sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Presidente do Fed indica aumento próximo na taxa básica de juros

Apesar da desaceleração da maior economia do mundo no primeiro semestre, a presidente da Reserva Federal (Fed), o banco central dos Estados Unidos, Janet Yellen, indicou hoje que um aumento nas taxas básicas de juros está próximo e pode vir na reunião de setembro do Comitê de Mercado Aberto.

"À luz da performance sólida e contínua do mercado de trabalho e de nossa perspectiva para a atividade econômica e a inflação, acredito que o caso pelo aumento na taxa dos fundos federais se fortaleceu nos últimos meses", declarou Yellen durante um encontro de dirigentes de bancos centrais realizado em Jackson Hole, no estado de Wyoming. "É claro que nossas decisões sempre dependem do grau em que os dados continuem a confirmar a perspectiva do comitê."

Yellen reconheceu que, "embora o crescimento econômico não tenha sido rápido, foi suficiente para gerar nova melhora no mercado de trabalho". Analistas ouvidos pelo jornal The Wall Street Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova York, veem uma chance de 24% de aumento dos juros em setembro e de 57% em dezembro.

"O Fed espera um crescimento moderado do produto interno bruto, um fortalecimento adicional do mercado de trabalho e um aumento da inflação para 2% ao ano nos próxmos anos", acrescentou a presidente do Fed. "Com base nesta perspectiva econômica, o Fed considera que aumentos graduais na taxa dos fundos federais serão apropriados com o tempo."

O vice-presidente do Fed, Stanley Fischer, confirmou que a fala de Yellen aponta uma forte probabilidade de aumento dos juros na reunião de 20 e 21 de setembro, dependendo do relatório sobre emprego no mês de agosto, a ser divulgado em 2 de setembro. Nos últimos três meses, o ganho médio de vagas no mercado de trabalho foi de 190 mil por mês.

Se não houver aumento no mês que vem, o comitê de política monetária do Fed terá ainda mais duas reuniões neste ano, em novembro e dezembro, para reavaliar as taxas de juros e a recuperação americana.

Numa medida sem precedentes, o Fed baixou suas taxas de juros para uma faixa de 0-0,25% ao ano em dezembro de 2008 para combater a recessão agravada pela falência do banco Lehman Brothers em setembro daquele ano. Em dezembro do ano passado, fez a primeira alta de juros desde 2006. A taxa básica passou para uma faixa de 0,25%-0,5% ao ano.

Logo depois do discurso de Yellen, a Bolsa de Valores de Nova York subiu, num sinal de que os investidores acreditam que o Fed tenha informações positivas sobre a economia americana. No momento, o Índice Dow Jones registra uma pequena queda.

EUA tiveram crescimento fraco no primeiro semestre de 2016

A revisão do cálculo do produto interno bruto dos Estados Unidos no segundo trimestre deste ano reduziu a alta de 1,2% para 1,1% ao ano, anunciou hoje o Departamento do Comércio. Nos primeiros três meses do ano, o ritmo fora de 0,8% ao ano.

O consumo doméstico, responsável por dois terços do PIB americano aumentou de 1,6% no primeiro trimestre para 4,4% no segundo, mas foi neutralizado pelo baixo investimento das empresas, causado em parte pelos baixos preços do petróleo.

Outra boa notícia foi o aumento de 4,9% nos lucros das empresas, que somaram US$ 1,627 trilhão de abril a junho de 2016.

Apesar do ritmo de estagnação no primeiro semestre, os economistas veem sinais de recuperação no terceiro trimestre. Pelos cálculos da delegacia regional da Reserve Federal (Fed), o banco central dos EUA, em Atlanta, na Geórgia, o crescimento se acelerou para uma expansão de 3,4% ao ano. A empresa Macroeconomic Advisers prevê 3,2%.

Filipinas prorrogam acordo de cessar-fogo com guerrilha comunista

O governo das Filipinas e os rebeldes comunistas chegaram a um acordo para prorrogar uma trégua e assim facilitar as negociações de paz em andamento na Noruega, onde os guerrilheiros são representados pela Frente Democrática Nacional.

Um cessar-fogo anterior foi violado por rebeldes, aparentemente contra a vontade da cúpula da guerrilha, em julho.

Cerca de 30 mil pessoas foram mortas desde o início do conflito, em 1968. No início da semana, o novo governo filipino manifestou a esperança de negociar um acordo de paz definitivo até o fim do ano, mas comandantes locais podem realizar pequenas ações para sabotar o diálogo.

Mineiros em greve matam vice-ministro na Bolívia

Mineiros em greve sequestraram e mataram ontem o vice-ministro do Interior da Bolívia, Rodolfo Illanes em Panduro, a cerca de 160 quilômetros da capital, La Paz, noticiou a agência Reuters citando como fonte o jornalista local Moisés Flores, que viu o corpo.

"Illanes foi golpeado até a morte e não deixam recuperar seu corpo", declarou o ministro da Defesa, Reymi Ferreira, citado pelo jornal boliviano La Razón.

O vice-ministro foi na manhã de ontem à zona de conflito na expectativa de negociar com os grevistas. Logo, foi sequestrado. Antes, os mineiros haviam bloqueado uma estrada. Eles acusam a polícia de atirar nos manifestantes e matar dois grevistas.

Horas depois, o corpo foi encontrado na estrada La Paz-Oruro com marcas de tortura.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Turquia invade a Síria para combater curdos e o Estado Islâmico

O Exército da Turquia, a Força Aérea dos Estados Unidos e rebeldes se uniram numa grande operação através da fronteira com a Síria para tomar a cidade de Jarabulus, último reduto da milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante na região da fronteira.

Com bombardeios aéreos e terrestres, a Operação Escudo no Eufrates atacou 100 alvos do Estado Islâmico, abrindo caminho para os rebeldes invadirem Jarabulus. Depois de horas de combate com armas leves, os rebeldes venceram.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, declarou que o objetivo é impedir ataques terroristas articulados na Síria e cometidos na Turquia, mas o momento do ataque coincidiu tanto com a visita do vice-presidente americano, Joe Biden, a primeira de um líder estrangeiro depois do fracassado golpe de 15 de julho, quando com a queda de Manbij para as Forças Democráticas Sírias.

As FDS, apoiadas pelos EUA, reúnem árabes sunitas, cristãos sírios e guerrilheiros curdos. Há muito, Washington pressiona Ancara para que o Exército da Turquia seja a principal força terrestre na guerra contra o Estado Islâmico. Até agora, Erdogan resistia.

Sem alternativa, os EUA passaram a apoiar guerrilheiros ligados ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), de ideologia marxista-leninista, que tanto EUA quanto Turquia consideram um grupo terrorista.

A maior preocupação de Erdogan é a possibilidade de união de vários redutos curdos do outro lado da fronteira. Os curdos são o maior povo do mundo sem um Estado Nacional e a maior parte vive na Turquia.

Depois do golpe fracassado, Erdogan acusou o clérigo muçulmano Fethullah Gulen, autoexilado nos EUA e o próprio governo americano pela conspiração, ameaçando vetar o uso da base aérea de Incirlik, essencial para a campanha aérea contra o Estado Islâmico.

Diante da reação negativa da Europa e dos EUA ao amplo expurgo promovido por Erdogan aproveitando-se do golpe para se livrar de adversários políticos nas Forças Armadas, no Poder Judiciário, no setor público e na academia, Erdogan se reaproximou da Rússia. Superou a crise provocada pelo abate de um bombardeiro russo por um caça turco em 24 de novembro de 2015.

Para os EUA, a Turquia, sócia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), é uma aliada estratégica fundamental no Oriente Médio. Por um momento, os interesses se alinharam. Uma das exigências de Erdogan é reagrupar os guerrilheiros curdos a leste do Rio Eufrates. Biden ameaçou retirar o apoio dos EUA se eles não fizerem isso.

Coreia do Norte testa míssil lança de submarino

A Coreia do Norte testou na terça-feira, 23 de agosto de 2016, um míssil balístico lançado de um submarino próximo de sua costa leste, noticiou a agência Reuters citando como fonte o Ministério da Defesa.

O míssil viajou 600 quilômetros até cair no mar em água territoriais do Japão. O teste foi  uma reação às manobras militares conjuntas realizadas todos os anos pelos Estados Unidos e a Coreia do Sul, que estão em andamento. Hoje, o governo norte-coreano elevou a prontidão de suas Forças Armadas para o nível máximo.

O teste é mais uma da série de experiências que o regime comunista de Pionguiangue faz com mísseis balísticos e bombas atômicas para criar uma força de dissuasão nuclear capaz de garantir sua sobrevivência.

Desde o fim de sua patrocinadora, a União Soviética, em 1991, o regime norte-coreano faz uma chantagem nuclear para barganhar ajuda internacional em energia e alimentos, especialmente com seus inimigos históricos, os EUA, a Coreia do Sul e o Japão.

Sua maior aliada hoje, a China, está insatisfeita com a decisão dos EUA e da Coreia do Sul de instalar um sistema de defesa antimísseis na Península Coreana para neutralizar um possível ataque de mísseis da Coreia do Norte. O regime comunista chinês teme que o escudo antimísseis dê uma vantagem estratégica aos EUA numa possível guerra entre as duas superpotências.

Os mísseis baseados em submarinos são peças fundamentais de um sistema de dissuasão nuclear por permitir lançar um contra-ataque mesmo se as instalações atômicas forem arrasadas pelo inimigo.

Espanha cresceu 0,8% no segundo trimestre

Apesar do impasse político na formação de um novo governo, a economia da Espanha, quarta maior da Zona do Euro, avançou 0,8% no segundo trimestre de 2016 em relação ao trimestre anterior e 3,2% na comparação anual, revelou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).

O ritmo de crescimento anual ficou um pouco abaixo dos 3,4% registrados nos primeiros três meses do ano por causa de "uma contribuição menor da demanda interna".

A Zona do Euro cresceu 0,3% no segundo trimestre e a União Europeia como um todo, 0,4%.

A Espanha está sem governo desde que as eleições de dezembro do ano passado formaram um Parlamento dividido pela ascensão de novos partidos surgidos em consequência da crise econômica.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

ONU acusa regime sírio e Estado Islâmico por ataques químicos

A ditadura de Bachar Assad e a milícia jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante usaram armas químicas na guerra civil da Síria, concluiu um inquérito das Nações Unidas e da Organização Internacional para Proscrição de Armas Químicas (OPAQ) a que a Agência France Presse (AFP) e a Reuters tiveram acesso hoje.

Helicópteros do Exército da Síria realizaram dois ataques com armas químicas na província de Idlibe, em Talmenes em 21 de abril de 2014 e em Sarmina em 16 de março de 2015. A milícia jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante usou gás mostarda de enxofre em Marea, na província de Alepo, em 21 de agosto de 2015.

O inquérito examinou nove ataques químicos cometidos em sete regiões da Síria. Em seis casos, os investigadores não conseguiram atribuir responsabilidades. Suas conclusões permitiriam a imposição de sanções internacionais pelo Conselho de Segurança da ONU, onde a Rússia, aliada do regime sírio, tem poder de veto.

Para a embaixadora adjunta dos Estados Unidos na ONU, Michele Sison, "quem utilizou armas químicas na Síria deve prestar contas à Justiça". A declaração teve o apoio da França e do Reino Unido. Esses três países também são membros permanentes com direito de veto no Conselho de Segurança.

Desde o início da guerra civil na Síria, há cinco anos e meio, a Rússia e a China protegem a ditadura de Assad no Conselho de Segurança, vetando resoluções que o condenem sob o pretexto de não dar margem a uma intervenção militar como a que derrubou Muamar Kadafi na Líbia em 2011.

Enquanto a Rússia nega haver provas formais contra o governo Assad, o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Ned Price, afirma que "agora é impossível negar que o regime sírio usou de maneira repetida o gás cloro como arma contra seu próprio povo".

O Conselho de Segurança da ONU debate as conclusões do relatório em 30 de agosto.

Terroristas atacam Universidade Americana do Afeganistão em Cabul

O campus da Universidade Americana do Afeganistão em Cabul está sob ataque terrorista. A polícia e forças especiais cercaram a área, declarou o reitor, citado pela agência Associated Press. Não há informações detalhadas sobre vítimas. Vários feridos foram hospitalizados.

Em meio a tiros e explosões, alunos e professores procuraram se esconder em banheiros e salas de aula. Um chefe de polícia de Cabul descreveu a situação como um "ataque complexo".

A Universidade Americana do Afeganistão foi fundada em 2006 como a primeira universidade privada do país, com o apoio das Nações Unidas e dos Estados Unidos.

Quinze anos depois da invasão americana para punir a rede terrorista Al Caeda pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 e o regime fundamentalista da milícia dos Talibã, a guerra continua, agora agravada pela infiltração do Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Diante da ocupação de parte do Iraque e da Síria pelo Estado Islâmico, o presidente Barack Obama recuou da intenção original de retirar as forças dos EUA do Afeganistão. Já é a guerra mais longa da história dos EUA.

Colômbia a FARC chegam a acordo de paz em Havana

Depois de 52 anos de guerra civil e quatro de negociações de paz, o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) chegaram hoje a um acordo de paz em Havana, a capital de Cuba, para acabar com o mais longo conflito interno da história recente da América Latina, noticiou o jornal colombiano El Tiempo.

O acordo de paz definitivo deve ser assinado dentro de um mês e ainda depende de aprovação em referendo a ser realizado em 2 de outubro. Mais de 60% dos colombianos apoiam as negociações de paz. A tendência é de aprovação.

Assim que o acordo for referendado, as FARC começam o processo de desmobilização e entrega das armas para se integrar à vida civil como um partido político, informou o jornal colombiano El Espectador. Os guerrilheiros serão concentrados em 23 zonas e oito acampamentos.

O novo partido será reconhecido quando terminar o desarmamento. Terá pelo menos cinco deputados e cinco senadores por dois mandatos. De resto, será obrigado cumprir as normas da legislação colombiana, com a exceção da exigência de obter 3% dos votos em eleições nacionais para a Câmara ou o Senado.

A Colômbia vive em guerra civil desde o assassinato do candidato liberal à Presidência República Jorge Eliécer Gaitán, em 9 de abril de 1948. Sua morte provocou uma explosão de violência na capital colombiana, o Bogotaço, com mais de 2 mil mortes em 24 horas e o início de uma era trágica conhecida como La Violencia, em que mais de 200 mil pessoas foram mortas.

Naquele período, as oposições liberais e de esquerda foram para a clandestinidade. Parte aderiu à luta armada. As FARC nasceram em 1964 como braço armado do proscrito Partido Comunista Colombiano, de orientação soviética. Chegaram a controlar 15% a 20% do território colombiano.

Pelo menos 220 mil pessoas foram e 90 mil desapareceram na guerra civil deflagrada pelas FARC. Cerca de 6,9 milhões de colombianos fugiram de suas casas.

O governo tenta agora iniciar negociações formais com o segundo maior grupo guerrilheiro da Colômbia, o Exército de Libertação Nacional. Ao anunciar o acordo, os representantes das FARC fizeram um apelo ao ELN para que siga o exemplo.

Terremoto deixa 267 mortos e centenas de desaparecidos na Itália

Um terremoto de 6,2 graus na escala aberta de Richter atingiu às 3h30 de hoje pela horal local (22h30 em Brasília) a região central da Itália. Pelo menos 267 pessoas morreram, 368 estão feridas, centenas estão desaparecidas e milhares desabrigadas.

O abalo sísmico teve epicentro perto da cidade de Nórcia e foi sentido em Roma, a 150 quilômetros de distância. A metade da cidade de Amatrice, próxima do epicentro do tremor, foi arrasada. Em Accumoli, há 2,5 mil desabrigados, sendo 2 mil turistas estrangeiros.

Em 2009, o terremoto de Áquila, de 6,3 graus, causou mais de 300 mortes na Itália. Desta vez, o centro do tremor foi mais perto da superfície, o que aumenta o impacto. A ajuda de emergência demorou cerca de uma hora.

Até o momento, informa o Itamaraty, não há notícias de brasileiros entre os feridos.

NOTA: o total de mortos foi atualizado em 26 de agosto de 2016.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Nigéria anuncia morte de líderes do Boko Haram

A Força Aérea da Nigéria anunciou a morte de vários comandantes da milícia extremista muçulmana Boko Haram, inclusive até mesmo o líder do grupo, Abubakar Shekau, noticiou ontem a agência Reuters.

Os bombardeiros nigerianos atacaram o Boko Haram, que agora se apresenta como a Província do Estado Islâmico na África Ocidental, em seu principal refúgio, a floresta de Sambissa, no Nordeste do país, na semana passada.

Shekau deve estar gravamente ferido, afirmou um porta-voz militar nigeriano, sem dar maiores detalhes. O governo já anunciou sua morte antes.

Desde que aderiu à luta armada, em 2009, o Boko Haram deflagrou um conflito que matou cerca de 20 mil pessoas, principalmente na Nigéria, mas também em Camarões, no Chade e no Níger, países vizinhos e muito mais pobres. Seu nome significa repúdio à educação ocidental.

A guerra ao Boko Haram é uma prioridade do presidente Muhammadu Buhari, um ex-ditador e general da reserva que chegou ao poder democraticamente em maio de 2015. Sob ataque em várias frentes, o grupo perde territórios e se refugia na floresta.

Condenação de López é fim da democracia na Venezuela, diz chefe da OEA

A confirmação de sentença condenatória ao líder da oposição Leopoldo López é o "marco" do fim da democracia e do Estado de Direito na Venezuela, afirmou ontem o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-ministro do Exterior do Uruguai Luis Almagro.

Em carta aberta a López, preso desde fevereiro de 2014 sob a acusação de incitar à violência, Almagro o chama de "amigo" e descreve o regime chavista venezuelano como uma "tirania":

"Nenhum foro regional ou sub-regional pode ignorar que hoje na Venezuela não há democracia nem Estado de Direito", acusa o ex-chanceler uruguaio. "Estou convencido de que não existem razões jurídicas, políticas, morais ou éticas para não se pronunciar e não condenar um governo que desqualificou a si próprio."

Na sua visão, o governo do presidente Nicolás Maduro "tem presos políticos que são torturados", "ignora a separação de poderes", "sofre uma profunda crise humanitária e ética" e "desconhece o direito constitucional de revogar o mandato do presidente".

Sob Maduro, acrescentou Almagro, "impera a intimidação política". Ele citou como exemplos as prisões de López e do ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma, a cassação do mandato da deputada María Corina Machado e a agressão ao deputado Julio Borges.

Tudo isso acontece sob a pior crise econômica da história recente da Venezuela, com queda prevista de 8% do produto interno bruto em 2016 depois de baixa de 10% no ano passado, desabastecimento de 80% dos produtos normalmente encontrados em supermercados e uma inflação que deve chegar a 720% neste ano. O país tem ainda um dos maiores índices de homicídios do mundo fora de zonas em guerra.

Desde que assumiu a Secretaria Geral da OEA, em maio do ano passado, Almagro é um dos maiores críticos do regime chavista. O ex-chanceler uruguaio no governo José Mujica denunciou o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff como um golpe parlamentar, mas não pediu o afastamento do Brasil da OEA.

Em maio, o secretário-geral acusou a Venezuela de violar a cláusula democrática, que permite suspender um país temporariamente das atividades da organização regional.

Jihadista confessa destruição do patrimônio histórico de Timbuktu

O líder de uma "brigada moralista" da rede terrorista Al Caeda acusado de destruir santuários muçulmanos centenários na cidade de Timbuktu, no Mali, tornou-se ontem o primeiro réu a confessar a culpa por crime contra o patrimônio histórico e cultural da humanidade.

Em processo no Tribunal Penal Internacional, Ahmad al-Faki al-Mahdi pode ser condenado a até 30 anos de prisão por arrasar deliberadamente nove dos 16 mausoléus islâmicos de Timbuktu e a porta entalhada de uma mesquita durante o período de dez meses, de março de 2012 a janeiro de 2013, em que a cidade foi tomada por rebeldes tuaregues e grupos aliados à rede terrorista Al Caeda no Magrebe Islâmico.

Timbuktu era um ponto de parada importante na rota das caravanas que cruzavam o Deserto do Saara entre o Golfo da Guiné e o Egito. No Tinha vários monumentos tombados pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura).

Quando os jihadistas tomaram o poder, atacaram as mesquitas e mausoléus com representações da seres humanos e animais, que os salafistas repudiam como idolatria. Vários manuscritos da biblioteca da cidade, uma das mais importantes do fim da Idade Média, foram removidos secretamente para serem salvos.

No processo, Al-Mahdi colaborou com o tribunal, mostrou arrependimento e fez um apelo aos extremistas muçulmanos para que não repitam seus crimes. Sua pena deve ser reduzida para 10 anos de prisão.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

EUA ameaçam cortar ajuda ao Sudão do Sul

Os Estados Unidos podem cortar a ajuda ao Sudão do Sul se não acabar a guerra civil entre as forças leais ao presidente Salva Kiir Mayardit e os partidários do vice-presidente afastado Riek Machar, advertiu o secretário de Estado americano, John Kerry, citado pelo jornal The Wall Street Journal.

Ao participar de negociações de paz regionais sobre o Sudão do Sul realizadas no vizinho Quênia, Kerry deixou claro que uma ajuda adicional de US$ 138 milhões depende do fim da violência política que matou milhares de pessoas de dezembro de 2013 a agosto de 2015 e centenas nas últimas semanas.

Kerry também defendeu o reforço da missão de paz das Nações Unidas com mais 4 mil soldados dos países da região, medida que não conta com o apoio do presidente Kiir.

Desde o início da guerra civil, os EUA deram mais de US$ 1,6 bilhão ao Sudão do Sul, o país mais novo do mundo, criado em 2011 depois da mais longa guerra civil da África pós-colonial.

Sarkozy lança candidatura à Presidência da França

O ex-presidente Nicolas Sarkozy nunca aceitou a derrota para o presidente François Hollande na eleição presidencial de 2012 na França. No livro Tudo pela França, a ser lançado em 24 de agosto, oficializa sua ambição de voltar ao Palácio do Eliseu em 2017.

"Eu decidi ser candidato à eleição presidencial de 2017", escreveu Sarkozy. Quem acompanha a política francesa sabia disso há muito tempo. Um repórter da televisão France 2 confirmou hoje.

Sarkozy vai deixar a presidência do partido Os Republicanos, de centro-direita, e terá de disputar a eleição interna do partido com outros 12 aspirantes em 20 e 27 de novembro de 2016. Seu maior adversário é o ex-primeiro-ministro Alain Juppé.

Entre os desafios que Sarkozy discute no livro, estão como manter a identidade e a competitividade da França no mundo globalizado e como manter a autoridade e preservar a liberdade na luta contra o terrorismo.

Com a baixíssima popularidade do presidente Hollande, em torno de apenas 12%, o Partido Socialista corre sério risco de perder, como em 2002, a vaga no segundo turno para a neofascista Frente Nacional, desta vez sob a liderança de Marine Le Pen. Ela tem a preferência de cerca de 25% do eleitorado francês.

domingo, 21 de agosto de 2016

Iraque executa 36 condenados pelo massacre no Campo Speicher

O Iraque enforcou hoje 36 condenados pelo massacre de 1,7 mil recrutas do Exército iraquiano na antiga base americana de Campo Speicher, perto da cidade de Tikrit, em 2014, quando a região foi tomada pela milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, noticiou a televisão pública britânica BBC.

A maioria dos cadetes do Exército do Iraque era xiita. O massacre mobilizou as milícias xiitas para a luta contra o Estado Islâmico.

"As execuções dos 36 condenados pelos crime de Speicher foram realizadas nesta manhã na prisão de Nassíria", declarou um porta-voz do governo da província de Dicar, onde Nassíria é a capital.

Cerca de 400 mortos pelo Estado Islâmico eram da província. Quando a região foi reconquistada, no ano passado, foram descobertos os cemitérios clandestinos onde os recrutas mortos foram enterrados em covas rasas.

Depois de um atentado terrorista atribuído ao Estado Islâmico com mais de 300 mortes em Bagdá no início de julho de 2016, o primeiro-ministro Haider el-Abadi decidiu acelerar as execuções de terroristas condenados.

China censura fracasso de atletas chineses no Rio

O regime comunista da China ordenou à mídia oficial que não dê destaque às derrotas dos atletas chineses na Olimpíada do Rio de Janeiro, dando ênfase ao esforço para defender a pátria numa cobertura nacionalista.

A China venceu a Olimpíada de Beijim, que organizou em 2008, com 51 medalhas de ouro e 100 no total, contra 36 ouros e 110 ao todo para os Estados Unidos. Em 2012, em Londres, a China ficou em segundo com 36 ouros contra 46 dos EUA.

Agora, deve terminar em terceiro lugar com 26 ouros, 18 pratas e 26 atrás dos EUA (46, 37 e 38) e da Grã-Bretanha (27, 26 e 17), um desempenho abaixo do que a propaganda nacionalista do ditador Xi Jinping gostaria.

O departamento de propaganda do Partido Comunista determinou então à mídia oficial uma cobertura positiva do esforço e da dedicação dos atletas do país.

sábado, 20 de agosto de 2016

Atentado contra casamento deixa 54 mortos na Turquia

Pelo menos 54 pessoas morreram e cerca de 100 saíram feridas de uma explosão num casamento na cidade de Gaziantep, na Turquia. O governador da província, Ali Yerlikaya, afirma que foi um ato terrorista e um deputado governista acusou o Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Em maio, um atentado terrorista matou dois policiais na mesma cidade. Gaziantep fica no Sul da Turquia, perto da fronteira com a Síria, e sofre diretamente o impacto da guerra civil na país vizinho e da onda de refugiados.

A Turquia enfrenta ameaças terroristas de três inimigos: os rebeldes separatistas curdos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), a Frente-Partido Marxista Revolucionário de Libertação Popular e os jihadistas do Estado Islâmico.

Horas mais tarde, o presidente Recep Tayyip Erdogan voltou a culpar o Estado Islâmico pelo atentado.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Presidente da Turquia visita Irã na próxima semana

Em mais um sinal do rearranjo político do Oriente Médio deflagrado pela guerra civil da Síria e pelo recuo estratégico dos Estados Unidos, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, vai a Teerã na próxima semana.

O foco central da viagem será fortalecer a cooperação entre Turquia, Irã e Rússia depois da visita do ministro do Exterior iraniano, Mohamed Javad Zarif, a Ancara na semana passada. Os limites desta cooperação estão na divergência de objetivos estratégicos.

A Rússia e o Irã são os principais aliados da ditadura de Bachar Assad, que Ergodan tenta derrubar indiretamente desde o início da guerra civil na Síria, há cinco anos e meio.

Desde a fracassada tentativa de golpe de Estado de 15 de julho, Erdogan exige a extradição de um clérigo muçulmano turco exilado nos EUA que responsabiliza pela rebelião e iniciou uma violenta repressão contra todos os adversários do governo, mesmo os que repudiaram o golpe.

Isso afasta Erdogan dos EUA e da União Europeia, então ele se aproxima de regimes autoritários indicando um distanciamento em relação ao Ocidente.

Filipinas liberta líderes comunistas antes de negociação de paz

Doze rebeldes comunistas, entre eles dois líderes, foram libertados hoje para participar de negociações de paz com o governo das Filipinas a serem realizadas no Canadá.

As negociações visam a acabar com a mais longa rebelião comunista no mundo inteiro, que custou a vida de mais de 40 mil pessoas nas últimas cinco décadas.

Desde que chegou ao poder em junho de 2016, o presidente Rodrigo Duterte tomou medidas para facilitar as negociações, como um cessar-fogo unilateral e a nomeação de comunistas para o ministério. Mas o sucesso das negociações ainda é uma esperança distante.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Desemprego na França cai 0,3 ponto percentural

A taxa de desemprego recuou 0,3 ponto percentual no segundo trimestre de 2016 para 9,6% da população economicamente ativa na França metropolitana e de 9,9% considerando-se as colônias, anunciou hoje o Insee (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos).

É o menor nível desde o terceiro trimestre de 2012. Houve queda em todas as faixas de idade, especialmente entre os mais jovens. Em um ano, o índice de desemprego baixou meio ponto percentual.

Na França metropolitana, o número de desempregados caiu em 74 mil para um total de 2,8 milhões de trabalhadores. Entre os desempregados, 1,2 milhão procuram trabalho há mais de um ano. A taxa de desemprego de longo prazo ficou inalterada em 4,3%.

Na pesquisa por sexo, o índice de desemprego é de 10% para homens e 9,3% para mulheres, com 1,487 milhão de homens e 1,280 milhão de mulheres desempregadas.

Carro-bomba mata três e fere 50 na Turquia

Um carro-bomba explodiu hoje diante de uma delegação de polícia em Elazig, na Turquia, matando pelo menos três pessoas e ferindo outras 50, noticiou a agência Reuters.

A agência de notícias turca Dogan acusou os guerrilheiros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que luta pela independência de um país para o povo curdo. Horas antes, outro carro-bomba matou um policial e dois civis na província oriental de Van.

O PKK é apenas uma das muitas ameaças armadas ao governo da Turquia, que incluem a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, grupos de extrema esquerda e o movimento gulenista, responsabilidade pelo governo pela tentativa de golpe de 15 de julho de 2016.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Navio-tanque da Malásia é sequestrado na Indonésia

Um navio petroleiro da Malásia com 900 mil litros de óleo diesel foi sequestrado e levado para perto da ilha de Batam, na Indonésia, noticiou a televisão pública britânica BBC citando como fonte a polícia marítima malasiana.

O valor da carga a bordo do do navio-tanque Vier Harmoni foi estimado em US$ 392 mil (R$ 1,257 milhão).

Com o rápido desenvolvimento da Ásia, o Sudeste Asiático tornou-se uma das principais rotas do comércio internacional. O Estreito de Málaca é uma região muito perigosa por causa dos piratas, embora nos últimos anos as regiões mais problemas tenham sido as costas da Nigéria, no Golfo da Guiné, e da Somália, no Oceano Índico.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Trump lidera por apenas seis pontos no Texas

Em mais um sinal do declínio da candidatura do magnata imobiliário Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos, uma nova pesquisa indica que ele tem uma vantagem de apenas seis pontos percentuais no Texas, o segundo maior estado em população e em votos no Colégio Eleitoral, tradicionalmente vencido pelo Partido Republicano.

Na pesquisa do instituto Public Policy Polling (PPP), Trump tem 44% das preferências contra 38% para Hillary Clinton, 6% para o candidato libertário Gary Johnson e 2% para a ecologista Jill Stein. Só com os dois principais candidatos na pergunta Hillary vence por 50% a 44% num estado vencido em 2012 pelo republicano Mitt Romney com 16 pontos de vantagem.

Uma vitória democrata em 2016 está fora de questão, mas aumentam as chances do partido em futuro próximo. Trump vence por causa de uma vantagem de 63% a 33% entre os eleitores de 65 anos ou mais. No eleitorado de menos de 65 anos, Hillary lidera por 49% a 45%. Entre os eleitores de menos de 45 anos, Hillary tem uma ampla vantagem de 60% a 35%.

Em pesquisas nacionais, Hillary vence por 7 a 10 pontos percentuais.

Rússia usa base do Irã para atacar na Síria

A Força Aérea da Rússia usou uma base no Irã para bombardear alvos na Síria, anunciou hoje em Moscou o Ministério da Defesa russo. Pela primeira vez, a Rússia usa outro país, num sinal claro de fortalecimento da cooperação com a República Islâmica do Irã.

Os aviões Su-34 e Tu-22M3 saíram de perto da cidade de Hamedã, provavelmente a base de Chahid Nojeh. Os alvos são o Estado Islâmico do Iraque e do Levante e a Frente de Luta do Levante, a antiga Frente al-Nusra, braço da rede terrorista Al Caeda na guerra civil síria, em Alepo, Deir el-Zur e Idlibe.

A Rússia e o Irã são os principais aliados da ditadura de Bachar Assad. Mais uma vez, a Rússia pediu autorização aos governos do Irã e do Iraque autorização para mísseis de cruzeiro disparados do Mar Cáspio atravessarem seu espaço aéreo.

Ao mesmo tempo em que anuncia negociações conjuntas para realização de ações conjuntas contra grupos terroristas na Síria, a Rússia tenta alinhar seus objetivos na Síria com o Irã e a Turquia.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Nanorrobôs atacam tumores cancerosos com precisão

Um exército de nanorrobôs é capaz de atacar células cancerosas sem afetar os tecidos sadios ao redor, concluíram pesquisadores da Escola Politécnica de Montreal, da Universidade de Montreal e da Universidade McGill, do Canadá.

Os agentes nanorrobóticos desenvolvidos na pesquisa conseguem navegar na corrente sanguínea para administrar com precisão medicamentos visando especificamente as células ativas nos tumores cancerosos.

Com a nova técnica, a dose dos medicamentos contra o câncer, altamente tóxicos para o organismo humano, pode ser bem menor, reduzindo os efeitos colaterais do tratamento, afirmam os cientistas em artigo publicado na revista Nature Nanotechnology sob o título Bactéria magnetoaerotática entrega nanolipossomas com medicamentos em regiões de tumores hipóxicos.

"Este exército de agentes nanorrobóticos é de fato constituído por mais de 100 milhões de bactérias flageladas - e portanto autopropulsoras - e carregadas de medicamentos que se deslocam e fazem o caminho mais direto entre o ponto de injeção do medicamento e a parte do corpo a ser tratada", explica o professor Sylvain Martel, pesquisador catedrático em nanorrobótica médica, diretor do Laboratório de Nanorrobótica da Escola Politécnica de Montreal e chefe da pesquisa.

A eficiência é muito maior: "A força da propulsão do medicamento foi suficiente para percorrer eficazmente o trajeto e penetrar profundamente nos tumores."

Neste movimento, as bactérias combinam dois sistemas de navegação. Uma espécie de bússola criada pela síntese de uma cadeia de nanopartículas magnéticas dá a orientação, enquanto um sensor da concentração de oxigênio permite chegar às zonas ativas de um tumor e ficar lá.

Ao expor as bactérias a um campo magnético controlado por computador, os pesquisadores mostraram que as bactérias podem fazer perfeitamente o que se imagina que nanorrobôs artificiais façam no futuro.

"Esta nova utilização de nanotransportadores terá impacto não somente na criação de conceitos de engenharia e métodos de intervenção inéditos. Abre também uma grande via para a síntese de novos vetores de medicamentos, de exames de imagem e de diagnóstico", acrescentou o professor Martel.

"A quimioterapia, se é tóxica para o corpo humano, poderia utilizar esses nanorrobôs naturais para levar os medicamentos diretamente ao alvo, o que permitiria eliminar os efeitos colaterais desagradáveis aumento a eficácia do tratamento."

EUA e Rússia negociam ação conjunta na guerra civil da Síria

Os Estados Unidos e a Rússia estão negociando a realização de operações militares conjuntas contra a Jabhat Fatah al-Cham (Frente de Combate do Levante), revelou hoje em Moscou o ministro da Defesa russo, Serguei Choigu, noticiou a agência Reuters.

Os dois países vão trocar informações sobre alvos e lançar ações conjuntas contra a antiga Frente al-Nusra, que anunciou um rompimento com a rede terrorista Al Caeda para ter direito a participar de futuras negociações de paz.

Em troca, a Rússia deve suspender os bombardeios aos rebeldes moderados apoiados pelos EUA. Se houver acordo, será uma das maiores mudanças estratégicas desde o início da guerra civil na Síria há cinco anos e meio, observou a empresa de consultoria e análise estratégica Stratfor.

domingo, 14 de agosto de 2016

Forças da Líbia avançam na luta contra o Estado Islâmico

Milícias leais ao governo reconhecido internacionalmente da Líbia avançaram neste domingo na luta contra o principal reduto no país da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, na cidade de Sirte, informou a agência Reuters.

As forças governistas são lideradas por milícias da cidade de Missurata. Desde 1º agosto, contam com o apoio de bombardeios da Força Aérea dos Estados Unidos. Assim, conseguiram cercar os milicianos do Estado Islâmico no centro residencial de Sirte.

As brigadas de Missurata anunciaram ter assumido o controle de uma emissora de rádio usada pelo Estado Islâmico, que se instalou em Sirte no ano passado. A ofensiva para reconquistar a cidade, terra natal do falecido ditador Muamar Kadafi, começou em maio, quando o Estado Islâmico avançava rumo a Missurata.

Sob intensa pressão nos campos de batalha do Oriente Médio, perdendo territórios na Síria e no Iraque, o Estado Islâmico aprovou a anarquia em que vive a Líbia desde a queda de Kadafi, há cinco anos, para se estabelecer no país.

Rebeldes da Síria intensificam ataques a redutos do governo em Alepo

Os rebeldes que lutam contra a ditadura de Bachar Assad na guerra civil da Síria atacaram hoje redutos leais ao governo nas zonas sul e noroeste de Alepo, a segunda cidade mais importante do país, noticiou a agência Reuters.

A Batalha de Alepo é no momento a mais importante da guerra. A cidade está dividida, com o leste sob controle rebelde e o oeste dominado por legalistas.

Com carros-bomba, os rebeldes abriram caminho para avançar no distrito de Jamiat al-Zahra. Em seguida, atacaram posições do Exército numa fábrica de cimento no sudoeste de Alepo próxima da entrada de um corredor aberto na semana passada para romper o cerco das forças governistas e dar acesso à região dominada pelos rebeldes.

As forças leais a Assad tem o apoio da Força Aérea da Rússia, do Irã e da milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus). O Exército da Síria tomou parte de um conjunto habitacional no sudoeste da cidade.

Os maiores avanços foram do grupo rebelde Jabhat Fatah al-Cham (Frente para Conquista do Levante), a antiga Frente al-Nusra, que era o braço armado da rede Al Caeda na guerra civil síria e agora tenta se apresentar como um grupo independente para ter algum papel numa negociação de paz.

sábado, 13 de agosto de 2016

Pentágono confirma morte do líder do Estado Islâmico no Afeganistão

O líder da milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante no Afeganistão e no Paquistão, Hafiz Saïd Khan, foi morto por um ataque de drones dos Estados Unidos no distrito de Kot, da província afegã de Nangharhar, confirmou hoje o Departamento da Defesa dos Estados Unidos, citado pela agência Reuters.

A morte de Khan havia sido anunciada anteriormente. Desta vez, o embaixador do Afeganistão em Washington, Omar Zakhilwal, declarou ter confirmado a morte com os serviços de inteligência.

Ex-comandante da milícia do Movimento dos Talibã do Paquistão, Khan foi nomeado líder da Província Khorasan do Estado Islâmico em janeiro de 2015, responsável pelas atividades da milícia no Afeganistão e no Paquistão.

Em 21 de maio de 2016, outro ataque de aeronaves não tripuladas dos EUA matou o líder da Milícia dos Talibã do Afeganistão, mulá Akhtar Mansur, em território paquistanês.

Mais de 2 mil reféns do Estado Islâmico são libertados na Síria

Ao retomar a cidade de Manbij, as Forças Democráticas da Síria libertaram hoje mais de 2 mil civis sequestrados pela milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante para serem usados como escudos humanos.

Nas ruas de Manbij, o clima é de festa. Os homens cortam as barbas e algumas mulheres queimam os véus que foram obrigados a usar nos últimos dois anos pelos extremistas muçulmanos, mostrou a televisão pública britânica BBC.

"A cidade está agora totalmente sob nosso controle, mas ainda estamos fazendo operações de varredura", declarou Charfan Darwish, do comando militar das FDS.

Manbij tem grande importância estratégica. Sua queda corta a principal rota de suprimento entre as áreas controladas pelo Estado Islâmico no Norte da Síria e a Turquia.

Para reconquistar a cidade, as FDS, formadas por guerrilheiros curdos, árabes sunitas e assírios cristãos, contaram com o apoio da coalizão das forças aéreas de mais de 60 países liderada pelos Estados Unidos.

Alemanha cresceu 0,4% no segundo trimestre

A economia alemã, a maior da Europa e quarta do mundo, cresceu 0,4% de abril a junho de 2016, um ritmo mais fraco do que no primeiro trimestre, quando a alta foi de 0,7%, anunciou ontem o Destatis, escritório oficial da estatísticas da República Federal da Alemanha.

O comércio exterior foi o principal motor do crescimento no segundo trimestre, com aumento das exportações e queda das importações. A queda no investimento para formação de capital bruto causou a desaceleração.

Nos últimos 12 meses, o produto interno bruto da Alemanha avançou 1,8%, um pouco abaixo do 1,9% registrado no primeiro trimestre, chegando a 4,78 trilhões de euros.

Hillary amplia vantagem sobre Trump em estados decisivos

A ex-secretária de Estado Hillary Clinton, candidata do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos em 8 de novembro, ampliou sua vantagem sobre o magnata imobiliário Donald Trump, seu adversário do Partido Republicano, em três estados decisivos, indica uma nova pesquisa do instituto Marist para o jornal The Wall Street Journal e a rede de televisão NBC.

No Colorado, Hillary lidera por 46% a 32%, uma vantagem seis pontos maior do que na pesquisas anterior, realizada em julho.

A candidata democrata também avançou em dois estados do Sul em que a oposição ao presidente Barack Obama esperava uma disputa apertada. Hillary lidera por 46% a 33% na Virgínia e por 48% a 39% na Carolina do Norte.

Na Flórida, o maior estado em que os dois têm chance em novembro, Hillary tem 44% das preferências contra 39% para Trump. Há um mês, a democrata tinha apenas dois pontos percentuais de vantagem.

Pela lei americana, o presidente é eleito por um Colégio Eleitoral de 538 delegados que representam os estados e o Distrito de Colúmbia. Quem ganha num estado pelo voto popular leva todos os delegados daquele estado, com raras exceções. Será eleito presidente quem obtiver pelo menos 270 votos eleitorais.

No estado mais populoso, a Califórnia, os 55 votos eleitorais irão com certeza para a candidata democrata. No segundo, o Texas, os 34 votos eleitorais serão do Partido Republicano. Em Nova York, o terceiro, a vitória de Hillary é certa. Desta forma, o maior "campo de batalha" é a Flórida.

Atualmente as pesquisas apontam uma vitória de Hillary no Colégio Eleitoral por 347 a 191. Desde março, este quadro não se alterou. Diante das sucessivas crises da candidatura Trump, a ex-secretária deve intensificar a campanha em estados republicanos capazes de virar de lado.

Se ela ganhar nos estados que deram a vitória aos democratas nas oito últimas eleições e na Flórida, será a primeira mulher a presidir os EUA.

Conselho de Segurança da ONU reforça missão no Sudão do Sul

Com 11 votos a favor e quatro abstenções (China, Egito, Rússia e Venezuela), o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou ontem resolução para fortalecer com uma força regional de 4 mil soldados a missão de paz no Sudão do Sul, que já conta com 12 mil homens, e prorrogou seu mandato até 15 de dezembro de 2016.

A resolução manifesta "grave preocupação e alarme" com a crise política, econômica, humanitária e de segurança.

O novo contingente vai se concentrar na proteção das instalações, tropas e trabalhadores da ONU, voluntários que trabalham com ajuda humanitária e a população civil, principalmente na capital do país, Juba, e nos arredores.

Como o governo sul-sudanês não concordou com a presença no país de uma força regional, a resolução invoca o direito de uso da força. Não proíbe o comércio de armas, mas indica que pode impor um embargo.

Para pacificar o Sudão do Sul, o Conselho de Paz e Segurança da União Africana pediu a saída do recém-nomeado vice-presidente Taban Deng Gai e a devolução do cargo a Riek Machar.

Mais novo país do mundo, o Sudão do Sul foi fundado em julho de 2011. É resultado de um acordo de paz e da divisão do Sudão depois da mais longa guerra civil africana da era moderna. De dezembro de 2013 a agosto de 2015, viveu uma guerra civil em que morreram de 50 a 300 mil pessoas.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Rússia instala mísseis antiaéreos de última geração na Crimeia

A Rússia instalou sistemas de mísseis de defesa antimísseis de última geração S-400 na península da Crimeia, uma província da Ucrânia anexada ilegalmente pelo Kremlin em março de 2014, revelou hoje o Ministério da Defesa russo.

A medida realimenta o conflito entre as duas ex-repúblicas mais importantes da extinta União Soviética. Há poucos dias, a Rússia acusou a Ucrânia de realizar operações de sabotagem na Crimeia e prometeu reagir.

Como o sistema de defesa antimísseis tenta neutralizar uma ameaça de natureza diferente, sua instalação provavelmente já estivesse planejada. Os dois países reforçaram suas posições na fronteira comum.

Moscou interveio militarmente na Ucrânia em resposta a uma revolta popular derrubou em fevereiro de 2014 o presidente Viktor Yanukovich. Três meses antes, ele havia suspendido negociações de associação à União Europeia.

O presidente russo, Vladimir Putin, considera o fim da URSS a "maior catástrofe geopolítica do século 20". Desde que chegou ao poder, em 1999, tenta resgatar pelo menos parte do poder imperial soviético. Essa estratégia implica manter as ex-repúblicas soviéticas sob o controle do Kremlin.

A anexação da Crimeia rompeu uma regra básica das Nações Unidas que havia sido respeitada na Europa desde 1945, que fronteiras internacionais não podem ser alteradas pelo uso da força.

Desde então, Putin reativou uma guerrinha fria com o Ocidente, os Estados Unidos, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e a União Europeia. Provoca os inimigos do tempo da Guerra Fria e tenta dividir a UE com a proposta de acordos comerciais bilaterais com países-membros como a Hungria, onde o primeiro-ministro direitista Viktor Orban flerta com Moscou.

Estado Islâmico sequestra 2 mil civis no Norte da Síria

Durante a fuga da cidade de Manbij, no Norte da Síria, a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante sequestrou cerca de 2 mil civis, anunciou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, que monitora a guerra civil no país, citando como fonte rebeldes apoiados pelos Estados Unidos.

Com o apoio da coalizão aérea liderada pelos EUA, as Forças Democráticas da Síria, que reúnem guerrilheiros curdos, árabes sunitas e milícias assírias cristãs, lutam para retomar Manbij. A queda da cidade cortaria a linha de suprimento dos milicianos do Estado Islâmico com a Turquia.

Hoje um porta-voz anunciou a ofensiva final para retomar Manbij. Será mais uma grande perda para o Estado Islâmico, que não obtém nenhuma vitória militar importante há mais de um ano.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Phelps bate recorde de títulos individuais de Leônidas de Rodes

Ao vencer há pouco a prova de 200 metros quatro estilos na Olimpíada do Rio de Janeiro, o nadador americano Michel Phelps, maior medalhista olímpico de todos os tempos, com 26 medalhas, sendo 22 de ouro, bateu o recorde do corredor Leônidas de Rodes, dos Jogos Olímpicos da Grécia Antiga, de títulos olímpicos individuais.

Leônidas de Rodes foi o maior corredor das olimpíadas da Grécia Antiga, um super-herói e um ídolo do seu tempo.

Na 154ª Olimpíada, realizada em 164 antes de Cristo, ganhou o triplo, a corrida no estádio, de cerca de 200 metros; a diaulos, numa distância duas vezes maior; e o hoplitodromos, uma diaulos com elmo, armadura e carregando um escudo, num total de 50 quilos.

O grande corredor repetiu as vitórias no triplo nos três Jogos seguintes, em 160, 156 e 152 AC. Como contou o historiador e geógrafo grego Pausanias, "o corredor mais famoso foi Leônidas de Rodes. Manteve sua velocidade como primeira por quatro olimpíadas, obtendo 12 vitórias em corridas".

A vitória de Phelps quebrou um recorde de 2.168 anos.

Produção de petróleo da Venezuela cai ao menor nível em 40 anos

A produção de petróleo da Venezuela caiu mais uma vez, ficando um pouco acima de 2 milhões de barris por dia, agravando ainda mais a crise política e econômica do país.

Dona das maiores reservas de petróleo do planeta, estimadas em 297 bilhões de barris, "petróleo para os próximos 300 anos", como gabava o finado caudilho Hugo Chávez, a Venezuela extrai hoje 20% menos óleo cru do que dois anos atrás.

Em julho, a produção ficou na média de 2,095 milhões de barris por dia, revelou o Relatório Mensal do Mercado de Petróleo divulgado neste mês de agosto pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). É a menor desde que o setor foi estatizado pelo presidente Carlos Andrés Pérez, em 1976.

O governo venezuelano não divulgou números oficiais sobre o mês passado. O cálculo foi feito pela própria OPEP com base em dados sobre transporte marítimo, relatórios de empresas, serviços de notícias, sindicatos, meios de comunicação e analistas de mercado.

Quando Chávez chegou ao poder, em 1999, a Venezuela produzia 3,2 milhões de barris por dia. Depois de uma greve de protesto contra a interferência do governo na empresa, de dezembro de 2002 a fevereiro de 2003, o caudilho promoveu um grande expurgo na empresa estatal Petróleos de Venezuela S. A. (PdVSA). Afastou técnicos competentes, substituindo-os por apadrinhados políticos, e reduziu o investimento.

Com os preços recordes de 2004 a 2014, a PdVSA conseguiu mascarar sua incompetência e a decadência do setor na Venezuela.

"Na Venezuela, mais de 50% da arrecadação do governo deriva da produção de petróleo. Portanto, o governo é o dono de fato da riqueza do petróleo, o que resulta na dependência dos cidadãos", observa um relatório recente do Instituto Fraser, um centro de pesquisas defensor do liberalismo econômico.

Carros-bomba matam sete pessoas na região curda da Turquia

Dois carros-bomba mataram ontem pelo menos seis pessoas e feriram várias outras no Sudeste da Turquia, onde a maioria da população é curda, noticiou a Agência France Presse (AFP) citando como fontes as forças de segurança turcas.

Um carro-bomba explodiu na cidade de Diyarbakir, matando ao menos quatro pessoas. O outro foi detonado diante de um hospital em Kiziltepe, na província de Mardin. Nos dois casos, os alvos foram carros de polícia que passavam no momento dos ataques.

O governo turco acusa os guerrilheiros marxistas do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). Eles estavam negociando a paz até julho do ano passado, quando o presidente Recep Tayyip Erdogan reiniciou a guerra civil para deslegitimar o Partido Democrático Popular (HDP), um partido moderado que conseguiu superar os 10% dos votos e entrar na Assembleia Nacional.

Autoritário e prepotente, Erdogan não teve o menor escrúpulo de reiniciar a guerra civil com os curdos. Além de guerrilheiros curdos e da milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, a Turquia enfrenta uma grave crise interna desde a frustrada tentativa de golpe militar de 15 de julho.

Erdogan aproveita para promover um grande expurgo e caça às bruxas visando todas as oposições, apesar dos principais partidos de oposição terem repudiado a tentativa de golpe.

Vietnã instala lançadores de foguetes em ilhas disputas com a China

O regime comunista do Vietnã fortificou as ilhas sob seu controle no Mar do Sul da China com a instalação de lançadores móveis de foguetes capazes de atacar as instalações militares e as pistas de pouso das ilhas dominadas pela China, noticiou a agência Reuters.

Nos últimos meses, o governo de Hanói colocou lança-foguetes em cinco bases das Ilhas Spratlys. Os lançadores estão escondidos da espionagem aérea e não estão carregados. Podem ser armados em dois a três dias.

A China está fazendo hangares reforçados em ilhas e ilhas artificiais que construiu no Mar do Sul da China, revelaram imagens de satélites-espiões. Assim, eles serão capazes de abrigar permanentemente aviões bombardeiros, de caça e de transporte.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Trump culpa mídia por ameaça a Hillary

O bufão escolhido pelo Partido Republicano para disputar a Presidência dos Estados Unidos acusou hoje os meios de comunicação pela ameaça que fez ontem contra sua adversária Hillary Clinton, sugerindo que os defensores do direito de portar armas poderiam atirar nela.

A Segunda Emenda à Constituição dos EUA, que garante o direito de ter e portar armas para defesa pessoal, estará ameaçada, se Hillary for eleita em 8 de novembro e assim conquistar o direito de nomear juízes para a Suprema Corte, advertiu o magnata imobiliário Donald Trump.

"Se ela escolher os juízes, não haverá nada que vocês possam fazer", afirmou Trump durante um comício em Wilmington, na Carolina do Norte, "embora talvez o pessoal da Segunda Emenda possam, talvez, não sei."

Como "o pessoal da Segunda Emenda" tem armas, o que poderia fazer é dar tiros. A campanha de Hillary criticou a declaração como "perigosa".

Mais uma vez, Trump mostra que está disposto a fazer qualquer coisa pelo poder, o que está destroçando o Partido Republicano.

Milícias aliadas aos EUA tomam quartel do Estado Islâmico na Líbia

Milícias aliadas do Ocidente anunciaram hoje ter assumido o controle do quartel-general da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante na cidade de Sirte, na Líbia, noticiou há pouco a televisão pública britânica BBC.

"O centro de convenções Uagadugu está em nossas mãos", declarou um porta-voz das forças leais ao governo líbio reconhecido internacionalmente. O Estado Islâmico dominava Sirte desde fevereiro de 2015.

A Líbia vive em estado de anarquia e guerra civil desde a queda do ditador Muamar Kadafi há cinco anos, com milícias rivais disputando o poder. Sirte é a terra natal de Kadafi.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Hillary tem hoje 80% de chance de ser eleita presidente dos EUA

O salto da ex-secretária de Estado Hillary Clinton depois de ser indicada candidata do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos se sustenta. De acordo com os modelos estatísticos do matemático Nate Silver, ela tem de 76% a 83% de chance de ganhar a eleição de 8 de novembro.

Pelo modelo que só leva em conta pesquisas de opinião, a probabilidade de Hillary bater o magnata imobiliário Donald Trump chega a impressionantes 83%. Outro modelo matemático, que combina pesquisas e um índice econômico, dá 76% de chance à candidata democrata. É a maior vantagem desde que os cálculos começaram a ser feitos, em junho.

Na média das pesquisas nacionais, Hillary tem hoje uma vantagem de sete pontos percentuais sobre Trump. Uma nova pesquisa da televisão ABC News e do jornal The Washington Post divulgada no domingo passado deu uma vantagem de oito pontos percentuais entre os eleitores inscritos para votar, quatro pontos a mais do que antes das convenções nacionais para oficializar as candidaturas.

Em pesquisas estaduais, Hillary tem 12 pontos de vantagem no estado da Virgínia e 11 pontos em Michigan, estados-chaves para a vitória no Colégio Eleitoral, onde o vencedor no voto popular ganha os votos de todos os delegados de cada estado.

Cauteloso, Silver considera importante esperar mais algumas semanas para ver se o impulso que a convenção deu a Clinton vai se manter. Pelos dados atuais, ele espera uma vitória democrata em novembro por quatro a sete pontos percentuais.

Como a candidatura de Trump não tem precedentes, o matemático observa que a história pode não ser referência.

Ontem, 50 especialistas em segurança nacional do Partido Republicano repudiaram as propostas políticas de Trump, que lançou uma plataforma econômica combinando cortes de impostos, protecionismo e renegociação de acordos internacionais.

Hoje, a senadora republicana pelo estado do Maine Susan Collins anunciou em artigo no jornal The Washington Post que não vai votar no candidato do partido: "Donald Trump não reflete os valores republicanos históricos nem a abordagem inclusiva que é crítica para sanar as divisões em nosso país."

Com o partido dividido como nunca, fica difícil a corrida de Trump rumo à Casa Branca. Mas sua base de apoio se mantém. Assim, Silver prevê que ele terá pelo menos 40% do voto popular em 8 de novembro. Isso significa que ainda tem chances de vencer, especialmente porque tudo pode mudar com uma notícia de impacto como um atentado terrorista ou uma piora da situação econômica.

China constrói hangares para aviões de guerra em mar disputado

A República Popular da China está construindo hangares reforçados em três ilhas artificiais sob seu controle em áreas disputadas do Mar do Sul da China, revelaram imagens de satélites-espiões dos Estados Unidos obtidas pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), com sede em Washington, noticiou o jornal The New York Times.

Nenhum avião de combate aparece nas imagens. O regime comunista chinês afirma que os hangares são para aviões civis. Pela análise do CSIS, a espessura das paredes, muito mais grossas do que necessário para aviões civis, indica a possibilidade de uso militar.

Os maiores hangares seriam capazes de abrigar o bombardeiro H-6, o avião de reabastecimento H-6U, o avião de transporte militar Y-8 e o avião-radar KJ200.

Com os novos radares, a China vai poder estacionar aviões permanentemente nas ilhas artificiais, construções ilegais à luz da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. Até agora, a China tinha de fazer uma rotação para evitar o desgaste das aeronaves num ambiente hostil no meio do mar.

A China tem conflitos territoriais no Mar do Sul da China com Brunei, as Filipinas, a Malásia, Taiwan e o Vietnã. Em 12 de julho, o Tribunal Permanente de Arbitragem das Nações Unidas deu razão às Filipinas, rejeitando os supostos "direitos históricos" alegados pela China para reivindicar 90% do Mar do Sul da China. O regime comunista chinês ignorou a decisão.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Forças de segurança da Etiópia matam 30 manifestantes

Forças do governo da Etiópia mataram mais de 30 manifestantes na região de Oromia durante o fim de semana, noticiou a agência Reuters citando como fonte a oposição. O protesto era contra planos do governo de distribuir as terras agrícolas da região e ao redor da capital do país, Adis Abeba.

Desde novembro, os manifestantes fazem protestos contra o projeto. Em janeiro, o governo etíope prometeu abandonar os planos de expropriar a terra. As manifestações recomeçaram depois da prisão de oposicionistas.

A resposta do governo nas últimas semanas foi desencadear uma repressão violenta em várias cidades da região. A oposição denuncia novas prisões e espera que o total de mortos aumente. O governo não respondeu às acusações. A mídia oficial não falou em mortos e feridos, mas as informações são de que milhares de pessoas saíram às ruas.

Com cerca de 100 milhões de habitantes, a Etiópia é o segundo maior país da África em população, atrás apenas da Nigéria. É um importante aliado do Ocidente na tentativa de estabilizar a Somália e um dos países que mais forneceram soldados à missão de paz da União Africana.

De acordo como Banco Mundial, de 2004 a 2014, a Etiópia foi um dos países que mais cresceram no mundo, com expansão média de 10,9% ao ano.


Terrorista suicida mata ao menos 70 pessoas em hospital no Paquistão

Um homem-bomba se autodetonou hoje no terreno de um hospital da cidade de Queta, no Paquistão. Pelo menos 70 pessoas morreram e mais de 100 saíram feridas, informou o jornal paquistanês Dawn.

A milícia extremista muçulmana Jamaat-ul-Ahrar (Assembleia dos Livres), uma dissidência dos Talebã do Paquistão, e a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicaram a autoria do atentado terrorista.

Dois cinegrafistas de televisões paquistanesas também morreram; 92 feridos estão hospitalizados no próprio Hospital Civil de Queta.

Cerca de 200 pessoas estavam reunidas do lado de fora do hospital, entre elas muitos advogados e jornalistas, para prestar homenagem ao eminente advogado Bilal Kasi, morto a tiros na cidade horas antes. Ele presidia a ordem dos advogados do Baluquistão.

"O homem-bomba tinha oito quilos de explosivos empacotados com bolinhas de ferro e outras peças metálicas junto ao corpo", declarou Abdul Razzaq, chefe da unidade de desativação de bombas da polícia local.

Testemunhas descreveram uma cena de guerra, com corpos destroçados espalhados pelo chão em meio a muito sangue, enquanto os feridos gritavam por socorro. Quem estava bem correu e a fumaça da explosão se infiltrou pelos corredores do hospital.

A polícia isolou a área. O Facebook acionou o dispositivo de segurança para os usuários avisarem que estão sãos e salvos.

Queta e a província do Baluquistão estão no centro da guerra civil de grupos extremistas muçulmanos contra o Estado paquistanês. Um político local acusou a Índia, mas a alegação não pode ser levada a sério.

Em maio, o líder da milícia dos Talebã do Afeganistão, mulá Akhtar Mansur, foi morto por um ataque de drones dos Estados Unidos quando ia da fronteira entre Irã e o Paquistão com destino a Queta.

Bombardeio destrói hospital e mata 13 pessoas na Síria

Um ataque aéreo a uma área controlada por rebeldes na província de Idlibe arrasou mais um hospital na guerra civil da Síria, matando 13 pessoas, denunciou hoje a organização não governamental Médicos sem Fronteiras (MsF).

O bombardeio realizado há dois dias destruiu o hospital. Não se sabe se partiu da ditadura de Bachar Assad ou da Força Aérea da Rússia, sua aliada.

Em pouco menos de cinco anos e meio, entre 270 e 400 mil pessoas foram mortas na guerra civil da Síria. A Rússia intervém no conflito há dez meses em apoio à ditadura de Assad, que estava prestes a desabar.

domingo, 7 de agosto de 2016

Estado Islâmico reinvidica ataque a duas policiais na Bélgica

A milícia extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou hoje a autoria do atentado a facão contra duas policiais atacadas ontem diante da chefiatura de polícia da cidade de Charleroi, na Bélgica. Elas saíram feridas e o agressor foi baleado por outra policial e morreu horas depois.

Em nota, a agência de propaganda do grupo descreveu o terrorista como um "soldado do califado". Era um argeliano de 33 anos que morava na Bélgica há dois anos, de iniciais K. B. Tinha ficha criminal "por crimes comuns, mas não por terrorismo", revelou a promotoria belga.

Sob intensa pressão em várias frente no Oriente Médio, o Estado Islâmico está perdendo territórios. O califado corre o risco de desaparecer. De protoestado, a milícia recua para ser um grupo terrorista.

Isso não significa que o Estado Islâmico tenha atacado realmente a polícia de Charleroi. Pode estar só reivindicando por oportunismo, mas a inspiração jihadista é clara.

sábado, 6 de agosto de 2016

Rebeldes sírios anunciam rompimento do cerco de Alepo

Milicianos do grupo Ahrar al-Cham (Movimento Islâmico dos Homens Livres do Levante), parte da Coalizão Frente Islâmica, assumiu o controle da rotatória de Rasmussá, rompendo o isolamento dos rebeldes entrincheirados na cidade de Alepo na guerra civil da Síria, anunciou hoje no Twitter a Frente Islâmica.

Desde junho, forças leais à ditadura de Bachar Assad cercaram os rebeldes na segunda cidade mais importante da Síria. A Batalha de Alepo é no momento a mais importante da guerra civil síria. Pode ser decisiva.

O desfecho desta batalha pode mudar o equilíbrio de forças no campo de batalha e a posição do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que luta tanto contra o governo como contra os rebeldes.

Cerca de 250 mil pessoas vivem em áreas sitiadas de Alepo, sob intenso bombardeio da Força Aérea da Rússia, que intervém há 10 meses na guerra civil da Síria.

Terrorista ataca duas policiais na Bélgica com facão

Aos gritos de "Alá é o maior", um terrorista armado com um facão atacou hoje duas policiais diante da chefiatura de polícia da cidade de Charleroi, na Bélgica, noticiou a televisão pública britânica BBC. O agressor foi baleado e está em estado crítico.

O primeiro-ministro belga, Charles Michel, condenou a agressão.

Charleroi fica a 50 quilômetros ao sul da capital, Bruxelas. Em novembro, a polícia prendeu em Charleroi três suspeitos de planejar uma ação terrorista em Bruxelas.

Por ser um país pequeno com alta conectividade, fronteiras abertas por causa do Acordo de Schengen e sede de organizações internacionais importantes como a União Europeia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a Bélgica se tornou um alvo para terroristas.

A célula terrorista que organizou os ataques de 13 de novembro do ano passado em Paris era baseada em Molenbeek. Em 22 de março de 2016, ataques ao aeroporto e ao metrô da capital belga deixaram 32 mortos, além dos terroristas.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Dinamarca faz primeiro ataque aéreo ao Estado Islâmico na Síria

A Força Aérea da Dinamarca entrou na guerra contra a milícia extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante na Síria. Nos últimos dias, aviões de guerra dinamarqueses bombardearam posições da milícia na província de Rakka. A cidade de Rakka, capital da província, é também a capital do califado autoproclamado pelo Estado Islâmico.

A Dinamarca participa da coalizão aérea liderada pelos Estados Unidos desde o fim de 2014. Até agora, só havia atacado o Estado Islâmico no Iraque.

Como o governo iraquiano pediu ajuda aos EUA e aliados, a intervenção militar no Iraque é legal à luz do direito internacional. A Síria está em guerra civil, mas governo local, a ditadura de Bachar Assad, só convidou seus aliados do Irã e do Líbano e a Rússia.

Sob intensão pressão dos bombardeios dos EUA e aliados e da Rússia, o Estado Islâmico perdeu territórios no Iraque e na Síria e intensificou as ações terroristas.

EUA tiveram saldo de 255 mil empregos em julho

Um saldo positivo de 255 mil novos empregos a mais do que fechados em julho confirma a recuperação da economia dos Estados Unidos, apesar do crescimento fraco no segundo semestre de 2016, de apenas 1,2% ao ano. A expectativa dos analistas era de um ganho de 180 mil vagas.

O resultado de junho foi revisado para cima para 292 mil postos de trabalho a mais. Assim, os últimos dois meses registraram o maior volume de contratações do ano. A média de 2016 está em 186 mil empregos a mais por mês, em contraste com 229 mil no ano passado.

A taxa de desemprego ficou estável em 4,9%. A participação da mão-de-obra no mercado de trabalho cresceu de 62,7% para 62,8%. Os salários avançaram 2,6% num ano, bem acima do núcleo da inflação, excluídos os preços mais voláteis de energia e alimentos, que ficou em 1,6% ao ano.

Isso coloca um novo dilema para a Reserva Federal (Fed), o banco central americano: "O problema do Fed é que o crescimento robusto do mercado de trabalho acontece num momento de fraco crescimento da produção, sugerindo que a produtividade e as margens de lucro são sofríveis", observou Chris Williamson, economista da empresa IHS Markit.

Investimentos de Trump rendem abaixo da média

O magnata imobiliário Donald Trump baseia sua campanha para a Presidência dos Estados Unidos no seu suposto talento para empreender e negociar, mas uma análise dos números revela outra realidade, descobriu o jornal americano The Washington Post.

Desde 1978, os investimentos imobiliários do candidato do Partido Republicano deram em média um retorno de 9,5%, enquanto a média do mercado imobiliário ficou em 14,4%, de acordo com estimativa da agência de notícias Bloomberg.

Estado Islâmico nomeia novo líder do Boko Haram

A milícia extremista muçulmana Boko Haram tem um novo líder, Abu Mussab al-Barnawi, nomeado pela organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, noticiou o jornal americano The Washington Post. 

Em entrevista divulgada pelo Estado Islâmico, o novo líder promete acabar com ataques a mesquitas e mercados frequentados por muçulmanos e recuperar o território perdido, mas o antigo líder, Abubakar Shekau, denuncia um golpe e anuncia que vai lutar pelo poder.

No início do ano passado, Shekau jurou lealdade ao grupo terrorista do Oriente Médio e mudou o nome do Boko Haram, que significa repúdio à educação ocidental, para Província do Estado Islâmico na África Ocidental. Naquela época, a aliança foi vista mais como um golpe publicitário do que uma união real com benefícios mútuos.

Desde a posse na Presidência da Nigéria, em maio de 2015, do ex-ditador e general da reserva Muhammadu Buhari, o Exército intensificou a campanha contra os jihadistas, mas enfrenta um escândalo de corrupção ligado à guerra. Mais de US$ 2 bilhões teriam sido desviados da luta contra a milícia.

O comando militar nigeriano afirmou na semana passada que o Boko Haram não controla mais territórios no país e está refugiado em florestas, mas a guerra está longe de acabar. Há uma onda de jihadismo na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara, que se estende da África Ocidental à Somália, alimentada pelo tráfico de armas e mercenários na guerra civil da Síria.

Em sete anos de luta armada, o grupo liderado por Shekau é responsável uma guerra civil em que 20 mil pessoas morreram e outros 2,2 milhões fugiram de casa. A ascensão de Barnawi indica uma dissidência no Boko Haram iniciada pelo grupo Ansaru. Al-Barnawi é o pseudônimo de um jornalista nigeriano ligado ao Ansaru.

Para o presidente da Associação de Operadores de Segurança Industrial da Nigéria, Ona Ekhomu, a mudança de líder pode levar o Boko Haram a lançar ações espetaculares, inclusive na maior e mais importante cidade nigeriana, Lagos, antiga capital do país.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

CNA recua nas eleições municipais na África do Sul

O Congresso Nacional Africano (CNA) teve nas eleições municipais de hoje na África do Sul seu pior resultado desde que chegou ao poder, em 1994, com o fim do regime segregacionista do apartheid, a ditadura da minoria branca, que durou 300 anos, informa a televisão pública britânica BBC.

Até agora, a maior derrota deve ser na cidade da Baía Nelson Mandela, na periferia de Porto Elizabeth, onde a Aliança Democrática, maior partido de oposição, está perto da vitória.

O CNA ganha nacionalmente com 54% dos votos, mas perde em grandes cidades como a Cidade do Cabo e Porto Elizabeth. Em Joanesburgo, a maior cidade sul-africana, e em Pretória, a capital, a disputa é apertada.

Depois de 22 anos de monopólio do poder, o CNA sofre com o desgaste de governar, o não cumprimento de promessas de inclusão social e os escândalos de corrupção envolvendo o partido, a começar pelo presidente Jacob Zuma, condenado a devolver aos cofres públicos US$ 23 milhões gastos em obras em sua residência particular.

Os resultados finais serão anunciados neste sexta-feira.

Maduro indica general acusado de tráfico para ministro da Justiça

Um dia depois que a Comissão Nacional Eleitoral da Venezuela aceitou a primeira coleta de assinaturas para revogar seu mandato, o presidente Nicolás Maduro anunciou ontem à noite uma reforma ministerial. O general Néstor Reverol, denunciado na véspera por tráfico de drogas nos Estados Unidos, será o ministro do Interior e da Justiça.

O único ministro a favor da economia de mercado, Miguel Pérez Abad, foi demitido do Ministério da Indústria e do Comércio depois de declarar que algumas empresas desapropriadas e estatizadas devem ser devolvidas a seus donos. É um sinal de que o programa de reformas econômicas a ser proposto pela União das Nações Sul-Americanas (Unasul) não terá muita chance.

Mais impressionante foi a nomeação do general Em pronunciamento na televisão, Maduro elogiou Reverol, de 51 anos, e o defendeu da acusação de tráfico de drogas. Dois sobrinhos da primeira-dama e ex-presidente da Assembleia Nacional, Cilia Flores, os narcossobrinhos, estão presos nos EUA, onde foram denunciados por um tribunal federal de Nova York por tráfico de drogas.

"Nomeei o general Néstor Reverol Torres para como ministro do Interior, da Justiça e da Paz" porque ele "quebrou recordes na prisão de traficantes de drogas", justificou Maduro.

De acordo com a denúncia, Reverol recebeu dinheiro de traficantes quando chefe do Escritório Nacional Antidrogas da Venezuela.

Apesar de ter as maiores reservas mundiais de petróleo, a Venezuela vive a pior crise econômica de sua história por causa das políticas desastrosas do chamado "socialismo do século 21" do falecido caudilho Hugo Chávez. O produto interno bruto pode cair 18% em dois anos, há desabastecimento de cerca de 80% dos produtos básicos e a inflação deste ano deve chegar a 720%, prevê o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Banco da Inglaterra corta juros por causa da saída da UE

Para tentar conter o impacto negativo da saída do Reino Unido da União Europeia, o Banco da Inglaterra reduziu hoje de 0,5% para 0,25% sua taxa básica de juros e anunciou um plano de estímulo econômico de 170 bilhões de libras, cerca de US$ 224 bilhões ou R$ R$ 713 bilhões.

É a menor taxa básica de juros em 322 anos de história do Banco da Inglaterra e o maior programa de estímulo desde a crise financeira internacional de 2008. A partir de setembro, 70 bilhões de libras serão usados para comprar títulos públicos e de empresas privadas.

Nos próximos seis meses, o Banco da Inglaterra vai comprar bônus da dívida pública soberana do Reino Unido no valor de 60 bilhões de libras (US$ 80 bilhões ou R$ 252, bilhões). A partir do mês que vem, também vai comprar bônus de empresas privadas no valor de 10 bilhões de libras durante um ano e meio. Poderão ser aquiridos títulos de 150 empresas privadas.

É a retomada do programa de alívio quantitativo para aumentar a quantidade de dinheiro em circulação, suspenso desde 2012, quando a economia britânica se recuperou da Grande Recessão de 2008-9.

Um fundo de 100 bilhões de libras será criado para oferecer financiamento aos bancos a taxas de juros próximas da taxa básica, incentivando os bancos a repassar as taxas baixas aos clientes. É uma forma de ajudar os bancos a suportar esta época de juros baixos.

"Todas as medidas anunciadas podem ser ampliadas", declarou o presidente do banco, Mark Carney. Apesar do "pacote de medidas excepcionais", advertiu ele, 250 mil pessoas podem perder o emprego no Reino Unido por causa do impacto econômico da Brexit (saída britânica da UE).

Todos os nove membros do Comitê de Política Monetária (Copom) foram a favor da queda nos juros. Três votaram contra a retomada das compras de bônus, considerando-a prematura.

Em nota, o Copom do banco central britânico estimou que a economia do país será 2,5% menor em 2018 do que previsto em maio deste ano, antes do plebiscito que aprovou a saída do Reino Unido da UE.

Com o resultado do referendo, a expectativa de crescimento da economia britânica para 2017 baixou de 2,3% para apenas 0,8%. A taxa de desemprego deve aumentar dos atuais 4,9% para 5,6% em 2018. A inflação deve crescer e os preços das casas tendem a cair.

O Copom do Banco da Inglaterra indicou que pode baixar ainda sua taxa básica de juros ainda neste ano para um nível pouco acima de zero. São cada vez mais evidentes os males causados pela Brexit.

Depois do anúncio, a libra caiu mais 1,58% em relação ao dólar, sendo cotada em US$ 1,3115.

Jovem esfaqueia seis pessoas e mata mulher no centro de Londres

Um jovem de 19 anos armado com uma faca matou uma mulher e feriu outras cinco pessoas ontem à noite na Praça Russell, no centro de Londres, noticiou o jornal inglês The Guardian. O agressor foi preso. A polícia acredita que seja desequilibrado mental, mas não descarta a hipótese de terrorismo.

Às 22h33 pela hora local (18h33 em Brasília), a polícia recebeu um telefonema alertando que um homem estava esfaqueando pessoas na praça, que fica junto ao campus central da Universidade de Londres.

Seis minutos depois, a polícia britânica, a Scotland Yard, chegou ao local acompanhada de uma ambulância e usou uma pistola elétrica, que dá choque, para dominar o agressor. Uma mulher ferida recebeu tratamento de emergência, mas morreu ali mesmo.

Horas mais tarde, a Polícia Metropolitana da Grande Londres revelou que o suspeito é um norueguês de origem somaliana perturbado mentalmente. Depois de revistar sua casa, concluiu que ele não tem ligações com extremistas muçulmanos.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

EUA e aliados condenam teste de mísseis da Coreia do Norte

Os Estados Unidos e seus maiores aliados no Leste da Ásia, o Japão e a Coreia do Sul, condenaram um teste de mísseis realizado hoje pelo regime comunista da Coreia do Norte. 

Um dos mísseis balísticos de médio alcance Rodong explodiu logo depois do lançamento, mas outro voou mais de mil quilômetros até cair em águas territoriais do Japão, a 150 quilômetros do território japonês, disseram fontes militares sul-coreanas.

O teste teria sido uma reação ao anúncio pelos EUA e a Coreia do Sul da instalação em território sul-coreano de um sistema de defesa antimísseis também repudiado pela China. O regime stalinista de Pionguiangue ameaça atacar a Coreia do Sul para impedir a instalação do Terminal de Defesa de Área a Grande Altitude.

Em sua chantagem nuclear contra os EUA, a ditadura comunista norte-coreana tenta desenvolver um míssil capaz de realizar um ataque com arma atômica na costa oeste americana.

A China é contra o escudo antiaéreo. Entende que daria uma vantagem estratégica aos americanos numa possível guerra entre os dois países ao abater os mísseis chineses na origem.

Obama desafia republicanos a substituir Trump

Diante de comentários preconceituosos contra a família de um soldado americano muçulmano morto na invasão do Iraque, o presidente Barack Obama desfechou ontem seu ataque mais duro contra o candidato republicano Donald Trump, declarando-o "inapto" e "totalmente despreparado" para governar os Estados Unidos. Obama desafiou a cúpula da oposição retirar seu apoio a Trump.

"Sim, penso que o candidato republicano é inapto para ser presidente", confirmou Obama em entrevista coletiva na Casa Branca durante visita do primeiro-ministro de Cingapura, Lee Hsien Loong.

"Eu disse isso na semana passada e ele continua provando isso", disparou o presidente. "A noção de que se possa atacar uma família com a Estrela Dourada [em que alguém morreu em combate], que fez extraordinários sacrifícios em benefício do nosso país, o fato de que ele não parece ter o conhecimento básico sobre questões críticas na Europa, no Oriente Médio e na Ásia indicam que está totalmente despreparado para o cargo."

Depois dos ataques ao ex-governador da Flórida Jeb Bush nas primárias, a família Bush se afastou de Trump. George Bush pai e filho são os únicos ex-presidentes republicanos vivos. Não foram à convenção do partido.

Os oradores da convenção nacional democrata evitaram criticar o governo George W. Bush e responsabilizar o último governo republicano pela crise econômica. Não querem perder os votos de republicanos anti-Trump.

Um grande número de caciques republicanos rejeita as declarações de Trump, mas continua a apoiá-lo como candidato do partido. Obama criticou esta dubiedade: "Se vocês repetidamente têm de dizer, em termos muito fortes, que o que ele diz é inaceitável, por que ainda o apoiam? O que isso diz sobre um partido que tem este porta-bandeira?"

O presidente foi duro: "Esta não é uma situação em que você tem uma gafe episódica. Diariamente, semanalmente, vocês estão se distanciando das declarações que ele está fazendo. Tem de chegar um ponto em que vocês digam: 'este cara é alguém que eu não posso apoiar para presidente dos EUA, mesmo se ele pretender ser um membro do meu partido'. O fato de que isto ainda não tenha acontecido torna algumas dessas condenações vazias."

Obama disse acreditar na sinceridade da cúpula oposicionista, mas desqualificou o magnata imobiliário: "Tem de haver um ponto em que vocês digam que alguém que faz estes tipos de declarações não tem o julgamento, o temperamento e a compreensão para ocupar o cargo mais poderoso do mundo."

Os adversários de Obama, McCain em 2008 e o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney em 2012, são políticos tradicionais e moderados.

"Houve presidentes republicanos dos quais discordei, mas não tinha dúvida de que poderia servir como presidentes", declarou Obama. "Acredito que eu estava certo e que Romney e McCain estavam errados em certas políticas, mas nunca pensei que eles não pudessem ser presidentes", observou.

"Se tivessem ganho", continuou o presidente, "eu ficaria desapontado, mas diria aos americanos: este é seu presidente e sei que vai respeitar certas regras e normas do senso comum, terá um mínimo de decência e conhecimento suficiente sobre política econômica, política externa, nossas tradições constitucionais e o Estado de Direito, que o governo vai funcionar e que daqui a quatro anos vamos disputar de novo e tentar ganhar a eleição."

A realidade hoje é muito mais grave, advertiu o presidente: "Esta não é a situação e não é apenas a minha opinião. É a opinião de muitos republicanos eminentes. Chega um ponto em que é preciso dar um basta. A alternativa é que todo o partido, o Partido Republicano, endosse e valide efetivamente as posições que têm sido articuladas por Donald Trump. E como eu disse no meu discurso da semana passada, não acredito que representem realmente as visões de uma grande quantidade de republicanos."

Trump respondeu com um duplo ataque contra Obama e sua ex-secretária de Estado Hillary Clinton: "Obama e Clinton sozinhos desestabilizaram o Oriente Médio, entregaram o Iraque, a Líbia e a Síria ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante, e permitiram o massacre de nosso pessoal em Bengázi. Eles produziram a pior recuperação desde a Grande Depressão (1929-39). Nosso país tem sido humilhado no exterior ameaçado pelo Islã radical trazido para nossos portos. Precisamos mudar agora."

Ontem, em mais um gesto grosseiro, Trump expulsou um bebê de um comício. Depois de brincar dizendo que não havia problema porque gosta de choro de criança, num rasgo autoritário, não resistiu: "Tirem daqui este bebê."

Trump não apoia Paul Ryan e John McCain

Apesar das promessas da unidade na convenção nacional, o Partido Republicano está em guerra aberta em torno da candidatura do problemático e instável bilionário Donald Trump. O magnata imobiliário não está apoiando o presidente da Câmara, deputado Paul Ryan, nem o senador John McCain, ex-candidato à Casa Branca, nas eleições primárias do partido para a Câmara e o Senado.

Quando Trump atingiu o número necessário de delegados para garantir a candidatura à Presidência dos Estados Unidos, Ryan relutou em apoiá-lo. No primeiro momento, declarou que ainda não estava pronto.

Depois de se reunir com Trump, Ryan endossou o candidato oficial do partido como única alternativa para derrotar a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, do Partido Democrata. Em seu discurso na convenção, apoiou Trump, mas se concentrou mais na defesa dos valores conservadores do Partido Republicano, nem sempre respeitados pelo candidato.

Mesquinho e vingativo, Trump pagou com a mesma moeda. Elogiou Paul Nehlen por "uma excelente campanha" e questionou Ryan: "Gosto de Paul, mas este é um momento terrível para nosso país. Precisamos de uma liderança muito forte. Precisamos de uma liderança muito, muito forte. Ainda não estou pronto."

O candidato briga com a cúpula republicana no momento em que o presidente Barack Obama o declarou "inapto"e "totalmente despreparado" para governar os EUA depois do bate-boca com a família muçulmana do capitão americano Humayun Khan, morto no Iraque.

John McCain ficou indignado. Veterano de guerra, ele ficou mais de cinco anos preso no Vietnã. É considerado um herói de guerra. Durante as eleições primárias para presidente, no debate com outros pré-candidatos, Trump questionou o heroísmo de McCain.

Na segunda-feira, McCain divulgou uma longa declaração denunciando os comentários de Trump sobre a família Khan como totalmente inadequados.

Em seu estilo de sempre atacar, nunca recuar nem se retratar ou pedir desculpas, o bilionário contra-atacou: "Nunca estive com John McCain porque sempre achei que ele deveria ter feito um trabalho muito melhor pelos veteranos. Ele não faz um bom trabalho pelos veteranos e sempre achei que deveria fazer. Então, sempre tive dificuldade com John por esta razão, nossos veteranos não estão sendo tratados adequadamente. Não estão sendo tratados com justiça."

McCain disputa em 30 de agosto uma eleição primária com a ex-senadora estadual Kelli Ward e a ativista do movimento radical de direita Festa do Chá Clair Van Steenwyk.

Terroristas atacaram Alemanha por ordem do Estado Islâmico

Eles pareciam lobos solitários, jovens radicalizados via Internet capazes de mimetizar atentados terroristas. Mas cada vez mais as autoridades da Alemanha suspeitam que eles atacaram sob ordens diretas da milícia terroristas Estado Islâmico do Iraque e do Levante, informa a revista alemã Der Spiergel.

Mohammad Daleel tinha 27 anos e parecia "amigável" aos assistentes sociais do governo alemão que lhe davam apoio. Apesar de seu pedido de asilo ter sido recusado, ganhava 320 euros por mês enquando aguardava a deportação.

Por trás de uma vida aparentemente tranquila, ao revistar seu apartamento, a polícia encontrou produtos químicos para fabricar bombas, detonadores e pilhas de notas de 50 euros. Horas antes, Daleel havia se detonado diante da sede de um festival de música em Ansbach, no estado da Baviera. Só ele morreu. Outras 15 pessoas saíram feridas.

O Estado Islâmico assumiu a autoria pelo atentado, descrevendo Daleel como um "soldado do Califado", mas as autoridades alemãs duvidaram: ele agiu sob a orientação do grupo terrorista ou a reivindicação foi oportunista?

A investigação descobriu contatos do terrorista por mensagem de texto com o Oriente Médio até pouco antes do atentado suicida. O interlocutor conhecia o plano de ataque e orientou Daleel para evitar que sua bolsa fosse revistada na entrada do festival de Ansbach.

Ao mesmo tempo, os publicitários do Estado Islâmico tinham em mãos um vídeo do homem-bomba jurando lealdade ao líder do grupo, Abu Baker al-Baghdadi, outro sinal de contato direto com o núcleo central da organização. Também é improvável que ele conseguisse fazer uma bomba sozinho, com as instruções da Internet apenas.

Daleel vivia em Ansbach há quase dois anos. Conseguiu adiar a deportação para a Bulgária devido a problemas psicológicas e sequelas de ferimentos sofridos na guerra civil da Síria. Agora, as autoridades alemãs querem saber se ele era realmente um extremista muçulmano ou se o Estado Islâmico se aproveitou de uma pessoa vulnerável.

A mesma linha de investigação tenta esclarecer se Riaz Khan, um jovem exilado afegão de 17 anos, tinha o mesmo perfil, se tinha contatos com o grupo no Oriente Médio.

Dias antes de atacar um trem perto da cidade de Würzburg, na mesma Baviera, ferindo gravamente quatro pessoas com uma faca e um machado, Khan passava longos períodos no telefone. Aos pais adotivos alemães da cidade de Gaukönigshofen, disse que havia morrido um amigo no Afeganistão.

Khan estava em observação desde junho, quando foi acusado de puxar uma faca numa discussão sobre um console de videogame. Apesar disso e de outra briga num alojamento para refugiados, ele deixou boa impressão nos assistentes sociais como um jovem "positivo, altruísta, motivado e aberto". Seu responsável registrou "grandes progressos".

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Governo é suspeito de ataque químico na guerra civil da Síria

Um helicóptero fez ontem um ataque com armas químicas na cidade de Saraquebe, na província de Idlibe, informou a televisão pública britânica BBC citando fontes médicas. Dois barris foram jogados na cidade, que fica perto do local onde um helicóptero militar da Rússia havia sido abatido horas antes.

Cerca de 30 casos de intoxicação por cloro foram confirmados por um médico local. A maioria das vítimas é mulher ou criança.

Não foi o primeiro ataque químico a Saraquebe. Em 2013, houve outro bombardeio com cloro à cidade na guerra civil da Síria. A ditadura de Bachar Assad nega.

A Convenção Internacional para Proscrição de Armas Químicas proíbe o uso de armas contendo cloro, um elemento que irrita os olhos e a pele, sufocamento e faz botar sangue pela boca. De 270 a 400 mil pessoas foram mortas em cinco anos e cinco meses de guerra civil na Síria.

Japão lança plano de estímulo de US$ 280 bilhões

O governo do primeiro-ministro Shinzo Abe aprovou um novo pacote de estímulo econômico de 28,1 trilhões de ienes, cerca de US$ 280 bilhões ou R$ 912 bilhões. Só para este ano, estão previstos investimentos de 4,6 trilhões de ienes, US$ 45 bilhões ou R$ 147 bilhões, noticiou a agência de notícias Kyodo.

Do total, 6,2 trilhões de ienes, cerca de US$ 62 bilhões ou R$ 202,7 bilhões serão novos gastos públicos, distribuídos desta forma: 2,5 trilhões para gastos previdenciários, 1,7 trilhão em infraestrutura, 0,6 trilhão para pequenas e médias empresas abaladas pela saída do Reino Unido da União Europeia e 2,7 trilhões de ienes para reconstrução depois do terremoto na ilha de Kyushu.

Abe, no poder desde dezembro de 2012, luta contra a estagnação e a deflação, duas pragas da terceira maior economia do mundo desde os anos 1990s. O Japão também sofre com o envelhecimento da população. Hoje há três trabalhadores ativos para um aposentado. Até 2050, serão dois para um.

EUA intensificam bombardeios ao Estado Islâmico na Líbia

É uma escalada na guerra na Líbia contra a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Os Estados Unidos bombardearam as posições do grupo na cidade de Sirte, a terra natal do falecido ditador Muamar Kadafi, anunciou ontem em Washington o Departamento da Defesa.

A Força Aérea dos EUA havia atacado militantes do Estado Islâmico, mas não as principais posições militares ocupadas pela milícia jihadista. Em novembro de 2015, bombardeou uma reunião de líderes do grupo. Em fevereiro de 2016, foi a vez de um campo de treinamento em Sábrata.

Desta vez, o bombardeio foi pedido pelo Governo do Acordo Nacional, o governo reconhecido internacionalmente da Líbia, que vive em estado de anarquia desde a queda de Kadafi há cinco anos, com diversas milícias disputando o poder.

Há três meses, milícias leais ao governo líbio reconhecido internacionalmente, principalmente da cidade de Missurata, combatem o Estado Islâmico em Sirte. A Força Aérea dos EUA pode fazer a diferença.

Apesar de controlar Sirte desde fevereiro de 2015, a posição do Estado Islâmico na Líbia é frágil. O grupo tem cerca de 5 mil homens armados no país, mas muitos seriam voluntários sem treinamento militar. Há notícias sobre execuções de desertores e jihadistas tirando a barba para fugir e desaparecer em meio à população civil.

Os EUA estão trocando informações com o governo do primeiro-ministro Fayez al-Sarraj e outras forças que lutam contra o Estado Islâmico na Líbia. A milícia de Missurata, que está na linha de frente na guerra contra o Estado Islâmico, recebeu treinamento militar.

É possível e até provável que o Estado Islâmico perca sua base em Sirte. O maior problema é que a Líbia está longe de ter um governo estável. O Governo do Acordo Nacional controla a capital, Trípoli, e o Oeste do país, mas não o Leste.

Em 20 de julho, três soldados de forças de operações especiais da França morreram na queda de um helicóptero de forças do general Khalifa Hifter, que combate milícias jihadistas em Bengázi, a segunda maior cidade líbia, que fica no Leste. O governo francês escondia seu envolvimento na guerra civil líbia.

Cinco anos depois da queda de Kadafi, a Líbia ainda está em anarquia e guerra civil. Fala-se até na volta de seu filho Seif al-Islam Kadafi, que teria o apoio de algumas tribos.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Cristãos viram alvos prioritários do Estado Islâmico

Na sua 15ª edição, sob o título Quebrando a Cruz, a revista Dabiq, porta-voz da milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, declara guerra ao cristianismo e a ideologias ocidentais como o liberalismo, o secularismo, o ateísmo e o feminismo, revelou o Clarion Project, que combate o extremismo muçulmano. 

Sem dúvida, isso tende a estimular ataques como o assassinato de um padre na cidadezinha de Saint-Etienne-du-Rouvray, na França, na semana passada.

Por um lado, a revista pressiona a população da Europa a "abandonar sua infidelidade e aceitar o Islã, a religião da sinceridade e da submissão ao Senhor dos Céus e da Terra".

De outro, promete uma guerra santa permanente aos infiéis que não aceitarem sua versão sanguinária do islamismo: "Convocamos vocês a refletirem sobre estas questões enquanto os cavaleiros sedentos de sangue do Califado continuam sua guerra justa de terror contra vocês."

Os artigos e reportagens da última Dabiq incluem Por que odeio vocês e luto contra vocês e uma história de conversão, Por que vim para o Islã, em que a personagem é uma cristã finlandesa que adere ao Islã. O texto destaca inconsistências do cristianismo diante da suposta pureza e simplicidade do Islã.

No desafio teológico ao cristianismo, o Estado Islâmico investe contra o que considera o "absurdo" da Santíssima Trindade (pai, filho e espírito santo) e contra uma suposta corrupção da Bíblia ao longo da história por judeus e cristãos. Na tradição muçulmana, o Corão foi ditado por Alá ao profeta Maomé, assim é a expressão direta da palavra de Deus.

O ataque aos cruzados, uma reminiscência da Cruzadas, as guerras dos cristãos para tentar reconquistar Jerusalém durante a Idade Média, acontece no momento em que o Estado Islâmico perde territórios nas guerras civis no Iraque e na Síria e aumenta os atentados terroristas no resto do mundo, especialmente na Europa, mas não só lá.

A Olimpíada do Rio de Janeiro é um alvo potencial por causa da presença de estrangeiros visados e do clima de confraternização universal e competição sadia pelo esporte, contrários à ideologia salafista do Estado Islâmico, que gostaria de recriar o mundo no modelo da Arábia do século 7, no tempo do profeta Maomé.

Hillary recupera vantagem depois da convenção democrata

A ex-secretária de Estado Hillary Clinton voltou a abrir vantagem sobre o magnata imobiliário Donald Trump. Em pesquisa da rede de televisão americana CNN divulgada depois das convenções nacionais que oficializaram as candidaturas dos grandes partidos à Casa Branca, Hillary tem agora 52% das preferências contra 43% para Trump.

Para o matemático Nate Silver, que acertou o resultado das duas últimas eleições presidenciais nos Estados Unidos, o impulso pós-convenção de Hillary parece ser maior do que o de Trump, que foi de 3 a 4 pontos percentuais.

Hillary sai da fase das convenções mais forte do que entrou, acrescenta Silver, que usa modelos matemáticos alimentados por dados de várias pesquisas. Ela liderava por 6 a 7 pontos em junho, mas perdeu terreno no início de julho com a crítica do FBI, a polícia federal americana, ao uso de contas privadas de correio eletrônico quando era secretária de Estado.

O Instituto Gallup foi além. Constatou que é provável que menos eleitores votem em Trump depois da convenção do Partido Republicano.

Nos últimos dias, o candidato republicano entrou numa discussão desgastante com o pai de um soldado americano morto no Iraque que defendeu os muçulmanos em discurso na convenção democrata.

Trump chegou a criticar a mãe, que ficou calada, alegando que o Islã manda as mulheres serem submissas. Ela disse que a imagem era suficiente para expressar sua dor. O bilionário não ganha nada ao bater boca com a família de um soldado morto. Trump é incorrigível.

Aliança rebelde lança contraofensiva em Alepo

Uma aliança de grupos que lutam contra a ditadura de Bachar Assad na guerra civil da Síria lançaram ontem uma contraofensiva para tentar reabrir linhas de suprimento para áreas da cidade de Alepo em poder dos rebeldes, noticiou hoje a agência Reuters.

A coalizão reúne os grupos Ahrar al-Cham (Movimento dos Homens Livres do Levante), Jabhat Fatah al-Cham (Frente de Luta no Levante), a antiga Frente al-Nusra, e o Exército da Síria Livre, este último apoiado pelos Estados Unidos e seus aliados europeus.

Centenas de milhares de civis vivem em áreas controladas pelos rebeldes, que estão sob bombardeio das forças do governo e da Força Aérea da Rússia. A Batalha de Alepo é a mais violenta da guerra civil síria no momento. Nem o governo nem os rebeldes querem ceder suas posições na cidade.

Em mais de cinco anos, a guerra civil na Síria matou um total de pessoas estimado em 270 a 400 mil. Quase 5 milhões fugiram do país.

Rebeldes sírios derrubam helicóptero da Rússia

Um helicóptero militar da Rússia com cinco militares russos a bordo foi derrubado hoje quando passava por uma área controlada por rebeldes na província de Idlibe, na Síria, anunciou em Moscou o Ministério da Defesa, citado pela Agência France Presse (AFP). Não há sobreviventes.

De acordo com o governo da Rússia, o helicóptero Mi-8 voltava para sua base depois de entregar ajuda humanitária na cidade de Alepo, onde está sendo travada a maior batalha do momento na guerra civil síria. O grupo responsável pelo ataque não foi identificado.

A segunda cidade mais importante da Síria está cercada por forças leais ao governo, que conta com o apoio da Força Aérea da Rússia. No fim de semana, "corredores de ajuda humanitária" foram abertos pela ditadura de Bachar Assad e seus aliados russos. A medida foi criticada como uma pressão para a saída da população civil da cidade arrasada para diminuir as baixas durante o assalto final a Alepo.

Preço do petróleo cai abaixo de US$ 40 pela primeira vez desde abril

O barril de petróleo do Golfo do México tipo West Texas Intermediate, padrão da Bolsa Mercantil de Nova York, caiu hoje à tarde abaixo de US$ 40 pela primeira vez desde abril. Com queda de mais de 4%, chegou a ser cotado em US$ 39,86, noticiou o jornal britânico Financial Times.

As preocupações sobre o excesso de oferta de petróleo bruto e de gasolina e o fraco consumo nos Estados Unidos durante as férias de verão no Hemisfério Norte levaram a uma queda de 14% nos preços internacionais do petróleo em julho.