sexta-feira, 18 de maio de 2007

François Fillon será primeiro-ministro da França

O ex-ministro François Fillon, chefe da campanha do presidente Nicolas Sarkozy, foi nomeado primeiro-ministro da França na quinta-feira de manhã, quando correu com o presidente.

Sua primeira missão será garantir a vitória do novo governo nas eleições parlamentares de 10 e 17 de junho. Ex-seguidor de Philippe Séguin, Edouard Balladur e Jacques Chirac, é considerado a "face menos detestável" do grupo mais chegado ao presidente. Em janeiro, Sarkozy lhe avisou que iria indicá-lo chefe de governo se fosse eleito presidente.

Há dois anos, conta o jornal Le Monde, ele se instalou no número 10 da Downing Street, em Londres, residência oficial do primeiro-ministro britânico para ver como funcionava o governo Tony Blair. Foram dois dias de observações.

"Eles não apenas são mais simples e informais do que o governo francês", comentou Fillon. "Também havia uma paridade extraordinária entre tecnocratas clássicos e formuladores de políticas, freqüentemente universitários brilhantes. Temos de chegar lá na França."

Com a personalidade hiperativa e dominadora de Sarkozy, Fillon sabe de onde virá a luz do governo francês. A União por um Movimento Popular, partido do presidente, fez campanha prometendo uma "ruptura tranqüila": "a ruptura é Nicolas; a tranqüilidade, François", disse o deputado Dominique Paillé.

Uma frase freqüente nos seus discursos: "Não há vitória política sem vitória ideológica". Mais importante é a batalha de idéias.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Bush admite culpa por queda de Blair

Ao receber Tony Blair pela última vez na Casa Branca como primeiro-ministro britânico, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, admitiu que Blair foi vítima da lealdade ao próprio Bush. Blair pediu demissão por causa da rejeição do eleitorado britânico à guerra no Iraque. Diante da pergunta, Bush hesitou mas reconheceu sua responsabilidade.

Para tentar se recuperar, Bush contou que, quando chegou ao poder, em 2001, Blair lhe ajudou entender melhor diversos problemas e a focar melhor sua visão, e se ofereceu para fazer o mesmo com Gordon Brown. Só que isso é tudo o que o futuro primeiro-ministro britânico não quer.

Durante sua campanha para conquistar a liderança trabalhista, Brown declarou que naturalmente pretende construir uma relação construtiva com o presidente dos EUA, sem mencionar nunca o nome de Bush.

Brown garante liderança do Partido Trabalhista

Sem adversários, o ministro das Finanças do Reino Unido, Gordon Brown, garantiu ontem a vitória na disputa da liderança do partido e da sucessão de Tony Blair também como primeiro-ministro.

O jornal inglês The Independent sugere hoje que a transferência do poder seja imediata para que a Grã-Bretanha não tenha de esperar até 27 de junho para a saída de Blair, agora que a transição está em andamento.

Israel ataca em meio à guerra civil palestina

Pelo menos 25 palestinos foram mortos nesta quarta-feira e 44 desde sexta-feira passada no confronto entre o Fatah (Luta), do presidente Mahmoud Abbas, e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), do primeiro-ministro Ismail Haniyeh, pelo controle da Faixa de Gaza. Neste clima de guerra civil, Israel aproveitou para atacar células e bases de lançamento de mísseis do Hamas.

O maior bombardeio aéreo israelense desde que foi declarada uma trégua em novembro alvejou um prédio usado pela Força Executiva do Hamas na cidade de Rafah, no Sul da Faixa de Gaza, matando quatro militantes. Israel declarou que o ataque nada teve a ver com o conflito interno palestino. Grupos radicais teriam disparados foguetes contra Israel, talvez com a intenção de atrair os israelenses para a luta.

Para os analistas, o risco é de uma guerra civil generalizada, do colapso do governo de união nacional formado há dois meses e da própria Autoridade Nacional Palestina.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Príncipe Harry não vai mais à guerra

Por causa de "uma série de ameaças específicas" contra ele, o príncipe Harry, terceiro na linha de sucessão ao trono do Reino Unido, não será mais enviado para a guerra no Iraque, anunciou hoje em Londres o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas britânicas, general Richard Dannatt. Um porta-voz declarou que o jovem príncipe de 22 anos, filho mais moço de Charles e Diana, está "muito desapontado".

"As ameaças submeteriam o príncipe e quem estivesse com ele a um grau de risco que considerei inaceitável", explicou o mais alto general britânico.

Harry graduou-se no ano passado na prestigiada Academia Militar Real de Sandhurst e quis ir para a guerra no Iraque. Ele comandaria uma tropa de 12 soldados distribuídos em quatro blindados de reconhecimento na cidade de Bássora, no Sul do Iraque, região sob o controle do Exército Real.

Um ataque terrorista contra o príncipe seria desastroso para o Reino Unido, onde o primeiro-ministro Tony Blair acaba de cair por causa da impopularidade da guerra.

Wolfowitz já negocia sua demissão

Depois de muita resistência, o presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz, acusado de corrupção, nepotismo e tráfico de influência por ter conseguido um grande aumento de salário para a namorada, está negociando os termos de sua demissão. Sua sorte seria decidida hoje mas, a pedido dos Estados Unidos, a reunião do Conselho Diretor do banco foi adiada para amanhã.

Ex-subsecretário da Defesa dos Estados Unidos no primeiro governo George W. Bush, Wolfowitz foi um dos principais arquitetos da invasão do Iraque. Com o fracasso da ocupação, em janeiro de 2005 foi nomeado para a Presidência do Banco Mundial, onde chegou prometendo combater a corrupção.

Agora, alega estar sendo perseguido por causa de seu papel na guerra. Várias vezes, ele tentou "passar adiante deste conflito de interesses" dizendo que queria discutir suas políticas. Mas os países europeus não aceitam que o homem que chegou ao Banco Mundial para combater a corrupção nos países pobres que desviam os empréstimos e ajudas externas que recebem seja pego em flagrante e finja não ter feito nada de errado.

Para sair, Wolfowitz estaria exigindo o reconhecimento dos supostos méritos de seu trabalho à frente do banco.

Pela tradição, os EUA indicam o presidente do Banco Mundial e a Europa o diretor-geral do Fundo Monetário Internacional.

Vacas produzem mais ao som de Mozart

A música romântica do Concerto para Flauta e Harpa em Ré Maior de Mozart está aumentando a produção de leite numa fazenda na Espanha. Além da obra do compositor austríaco, o rebanho de 700 vacas do suíço Hans-Pieter Sieber em Villanueva del Pardillo, perto de Madri, tem direito a banho relaxante, camas de água, temperatura ambiente de 29ºC e a atenção de um psicólogo para animais.

Agora essas vacas produzem 30 a 35 litros de leite por dia, acima de média de 29 litros nas outras fazendas.

"Se você dá mais conforto às vacas, elas rendem mais", justificou Sieber, que é casado com uma espanhola. "O leite comum não tem muito gosto nem cheiro. Por isso, lançamos este método".

Os médicos do Hospital Alcorcón, na capital espanhola, estão estudando para ver se o método produziu uma melhora na qualidade leite. Eles acreditam que um leite de melhor qualidade pode acelerar a recuperação de pacientes com problemas digestivos.

Sarkozy toma posse prometendo pleno emprego

O novo presidente da França, Nicolas Sarkozy, tomou posse hoje para cumprir um mandato de cinco anos, prometendo pleno emprego. Acusado de ser um direitista radical, Sarko sondou dois socialistas para o cargo do ministro das Relações Exteriores, o que desgostou parte de sua equipe.

Gordon Brown sai da sombra de Tony Blair

O Partido Trabalhista britânico reage nas pesquisas. Desde o anúncio oficial da saída do primeiro-ministro Tony Blair e do lançamento da candidatura do ministro das Finanças, Gordon Brown, como sucessor na liderança trabalhista e do governo, o partido subiu quatro pontos percentuais. Com 33% das preferências contra 37% da oposição conservadora, está praticamente empatado, considerando-se a margem de erro da pesquisa.

Pelo sistema político do Reino Unido, como os trabalhistas tem ampla maioria, 354 dos 645 deputados da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, Brown não precisa convocar eleições gerais para assumir a chefia do governo. Dias depois de Blair pedir demissão à rainha, em 27 de junho, Elizabeth II deve pedir ao novo líder trabalhista que forme um governo.

Numa escala de 0 a 10, os eleitores entrevistados na pesquisa deram nota 5 para Brown, logo acima de Cameron, com 4,95, mas abaixo de Blair, que ficou em primeiro com 5,22.

Seu desafio é reconquistar o eleitorado para dar legitimidade a seu governo e retomar a liderança nas pesquisas sobre as próximas eleições gerais. Sua tendência seria convocar eleições antecipadas para 2009, um ano antes do final do mandato dos atuais deputados.

Primeiro, ele se dedica à disputa interna trabalhista. Até o momento, não tem oposição. Brown recebeu o apoio de 282 dos 354 deputados do partidos. O esquerdista John McDonell tem 27 indicações. Precisa de pelo menos 45 para entrar na cédula.

Como as candidaturas precisam ser registradas até quinta-feira, 17 de maio, Brown pode ser coroado sucessor de Blair ainda nesta semana.

Na disputa pela vice-liderança, o ministro da Educação, Alan Johnson, tem 64 indicações, seguido pela secretária de Justiça, Harriet Harman, com 60, o secretário para a Irlanda do Norte, Peter Hain, com 49, e o presidente do partido, Hazel Bleares, com 48. Com 44, John Cruddas só precisa de mais um deputado, enquanto o secretário para o Desenvolvimento Internacional, Hillary Benn, tido inicialmente como favorito, tinha apenas 34 votos.

James Gordon Brown, o futuro primeiro-ministro britânico, nasceu na Escócia em 20 de janeiro de 1951. Seu pai era ministro da Igreja da Escócia. Aos 16 anos, foi aceito para estudar História na Universidade de Edimburgo. Um descolamento da retina, provavelmente causado por um jogo de rúgbi, o deixou cego do olho esquerdo, apesar de várias cirurgias.

Brown graduou-se com distinção e louvor e ficou na faculdade até completar seu doutorado, com tese sobre O Partido Trabalhista e a Mudança Política na Escócia de 1918-29. Seu plano inicial era falar do movimento trabalhista desde o século 17 mas moderou suas ambições.

Antes de entrar na política, Brown foi professor universitário e jornalista de televisão. Em 1979, perdeu a eleição para Michael Ancram. Em 1983, chegou ao Palácio de Westminster, onde dividia o gabinete com o jovem Tony Blair.

Leia a íntegra na minha coluna internacional no Baguete.

Reuters aceita oferta de US$ 17 bilhões da Thomson

O grupo Reuters, que incuiu uma das principais agências de notícias do mundo, aceitou uma proposta de compra do grupo canadense Thomson no valor de US$ 17,2 bilhões.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Morre líder fundamentalista americano

O pastor Jerry Falwell, um dos televangelistas que levou a direita cristã a se tornar uma força política nos Estados Unidos ao fundar a Maioria Moral, morreu do coração hoje aos 73 anos. Ele foi encontrado inconsciente em seu gabinete na Liberty University, em Lynchburg, no estado da Virgínia.

Fundamentalista cristão, defendia o criacionismo em vez da Teoria da Evolução das Espécies, de Darwin, para explicar a origem da vida. Chegou a descrever a Síndrome de Deficiência Imunológica Adquirida (Aids) como um castigo de Deus para os homossexuais e a afirmar que a causa profunda dos atentados de 11 de setembro de 2001 foi a suposta decadência moral da sociedade americana.

Irã expande programa nuclear

Em uma inspeção de supresa, técnicos da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) descobriram que o Irã superou problemas técnicos de seu programa nuclear e está expandindo rapidamente o enriquecimento de urânio, revela hoje o jornal The New York Times.

De acordo com diplomatas e especialistas, a central nuclear iraniana de Natanz já está usando 1,3 mil centrífugas para produzir combustível nuclear para reatores e 164 novas centrífugas são agregadas por semana. Neste ritmo, o Irã pode ter 3 mil centrífugas em operação em junho. É o suficiente, se o urânio for enriquecido a um teor mais elevado, superior a 90%, para fabricar uma bomba atômica por ano.

"Acredito que eles já tem o conhecimento sobrer como enriquecer" urânio, admitiu o diretor-geral da AIEA, Mohammed ElBaradei, do Egito, que há quatro anos negou que o Iraque tivesse retomado seu programa nuclear, como acusavam os Estados Unidos antes da queda de Saddam Hussein. "Daqui em diante, é só uma questão de aperfeiçoar esse conhecimento. Há quem não goste de ouvir isso, mas é a realidade".

O Irã nega que esteja desenvolvendo armas nucleares, mas foi submetido a sanções pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas por se negar a parar de enriquecer urânio. Na semana passada, o vice-presidente americanos, Dick Cheney, advertiu mais uma vez que os EUA não permitirão que a república islâmica do Iraque tenha armas atômicas.

Já em 1998, quando visitei a sede da AIEA, em Viena, seus funcionários diziam não ter indícios de que o Iraque teria retomado suas atividades nucleares, enquanto o Irã estaria desenvolvendo a bomba.

DaimlerChrysler dobra lucro

Apesar da crise no seu braço americano, vendido ontem, a indústria automobilística DaimlerChrysler mais do que dobrou seus lucros no primeiro trimestre do ano para US$ 2,64 bilhões, com os ganhos da divisão alemã Mercedes-Benz superando o prejuízo de US$ 1,99 bilhão da americana Chrysler.

A empresa anunciou ontem a venda da Chrysler por US$ 7,4 bilhões para o fundo de investimentos Cerberus, nove anos depois de comprar a terceira maior fábrica de automóveis americana por US$ 36 bilhões. Na prática, vai pagar US$ 650 milhões para se ver livre de um passivo de US$ 18 bilhões com planos de saúde e de previdência de seus empregados.

Inflação americana fica dentro do esperado

Com quedas nos preços de cigarros, roupas e passagens aéreas, o núcleo do índice de inflação para o consumidor nos Estados Unidos, excluídos alimentos e energia, foi de 0,2% em abril, dentro da expectativa do mercado, projetando uma taxa anual de 2,3%, a menor em 12 meses mas ainda um pouco acima da meta não-oficial do Federal Reserve Board (Fed), banco central americano, que é de 1% a 2% ao ano. O núcleo do índice pleno ficou em 0,4% e a inflação anual, sem expurgos, em 2,6%.

Diante da crise no mercado imobiliário, diante do número de imóveis desocupados, os preçós dos aluguéis tiveram o menor aumento em mais de um ano. A confiança dos construtores de casas é a menor em 16 anos.

Esses dados reforçam a expectativa da maioria dos economistas de que o Fed vai manter sua taxa básica de juros inalterada em 5,25% ao ano na próxima reunião do Comitê do Mercado Aberto.

Sobrevivência de cancerosos dobrou em 30 anos

A possibilidade de sobreviver 10 anos depois de um diagnóstico de câncer dobrou nos últimos 30 anos, anunciou hoje em Londres a organização beneficiente Cancer Research UK.

Os índices de sobrevivência variam de acordo com o tipo de câncer. Na média, os pacientes com câncer no Reino Unido têm 46,2% de viver 10 anos ou mais depois de descobrirem a doença; há 30 anos, tinham 23,6% de chance. A taxa de sobrevivência por mais de 5 anos para todos os cânceres subiu de 28% para 49,6%.

Depois de compilar os dados coletados de 1971 a 2001, o professor Michael Coleman, da London School of Hygiene and Tropical Medicine, a Faculdade de Higiene e Medicina Tropical da Universidade de Londres, observou que é preciso examinar os detalhes para avaliar a evolução do tratamento dos diferentes tipos de câncer.

Enquanto os cânceres de pâncres e pulmão praticamente não apresentaram melhora, "os índices de sobrevivência para o câncer de seio melhoraram significativamente", comentou o médico. Quase dois terços das mulheres diagnosticadas com a doença sobrevivem hoje mais de 20 anos.

As taxas de sobrevivência para 5 anos variam de 2,5% para o câncer de pâncreas a 95% para o câncer nos testículos.

Para a organização não-governamental, a evolução no tratamento do câncer explica-se por vários fatores:
• diagnóstico precoce,
• novos métodos radiológicos usados em checkups,
• maior uso de cirurgias especializadas e
• avanços em quimioterapia e radioterapia.

Gordon Brown recupera prestígio dos trabalhistas

O anúncio da demissão do primeiro-ministro Tony Blair e o lançamento da candidatura do ministro das Finanças, Gordon Brown, para sucedê-lo na chefia do partido e do governo melhorou a posição dos trabalhistas nas pesquisas sobre as próximas eleições gerais, que não precisam ser convocadas até 2010. Em pesquisa divulgada hoje pelo jornal The Times, de Londres, Brown foi considerado melhor primeiro-ministro em potencial do que o líder conservador, David Cameron.

Com quatro pontos percentuais a mais do que no mês passado, os trabalhistas têm hoje 33% contra 37% para os conservadores, ou seja, estão praticamente empatados, levando-se em conta a margem de erro da pesquisa.

Numa escala de 0 a 10, os eleitores entrevistados na pesquisa deram nota 5 para Brown, logo acima de Cameron, com 4,95, mas abaixo de Blair, que ficou em primeiro com 5,22.

Brown deve suceder Blair em 27 de junho, depois de uma eleição interna no Partido Trabalhista. Como o partido tem maioria na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, será automaticamente indicado para ser o novo primeiro-ministro, sem necessidade de realização de eleições gerais.

Seu desafio é conquistar o eleitorado para que o partido retome a liderança nas pesquisas. Neste caso, a tendência de Brown seria convocar eleições antecipadas para 2009, um ano antes do final do mandato dos atuais deputados.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Islamitas ameaçam matar soldados americanos

O Estado Islâmico do Iraque - uma aliança de grupos rebeldes xiitas que inclui Al Caeda no Iraque - divulgou uma declaração nesta segunda-feira dizendo que tem em seu poder três soldados americanos e advertindo que as forças dos Estados Unidos devem suspender as operações de busca.

"Seus soldados estão em nossas mãos", diz a nota publicada hoje na Internet. "Se vocês quiserem a segurança de seus soldados, não os procurem".

Os soldados estão desaparecidos desde que foram alvo de uma emboscada quando viajavam num comboio militar ao sul de Bagdá. Quatro militares americanos e um iraquiano foram mortos nos arredores de Mahmoudia.

Na declaração, que prevê que "a batalha entre vocês e nós será longa", o Estado Islâmico do Iraque considera o ataque uma vingança pelas "mortes, detenções, as prisões de Abu Ghraib e Bucca".

Em Bagdá e Bacuba, pelo menos 12 pessoas foram mortas e outras 24 saíram feridas hoje em outros ataques.

Daimler-Benz vende a Chrysler por US$ 7,4 bilhões

A DaimlerChrysler concordou hoje em vender 80% de sua participação na Chrysler, terceira maior fábrica de automóveis dos Estados Unidos, para o fundo de investimentos Cerberus Capital Management por US$ 7,4 bilhões.

Há nove anos, a Daimler-Benz pagou US$ 36 milhões pela Chrysler. A aquisição criou a quinta maior indústria automobilística do mundo. Mas o casamento não deu certo.

É a primeira vez que um fundo de investimentos dá um salto desses no escuro, notou o jornal The New York Times. O mercado se pergunta agora se o Cerberus será capaz de salvar uma das três grandes fábricas de automóveis dos Estados Unidos, no momento em que a japonesa Toyota acaba de ultrapassar a General Motors para se tornar a maior do mundo no setor.

Guerra civil derruba ministro palestino

O ministro do Interior da Autoridade Nacional Palestina, Hani Kawasmeh, pediu demissão hoje, acusando os líderes da Fatah (Luta) e do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) de minarem os esforços para conter a onda de violência. Desde ontem, pelo menos seis palestinos foram mortos e outros 50 feridos em choques entre militantes dos dois principais partidos políticos palestinos.

Kawasmeh, um funcionário público de carreira indicado pelo Hamas como ministro independente, já havia ameaçado renunciar por causa da violência na Faixa de Gaza.

Essa nova onda de violência política recria o clima de guerra civil entre o Fatah, do presidente Mahmoud Abbas, e o Hamas, do primeiro-ministro Ismail Haniyeh, depois da paz mediada em fevereiro na cidade sagrada de Meca pelo rei da Arábia Saudita, que levou à formação de um governo de união nacional em março.

As duas facções anunciaram um cessar-fogo a partir da manhã de hoje, mas não durou uma hora.

Reservas do Japão chegam a US$ 915 bilhões

As reservas cambiais do Japão (moedas fortes, ouro e direitos especiais de saque do Fundo Monetário Internacional) atingiram nível recorde pelo terceiro mês consecutivo em abril, crescendo US$ 6,67 bilhões para chegar a US$ 915,62 bilhões, informou hoje em Tóquio o Ministério das Finanças.

Com a queda do dólar, os eurobônus comprados pelo Japão passaram a valer mais.

Pelos dados do FMI, o Japão tem as segundas maiores reservas do mundo. Em fevereiro, quando o Japão tinha US$ 890 bilhões, a China, em primeiríssimo lugar, acumulava US$ 1,16 trilhão. A Rússia, beneficiada pela alta do petróleo e da energia, é o terceiro, com US$ 306,55 bilhões, seguida de Taiwan com US$ 268,7 milhões.

O Brasil, com as recentes compras de dólares pelo Banco Central para tentar controlar a desvalorização da moeda americana, tinha, em 2 de maio, US$ 122,389 bilhões de reservas, o suficiente para proteger o país de crises externas.

Desde a crise da Ásia, em 1997-98, os países asiáticos acumulam reservas e discutem até a possibilidade de ter seu próprio mecanismo de assistência financeira, afastando-se do FMI.

domingo, 13 de maio de 2007

EUA abrirão diálogo com o Irã

No início de uma visita histórica do presidente Mahmoud Ahmadinejad aos Emirados Árabes Unidos, o Irã confirmou que vai iniciar um diálogo com os Estados Unidos nas próximas semanas através de seus representantes em Bagdá. O porta-voz da Casa Branca Gordon Johndroe confirmou a notícia a bordo do avião presidencial, o Air Force One.

Os dois países não mantêm relações diplomáticas desde a invasão da Embaixada dos EUA em Teerã, em 1979, depois da Revolução Islâmica no Irã. "Com o objetivo de reduzir o sofrimento do povo iraquiano, apoiar o governo iraquiano e fortalecer a segurança no Iraque, o Irã vai conversar com o representante americano em Bagdá", declarou Mohammad Ali Husseini, porta-voz do Ministério do Exterior iraniano, citado pela Agência de Notícias República Islâmica.

Espera-se que o diálogo evolua para incluir negociações sobre o programa nuclear do Irã, suspeito de desenvolver armas nucleares.

Ségolène não será candidata à Assembléia Nacional

A candidata derrotada à Presidência da França, Ségolène Royal, não vai concorrer nas eleições parlamentares de 10 e 17 de junho. Não será assim líder da oposição ao presidente eleito, Nicolas Sarkozy.

Quem se apresenta liderar a bancada do Partido Socialista na nova Assembléia Nacional é o ex-ministro das Finanças Dominique Strauss-Kahn, derrotado por Ségolène nas eleições prévias do PS, em novembro do ano passado. Ele pretende trazer o partido mais para o centro, transformando-o de socialista em social-democrata. Promete uma oposição "ancorada na realidade".

sábado, 12 de maio de 2007

Conflitos de rua matam 27 no Paquistão

Pelo menos 27 pessoas foram mortas e outras 100 feridas na principal cidade do Paquistão, Caráchi, em choques entre manifestantes contra e a favor do governo do general Pervez Musharraf, enquanto o presidente do Supremo Tribunal, afastado por Musharraf, organizou um protesto apoiado por seus partidários.

O afastamento do ministro Iftikhar Chaudhry, em 9 de março, provocou revolta no Poder Judiciário e na oposição, Transformou-se no mais sério desafio à autoridade do ditador paquistanês, que tomou o poder num golpe de Estado em 1999.

Nos piores conflitos de rua no Paquistão em anos, houve disparos de metralhadoras em várias partes de Caráchi. Mais de 100 veículos foram incendiados.

De trás de um vidro a prova de bala, Musharraf falou para uma multidão de dezenas de milhares de pessoas na capital, Islamabad. Ele condenou a violência mas disse que não vai decretar estado de emergência porque conta com o apoio popular.

Cheney ameaça atacar o Irã

A bordo de um porta-aviões, a menos de 250 quilômetros do Irã, o vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, fez ontem nova ameaça de atacar a república islâmica para garantir as rotas marítimas de suprimento de petróleo, evitar que o país "tenha armas nucleares e domine a região".

Cheney foi direto em sua advertência: "Com dois grupos de combate naval liderados por porta-aviões no Golfo [Pérsico], estamos enviando mensagens claras a amigos e adversários. Vamos manter as rotas marítimas abertas. Vamos, junto com nossos amigos, nos opor ao extremismo e a ameaças estratégicas. Vamos desarmar ataques contra nossas próprias forças.Vamos continuar trazendo alívio aos que sofrem e aplicando justiça aos inimigos da liberdade. E vamos, com outros, impedir que o Irã tenha armas nucleares e domine esta região."

Para David Sanger, do jornal The New York Times, a ofensiva verbal de Cheney faz parte da estratégia dos EUA de pressionar fortemente o Irã enquanto deixa a porta aberta para negociações.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Vendas caem mas bolsa sobe nos EUA

As vendas no varejo caíram 0,2% em abril nos Estados Unidos e o núcleo da inflação no atacado ficou estável, o que provocou uma expectativa no mercado financeiro de que o Federal Reserve Board (Fed) corte sua taxa básica de juros, há meses parada em 5,25% ao ano.

Resultado: o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova Iorque, subiu hoje 111,09 pontos (0,8%), fechando em 13.326,22 pontos.

Saldo comercial chinês em abril: US$ 17 bilhões

A China anunciou hoje que seu saldo comercial praticamente dobrou em abril, chegando a US$ 16,88 bilhões, com exportações de US$ 97 bilhões e importações de US$ 81 bilhões. Em março, o saldo comercial tinha encolhido porque os exportadores haviam se antecipado a um aumento de impostos.

Assassinos de Jean Charles não serão punidos

Os 11 policiais que participaram da operação que terminou na morte do brasileiro Jean Charles de Menezes em Londres em 22 de julho de 2005, 15 dias depois dos atentados terroristas contra o sistema de transportes da capital britânica, não serão punidos, anunciou hoje a Comissão de Reclamações contra a Polícia do Reino Unido, um órgão independente.

Jean Charles tinha 27 anos. Foi baleado sete vezes na cabeça por um comando antiterrorista da Scotland Yard dentro de um trem do metrô de Londres. Quinze dias antes, em 7 de julho de 2005, quatro terroristas suicidas tinham cometido uma série de atentados que mataram 52 pessoas em três trens do metrô e num ônibus.

Na véspera, outra série de atentados fracassara. Jean Charles foi erradamente identificado como suspeito. Ele saiu de casa com uma jaqueta de brim, em pleno verão britânico. Isso foi considerado suspeito. O brasileiro poderia estar escondendo explosivos debaixo da roupa. Mas é normal que um brasileiro sinta frio à noite no verão londrino.

No ano passado, a Procuradoria da Coroa decidiu não processar criminalmente os policiais. Agora, a comissão declara que eles não serão submetidos a nenhuma ação disciplinar.

Brown lança campanha para liderar Reino Unido

O ministro das Finanças, Gordon Brown, lança hoje sua campanha para substituir Tony Blair na liderança do Partido Trabalhista e na chefia do governo britânico, a partir de 27 de junho. Blair anunciou publicamente sua demissão ontem, abrindo o processo sucessório interno que conduzirá Brown ao poder sem necessidade de novas eleições gerais.

De segunda a quinta-feira da próxima semana, os candidatos a líder do partido podem se inscrever. Até agora, a esquerda ainda não conseguiu reunir assinaturas de 40 deputados para apresentar candidato próprio. Se não conseguir, será a consagração de Brown dentro do partido.

Seu maior desafio será convencer a opinião pública que ele traz algo de novo e diferente depois de 10 anos de neotrabalhismo no poder, num momento em que o Partido Conservador lidera as pesquisas para as próximas eleições, que Brown não precisa convocar antes de 2010.

Blair faz balanço de 10 anos para YouTube

O primeiro-ministro demissionário Tony Blair fez um balanço de seus 10 anos no poder no Reino Unido, em entrevista produzida pelo Partido Trabalhista para divulgação no YouTube.

Vendas fracas derrubam Bolsa de Nova Iorque

A Bolsa de Valores de Nova Iorque fechou ontem com o índice Dow Jones em queda de 147,74 pontos (1,1%) para 13.215,13. Foi a primeira queda superior a 100 pontos desde meados de março.

Além da deterioração na balança comercial dos Estados Unidos em março depois de seis meses de melhora, os grandes varejistas anunciaram queda de vendas em abril, inclusive o Wal-Mart (-3,5%).

Dos 85 grupos varejistas que anunciaram seus resultados, 51 ficaram aquém da expectativa. Em média, a queda de vendas foi de 1,8%.

A balança comercial preocupa porque esperava-se que a desvalorização do dólar ajudasse a reduzir o déficit de comércio exterior dos EUA. Mas a conta petróleo aumentou muito, como diz outra nota abaixo.

Já as vendas no varejo são um termômetro importante porque o consumo privado é responsável por dois terços do produto interno bruto dos EUA, de US$ 13,3 trilhões.

Turquia aprova eleição presidencial direta

Para superar uma crise constitucional, depois que o Supremo Tribunal anulou a primeira votação da eleição presidencial indireta, o Parlamento da Turquia aprovou ontem uma série de reformas, inclusive a eleição direta do presidente.

Na primeira votação no Parlamento, ganhara o ministro do Exterior, Abdullah Gul, do mesmo partido islamita Justiça e Desenvolvimento, do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan.

A oposição secularista luta pela tradição laica da República da Turquia, fundada em 1923 por Mustafa Kemal Ataturk depois da dissolução do Império Otomano no fim de Primeira Guerra Mundial (1914-18). Boicotou a votação e recorreu ao Supremo Tribunal de Justiça, que anulou a eleição indireta, sob pressão das Forças Armadas.

"Foi um tiro na democracia", protestou Erdogan na ocasião. A solução foi aprovar a eleição direta do presidente.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Déficit comercial dos EUA cresceu 10% em março

Apesar da desvalorização do dólar, o déficit na balança comercial dos Estados Unidos cresceu 10%, passando de US$ 57,89 bilhões em fevereiro para US$ 63,89 bilhões em março, especialmente por causa do aumento dos preços do petróleo, informou hoje o Departamento do Comércio dos EUA.

As exportações americanas subiram 1,8%, chegando a US$ 126,23 bilhões. Mas as importações cresceram 4,5%, chegando a US$ 190,13 bilhões, com a conta da importação do petróleo aumentando de US$ 12,82 em fevereiro para US$ 17,19 bilhões, a mais alta dos últimos cinco meses.

Banco da Inglaterra eleva taxa de juros para 5,5%

Como esperado, o Banco da Inglaterra, o banco central do Reino Unido, acaba de elevador a taxa básica de juros da economia britânica, a quinta maior do mundo, de 5,25% para 5% para conter as pressões inflacionárias, já que o índice de preços consumidor do país está em torno de 3%, quando a meta de inflação é de 2% ao ano.

É a taxa básica de juros mais alta em mais de seis anos na Grã-Bretanha e a maior entre os países ricos.

Blair deixa governo britânico em 27 de junho

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, está falando no seu distrito eleitoral, em Sedgefield, no Norte da Inglaterra, e acaba de anunciar a data em que apresentará sua demissão à rainha Elizabeth II, 27 de junho, depois de ficar dez anos no poder.

Até lá, o Partido Trabalhista vai eleger um novo líder. Com certeza, será o ministro das Finanças, Gordon Brown.

Mais bem-sucedido líder trabalhista britânico, Blair se queimou ao participar da invasão do Iraque ao lado dos Estados Unidos de George Walker Bush. Ao se despedir, declarou: "Fiz o que fiz certo que de era o melhor para o país". Mas admitiu que o fracasso da intervenção do Iraque aumentou o terrorismo internacional, tornando o mundo um lugar menos seguro, o que o governo Bush não reconhece.

Europeísta, Blair tentou, sem muito sucesso, levar a Grã-Bretanha para o centro das decisões européias. Ao privilegiar a "relação especial" com os EUA, afastou-se da França e da Alemanha, o núcleo original da integração da Europa. Mas defendeu uma posição mais ativa no combate ao aquecimento global. Seu governo definiu como meta um corte de 60% nas emissões de gases carbônicos. Também lutou pelo desenvolvimento da África e pelo perdão da dívida dos países pobres.

Com as guerras no Kossovo, no Afeganistão e no Iraque, e a intervenção britânica na guerra civil em Serra Leoa, na África, Blair é o primeiro-ministro que mais mandou soldados do Reino Unido para a guerra desde Winston Churchill, na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Bolsas chinesas superam Tóquio e Londres

O volume de negócios nas bolsas de valores da China superaram ontem todo o resto da Ásia junto, inclusive o Japão, elevando o principal índice acima de 4 mil pontos pela primeira vez. Também bateram Londres.

A Bolsa de Valores de Xangai teve um movimento recorde de US$ 33 bilhões ontem. Somada à Bolsa de Xenzen, o total chegou a US$ 49 bilhões, 21% a mais do que o recorde anterior, do final de abril. É quase duas vezes o volume de transações da Bolsa de Tóquio, que ontem foi de US$ 26,9 bilhões, e o triplo do total somado nos mercados de ações da Austrália, Cingapura, Coréia do Sul, Hong Kong, Índia, Indonésia, Malásia, Nova Zelândia, Tailândia e Vietnã: US$ 16,5 bilhões.

É um crescimento extraordinário mesmo para os padrões chineses. Há seis meses, o volume de negócios era de US$ 5 bilhões por dia. Em 30 de março, de US$ 16,5 bilhões. Nos últimos dois anos, o mercado chinês subiu 300%, apesar das preocupações do governo comunista chinês de esfriar a economia.

As bolsas chinesas ainda estão muito atrás dos Estados Unidos, onde o movimento ontem foi de US$ 122 bilhões, mas bateram Tóquio e Londres, onde o total de negócios somou US$ 29,4 bilhões.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Sarkozy enfrenta primeiro escândalo antes da posse

Antes de tomar posse, em 16 de maio, o presidente eleito da França, o conservador Nicolas Sarkozy, enfrenta seu primeiro escândalo, enquanto continuam os protestos contra sua vitória.

No discurso da vitória, ele prometeu "governar para todos os franceses". Tinha dito que iria se retirar para um convento beneditino no Sul do país. Mas, com a mulher, Cécilia, e o filho Louis, tomou um avião particular, do bilionário Vincent Bolloré, um dos empresários mais agressivos da França, e foi para a Ilha de Malta. Lá, embarcou num iate de 60 metros e US$ 10 milhões, pertencente ao mesmo magnata.

Sarkozy defendeu-se dizendo que sua viagem não custou um centavo ao contribuinte francês. Só que ele está prometendo cortar as alíquotas mais altas do imposto de renda para que nenhum francês pague ao leão mais da metade do que ganha. Para os ricos, é sempre uma grande bolada. Então ele está festejando com um beneficiário direto das políticas que pretende aplicar.

Ele também foi advertido pelos ministros das Finanças da zona do euro, que rejeitam suas tentativas de pressionar o Banco Central da Europa a manipular a cotação da moeda comum européia para aumentar a competitividade da economia francesa. Foi acusado de minar o BCE.

O principal comentarista econômico do Financial Times, Martin Wolf, considerou o novo presidente francês uma fonte de conflitos na União Européia: "Se ao mercantilismo colbertiano adicionarmos a sede de poder num país com tradições populistas e bonapartistas intimimamente entrelaçadas, surge um Sarkozy".

Caminhão-bomba deixa 19 mortos no Iraque

Enquanto o vice-presidente americano, Dick Cheney, fazia mais uma visita-surpresa ao Iraque para tentar salvar o maior fracasso da política externa dos Estados Unidos desde o Vietnã, um caminhão bomba matou 19 pessoas e feriu mais 80 na cidade curda de Arbil, no Iraque. Líderes curdos atribuíram o atentado aos rebeldes sunitas que lutam contra a ocupação americana.

Ataque da OTAN mata 21 civis no Afeganistão

Um bombardeio aéreo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), aliança militar liderada pelos Estados Unidos, matou 21 civis, inclusive mulheres e crianças, inclusive mulheres e crianças, afirmou o governador Assadulah Wafa, da província de Kandahar, no Sul do Afeganistão. O objetivo era dar cobertura aérea a um ataque por terra contra milicianos talebã entrincheirados em residências civis no distrito de Sangin.

Blair anuncia amanhã quando deixa o cargo

O primeiro-ministro trabalhista que governou o Reino Unido, Tony Blair, anuncia nesta quinta-feira quando deixa a liderança do partido e a chefia do governo, que devem ser transferidas para o ministro das Finanças, Gordon Brown, dentro de sete semanas, prazo para a eleição interna do Partido Trabalhista para consagrar seu novo líder.

Na manhã desta quinta-feira, Blair reúne-se pela última vez com seus ministros. Depois, segue para seu distrito eleitoral, Sedgefield, no Norte da Inglaterra, onde fará o pronunciamento.

Ao contrário de outros governos trabalhistas, sua administração foi marcada por estabilidade econômica e crescimento. No plano interno, seu governo é considerado bom. Se não conseguiu recuperar integralmente a qualidade dos serviços públicos, atacou diretamente o sucateamento de setores como educação, saúde e transporte.

Mas o apoio à invasão do Iraque pelos Estados Unidos custou-lhe a perda da popularidade. Desde sua terceira e última vitória eleitoral, em junho de 2005, apesar de ser algo inédito para um líder trabalhista, a maioria do partido o considera um peso e tenta se livrar de Blair.

No último momento, Blair ainda conseguiu dar posse a um governo reunindo ex-inimigos na Irlanda do Norte, consolidando um processo de paz que é uma de suas grandes conquistas. Mas o Iraque manchou sua biografia e o perseguirá para sempre.

Fed deixa taxa básica de juros nos EUA em 5,25%

Por unanimidade, o Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve Board (Fed), o banco central dos Estados Unidos, decidiu hoje manter inalterada a taxa básica de juros da maior economia do mundo em 5,25% ao ano, onde está desde junho de 2006, e sinalizou a intenção de não mudá-la, não indicando nem viés de alta nem de baixa.

Leia aqui a nota oficial do Fed anunciando a decisão.

"Cristina Kirchner será candidata" à Casa Rosada

A senadora Cristina Kirchner, e não seu marido, o presidente Néstor Kirchner, será o candidato do governo nas eleições presidenciais de outubro deste ano na Argentina, afirma hoje o colunista Joaquín Morales Solá, no jornal La Nación, de Buenos Aires. Dois ministros e um secretário de Estado confirmaram a notícia, diz o colunista.

Como Cristina não foi atingida pelos escândalos recentes, seria a candidata do oficialismo à Casa Rosada.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Hillary se distancia na corrida à Casa Branca

A ex-primeira-dama Hillary Clinton, senadora pelo estado de Nova Iorque, aumentou a vantagem sobre o segundo colocado na disputa da candidatura do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos em 2008.

Em pesquisa divulgada pela rede de televisão CNN, Hillary subiu de 30% para 38% das preferências entre os eleitores democratas, enquanto seu maior rival, o também senador Barack Obama, caiu dois pontos, para 24%. Em terceiro, aparecem empatados o ex-vice-presidente Al Gore, que não se declarou candidato, e o candidato a vice em 2004 na chapa de John Kerry, o ex-senador John Edwards, ambos com 12%. O ex-secretário de Energia Bill Richardson, hoje governador do Novo México, tem 5%.

Sarkozy promete revolução em 100 dias

Os franceses optaram por uma mudança radical, ao eleger Nicolas Sarkozy para presidente no domingo, 6 de maio, com 53% dos votos válidos, contra 47% para a socialista Ségolène Royal.

Sarkozy promete revitalizar a economia, reduzir impostos e a burocracia, facilitar contratações, demissões e a criação de novas empresas para combater o desemprego, usar o trabalho para integrar os imigrantes, endurecer as leis de imigração, aumentar as penas para jovens delinqüentes, reduzir a maioridade penal, reaproximar a França dos Estados Unidos e relançar o projeto de integração européia. É um programa formidável, que ele promete deslanchar nos primeiros 100 dias.

Esse filho de um aristocrata húngaro que fugiu do comunismo tinha uma avó materna judia grega. Como Napoleão, que era corso, com quem foi comparado pela revista inglesa The Economist, tornou-se hoje o mais nacionalista de todos os franceses. Mas não quer que os seus 100 dias não sejam como os de Napoleão, período de sua fuga da Ilha de Elba até a derrota final, em Waterloo.

O sonho deste político francês acusado por seus inimigos de ser americano demais é repetir os 100 dias do presidente Franklin Roosevelt em 1933, quando lançou as políticas do New Deal para combater a Grande Depressão (1929-39) nos EUA. Seus inimigos à esquerda o acusam de estar mais para Margaret Thatcher.

Ele promete uma ruptura com o passado para restaurar o orgulho nacional. Os adversários vêem uma tentativa de introduzir na França o capitalismo liberal anglo-americano. Seria uma ameaça à identidade francesa, especialmente ao modelo social-democrata europeu e aos “direitos adquiridos” que a esquerda luta para preservar, além do desejo de fazer da Europa um contrapeso ao superpoderio dos EUA.

Ao aceitar a vitória, o presidente eleito disse quais seriam as palavras-chaves de seu governo: trabalho, autoridade, moral, respeito e mérito.

Desde sua eleição, mais de 600 pessoas foram presas em manifestações de protestos e mais de 700 carros foram incendiados. Cauteloso no primeiro momento, após sua posse, em 16 de maio, Sarkozy deve nomear um primeiro-ministro moderado, o ex-ministro da Educação François Fillon, um dos líderes de sua campanha, considerado o “menos detestado” de sua equipe.

No calor da vitória, na festa da conservadora União por um Movimento Popular na Praça da Concórdia, onde durante a Revolução Francesa ficava a guilhotina, Sarkô prometeu governar para todos os franceses. Mas suas políticas não unem o país.

Para fazer reformas, como advertiu Nicolau Maquiavel em O Príncipe, é inevitável contrariar os beneficiários da velha ordem num momento em que ainda não apareceram os beneficiários da nova ordem.

OS 100 DIAS
Primeiro, Sarkozy precisa vencer as eleições parlamentares de 10 e 17 de junho para ter maioria na Assembléia Nacional. Então, este é um mês decisivo para suas pretensões. Depois, pretende aprovar rapidamente uma série de medidas nas mais diferentes áreas:
• Imigração: a França deve parar de “sofrer imigração” mas selecionar os candidatos de acordo com a necessidade de seu mercado de trabalho. Os imigrantes que já estejam na França devem ter moradia e emprego para poderem trazer o resto da família. A imigração ilegal será combatida com mais dureza.
• Jornada semanal de 35 horas de trabalho: com a promessa de “revalorizar o trabalho”, Sarkozy quer que os trabalhadores tenham o direito de fazer horas extras para ganhar mais.
• Exoneração fiscal das horas extras: não haveria a cobrança de encargos sociais depois de 35ª hora de trabalho da semana.
• Aumento de salários com a produtividade: ao contrário da candidata socialista, que propunha aumentar o salário mínimo de 1.250 para 1,5 mil euros, Sarkozy quer aumentos de salários decorrentes de aumentos de produtividade. Na sua opinião, para ter mais renda é preciso trabalhar mais ou produzir mais.
• Limitar a alíquota máxima do imposto de renda em 50%. Ninguém na França deve pagar mais de imposto de renda do que a metade do que ganha.
• Idade da aposentadoria: para tentar equilibrar as contas da Previdência Social, Sarkozy proõe “liberdade para trabalhar além dos 60 anos”: “O direito de se aposentar aos 60 anos continua, mas deve ser a idade mínima”.
• Suspender a cobrança de imposto sobre heranças e doações para 90% dos franceses, de modo a incentivar a transferência de bens e propriedades para os jovens.
• Facilitar a compra de casa própria: isentar de impostos e dar o aval do Estado para os mais pobres na compra do primeiro imóvel.
• Garantir o funcionamento dos serviços básicos em caso de greve: com forte oposição dos sindicatos, quer que, por exemplo, alguns trens funcionem numa greve de transportes.
• Redução do funcionalismo público: de cada dois funcionários que se aposentem, na era Sarkozy só um será substituído.
• Educação: o novo presidente vai propor a autonomia das universidade que quiserem.
• Segurança Pública: o ex-ministro do Interior quer reduzir a maioridade penal para 16 anos em casos de reincidência e impor penas mínimas mais duras para reincidentes.
• Europa: com a rejeição da Constituição da União Européia em 29 de maio de 2005 por 55% do eleitorado francês, o processo de integração européia está estagnado. Sarkozy propõe uma consolidação dos tratados constitutivos da Comunidade Econômica Européia e depois da União Européia, a ser ratificada pelos parlamentos nacionais, sem a realização de plebiscitos. É contra o ingresso da Turquia na UE.
• Eurozona: Sarkozy volta a falar na necessidade de um governo econômico europeu para que o euro não fique totalmente sob o controle do Banco Central da Europa. Gostaria de manipular o câmbio para aumentar a competitividade francesa, argumentando os países asiáticos fazem isso.
• Comércio: continua a defesa intransigente dos subsídios agrícolas da UE, que impede negociações substantivas com o Brasil e o Mercosul, e um acordo na Organização Mundial do Comércio.
• Relações Exteriores: o presidente eleito promete melhorar as relações com os EUA.
Mas primeiro cobrou a adesão americana aos esforços para conter o aquecimento global. Diz que “os EUA podem contar com a amizade da França mas amigos podem discordar”. No discurso, não muda muito em relação ao governo socialista de François Mitterrand, que alegava que “os amigos precisam dizer as verdades”. Na prática, deve mudar. No Oriente Médio, Sarkozy será provavelmente o mais pró-israelense dos presidentes franceses.

Leia a íntegra na minha coluna no Baguete.

Ex-inimigos formam governo na Irlanda do Norte

Sem aperto de mãos, os quase ex-arquiinimigos Partido Unionista Democrático (PUD), protestante, e Sinn Féin, católico e ligado ao agora desarmado Exército Republicano Irlandês (IRA), acabam de formar um novo governo semi-autônomo da Irlanda do Norte, rompendo com anos de impasse. A decisão do IRA de entregar as armas, anunciada em 2005, foi decisiva.

O primeiro-ministro será o reverendo protestante Ian Paisley e seu vice, com poderes iguais, Martin McGuinness, ex-comandante militar do IRA.

A posse do goveno formado pelos ex-inimigos mais radicais marca o fim de 800 anos de conflito entre Inglaterra e Irlanda, e de uma guerra civil em que mais de 3,6 mil pessoas morreram desde 1969.

O acordo de paz foi firmado em 9 de abril de 1998. Para evitar o domínio da maioria protestante, favorável à união com a Grã-Bretanha no Reino Unido, sobre a minoria católica e republicana, a favor da unificação da Irlanda, há um poder de veto para quem conseguir 40% dos votos na Assembléia da Irlanda do Norte.

Desde então, diversas tentativas de formar um governo semi-autônomo de união fracassaram porque os protestantes insistiam no total desarmamento do IRA, finalmente anunciado em 2005, depois que o impacto dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos secou o financiamento que o grupo recebia de americanos de origem irlandesa.

Outro fator importante para a paz foi a integração européia, que promoveu o desenvolvimento da Irlanda, hoje o país com a maior renda per capita na União Européia depois de Luxemburgo, e a tornou uma aliada da Grã-Bretanha, ajudando-a a superar os ressentimentos históricos até evidentes na Irlanda do Norte.

O filme Ventos de Liberdade, de Ken Loach, que está em cartaz, conta a história da divisão do movimento nacionalista irlandês diante da proposta de paz oferecida pelos britânicos quando da independência da Irlanda em 1921. Desta vez, a História se repete.

Para a linha dura do IRA, entregar as armas antes do fim do domínio britânico e da unificação da irlanda equivalia a uma rendição. Felizmente agora os dois lados entenderam que a democracia é a melhor maneira de atingir seus objetivos políticos.

Os nacionalistas irlandeses continuam sonhando com a reunificação de sua pequena ilha. Mas sabem que isso só será possível quando seus antigos inimigos tiveram confiança de que não serão discriminados numa Irlanda unida.

A paz na Irlanda traz esperança de solução de outros conflitos. Um editorial do jornal libanês Daily Star argumenta que, se a paz é possível na Irlanda do Norte, é possível também no Oriente Médio.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Bolsa de Nova Iorque bate quinto recorde seguido

O índice Dow Jones, o mais importante da Bolsa de Valores de Nova Iorque, fechou hoje no seu quinto dia consecutivo de recorde. Nas últimas 27 sessões, a bolsa teve alta em 24 dias, o que não acontecia desde 1927.

Sob o impulso da tentativa de compra hostil do grupo canadense Alcan pela Alcoa (Aluminium Company of America), o índice subiu 49,65 pontos, fechando em 13.314,27.

Crescimento da França e da eurozona será maior

As previsões de crescimento da França e da zona do euro foram revisadas para cima. Pela primeira vez desde 2001, a Europa deve crescer mais do que os Estados Unidos.

O ministro da Economia e das Finanças, Thierry Breton, espera um crescimento no primeiro e segundo trimestres do ano que projete um crescimento anual de 2,5% a 3% ao ano.

Já a Comissão Européia aumentou a previsão de crescimento da França para 2,4% este ano e 2,3% em 2008. Para a eurozona como um todo, a nova estimativa é de uma expansão de 2,6% em 2007 e 2,5% em 2008, em contrate com 2,4% e 2,2% nas previsões anteriores.

Diante desses números, a expectativa do mercado é que o Banco Central da Europa aumente sua taxa básica de juros, hoje em 3,75% ao ano, em 0,25 ponto percentual na sua próxima reunião, em 6 de junho.

domingo, 6 de maio de 2007

Sarkozy: "Ganhei um mandato para a mudança"

Ao agradecer à vitória, o presidente eleito da França, Nicolas Sarkozy, declarou: "O povo francês pediu a mudança. Vou realizar esta mudança porque este é o mandato que recebi do povo francês."

Conservador, Sarkozy pretende reformar a legislação trabalhista na França para reduzir o desemprego e usá-lo como arma para integrar os excluídos da sociedade francesa.

As palavras-chaves de seu discurso foram:
• trabalho,
• autoridade,
• moral,
• respeito e
• mérito.

O novo presidente propõe reformas liberalizantes para a economia francesa, como cortes de impostos e facilitação de contratações e demissões, sem abrir mão do nacionalismo econômico, da proteção a grandes empresas do país e à agricultura. Aproximar-se dos Estados Unidos em política externa. E adotar a linha dura em questões domésticas, como segurança pública, imigração ilegal e direito de greve.

Como fez a primeira-ministra Margaret Thatcher na Grã-Bretanha, terá de enfrentar o poder dos sindicatos. Por isso, sua adversária, a socialista Ségolène Royal, advertiu na antevéspera da eleição que sua vitória acirraria os conflitos sociais.

Ségolène pediu a seus eleitores que "continuem mobilizados", tendo em vista as eleições legislativas de 10 e 17 de junho, que darão ou não maioria parlamentar ao novo presidente.

Por outro lado, a França precisa mudar. Os dois candidatos finalistas expressavam esse desejo de mudança. Ségolène teria mais dificuldades em propor reformas por causa da divisão interna do Partido Socialista. Mas Sarkozy também deve enfrentar sérias resistências.

Sarkozy é eleito presidente da França

Com 53,1% dos votos válidos, na média das pesquisas de boca-de-urna, o ex-ministro das Finanças e do Interior Nicolas Sarkozy, da conservadora União por um Movimento Popular, foi eleito hoje presidente da França por um período de cinco anos, derrotando a candidata socialista, Ségolène Royal, que recebeu 46,9%.

A participação foi de 84% dos 44,5 milhões de eleitores franceses.

Popularidade do presidente Bush cai a 28%

A aprovação do presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush, caiu a seu nível mais baixo até hoje, 28%, segundo pesquisa realizada para a revista semanal Newsweek.

Em janeiro, em pesquisa do jornal The Washington Post, o presidente dos EUA tinha a aprovação de 33% dos entrevistados. Seus melhores índices, acima de 80%, foram obtidos logo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Com o fracasso da invasão do Iraque, Bush queimou seu capital político e agora se arrasta para um fim de governo medíocre.

sábado, 5 de maio de 2007

Lobby das armas pressiona Bush para não proibir venda a suspeitos de terrorismo

A Associação Nacional do Rifle, o lobby dos fabricantes de armas nos Estados Unidos, está pressionando o governo George Walker Bush a retirar seu apoio a uma lei que proibiria suspeitos de terrorismo de comprar armas de fogo. O projeto dá ao secretário da Justiça o direito de bloquear vendas e licenças de portar armas para suspeitos de terrorismo.

Para o secretário-executivo da ANR, Chris Cox, a medida "permitiria negar arbitrariamente os direitos garantidos na Segunda Emenda à Constituição dos EUA baseada numa mera suspeita de ameaça terrorista". A Segunda Emenda garante ao cidadão americano o direito de portar armas para se defender.

Cox alega que "a palavra suspeito não tem significado jurídico, especialmente para negar direitos consitucionais". Não há base legal, portanto, para impedir a venda a quem esteja na lista de suspeitos vigiados.

"Quando digo às pessoas que você pode estar na lista de suspeitos de terrorismo sob vigilância e ainda assim comprar quantas armas quiser, elas ficam chocadas", contra-argumenta Paul Hemke, do Centro Brady para Prevenção da Violência com Armas de Fogo.

Pela legislação atual, o vendedor precisa apenas verificar se o interessado com antecedentes criminais.

Rice fala com a Síria mas não com o Irã

Durante a conferência ministerial sobre o Iraque realizada ontem e anteontem em Charm al-Cheik, no Egito, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, encontrou-se com seu colega sírio, Walid al-Moallem, durante 30 minutos. Foi o primeiro contato de alto nível entre os Estados Unidos e a Síria em mais de dois anos. Rice pediu o fim do apoio sírio aos rebeldes sunitas no Iraque.

"Eu não lhe dei lições nem ele a mim", disse a secretária, comentando o encontro com o chanceler sírio.

A secretária de Estado também planejava falar com o ministro do Exterior do Irã, Manouchehr Mottaki, mas ele saiu antes do jantar oferecido pelo ministro do Exterior do Egito, Aboul Gheit.

O início de um diálogo com a Síria e o interesse de falar com o Irã marcam uma mudança da posição da política externa de Bush. Esse diálogo com os maiores inimigos estatais dos EUA fora sugerido no final do ano passado pelo Grupo de Estudos sobre o Iraque. Na época, o governo George W. Bush rejeitou a proposta como contraproducente.

Em abril, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, principal líder democrata no Congresso, foi duramente criticada por ter ido a Damasco conversar pessoalmente com o presidente sírio, Bachar Assad.

EUA só criaram 88 mil empregos em abril

A maior economia do mundo criou apenas 88 mil empregos fora do setor agrícola no mês de abril, e a taxa de desemprego subiu para 4,5%. Esses dados sugerem que o Federal Reserve Board (Fed), o banco central dos Estados Unidos, mantenha a taxa básica de juros pelo sétimo mês seguido na sua reunião na próxima semana.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Pesquisas confirmam favoritismo de Sarkozy

As últimas pesquisas para o segundo turno da eleição presidencial na França, a ser realizado neste domingo, 6 de maio, dão a vitória ao candidato conservador Nicolas Sarkozy, da governista União por um Movimento Popular, sobre a socialista Ségolène Royal, com vantagens de seis a nove pontos percentuais, portanto, além da margem de erro. Mas, observa o jornal Le Monde, "os franceses adoram contrariar eleições decididas antes da hora".

No último dia da campanha, sentindo a pressão, Ségolène disse que a vitória do seu adversário ameaça jogar a França num ciclo de violência. Sarkozy é um conservador que promete botar a polícia na rua, ser rigoroso com imigrantes ilegais e combater o poder dos sindicatos para reduzir o desemprego.

Sua possível vitória acirra esses conflitos sociais. Mas hoje ele bancou o conciliador, dizendo que sua política é de união e concórdia, e não de violência.

Por outro lado, seu eleição significa a ruptura com a estagnação econômica da França, o sexto país mais rico do mundo, mas que cresce pouco e tem sérios problemas para manter o atual nível de vida de sua população.

Sarkozy promete curar a "doença francesa" com empregos, à custa da redução de direitos trabalhistas e da precarização do mercado de trabalho. Mas a mudança é inevitável.

De certa, os dois candidatos, relativamente jovens, com pouco mais de 50 anos, representam uma mudança de geração e um desejo de mudança do povo francês. Ségolène promete "reformar sem brutalizar".

Ex-assessor do Pentágono ataca ex-diretor da CIA

Ao responsabilizar o resto do governo George W. Bush pela invasão do Iraque, o ex-diretor da CIA (Agência Central de Inteligência) George Tenet está "fugindo da culpa" por não ter previsto os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos, afirma o ex-secretário adjunto para política de defesa Richard Perle, um dos falcões que defendeu a guerra.

"Ele simplesmente cita coisas que eu nunca disse e as coloca em datas que eu nem estava no país", declarou Perle ao comentar o livro de Tenet, No Centro da Tempestade, na rede de televisão CNN.

No livro, Tenet o acusa de dizer que "o Iraque tem um preço a pagar. Tem responsabilidade" pelos atentados de 11 de setembro. Perle nega: "Nunca acreditei que Saddam Hussein fosse responsável pelo 11 de setembro. Quando voltei aos EUA, estava claro que tinha sido Ben Laden."

Mas a CNN lembrou que cinco dias depois dos atentados Perle insistiu em que, mesmo que o Iraque nada tivesse a ver com os atentados, sua relação estava amplamente documentada.

Agora, seu discurso mudou: "Eu era a favor de derrubar Saddam muito antes do 11 de setembro, porque me parecia que ele era ameaça aos EUA, e a sensação de perigo ficou muito mais aguda desde 11 de setembro porque descobrimos tínhamos esperado demais para lidar com uma ameaça conhecida: Ossama ben Laden e Al Caeda. Assistimos à preparação da Al Caeda para lançar um ataque contra os EUA e não fizemos nada."

Perle acrescentou: "Você não pode fazer um replay da História e julgar hoje o que Saddam poderia ter feito se tivesse ficado lá. É fácil dizer que ele estava encurralado, mas as sanções que o encurralavam eram frágeis, não teriam sobrevivido."

Ele não pediu desculpas pela guerra mas considerou a ocupação um erro: "Lamento que depois de remover Saddam não tenhamos devolvido logo o poder aos iraquianos. Lamento que tenhamos embarcado numa ocupação que se tornou a base da insurgência contra nós. Penso que o que deveríamos ter feito - e disse isso na época - era devolver o poder aos iraquianos logo depois de derrubar Saddam".

De quem é a culpa então? Do presidente e de seus assessores diretos. "Eles tomaram a decisão, penso que erradamente, de enviar milhares de americanos para o Iraque e tentar administrar o país. Fizeram isso com boas intenções. Mas foi politicamente inepto e penso que contribuíram para a situação em que estamos hoje".

Custo para conter aquecimento global vai de 0,12% a 3%

O custo para controlar a emissão de gases que provocam o efeito estufa e conter o aquecimento global foi estimado entre 0,12% ao ano do produto mundial bruto, se ações decisivas foram adotadas já, pelos cientistas de mais de cem países, no Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (PIMC), que publicou hoje em Bancoc, na Indonésia, seu terceiro relatório sobre o problema este. Em 2030, o PMB seria 3% menor do que se nada for feito.

Nos relatórios anteriores, o painel das Nações Unidas fez um diagnóstico da influência do homem sobre o clima da Terra e um prognóstico dos desequilíbrios ambientais que acontecerão se não for reduzida a queima de combustíveis, especialmente carvão e petróleo.

Para evitar efeitos catastróficos, será necessário reduzir as emissões entre 50% e 85% até 2050. É preciso reduzir o uso de combustíveis fósseis, trocando-os por biocombustíveis e outras alternativas, como as energias solar, eólica, das mares e até nuclear.

Com uma redução de apenas 0,12% ao ano no crescimento global, será possível evitar os piores efeitos do aquecimento do planeta. Mas só vai dar certo se todos os países, ou pelo menos os mais importantes e mais poluidores, participarem do esforço.

A advertência é grave: a concentração na atmosfera dos gases que provocam o efeito estufa cresce constantemente; triplicou desde 1970. Mas é possível reduzir as emissões desses gases e ao mesmo tempo aumentar a riqueza da humanidade, argumentou em Bancoc Ogunlade Davidson, co-presidente do PIMC. Ele disse que a palavra-chave não é "sacrifício" mas mudança de "estilo de vida", por exemplo, trocando o carro pela bicicleta, quando for possível.

No momento, a concentração de gases que provocam o efeito estufa é de 425 partes por milhão. Se este nível for mantido em até 445 ppm, o aquecimento médio do planeta será contido em até dois graus centígrados. O custo seria uma redução de 3% na produção do mundo inteiro em 2030 em comparação com o que seria se nada for feito, sem levar em conta outros custos decorrentes do aquecimento da Terra.

Grandes tacadas na mídia

Diante de rumores de que a Microsoft estaria interessada em comprá-la, as ações da Yahoo estão em alta. O mesmo acontece com a agência de notícias Reuters, que confirmou ter recebido uma oferta de compra sem identificar quem é.

É grande a movimentação nos negócios da comunicação de massa. Há poucos dias, o magnata astraliano naturalizado americano Rupert Murdoch e seu grupo News Corporation fizeram uma proposta de compra hostil do grupo Dow Jones, que edita o Wall Street Journal, segundo jornal de maior circulação nos Estados Unidos. Mas a família Bancroft, que controla a empresa, resiste, o que pode levar outros grupos a entrar na briga por uma das marcas de maior prestígio no jornalismo econômico, financeiro e de negócios.

A Microsoft quer enfrentar a ameaça representada pelo Google, que têm hoje 54% do mercado de busca na Internet, em contraste com 22% para o Yahoo e 10% para a Microsoft. Com essa aquisição, a Microsoft consolidaria sua posição no segundo lugar. Analistas do centro financeiro de Wall Street avaliam o Yahoo em US$ 50 bilhões.

Quanto aos possíveis interessados na Reuters, os mais citados são o grupo canadense Thomson e a News Corp. Mas analistas observam que a Reuters é muito maior do que o grupo Dow Jones. Custaria pelo menos três vezes a Murdoch.

Nacionalistas vencem eleições na Escócia

O Partido Nacionalista Escocês, que luta pela independência da Escócia, venceu o Partido Trabalhista e terá um deputado a mais, mas terá de articular uma coligação para governar o país. Terá 47 dos 129 deputados, maioria relativa, pela primeira vez na História.

Um de seus objetivos é convocar outro plebiscito sobre a independência, o que seria o que os ingleses chamam de "última descolonização". Faltaria ainda a independência do País da Gales para o Império Britânico ser reduzido a seu país original, a velha Inglaterra.

Ironicamente, faz 300 anos que o Ato de União integrou a Escócia à Grã-Bretanha, extinguindo o Parlamento da Escócia, restaurado por iniciativa do primeiro-ministro Tony Blair, em 1999.

Anistia critica política de segurança no Brasil

A política de segurança pública no Brasil encara o problema da violência como uma guerra, utilizando instrumentos como o veículo blindado conhecido como Caveirão, o que "criminaliza a pobreza", desrespeitando os direitos humanos das comunidades carentes, onde a polícia entra atirando, afirma o relatório anual da organização não-governamental Anistia Internacional, divulgado em Londres na quarta-feira.

Para a AI, nada mudou com a posse dos novos governadores. No Rio de Janeiro, o símbolo da segurança pública continua sendo o carro blindado conhecido como Caveirão.

O relatório cita um documento anterior da Anistia, lançado em dezembro de 2005, Brasil: "Eles entram atirando": policiamento de comunidades socialmente excluídas, mostrando "como os anos de negligência do Estado deixaram os bairros pobres sem saída, entre a violência das quadrilhas de criminosos e a brutalidade da polícia".

Desde então, "em maio de 2006, São Paulo sofreu uma onda de violência criminal que paralisou a maior cidade da América do Sul", matando 493 em nove dias, três vezes acima da média.

"Centenas de pessoas morreram quando uma quadrilha de criminosos percorreu a cidade atacando delegacias de polícia, atirando em policiais, incendiando ônibus e coordenando revoltas e tomadas de reféns em cerca de metade das penitenciárias do estado. A polícia reagiu da mesma forma, matando mais de cem 'suspeitos'. Recentemente, no Rio de Janeiro, uma noite de violência promovida pelas quadrilhas deixou 19 pessoas mortas, incluindo sete que foram queimadas vivas num ônibus. Acredita-se que os ataques tenham sido em represália ao poder crescente das 'milícias'. Estes grupos, compostos de policiais e bombeiros de folga, agora controlam mais de 90 favelas no Rio de Janeiro por meio de extorsão. As milícias ameaçam desestabilizar ainda mais a cidade, pois estão competindo com os traficantes pelo controle do território e do dinheiro."

Rio e São Paulo chegaram a um ponto que a AI chama de "balcanização" das metrópoles brasileiras, divididas em "diversos feudos violentos. O sistema penitenciário à beira do colapso deu origem a sofisticadas organizações criminosas. A própria polícia ficou vulnerável aos ataques, diminuindo sua capacidade de desempenhar o papel de protetores dos cidadãos brasileiros. Enquanto isso, as comunidades pobres continuam sofrendo, atingidas por balas perdidas, submetidas a um verdadeiro toque de recolher durante operações policiais e sendo extorquidas pelas milícias ou pelos traficantes."

Nada mudou com a posse dos novos governos. Assim, a Anistia reitera preocupações manifestadas anteriormente:
• a polícia mal treinada, sem recursos e com pouca capacidade para atividades de inteligência, o que a torna ineficaz e também vulnerável a ataques;
• a negligência do Estado com relação aos bairros mais pobres, que se tornaram zonas sem lei, onde os moradores sofrem de forma desproporcional com a violência, tanto do crime quanto da polícia;
• a falta de uma política coerente de segurança pública para o longo prazo, focalizada nas causas básicas da violência e da exclusão social;
• o sistema penitenciário à beira do colapso, em que a superlotação, os maus-tratos dos detentos, a corrupção e o crime organizado estão arraigados.

"O policiamento no Rio de Janeiro continua sendo caracterizado por operações em grande escala em que unidades da polícia 'invadem' as favelas com armamentos pesados, retirando-se assim que as operações são concluídas", observa o relatório.

"Estas incursões prejudicam enormemente as comunidades e trazem poucos benefícios. Colocam em perigo a vida de todos, inclusive da polícia. Danificam bens, imóveis e a infra-estrutura, provocam o fechamento do comércio e criam condições semelhantes a um toque de recolher, impedindo as pessoas de irem trabalhar ou estudar, implicando em custos financeiros e sociais que perduram após a conclusão da operação. Quando a polícia se retira, as facções do tráfico ou as milícias retomam o controle. Os problemas por trás disso – a exclusão social e a criminalidade – não são resolvidos, enquanto a comunidade é atingida por ondas de violência criminal e policial."

Enquanto "a estratégia policial ainda caracteriza-se pela repressão bruta", a média de homicídios mantém-se estável de 1998 a 2005, em 6.336. São 43,5 mortes por 100 mil habitantes no estado ou 57,3 por 100 mil na Baixada Fluminense. Aumentou, neste período, o número de mortes atribuídas à resistência das vítimas. Passou de cerca de 300 em 1997 para 1.195 em 2003 e 1.098 em 2005.

A impunidade dos policiais assassinos é a regra. Só um envolvido na chacina de 29 pessoas em 31 de março de 2005 na Baixada Fluminense foi condenado.

O relatório é crítico quanto à participação do Exército no combate à violência, "um papel para o qual não tem mandato, treinamento ou supervisão". Repete suas acusações contra o sistema penitenciário, onde há "uso de tortura e força excessiva", "condições desumanas, cruéis e degradantes". Reafirma que a corrupção policial comprova que, "sem uma reforma profunda, o sistema de segurança pública do Rio não tem interesse em combater aqueles que estão por trás das verdadeiras causas da violência no Estado. O foco da polícia e do sistema de justiça penal sobre os criminosos de menor categoria mostra uma relutância em combater aqueles que dirigem e supervisionam o tráfico de drogas e de armas que alimenta a violência criminal no Brasil de hoje."

Com a deterioração do quadro geral, em 2006, houve um grande crescimento da atuação da "milícias parapoliciais". No final do ano passado, elas controloriam 92 das cerca de 600 favelas cariocas.

Pernambuco registra a mais alta taxa de homcídios do país, 50,1 por 100 mil habitantes.

No final, o relatório da Anistia faz várias recomendações:
1. A introdução de um policiamento baseado nos direitos humanos, que inclua:
• Um Código de Ética legal, baseado nas normas de direitos humanos, em particular no Código de Conduta da ONU para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei e nos Princípios Básicos da ONU sobre a Utilização da Força e de Armas de Fogo pelos Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei;
• Códigos de conduta, conforme o Código de Ética legal e com base nas normas de direitos humanos, relativos às funções essenciais da polícia, inclusive a prisão e detenção, ordem pública e investigação criminal;
• Melhor coleta de dados e produção de análises dos tipos de violência.

2. Um programa combinado para reduzir e prevenir os homicídios policiais, que inclua:
• Um programa para retreinar a polícia no uso legítimo da força e nas alternativas ao uso de armas de fogo, de acordo com padrões internacionais, entre eles o Código de Conduta da ONU para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei e nos Princípios Básicos da ONU sobre a Utilização da Força e de Armas de Fogo pelos Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei;
• A criação de um mecanismo externo de investigação, tratando especificamente com as queixas envolvendo a polícia, capaz de realizar investigações com seus próprios investigadores independentes;
• O fim do uso da designação “resistência seguida de morte”, que deverá ser substituída por um registro dos casos de mortes causadas pela polícia. Deve ser realizada uma investigação independente de todos os casos de morte em que há suspeita de envolvimento das forças de segurança pública;
• Medidas para combater a corrupção policial e seu envolvimento no crime.

3. Reforma penitenciária com o objetivo de garantir a segurança de guardas prisionais e detentos, que inclua:
• Maiores recursos financeiros e humanos, inclusive com investimento no treinamento de guardas prisionais e melhores instalações;
• Categorização dos presos de acordo com a severidade do crime, segregando aqueles que constituem um perigo para os funcionários do presídio e outros detentos;
• Um fim à prática de segregação dos presos segundo sua filiação às facções;
Revisão urgente do uso do RDD que, de acordo com especialistas penitenciários, está sendo aplicado de forma desproporcional como medida punitiva em vez de administrativa, sem supervisão adequada.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Uruguai aceita área verde ao redor de papeleiras

A proposta da Espanha de criação de cinturões verdes ao redor das fábricas de papel e celulose pode ser a saída para a chamada 'guerra das papeleiras', o conflito entre Argentina e Uruguai por causa da instalação de duas indústrias de papel na margem oriental do Rio Uruguai.

O governo uruguaio não se pronunciou oficialmente, mas o ministro do Exterior, Reinaldo Gargan, admitiu que é "um caminho possível".

Sem entrar em detalhes nem assumir a paternidade do projeto em nome de seu país, o embaixador espanhol em Buenos Aires, Rafael Estrella, disse que há possibilidade de ser criada "uma zona de responsabilidade compartilhada" entre Fray Bentos, no Uruguai, onde está a fábrica da empresa finlandesa Botnia, e Gualeguaychú, na Argentina, a cidade do outro lado do rio que centraliza os protestos. Também existe chance de envolver uma instituição multilateral no monitoramento ambiental da região.

Outra fábrica, da companhia espanhola Ence, foi relocalizada em Conchillas, no departamento de Colônia, no Uruguai.

Lucro da GM cai 90%

A General Motors, que até o final do ano passado era a maior fabricante mundial de automóveis, anunciou hoje uma queda nos lucros de 90%, de US$ 602 milhões para US$ 62 milhões.

Uma melhoria no setor não foi suficiente para neutralizar o impacto da falta de pagamento de empréstimos para clientes de segunda linha. O braço financeiro da GM, GMAC, teve prejuízo de US$ 305 milhões. Na Bolsa de Valores de Nova Iorque, as ações da empresa caíram 5,4%.

Derrota marca o triste adeus de Tony Blair

O Partido Trabalhista britânico deve sofrer sua pior derrota em 50 anos nas eleições municipais de hoje. Na Escócia, o Partido Nacionalista Escocês pode conquistar maioria no Parlamento e convocar um plebiscito sobre a independência. Só uma coisa é certa, além da derrota trabalhista: é o fim da carreira política de Tony Blair.

Ele é o primeiro-ministro trabalhista que ficou mais tempo no poder na Inglaterra. Preside a um período de crescimento contínuo sem precedentes na história do país. Conseguiu acabar com um conflito de mais de 800 anos com a vizinha Irlanda. Um historiador chegou a dizer que no plano interno talvez tenha sido o melhor governo em cem anos. Mas Anthony Charles Lynton Blair já está condenado pela História por participar da fracassada invasão do Iraque sob o comando dos Estados Unidos.

Em 1º de maio, no décimo aniversário de sua primeira vitória eleitoral, que acabou com 18 anos consecutivos de governos conservadores, o primeiro-ministro Tony Blair finalmente apoiou o ministro das Finanças, Gordon Brown, como seu sucessor na liderança do Partido Trabalhista e do governo, prometendo anunciar na próxima semana a data de sua saída.

Brown, o Chanceler de Ferro (no Reino Unido, o ministro das Finanças tem oficialmente o título de Chanceler do Erário), é responsável pelo mais longo período de crescimento contínuo da História da Inglaterra, que começou em 1992, ainda sob o governo conservador de John Major.

"Dentro de algumas semanas, não serei mais primeiro-ministro deste país", declarou Blair numa reunião do partido na Escócia. "Com certeza, um escocês será primeiro-ministro. É alguém que construiu uma das economias mais fortes do mundo e que eu sempre disse que seria um grande primeiro-ministro".

Quando os dois foram eleitos deputados pela primeira vez, em 1983, dividiam o gabinete na Câmara dos Comuns e fizeram um pacto para um apoiar o outro na disputa pela liderança. Brown, mais velho e mais intelectualizado, acreditava ter a primazia.

Mas quando o líder trabalhista John Smith morreu de repente do coração, em maio de 1994, o chefe de propaganda do partido, Peter Mandelson, aliou-se a Blair, que lhe parecia mais jovem e mais televisivo para as campanhas eleitorais de hoje. Brown cedeu caminho para Blair, que derrotou os candidatos da esquerda do partido, o vice-primeiro-ministro John Prescott e a atual ministra do Exterior, Margaret Beckett.

Ao reformar o Partido Trabalhista, abolindo a Cláusula 4 do estatuto, que previa a estatização dos meios de produção, Blair trouxe o partido para o centro e aproximou-o do empresariado, especialmente dos que viam como contraproducente o antieuropeísmo crescente dos conservadores.

Com amplo apoio da classe média a quem prometeu não aumentar impostos mas resgatar a qualidade dos serviços públicos, levou os trabalhistas a uma entrada triunfal na residência oficial no nº 10 da Downing Street.

Dez anos depois, foi o primeiro chefe de governo a ser interrogado pela polícia no exercício do cargo, por causa do escândalo de concessão de títulos de nobreza a grandes financiadores dos partidos politicos.

Leia a íntegra em minha coluna no Baguete.

Ronald Reagan por Ronald Reagan

O presidente americano Ronald Reagan considerava seu secretário de Estado "totalmente paranóico", o ex-senador Lowell Weicker "um idiota pomposo" e o presidente egípcio Anuar Sadat "um verdadeiro grande homem".

Ficou surpreso com a timidez do popstar Michael Jackson.

Tinha problemas com os filhos, sentia-se sozinho quando estava longe da mulher, Nancy, e registrou seus oito anos na Casa Branca (1981-89) num diário. Seus cinco volumes pertencem à Biblioteca Ronald Reagan, em Simi Valley, na Califórnia. Foram entregues ao historiador Douglas Brinkley para serem transformados em livro.

Em junho, a revista americana Vanity Fair publica os primeiros trechos de Os Diários de Reagan, que será lançado pela editora HarperCollins. Ali estão algumas reflexões na intimidade de um dos homens mais poderosos do mundo.

Quando o secretário de Estado Alexander Haig deixou o cargo em 1982 dizendo que tinham desentendimentos em política externa, a reação do presidente foi direta: "Na verdade, o único desentendimento foi sobre quem fazia a política, o secretário de Estado ou eu".

Fidel Castro não escapou do diálogo interior de Ronnie, que, apesar de todo o seu poder, sentia-se impotente diante do líder cubano: "Relatórios do serviço secreto dizem que Castro está muito preocupado comigo. Estou muito preocupado que eu não possa fazer algo que justifique suas preocupações".

No seu duelo de conservador contra a imprensa liberal americana, Reagan sabia que nada seria perdoado. Quando inverteu algumas frases do seu discurso na abertura da Olimpíada de Los Angeles, em 1984, imaginou que "a imprensa, tendo uma cópia escrita, vai alegremente me acusar de senilidade e incapacidade de decorar meu texto".

Outro comentário interessante foi feito quando o ex-chefe da Casa Civil Donald Regan descobriu que Nancy tinha consultado um astrólogo a respeito das viagens do presidente. Reagan negou qualquer influência dos astros: "A imprensa agora tem uma novidade graças ao livro de Donald Reagan. Não tomamos decisões com base em consulta a astrólogos. A mídia se comporta como crianças com um brinquendo novo - tanto faz que não tenha nenhuma verdade nisso".

Em 30 de março de 1981, no início de seu primeiro governo, Reagan foi baleado por John Hinckley: "Entrei na sala de emergêrcia e me colocaram em cima de uma maca onde tiraram minha roupa. Foi aí que fiquei sabendo que tinha sido baleado e que tinha uma bala no pulmão".

"Ser baleado dói."

Ao negociar seu primeiro corte de impostos com o Congresso de maioria democrata, ficou surpreso com as reduções nas alíquotas para os ricos que a oposição aceitou.

Bob Woodward, um dos jornalistas que derrubaram o presidente Richard Nixon (1969-74) com o Escândalo de Watergate, não escapou da caneta feroz de Ronnie, quando publicou uma entrevista com o ex-diretor da CIA (Agência Central de Inteligência) William Casey feita no hospital pouco antes de sua morte: "É um mentiroso e mentiu sobre o que Casey pensava de mim".

Na Guerra Fria, até mesmo Reagan foi acusado de ceder diante da União Soviética, quando o Kremlin acusou o jornalista Nicholas Daniloff de espionagem: "A imprensa está obcecada com o caso Daniloff e determinada a nos pintar como se estivéssemos cedendo aos soviéticos, e diz, é claro, que é a pior maneira de negociar com eles. A verdade é que não propusemos nenhum acordo e que estamos jogando duro todo o tempo".

Em 1986, Reagan não sabia que o coronel Oliver North, com aquiescência do assessor de Segurança Nacional, John Poindexter, está desviando o dinheiro da venda ilegal de armas para o Irã para a ajuda também ilegal aos contra-revolucionários da Nicarágua: "North não me contou isso. Pior ainda, John descobriu e não me contou. Isto pode provocar demissões".

Com a sedução que a monarquia britânica exerce hoje sobre os americanos, Reagan gostou de receber o "muito agradável" príncipe Charles, mas não se perdoou porque o cerimonial da Casa Branca serviu chá em saquinho, que foi rejeitado por Sua Alteza.

Uma grande preocupação era com o filho: "Ron quer dispensar o serviço secreto por um mês. O serviço secreto sabe que ele é um alvo - mora numa área de Nova Iorque onde há um grupo terrorista porto-riquenho. De fato, ele está numa lista de alvos. Ele diz que estamos interferindo na sua privacidade. Não posso fazê-lo entender que não estou em posição de ter de pagar resgate."

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Crescimento do emprego nos EUA é o menor em quatro anos

A diferença entre empregos gerados e extintos no setor privado nos Estados Unidos em abril foi de apenas 64 mil, o menor crescimento do emprego em quatro anos, afirma hoje um relatório da empresa Automatic Data Processing, considerada a melhor em prever os resultados oficiais a serem anunciados na sexta-feira pelo Departamento do Trabalho.

Com mais 24 mil novos empregos no setor público, o crescimento do emprego ficaria em torno de 90 mil, abaixo da expectativa média do mercado, que é de 100 mil.

O setor de serviços gerou 106 mil empregos a mais, mas houve uma redução líquida de 42 mil postos de trabalho na indústria, sendo 20 mil no setor manufatureiro e o resto na construção civil, que sente a recessão no mercado de imóveis residenciais, e na mineração. Nos últimos três meses, foram extintas 45 mil vagas na construção civil.

Ségo e Sarko fazem debate equilibrado

Durante mais de duas horas e meia, os dois candidatos que disputam domingo o segundo turno da eleição presidencial na França duelaram ao vivo agora há pouco na televisão francesa sem que tenha havido um nocaute.

A candidata socialista, Ségolène Royal, mostrou mais paixão e emoção, enquanto o ex-ministro conservador Nicolas Sarkozy pareceu mais frio, calculista e presidencial. Fez questão de enunciar claramente suas idéias e propostas políticas, tentando passar a idéia de que sua adversária é despreparada para o cargo.

Ségo quis chamar a atenção para o autoritarismo de Sarko, um linha dura em questões como imigração e polícia, que promete enfrentar os sindicatos para reduzir os direitos trabalhistas, facilitando contratações e demissões para combater o desemprego superior a 8%.

Na mensagem final aos eleitores, Sarko apresentou-se como um homem de ação: "A fatalidade não existe. Vou agir para resolver a crise moral da França. É a crise do trabalho". Mais adiante, disse não acreditar em "igualitarismo" mas em "meritocracia", e prometeu: "Tudo que lhes digo eu farei".

Sua adversária, que está atrás em todas as pesquisas, fez um apelo aos indecisos para que "façam a escolha da audácia, do futuro". Citou a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, que apóia Sarkozy, como exemplo de que um governo chefiado por uma mulher pode ser eficaz. Apresentou-se como "uma mãe de família com quatro filhos", reforçando valores tradicionais como família, escola e trabalho como base de sua ação política, prometendo "uma França imaginativa e criativa" e "reformar sem brutalizar", numa advertência para os riscos que as reformas liberalizantes de Sarkozy e sua posição linha-dura em imigração polícia podem trazer para o tecido social francês.

Um dos temas importantes foi o futuro da União Européia (UE). Sarkozy descartou a possibilidade de ressuscitar a Constituição da Europa porque "ela foi rejeitada pelos franceses por 55%, então está fora de questão". O candidato da União por um Movimento Popular (UMP) defende a adoção de um tratado modificado e a suspensão do processo de expansão da UE enquanto não for resolvido o problema interno do bloco. Ele é contra a entrada da Turquia, alegando que é um país muçulmano e não é europeu.

"A ampliação sem limites é a morte da Europa política", alegou Sarko. "As negociações com a Turquia começaram em 1964. Até quando vão? Sou contra a entrada da Turquia na UE e não vou mudar de opinião."

Ségolène não quis adotar uma posição definitiva, argumentando que "há um processo de negociações em andamento e a França precisa manter sua palavra. Há um processo. Há condições. No final, o povo francês terá o direito de se manifestar em plebiscito. Há uma aspiração dos turcos de aderir à Europa. Vimos nos últimos dias uma onda de manifestações para defender uma Turquia laica e secularista".

O candidato conservador contra-atacou dizendo que, com a Turquia, as fronteiras da Europa ficariam no Iraque e na Síria, e a UE importaria o problema curdo. Ele descreveu o risco de que o Irã produza armas nucleares como "a questão mais perigosa hoje nas relações internacionais".

Sarkozy procurou explorar as contradições do discurso de Ségolène ao longo da campanha. Primeiro, ela elogiou a rapidez de decisão da Justiça comercial na China; depois, propôs um boicote à Olimpíada de Beijim, em 2008, o que seu adversário considerou demagógico, já que é "um encontro pacífico de confraternização da juventude". Ela disse que lutou pela libertação de presos políticos na China. Ambos defenderam o desenvolvimento da África como forma de reduzir a imigração ilegal para a Europa.

O rigor contra os imigrantes ilegais é um dos pontos fortes do discurso de Sarkozy, ele próprio um filho de imigrantes que adota uma política linha-dura a gosto da classe média e do operariado francês: "Não haverá uma legalização geral dos imigrantes ilegais. Isso aconteceu três vezes sob governos socialistas. Pagamos caro. Quero uma França aberta e generosa, mas não podemos acolher todo o mundo, toda a miséria do mundo".

Mas isso não justifica a prisão de um avô diante da escola de seu neto, alfinetou Ségolène, chamando a atenção, mais uma vez, para a truculência das políticas de Sarkozy como ministro do Interior, responsável pela polícia: "Essa não é a República francesa". Há poucos dias, ela usou a tática de aterrorizar o eleitorado afirmando que, se seu adversário vencer no domingo, os jovens da periferia voltarão a se rebelar, incendiar carros e saquear lojas.

Ela quer os votos da periferia mas quer também os dos estudantes de classe média que no ano passado rejeitaram o contrato do primeiro emprego numa de protestos de rua que lembrou a revolução de maio de 1968, com a diferença de que agora os jovens defendem o status quo, os direitos sociais ameaçados pela globalização econômica.

Conservador, Sarkozy é contra uma reforma política profunda. Entende que as instituições da 5ª República funcionam bem e que a participação de 85% no primeiro turno da eleição presidencial, em 22 de abril, é uma prova do vigor da democracia francesa, prometendo fazer "um governo muito aberto, de união porque o presidente não é presidente de um partido mas da nação".

Para Ségolène, "a mudança das instituições é necessária porque o mundo mudou". É preciso reformar a democracia social e aumentar os mecanismos de democracia participativa, convocando mais plebiscitos. Citou a rejeição da Lei do Primeiro Emprego como exemplo da "pressão das ruas" sobre o Parlamento.

Chanceler de Israel pede saída do primeiro-ministro

A ministra do Exterior de Israel, Tzipi Livni, somou-se hoje à oposição para pedir a queda do primeiro-ministro Ehud Olmert, acusado por uma comissão de "erros graves" na condução da guerra contra a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus), em julho e agosto do ano passado.

O primeiro-ministro rejeitou o apelo, dizendo que não pretende se eximir de suas "responsabilidades" e que quer "reparar todos os erros".

Figura mais popular do governo, Tzipi Livni será uma forte candidata à liderança do partido Kadima (Avante), se Olmert cair.

Dani, o Vermelho: "Em relação a maio de 68, Sarkozy comporta-se como stalinista"

Na batalha final pela Presidência da França, até a Revolução dos Estudantes, em maio de 1968, virou objeto de discórdia.

O candidato conservador, Nicolas Sarkozy, promete "liquidar maio de 68", como se o espírito dos anos rebeldes fosse responsável pelos problemas atuais. A socialista Ségolène Royal logo se levantou em defesa de um idealismo romântico que não se vê mais no mundo globalizado. Mas a palavra final cabe a Daniel Cohn-Bendit, Dani le rouge (Dani, o Vermelho), o líder da revolução.

Em entrevista ao jornal Le Monde, Cohn-Bendit, hoje deputado do partido Verde alemão (tem dupla nacionalidade) no Parlamento Europeu, acusou o ex-ministro do Interior de agir como um perfeito stalinista em relação a maio de 1968: "É a prova de que ele ousa dizer qualquer coisa, não importa o quê. Porque, afinal, quem estava na rua em maio de 1968? Não somente nós, os estudantes contestadores? Mais da metade da França estava em greve. É isso que Sarkozy não aceita. As palavras que ele usa são sintomáticas. Ele fala em "liquidar maio de 68". Comporta-se como um perfeito stalinista. Enquanto os franceses buscam se reconciliar, ele se dedica a exumar no final da campanha velhos rancores de 40 anos".

Sarkozy é o líder em todas as pesquisas para o segundo turno, a ser realizado no próximo domingo, 6 de maio, embora em algumas Ségolène esteja tecnicamente empatada, considerando-se a margem de erro da pesquisa.

Já os estudantes franceses protestaram no ano passado para manter o status quo, rejeitando a Lei do Primeiro Emprego, que facilitaria a rescisão do primeiro contratado de trabalho de jovens até 25 anos.

Um dos desafios de Sarkozy para impor seu programa econômico liberalizante será enfrentar os sindicatos. É esse o "maio de 68" que ele quer liquidar.

Justiça dos EUA não nega pedidos para vigiar suspeitos

A Justiça dos Estados Unidos não rejeitou em 2006 nenhum dos mais de 2,1 mil pedidos para vigiar cidadãos ou realizar operações de busca e revista pessoal, informou ontem o Departamento da Justiça. Desde 2001, só quatro pedidos feitos com base na Lei de Vigilância e Inteligência Externa foram negados.

Os grupos de defesa dos direitos humanos, que acusam o governo americano de agir sem limites com a desculpa de combater o terrorismo, temem que o Executivo abuse de sua autoridade diante da posição do Judiciário. Bush já autorizou, sem pedir à Justiça, o monitoramento das ligações internacionais em que apenas uma das partes é suspeita, alegando ter autoridade para isso, em nome da segurança nacional.

Vendas pendentes de casas caem 4,9% nos EUA

Em outro sinal de debilidade do mercado imobiliário, as transações pendentes de imóveis residenciais caíram 4,9% em março nos Estados Unidos, revelou ontem a Associação Nacional dos Corretores de Imóveis. O pior resultado em três anos foi atribuído ao frio do final do inverno no Hemisfério Norte e à crise no financiamento imobiliário para clientes de segunda linha.

Uma venda é considerada pendente quando houve um acerto inicial, a assinatura de um contrato e o pagamento de uma entrada ou sinal, mas o negócio ainda não foi plenamente concretizado, com o pagamento integral ou a obtenção do financiamento necessário para cobrir o valor total do imóvel.

Bush veta lei que marcava retirada do Iraque

Quatro anos depois de anunciar o fim da guerra, o presidente George Walker Bush anunciou ontem que vetou a lei de de despesas da guerra do Iraque aprovada na Câmara e no Senado porque estabelece prazos para a retirada das tropas americanas, alegando que deputados e senadores da oposição querem realizar as funções dos militares.

O projeto marcava o início da retirada para outubro e a volta das últimas tropas de combate para os Estados Unidos até março de 2008.

"Não faz sentido dizer ao inimigo quando você vai se retirar", declarou Bush. "Tudo o que os terroristas teriam de fazer seria marcar a data no seu calendário. Marcar um prazo para a retirada é marcar um prazo para o fracasso, e isso seria uma irresponsabilidade".

"Reconheço que muitos democratas viram nesta lei uma oportunidade para fazer uma declaração política contra a guerra", acrescentou o presidente americano. "Eles deram sua mensagem. Agora, está na hora de esquecer a política e apoiar nossas tropas com o dinheiro necessário".

A presidente da Câmara, deputada Nancy Pelosi, principal líder democrata no Congresso, alegou que os parlamentares "não darão um cheque em branco ao presidente".

terça-feira, 1 de maio de 2007

Índice de avitidade industrial cresce nos EUA

O índice de atividade industrial aumentou nos Estados Unidos em abril depois de sete meses, chegando ao nível mais alto desde maio do ano passado.

Esse índice é calculado por um órgão privado, o Institute for Management Supply (Instituto de Gerenciamento da Oferta). Em março, estava em 50,9%. Em abril, chegou a 54,7%, melhor resultado desde maio de 2006.

A expectativa média dos economistas era de algo em torno de 51%. O dado projeta um crescimento econômico anual de 4%, bem superior ao aumento do produto interno bruto americano no primeiro trimestre do ano, de apenas 1,3%, o que alimentou o medo de uma recessão na maior economia do mundo.

Primeiro-ministro turco antecipa eleições

Para tentar superar a crise provocada pela anulação do primeiro turno da eleição presidencial indireta pelo Supremo Tribunal da Turquia, o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan decidiu antecipar as eleições parlamentares previstas para dezembro. Elas podem ser realizadas em 24 de junho.

Na sexta-feira passada, o Parlamento elegeu para presidente o atual ministro do Exterior, Abdullah Gul, de um partido muçulmano moderado. Como Gul pertence ao mesmo partido do primeiro-ministro, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento, há temor de uma erosão dos princípios secularistas da Turquia pós-Primeira Guerra Mundial, que acabou com o Império Otomano.

Mais de 700 mil pessoas protestaram no domingo contra a islamização do país em Istambul, defendendo a República da Turquia laica e secularista como queria seu fundador, em 1923, Mustafa Kemal Ataturk, até hoje o grande herói nacional. As Forças Armadas são as guardiãs do kemalismo, a base ideológica da república.

Os rumores de golpe militar derrubaram a bolsa de valores, que caiu 6,3% na segunda e 3,2 na terça-feira.

Murdoch quer comprar grupo Dow Jones

As ações do grupo Dow Jones subiram 56% hoje com a notícia de que o magnata da mídia Rupert Murdoch fez uma oferta de US$ 5 bilhões pela empresa que edita o Wall Street Journal. Mas a família que controla a companhia rejeitou a proposta.

Um representante da família Bancroft, Michael Elefante, informou à diretoria do grupo que "um pouco mais de 50% do capital votante" é contra o negócio. Murdoch espera que essa decisão não seja definitiva: "Não sei nem se toda a família foi consultada".

Supremo anula eleição presidencial na Turquia

Depois de dias de protestos, o Tribunal Constitucional da Turquia anulou hoje a eleição presidencial indireta, acolhendo uma representação da oposição alegando que não houve maioria de dois terços na votação no Parlamento, vencida pelo ministro do Exterior, Abdullah Gul.

As manifestações de rua foram convocadas porque Gul pertence ao mesmo partido muçulmano do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento. No exterior, ambos são vistos como moderados. Mas a oposição argumenta que ameaçaria o secularismo imposto por Mustafa Kemal Ataturk, o fundador da República da Turquia, em 1923.

Como as Forças Armadas são as guardiãs do kemalismo, nos últimos dias houve rumores de golpe militar na Turquia, o que sepultaria de vez a candidatura turca à União Européia.

A decisão, a ser tomada até 2015, enfrenta séria oposição entre os cidadãos europeus, enquanto os Estados Unidos gostariam de integrar a Turquia ao Ocidente para desmentir a tese do conflito de civilizações. Seria uma ponte entre o Ocidente cristão e o Islã. Se rejeitar a Turquia, a Europa estará se firmando como um clube de países cristãos, aprofundando assim o fosso entre Oriente e Ocidente.

Blair apóia Brown como sucessor

No décimo aniversário de sua primeira vitória eleitoral, que acabou com 18 anos consecutivos de governos conservadores, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, apoiou o ministro das Finanças, Gordon Brown, como seu sucessor na liderança do Partido Trabalhista e do governo, prometendo anunciar na próxima semana a data de sua saída.

"Dentro de algumas semanas, não serei mais primeiro-ministro deste país", declarou Blair numa reunião do partido na Escócia. "Com certeza, um escocês será primeiro-ministro. É alguém que construiu uma das economias mais fortes do mundo e que eu sempre disse que seria um grande primeiro-ministro".

Blair é o primeiro-ministro que ficou mais tempo no poder em mais de um século, sendo superado apenas pela ex-primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher, que governou o Reino Unido de maio de 1979 até novembro de 1990. Mas seu apoio incondicional ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 custou caro.

O eleitorado britânico, e especialmente a ala esquerdista do trabalhismo, nunca aceitou a participação do país na invasão do Iraque. Nas últimas eleições parlamentares, em 2005, Blair obteve sua terceira vitória consecutiva, algo inédito para um líder trabalhista. Mas sua maioria na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico caiu de 179 para 66 cadeiras.

Hoje os conservadores lideram as pesquisas de opinião.

Blair deixa um legado misto.

A economia britânica atravessa seus mais longo período de crescimento contínuo na História recente, desde 1992, só que isso se deve mais a Brown.

Houve uma melhora inegável nos serviços públicos, principal razão da vitória trabalhista, mas a distribuição da riqueza não melhorou. No domingo, o jornal The Sunday Times revelou que a renda dos mil britânicos mais ricos triplicou em dez anos de blairismo.

Ao mesmo tempo, Blair conseguiu negociar a paz na Irlanda do Norte mas queimou-se com a invasão do Iraque.

Chávez nacionaliza petróleo do delta do Orinoco

O governo da Venezuela assumiu nesta terça-feira, 1º de maio, os controles acionário e operacional dos campos de petróleo do delta do rio Orinoco, onde pode estar maior reserva mundial de óleo cru.

A medida faz parte do amplo programa de nacionalizações iniciado pelo presidente Hugo Chávez depois de sua reeleição em dezembro para criar o que chamada de "socialismo do século 21". Além do petróleo, todo o setor de energia e também as telecomunicações serão estatizados. Há ainda invasão de terras, controle de frigoríficos e regulamentação do atendimento médico particular.

Na semana passada, 10 das 13 empresas que exploravam petróleo na bacia do Orinoco, uma área duas vezes maior do que o Estado de Israel, assinaram memorandos de entendimento transferindo 60% do controle acionário dos negócios para a companhia estatal Petroleos de Venezuela (PdVSA).

Em 2008, a Venezuela pretende provar que as reservas do Orinoco somam 270 bilhões de barris. Isto a colocaria à frente da Arábia Saudita como líder mundial em reservas petrolíferadas comprovadas.

Chávez também anunciou a saída da Venezuela de duas organizações internacionais que acusa de serem instrumentos da política externa dos Estados Unidos: o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. Mais uma vez, ameaçou deixar a Organização dos Estados Americanos (OEA).

OTAN mata 136 talebã em Herat, no Afeganistão

Três dias de violentos combates entre a aliança militar liderada pelos Estados Unidos e a milícia dos Talebã (Estudantes) causaram a morte de 136 rebeldes em Herat, cidade que se orgulha de ser o centro comercial e cultural do Afeganistão.

Já os britânicos, liderando uma força de 3 mil homens da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), lançaram a Operação Silício, ao lado do Exército afegão, na província de Helmand, onde são produzidos 45% do ópio e da heroína do Afeganistão.

O tráfico é a principal fonte de renda para os insurgentes e os senhores da guerra que ainda dominam grandes áreas do país.