâmico ataca sede da comissão eleitoral da Líbia

A organização terrorista Estado Islâmico reivindicou a responsabilidade por um ataque em que terroristas suicidas e atiradores atacaram a sede central da comissão eleitoral da Líbia, em Trípoli, a capital do país. Pelo menos 11 pessoas foram mortas e o prédio foi incendiado, noticiou hoje a agência Reuters.

O ataque é mais uma tentativa de tentar impedir a organização de eleições a serem realizadas até o fim do ano como parte do esforço das Nações Unidas para criar um governo nacional capaz de unir, estabilizar e pacificar a Síria depois de anos de anarquia.

Sete anos depois da revolução e queda da ditadura de 42 anos do coronel Muamar Kadafi, com intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a aliança militar liderada pelos Estados Unidos, com o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas, três governos provisórios disputam o poder.

A Câmara dos Deputados com sede em Tobruk e seu governo, liderado pelo primeiro-ministro Abdullah al-Thani, é o principal órgão legislativo do Acordo Político Líbio. Mas seu controle é limitado, assim como de seu aliado, o general Khalifa Hifter, comandante do autoproclamado Exército Nacional da Líbia, fundado há quatro anos.

Com quartel-general em Bengázi, no Leste do país, este exército não conseguiu avanços importante no Oeste nos últimos 12 meses.

No Oeste da Líbia, onde fica a capital, Trípoli, o poder está nas mãos do Governo do Acordo Nacional e seu conselho presidencial, liderado pelo primeiro-ministro Fayez al-Serraj, reconhecido pela ONU como o governo oficial da Líbia. Mas o poder de fato está com as milícias de Trípoli, Zintã, Missurata e outras cidades. Elas sabem que o Exército Nacional não tem força para assumir o controle do país inteiro.

Rússia reduz orçamento militar pela primeira vez em 19 anos

Os gastos militares da Rússia diminuíram em 2017 pela primeira vez desde 1998, quando o país enfrentou um colapso econômico. No ano passado, a queda foi de 20% para US$ 63 bilhões, de acordo com o relatório do Instituto de Pesquisas da Paz Internacional de Estocolmo (SIPRI). É nove vezes menos do que os Estados Unidos, antes do aumento do orçamento pedido pelo presidente Donald Trump.

Em 2017, as despesas russas com defesa baixaram de 5,5% para 4,3% do produto interno bruto, estimado pelo Fundo Monetário Internacional em US$ 1,527 trilhão. Depois de anos de contração da economia, o Kremlin foi obrigado a fazer grandes cortes no orçamento de defesa que devem ter impacto sobre as compras e as operações.

Com a limitação orçamentária, apesar das bravatas do ditador Vladimir Putin sobre o míssel nuclear "invencível", o Kremlin tem de tomar decisões difíceis e escolher prioridades. Será necessário reduzir as ambições marítimas para reforçar o poderio terrestre, observa a empresa de consultoria e análise estratégica Stratfor.

A Rússia não vai abandonar os mares, mas sua defesa será baseada na dissuasão nuclear por terra, mar e ar. O sonho de Putin era um grande Programa de Armamentos do Estado (2018-25). Com os cortes orçamentários, não será possível modernizar 70% de suas Forças Armadas até 2020. O programa de armamentos deve receber a metade do dinheiro previsto.

O maior problema está na Marinha, que não passou por uma modernização significativa desde o fim da União Soviética, em 1991, observa a Stratfor. O único porta-aviões russo, o Almirante Kuznetsov, foi lançado ao mar em 1985. Sem muito dinheiro, o foco deve ser em sistemas de armas e não em investimentos pesados em grandes navios.

Em maio do ano passado, o vice-primeiro-ministro Dimitri Rodozin, encarregado da indústria bélica, admitiu que, "ao contrário dos Estados Unidos, a Rússia não é uma potência naval". É uma potência continental.

Durante a Guerra Fria, a importância dos submarinos nucleares era tanta que a Marinha de superfície era uma força auxiliar. A tendência é que isso continue. Os submarinos serão o setor da força naval a ser poupado dos cortes de gastos.

O mecanismo de dissuasão nuclear da Rússia se assenta num tripé: mísseis baseados em terra, aviões bombardeiros estratégicos e mísseis balísticos lançados de submarinos, acrescentam os analistas estratégicos.

Na Força Aérea, preveem, o Kremlin vai investir em grandes aviões de transporte e caças-bombardeiros, com foco no aperfeiçoamento da quarta geração de caças a jato, em vez de comprar novos modelos de última geração como o avião de combate invisível aos radares T-50.

Outras preocupações são tornar as Forças Armadas mais ágeis, flexíveis e letais, com munição precisa guiada, maior capacidade tecnológica, equipamentos de comando e controle de alta tecnologia, satélites espaciais e desenvolvimento de drones para missões de reconhecimento, vigilância e inteligência.

As regiões militares mais beneficiadas pelo programa de modernização das Forças Armadas da Rússia devem ser os comandos do Sul e do Oeste, com jurisdição sobre áreas consideradas essenciais para a segurança nacional do país como o Mar Báltico, a Ucrânia e o Cáucaso. O Comando Estratégico Conjunto do Ártico será promovido a região militar em 2020.

Na visão de Moscou, marcada pelo histórico medo do cerco da Rússia, o maior país do mundo, com 60 milhões de quilômetros de fronteiras marítimas ou terrestres sem fronteiras naturais na maioria da parte terrestre, o inimigo é a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, e sua expansão pós-Guerra Fria até a fronteira russa.

Putin quer manter as repúblicas da antiga União Soviética dentro da esfera da influência da Rússia, mas não tem o poder econômico necessário para dar peso à União Econômica da Eurásia. Também projeta seu poderio a regiões do Ártico à Síria, num caso clássico de sobre-extensão imperial, quando as ambições externas são maiores do que a matriz pode bancar.

Poluição do ar mata 7 milhões de pessoas por ano no mundo

Nove em cada dez habitantes da Terra respiram um ar com excesso de material particulado fino. Cerca de 7 milhões de pessoas morrem por ano por causa da poluição do ar, adverte um relatório publicado hoje pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com base em dados colhidos em 4,3 mil cidades de 108 países.

Este número de mortos supera os de mortes por diabete (1,6 milhão), tuberculose (1,4 milhão), acidentes de trânsito (1,3 milhão) e aids (1,1 milhão) somados.

A poluição do ar é "um grande fator de risco" para doenças não transmissíveis que estão na origem de 70% das mortes no mundo, acrescenta o documento da agência das Nações Unidas. É responsável por 29% das mortes por câncer de pulmão, 25% das mortes por acidentes vasculares cerebrais (AVCs), 24% das mortes por infarto e por 43% das doenças pulmonares obstrutivas, como asma, enfizema e broncopneumonias.

O maior número de mortes é registrado na Ásia sem o Oriente Médio (2 milhões), seguida pela África (1 milhão), Europa incluindo a Rússia (500 mil), o Oriente Médio (500 mil) e a América (300 mil).

"A poluição ameaça a todos nós, mas os mais pobres e mais marginalizados recebem a maior parte da carga", declarou o diretor-geral da OMS, o médico e ex-ministro etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus. "É inaceitável que 3 bilhões de pessoas - na maioria, mulheres e crianças - ainda inalem todos os dias fumaça mortal por usarem combustíveis e fogões poluentes dentro de suas próprias casas."

A OMS recomenda um limite anual de 10 microgramas por metro cúbico de material particulado fino, com diâmetro inferior a 2,5 micrômetros.

"Várias megalópoles do mundo inteiro, como Nova Déli, Beijim, Xangai, Lima e a Cidade do México, ultrapassam mais de cinco vezes este limite", comentou a diretora do Departamento de Saúde Pública da OMS, a médica espanhola María Neira.

Para coordenar os esforços dos países na luta contra esse "assassino invisível", a OMS vai realizar de 30 de outubro a 1º de novembro, em Genebra, na Suíça, a 1ª Conferência Mundial sobre Poluição do Ar e Saúde.

Crescimento da Zona do Euro cai no início de 2018

No primeiro trimestre deste ano, o ritmo da atividade econômica no conjunto dos 19 países da Europa que usam o euro como moeda comum foi o mais fraco em um ano e meio, confirmando uma desaceleração na Zona do Euro depois de uma expansão de 2,5% em 2017. 

Desde o verão de 2016, a Eurozona não andava tão devagar. O crescimento nos três primeiros meses de 2018 foi de apenas 0,4%, depois de um avanço de 0,7% no fim do ano passado.

Uma queda nos indicadores de confiança e o fraco desempenho da produção industrial e das exportações da Alemanha, maior economia da Europa e quarta do mundo, são sinais da estagnação.

Os executivos do setor manufatureiro esperam uma desaceleração do crescimento industrial em abril. Na Alemanha, na Holanda, na Itália, na Espanha e na Grécia, o índice dos gerentes de compra aponta um crescimento menor do que em março.

A França, segunda maior economia da Eurozona, também decepcionou, com alta do produto interno bruto de apenas 0,3% no trimestre passado, em comparação com 0,7% no fim de 2017. As exportações caíram 0,1%, depois de forte alta de 2,5% no fim do ano passado. O investimento das empresas subiu apenas 0,6%, quase metade do 1,1% do fim de 2017.

O ministro das Finanças da França, Bruno Le Maire, disse não estar preocupado, mas economistas já duvidam que a meta de crescimento de 2% neste ano seja atingida. Le Maire admite que "há algumas nuvens escuras no horizonte", como o risco de uma guerra comercial com os Estados Unidos e altas nas taxas básicas de juros.

Uma onda de greves contra as reformas liberais do presidente Emmanuel Macron afeta principalmente os transportes aéreos e ferroviários, prejudicando as viagens de milhões de trabalhadores franceses e a distribuição de mercadorias. As greves devem pesar negativamente no PIB do segundo trimestre.

A questão é se a desaceleração será apenas temporária ou a economia está estagnando. Os dados sobre o segundo semestre divergem.

Na semana passada, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, declarou que o banco analisa os dados com cautela, na expectativa de que o crescimento será suficientemente forte para levar o índice de preços ao consumidor para a meta inflacionária do BCE, de 2% ao ano.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Parlamento da Armênia rejeita indicação de líder da oposição para primeiro-ministro

A Assembleia Nacional da ex-república soviética da Armênia rejeitou hoje a indicação do líder da oposição, deputado Nikol Panchinian, para chefiar um novo governo, oito dias depois da queda do primeiro-ministro e ex-presidente Serge Sarkissian, que estava no poder há dez anos.

Sarkissian pediu demissão depois de onze dias de manifestações de rua. Panchinian prometeu manter os protestos se a nomeação não fosse confirmada. O Parlamento fará nova votação para escolher um novo primeiro-ministro em 8 de maio.

O Partido Republicano da Armênia recebeu 49% dos votos nas eleições de 2 de abril. Sarkissian foi eleito primeiro-ministro em 17 de abril. Como tinha prometido não se candidatar ao cargo quando aumentou os poderes do primeiro-ministro, numa reforma constitucional aprovada em 2015, uma multidão saiu às ruas em protestos.

Depois de dez anos de governos medíocres, Sarkissian manobrou para continuar no poder, mas foi repudiado durante manifestações de rua por 11 dias.

Hoje Panchinian era candidato único. Precisava de 53 votos. Obteve apenas 45. Só recebeu um voto do Partido Republicano.