segunda-feira, 11 de maio de 2015

Macedônia acusa kossovares por ataque que deixou 22 mortos

O governo da ex-república iugoslava da Macedônia culpou hoje seis ex-guerrilheiros do Exército de Libertação do Kossovo de liderar um ataque que deixou oito policiais e 14 pistoleiros mortos ontem na cidade de de Kumanovo, no Norte do país, noticiou a televisão pública britânica BBC.

Mais de 30 macedônios e um albanês participaram do ataque em que 37 policiais saíram feridos. "A destruição é total", contou um macedônio que esteve nem Kumanovo.

No mês passado, cerca de 40 albaneses da antiga província sérvia do Kossovo atacaram uma delegacia de polícia para exigir a criação de um Estado albanês dentro da Macedônia. As tensões são grandes desde a guerra que libertou a província da ditadura de Slobodan Milosevic na Sérvia, em 1999.

Até hoje, o Kossovo não foi reconhecido como um país independente pelas Nações Unidas por causa do veto da Rússia, aliada da Sérvia.

Síria prende chefe do serviço secreto sob acusação de tramar golpe

A ditadura de Bachar Assad colocou o chefe do Escritório de Segurança Nacional, Ali Mamlouk, sob prisão domiciliar pela acusação de tramar um golpe de Estado. Em pouco mais de quatro anos de guerra civil na Síria, o regime está mais ameaçado do que nunca. 

Mamlouk estaria em contato com o serviço secreto da Turquia para trazer de volta ao país Rifat Assad, exilado no exterior desde que tentou derrubar, nos anos 1980s, seu irmão Hafez Assad, pai do atual ditador, noticiou hoje o jornal conservador britânico The Daily Telegraph. O governo turco trabalha ativamente contra Bachar.

No mês passado, dois outros chefes de serviços secretos sírios foram afastados. O general Rafik Chehadeh, chefe da inteligência militar, foi demitido depois que seus agentes atacaram e mataram Rustum Ghazaleh, diretor do Diretório de Segurança Política.

O conflito interno reflete a deterioração do regime sírio e a influência cada vez maior do Irã, seu maior patrocinador. Sem uma linha de crédito de US$ 15 bilhões aberta por Teerã, a economia síria teria entrado em colapso, admite o ministro das Finanças.

Hollande faz visita histórica a Cuba e pede fim do embargo

O presidente da França, François Hollande, faz hoje uma visita histórica a Cuba, com direito a um raro encontro com o comandante Fidel Castro. É o primeiro chefe de Estado de uma potência ocidental a visitar a ilha depois do reatamento do regime comunista com os Estados Unidos e a primeira visita de um presidente francês a Cuba. Mas chega à ilha que era vista pela esquerda europeia como um paraíso socialista mais interessado em fazer negócios, observa o jornal Le Monde.

De olho na abertura econômica do regime e no fim do embargo americano, "a França é a primeira, em nome da Europa e dos países ocidentais, a poder dizer aos cubanos que estamos a seu lado se eles decidirem eles mesmos atravessar as etapas necessárias rumo à abertura", declarou Hollande aos jornalistas que o acompanham. Na agenda, nenhum encontro com dissidentes.

Em Havana, o presidente francês prometeu se empenhar pelo fim do embargo econômico imposto pelos EUA depois da desapropriação de propriedades de americanos pela revolução cubana. Desde 1991, a França vota todos os anos pelo fim do embargo na Assembleia Geral das Nações Unidas.

"Vocês sabem que a França é a favor de suspender o embargo que trava o desenvolvimento cubano", afirmou Hollande diante de uma plateia de estudantes cuidadosamente selecionados pelo regime comunista na Universidade de Havana. Isso depende do Congresso dos EUA, cada vez mais reacionário.

Depois do fim da União Soviética, em 1991, Cuba enfrentou uma situação econômica muito difícil, aliviada pela ascensão de Hugo Chávez ao poder na Venezuela, em 1999. Com a crise econômica venezuelana, o regime comunista cubano iniciou uma abertura econômica sob Raúl Castro, que sucedeu Fidel em 2006.

Hoje há mais de 500 mil microempresas que o governo autorizou a funcionar para poder demitir 1 milhão de funcionários públicos num programa chamado oficialmente de "atualização" da economia. Décima maior parceira comercial de Cuba, a França quer aumentar sua participação no mercado cubano, que se reintegra plenamente ao sistema capitalista.

Ontem, depois de participar das comemorações do Dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial em Moscou, o ditador Raúl Castro visitou o Vaticano para agradecer a mediação do papa Francisco e da Igreja Católica no reatamento das relações com os EUA. Educado pelos jesuítas como o irmão Fidel, Raúl disse que com o atual papa pensa até em voltar à igreja.

Alemanha já admite referendo na Grécia sobre ajuste fiscal

Diante do impasse nas negociações com o governo esquerdista da Grécia, o ministro das Finanças linha-dura da Alemanha, Wolfgang Schäuble, admitiu hoje a possibilidade de realização de um referendo sobre o programa de ajuste fiscal. A Grécia pagou uma parcela de 750 milhões de euros devida hoje.

Ao chegar hoje a uma reunião de ministros das Finanças dos países da Zona do Euro em Bruxelas, na Bélgica, Schäuble reconheceu que, "se o governo da Grécia sente que deve realizar um referendo, pode ser uma medida correta perguntar ao povo grego se aceita o que é necessário ou se quer a alternativa", informou o jornal The Wall Street Journal.

O referendo é visto como uma iniciativa arriscada. Em caso de rejeição do rigoroso programa de ajuste fiscal imposto pela União Europeia (UE), o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), a alternativa seria a saída da Grécia da Zona do Euro.

Em 2011, quando o governo anterior da Grécia propôs a realização de um referendo em plena crise das dívidas públicas dos países da periferia da Eurozona, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, se opôs totalmente. Hoje, a crise está controlada na Espanha, na Irlanda e em Portugal. Uma saída grega não teria o mesmo impacto.

Desde 2009, a Grécia recebeu uma ajuda de 240 bilhões de euros, mas a dívida aumentou e a economia encolheu 25%, gerando uma grave crise social que levou ao poder, em janeiro de 2015, um governo liderado pela Coligação de Esquerda Radical (Syriza) com a promessa de romper com o programa de austeridade fiscal imposto pelos sócios europeus.

Entre outras promessas ao eleitorado grego, estão aumentar salários e recriar empregos públicos. Isso exige um dinheiro que a Grécia precisa tomar emprestado. A Alemanha e o resto da Eurozona estão dispostos a dar alguma margem de manobra ao governo da Grécia em troca de um plano de longo prazo para equilibrar as contas públicas do país.

Até agora, o governo esquerdista está devendo tanto aos eleitores quanto aos sócios europeus. O referendo visa a dar sustentação política para o próximo passo.

OPEP prevê petróleo abaixo de US$ 100 por barril por uma década

Numa avaliação pessimista, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) acredita que os preços do petróleo vão ficar abaixo de US$ 100 por barril nos próximos dez anos e analisa a possibilidade de cortar a produção para pressionar a alta, revela o rascunho de um relatório sobre a futura estratégia do cartel, informa o jornal The Wall Street Journal.

Na hipótese mais otimista, o cartel prevê que os preços do barril estejam em torno de US$ 76 em 2015, refletindo a preocupação dos países exportadores com o aumento da produção dos Estados Unidos e da exploração de óleo e gás natural do xisto betuminoso. Na pior das hipóteses, o barril custaria menos de US$ 40 daqui dez anos.

"Um preço de US$ 100 não está em nenhuma das hipóteses", observou um delegado que participou de um debate sobre a futura estratégia da OPEP em Viena na semana passada. É um problema a mais para o Brasil, que precisa de uma cotação em torno dos US$ 75 para ter lucro na exploração do petróleo na camada pré-sal.

Vários países exportadores em crise por causa de queda de 50% nos preços nos últimos 11 meses, entre eles Argélia, Irã e Venezuela, pressionaram a OPEP a restabelecer cotas de produção, abolidas em dezembro de 2011.

Os preços caíram de US$ 115 em junho de 2014 para menos de US$ 50 em janeiro de 2015. No momento, oscilam em torno de US$ 65. Pelos cálculos dos estrategistas da OPEP, só dois países-membros - o Catar e o Kuwait - podem financiar seus orçamentos com o barril a US$ 76. A Argélia precisa de um barril a US$ 130 e a Venezuela acima disso.

Por enquanto, a Arábia Saudita e o Iraque aumentam a produção para garantir suas fatias do mercado e o Irã deve fazer o mesmo se chegar a um acordo com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas e as sanções internacionais a seu programa nuclear forem suspensas.

Se os limites de produção foram reimpostos, a produção da OPEP vai cair para 32% do total mundial. Já foi superior a 50%.

Novo rei da Arábia Saudita rejeita convite de Obama

Num sinal de descontentamento com as negociações nucleares entre os Estados Unidos e o Irã, o novo rei da Arábia Saudita, Salman ben Abdul Aziz al-Saud, não vai participar de uma reunião nos dias 13 e 14 de maio com as monarquias petroleiras do Golfo Pérsico convocada pelo presidente Barack Obama, informa o jornal The New York Times. 

Até sexta-feira, a Casa Branca contava com a presença de Salman, que talvez ligue para Obama hoje para se explicar. Os países do Golfo querem, na reunião a ser realizada em Camp David, na casa de campo dos presidentes americanos, garantias de segurança dos EUA contra a expansão do Irã.

As grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha estão negociando até 30 de junho de 2015 um acordo para desarmar o programa nuclear do Irã e evitar que o país faça bomba atômicas. Israel e os países árabes não acreditam no compromisso do regime fundamentalista iraniano com o desarmamento nuclear.

No domingo, a agência oficial saudita revelou que o país será representado pelos recém-promovidos a primeiro príncipe herdeiro, o ministro do Interior, Mohamed ben Nayef; e segundo príncipe herdeiro, o ministro da Defesa, Mohamed ben Salman, filho do novo rei.

O rei do Bahrein, Hamad ben Issa al-Khalifah, também não vai. Com problemas de saúde, o sultão de Omã e o presidente dos Emirados Árabes Unidos nunca foram esperados. Os outros convidados são os emires do Kuwait e do Catar, que seguem hoje para Washington.

Para o governo Obama, a reunião visa a reassegurar os árabes de que os EUA não estão se retirando do Oriente Médio nem se acomodando diante de uma expansão crescente da influência do Irã no Bahrein, no Iraque, na Síria, no Líbano e no Iêmen.

As monarquias petroleiras também estão insatisfeitas com uma entrevista recente de Obama a Thomas Friedman, do NY Times. O presidente advertiu que certos países deveriam se preocupar com ameaças internas como "populações alienadas, jovens subempregados, uma ideologia destrutiva e niilista e, em alguns casos, uma sensação de que não há saída política legítima para expressar insatisfação".

Por causa do compromisso com a segurança de Israel, é improvável que os EUA assinem um tratado de defesa mútua com os países do Golfo, que teria de ser aprovado pelo Congresso. Mais provável é a venda de sistemas de defesa americanos de alta tecnologia.

A ausência do novo sultão dará a oportunidade aos EUA de avaliar os novos príncipes herdeiros nomeados por Salman, que representam uma mudança de gerações na política saudita.

domingo, 10 de maio de 2015

Milícias rivais fazem acordo de paz na República Centro-Africana

Dois grupos armados rivais da República Centro-Africana concordaram com um acordo de paz que exige que se desarmem e se submetam a processos por crimes de guerra, anunciou hoje o ministro da Defesa, citado pela agência de notícias Reuters.

O acordo assinado num fórum da paz realizado na capital centro-africana, Bangui, acaba com uma guerra civil de dois anos entre a milícia cristã Anti-Balaka e a milícia muçulmana Séléka. A França enviou tropas ao país e as Nações Unidas devem mandar uma força de paz de 10 mil soldados.

A milícia Anti-Balaka foi formada por cristãos depois da ascensão ao poder na República Centro-Africana de Michel Djotodia, em 2013.

Afeganistão mata 51 rebeldes em operações em todo o país

Em uma série de operações por todo o país, o Exército e a polícia do Afeganistão mataram 51 rebeldes, informou o Ministério do Interior afegão, citado pela agência de notícias oficial chinesa Nova China.

As ações foram realizadas nas províncias de Badaquistão, Badguis, Baglã, Fariabe, Gasni, Herate, Kandahar, Kunar, Kunduz, Josjã, Logar, Nangarrar, Paktia, Sar-e Pol, Urusgã e Zabul, numa tentativa das forças de segurança de assegurar seu controle sobre o país no momento em que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) se retira depois de 14 anos de intervenção internacional.

Diante da ofensiva do Estado Islâmico do Iraque e do Levante no Iraque, os Estados Unidos resolveram reconsiderar sua retirada. O presidente Barack Obama decidiu manter 9,8 mil homens para treinar as forças afegã e colaborar no combate ao terrorismo. A Guerra do Afeganistão já é o conflito mais longo da história dos EUA.

Neste momento, a milícia fundamentalista dos Talebã, que governou o Afeganistão de 1996 até a invasão americana de 2001, inicia sua ofensiva de verão e o Estado Islâmico tenta desde o início do ano estabelecer bases no país.

Exército do Iraque enfrenta Estado Islâmico em Faluja

Pelo menos 20 pessoas foram mortas hoje numa batalha entre as forças de segurança do Iraque e a milícia extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante pelo controle da cidade de Faluja, informou a agência oficial de notícias chinesa Nova China.

Três terroristas suicidas explodiram carros-bomba que mataram dez soldados iraquianos e feriram outros oito. As forças iraquianas contaram com o apoio da Força Aérea dos Estados Unidos, que bombardeou os rebeldes matando pelo menos sete.

A batalha de Faluja, na província de Ambar, acontece num momento em que o Exército do Iraque e as milícias aliadas enfrentam o Estado Islâmico em várias regiões do país.

A cidade foi palco de violentas batalhas durante a invasão americana ao Iraque. Depois que quatro americanos da empresa de segurança privada Blackwater foram mortos, arrastados e humilhados, em abril de 2004, os EUA contra-atacaram, matando 600 pessoas, na Primeira Batalha de Faluja.

A Segunda Batalha de Faluja, travada de 7 de novembro a 23 de dezembro de 2004, é considerada a maior a mais sangrenta da invasão americana ao Iraque. Foi o maior combate urbano enfrentado pelos fuzileiros navais dos EUA desde a Batalha da Cidade de Huê na Guerra Vietnã, em 1968. Pelo menos 1,2 mil rebeldes, 800 civis iraquianos, 95 soldados americanos, oito soldados iraquianos e quatro britânicos foram mortos.

Um dos principais objetivos era capturar Abu Mussab al Zarkaui, que se aliara à rede terrorista Al Caeda, transformando seu grupo em Al Caeda no Iraque. Pouco depois de sua morte, num bombardeio americano, em 7 de junho de 2006, a milícia passou a se chamar Estado Islâmico do Iraque, em 15 de outubro do mesmo ano.

Em 8 de abril de 2013, mudou de nome para Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Depois de tomar Mossul, a segunda maior cidade do Iraque, em 29 de junho de 2014, seu atual líder, Abu Bakr al-Baghdadi, proclamou um Califado com jurisdição universal e a organização passou a ser apenas Estado Islâmico.

China reduz taxas básicas de juros para estimular economia

Em mais uma tentativa de conter a desaceleração da segunda maior economia do mundo, o Banco Popular da China (BPC) anunciou hoje a terceira redução em suas taxas básicas de juros em seis meses. A medida entra em vigor nesta segunda-feira, noticiou o jornal The New York Times. 

A taxa que o banco central chinês cobra por empréstimos de um ano para financiar os bancos caiu 0,25 ponto percentual para 5,1% ao ano. A taxa que o banco central paga pelo dinheiro depositado pelos bancos no BPC baixou 0,25 ponto percentual para 2,25% ao ano.

Além da desaceleração, as autoridades monetárias chinesas estão preocupadas com o volume de dívidas do sistema financeiro por causa da rápida expansão do crédito nos últimos anos para enfrentar a crise financeira internacional. A explosão de uma bolha financeira ou imobiliária agravaria a situação econômica do país.

"O tamanho crescente da dívida está forçando a China a usar uma grande quantidade de recursos para pagar e refinanciar as dívidas", declarou na sexta-feira o relatório de política monetária do BPC, indicando que haveria menos espaço para aumentos nos gastos públicos.

A economia chinesa cresceu 7,4% em 2014, seu pior resultado desde 1990. No primeiro trimestre, avançou em ritmo de 7% ao ano, invejado pela imensa maioria do resto do mundo. Ainda assim, é o ritmo mais fraco em 25 anos e o desenvolvimento legitima o regime comunista.

sábado, 9 de maio de 2015

Presidente do Burúndi registra candidatura

Apesar das violentas manifestações de protesto contra uma segunda reeleição, o presidente do Burúndi, Pierre Nkurunziza, apresentou ontem sua candidato para concorrer a um terceiro mandato de cinco anos, informou o sítio de notícias turco World Bulletin.

A oposição acusa o atual líder de violar a Constituição do país e o acordo de paz que pôs fim a uma guerra civil entre a maioria hutu e a minoria tútsi em 2005.

Numa decisão estranha, o Tribunal Constitucional autorizou sua candidatura sob o argumento de que sua primeira eleição foi indireta pelo Congresso. Assim, Nkurunziza teria direito a um segundo mandato obtido com o voto popular.

Para tentar acalmar os manifestantes, o presidente do Burúndi prometeu que esta será sua última eleição, mas a população não parece convencida disso.

Rússia mostra força militar para esconder fraqueza

O protoditador Vladimir Putin organizou a maior parada militar da história da Rússia para festejar hoje os 70 anos da vitória da União Soviética e seus aliados sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. A seu lado, estava o ditador da China, Xi Jinping, que cultiva como novo aliado. Mas nenhuma demonstração de força consegue esconder a crise econômica do país.

Na Rússia, a Segunda Guerra Mundial é chamada de Grande Guerra Patriótica, o momento de maior glória e sacrifício da URSS. A pátria do comunismo perdeu 27 milhões de habitantes no pior conflito da história, cerca de 15% de sua população. Várias cidades soviéticas, como Kiev, a capital da Ucrânia; Leningrado, hoje São Petersburgo; e Stalingrado, hoje Volgogrado; foram declaradas "cidades heroicas".

Em 1995, Boris Yeltsin, primeiro presidente da Rússia pós-soviética, recebeu os líderes mundiais para a festa dos 50 anos da vitória na Europa.

O tom da comemoração russa começou a mudar em 2005, quando George W. Bush estava a seu lado na Praça Vermelha. Depois da Revolução Rosa (2003) na ex-república soviética da Geórgia e da Revolução Laranja (2004) na ex-república soviética da Ucrânia, Putin agradeceu a ajuda dos aliados ocidentais, mas atribuiu a vitória à bravura dos povos russo e soviéticos.

Na sua opinião, o fim da URSS foi "a maior catástrofe geopolítica do século 20". Putin tenta desesperadamente restaurar parte do poder imperial soviético. Quer manter zonas de influência e trata ex-repúblicas soviéticas como províncias, a pretexto de proteger os 25 milhões de russos que hoje moram no "exterior próximo", expressão usada para designar as outras ex-repúblicas da URSS.

Agora, Putin reescreve a história para apresentar o conflito na Ucrânia como uma continuação da luta contra o nazismo na Segunda Guerra Mundial. A anexação da Crimeia, em março de 2014, foi a primeira mudança de fronteiras na Europa à força desde 1945, uma violação da Carta das Nações Unidas e da ordem internacional do pós-guerra.

Mais de 6 mil pessoas foram mortas nos últimos 13 meses no Leste da Ucrânia. Sob o peso das sanções ocidentais contra a intervenção militar russa no país vizinho e da queda nos preços do petróleo, a Rússia entrou na segunda recessão em seis anos.

Dos 68 convites enviados, só cerca de 20 líderes mundiais apareceram hoje em Moscou, na maioria ditadores como Xi Jinping, da China; Raúl Castro, de Cuba; e Nursultan Nazarbaiev, recentemente reeleito com 98% dos votos no Casaquistão. Rejeitaram o convite Alemanha, Austrália, Bélgica, Bielorrúsia, Bulgária, Canadá, Croácia, Eslováquia, Eslovênia, EUA, Estônia, Finlândia, Geórgia, Holanda, Israel, Japão, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Montenegro, Noruega, Reino Unido, República Tcheca e Suécia.

O Brasil mandou o ministro da Defesa, Jacques Wagner. Apesar da aliança no grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que reúne grandes países emergentes, o governo Putin acredita que o Brasil cedeu à pressão dos EUA na questão ucraniana.

Amanhã, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, coloca flores num monumento em homenagem aos mortos. Ela é a principal negociadora entre Moscou e Kiev e Moscou e o Ocidente na crise atual.

Entre as estrelas da festa de Putin, além dos 16 mil soldados com diferentes uniformes da história da Rússia, estão os novos tanques T-14 Armata, o blindado Kurganets-25, o sistema de artilharia Koalitsiya e as plataformas móveis de lançamento de mísseis nucleares intercontinentais balísticos RS-24 Yars. Mais de 140 aviões de combate sobrevoaram a Praça Vermelha, inclusive os bombardeiros estratégicos que hoje invadem o espaço aéreo europeu como no tempo da Guerra Fria.

Sem conseguir concorrer economicamente com a Ásia e o Ocidente, o homem-forte do Kremlin tratou de fortalecer a indústria bélica da Rússia, um dos poucos setores competitivos da economia. Não basta para voltar a ser uma potência mundial, mas ajuda a ameaçar e desestabilizar os vizinhos e a ordem internacional.

A parada militar de hoje mostra que a Rússia continua sendo uma superpotência militar e está desenvolvendo equipamentos para modernizar suas Forças Armadas. Mas uma grande potência não se sustenta sem uma base econômica forte. Com a demonstração de força, o Kremlin tenta provar que, apesar da crise econômica, consegue mobilizar seus recursos para novas batalhas heroicas, como Stalin nos anos 1930s.

Mubarak e filhos são condenados por corrupção no Egito

Um tribunal de recursos do Egito manteve hoje a condenação do ex-ditador do Egito Hosni Mubarak e a três anos de cadeia por corrupção. As penas dos seus dois filhos, Alaa e Gamal, foram reduzidas de quatro para três anos, noticia o jornal egípcio Al Ahram.

Depois da sentença, os três foram levados para a prisão de Tora, enquanto a procuradoria calcula o tempo que os réus já passaram presos. Os advogados de Mubarak alegam que todos já cumpriram suas penas. Eles ainda podem apelar para tentar anular as condenações.

Em março de 2014, eles foram condenados por desviar 125 milhões de libras egípcias, cerca de US$ 50 milhões, alocadas para manutenção dos palácios presidenciais para obras em suas residências particulares. Foram multados em 125 milhões de libras e terão de devolver mais 21 milhões de libras egípcias (US$ 8,4 milhões) aos cofres públicos.

Depois de volta dos militares ao poder no golpe de Estado de 3 de junho de 2013, Mubarak foi absolvido pelas mortes de 852 pessoas durante a onda de protestos que levou à sua queda, em 11 de fevereiro de 2011, na chamada Primavera Árabe.

Morre o cantor que popularizou "We shall overcome"

Numa noite de abril de 1960, Guy Carawan cantou uma música folclórica pouco conhecida para um grupo de jovens estudantes negros de Raleigh, na Carolina do Norte, no Sul dos Estados Unidos. Sem saber, havia lançado um hino da luta pela liberdade.

Carawan morreu aos 87 anos em sua casa no Tennessee há uma semana, noticiou o jornal The new York Times. Em 1999, contou em entrevista que aprendeu a música com um amigo da Califórnia, onde nasceu.

We Shall Overcome ("Venceremos") foi cantada nas marchas pelos direitos civis em Selma e Montgomery, nos EUA, em 1965, na luta contra o regime segregacionista do apartheid na África do Sul, diante do Muro de Berlim e em apoio aos estudantes chineses massacrados na Praça da Paz Celestial, em Beijim, na China.

Confira também na inigualável voz soprano de Joan Baez e curta um show um pouco mais longo dela, de 1965, da BBC4.

Arábia Saudita marca início da trégua no Iêmen para 12 de maio

A Arábia Saudita e seus aliados sunitas marcaram para terça-feira próxima, 12 de maio de 2015, o início de uma "trégua humanitária" de cinco dias no Iêmen. 

Mais de 1,4 mil pessoas morreram na guerra civil iemenita desde o começo da intervenção militar saudita, em 25 de março de 2015, para conter o avanço dos rebeldes hutis rumo ao porto de Áden. Os últimos bombardeios aéreos se concentraram na província de Saada, um reduto dos hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã.

Os ataques destruíram centros de comando e controle dos rebeldes e danificaram o túmulo de Hussein al-Huti, o fundador do movimento.

Durante visita à Riade há dois dias, o secretário de Estado americano, John Kerry, propôs o cessar-fogo para levar ajuda humanitária aos civis. Os sauditas concordaram, desde que os hutis também cessassem as hostilidades.

Na próxima semana, o presidente Barack Obama promove uma reunião com países do Golfo Pérsico para discutir o acordo nuclear com o Irã e a instabilidade no Oriente Médio. As monarquias petroleiras querem um acordo militar com os EUA que as proteja do Irã, enquanto Washington pretende vender um sistema coordenado de defesa baseado em armas e equipamentos militares americanos.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Europa festeja 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial

Sem a mesma pompa, circunstância e unidade de comemorações anteriores, os aliados na Segunda Guerra Mundial festejaram hoje os 70 anos de capitulação da Alemanha nazista e do fim da guerra na Europa. Por causa do atual conflito entre a Rússia, os Estados Unidos e a União Europeia em torno da crise na Ucrânia, não houve uma cerimônia conjunta.

As homenagens começaram à meia-noite no porto de Gdansk, na Polônia, onde um bombardeio alemão, em 1º de setembro de 1939, marcou o início da guerra. Até 8 de maio de 1945, o conflito chegaria a todos os continentes. Ainda continuou no Japão até o lançamento das bombas atômicas em Hiroxima e Nagasaki, em 6 e 9 de agosto daquele ano.

Ao todo, foram pelo menos 55 milhões de mortos, sendo 27 milhões de soviéticos, 11 milhões de alemães e 6 milhões de judeus massacrados nos campos de concentração e centros de extermínio do Holocausto.

Em Londres, mais de um milhão de pessoas saíram às ruas quando o primeiro-ministro britânico Winston Churchill, um dos grandes heróis da guerra, anunciou que os combates cessariam à meia-noite. A morte de Adolf Hitler dias antes foi confirmada. A Europa arrasada acordava de um pesadelo que lhe custou a posição de centro do mundo que ocupava há cinco séculos.

Hoje de manhã, em Paris, o presidente François Hollande colocou flores no monumento aos soldados mortos na guerra. O mesmo fizeram em Londres os líderes dos três maiores partidos britânicos, o primeiro-ministro conservador David Cameron, o vice-primeiro-ministro liberal-democrata Nick Clegg e o agora ex-líder da oposição trabalhista, Ed Miliband depois de uma longa noite de eleições.

Na Alemanha, o presidente Joachin Gauck agradeceu aos exércitos que, nas suas palavras, "libertaram a Alemanha" do jugo nazista.

A Rússia festeja amanhã a vitória no que a União Soviética chamava de "grande guerra patriótica". Cerca de 90 das tropas alemãs foram derrotadas na frente russa, com o apoio logístico dos aliados, que garantiam o suprimento das forças soviéticas através do Irã. Mas hoje, sob o governo de Vladimir Putin, a Rússia reinterpreta a história para justificar as posições políticas do atual líder do Kremlin.

O conflito na Ucrânia é apresentado na mídia oficial como uma continuação da luta contra o nazismo. A presença marginal de um grupo neonazista Setor de Direita na luta contra o ex-presidente Viktor Yanukovich é usada para justificar a anexação da Crimeia e a intervenção militar de Moscou no Leste da Ucrânia.

Pela primeira vez desde 1945, as fronteiras da Europa foram mudadas à força, rasgando a Carta das Nações Unidas. Putin trava uma guerrinha particular na tentativa de restaurar ao menos em parte o poder imperial soviético, mas isola o país diplomaticamente, além de prejudicar a economia. Na era da globalização, a economia é a chave do poder global.

Os novos tanques e mísseis que vão desfilar amanhã na Praça Vermelha farão apenas um simulacro das grandiosas paradas militares do tempo da Guerra Fria para lembrar que as relações entre a Rússia e o Ocidente estão seu pior momento desde a abertura política iniciada pelo líder comunista Mikhail Gorbachev em 1985.

Toyota espera lucro recorde neste ano fiscal

Maior fabricante de automóveis do mundo, a companhia japonesa Toyota espera um lucro recorde no ano fiscal que termina, no Japão, em 31 de março de 2016, no embalo de um iene mais fraco e uma demanda mais forte nos Estados Unidos por seus veículos utilitários esportivos, informa o jornal The Wall Street Journal.

Será o terceiro lucro anual recorde consecutivo. Pelos resultados divulgados hoje, no ano fiscal encerrado em 31 de março passado, o faturamento da Toyota subiu 6% para o equivalente a US$ 227 bilhões, gerando lucros 19% maiores, de US$ 18,08 bilhões.

Pelo segundo ano seguido, o lucro da Toyota foi superior aos ganhos da Volkswagen e da General Motors somados. A VW é a segunda maior empresa do setor automobilístico e a GM, a terceira. Neste ano fiscal, o crescimento do lucro deve ser menor.

"Este ano será decisivo para a Toyota saber se pode dar um passo firme rumo a um crescimento estável ou se vai voltar aos velhos caminhos", declarou o presidente Akio Toyoda ao divulgar os dados sobre o desempenho da companhia.

Neto do fundador da empresa, Toyoda a recolocou em crescimento depois de um prejuízo seis anos atrás, o primeiro em 70 anos de história da Toyota. Os problemas foram causados na época pelo recolhimento de mais de 9 milhões de veículos da empresa com defeitos de fabricação em 2009.

Para superar a GM, que era líder do setor há 77 anos, e se tornar a maior do mundo, em 2008, a Toyota deixara cair seu famoso controle de qualidade. Em março de 2014, pagou uma multa de US$ 1,2 bilhão à Justiça dos EUA por esconder defeitos causadores de acidentes graves.

De lá para cá, houve novos recolhimentos, de mais de 7 milhões de veículos com problemas nos air bags, os sacos de ar que se inflam automaticamente em caso de acidente para amortecer o choque. Mas, como indicam os números, a Toyota retomou seu programa de qualidade total.

EUA geram 223 mil vagas e desemprego cai para 5,4%

Depois de uma grande desaceleração da economia durante o rigoroso inverno, as empresas dos Estados Unidos retomaram o ritmo forte de contratações em abril de 2015. O mercado de trabalho americano gerou 223 mil vagas de emprego a mais do que fechou. A taxa de desemprego caiu de 5,5% para 5,4%. É a menor em sete anos.

No relatório de emprego divulgado hoje, o saldo de empregos criados em março caiu de 126 mil da estimativa inicial para 85 mil. O dado de fevereiro foi levemente reajustado para cima, de 264 para 266 mil postos de trabalho.

A taxa de desemprego ampla, que conta os empregados em meio expediente e desempregados de longo prazo, caiu de 10,9% para 10,8%. O salário médio ficou em US$ 24,87 por hora, uma alta de 2,2% em 12 meses. A jornada de trabalho semanal média foi de 34 horas e meia.

O mau desempenho de março, o pior desde meados de 2012, foi atribuído a problemas temporários. Com o índice de desemprego se aproximando de 5%, considerada a taxa de pleno emprego pela maioria dos economistas, o mercado de trabalho volta a se perguntar quando a Reserva Federal (Fed), o banco central americano vai voltar a aumentar as taxas básicas de juros.

Para combater a Grande Recessão, desde dezembro de 2008, a taxa básica do Fed está em praticamente zero. No momento, os analistas preveem a retomada da alta de juros em setembro.

A taxa de crescimento da economia dos EUA caiu para apenas 0,2% ao ano no primeiro trimestre. Esse número deve ser revisado para baixo, tornando-se negativo, tendo em vista o forte aumento do déficit comercial.

Líderes de partidos derrotados renunciam no Reino Unido

Depois da uma expressiva vitória do Partido Conservador, que elegeu 331 dos 650 deputados da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, o líder da oposição, Ed Miliband, renunciou hoje de manhã à liderança do Partido Trabalhista. O ex-vice-primeiro-ministro Nick Clegg deixou a liderança do Partido Liberal-Democrata e o mesmo fez Nigel Farage, do ultradireitista Partido da Independência do Reino Unido (UKIP).

No discurso da vitória, o primeiro-ministro David Cameron acenou com uma "Grã-Bretanha ainda maior", mas a realidade é outra. Sob pressão do UKIP e da ala eurocética do Partido Conservador, se fosse reeleito, Cameron prometeu convocar até 2017 um referendo sobre a saída do país da União Europeia. Se o sentimento antieuropeu insuflada pela imprensa sensacionalista ganhar, será desastroso para a economia do país, hoje a quinta maior do mundo.

Com a eleição de apenas 232 deputados, o Partido Trabalhista teve seu pior resultado desde 1987, na última eleição de Margaret Thatcher. O vice-líder do partido e ministro das Finanças do governo paralelo da oposição, Ed Balls, perdeu sua cadeira.

Miliband declarou ter feito o melhor possível nos últimos cinco anos, sem sucesso: "Chegou a hora de outra pessoa assumir a liderença deste partido", declarou, insistindo em que "o trabalhismo voltará".

A dúvida é qual trabalhismo, o neotrabalhismo de Tony Blair, que levou o partido para o centro ao aceitar a economia de mercado e abandonar as ambições socialistas - e ganhou três eleições consecutivas, ou o antigo trabalhismo apoiado nos sindicatos que Miliband tentou ressuscitar. Uma das bases do partido, de onde saíram alguns fundadores e o primeiro líder, a Escócia, desapareceu.

Muito abatido, o ex-vice-primeiro-ministro Nick Clegg admitiu que o desempenho do PLD ficou "muito abaixo das piores expectativas", mas insistiu que ainda há espaço no país para ideias políticas liberais. Ele salvou sua cadeira.

Na extrema direita, depois de vencer as eleições para o Parlamento Europeu no ano passado, Farage pretendia formar uma pequena bancada do UKIP. Só elegeu um deputado. Ele ameaçava abandonar a política se não conseguisse uma vaga no Parlamento Britânico. Com medo de um possível governo trabalhista, a direita concentrou o voto no Partido Conservador.

Outra novidade é a eleição de 187 mulheres, um terço da Câmara dos Comuns.

Além da inesperada vitória conservadora e do avanço feminino, o grande fenômeno dessas eleições foi o crescimento espetacular do Partido Nacional Escocês, sob a liderança de Nicola Sturgeon. Sete meses depois de perder por 55% a 45% o referendo sobre a independência, os nacionalistas elegeram 56 dos 59 deputados da Escócia no Parlamento de Westminster, que querem abandonar.

Se o primeiro-ministro mantiver a promessa e convocar o referendo sobre a UE, há uma grande chance de que os eurocéticos saudosos do passado de glória do Império Britânico votem a favor da retirada. Neste caso, é provável que a Escócia queira continuar sendo parte da Europa unida.

O maior império que o mundo já viu ficaria reduzido à pequena Inglaterra e ao País de Gales. Durante o governo Cameron, o Reino Unido recuou de seu papel de potência mundial.

Quando o ditador Bachar Assad usou armas químicas na guerra civil da Síria apesar de uma ameaça de bombardeios dos Estados Unidos e aliados, havia a expectativa de que o Reino Unido o acompanhasse como um aliado fiel e incondicional desde que os EUA entraram na Segunda Guerra Mundial, em 1942. O Parlamento Britânico negou autorização a Cameron.

Como o ex-primeiro-ministro Tony Blair saiu do governo desmoralizado em 2007, depois de apoiar a invasão ilegal do Iraque por George W. Bush, em 2003, Cameron rompeu na prática a "relação especial" com os EUA. Se o Reino Unido deixar a UE, perderá a importante função de ponte entre EUA e Europa.

Setenta anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, em que o país resistiu heroicamente aos bombardeios e à expansão da Alemanha nazista antes que a União Soviética e os EUA entrassem na guerra, o Reino Unido está deixando de ser uma potência mundial.

Conservadores devem ter maioria absoluta no Reino Unido, prevê BBC

Com menos de 40 dos 650 distritos ainda por declarar o resultado das eleições gerais de 2015 no Reino Unido, o Partido Conservador pode chegar a 329 deputados, o que lhe daria maioria absoluta na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, projeta a televisão pública britânica BBC.

Reeleito contra a expectativa criada pelas pesquisas pré-eleitorais, que previam uma disputa muito mais apertada, o primeiro-ministro David Cameron prometeu manter a unidade do Reino Unido, ameaçado pela vitória dos partidários da independência da Escócia e pelo referendo sobre a permanência na União Europeia que ele ficou de convocar até 2017.

É o primeiro governo britânico que amplia sua bancada no Palácio de Westminster desde Margaret Thatcher em 1983, depois da vitória sobre a Argentina na Guerra das Malvinas, em 1982.

 O líder da oposição trabalhista, Ed Miliband, reconheceu a derrota e pode renunciar à liderança do partido nas próximas horas. O Partido Trabalhista foi varrido da Escócia pelo Partido Nacional Escocês, enquanto o Partido Liberal-Democrata foi massacrado, perdendo 49 deputados, a maioria para os conservadores, aliados na coligação do primeiro governo Cameron. Seu líder, o vice-primeiro-ministro Nick Clegg, também deve renunciar.

Até o momento, os conservadores elegeram 303 deputados; os trabalhistas, 222; os nacionalistas escoceses, 56 dos 59 da Escócia; os liberais-democratas, 8; o Partido Unionista Democrático, da Irlanda do Norte, 8; o Sinn Féin, também da Irlanda do Norte, 4; o partido nacionalista galês Plaid Cymru, 3; o Partido Trabalhista e Social-Democrata, da Irlanda do Norte, 3; o Partido Verde, 1; e o Partido da Independência do Reino Unido, 1.

Como os deputados do Sinn Féin, o partido republicano e nacionalista irlandês ligado ao Exército Repúblicano Irlandês, não assumem as cadeiras que conquistam na Irlanda do Norte para não jurar lealdade à coroa britânica, a maioria absoluta na Câmara dos Comuns cai de 326 para 323 deputados.

Exportações e importações da China caem de novo

Em mais um sinal das dificuldades da segunda maior economia do mundo, as exportações da China caíram 6,2% em abril de 2015 na comparação anual, enquanto as importações baixaram 16,2% em 12 meses, refletindo a fraqueza do consumo interno.

A corrente de comércio diminuiu, mas o saldo comercial aumentou de US$ 3,1 bilhões em março para US$ 34,1 bilhões em abril.

"Obviamente, é pior do que esperado", lamentou o economista Larry Hu, do grupo Macquerie. "São mais dados ruins, então as políticas de estímulo devem continuar.

Em março, em dados anualizados, as exportações registraram baixa de 14,6%, ou seja, a queda em abril foi menor. Já as importações haviam tido uma redução menor em março, de 12,7%.

A China cresceu em ritmo de 7% ao ano no primeiro trimestre de 2015, o pior resultado para o período em seis anos, mantendo uma tendência de desaceleração do crescimento, depois de fechar 2014 com expansão de 7,4%, a menor desde 1990, quando o país enfrentava sanções internacionais por causa do Massacre na Praça da Paz Celestinal, em Beijim, em junho de 1989.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Conservadores estão perto da maioria no Reino Unido, diz pesquisa

O Partido Conservador, do primeiro-ministro David Cameron, venceu as eleições gerais no Reino Unido e deve eleger 316 dos 650 deputados da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, dez a menos do que a maioria absoluta, indica uma pesquisa de boca de urna divulgada há pouco pela televisão pública britânica BBC.

Pela mesma pesquisa, a oposição trabalhista conquistou 239 cadeiras, 19 a menos do que tem hoje, uma derrota de seu líder, Ed Miliband, que chegou a ser apontado como favorito para formar um governo de coalizão, mas é considerado inapto para governar o país pela maioria dos eleitores.

A terceira maior bancada no Palácio de Westminster será do Partido Nacional Escocês, que luta pela independência da Escócia. Os nacionalistas escoceses se encaminham para eleger 58 dos 59 deputados escoceses no parlamento do qual querem se livrar.

A maior derrota foi do Partido Liberal-Democrata, do vice-primeiro-ministro Nick Clegg, parceiro menor da coalizão governante, que sofreu o desgaste de estar no governo sem mandar nele. Deve perder 47 deputados e ter sua bancada reduzida para apenas 10. É o suficiente para garantir uma nova maioria a Cameron, se os números da pesquisa se confirmarem.

Em princípio, a maioria absoluta na Câmara dos Comuns seria de 326 deputados. Mas os deputados do partido nacionalista e republicano irlandês Sinn Féin não assumem as cadeiras que conquistam na Irlanda do Norte por se negarem a jurar lealdade ao Reino Unido. Assim, a maioria cai para 323 deputados.

O ultradireitista Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), que culpa os imigrantes por todos os males do país e quer sair da União Europeia, mais votado nas eleições do ano passado para o Parlamento Europeu, terá apenas dois deputados. Sua votação poderia ter dado a maioria absoluta aos conservadores.

O Partido Verde deve eleger dois deputados e o partido nacionalista galês Plaid Cymru quatro deputados, no País de Gales.

EUA e Arábia Saudita anunciam trégua de cinco dias no Iêmen

Durante visita do secretário de Estado americano, John Kerry, a Riade, os Estados Unidos e a Arábia Saudita anunciaram hoje um cessar-fogo de cinco dias por razões humanitárias no Iêmen, onde uma intervenção militar saudita tenta conter uma ofensiva de rebeldes apoiados pelo Irã, noticiou a agência Associated Press (AP).

A trégua depende agora da concordância dos rebeldes hutis, xiitas zaiditas que invadiram a capital, Saná, em setembro de 2014 e dissolveram o governo do presidente Abed Rabbo Mansur Hadi em fevereiro de 2015. Um mês e meio depois, os sauditas entraram na guerra civil iemenita liderando uma aliança de países sunitas preocupados com o aumento da influência iraniana no Oriente Médio.

O novo ministro do Exterior saudita, Adel al-Jubeir, prometeu o fim dos bombardeios aéreos e uma ajuda de US$ 274 milhões ao Iêmen. O secretário Kerry convocou as partes a negociar os termos da trégua humanitária, que pode ser prorrogada. É o primeiro passo para a abertura de negociações para pacificar o mais pobre país árabe.

A caminho de Riade, Kerry fez uma escala ontem na República do Djibuti, um pequeno país da região do Chifre da África espremido entre a isolacionista Eritreia e a anárquica Somália - tradicional aliado da Arábia Saudita, situada, assim como o Iêmen, do outro lado do Mar Vermelho.

Depois do fechamento da embaixada dos EUA em Saná, a capital iemenita, em 11 de fevereiro de 2015, as ações militares americanas na região estão sendo realizadas a partir do Campo Lemonnier, próximo ao aeroporto da capital, Djibuti.

É a única base militar dos EUA na África. Desde então, é o centro das operações antiterrorismo, dos ataques de drones contra a rede Al Caeda na Península Arábica, que se instalou no Iêmen para fugir da repressão saudita.

Hoje foi anunciada a morte de um dos comandantes da rede terrorista meses atrás num ataque de drones.

Viagra pode ser útil para combater a malária

Ao enrijecer os glóbulos vermelhos infectados pelo parasita causador da malária, o medicamento anti-impotência Viagra ajuda a eliminá-lo do sangue, reduzindo o risco de transmissão da doença. A conclusão é de um estudo divulgado hoje do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas da França (CNRS), da Universidade de Paris Descartes, do Instituto Pasteur e da Faculdade de Higiene e Medicina Tropical da Universidade de Londres.

O plasmodium falciparum, protozoário causador do tipo de malária mais agressivo, tem um ciclo de desenvolvimento complexo realizado em parte no mosquito anofeles e completado no corpo humano. No momento, os tratamentos visam às formas assexuadas do plasmódio. As conclusões da pesquisa, publicadas na revista acadêmica PLOS, apontam a necessidade de se desenvolver tratamentos contra as formas sexuadas do parasita.

O ciclo de vida do plasmódio começa quando uma fêmea do mosquito anofeles pica um ser humano. Antes de sugar o sangue, o inseto injeta na corrente sanguínea uma saliva anticoagulante rica em plasmódios.

Em menos de 30 minutos, os plasmódios se instalam no fígado, onde se transformam em esquizontes, que são maiores e têm vários núcleos. Por reprodução assexuada, eles geram milhares de merozoítos, que em seis dias invadem os eritrócitos ou glóbulos vermelhos.

Na infecção pelo plasmodium falciparum, todos os esquizontes se transformam em merozoítos. Em formas menos agressivas de malária, podem ficar em estado latente no fígado provocando a reincidência da doença aparentemente curada, às vezes anos depois.

As formas sexuadas do parasita nascem por meiose dos merozoítos capturados pela medula óssea dos seres humanos antes de serem jogados na corrente sanguínea. Ao picar um ser humano infectado, o anofeles absorve os macrogametas e microgametas. No estômago do mosquito, eles vão se combinar para gerar ovos ou zigotos.

Estes ovos vão se transformar em esporozoítos, que migram para as glândulas salivares do inseto, de onde voltam a contaminar seres humanos picados pelo mosquito.

Na pesquisa, os cientistas usaram vários fármacos para testar sua capacidade de enrijecer os eritrócitos. Descobriram que o citrato de sildenafila, princípio ativo do Viagra, ajudava na eliminação das células vermelhas infectadas pelo baço.

Os pesquisadores sugerem que mudanças no princípio ativo do Viagra para inibir a função erétil, ou experiências com agentes similares podem levar a novos tratamentos que impeçam a transmissão da malária dos homens para os mosquitos, rompendo o ciclo de desenvolvimento das formas sexuadas do protozoário.

Rebeldes sírios pedem aos EUA para preparar a queda de Damasco

O presidente da Coalizão Nacional das Forças de Oposição pela Revolução na Síria, Khaled Khoja, pediu hoje cobertura aérea dos Estados Unidos para que os rebeldes possam criar uma zona segura para instalar um governo de transição, informou o jornal turco Hürriyet.

Com o apoio dos EUA, duas potências regionais aliadas de Washington, Arábia Saudita e Turquia, fizeram uma aliança para financiar, treinar e armar os rebeldes sírios luta dos rebeldes contra a ditadura de Bachar Assad, aliado do Irã e da Rússia.

Nas últimas semanas, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante e o Exército da Conquista (Jaish al-Fatah), uma aliança das milícias Ahrar al-Cham e Jabhat al-Nusra, avançaram nas províncias de Idlibe e Lataquia, no Oeste da Síria, e na periferia da capital, Damasco.

Quando os EUA entraram na guerra contra o Estado Islâmico, em setembro de 2014, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, não aderiu à aliança articulada por Washington sob o argumento de que a grande ameaça à segurança do Oriente Médio era a ditadura de Assad. Hoje, o ministro da Energia turco, Taner Yildiz, declarou não haver nenhum plano para intervir militarmente na Síria de imediato.

O apoio aos rebeldes está na pauta da viagem do secretário de Estado americano, John Kerry, ao Oriente Médio. Hoje ele está na Arábia Saudita, onde os dois países anunciaram uma trégua humanitária na guerra civil do Iêmen, onde uma coalizão sunita liderada pelos sauditas luta contra rebeldes apoiados pelo Irã.

Justiça dos EUA declara ilegal coleta de dados telefônicos

O Tribunal Federal de Recursos de Nova York considerou ilegal a coleta sistemática de dados sobre ligações telefônicas de americanos pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), reportou hoje o jornal The New York Times.

Por unanimidade, uma turma de três juízes decidiu que a Lei Patriótica, aprovada no governo George W. Bush para combater o terrorismo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, não pode ser interpretada de forma a autorizar o programa de megaespionagem denunciado pelo ex-agente Edward Snowden. A NSA abusou dos poderes.

Na próxima semana, a Câmara dos Representantes dos EUA, dominada pela oposição republicana, pode votar um projeto capaz de alterar significativamente o programa, mas o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, é contra. Há dois outros casos questionando o programa em fase de apelação na Justiça do país.

Com a decisão da Justiça, aumenta a pressão sobre o Congresso, que precisa prorrogar a vigência da Lei Patriótica além do prazo atual, de 27 de julho de 2015.

A NSA cruza os dados sobre ligações telefônicas para tentar descobrir padrões de contato entre os cidadãos capaz de levantar suspeitas sobre atividades ilegais, numa violação do sigilo constitucional para proteger as telecomunicações.

"Esta decisão é uma vitória do Estado de Direito que vai pressionar o Congresso a agir", comemorou Alexander Abdo, porta-voz da União Americana das Liberdades Civis (ACLU). "A moderna tecnologia criou oportunidades enormes, mas também permite a vigilância numa escala sem precedentes numa sociedade livre. A decisão de hoje é uma oportunidade para redobrar a defesa dos princípios constitucionais que fizeram de nossa nação o que é hoje."

A contestada Seção 215 da Lei Patriótica também foi usada para o governo americano coletar em massa mensagens de correio eletrônico. A CIA (Agência Central de Inteligência), o serviço de espionagem da Presidência dos EUA, ainda coletou os dados sobre remessas e transferências internacionais de dinheiro. Essas duas questões não foram objeto da decisão anunciada hoje.

Reino Unido vota em eleições que podem desmanchar o país

As urnas estão abertas nesta quinta-feira, 7 de maio de 2015, de 7h (3h em Brasília) às 22h (18h em Brasília) para as eleições dos 650 deputados da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico. 

Cerca de 45 milhões de eleitores estão aptos a votar em 50 mil seções eleitorais. Nas eleições anteriores, em 2010, 65% compareceram às urnas. Mais do que o próximo governo, está em jogo o futuro do Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte.

Se for reeleito, o primeiro-ministro conservador David Cameron promete convocar até 2017 um referendo sobre a permanência na União Europeia. Sair do bloco europeu pode ser desastroso para o país que é hoje a quinta maior economia do mundo e provavelmente levaria à independência da Escócia.

Com 34% nas preferências, é improvável que o Partido Conservador consiga formar o próximo governo sozinho e nem mesmo com a ajuda do Partido Liberal-Democrata, liderado pelo vice-primeiro-ministro Nick Clegg parceiro menor na coalizão, que deve ficar com 9% dos votos. O PLD paga o preço de ser governo sem mandar de fato.

Os conservadores perderam votos à direita para o Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), que culpa os imigrantes por todos os problemas do país e quer sair da UE. Cameron fez campanha em cima da recuperação econômica. O Reino Unido foi o país rico que mais cresceu em 2014, 2,8%, mas o ritmo caiu para 0,2% no último trimestre, e a retomada desigual favorece os ricos. Elitistas, os conservadores são vistos como distantes da realidade do cidadão comum.

Popular entre ingleses brancos desempregados e a classe média empobrecida pela crise, o UKIP, torna o Partido Conservador ainda mais eurocético ao roubar-lhe o eleitorado menos educado, alimentando o antieuropeísmo que pode levar o reino a deixar a UE. Tem 12% das preferências.

O outro candidato a liderar o próximo governo é o líder do Partido Trabalhista, Ed Miliband. Com 33% nas pesquisas, os trabalhistas não conseguirão formar o próximo governo sozinhos, em parte por causa do avanço do Partido Nacional Escocês (PNE).

Depois de perderem o referendo sobre a independência da Escócia em 2014 por 55% a 45%, os nacionalistas se encaminham para eleger todos os deputados escoceses do Parlamento Britânico, do qual querem se separar. Na Câmara dos Comuns recém dissolvida, a oposição trabalhista tinha 40 dos 59 deputados da Escócia.

Isso significa que numa Câmara sem maioria absoluta, o PNE e sua nova líder, Nicola Sturgeon, a grande estrela desta campanha eleitoral, podem ter um papel decisivo na formação de um governo trabalhista. Seu principal objetivo declarado é derrotar os conservadores.

Na reta final da campanha, Miliband prometeu não fazer qualquer acordo capaz de comprometer a unidade do Reino Unido. Aos nacionalistas escoceses, naturalmente, só interessa barganhar concessões que aumentem a autonomia rumo à independência.

Assim, ganham conservadores ou trabalhistas, estas eleições ajudam o movimento nacionalista escocês, que terá uma representação no Palácio de Westminster proporcionalmente como maior do que sua votação.

Como o Reino Unido adota o voto distrital em turno único, historicamente sempre houve uma tendência ao voto útil nos dois grandes partidos. Desta vez, além do UKIP e do PNE, o Partido Verde e o partido nacionalista galês Plaid Cymru ajudam a atrapalhar a eleição de uma maioria absoluta. Mas, por causa do voto distrital, os pequenos partidos terão representação muito inferior às que teriam com o voto proporcional.

A primeira grande dúvida hoje é que governo sairá das eleições. A segunda é se conseguirá manter a unidade de um dos países mais importantes dos últimos séculos, que construiu o maior de todos os impérios e legou à humanidade o habeas corpus, a primeira Constituição, a Magna Carta, o júri popular, a língua inglesa, o parlamentarismo e a Revolução Industrial.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Candidato socialista à Casa Branca quer dividir grandes bancos

O senador Bernie Sanders, único desafiante até agora da candidadura da ex-secretária de Estado e ex-primeira-dama Hillary Clinton à Presidência dos Estados Unidos pela Partido Democrata, anunciou ontem a intenção de dividir as grandes empresas do setor financeiro. 

Socialista assumido, Sanders está nitidamente à esquerda de Hillary, que por sua vez está à direita do presidente Barack Obama. A a ala esquerdista do partido apostava na candidatura da senadora e ex-professora da Universidade de Harvard Elizabeth Warren para empurrar Hillary mais para a esquerda.

Pela proposta de Sanders, o Conselho de Supervisão da Estabilidade Financeira deve fazer uma lista do bancos e das instituições "grandes demais para falir", que contam com o apoio do governo nos momentos de crise.

"Se uma instituição é grande demais para falir, é grande demais para existir", declarou o candidato socialista à Casa Branca.

Grécia paga FMI e evita calote por enquanto

Sem ter chegado a um acordo definitivo com seus sócios da Zona do Euro, o governo radical de esquerda da Grécia pagou hoje 200 milhões de euros de juros devidos ao Fundo Monetário Internacional (FMI), noticiou a agência Reuters.

A expectativa do mercado é que a Grécia tenha mais dificuldade para pagar 750 milhões de euros devidos em 12 de maio de 2015. O governo da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) promete honrar o pagamento.

O governo esquerdista grego foi eleito em 25 de janeiro de 2015 sob a promessa de renegociar os acordos com a União Europeia, o Banco Central Europeu e o FMI, que emprestaram à Grécia 240 bilhões de euros durante a crise das dívidas públicas dos países da periferia da Eurozona. Com seis anos seguidos de queda no produto interno bruto, a Grécia passou por uma depressão econômica de 25%.

Sob a liderança implacável da Alemanha, a Eurozona adotou uma política de austeridade fiscal, com cortes de gastos e aumentos de impostos, que aprofundou a recessão e adiou a recuperação do continente. Só agora, em março de 2015, o BCE adotou as políticas de aumentar a quantidade de dinheiro em circulação usadas nos Estados Unidos, no Reino Unido e no Japão para estimular a economia.

A Grécia promete aprovar reformas profundas para eliminar o déficit e o endividamento público a longo prazo, mas o governo esquerdista reluta em adotar mais medidas duras. Até o momento, não conseguiu chegar a um acordo com os sócios europeus, que já não demonstram a mesma preocupação com o risco de uma saída da Grécia da união monetária europeia.

O governo esquerdista grego bateu mais um prazo fatal, mas ainda não formulou uma estratégia de longo prazo para estimular o desenvolvimento econômico e equilibrar as contas públicas.

Mais de 40 mil pessoas fogem do Burúndi

Mais de 40 mil pessoas fugiram do Burúndi, um pequeno país da Região dos Grandes Lagos do Centro da África vizinho e semelhante a Ruanda, depois de duas semanas de protestos com 12 mortes contra manobras do presidente Pierre Nkurunziza para se reeleger. 

Hoje o presidente prometeu que, se for reeleito em junho de 2015, será seu último mandato, informa o jornal digital americano The Huffington Post.

É a pior crise política no país desde o fim 12 anos atrás da guerra civil entre a maioria hutu e o Exército dominado pela minoria tútsi, num conflito ao que levou ao genocídio de 800 mil pessoas em 1994 em Ruanda.

A fuga em massa preocupa a República Democrática do Congo, a Tanzânia e especialmente Ruanda pelo impacto que pode ter no conflito interno ruandês.

"Todas as luzes estão piscando no Burúndi. Todos os alarmas estão tocando. Então, onde está o corpo de bombeiros", advertiu em Genebra, na Suíça, o presidente do Conselho de Refugiados da Noruega, Jan Egeland, pedindo uma ação internacional para acalmar a situação.

A Constituição do Burúndi limita o exercício da presidência a dois mandatos. Em 25 de abril de 2015, Nkurunziza, ex-comandante de um grupo rebelde hutu, anunciou a intenção de concorrer a um terceiro mandato.

Sob pressão do governo, o Tribunal Constitucional decidiu ontem autorizar Nkurunziza a disputar mais uma eleição alegando que o primeiro mandato não conta porque em 2005 ele foi eleito indiretamente pelo Congresso.

Seu principal desafiante, Audifax Ndabitoreye, foi preso num hotel da capital, Bujumbura, onde havia uma reunião de ministros de países da África Oriental para discutir a crise, sob a acusação de participar de uma insurreição: "Sou uma vítima porque estou protestanto claramente contra um terceiro mandato para Nkurunziza que é ilegal e inconstitucional."

Centenas de manifestantes foram presos. O governo os acusa de insurreição, promete soltar os menores de 18 anos e uma anistia caso cessem os protestos. O Ministério do Exterior do Reino Unido denunciou pressões sobre o supremo tribunal para autorizar mais uma reeleição do presidente. Um ministro do tribunal fugiu do país nos últimos dias.

Guerra civil no Iêmen deixa 80 mortos num dia

Pelo menos 80 pessoas foram mortas ontem no porto de Áden na guerra civil no Iêmen, noticiou hoje a agência Reuters. A metade, inclusive um alto oficial do Exército leal ao presidente deposto, Abed Rabbo Mansur Hadi, morreu em combates entre os rebeldes hutis e forças aliadas ao antigo governo.

A batalha começou quando os hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã, entraram no bairro de Tawahi, um reduto de partidários do governo deposto. Os rebeldes também atacaram civis que fugiam da cidade de barco, matando 40 pessoas.

Durante visita à Arábia Saudita, o secretário de Estado americano, John Kerry, pediu hoje uma "trégua humanitária" nos bombardeios aéreos. Uma aliança de países sunitas liderada pelo reino que intervém militarmente no Iêmen desde 25 de março de 2015 para tentar conter a ofensiva rebelde sobre Áden.

Kerry anunciou uma ajuda humanitária imediata dos Estados Unidos ao Iêmen de US$ 68 milhões.

Soldados da ONU morrem em emboscada no Leste do Congo

Dois soldados da maior missão de paz das Nações Unidas foram mortos, 13 saíram feridos e quatro estão desaparecidos depois de uma emboscada ontem na República Democrática do Congo, noticiou a agência Reuters.

O ataque aconteceu na província de Kivu do Norte, que fica na fronteira com Uganda e Ruanda. As maiores suspeitas recaem sobre as Forças Democráticas Aliadas (FDA), uma milícia extremista muçulmana ugandesa.

Durante o fim de semana, soldados do Exército do Congo mataram 16 rebeldes das FDA na região. A emboscada foi o segundo ataque à força de paz da ONU em 48 horas.

Depois do genocídio de 800 mil pessoas em Ruanda, em 1994, a fuga em massa de civis e dos grupos derrotados na guerra civil ruandesa, inclusive a milícia genocida, desestabilizou o Leste do Congo, que na época se chamava Zaire.

Em 1996, o veterano guerrilheiro Laurent Cabila, que lutara ao lado de Ernesto Che Guevara em sua aventura revolucionária na África, saiu de seu esconderijo nas Montanhas da Lua e marchou rumo a Kinshasa, onde depôs o ditador Joseph Mobutu.

Mobutu estava no poder desde um golpe arquitetado pela CIA (Agência Central de Inteligência), o serviço de espionagem dos Estados Unidos, em plena Guerra Fria, em 14 de setembro de 1960, contra o herói da independência do ex-Congo Belga, Patrice Lumumba, preso e executado em 17 de janeiro de 1961.

A queda de Mobutu, em 16 de maio de 1997, deflagrou a chamada Primeira Guerra Mundial Africana, quando nove exércitos nacionais e centenas de grupos armados irregulares disputaram as riquezas do país, que naquele ano passou a se chamar República Democrática do Congo.

Mais de 5,4 milhões morreram em combate, de fome ou de doenças causadas pelo conflito. As grandes batalhas cessaram em 2002, mas até hoje acontecem escaramuças, especialmente no Leste do Congo.

Riquíssimo em recursos naturais, alvo de um genocídio durante a colonização promovida por Leopoldo II, da Bélgica, no fim do século 19 e início do século 20, o Congo segue sua triste sina de ser um país miserável, apesar de riquíssimo em recursos naturais.

Anistia Internacional denuncia "atrocidades impensáveis" em Alepo

Ao bombardear sistematicamente a população civil com bombas de barril e destruir a infraestrutura de Alepo, que era a cidade mais rica da Síria, a ditadura de Bachar Assad está cometendo crimes de guerra e contra a humanidade, denunciou ontem a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional.

A acusação foi feita dois dias depois do bombardeio de uma escola e um centro comunitário num bairro da cidade em poder dos rebeldes, informa o jornal inglês The Guardian.

Com base em mais de 100 entrevistas, inclusive com sobreviventes, e análise de imagens e vídeos, o relatório de 74 páginas Morte por todos os lados: crimes de guerra e abusos de direitos humanos em Alepo documenta o que descreve como "atrocidades impensáveis", como bombardeios aéreos indiscriminados, detenções arbitrárias e torturas de responsabilidade do governo sírio.

Os rebeldes islamitas que disputam o controle de Alepo também são acusados de crimes de guerra ao usar peças de artilharia e bombas improvisadas e imprecisas colocando em risco a população civil, prender arbitrariamente, torturar e matar.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Estado Islâmico reivindica atentado frustrado no Texas

A milícia extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou hoje a autoria de um atentado frustrado que terminou com a morte dos dois terroristas em Garland, no Texas, mas o governo dos Estados Unidos não levou a sério a declaração, noticiou hoje a rede de televisão CNN.

Elton Simpson e Nadir Soofi foram mortos no domingo à noite quando se preparavam para atacar um evento em defesa da liberdade de expressão onde havia um prêmio para caricaturas do profeta Maomé, uma blasfêmia intolerável para fundamentalistas islâmicos. Apesar de terem fuzis semiautomáticos AK-47, foram mortos por um policial com uma pistola comum, o que indica falta de preparação e treinamento.

Por isso, as autoridades americanas concluíram que o Estado Islâmico pode até ter inspirado o ataque terrorista, mas não era responsável pelo comando e controle da operação, o que marcaria sua presença em território dos EUA.

França aprova lei controvertida de combate ao terrorismo

Por 438 votos a 86, com 46 abstenções, a Assembleia Nacional da França aprovou hoje o projeto da nova Lei da Informação, que dá amplos poderes aos serviços secretos para vigiar e espionar a vida dos cidadãos em nome do combate ao terrorismo, noticiou o jornal francês Le Monde.

Apesar dos protestos dos movimentos de defesa dos direitos civis, a maioria dos deputados do governante Partido Socialista e da União por um Movimento Popular (UMP), o maior partido de oposição, de centro-direita, votou a favor.

É a institucionalização da vigilância, do Estado como o Grande Irmão, personagem de George Orwell no livro 1984, quando governos todo-poderosos controlavam cada minuto da vida dos cidadãos comuns, o que inspirou o programa de TV Big Brother.

Os serviços secretos franceses estão autorizados a inspecionar a vida dos cidadãos não só para defender "a independência nacional e a integridade territorial" e "a prevenção do terrorismo", mas também em nome "dos grandes interesses da política externa", "da prevenção a atentados contra a forma republicana das instituições" e da "criminalidade e da delinquência organizada". É um mandato amplo e genérico demais para não dar margem a abusos.

Para controlar os serviços de informações, será criada a Comissão Nacional de Controle das Técnicas de Informação, formada por seis magistrados do Conselho de Estado e do Superior Tribunal de Justiça, três deputados e três senadores do governo e da oposição e um técnico. Ela substitui a Comissão Nacional de Controle de Interceptações de Segurança.

Com a exceção dos casos de "urgência absoluta", a comissão deverá ser avisada de toda grande operação focada em alvos específicos. Se autorizados, os agentes poderão instalar câmeras, equipamentos de espionagem em computadores e antenas para interceptar comunicações por telefone sem autorização judicial.

Outra crítica ao projeto é que as conversas de pessoas que não sejam alvo das investigações também serão ouvidas. O governo alega estar mais interessado nos metadados. Se for constatado um padrão de comunicações regulares entre suspeitos, só então haveria acesso ao conteúdo das telecomunicações.

A lei também cria um arquivo nacional judiciários dos autores de infrações enquadradas como terrorismo. Esses dados devem ser mantidos por 20 anos. O projeto ainda precisa passar pelo Senado e pela Corte Constitucional, o supremo tribunal da França, antes de virar lei.

O projeto já está sendo comparado à Lei Patriótica, aprovada nos Estados Unidos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, com sérios prejuízos às liberdades civis. Se os atentados de 7 a 9 de janeiro de 2015, a começar pela chacina no jornal Charlie Hebdo, foram o 11 de setembro da França, o país tem agora sua lei para vigir os cidadãos como se todos fossem suspeitos.

Peru prevê crescimento de 4,2% em 2016

O governo do Peru espera um crescimento de 4,2% em 2015 e de 5,5% em 2016, revelou uma revisão Marco Macroeconômico Multianual (2015-17) publicada nesta semana pelo Ministério das Finanças. É no momento a economia que mais cresce na América Latina.

Com a desaceleração da economia mundial, os investimentos das empresas em capital fixo deve avançar 3,1% neste ano, menos da metade dos 6,4% previstos na sondagem anterior, de agosto de 2014. A expansão dos gastos públicos também foi reduzida, de 6,2% para 3,1%. E as exportações devem crescer 2,7% em 2015, bem menos do que os 6,5% esperados em agosto passado.

O déficit orçamentário deve ser de 2% do produto interno bruto, em vez do 0,4% do relatório anterior. O déficit em conta corrente deve ficar em 4,6% do PIB.

Mais três republicanos entram na corrida à Casa Branca

De olho no voto evangélico, o ex-governador do Arkansas Mike Huckabee, um conservador em questões sociais, lançou hoje sua campanha à candidatura do Partido Republicano na eleição presidencial de 2016 nos Estados Unidos. Ontem, foi a vez da executiva Carly Fiorina e o neurocirurgião aposentado Ben Carson.

Enquanto no Partido Democrata a candidatura da ex-secretária de Estado e ex-primeira-dama Hillary Clinton parece imbatível, no campo republicano, a expectativa hoje é que a disputa envolva oito ou nove candidatos.

Além dos três citados acima, aspiram a candidatura republicana três senadores eleitos com o apoio do movimento radical de direita Festa do Chá: Ted Cruz, Rand Paul e Marco Rubio. Cruz e Rubio têm ascendência cubana. Os favoritos, o ex-governador da Flórida Jeb Bush e o governador de Wisconsin, Scott Walker, ainda não se lançaram, assim como o governador de Nova Jérsei, Chris Christie.

Huckabee, de 60 anos, disputou a canditadura republicana em 2008, quando ficou em segundo na contagem de delegados à convenção nacional do partido e em terceiro no voto popular o no número de estados onde venceu nas eleições primárias, atrás do senador John McCain e do ex-governador de Massachusetts Mitt Romney. McCain perdeu para Obama em 2008 e Romney em 2012.

Na propaganda na Internet, Huckabee promete defender o direito de andar armado e lutar contra novas leis, registros e regulamentações para comprar e portar armas. Ele defende o reforço do patrulhamento nas fronteiras e é contra a anistia para imigrantes ilegais decretada pelo presidente Barack Obama.

"A educação é uma função da família e não do governo federal", argumenta Huckabee. "As decisões educacionais são melhores quando feitas pelas autoridades mais próximas, pais e mães." Em economia, acrescenta, "eu acredito em autossuficiência": "Um país que não é capaz de se alimentar, produzir combustíveis por si próprio e se defender não pode ser verdadeiramente livre."

As duas candidaturas lançadas ontem, de Carson e Fiorina, ambos distantes das máquinas partidárias de Washington, são consideradas marginais, sem chance real de obter a indicação.

Carly Fiorina, de 60 anos, foi diretora-presidente da empresa de alta tecnologia Hewlett-Packard, de onde saiu com fama de autoritária e arrogante. Seu papel na campanha será denunciar a burocracia, a esclerose das máquinas partidárias e as políticas do Partido Democrata contrárias à economia de mercado.

Fiorina já responsabilizou o excesso de regulamentação pela falta d'água na Califórnia e acusa o governo Obama de não ter eliminado nenhuma dificuldade burocrática ao empreendorismo, que considera a solução para todos os problemas do país. Em entrevista à rede de televisão ABC, ela disse que é "a melhor pessoa" para governar os EUA porque entende "como a economia funciona".

Ben Carson é o único negro até agora na corrida à Casa Branca. Neurocirurgião renomado internacionalmente, ele anunciou ontem num discurso em Detroit. Ele é adventista, tem 63 anos e foi condecorado pelo então presidente George W. Bush com a Medalha da Liberdade, a maior honraria civil do governo dos EUA.

Crítico da reforma da saúde pública feita pelo governo Obama, Carson chegou a dizer em 2013 que "foi a pior coisa que aconteceu neste país desde a escravidão". Ao lançar sua candidatura, declarou que "muitos americanos têm medo de dizer o que pensam" e que é hora de repensar as lições dos fundadores do país "para podermos ser livres".

As eleições primárias e convenções estaduais do Partido Republicano serão realizadas de 18 de janeiro a 7 de junho de 2016. A convenção nacional que vai oficializar a candidadura à Casa Branca está marcada para 18 a 21 de julho em Cleveland, no estado de Ohio, decisivo para a vitória na eleição presidencial, em 8 de novembro.

Rebeldes islamitas avançam em redutos alauítas na Síria

Depois de assumir o controle da província de Idlibe, os grupos rebeldes extremistas muçulmanos reunidos no Exército da Conquista avançam na província de Lataquia sobre redutos da minoria alauíta, que forma o núcleo central de poder da ditadura de Bachar Assad, informou no fim de semana a agência de notícias Reuters.

Até agora, os combates se concentram nas montanhas de Jabal al-Akrade. Se forem capturadas, os rebeldes poderão usá-las para bombardear vilas e aldeias alauítas.

A província de Lataquia é o coração da minoria étnico-religiosa alauíta, que representa apenas 15% da população síria, mas está no poder desde a ascensão, em 1970, do ditador Hafez Assad, pai do atual ditador. Lá, fica a cidade de Kardaha, terra natal dos Assad.

Dos 3 milhões de alauítas do mundo inteiro, 2,6 milhões vivem na Síria. Alauíta significa "seguidores do imã Ali", primo e genro do profeta Maomé. Isso significa que são um ramo do xiismo, a corrente de 16% dos muçulmanos. Os xiitas consideram Ali o legítimo herdeiro de Maomé e acusam os três califas que o sucederam de usurpar o poder, origem do cisma com os sunitas, que são 84% dos muçulmanos.

Em Genebra, na Suíça, o enviado especial das Nações Unidas para negociar a paz na Síria, lançou hoje conversas exploratórias com representantes de algumas facções em luta no país, o governo sírio e potências regionais como o Irã e a Turquia tendo em vista o início de um processo de paz.

As milícias Estado Islâmico do Iraque e do Levante e Frente al-Nusra, ligada à rede terrorista Al Caeda, não foram convidadas. Em quatro anos e dois meses, a guerra civil síria já matou mais de 220 mil pessoas. Mais de 4 milhões fugiram do país.

Guerra em família ameaça Frente Nacional na França

Suspenso do partido que ajudou a fundar em 1972 e ameaçado a perder o cargo de presidente de honra, Jean-Marie Le Pen declarou guerra à sua filha e sucessora no comando da extrema direita francesa, Marine Le Pen. Um comitê disciplinar está analisando suas declarações racistas contra judeus e sua negação Holocausto. Deve tomar uma decisão em dois a três meses.

Furioso, considerando-se "traído", Le Pen ameaçar deserdar a filha e negar-lhe o sobrenome que virou marca registrada da Frente Nacional.

Em declarações à revista de ultradireita Rivarol, Jean-Marie ignorou a orientação da filha de evitar o antissemitismo e as desculpas ao nazismo, preferindo concentrar seu discurso de ódio contra os muçulmanos e os imigrantes. Voltou a dizer que as câmaras de gás foram "um detalhe" na história da Segunda Guerra Mundial.

Todo o esforço de Marine visa a apresentar a FN como um partido confiável, capaz de presidir a França, seu grande sonho pessoal. Em 2002, seu pai chegou ao segundo turno com 17% dos votos, batendo o primeiro-ministro socialista, Lionel Jospin, no primeiro turno, mas perdeu para o presidente Jacques Chirac no segundo turno.

Em 2014, a FN foi o partido mais votado na França nas eleições para o Parlamento Europeu, com 25%. Nas eleições departamentais de 2015, pretendia se tornar o partido mais votado do país. Chegou a 26% no primeiro turno, mas ficou atrás da União por um Movimento Popular (UMP), de centro-direita, liderada pelo ex-presidente Nicolas Sarkozy.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Explosão atinge quartel-general do Hamas na Faixa de Gaza

Uma bomba explodiu na madrugada de hoje no quartel-general do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) na Faixa de Gaza, noticiou o jornal libanês The Daily Star. O prédio foi danificado apenas por fora.

Horas antes, um grupo islamita radical anti-Hamas chamado Partidários do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Jerusalém divulgou mensagem exigindo a libertação de prisioneiros em 72 horas, ameaçando atacar se não fossem soltos.

"O Hamas e suas forças de segurança têm 72 horas para libertar todos os prisioneiros salafistas", advertiu a nota. "No fim deste ultimato, nossos soldados estão prontos para agir contra alvos escolhidos."

Pelo menos um líder salafista foi preso pelo Hamas no mês passado sob a acusação de querer implantar uma base do Estado Islâmico no território palestino.

Catar compra 24 caças Rafale da França por US$ 7 bilhões

Em nome do governo do Catar, o general Ahmed al-Malki assinou hoje um contrato de US$ 7 bilhões com o diretor-presidente da companhia francesa Dassault Aviation, Eric Trappier, para comprar 24 aviões de caça Rafale.

A França e o Catar também assinaram um acordo em separado para treinar 36 pilotos catarinos, além de cem engenheiros e agentes de inteligência.

É o terceiro grande contrato fechado pela Dassault recentemente. Depois de perder a concorrência para reequipar a Força Aérea Brasileira para a empresa sueca Gripen, vendeu 36 Rafales à Índia e 24 para o Egito.

Ataque no Texas mostra ameaça e limites do terrorismo

Dois extremistas foram mortos ontem à noite em Garland, perto de Dallas, no Texas, quando se preparavam para atacar um evento em defesa da liberdade de expressão que oferecia um prêmio para a melhor caricatura do profeta Maomé, uma blasfêmia intolerável para islamitas radicais. Esse tipo de ataque, de pequenas células terroristas, é uma ameaça constante contra a Europa e os Estados Unidos, mas tem impacto limitado.

O FBI, a polícia federal dos EUA, declarou que os dois terroristas mortos saíram de Phoenix, no estado do Arizona. Um deles, Elton Simpson, convertido ao islamismo, era conhecido. Havia sido preso em março de 2011, quando se preparava para aderir à milícia jihadista somaliana Al Chababe, mas só foi condenado por fazer declarações falsas ao FBI. O outro foi identificado mais tarde como Nadir Soofi.

Em 2011, Simpson foi preso por dizer a um informante do FBI em conversa gravada que ia para a África do Sul participar de um evento religioso. De lá, seguiria para a Somália para lutar ao lado d'al Chababe.

Antes do frustrado ataque de ontem, Simpson publicou mensagem no Twitter jurando lealdade do Estado Islâmico.

A onda de protestos contra a publicação de charges e caricaturas de Maomé na imprensa ocidental tem quase dez anos. Em setembro de 2005, o jornal dinamarquês Jyllands-Posten publicou as primeiras.

Sob a incitação de clérigos muçulmanos, em fevereiro de 2006, as embaixadas e consulados da Dinamarca e da Noruega foram atacadas no Afeganistão, no Paquistão, na Síria, no Líbano, no Iraque, na Nigéria e na Indonésia.

Em setembro de 2007, Abu Omar al-Baghdadi, então líder do Estado Islâmico do Iraque, ofereceu uma recompensa de US$ 100 mil pelo cartunista sueco Las Vilks, que desenhara Maomé como um cachorro. Há anos, a rede terrorista Al Caeda e outros grupos jihadistas divulgam listas na Internet de inimigos a serem eliminados.

O jornal satírico francês Charlie Hebdo também publicou imagens do profeta consideradas uma profanação da religião muçulmana. Sua sede foi brutalmente atacada em Paris em 7 de janeiro de 2015, quando 12 pessoas foram mortas.

Há dois meses e meio, em 15 de fevereiro deste ano, um evento sobre Arte, Blasfêmia e Liberdade de Expressão de que Lars Vilks participararia em Copenhague, na Dinamarca, foi atacado. Um diretor de cinema foi morto e três policiais saíram feridos. Vilks foi para a clandestinidade.

A ação terrorista frustrada ontem nos EUA é semelhante à de Copenhague. Nos dois casos, os terroristas não pareciam bem treinados. Parecem exemplos típicos do "inimigo interno", jovens radicalizados ideologicamente. Ontem, eles tinham fuzis semiautomáticos tipo AK-47 que podem ser comprados legalmente no mercado americano.

Se Simpson foi impedido de ir para a Somália, seu caso também é semelhante ao de Michael Zehaf Bibeau. Ele matou um soldado no monumento aos canadenses mortos em guerra e invadiu o Congresso do Canadá, em Ottawa, em 23 de setembro de 2014, depois de lhe ter sido negado um passaporte para viajar à Síria, onde pretendia se juntar ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Estado Islâmico volta a massacrar yazidis

Mais de 300 prisioneiros yazidis foram mortos pela milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante perto da cidade de Mossul, no Norte do Iraque. Centenas de pessoas teriam sido mortas no distrito de Tal Afar, denunciou o Partido do Progresso Yazidi.

Cerca de 40 mil yazidis foram tomados como prisioneiros a partir de junho do ano passado, quando o Estado Islâmico tomou Mossul e proclamou a fundação de um califado.

Uma minoria curda que professa o zoroastrismo, uma religião da Antiga Pérsia considerada demoníaca pelos fundamentalistas, os yazidis são um dos povos mais perseguidos do Oriente Médio.

Do Império Otomano (turco), passando pela ditadura de Saddam Hussein, ao Estado Islâmico, os yazidis alegam haver sobrevivido a 72 genocídios. Sua população caiu de milhões para 700 mil.

A primeira intervenção militar dos Estados Unidos contra o Estado Islâmico foi para dar ajuda humanitária a yazidis cercados pelos jihadistas.

domingo, 3 de maio de 2015

Milhares fecham ruas de Telavive em protesto antirracista em Israel

Depois de uma manifestação antirracista que terminou em violência na quinta-feira em Jerusalém, milhares de israelenses de origem etíope e seus simpatizantes fecharam hoje ruas do centro de Telavive em protesto contra o racismo institucionalizado e a brutalidade policial em Israel. Pelo menos 46 pessoas saíram feridas, sendo 23 policiais, e 15 foram presas, noticiou o jornal liberal israelense Haaretz.

A onda de protestos com o racismo da polícia chegou a Israel depois da divulgação na semana passada de um vídeo em que um soldado etíope do Exército de Israel foi agredido e ameaçado por dois policiais. Veja no jornal conservador The Times of Israel.

Neste domingo, a violência explodiu na Praça Yitzhak Rabin, em Telavive. A polícia usou bombas de efeito moral e gás lacrimogênio para dispersar a multidão.

O chefe de polícia, Yohanan Danino, declarou que "a maioria das reclamações dos etíopes israelenses não tem a ver com a polícia. Há um problema mais profundo de assimilação. Assumo a responsabilidade pelos casos onde houve abusos, que serão investigados e punidos."

No início da noite, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu pediu calma e prometeu investigar as denúncias da comunidade etíope-israelense, mas declarou que "não há lugar para a violência e atos fora da lei".

Amanhã, o primeiro-ministro participa de uma reunião entre líderes da comunidade etíope-israelense e representantes dos ministérios da Segurança Pública, do Interior e da Previdência Social. O soldado agredido pela polícia, Demas Fekadeh, também estará presente.

Europa resgata 6 mil migrantes no Mar Mediterrâneo

Em mais de 20 operações diferentes, as Marinhas da França e da Itália resgataram nos úlitmos dois dias 6 mil migrantes que tentavam chegar à União Europeia em embarcaçoões precárias, informou hoje a Guarda Costeira italiana, noticiou a televisão pública britânica BBC.

Pelo menos 1.750 pessoas tentando cruzar o Mediterrâneo para chegar à Itália. O principal ponto de partida é a Líbia, que vive em estado de anarquia desde a queda do ditador Muamar Kadafi, em agosto de 2011.

Depois de uma reunião de cúpula, a UE decidiu reforçar o patrulhamento no mar para apreender o que o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, chamou de "navios negreiros do século 21", mas está disposta a receber apenas refugiados de guerra e não o que chama de migrantes econômicos.

Baltimore suspende o toque de recolher noturno

O governo municipal de Baltimore, nos Estados Unidos, suspendeu o toque de recolher noturno de 22h às 5h imposto a partir de terça-feira para conter manifestações de protesto violentas contra a morte do jovem negro Freddie Gray, anunciou hoje a prefeita Stephanie Rawlings-Blake.

Gray foi preso ilegamente pela polícia em 12 de abril de 2015 e morreu uma semana depois de lesões na medula sofridas enquanto estava detido. Seis policiais foram denunciados pelo crime. Todos foram presos, mas pagaram fiança e vão responder ao processo em liberdade.

Desde o início dos protestos, depois do enterro de Gray, em 23 de abril, 113 policiais foram feridos e 486 pessoas detidas.

A morte de Gray foi mais uma de uma série de assassinatos de negros que revela um racismo institucionalizados nas polícias dos EUA. A cada 28 horas, um negro é morto pela polícia.

sábado, 2 de maio de 2015

Morre Maya Plissetskaya, uma das maiores bailarinas da história

Uma das maiores bailarinas de todos os tempos, a russa Maya Mikhailovna Plissetskaya, morreu do coração hoje em Munique, na Alemanha, aos 89 anos, anunciou em Moscou o diretor do Teatro Bolshoi, Vladimir Urin.

Com uma técnica impecável da escola de balé clássico da Rússia, ela acrescentava uma suave e moderna sensualidade. Costumava dizer que "não basta levantar as pernas, o artista precisa saber o que está fazendo no palco".

Como solista, fez interpretações notáveis de Spartacus, A Bela Adormecida, Carmen, O Bolero de Maurice Ravell, o Prelúdio de Johann Sebastian Bach e especialmente de O Lago do Cisne, de Peter Tchaikovsky. Entre os muitos vídeos da "primeira bailarina suprema", título que o Bolshoi só concedeu duas vezes, há este documentário soviético de 1964.

Maya Plissetskaya nasceu em Moscou em 20 de novembro de 1925. Aos nove anos, entrou para a escola de balé do Bolshoi e aos onze já se apresentava em público, mas era proibida de sair da União Soviética. Ao levantar a proibição, em 1959, o então líder do Partido Comunista soviético, Nikita Kruschev a descreveu como a melhor bailarina do mundo.

Apesar das oportunidades, ao contrário de bailarinos como Rudolf Nureyev e Mikhail Barishnikov, ela nunca pediu asilo político no exterior. Em 1996, foi nomeada presidente do Balé Imperial da Rússia.

Arábia Saudita legaliza situação de imigrantes do Iêmen

Em meio a uma intervenção militar da Arábia Saudita e aliados sunitas contra rebeldes xiitas apoiados pelo Irã no Iêmen, o governo saudita decidiu legalizar a situação de todos os imigrantes ilegais iemenitas. Nos próximos dois meses, eles poderão pedir vistos de turista de seis meses com direito a trabalhar, anuncia a imprensa oficial saudita.

Desde 23 de janeiro de 2015, a Arábia Saudita tem um novo rei, Salman ben Abdul Aziz al-Saud, que adotou uma política externa agressiva para contar a expansão da influência do Irã no Oriente Médio. Há conflitos entre sunitas e xiitas no Bahrein, no Iraque, no Iêmen, no Líbano e na Síria.

Com um arco xiita que se estende do Irã até o Mar Mediterrâneo passando pelo Iraque, a Síria e o Líbano, ao norte da Arábia Saudita, a vitória no Iêmen dos rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados por Teerã, reforçaria a sensação do reino de estar sitiado por inimigos hostis.

A intervenção militar no Iêmen deve ser vista neste contexto, de um duelo entre duas potências regionais, uma sunita e outra xiita. Como o sucesso foi apenas parcial, já que os bombardeios aéreos atingiram a população civil, a legalização dos ilegais é claramente uma compensação para melhorar a imagem do reino saudita.

Exército do Iraque avança na província de Ambar

O Exército do Iraque e milícias aliadas lutam para retomar a cidade de Garma, na província de Ambar, palco das maiores batalhas contra a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Pelo menos 17 rebeldes foram mortos, informou a agência de notícias oficial chinesa Nova China.

Em resposta, um ataque terrorista suicida matou 12 soldados num quartel próximo a Garma.

Na Batalha de Ramadi, a capital da província de Ambar, as forças iraquianas tomaram o distrito de Teilá, que estava em poder do Estado Islâmico. A milícia terrorista sofreu várias derrotas no Iraque e na Síria desde setembro de 2014, quando os Estados Unidos passaram a liderar uma aliança de forças aéreas em resposta a degolas de americanos, mas lançou uma contraofensiva em Ambar.

Ontem, o jornal inglês The Guardian afirmou que o autoproclamado califa do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, ferido num bombardeio americano em 18 de março de 2015, sofreu uma lesão medular, é hoje um deficiente e não tem condições de reassumir o poder.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Marinha dos EUA vai monitorar navios no Estreito de Hormuz

Depois da apreensão pela Guarda Revolucionária do Irã de um navio cargueiro da companhia dinamarquesa Maersk com bandeira das Ilhas Marshalls, a Marinha dos Estados Unidos vai monitorar navios mercantes no Estreito de Hormuz, informou em Washington o Departamento da Defesa.

Os navios não serão escoltados pelo estreito, que fica em águas iranianas, mas serão monitorados eletronicamente para impedir qualquer interferência iraniana. Há nove navios de guerra dos EUA na região. A frota foi reforçada em apoio à intervenção militar da Arábia Saudita e aliados sunitas contra os rebeldes hutis do Iêmen, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã.

Na última terça-feira, 28 de abril de 2015, a Marinha da Guarda Revolucionária do Irã disparou tiros de advertência e abordou o navio Maersk Tigris, obrigando-o a ancorar no porto iranianio de Porto Abás.

Líder do Estado Islâmico está inválido, diz jornal The Guardian

O líder da milícia extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Abu Baker al-Baghdadi, está incapacitado por uma lesão sofrida na coluna vertebral num bombardeio aéreo da aliança liderada pelos Estados Unidos, noticiou hoje o jornal inglês The Guardian.

Mais de um mês depois de ser ferido, em 18 de março de 2015, em Baj, a 128 quilômetros a oeste de Mossul, o autoproclamado califa do Estado Islâmico não reassumiu as funções de líder supremo. Ainda está sendo tratado num esconderijo perto de Mossul, a segunda maior cidade do Iraque, tomada pelo grupo em junho de 2014, e ficou com lesões permanentes na medula que o impedem de caminhar.

Uma radiologista do principal hospital de Mossul e um cirurgião de Bagdá, ambos partidários do Estado Islâmico, seriam os médicos responsáveis pelo tratamento de Baghdadi.

Desde o ataque, o Estado Islâmico é chefiado por Abu Alá al-Afri, acrescenta o jornal. Ele já fora citado como provável sucessor do líder anterior do grupo, Abu Omal al-Baghdadi, morto num bombardeio americano em Tikrit em 2010.

Abu Baker al-Baghdadi assumiu a liderança na época e ganhou proeminência em 2013, quando o Estado Islâmico do Iraque e do Levante começou a se destacar entre os grupos rebeldes na guerra civil da Síria. Em 3 de fevereiro de 2014, o EIIL rompeu com a rede terrorista Al Caeda.

Depois da conquista de Mossul, em 29 de junho de 2014, Al-Baghdadi proclamou a fundação de um califado mundial com a ambição de transformá-lo num império global, numa monarquia universal.

Exportação de petróleo do Iraque é a maior desde 1980s

As exportações de petróleo bruto do Iraque atingiram em abril de 2015 o mais alto nível desde os anos 1980s, quando o país travou uma guerra com o Irã que deixou um milhão de mortos, anunciou hoje o Ministério do Petróleo iraquiano. O total exportado foi de 92,3 milhões de barris, o que rendeu ao país US$ 4,8 bilhões.

Depois da Guerra Irã-Iraque (1980-88), onde teve o apoio do resto do mundo contra a república islâmica fundada pelo aiatolá Khomeini depois da Revolução Islâmica (1979), invadiu e anexou o Kuwait, em agosto de 1990, perdendo o apoio das monarquias petroleiras do Golfo Pérsico e dos Estados Unidos, que lideraram uma ampla aliança para expulsar os iraquianos do Kuwait no início de 1991.

Derrotado, o Iraque foi submetido a sanções internacionais pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas até a invasão americana ordenada pelo presidente George W. Bush em 2003. Só agora a indústria do petróleo retoma a produção anterior a todas essas guerras.

O petróleo é fundamental para reconstruir o Iraque, onde o Estado policial da ditadura de Saddam Hussein foi desmobilizado e o novo Exército enfrenta dificuldades para combater a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, onde lutam vários ex-militares e ex-policiais de Saddam.

Promotoria denuncia policiais por homicídio de Freddie Gray nos EUA

A morte do jovem negro Freddie Gray, em 19 de abril de 2015, na cidade de Baltimore, nos Estados Unidos, foi declarada um homicídio. Seis policiais foram denunciados pelo crime, anunciou hoje promotora do estado de Maryland Marilyn Mosby ao fazer hoje um balanço das investigações, noticiou o jornal digital The Huffington Post. Cinco estão presos.

Gray, de 25 anos, filho de uma viciada em heroína, nunca trabalhou. Já havia sido detido 22 vezes por posse de drogas e pequenos furtos. Em 12 de abril, ele foi preso ilegalmente numa esquina da Zona Oeste de Baltimore. Tinha uma faca de um tipo que não é proibido pela lei.

Ele morreu uma semana depois de múltiplas lesões na coluna. Antes de ser levado para a delegacia, a caminhonete da polícia parou em vários lugares, adiando o atendimento médico que o preso precisava.

Quatro policiais foram acusados de homicídio culposo, sem a intenção de matar, por imperícia, imprudência ou negligência, com pena máxima de 10 anos de prisão. Só o motorista Caesar Goodson Jr. foi denunciado por homicídio em segundo grau porque poderia ter parado a viatura num hospital ou posto de saúde para dar assistência ao preso. Todos foram acusados por agressão e dois por prisão ilegal.

O homicídio em segundo grau pode ser caracterizado por morte intencional não planejada nem premeditada ou por conduta perigosa ou desprezo pela vida humana que levem à morte.

A morte de Gray faz parte de uma longa lista de negros inocentes mortos pela polícia nos EUA que provocou uma onda de protestos em várias cidades e um debate sobre o racismo institucionalizado das polícias muncipais e estaduais.

Para lembrar alguns casos, Michael Brown foi morto em agosto de 2014 com um tiro em Ferguson, no estado do Missouri. Em Nova York, Eric Garner, que vendia cigarros avulsos na rua ilegalmente, foi sufocado e morto pelo golpe imobilizante conhecido como gravata. Em Charleston do Norte, na Carolina do Norte, no início do mês passado, um policial deu oito tiros pelas costas em Walter Scott.