terça-feira, 20 de novembro de 2012

Centro-direita francesa se divide na eleição de líder

Com uma vantagem de apenas 98 votos e 50,03% do total, Jean-François Copé foi eleito ontem novo líder da União por um Movimento Popular (UMP), partido do ex-presidente Nicolas Sarkozy, derrotando o ex-primeiro-ministro François Fillon. Para unir o partido rachado ao meio, ofereceu a vice-presidência a Fillon, que contesta o resultado.

No domingo à noite, os dois candidatos cantaram a vitória. Com a vitória consumado, num gesto de conciliação, Copé disse que estendia a mão para o rival: "Já é tempo que a oposição republicana que encarnamos comece a trabalhar. É com este espírito que peço a Fillon que se junte a mim. Estou de mãos e braços abertos", reportou o jornal Le Monde.

Diante do avanço da neofascista Frente Nacional, que obteve 18% dos votos no primeiro turno da eleição presidencial de 2012 depois de chegar ao segundo turno em 2002, alguns observadores temem o fim da UMP.

A adoção do discurso da extrema direita por Sarkozy na luta pela reeleição favorece os adversários. Na opinião do cientista político Dominique Reynié, isso ameaça implodir o partido.

O ex-ministro Jean-Louis Borloo, líder do partido centrista União de Democratas e Independentes (UDI), comentou que "a ilusão de um partido único que tenta reunir a direita sem complexos, a direita moderada e a centro-direita não se sustenta mais".

A UMP foi fundada em 2002 para garantir uma maioria parlamentar estável para o segundo governo Jacques Chirac (2002-7), que no primeiro mandato (1995-2002) fora obrigado a "coabitar" com o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, reagrupando as direitas centrista, gaulista e liberal.

FMI vai emprestar US$ 4,8 bilhões ao Egito

O Egito chegou a um acordo preliminar com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para receber um empréstimo de US$ 4,8 bilhões destinado a melhorar a situação financeira do país e aumentar a confiança dos investidores no futuro do mais populoso país árabe, avalizando o programa de recuperação econômica do novo governo eleito democraticamente depois da Primavera Árabe.

Agora o acordo será submetido à direção do FMI e deve ser aprovado em 19 de dezembro. A primeira parcela será liberada imediatamente. O resto será desembolsado ao longo de um ano e dez meses.

Recuperar a economia é o maior desafio para consolidar a legitimidade do governo liderado pela Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, considerado moderado. O acordo mantém o subsídio para o gás de cozinha dos pobres, mas corta a subvenção para combustíveis e aumenta o imposto sobre circulação de mercadorias, informa o jornal Financial Times.

O Egito cresceu a uma taxa média de 8% ao ano no início do século 21. Essa expansão foi abortada pela Grande Recessão, a crise econômica mundial de 2008-9, que provocou uma revolta popular diante do contraste das dificuldades da população com os privilégios da elite governante.

Rebeldes tomam cidade no Leste do Congo

O grupo guerrilheiro M23 anunciou hoje ter assumido o controle da cidade de Goma, capital da província de Kivu do Norte, na República Democrática do Congo. Aparentemente, o Exército abandonou suas posições na cidade e na fronteira com a vizinha Ruanda, mas o presidente Joseph Kabila ordenou que lute para retomar Goma.

Diante da indignação do ministro do Exterior da França, Laurent Fabius, que afirmou não entender como a força de paz das Nações Unidas não impediu a tomada de Goma, o comando da missão da ONU explicou que não cabia a ele sustentar o combate depois que os soldados do Exército abandonaram a cidade.

O governo congolês acusa Ruanda e Uganda de sustentar o M23, formado principalmente pelo grupo étnico tútsi.

Goma foi a principal rota de fuga dos hutus derrotados na guerra civil em Ruanda, em 1994, inclusive os responsáveis pelo genocídio de 800 mil tútsis e hutus moderados. Como os baniamulengue do Congo são da mesma etnia tútsi, a presença do inimigo deflagrou uma guerra civil no Congo.

Em consequência, o ditador Mobutu Sese Seko foi derrubado em 1997 depois de desadministrar e roubar o país durante mais de duas décadas, acumulando uma fortuna de bilhões de dólares num dos países mais pobres do mundo.

A queda de Mobutu, ex-sargento do Exército colonial da Bélgica, deflagrou uma guerra civil generalizada envolvendo nove exércitos nacionais e dezenas de grupos rebeldes armados.

Mais de 5,4 milhões de pessoas morreram nos combates, de fome ou doenças causadas pela chamada Primeira Guerra Mundial Africana. Pelo jeito, o conflito ainda não acabou.

FARC anunciam cessar-fogo de dois meses

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), principal grupo guerrilheiro ainda em atividade na América Latina, anunciaram ontem um cessar-fogo unilateral de dois meses, a partir de hoje, na luta contra o Estado colombiano. É a primeira trégua das FARC em mais de uma década.

Na declaração de trégua, feita em Havana, a capital de Cuba, onde os dois lados negociam a paz, em defesa da legitimidade da luta armada, a guerrilha acusou o governo Juan Manuel Santos e as "classes dominantes" de manter a miséria e a expoliação da maioria do povo colombiano.

O governo da Colômbia prometeu continuar com as operações das forças de segurança contra os "crimes das FARC", noticia o jornal The New York Times.

Presidente do Egito espera trégua em Gaza em horas

O presidente islamita do Egito, Mohamed Mursi, manifestou esperança hoje de que seja possível negociar um cessar-fogo entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) nas próximas horas. No momento, o maior objetivo é evitar uma invasão terrestre à Faixa de Gaza, que poderia levar à morte centenas, talvez milhares, de palestinos.

A presença, no Cairo, do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, e da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, reforça as chances de um acordo.

Israel iniciou uma ofensiva aérea contra a Faixa de Gaza depois que centenas de foguetes palestinos atingiram o território israelense como resposta ao assassinato seletivo do comandante militar do Hamas, Ahmed Jabari, na quarta-feira passada.

Hoje pelo menos 120 foguetes palestinos foram disparados contra Israel. Um terço foi interceptado pelo sistema de defesa antimísseis Domo de Ferro.

Islamitas rejeitam Coalizão Nacional Síria

O que é bom para a França e os Estados Unidos não é bom para os grupos extremistas muçulmanos que lutam contra a ditadura de Bachar Assad na guerra civil da Síria. Eles rejeitam a Coalizão Nacional de Forças Revolucionárias e de Oposição Sírias, apresentada como uma ampla aliança das oposições ao atual regime.

A Turquia e várias monarquias petroleiras do Golfo Pérsico também reconheceram a coalizão, formada para "criar uma alternativa ao atual regime" e ser o embrião de um futuro governo. Para isso, precisava ser aceitável para os EUA, que relutam em armar os rebeldes temendo que suas armas caiam em mãos de terroristas.

Na segunda-feira, a União Europeia prometeu apoio à coalizão desde que "continue a trabalhar pela inclusão, subscrevendo os princípios da democracia e dos direitos humanos e se engajando com todos os grupos de oposição e todos os setores da sociedade civil da Síria", reporta o jornal The New York Times.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

UE pede cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza

A União Europeia condenou hoje os ataques de foguetes contra Israel, pediu ao Estado judaico que reaja proporcionalmente e defendeu um cessar-fogo imediato para evitar uma invasão da Faixa de Gaza.

Depois de horas de discussão sobre o conflito, o Conselho de Ministros da UE manifestou "grave preocupação com a situação em Gaza e em Israel" e declarou que "todos os ataques devem parar imediatamente".

Do exílio, o dirigente máximo do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), Khaled Mechal, afirmou que cabe a Israel encerrar o que começou, ignorando os ataques de foguetes disparados de Gaza contra território israelense.

"A UE condena os ataques de foguetes partindo da Faixa de Gaza, que o Hamas e outros grupos armados devem cessar imediatamente. Não há justificativa para atacar diretamente civis inocentes", protestam os ministros do Exterior da Europa.

O bloco europeu forma, ao lado dos Estados Unidos, da Rússia e da ONU, o Quarteto pela paz no Oriente Médio, mas na prática tem pouca influência.

Há uma radicalização do conflito. No rearranjo político da direita israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu vai concorrer nas próximas eleições numa lista comum com o ministro do Exterior, Avigdor Lieberman, líder do ultranacionalista Yisrael Beiteinu.

Mais preocupados com o desenvolvimento de armas atômicas pelo Irã, Netanyahu e Lieberman querem  impor uma solução de força ao problema palestino, anexando parte da Cisjordânia ocupada e desenhando eles mesmos o mapa do futuro estado nacional palestino.

Esta radicalização e a cronificação do problema palestino depois de 45 anos de ocupação já afastaram Israel da Turquia e agora põe à prova do acordo de paz com o Egito, desde a Primavera Árabe governado pela Irmandade Muçulmana.

O Hamas é filho da Irmandade Muçulmana. Sem condições de enfrentar diretamente Israel, parte para o confronto para se legitimar diante dos novos líderes do mundo árabe como verdadeiros representantes do povo palestino. Como observa o jornal The New York Times, ganhou força política com as vitórias eleitorais dos partidos islamitas no Egito e na Tunísia.

Quem fica totalmente marginalizado é o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, que não faz luta armada contra Israel mas também não recebe qualquer concessão nas negociações de paz, suspensas há anos em razão do desinteresse israelense em congelar a colonização da Cisjordânia ocupada.

Moody's rebaixa nota de crédito da França

A dívida soberana da França perdeu a nota máxima de crédito da agência de classificação de risco Moody's, rebaixada em um grau por causa da baixa expectativa de crescimento econômico do país, que enfrenta sérios desafios estruturais.

O crédito soberano da França caiu de AAA para Aa1. A perspectiva continua negativa, noticia o jornal The Wall St. Journal. A agência Standard & Poor's tinha tirado a nota máxima da dívida pública francesa em janeiro deste ano de 2012.

Segunda maior economia da Europa e quinta do mundo, a França sofreu uma grande queda de produtividade nos últimos anos por não ter feito as reformas econômicas inspiradas pelo capitalismo liberal. Como a Alemanha fez, sob o governo social-democrata de Gerhard Schröder, avançou ainda mais na concorrência direta.

Há pouco, o Relatório Gallois advertiu que o país corre o risco de ficar atrás da Itália e da Espanha, que estão sendo obrigadas a realizar reformas profundas por força da crise para refinanciar suas dívidas públicas. O governo anunciou cortes de 20 bilhões de euros em impostos sobre a folha de pagamento para aumentar a produtividade.

Na edição desta semana, a revista inglesa The Economist descreve a França como "uma bomba-relógio armada no coração da Europa". O ministro das Finanças, Pierre Moscovici, alegou que o governo socialista aprovou o "orçamento mais duro dos últimos 30 anos" para escapar de uma crise de dívida.

Pelos cálculos do ministro, o déficit público francês deve ficar em 4,5% do produto interno bruto em 2012 e cair para o limite de 3% imposto pelo pacto fiscal para sustentar o euro. Outra meta é reduzir o gasto do governo de 56% para 53% do PIB, informa o jornal Financial Times.

Ofensiva de Israel já matou 106 palestinos em Gaza

No sexto dia, a ofensiva de Israel contra grupos armados que disparam foguetes da Faixa de Gaza matou até agora pelo menos 106 palestinos, inclusive 20 crianças, e feriu outros 600. Um foguete palestino matou três civis israelenses.

Desde quarta-feira da semana passada, pelo menos 554 foguetes palestinos foram disparados da Faixa de Gaza; 302 foram interceptados pelo sistema de defesa antimísseis Domo de Ferro, desenvolvimento por Israel em conjunto com os Estados Unidos.

O governo Barack Obama tenta conter o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para evitar uma invasão terrestre do território palestino, que tem uma das maiores densidade populacionais do mundo, o que seria uma receita para a tragédia. Israel estacionou blindados e tanques junto à fronteira, e convocou 75 mil reservistas para uma possível invasão.

No Cairo, o presidente do Egito, Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, tenta negociar um cessar-fogo entre Israel e o Hamas.

Na última ofensiva de Israel em Gaza antes desta, na Operação Chumbo Grosso, no fim de 2008 e início de 2009, mais de 1,4 mil palestinos  e 13 israelenses foram mortos. A diferença agora é que a Primavera Árabe deu novo ânimo à luta contra uma ocupação que já dura 45 anos.

Por um lado, Israel contra-ataca depois de ser alvo de milhares de foguetes palestinos e agora também de mísseis iranianos com 75 quilômetros de alcance, capazes de atingir Jerusalém e Telavive, as duas principais cidades israelense. Por outro lado, a ocupação iniciada na Guerra dos Seis Dias é cada vez mais insustentável.

domingo, 18 de novembro de 2012

CIA aprovou declaração de Susan Rice sobre Bengázi

A Agência Central de Inteligência (CIA), o serviço de espionagem dos Estados Unidos, aprovou o informe passado à embaixadora americana nas Nações Unidas, Susan Rice, sobre o ataque ao consulado em Bengázi que resultou na morte do embaixador americano na Líbia antes de suas declarações de 16 de setembro, afirmou seu ex-diretor, general David Petraeus.

Susan Rice, cotada para secretária de Estado do segundo governo Barack Obama, está sob fogo cerrado de alguns senadores republicanos interessados em criar um escândalo para manchar a imagem do presidente.

Quando o consulado foi atacado, em 11 de setembro de 2012, havia uma onda de protestos contra um filme ofensivo ao profeta Maomé produzido nos EUA. No dia seguinte, a análise das imagens mostrava realidades bem diferentes no Cairo, onde a Embaixada Americana foi cercada por uma multidão irada que subiu no muro, rasgou e queimou a bandeira, e em Bengázi, onde o consulado foi alvo de metralhadoras, foguetes e granadas.

Os republicanos alegam que Rice tentou encobrir o que foi de fato um ataque terrorista, como se o governo Obama quisesse abafar o caso.

Para o presidente, a reação republicana é ultrajante. A campanha eleitoral acabou. Os republicanos deveriam examinar o resultado das urnas e perceber que não devem hostilizar mulheres e minoriais raciais.

sábado, 17 de novembro de 2012

Diva casada com novo líder chinês modera o tom

Durante décadas, Peng Liyuan, a cantora pop mais famosa da China, foi muito mais popular do que o marido. Agora, o atual vice-presidente Xi Jinping foi nomeado secretário-geral do Partido Comunista. A partir de março, será presidente da República, provavelmente por um período de dez anos. Só resta à diva e popstar assumir uma postura muito mais discreta.

Desde que a viúva de Mao Tsé-tung, Jiang Ching, foi condenada por corrupção e abuso de poder durante a Revolução Cultural (1966-76), em 1981, as primeiras-damas chinesas eram quase invisíveis e silenciosas. No máximo, apareciam em silêncio atrás ou ao lado do marido. Mas Peng Liyuan está mais para Carla Bruni Sarkozy do que para o modelo de primeira-dama da China da era das reformas econômicas.

Há mais de duas décadas, observa o jornal The New York Times, Peng é destaque do fim de Ano Novo da televisão estatal chinesa. Muitas vezes emerge no centro de um batalhão de bailarinos que coreagrafam as façanhas do Exército Popular de Libertação e da China superpotência emergente.

Com a imagem de principal civil associada às Forças Armadas, Peng tem o prestígio de um general. Ela consolou sobreviventes do terremoto de Sichuã, em 2008, e alerta os jovens para os riscos de fumar e do sexo sem camisinha.

É uma grande oportunidade: "Peng Liyuan pode ser tremendamente positiva para a China, que tem falta de exemplos femininos", declarou Hung Huang, editora de uma revista de moda. "Imagine se ela se transformar numa primeira-dama como Michelle Obama."

Mas é muito improvável, tendo em vista a ampla supremacia masculina na conservadora sociedade chinesa, onde a política do filho único para controlar a natalidade levou a infanticídios de meninas recém-nascidas.

No 18º Congresso do PC, que acaba de eleger Xi como novo líder, os homens eram a imensa maioria dos delegados. O Politburo do Comitê Central passou a ter duas mulheres, mas não há nenhuma no Comitê Permanente, formado pelos agora sete imperadores que mandam na China.

Israel destrói QG do governo do Hamas em Gaza

Entre os 850 alvos atacadas em três dias de ofensiva aérea, Israel destruiu hoje o escritório do primeiro-ministro do governo do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), Ismail Haniya, na Faixa de Gaza. A liderança do Hamas sobreviveu porque tinha fugido para locais seguros. O escudo de defesa antimísseis Domo de Ferro, interceptou um míssil que ia para Telavive, a maior cidade de Israel.

Quando o Hamas venceu as eleições parlamentares palestinas de 25 de janeiro de 2006, Haniya foi indicado para formar o governo. Mas o grupo fundamentalista rompeu com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), liderada pelo presidente Mahmoud Abbas.

Em 2007, uma verdadeira guerra civil palestina terminou com a OLP controlando a Cisjordânia e o Hamas a Faixa de Gaza.

No Cairo hoje, os líderes do Egito, da Turquia e do Catar tentaram mediar um cessar-fogo. Sob pressão dos Estados Unidos, o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, disse ao secretário de Estado americano, Leon Panetta, que "Israel está determinado a atingir suas metas operacionais". Isso significa reduzir a capacidade de grupos armados rivais de bombardear cidades israelenses a partir da Faixa de Gaza.

Como desta vez, Jerusalém e Telavive foram alvejadas, o alto comando militar de Israel ordenou à Força Aérea que intensifique os bombardeios. No quarto dia da ofensiva, o Exército de Israel prepara uma invasão terrestre, informa o jornal liberal israelense Haaretz.

Greenspan ataca outra vez e defende "recessãozinha"

O ex-presidente da Reserva Federal (Fed), o banco central dos Estados Unidos, Alan Greenspan, era considerado um verdadeiro deus pelo mercado antes do colapso do banco Lehman Brothers, mas foi um dos principais responsáveis pela pior crise econômica mundial dos últimos 70 anos. Apesar de desmoralizado, não abriu do pensamento neoliberal que venera o mercado como um deus.

Ao comentar o impasse entre a Casa Branca e o Congresso dos EUA sobre como reduzir o déficit público federal, hoje de US$ 1,1 trilhão, Greenspan rejeitou a proposta do presidente Barack Obama de dividir o custo do ajuste fiscal aumentando impostos para os 2% mais ricos e reduzindo gastos públicos na mesma medida.

Greenspan chegou a dizer que "não poderia esperar que os bancos dessem um tiro no pé" para justificar a falta de regulamentação e fiscalização do setor financeiro sobre o qual era responsável. Sob sua direção, o Fed manteve sua taxa básica de juros em 1% durante 14 meses, gerando uma bolha especulativa, e Wall St. criou produtos financeiros sofisticados sem qualquer controle.

Agora, Greenspan prefere uma "pequena recessão a aumentar impostos". Não só não aprendeu nada como se recusa a reexaminar seus próprios erros.

É mais um sinal de que a crise não reduziu o virtual monopólio do capitalismo financeiro, responsável por uma formidável destruição de riqueza nos últimos anos. Seu poder continua inalterado e o Partido Republicano dos EUA é seu maior porta-voz. Repórtes incautos acabam de ressuscitar o zumbi que, errando como um sonâmbulo, arrasou a economia mundial.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Japão dissolve Câmara para realizar eleições

Depois de antecipar em dez meses as eleições legislativas para 16 de dezembro, o primeiro-ministro Yoshihiko Noda dissolveu hoje a Dieta, a câmara baixa do Parlamento do Japão. O governo japonês reduziu pelo quarto mês seguido suas expectativas para a economia, que encolheu no terceiro trimestre de 2012.

O governo Noda, do Partido Socialista, atribui a crise econômica à queda das exportações para a Europa e a China, mas não apresenta propostas para revigorar a economia do Japão, em crise desde o início dos anos 90.

Primeiro-ministro do Egito visita Faixa de Gaza

O primeiro-ministro do Egito, Hesham Kandil, visitou hoje a Faixa de Gaza, mas nem sua presença foi capaz de garantir um cessar-fogo de três horas anunciado antes por Israel e pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), o principal partido fundamentalista palestino, que domina o território palestino.

Pela primeira vez em 42 anos, um foguete caiu perto de Jerusalém, destaca o jornal The New York Times. O Hamas reivindicou a autoria do ataque.

Israel tem um sistema de defesa antimísseis desenvolvido em conjunto com os Estados Unidos chamado de Domo de Ferro. Estaria sendo capaz de deter 90% dos foguetes palestinos.

A mobilização da tanques junto à fronteira e de 75 mil reservistas indica que o Exército de Israel prepara uma ofensiva terrestre. Como a Faixa de Gaza é um dos lugares de maior concentração populacional do mundo, o risco para os civis é enorme.

Em Jerusalém, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu acusou o Hamas de usar a população como escudo humano. Em Gaza, o escritório do primeiro-ministro Ismail Haniya foi atacado, mas a liderança do partido tinha fugido para um local mais seguro.

Há também uma mudança estrutural no Oriente Médio. Com a Primavera Árabe, chegou ao poder no Egito a Irmandade Muçulmana, o mais antigo movimento fundamentalista do mundo, fundado em

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Zona do Euro volta a cair em recessão

Sob pressão dos cortes de gastos e aumentos de impostos forçados pela crise das dívidas públicas, os 17 países da Zona do Euro registraram em conjunto uma queda de 0,1% no produto regional bruto de julho a setembro de 2012, informou hoje a Eurostat, a agência oficial de estatísticas da União Europeia.

Como houve uma contração de 0,2% no trimestre anterior, está caracterizada uma recessão. Na UE como um todo, com 27 países, houve expansão de 0,1%.

Agora, as duas maiores economias que usam o euro como moeda, a Alemanha e a França cresceram 0,2% no terceiro trimestre deste ano.

Numa lenta desaceleração, a Alemanha avançou 0,5% no primeiro trimestre e 0,3% no segundo.A França escapou da recessão. Vinha de dois trimestres de estagnação no fim de 2011 e início de 2012, seguido de um recuo de 0,1% de abril a junho deste ano.

A terceira maior economia do euro, a Itália, continuou em recessão, com queda de 0,2% no produto interno bruto. O mesmo aconteceu com a quarta, a Espanha, que encolheu 0,3%. A situação é mais dramática na Grécia, que perdeu 7,2% do produto interno bruto num ano.

"A onda recessiva que varre os países do Sul começa a contaminar o núcleo mais sólido da Eurozona", comentou o economista holandês M. van Vliet, observando que a Holanda recuou 1,1% e a Áustria 0,1%.

Com a crise de 2008, a Eurozona entrou em recessão, voltando a crescer no terceiro trimestre de 2009. Enfrenta agora um segundo mergulho na recessão sem que as políticas de arrocho fiscal impostas pela Alemanha e outros países do Norte da Europa mostrem resultados positivos.

Ao contrário, protestos em 23 dos 27 países da União Europeia convocados ontem por sindicatos indicam o esgotamento político dos programas de ajuste fiscal.

Foguete atinge Telavive durante ofensiva em Gaza

No segundo dia de uma ofensiva da Força Aérea de Israel contra grupos armados baseados na Faixa de Gaza, foguete disparados do território palestino atingiu hoje Telavive, a maior cidade de Israel que não era atingida desde a Guerra do Golfo de 1991, quando Saddam Hussein tentou envolver o Estado judaico no conflito. Três civis israelenses morreram numa cidade próxima. Em Gaza, pelo menos 13 palestinos foram mortos.

Desde o início da ofensiva aérea, pelo menos 274 foguetes palestinos explodiram em território israelense. Mais de 110 foram interceptados para defesa antimísseis de Israel.

"Israel não tolerar a morte de civis inocentes", declarou o primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu. "Por isso, autorizei as Forças de Defesa de Israel a fazer ataques cirúrgicos contra a infraestrutura do terrorismo em Gaza".

O ministro da Defesa, Ehud Barak, ordenou a mobilização de 30 mil reservistas, num sinal de que o Exército de Israel pode estar preparando uma operação terrestre.

As mortes foram as primeiras de israelenses. Ontem, Israel matou Ahmed Jabari, o comandante militar do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), principal grupo fundamentalista palestino, rompendo uma frágil trégua negociada dias antes. Em dois dias, a aviação israelense bombardeou mais de 250 alvos em Gaza, informou o jornal liberal israelense Haaretz.

Jabari seria responsável pelo sequestro do soldado israelense Gilad Shalit, libertado em outubro de 2011 depois de ficar mais de cinco anos no cativeiro. O movimento pacifista de Israel lamentou que ele tenha sido morto no momento em que se negociava uma trégua de longo prazo com o Hamas. Jabari teria uma cópia de um acordo pronto a ser assinado dentro do carro atingido por um míssil.

Com eleições gerais convocadas para 22 de janeiro de 2013, Netanyahu está sendo acusado de acirrar o conflito com a morte do comandante do Hamas para dar uma demonstração de força com objetivos eleitoreiros.

Em um pronunciamento marcado pela ira e a indignação, o primeiro-ministro de Gaza, Ismail Haniya, declarou que "nosso inimigo não conhece a nossa natureza". Ele prometeu uma nova fase na "guerra santa" contra Israel.

No Cairo, os governos do Egito e representantes da União Europeia tentam negociar um cessar-fogo, até agora sem sucesso.

BP paga US$ 4,5 bilhões por vazamento nos EUA

A companhia de petróleo BP, a antiga British Petroleum, concordou em pagar US$ 4,5 bilhões de indenização pelas 14 acusações por crimes cometidos no maior vazamento de petróleo da História dos Estados Unidos, ocorrido há dois anos no Golfo do México. A denúncia inclui de homicídio culposo a mentir ao Congresso.

É a maior multa já aplicada pela Justiça criminal dos EUA. A maior parte do pagamento, US$ 4 bilhões, corresponde a multas. Vai para o governo americano, que fez o acordo.

Cerca de 800 milhões de litros de petróleo vazaram no golfo nos 87 dias que se seguiram à explosão da plataforma de petróleo Horizonte de Águas Profundas, em 20 de abril de 2010. Foi o pior vazamento acidental de petróleo da História, superado apenas pelo realizado pelas forças de Saddam Hussein ao se retirarem do Iraque na Guerra do Golfo Pérsico, em fevereiro de 1991.

Onze petroleiros morreram no acidente no Golfo do México, atribuído à negligência e aos cortes de custos da BP e de duas outras empresas associadas ao projeto.

A própria BP acusou a Transocean de "erro de design" e a Halliburton, que já foi presidida pelo ex-vice-presidente Dick Cheney e esteve envolvida na invasão do Iraque, de usar cimento de má qualidade no poço acidentado.

O acordo visa a encerrar os processos criminais contra a BP. A empresa ainda pode ser enquadrada na Lei da Água Limpa, que prevê multa de US$ 1,1 mil a US$ 4,3 mil por barril de petróleo derramado no mar. Pelos cálculos de Peter Hutton, do RBC Capital Markets, essa conta pode chegar a US$ 21 bilhões, informa o jornal The New York Times.

China apresenta nova liderança do Partido Comunista

No encerramento de seu 18º Congresso, o Partido Comunista da China acaba de apresentar o novo Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central, que foi reduzido de nove para sete membros. São os novos imperadores que mandam na segunda maior economia do mundo e em 1,3 bilhão de pessoas.

Xi Jinping
O vice-presidente Xi Jinping foi eleito secretário-geral do PC. Em fevereiro, deve assumir também a Presidência da República Popular da China por um mandato de cinco anos renovável por mais cinco anos. Assim, a expectativa é que Xi trabalhe para consolidar o poder no primeiro mandato e deixe medidas mais ousadas para o segundo.

Seu número dois será o vice-primeiro-ministro Li Keqiang,  um economista com PhD pela Universidade de Beijim que será promovido a primeiro-ministro. Será a principal autoridade econômica do governo. A economia que mais cresceu no mundo nos últimos 30 anos está em desaceleração e tenta se reorientar do comércio exterior para o mercado interno.

Os outros membros são considerados conservadores. O liberal Wang Yang não foi promovido.

Neste momento, Xi Jinping discursa. Destaca a contribuição da China para a humanidade, mas adverte que o país vive um momento crucial de seu desenvolvimento e já fracassou antes. Defende uma "nova China, voltada para o futuro e a prosperidade, em vez da velha China", uma referência à velha guarda saudosista do maoísmo.

"É preciso continuar trabalhando duro para a grandeza da nação chinesa e assim contribuir para a grandeza da humanidade", exorta o novo líder chinês, filho de um revolucionário perseguido durante a Revolução Cultural, o que o fez boa parte da juventude numa aldeia camponesa miserável.

Entre suas prioridades, o novo secretário-geral citou combate à corrupção, segurança, empregos, saúde, melhores condições de habitação, um meio ambiente mais bonito. "Nossa missão é liderar todas as pessoas e o partido para liberar suas mentes e aumentar a produtividade, liberar nossa maneira de pensar para desenvolver as forças produtivas e resolver os problemas que as pessoas enfrentam no dia a dia para garantir prosperidade para todos", prometeu Xi.

"Somos orgulhosos, mas cautelosos. Nosso partido serve o povo de todo o coração e como nação capturamos a atenção do mundo. Mas não podemos dormir sobre nossos louros. Estamos enfrentando vários desafios, especialmente a corrupção de membros do partido e burocratas. Há muitos problemas a serem resolvidos, como corrupção, burocratismo, falta de contato com o povo. Todo o partido deve estar vigilante", exortou o futuro presidente da China (2013-23).

O PC "precisa liderar o desenvolvimento social, mantendo contato próximo com o povo. Não há dificuldade que não possamos superar. Nossa determinação de servir o povo é ilimitada. Enquanto nos unirmos, não há nada que não possamos fazer", acrescentou, defendendo o monopólio de poder do partido.

"A China precisa conhecer melhor o mundo, e o mundo conhecer melhor a China", concluiu o novo líder do PC chinês, numa mensagem conciliadora, de busca do entendimento, que com certeza será bem recebida pelo resto do mundo.

O presidente que sai em março, Hu Jintao, é um burocrata cinzento com cabelo pintado de preto, um homem da máquina partidária. Há esperanças de que Xi Jinping, que morou no estado de Iowa por um tempo nos anos 80, e viajou bastante ao exterior seja mais aberto para o mundo no momento em que a China tem de assumir cada vez mais responsabilidades como grande potência mundial.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Europeus protestam contra o arrocho fiscal

Em 23 dos 27 países da União Europeia, manifestantes foram às ruas hoje para protestar contra as políticas de cortes de salários, aposentadorias e gastos públicos, e aumentos de impostos, para combater os déficits públicos. Em Portugal, na Espanha e na Grécia, foi um dia de greve geral. Em Lisboa, Madri, Roma e Atenas, houve conflitos com a polícia.

Na Espanha, a segunda greve geral contra o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy, eleito em 20 de novembro de 2011, terminou com 74 feridos e 142 presos, noticia o jornal El País citando como fonte o Ministério do Interior. Os sindicatos declararam que 76,7% dos trabalhadores aderiram à paralisação. As entidades patronais disseram que foram apenas 12%.

PIB da Grécia perdeu 7,2% em 12 meses

A economia da Grécia recuou 7,2% no terceiro trimestre de 2012 na comparação com o mesmo período no ano passado, acelerando o ritmo de contração, que tinha sido de 6,3% no segundo trimestre, anunciou hoje o instituto oficial de estatísticas do país, Elstat.

O país mais abalado pela crise das dívidas públicas dos países do Sul da Europa vai enfrentar em 2013 o sexto ano seguido de recessão. A queda acumulada no produto interno bruto deve passar de 25%. O desemprego atinge um quarto da população em idade de trabalhar e 55,5% dos jovens.

Produção industrial da Zona do Euro cai 2,5%

Num sinal de que a política de cortes de gastos para enfrentar a crise das dívidas públicas cobra seu preço, a produção industrial dos 17 países da União Europeia que usam o euro como moeda caiu 2,5% em setembro, depois de registar uma alta de 0,9%, revelou hoje a Eurostat, agência oficial de estatísticas do bloco europeu. Na UE como um todo, o recuo foi de 2,3%.

As maiores baixas foram na Irlanda (12,6%) e Portugal (12%), seguidos pela Grécia (4,4%), Espanha (2,8%) e França (2,7%). As maiores altas na Estônia (2%) e na Eslováquia (1,4%).

Nos últimos 12 meses, a queda foi de 4,3% na Eurozona e de 3,7% em toda a UE.

Em protesto contra as medidas de austeridade fiscal, houve greves gerais hoje em Portugal, Espanha, Itália e Grécia, e manifestações de apoio na Alemanha, França, Bélgica e outros 16 países europeus.

Obama quer manter corte de impostos para classe média

Ao comentar hoje as negociações com o Congresso para evitar que os Estados Unidos caiam num "abismo fiscal", o presidente Barack Obama pediu a prorrogação imediata dos cortes de impostos para a classe média, deixando para discutir a tributação dos 2% mais ricos, que ganham mais de US$ 250 mil (R$ 500 mil) por ano, e outras medidas para depois.

Se a Casa Branca e o Capitólio não chegarem a um acordo até o fim do ano, acabam os cortes de impostos dos governos de George W. Bush (2001-9) e entram em vigor reduções de despesas governamentais para conter o déficito público. Sairiam de circulação US$ 600 bilhões. Os EUA correriam o risco de cair num "abismo fiscal". Isso seria fatal para a frágil recuperação econômica do país. Traria a recessão de volta.

Em sua primeira entrevista coletiva em oito meses, Obama afirmou que não houve vazamento de informações classificadas no escândalo sexual envolvendo os generais David Petraeus, ex-diretor-geral da CIA e ex-comandante militar no Iraque e no Afeganistão, e John Allen, atual comandante militar no Afeganistão, nomeado para comandante militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança liderada pelos EUA. Foi o destaque do jornal The Washington Post.

O presidente acusou os senadores republicanos John McCain e Lindsay Graham de jogar para a plateia quando ameaçam vetar uma possível indicação da embaixadora dos EUA nas Nações Unidos, Susan Rice, para secretária de Estado, em substituição a Hillary Clinton, que não fica no segundo governo Obama.

Rice, que é negra, é acusada pela oposição republicana de dar declarações equivocadas logo após o ataque contra o consulado americano em Bengázi em 11 de setembro de 2012, quando morreu o embaixador dos EUA na Líbia. No primeiro momento, a ação foi atribuída a manifestantes que estariam protestando contra um filme ofensivo ao Islã e ao profeta Maomé, mas logo ficou evidente que ninguém vai a um protesto com metralhadoras, foguetes e morteiros.

Israel mata comandante militar do Hamas em Gaza

Um bombardeio da Força Aérea de Israel matou hoje Ahmed Jabari, o comandante militar do braço armado do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), o principal partido islamita palestino, na Faixa de Gaza.

Israel atacou Gaza várias vezes nos últimos dias, em resposta a uma onda de disparos de foguetes do território palestino contra o território israelense. Hoje, anunciou formalmente que vai realizar uma operação militar em Gaza.

"Depois dos disparos de foguetes dos últimos dias contra Israel, o comandante-em-chefe do Estado-Maior decidiu autorizar uma operação contra as organizações terroristas de Gaza, o Hamas, a Jihad Islâmica e outras organizações", declarou um porta-voz do Exército israelense, citado pelo jornal francês Le Monde.

Jabari, comandante das Brigadas Ezzedin Kassam, morreu quando seu carro foi atingido. Ele estava na lista de procurados pelo Estado judaico há algum tempo. Vivia na clandestinidade e escapou pelo menos duas vezes. É o mais importante líder do Hamas morto por Israel desde a invasão à Faixa de Gaza em dezembro de 2008.

O governo linha-dura de Israel indica que pretende manter a política da força baseada na sua superioridade militar esmagadora em relação aos palestinos. Mas a realidade mudou no Oriente Médio.

Com a Primavera Árabe, chegou ao poder no Egito a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, fundado em 1928 por Hassan al-Bana para "reislamizar a umma", o conjunto de todos os muçulmanos, que sofreriam influência negativa do colonialismo ocidental. O Hamas é filho da Irmandade Muçulmana.

As armas para o Hamas chegam através de túneis cavados do lado egípcio da fronteira. No passado, a ditadura de Hosni Mubarak cooperava com Israel e destruía esses túneis. Agora, no mínimo, vai impor condições a Israel para fazer isso.

O Egito e Israel assinaram um acordo de paz histórico em 1979, o primeiro entre um país árabe e o estado nacional judaico. Ele é vital para a segurança de Israel e uma condição para o Egito continuar recebendo ajuda econômica e militar dos EUA. Mas, se não houver avanço na questão palestina, o novo governo egípcio pode colocar o acordo com Israel na geladeira.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Comandante dos EUA no Afeganistão é investigado

O escândalo sexual que derrubou o general David Petraeus da direção da CIA (Agência Central de Inteligência) atinge também seu sucessor como comandante militar dos Estados Unidos no Afeganistão, general John Allen, que seria o próximo comandante militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar da América do Norte com a Europa, revela hoje o jornal The New York Times.

No inquérito sobre as relações entre Petraeus e sua biógrafa Paula Broadwell, que mostrou que eles eram amantes, os investigadores encontraram 20 a 30 mil páginas de material inapropriado em mensagens eletrônicas trocadas pelo general Allen com Jill Kelley, uma socialite da Flórida que teria sido ameaçada por Paula.

A queixa de Jill a um amigo policial teria provocado a investigação que descobriu a infidelidade do general. Como diretor da CIA, Petraeus tinha acesso a informações confidenciais capazes de comprometer a segurança nacional dos EUA. Durante a Guerra Fria, era comum o uso de agentes femininas para seduzir inimigos e tentar obter segredos de Estado.

O presidente Barack Obama reafirmou há pouco sua confiança em Allen para comandar as forças internacionais no Afeganistão, mas o secretário da Defesa, Leon Panetta, suspendeu sua indicação para chefiar a OTAN.

França reconhece Coalizão Nacional Síria como governo

O presidente da França, François Hollande, reconheceu hoje a Coalizão Nacional Síria como "único representante do povo sírio" e embrião do "futuro governo provisório". A medida é resultado da nova aliança formada no fim de semana por grupos que lutam contra a ditadura de Bachar Assad.

A França já tinha manifestado a intenção de reconhecer o Conselho Nacional Sírio como representante legítimo da Síria. Os Estados Unidos eram contra por não confiarem na aliança anti-Assad, que inclui grupos extremistas muçulmanos.

Por isso, no último fim de semana, foi formada a Coalizão Nacional das Forças Revolucionárias e de Oposição da Síria.

Mais de 30 mil pessoas foram mortas no país em um ano e oito meses de revolta contra a ditadura.

ONU abandonou civis na guerra do Sri Lanka

As Nações Unidas fracassaram em sua missão de proteger a população civil no fim da guerra civil no Sri Lanka, o antigo Ceilão, uma ilha ao sul da Índia, admite um relatório interno da organização internacional destinada a promover a paz e a segurança no mundo.

Mais de 100 mil pessoas foram mortas em 26 anos da guerra civil, que terminou em maio de 2009 com a derrota dos Tigres da Libertação do Ilã Tamil, da minoria tamil, que se considera discriminada pela maioria cingalesa. Uma investigação anterior da ONU havia estimado em 40 mil o total de mortos nos últimos cinco meses do conflito.

De acordo com a televisão pública britânica BBC, a ONU se nega a comentar um documento vazado. Espera a entrega do relatório oficial ao secretário-geral da organização, Ban Ki Moon. Isso não diminui a acusação de "falha sistêmica ".

O relatório questiona a retirada do pessoal da ONU da frente de batalha, em setembro de 2008, depois que o governo do Sri Lanka advertiu que não poderia garantir a segurança da missão. A única organização internacional presente na região até o fim da guerra foi a Cruz Vermelha.

Cerca de 330 mil civis tamis foram abandonados na zona de combate. A maioria dos mortos foi vítima dos bombardeios das forças governamentais, mas os rebeldes usaram os civis como escudos humanos, mataram vários que tentaram fugir e recrutaram à força os homens adultos.

"Imploramos à ONU para que ficasse e não abandonasse a região. Não nos ouviram", declarou um professor tamil que está pedindo asilo ao Reino Unido. "Se tivesse ficado, muito mais gente estaria viva hoje."

Safras melhoram mas Coreia do Norte tem subnutrição

Pelo segundo ano consecutivo, a produção de alimentos básicos aumentou na República Popular Democrática da Coreia, mais conhecida como Coreia do Norte. Mesmo assim, cerca de 2,8 milhões de pessoas não comem a quantidade necessária de proteínas e gorduras para uma boa nutrição, estimam a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e o Programa Mundial de Alimentos.

As duas organizações internacionais inspecionaram todas as nove províncias agrícolas da Coreia do Norte, um dos países mais fechados do mundo, em setembro e outubro de 2012. A missão manifestou preocupação com a queda de 30% na produção de soja por causa de uma seca. Isso agrava a escassez de proteínas, óleos, gorduras, vitaminas e oligoelementos essenciais.

Na colheita deste fim de ano e início do próximo, a produção de grãos deve chegar a 5,8 milhões de toneladas, 10% acima do ano anterior. Apesar do aumento, a FAO estima que a Coreia do Norte vai precisar de mais 507 mil toneladas. Como o governo pretende importar 300 mil, ainda faltariam 207 mil toneladas.

"O país precisa produzir mais alimentos ricos em proteína como soja e pescado, e fazer esforços suplementares para fazer duas colheitas por ano a fim de tornar uma maior variedade de alimentos disponível a todos", afirmou Kisan Gunjal, economista da FAO. "A Coreia do Norte ainda precisa de ajuda internacional, mas está no bom caminho para aumentar a produção de alimentos e melhorar a nutrição".

Gunjal defendeu "uma modificação no sistema de comercialização de produtos agrícolares" para que os agricultores possam vender arroz, milho e trigo no mercado.

A ditadura stalinista de Pionguiangue precisa introduzir elementos de uma economia de mercado para salvar o país da miséria e da desnutrição.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

EUA voltarão a ser maior produtor mundial de petróleo

Os Estados Unidos vão superar a Arábia Saudita e a Rússia para voltar a ser o maior produtor mundial de petróleo em 2017, previu hoje a Agência Internacional de Energia (AIE), numa indicação da profunda mudança no setor com o desenvolvimento da tecnologia para extrair óleo do xisto betuminoso.

A União Europeia já teme uma concorrência maior da indústria americana, que terá uma vantagem comparativa no custo da energia.

Israel dá mais tiros de advertência na Síria

Pelo segundo dia seguido, o Exército israelense deu hoje tiros de advertência na Síria depois que um obus disparado em território sírio caiu nas Colinas do Golã, ocupadas por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e anexadas em 1981 à revelia do direito internacional, que proíbe a guerra de conquista.

Desde a Guerra do Yom Kippur (Dia do Perdão), em 1973, o Exército de Israel não atirava contra a Síria. Em 2007, a Força Aérea israelense destruiu um reator nuclear em construção com tecnologia da Coreia do Norte. A ditadura de Bachar Assad sequer acusou o golpe.

Economia do Japão encolhe 0,9% num trimestre

A economia do Japão sofreu uma contração de 0,9% de julho a setembro de 2012, sua maior queda desde o primeiro trimestre de 2011, quando o Nordeste do país foi atingido por um superterremoto de 8,9 graus na escala Richter, que provocou um maremoto e um acidente na central nuclear de Fukushima, matando cerca de 19 mil pessoas.

Terceira maior economia do mundo, o Japão cresceu num ritmo relativamente forte na primeira metade deste ano devido às obras de reconstrução das regiões afetadas. No trimestre passado, sofreu com a queda de 5% nas exportações, causada principalmente pela redução das compras da Europa e da China.

Além da crise econômica, pesou o conflito com a China em torno de algumas ilhas, que levou a um boicote de produtos japoneses. As fábricas de automóveis trabalham com uma expectativa de baixa de 20% nas vendas no mercado chinês.

O atual ritmo de contração da economia japonesa projeta uma queda anual de 3,5%.

"A questão é quão longa e profunda será essa curva descendente, e como os formuladores de políticas vão reagir", comentou o economista Masamichi Adachi, analista do banco J P Morgan Chase em Tóquio, citado pelo jornal inglês Financial Times.

O Banco do Japão lançou seu próprio programa de alívio quantitativo, jogando mais dinheiro em circulação em setembro e outubro para contrabalançar a queda nas exportações e na produção industrial. O mercado espera mais providências para estimular a recuperação.

domingo, 11 de novembro de 2012

Israel dispara tiros de advertência contra a Síria

Pela primeira vez desde a Guerra do Yom Kippur (Dia do Perdão), em 1973, o Exército israelense atirou contra a Síria hoje, depois que obuses disparados na guerra civil do país vizinho caíram nas Colinas do Golã, ocupadas por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e anexadas em 1981 contrariando a Carta das Nações Unidas, que proíbe a guerra de conquista.

Foi a quarta vez em sete dias que ataques feitos na guerra civil síria atingiram Israel. O vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, tinha advertido a Síria na semana passada de que haveria resposta.

O míssil antitanque Tamuz, com 25 quilômetros de alcance, foi disparado por Israel contra um morteiro do Exército da Síria, com a advertência de que não haverá tolerância para ataques vindos de países vizinhos, que serão "respondidos com severidade".  O míssil tem um sensor ótico que permite aos lançadores corrigir o curso até ele atingir o alvo.

Durante uma reunião ministerial realizada hoje, que é dia útil em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu informou que seu governo está "acompanhando de perto o que está acontecendo em nossa fronteira com a Síria e está pronto para qualquer desdobramento".

Israel tenta manter a distância da revolta popular iniciada há um ano e oito meses na Síria, que nos últimos meses degenerou em guerra civil, com medo do regime que virá depois da ditadura de Bachar Assad, que pode ter extremistas muçulmanos. Os serviços secretos israelenses acreditam que o ditador está condenado, mas seu regime poderia resistir até dois anos.

Na semana passada, Barak manifestou a esperança de que os rebeldes vençam e que "uma nova etapa na vida da Síria comece", reporta o jornal liberal israelense Haaretz.

Em 6 de setembro de 2007, a Força Aérea de Israel bombardeou a destruiu uma usina nuclear em construção na Síria com tecnologia da Coreia do Norte. A ditadura de Bachar Assad não reagiu.

sábado, 10 de novembro de 2012

Ameaças da amante a outra derrubaram diretor da CIA

As ameaças da biógrafa que se tornou amante do ex-diretor da CIA (Agência Central de Inteligência), general David Petraeus, levaram o FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, a abrir a investigação que levou à queda do general que ficara famoso nas guerras do Iraque e do Afeganistão, reporta o jornal The Washington Post.

Quando os agentes do FBI investigaram o correio eletrônico de Paula Broadwell a pedido de uma terceira pessoa ameaçada por Paula, Jill Kelley, descobriram que a biógrafa estava tendo um caso com o diretor da CIA. Isto é totalmente inaceitável.

Como chefe do serviço de espionagem da Presidência dos EUA, o diretor da CIA tem acesso a uma série de informações confidenciais importantes para a segurança nacional do país. Se cometer qualquer deslize, pode ser alvo de chantagens. Há ainda o risco de que a amante esteja a serviço de governos estrangeiros, como aconteceu tantas vezes durante a Guerra Fria.

Líder republicano mente para rejeitar alta de impostos

Se o presidente Barack Obama aumentar os impostos para os 2% mais ricos, os Estados Unidos vão perder 700 mil empregos por ano, declarou o presidente da Câmara, deputado republicano John Boehner, mantendo sua posição no debate sobre como reduzir o déficit público federal, de mais de US$ 1 trilhão.

Como o principal líder do Partido Republicano citou um estudo da empresa de consultoria Ernst & Young, o jornal The Washington Post foi conferir.

A maior ameaça à recuperação da economia dos EUA no momento é o chamado "abismo fiscal", uma combinação de fim dos impostos da era George W. Bush (2001-9) com cortes automáticos nos gastos públicos que tirariam de circulação US$ 600 bilhões.

Obama quer o fim dos cortes de impostos para quem ganha mais do que US$ 250 mil por ano, mais de R$ 500 mil. Boehner alegou que, na maior parte, os 2% mais ricos são pequenos empresários. Seus negócios sofreriam eliminando empregos para quem mais precisa.

O estudo Impacto macroeconômico de longo prazo do aumento de impostos para contribuintes de renda elevada em 2013 foi preparado no ano passado por dois economistas da E&Y para os Banqueiros Comunitários Independentes da América, a Federação Nacional da Empresas Independentes e a Câmara América de Comércio - entidades de oposição a Obama.

Para o blog Fact Checker, o primeiro problema do documento está no "longo prazo". O impacto não será imediato. Isto torna uma avaliação mais difícil.

A previsão dos economistas, de uma perda anual de 700 mil empregos, merece uma ressalva escamoteada na página 22 do documento: "Para modelos deste tipo, de dois terços a três quartos dos efeitos de longo prazo são sentidos numa década". Ou seja: é preciso esperar dez anos para que 66% a 75% da profecia se cumpram.

Pior ainda é outra confissão: "O uso da arrecadação adicional para reduzir o déficit não foi testado no modelo". Os autores pressupõe que o governo Obama vai gastar toda renda extra em mais despesas públicas.

Vitória de Obama na Flórida é confirmada

Quatro dias depois da eleição presidencial nos Estados Unidos, chegou ao fim a contagem dos votos na Flórida. O presidente Barack Obama venceu com 50% dos votos contra 49,1% para o ex-governador Mitt Romney. A diferença foi de 74 mil.

Obama terá 332 delegados e Romney 206 no Colégio Eleitoral, que se reúne em 17 de dezembro de 2012, para concluir o processo de escolha do presidente dos EUA.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

General Petraeus deixa CIA citando caso amoroso

O general David Petraeus, que ficou famoso como comandante militar dos Estados Unidos no Iraque depois do reforço ordenado pelo então presidente George W. Bush, deixou a direção da Agência Central de Inteligência (CIA), o serviço de espionagem da Presidência dos EUA. A CIA está sob pressão por causa da morte do embaixador americano na Líbia na cidade de Bengázi, em 11 de setembro de 2012.

Em carta ao presidente Barack Obama, o general afirma que depois de 40 anos de casamento tinha cometido o erro de ter uma relação extraconjugal, o que na sua opinião é incompatível com o cargo que ocupava.

Obama chama oposição para discutir "abismo fiscal"

Ao convocar os líderes dos dois grandes partidos para discutir o "abismo" fiscal na próxima semana na Casa Branca, o presidente reeleito Barack Obama voltou a insistir em que qualquer acordo para reduzir o déficit público federal dos Estados Unidos precisa incluir aumentos de impostos para os ricos.

Em 2 de janeiro de 2013, expiram os cortes de impostos para os ricos da era George W. Bush (2001-9). Se não houver acordo entre Executivo e Legislativo, entram em vigor automaticamente cortes nos gastos públicos. Podem sair de circulação US$ 600 bilhões. É o "abismo fiscal".

Os republicanos, que controlam a Câmara sob a liderança do deputado John Boehner, são contra aumentos de impostos, alegando que seriam contraproducentes em meio a uma crise econômica: "É o momento do presidente. Ele precisa liderar e propor um acordo capaz de ser aprovado".

A seguir, impôs uma condição: "Somos contra cortes de impostos para os ricos porque eles são, na maioria, donos de pequenas empresas. Isso vai custar 700 mil empregos, em prejuízo da nossa economia", afirmou o presidente da Câmara.

"Eu me recuso a aceitar qualquer acordo que não seja equilibrado. Não vou deixar aposentados, estudantes e a classe média pagarem sozinhos pelo ajuste fiscal", declarou o presidente, alegando que o orçamento não pode ser equilibrado simplesmente cortando gastos públicos.

Se o impasse dos últimos anos por não for resolvido por algum acordo, há o risco de que a frágil recuperação americana, com ritmo de crescimento de 2% ao ano, se transforme numa contração de 2%.

Argentinos batem panelas contra Cristina Kirchner

Mais de 700 mil argentinos participaram ontem à noite de um panelaço no centro de Buenos Aires e nas principais cidades do país contra o governo Cristina Kirchner, cada vez mais impopular. A Casa Rosada ignorou o protesto e o guru do kirchnerismo, o filósofo Ernesto Laclau, o descreveu como  "o último grito de uma Argentina que está morrendo".

Num país onde a política ainda transforma adversários e inimigos, numa guerra felizmente travada hoje sem sangue, a classe média argentina bateu panelas contra a inflação, a corrupção, o aumento da criminalidade e da violência, o protecionismo que isola cada vez mais o país internacionalmente e contra a campanha para mudar a Constituição e dar um terceiro mandato a Cristina.

A presidente ironizou, comentando que o grande acontecimento político do dia era o Congresso do Partido Comunista da China. Cristina Kirchner criticou o "formidável aparato cultural para que os argentinos tenham uma visão distorcida do seu própria país" e acusou a oposição de não ter um "projeto alternativo".

O governo mantém o discurso de palanque de proteção aos excluídos que elegeu Néstor Kirchner em 2003, depois da pior crise de uma economia moderna, comparada ao que está acontecendo agora com a Grécia. Quando a dolarização da era Carlos Menem (1989-99) entrou em colapso, em 2001, 58% dos argentinos caíram abaixo da linha de pobreza.

As poupanças em dólares foram confiscadas e transformadas em pesos, com perda de 70% do valor. O dinheiro sumiu. A economia ficou paralisada. Depois do governo de transição do peronista Eduardo Duhalde, vice do primeiro governo Menem e candidato derrotado pelo radical Fernando de la Rúa em 1999, Kirchner venceu Menem em 2003 com um discurso antiliberal e antimercado.

No poder, o kirchnerismo congelou tarifas e adotou uma política de desvalorização do peso para aumentar a competitividade dos produtos argentinos. Isso gera uma inflação que o instituto oficial de estatísticas manipula a tal ponto que o Fundo Monetário Internacional (FMI) já advertiu que não vai mais usar os dados do governo. Este, por sua vez, processa os institutos independentes que chegam a números diferentes.

De uma base muito baixa, muito inferior ao potencial de geração de riqueza de um país como a Argentina, a economia cresceu a uma média de 8% ao ano até a crise de 2008, que na Argentina começou com uma greve de produtores rurais contrariados com os aumentos de impostos sobre as exportações de grãos.

No conflito com o campo, o jornal Clarín, o mais vendido no país, apoiou os ruralistas. Em uma verdadeira guerra contra o maior grupo de mídia argentino, o governo aprovou uma Lei de Meios de Comunicação Social que obriga o Clarín a se desfazer, em 7 de dezembro, de mais de 200 licenças de telerradiodifusão. Se o monopólio da mídia deve ser combatido, nenhuma nova licença foi dada até hoje com a nova lei, preparada para punir e negar legitimidade aos críticos do governo.

Ao renegociar sua dívida caloteada de US$ 100 bilhões, a Argentina rejeitou as propostas dos credores que exigiam pagamento de 100% do valor dos títulos. Fez acordo com mais de 80%. Os outros entraram na Justiça. Até hoje, o país não voltou totalmente ao mercado financeiro internacional, sempre demonizado no discurso kirchnerista.

Sem dólares nem acesso ao mercado, o governo Cristina Kirchner privatizou a previdência social,  alegando que a poupança para aposentadoria não poderia correr os riscos do sistema financeiro, estatizou a antiga estatal do petróleo YPF, passou a controlar e burocratizar a importação, aumentou as barreiras protecionistas e, por fim, proibiu a compra e venda de dólares, que circulavam como moeda corrente na Argentina.

Para a classe média argentina, o dólar era o refúgio natural contra a inflação. Agora, é preciso dar explicações até para viajar ao exterior. Nas ruas do centro de Buenos Aires, os doleiros estão ativos. Com a cotação oficial em 4,70 pesos, no mercado negro consegue-se até 6,50 pesos por dólares. As lojas de importados e algumas grifes de luxo começam a sair do país por causa das dificuldades para importar mercadorias e remeter lucros ao exterior.

Há pouco mais de um ano, num momento de crescimento da economia, a presidente se reelegeu no primeiro turno com 54% dos votos. Hoje sua popularidade caiu para 32%.

A economia argentina se deteriora rapidamente e só Cristina Kirchner não vê. Está mais preocupada em destruir o Clarín. Até quando?

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

ONU prorroga mandato da força da paz na Somália

O Conselho de Segurança das Nações Unidas ampliou ontem em quatro meses o mandato da força de paz na Somália. A União Africana pediu o fim do embargo à venda de armas ao país para que o governo provisório possa reconstruir o exército nacional somaliano, enquanto Uganda ameaça retirar suas tropas por causa das acusações de apoiar rebeldes na República Democrática do Congo.

Ao estender o mandato por apenas quatro meses e não um ano, como habitualmente faz, o Conselho de Segurança resolveu examinar a atuação da força de paz e a conveniência de suspender o embargo ao comércio de armas à Somália, imposto em 1992, depois da queda do ditador Mohamed Siad Barre.

A delegação dos Estados Unidos observou que não há consenso no Conselho para levantar as sanções.

Desde 1992, a Somália vive em estado de anarquia, sem um governo que controle todo o território nacional. Em meio ao caos e à guerra civil, a pirataria infesta os mares ao redor do país.

Assad promete "viver e morrer" na Síria

Enquanto o Conselho Nacional Sírio se reúne em Doha, no Catar, para eleger uma nova liderança com legitimidade para articular um governo provisório capaz de receber apoio internacional, o ditador Bachar Assad reiterou sua intenção de lutar até o fim. Em entrevista à televisão russa, ele declarou: "Não sou um fantoche do Ocidente. Sou mais durão do que Kadafi".

O ditador sírio advertiu mais uma vez que uma intervenção militar estrangeira no país teria "um efeito dominó que vai afetar o mundo do Atlântico ao Pacífico", com implicações para o mundo inteiro: "Somos o último bastião de secularismo e estabilidade na região", afirmou, insinuando que os rebeldes são extremistas muçulmanos".

Em Doha, a oposição síria escolheu um novo grupo dirigente de 40 membros. Está sendo duramente criticado por não incluir nenhuma mulher, relata o jornal The Washington Post.

Os Estados Unidos se negam até o momento a dar qualquer ajuda aos rebeldes além de equipamentos de comunicação por medo de que as armas caiam nas mãos de extremistas. Também rejeitaram uma proposta do presidente da França, François Hollande, de reconhecer um governo provisório

Mais de 30 mil pessoas foram mortas em um ano e oito meses na guerra civil deflagrada pela ditadura de Assad ao reprimir violentamente a revolta popular inicialmente pacífica contra seu governo.

Ao cumprimentar ontem o presidente Barack Obama por sua reeleição, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que os EUA e o Reino Unido precisam trabalhar junto para tentar resolver a crise síria.

BCE mantém taxa básica de juros a 0,75% ao ano

O Banco Central Europeu decidiu hoje manter sua principal taxa de refinanciamento de títulos em 0,75% ao ano, apesar de dados que indicam uma redução ainda maior da atividade econômica da Zona do Euro.

A previsão de crescimento da Eurozona para 2013 foi reduzida de 1% para 0,1% e o da Alemanha, maior economia da Europa e quarta do mundo, de 1,7% para 0,7%, reporta a TV pública britânica BBC. A confiança dos empresários alemães caiu no mês passado ao menor nível desde fevereiro de 2010.

Ao comentar a situação, o presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, advertiu que as perspectivas econômicas são fracas e não estão melhorando, informa a agência de notícias Reuters. A inflação, hoje em 2,5% ao ano, deve cair abaixo da meta do banco, de 2% ao ano.

Hu Jintao adverte PC chinês para risco da corrupção

Ao abrir o 18º Congresso do Partido Comunista, o presidente da China, Hu Jintao, advertiu que a corrupção é hoje a maior ameaça ao monopólio de poder do PC e pode levar ao "colapso do partido e do Estado". Mais de 2,2 mil delegados participam do encontro. Devem apenas confirmar o que foi decidido pela cúpula.

"Todos os que violarem a disciplina do partido e as leis do Estado devem ser rigorosamente punido", declarou o presidente, que deve passar o cargo em março do próximo ano.

Além da ex-estrela em ascensão da linha dura, Bo Xilai, que caiu em desgraça no início do ano e foi expurgado do partido e do parlamento depois que sua mulher foi condenada por homicídio, o jornal The New York Times denunciou o enriquecimento ilícito da família do primeiro-ministro Wen Jiabao.

Depois de dez anos, tanto Hu quanto Wen passam seus cargos de líder do partido e chefe de governo para Xi Jinping e Li Keqiang. Estes dois já são membros do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central, o grupo de nove imperadores que manda na segunda maior economia do mundo. Devem governar o país nos próximos dez anos.

Em março de 2013, Xi passa a ser também presidente da China. Para manter sua influência Hu tenta conservar a presidência da Comissão Militar do Comitê Central, que controla o Exército Popular de Libertação. Esse era o único cargo oficial do então dirigente máximo Deng Xiaoping depois do lançamento das reformas econômicas.

Sob Hu, a economia chinesa cresceu cinco vezes e passou a segunda maior do mundo, com produto interno bruto estimado em mais de US$ 7,8 trilhões no fim deste ano. Depois de décadas de crescimento médio de 10% ao ano, no último trimestre o ritmo caiu para 7,4% e tudo indica que o patamar tende a cair para este nível.

Outro desafio do futuro governo chinês será reorientar a economia para o mercado interno.
Wang Yang

Como a escolha de Xi e Li está feita há muito tempo, a maior dúvida é quem será eleito para o Comitê Permanente, que pode ser reduzido para sete membro. Neste caso, seriam eleitos apenas cinco.

Tudo isto já está decidido pelos hierarcas do partido, como o ex-presidente Jiang Zemin, desde que o congresso do PC foi convocado. Os observadores estão atentos a Wang Yang, governador da província de Cantão, considerado um liberal e possivelmente reformista. Sua ascensão indicaria uma possibilidade maior de abertura política.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Colorado e Washington legalizam a maconha

Entre mais de cem plebiscitos realizados ontem junto com as eleições nos Estados Unidos, o Colorado e o estado de Washington aprovaram leis que legalizam o consumo recreativo de maconha para adultos de mais de 21 anos, informa a agência de notícias Reuters.

São os dois primeiros estados americanos a acabar com a criminalização da droga nos EUA. A decisão entra em conflito com a lei federal, adverte o jornal The Washington Post. Vamos ver qual será a reação do governo Barack Obama.

Grécia aprova mais arrocho fiscal

Sob pressão de mais uma batalha entre manifestantes e a polícia nas ruas de Atenas, numa votação apertada, com 153 votos a favor entre 300 deputados, o Parlamento da Grécia acaba de aprovar novos cortes nos gastos públicos e aumentos de impostos para economizar mais US$ 13,5 bilhões de euros a fim equilibrar o orçamento. O país está no quinto ano seguido de recessão.

O projeto reduz salários e aposentadorias do setor público em 5% a 35%, aumenta impostos sobre cigarros e combustíveis, e os preços dos serviços cobrados no sistema de saúde pública.

Mais de cem mil pessoas marcharam hoje na capital grega para protestar contra as novas medidas exigidas pela União Europeia e o Fundo Monetário Internacional para continuar ajudando financeiramente a Grécia, reportou a agência Reuters.

Agora, a Grécia está apta a receber uma parcela de 31,5 bilhões de euros.

"Abismo fiscal" é primeiro desafio do reeleito Obama

A reeleição do presidente Barack Obama e a manutenção do status quo no Congresso antecipam mais impasses entre a Casa Branca e o Capitólio para tentar reduzir o déficit orçamentário dos Estados Unidos, que passa de US$ 1 trilhão por ano há quatro anos. Mas a derrota numa eleição que a oposição considerava ganha por causa da crise econômica vai provocar um profundo exame de consciência no Partido Republicano.

O primeiro desafio do presidente reeleito será conseguir o que não conseguiu no primeiro mandato: chegar a um acordo com a oposição que inclua cortes nos gastos públicos e aumentos de impostos para o país não cair no "abismo fiscal". Os republicanos preferem cortar programas sociais a aumentar o imposto de renda para os mais ricos.

Como não houve acordo, em janeiro de 2013, devem expirar os cortes de impostos da era George W. Bush e entram em vigor reduções automáticas nos gastos do governo. Isto ameaça tirar bruscamente US$ 600 bilhões de  circulação da economia americana. A queda no produto interno bruto dos EUA poderia chegar a quatro pontos percentuais, do baixo crescimento anual de 2% para uma contração de 2% ao ano.

Obama ganhou do ex-governador Mitt Romney no voto popular e no Colégio Eleitoral que vai confirmar sua reeleição em 17 de dezembro de 2012, mas não foi uma vitória suficientemente expressiva para romper o impasse com a oposição, majoritária na Câmara.

Ao todo, o presidente recebeu 60.460.212 votos contra 57.674.292 para o adversário. Venceu em todos os chamados estados-pêndulo, que podem ir para qualquer lado. Conquistou 332 delegados contra 206 para Romney.

Em Ohio, o estado decisivo mais uma vez, a vitória do presidente se deve muito a ter salvado a General Motors e a Chrysler da falência. Vários republicanos se opuseram, inclusive Romney, alegando que o governo dos EUA não deve fabricar automóveis.

A falência da GM e da Chrysler provavelmente arrastaria também a Ford. Os EUA ficariam sem fábricas de automóveis, com a exceção das japonesas, europeias e sul-coreanas. Ohio, Michigan, Pensilvânia, Virgínia e Virgínia Ocidental são estados do chamado cinturão, centro de uma indústria siderúrgica que encolheu nas últimas décadas.

Sem a indústria automobilística, as fábricas de autopeças desapareceriam.

Depois de US$ 6 bilhões em despesas de campanha, dezenas de eleições primárias, quatro debates na televisão e mais anúncios do que qualquer pessoa possa assistir, observa o jornal The New York Times, os dois grandes partidos dos EUA ficaram no mesmo lugar. A correlação de forças em Washington não mudou.

O Partido Democrata manteve o controle do Senado, de 100 cadeiras, com maioria de 53, e a oposição republicana a maioria na Câmara com 234 cadeiras contra 192 democratas. Nove vagas ainda estão em disputa.

Como a Câmara representa ao povo, cabe aos deputados aprovar toda e qualquer despesa pública. O presidente da Câmara, o deputado republicano John Boehner, declara estar aberto a acordos, mas acaba de rejeitar em entrevista coletiva qualquer possibilidade de aumentar as alíquotas de impostos para os mais ricos, alegando que isso prejudicaria a economia e reduziria o PIB dos EUA.

A Bolsa de Nova York fechou um dia com queda de 2,4% em 12.932,73 pontos, o menor nível em três meses, diante do impasse político que impede um ajuste das contas públicas. Na Bolsa Mercantil de Nova York, o petróleo caiu abaixo de US$ 85 por barril.

Se o presidente conseguiu a reeleição ao apresentar seu adversário como um representante das elites que trabalha para proteger os ricos, os republicanos da Câmara não entenderam por que o partido perdeu a Casa Branca mais uma vez e não aumentou sua representação no Senado. Por causa do radicalismo de direita.

Na oposição ao presidente negro, com claros tons racistas, oposição foi para a direita, ignorando questões que preocupam o américano médio. Ela nega o aquecimento global, rejeita o aborto e o casamento gay, exige mais gastos militares para garantir a supremacia americana e não aceita qualquer aumento de impostos.

O movimento Festa do Chá foi o grande derrotado ontem nos EUA. Quase todos os candidatos ao Senado com o apoio do grupo perderam, assim como Romney e seu vice, Paul Ryan, que não ganharam nem em seus próprios estados. Na Câmara, a maioria dos novos deputados republicanos eleitos em 2010 se reelegeu. Esta é a ala radical. Há quem acredite que no segundo mandato será mais equilibrada e aberta ao consenso

Mas, no primeiro momento, a derrota não arrefeceu o ânimo dos conservadores americanos. Nas redes sociais, o grito é: "A guerra continua".

TVs anunciam vitória de Obama

Com a vitória do presidente Barack Obama no estado-chave de Ohio, a Fox News e a CNN acabam de declarar que ele está reeleito para mais um mandato quatro anos na Presidência dos Estados Unidos.

Apesar de enfrentar a pior crise econômica desde a Grande Depressão, com desemprego de 7,9%, contra uma campanha pesada financiada por bilionários através dos chamados supercomitês de ação política e o racismo de parte da sociedade americana, o presidente negro consegue se reeleger.

O movimento radical de direita Festa do Chá, que cresceu com a vitória republicana nas eleições intermediárias de 2010, foi amplamente derrotado. Seus candidatos perderam as disputas para o Senado e o candidato republicano a vice-presidente, deputado Paul Ryan, não conseguiu levar a chapa à vitória no seu estado, Wisconsin.

Obama vence em Ohio e está praticamente reeleito

O presidente Barack Obama ganhou a eleição no estado-chave de Ohio, previu há pouco a Fox News, um canal de televisão claramente identificado com a mensagem conservadora do Partido Republicano.

Esta vitória, se confirmada, praticamente garante a reeleição de Obama.

Democratas retêm a maioria no Senado

Com vários senadores democratas conquistando a reeleição e a profª Elizabeth Warren tomando do senador Scott Brown a cadeira que durante décadas foi de Ted Kennedy, o Partido Democrata vai manter o controle do Senado dos Estados Unidos, anunciou há pouco a rede de televisão americana CNN.

Republicanos mantêm controle da Câmara

O Partido Republicano manteve o controle da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, que representa o povo e pela Constituição americana deve aprovar toda despesa pública. Mas o Partido Democrata deve reter a maioria no Senado. Vários senadores democratas estão se reelegendo, e a professora Elizabeth Warren tomou do senador republicano Scott Brown a cadeira que durante décadas foi de Ted Kennedy.

Se o presidente Barack Obama for reeleito, isso significa um grande risco de manutenção do atual impasse entre a Casa Branca e o Capitólio que impede a formação de consensos para tentar resolver problemas essenciais como o déficit público federal.

Neste momento, Obama ganhou em Novo Hampshire, um dos estados-pêndulos. O ex-governador Mitt Romney acaba de ser ultrapassado na Flórida e também perde em Ohio, considerado o estado decisivo. Se perder nestes dois, estará liquidado.

Na contagem da CNN, Romney tem 158 votos no Colégio Eleitoral e Obama 147. O presidente também perde no voto popular por 51% a 48%. Mas falta Califórnia, o estado mais populoso, com 55 delegados

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Obama será reeleito, afirma blogueiro do NYT

O presidente Barack Obama foi reeleito hoje nos Estados Unidos, afirma o blogue do jornalista do jornal The New York Times Nate Silver, fivethirtyeight, 538, o número de delegados do Colégio Eleitoral.

Por sua análise das pesquisas por estado, Silver concluiu, antes mesmo da abertura das urnas, que Obama tem 92% de chance de ser eleito.

Carro-bomba mata 31 pessoas junto a quartel no Iraque

Um carro-bomba detonado por um terrorista suicida explodiu hoje junto a um quartel do Exército do Iraque perto de Bagdá que estava recrutando novos soldados.

A onda de atentados é muito menor do que em 2006 e 2007, quando o país esteve à beira de uma guerra civil sectária entre sunitas e xiitas, evitada por um reforço das tropas dos Estados Unidos ordenado pelo então presidente George W. Bush. Mas grupo sunitas radicais, alguns ligados à rede terrorista Al Caeda, nunca pararam de atacar a população xiita.

O terrorista levou o carro-bomba para o meio de multidão de soldados e recrutas que se aglomerava na entrada do quartel de Taji, que fica 20 quilômetros ao norte da capital iraquiana, e o detonou. A área ficou cheia de destroços, carros queimados e pedaços de corpos humanos, descreve a agência Reuters.

Putin demite ministro da Defesa por corrupção

O autocrático presidente da Rússia, Vladimir Putin, demitiu o ministro da Defesa, Anatoli Serdiukov, por causa de um escândalo de corrupção com uma fraude de US$ 95 milhões envolvendo uma companhia controlada pelo ministério.

É o mais alto funcionário afastado por Putin, homem-forte da Rússia desde o ano 2000, informa a revista americana Business Week.

Espanha vai encolher 1,5% em 2013, prevê UE

Sob pressão da pior crise econômica desde a redemocratização do país nos anos 70, o produto interno bruto da Espanha deve recuar mais 1,5% em 2013, previu hoje a Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, contrariando a expectativa do governo espanhol de uma queda de apenas 0,5%.

Neste ano, o PIB espanhol deve encolher. O crescimento só deve voltar em 2014 e ser fraco, de somente 0,5% pelos cálculos da CE e de 1,2% na visão mais otimista do governo conservador do primeiro-ministro Mariano Rajoy.

Lucro da BMW é recorde para terceiro trimestre

A fábrica de automóveis de luxo alemã BMW anunciou resultados recordes para um terceiro trimestre, com alta de 13,7% no faturamento, que foi de 18,8 bilhões de euros, quase R$ 50 bilhões, com aumento de 16% no lucro para 1,29 bilhão de euros, R$ 3,42 bilhões.

O total de BMWs, Minis e Rolls-Royces vendidos no período foi de 434.963 veículos, 9% acima do registrado de julho e setembro de 2011.

Voto antecipado gera confusão em Ohio e na Flórida

A votação para presidente dos Estados Unidos começa daqui a 10 minutos no estado de Novo Hampshire, no Nordeste do país, às 2h da madrugada pelo horário de Brasília. Como é um dia normal de trabalho, foi possível votar antecipadamente, mas houve grande confusão nos estados da Flórida e de Ohio, considerados decisivos.

Eleitores da Flórida fazem fila para voto antecipado
Cerca de 31 milhões dos 207 milhões de eleitores americanos votaram antecipdamente. Na Flórida, o governador Rick Scott se negou a prorrogar o prazo da votação antecipada, apesar dos protestos de quem esperou oito a nove horas na fila e de seus antecessores republicanos.

Em Miami, onde gente que entrou na fila no sábado só conseguiu votar na madrugada de domingo, houve tumulto quando o prefeito Carlos Gimenez mandou fechar a zona eleitoral quando ainda havia 180 pessoas na fila. A multidão bateu na porta da seção até que ela fosse reaberta, aos gritos de: "Queremos votar!"

Em Ohio, havia filas de duas horas para votar, mas a repórter do Huffington Post não viu eleitores desistindo.

Também haverá eleições dos 435 deputados da Câmara de Representantes e um terço (33 cadeiras) do Senado. O Partido Republicano deve manter a maioria na Câmara e o Partido Democrata no Senado.

Número de presos políticos em Cuba aumenta

Com uma nova onda de repressão lançada pela ditadura dos irmãos Castro, o número de presos políticos em Cuba subiu para 67 nos últimos meses, denunciou ontem a Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, ilegal mas tolerada pelo regime comunista.

Em abril, havia 50 presos políticos em Cuba. Outros 15 dissidentes estavam em liberdade condicional. Durante o mês de outubro, houve "pelo menos 520 prisões arbitrárias por motivos políticos". O total desde o início do ano subiu para 5.625, 36% a mais do que as 4.123 detenções de todo o ano de 2011.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Advogados dos partidos preparam batalha pelos votos

Com uma eleição presidencial disputadíssima, os advogados dos dois grandes partidos dos Estados Unidos se preparam para batalhas judiciais até o último voto. Desde o início do ano passado, 23 governadores estaduais sancionaram leis que restringem o direito ao voto, informa a revista The New Republic.

A principal exigência pode parecer até estranha para um brasileiro. Em vários estados, só vota quem apresentar um documento oficial com foto. Como os EUA são uma sociedade liberal, seus cidadãos não são obrigados a portar identidade. Tiram documentos quando precisam deles, como carteira de motorista e passaporte.

Um estudo do Centro Brennan, da Universidade de Nova York, indica que 25% dos negros, 16% dos latinos e 8% dos brancos não têm documentos emitidos pelo governo. A exigência, então, prejudica o voto das minorias, que tendem a votar mais em democratas do que em republicanos.

O estado mais rigoroso é o Kansas, ultraconservador, parte do chamado Cinturão da Bíblia. Lá, Obama não tem chance. Mas é em estados-chaves como Ohio, o grande campo de batalha desta eleição, em que essas manobras podem ser decisivas. É o estado que mais recebeu visitas de candidatos nesta eleição: 83, ao todo.

Nenhum republicano chegou à Casa Branca até hoje sem ganhar em Ohio. Desde 1964, o vencedor no estado vira presidente.

Em 2004, o então presidente George W. Bush ganhou a eleição na onda de solidariedade e união nacional que se seguiu aos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, mas, para isso, precisava de Ohio. O então secretário de Estado do governo estadual, Ken Blackwell, rejeitou pilhas de registros eleitorais. Em algumas zonas eleitorais, faltaram máquinas de votação. Os eleitores tiveram de esperar horas na fila.

A demora em votar, usada sobretudo para afastar negros e latinos das urnas, é um sintoma da deterioração da democracia americana.

O maior problema foi a eleição de Bush em 2000, quando ele perdeu no voto popular para o presidente Al Gore, mas ganhou no Colégio Eleitoral por causa da Flórida, onde seu irmão Jeb Bush era governador. A secretária de Estado da Flórida, que presidiu a eleição no estado, chefiou a campanha de W.

Houve o famoso voto-borboleta, onde nomes apareciam dos dois lados da cédula, confundindo o eleitor, e um longo debate sobre votos dados mecanicamente em que a cédula não estaria claramente perfurada.

A vitória de Bush só foi confirmada quando a Suprema Corte mandou a Flórida suspender uma recontagem geral dos votos ordenada pelo Tribunal de Justiça do Estado. O presidente que deixava o cargo, Bill Clinton, chegou a ironizar em campanhas posteriores: "Aqui as eleições são diferentes. Eles contam todos os votos".

Uma segunda vitória de um presidente no Colégio Eleitoral sem respaldo no voto popular reacenderia a discussão sobre a necessidade e a conveniência de reformar a Constituição para eleger diretamente o presidente. Mas isso exige dois terços dos votos nas duas câmaras do Congresso e a ratificação por 75% dos estados - e o atual sistema dá grande poder aos pequenos estados.

Obama lidera pesquisa do centro Pew

Uma nova sondagem do Centro de Pesquisas Pew dá três pontos percentuais de vantagem ao presidente Barack Obama na luta pela reeleição contra o ex-governador Mitt Romney. Obama tem 48% das preferências e Romney, 45% para a eleição presidencial desta terça-feira nos Estados Unidos.

Há menos de uma semana, os dois estavam empatados em 47%. Cerca de 69% dos que pretendem votar aprovaram a ação rápida do presidente para socorrer as vítimas da supertempestade Sandy. Entre estes, 63% são eleitores independentes, não filiados a nenhum partido.

Última pesquisa Post-ABC dá vantagem a Obama

Na véspera da eleição nos Estados Unidos, a última pesquisa do jornal The Washington Post e da rede de televisão ABC dá ao presidente Barack Obama 50% das preferências contra 47% para o ex-governador Mitt Romney. Mas, como o resultado está dentro da margem de erro da pesquisa, de 2,5 pontos percentuais, isso significa um empate técnico.

Apesar da disputa apertada, 55% dos 2.345 prováveis eleitores ouvidos no último fim de semana esperam a reeleição do presidente, enquanto 35% acreditam na vitória de Romney.

Desde o início da pesquisa, em julho, nenhum candidato superou os 50% nem caiu abaixo de 46%.

domingo, 4 de novembro de 2012

Pesquisa WSJ-NBC dá 48% a 47% para Obama

A dois dias de uma das eleições presidenciais mais disputadas da História dos Estados Unidos, os dois principais candidatos à Casa Branca está tecnicamente empatados. Na pesquisa encomendada pelo jornal The Wall St. Journal e a rede de televisão ABC, o presidente Barack Obama tem 48% das preferências de prováveis eleitores e o desafiante Mitt Romney, 47%.

Ambos estão envolvidos em campanhas frenéticas nesta reta final. Como o voto não é obrigatório nos EUA, uma preocupação é mobilizar seu próprio eleitorado. Obama tem uma ligeira vantagem nos estados-chaves para a vitória no Colégio Eleitoral, mas isso depende do comparecimento às urnas.

sábado, 3 de novembro de 2012

"Pega ladrão!"

Do grande Tutty Vasques, no Estadão de hoje: o brasileiro é roubado em todos os sentidos - paga preços exorbitantes, impostos abusivos, juros escorchantes, é assaltado na esquina e enganado pelos corruptos. Só reclama quando um juiz de futebol rouba seu time.

Obama mantém vantagem na Flórida e em Ohio

A três dias da eleição presidencial nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama leva vantagem nos estados decisivos da Flórida e de Ohio, indica uma pesquisa do Instituto Marista para o jornal The Wall St. Journal e a rede de televisão NBC.

Na Flórida, o maior dos estados onde o resultado ainda está indefinido, a vantagem do presidente, de 49% a 47%, está dentro da margem de erro da pesquisa. Em Romney, onde o ex-governador Mitt Romney precisa vencer, Obama tem 51% a 45%.

Em política externa, os eleitores da Flórida preferem o presidente por 50% a 44%. Na delicada questão do Medicare, o programa de saúde para idosos, a vantagem é de 51% a 43%. Muitos aposentados se mudam para os estados do Sul para fugir do frio na velhice, então o tema é importante.

Em outras pesquisas, o presidente vence também nos estados-chaves de Iowa, Nevada, Novo Hampshire e Wisconsin.

Nenhum republicano conquistou a Casa Branca sem ganhar em Ohio. Pelo mapa eleitoral do jornal The New York Times, o presidente já teria 243 dos 270 votos necessários no Colégio Eleitoral para ser reeleito . Romney teria 206 votos. Esses números somam os estados onde a vitória é certo com aqueles onde um candidato leva nítida vantagem nas pesquisas.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Nova York suspende sua maratona

Diante da pressão de políticos e dos moradores de áreas atingidas, a Prefeitura de Nova York, nos Estados Unidos, anunciou hoje a suspensão da maratona da cidade, uma das corridas de rua mais importantes do mundo, que neste ano estava marcada para domingo.

A decisão é histórica. A Maratona de Nova York é disputada anualmente desde 1970. Em 2001, foi realizada dois meses depois dos atentados de 11 de setembro. Pelo menos 40 mil dos 47,5 mil corredores inscritos já estão na cidade.

Os críticos alegaram que seria uma insensibilidade realizar uma corrida que exige uma grande organização através de cinco bairros duramente atingidos pela supertempestade Sandy, reportou o jornal The New York Times.

Nos últimos, só o prefeito Michael Bloomberg e a diretora da prova, Mary Wittemberg, defenderam a realização da prova, alegando que levantaria o moral e estimularia a economia de Nova York.

EUA ganharam 171 mil empregos em outubro

A economia dos Estados Unidos criou 171 mil empregos a mais do que fechou em outubro de 2012, acima da expectativa dos analistas, que era de um saldo de 125 mil vagas, informou hoje o Departamento do Trabalho. Os números de agosto e setembro foram revisados para cima, indicando um ganho adicional de 84 mil contratações.

Apesar da alta de 16% em relação a setembro, a taxa de desemprego, calculada em outra pesquisa, subiu de 7,8% para 7,9%. É um sinal de aumento do número de pessoas em busca de trabalho, como destacou o jornal The Washington Post.

O relatório de emprego é a última divulgação de dados econômicos importantes antes das eleições presidencial e parlamentares de 6 de novembro. Aponta uma lenta recuperação da maior economia do mundo, com melhoria em todos os setores, menos no setor governamental.

"De modo geral, o relatório mostra que as coisas estão melhores do que esperávamos e certamente melhor do que pensávamos poucos meses atrás", observou o economista Paul Dales, analista sênior da empresa Capital Economics, citado pelo jornal The New York Times.

Tanto o presidente Barack Obama quanto o desafiante Mitt Romney deram interpretações favoráveis a seus discursos de campanha. Obama afirmou que os números confirmam a recuperação da economia e que os EUA criaram 5,5 milhões de empregos durante seu governo. Lembrou ainda que foi a maior quantidade de empregos gerados em oito meses.

Por outro lado, o ex-governador de Massachusetts alegou que a economia americana está estagnada e que faltam 24 milhões de empregos. Na verdade, com a Grande Recessão (2008-9), cerca de 15 milhões de pessoas perderam o emprego nos EUA.

Então, ainda falta muita gente para a retomada do nível de emprego anterior à crise, mas Romney infla sua conta ao incluir desempregados de longo prazo que já estavam fora do mercado de trabalho antes do agravamento da situação, com a falência do banco Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008.

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, nenhum presidente se reelegeu com índice de desemprego acima de 7,2%, mas está é a pior crise desde a Grande Depressão (1929-39).

Brasil ajuda vítimas do terremoto em Cuba e no Haiti

O Brasil vai dar US$ 100 mil para Cuba e outros US$ 100 mil para o Haiti enfrentarem os problemas criados pela passagem do furacão Sandy pela região do Caribe, anunciou ontem o Ministério das Relações Exteriores.

A ajuda ao Haiti será feita através da embaixada brasileira naquele país. O dinheiro para Cuba será entregue à Cruz Vermelha Internacional, informou o Itamaraty.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Prefeito de Nova York apoia Obama

Diante da tragédia causada pela supertempestade Sandy, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg,  anunciou hoje seu apoio ao presidente Barack Obama na corrida à Casa Branca, por considerá-lo mais preparado para enfrentar o aquecimento global.

O multimilionário Michael Bloomberg, dono da agência de notícias Bloomberg, se elegeu como republicano, mas deixou o partido. Houve especulações de que poderia concorrer à Presidência dos Estados Unidos como independente. Ele já havia reclamado que o agravamento do efeito estufa não está sendo discutido na campanha eleitoral. Os republicanos negam que o aquecimento do planeta seja resultado da ação do homem.

"A destruição que o furacão Sandy trouxe para Nova York e grande parte dos Nordeste, em vidas, casas e negócios perdidos coloca em nítido relevo o que está em jogo na eleição presidencial da próxima terça-feira", declarou Bloomberg, citado pelo jornal The New York Times.

Pelo menos 38 pessoas morreram em Nova York, mais de 80 nos EUA e cerca de 150 ao todo, incluindo as vítimas da região do Caribe e do Canadá.

Setor privado tem saldo de 158 mil empregos nos EUA

As empresas privadas dos Estados Unidos criaram 158 mil vagas de emprego a mais do que fecharam em outubro, estimou hoje a empresa de recursos humanos ADP, maior processadora de folhas de pagamento do país.

Na semana passada, o número de novos pedidos de seguro-desemprego caiu 9 mil para 363 mil.

O relatório oficial de emprego será divulgado amanhã. Um aumento significativo na abertura de postos de trabalho favorece o presidente Barack Obama, que disputa a reeleição daqui a cinco dias. Seu adversário, o ex-governador Mitt Romney, vai alegar que a situação poderia estar muito melhor.

A taxa de desemprego está em 7,8%. Depois da Segunda Guerra Mundial, nenhum presidente se reelegeu com o índice acima de 7,2%.

Indústria da China volta a crescer

Em um sinal de que a segunda maior economia do mundo estaria entrando numa fase de aceleração do crescimento, o índice oficial dos gerentes de compras do setor manufatureiro da China registrou 50,2 em outubro, depois de ficar em 49,8 em setembro. Números acima de 50 apontam crescimento.

A economia chinesa passa nos últimos trimestres por uma queda consistente na taxa de crescimento, suscitando dúvidas que o país possa menter índices de expansão de cerca de 10% ao ano, como fez na média dos últimos 30 anos.

Com a crise na Europa e nos Estados Unidos, a China se reorienta para o mercado interno da mesma forma que o Brasil tenta fazer. A diferença é que o comércio exterior tem uma participação pequena no produto interno bruto brasileiro, mas foi a maior fonte de riqueza da China nas últimas décadas.