O Exército de Israel matou hoje um palestino e feriu 170 manifestantes que protestavam junto à fronteira da Faixa de Gaza. Desde o início da Marchas do Retorno, convocadas pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), em 30 de março, 44 palestinos foram mortos, supostamente ao forçar a cerca da fronteira com Israel.
As manifestações devem continuar até 15 de maio, quando Israel festeja 70 anos de fundação. Na véspera, os Estados Unidos devem abrir sua nova embaixada, transferida de Telavive para Jerusalém, num reconhecimento de que esta é a capital de Israel.
Como o setor oriental e árabe de Jerusalém foi ocupado na Guerra dos Seis Dias, em 1967, a maioria dos países, inclusive o Brasil, não reconhece a cidade como capital e mantém suas embaixadas em Telavive.
Ao reivindicar o "direito de retorno", os seguidores do Hamas falam de todos os palestinos expulsos de suas casas e terras desde a criação de Israel, em 1948. Esta é uma das questões centrais das negociações de paz, que no momento estão estagnadas, ao lado da criação de um Estado palestino, das colônias nos territórios ocupados e do futuro status de Jerusalém. As marchas são realizadas toda sexta-feira, dia da folga religiosa semanal dos muçulmanos.
Se todos os palestinos voltassem, mudariam a composição demográfica de Israel. Num possível acordo de paz, é mais provável que o problema seja resolvido com uma indenização. Ao convocar as marchas, o Hamas quer denunciar a própria existência do Estado de Israel, que considera ilegítimo. Quer deslegitimar Israel. Rejeita a existência de Israel. Não é o caminho para a paz.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sexta-feira, 11 de maio de 2018
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Portugal festeja 40 anos da Revolução dos Cravos
No aniversário de 40 anos da Revolução dos Cravos, que acabou com o fascismo e o colonialismo em Portugal, o presidente conservador Aníbal Cavaco Silva fez um apelo à união nacional: "É difícil compreender que numa democracia consolidada agentes políticos responsáveis não consigam alcançar entendimentos sobre questões essenciais."
Durante sessão solene na Assembleia da República, o presidente acrescentou: "Sempre que estivemos unidos, estivemos mais próximos dos ideiais de abril. Não é por acaso que o espírito de compromisso e de entendimento entre as diferentes forças políticas está na base das regras do sistema democrático consagradas na nossa Constituição."
Mas o líder do Partido Socialista, o maior da oposição, deputado António José Seguro, advertiu que o Estado do bem-estar social criado pela revolução de 25 de abril de 1974 "está ameaçado" pela profunda crise econômica que abala Portugal desde 2011. O desemprego chegou a 17,5% em fevereiro de 2013. Em 1º de abril de 2014, estava em 15,3%, informa o Banco Central Europeu.
"Se em abril [de 1974] tínhamos um amigo em cada esquia, hoje temos duas pessoas sem trabalho", declarou o deputado José Luís Ferreira, do partido ecologista Os Verdes. Já o líder comunista, Jerónimo de Sousa, entende que, "mesmo quando tudo parece ameaçado e perdido, é na luta que temos a convicção inabalável de que nada está perdido para todo o sempre, de que é possível um país melhor."
Durante sessão solene na Assembleia da República, o presidente acrescentou: "Sempre que estivemos unidos, estivemos mais próximos dos ideiais de abril. Não é por acaso que o espírito de compromisso e de entendimento entre as diferentes forças políticas está na base das regras do sistema democrático consagradas na nossa Constituição."
Mas o líder do Partido Socialista, o maior da oposição, deputado António José Seguro, advertiu que o Estado do bem-estar social criado pela revolução de 25 de abril de 1974 "está ameaçado" pela profunda crise econômica que abala Portugal desde 2011. O desemprego chegou a 17,5% em fevereiro de 2013. Em 1º de abril de 2014, estava em 15,3%, informa o Banco Central Europeu.
"Se em abril [de 1974] tínhamos um amigo em cada esquia, hoje temos duas pessoas sem trabalho", declarou o deputado José Luís Ferreira, do partido ecologista Os Verdes. Já o líder comunista, Jerónimo de Sousa, entende que, "mesmo quando tudo parece ameaçado e perdido, é na luta que temos a convicção inabalável de que nada está perdido para todo o sempre, de que é possível um país melhor."
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