O aquecimento global causado pelo aumento da concentração de gases carbônicos na atmosfera ameaça a produção de alimentos e o suprimento de água potável, adverte um novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, do inglês), informa o jornal The New York Times.
Com a alta nos preços, podem surgir novos "bolsões de fome" entre os pobres, que vão pagar o maior preço pela catrástrofe ambiental, observa o jornal inglês The Guardian. O custo total de catástrofes como o tufão que matou 6 mil pessoas no ano passado nas Filipinas chegaria a US$ 100 bilhões por ano. Novas massas de refugiados se moveriam sobre o planeta.
Entre os efeitos do agravamento do efeito estufa, o painel convocado pelas Nações Unidas cita o degelo no Oceano Ártico e a destruição dos recifes de coral. Os desertos tendem a ficar mais secos, e as áreas alagadas, mais alagadas. A produção de grãos, os alimentos básicos da humanidade, seriam reduzidas.
Há duas grandes controvérsias científicas envolvendo a questão. A primeira é se a atividade humana, no caso, a poluição industrial, é a responsável pela mudança do clima. O IPCC afirma que não há mais dúvidas. Há quem discorde, alegando que seria um fenômeno natural.
A segunda questão é sobre o impacto que isso terá sobre a vida humana na Terra, se vale a pena alterar radicalmente o modelo econômico para uma sociedade com baixa queima de produtos do carbono como gás, carvão e petróleo ou se o custo seria alto demais. Neste caso, seria melhor se adaptar a um aumento do calor.
O IPCC está advetindo que o custo de não fazer nada será catastrófico. No momento, as conferências da ONU sobre mudança do clima estão paralisadas pela decisão dos maiores poluidores e maiores potências mundiais, EUA e China, não quererem se submeter a tratados internacionais capazes de afetar suas economias.
No Brasil, por exemplo, saímos de um verão muito quente com pouquíssima chuva no Sudeste, quebra de safras e redução do nível de água nas barragens tanto para geração de energia quanto para consumo doméstico ou industrial. O fantasma do racionamento de energia está de volta e o impacto dos preços na inflação dos alimentos é evidente. São alertas.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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segunda-feira, 31 de março de 2014
domingo, 20 de novembro de 2011
Fenômenos climáticos serão mais violentos
Os cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, do inglês) advertem: por causa do aquecimento da Terra, o mundo deve se preparar cada vez mais para enfrentar um "clima extremado sem precedentes".
As ondas de calor que aconteciam uma vez a cada geração tendem a se repetir a cada cinco anos pela metade do século e todo o ano no fim do século 21, adverte um novo relatório.
"Nossas respostas precisam antecipar os desastres e reduzir os riscos antes que aconteçam, em vez de esperar que ocorram e atacar as consequências", alertou Maarten van Aalst, diretor do Centro de Clima do Crescente Vermelho e da Cruz Vermelha Internacional.
As ondas de calor que aconteciam uma vez a cada geração tendem a se repetir a cada cinco anos pela metade do século e todo o ano no fim do século 21, adverte um novo relatório.
"Nossas respostas precisam antecipar os desastres e reduzir os riscos antes que aconteçam, em vez de esperar que ocorram e atacar as consequências", alertou Maarten van Aalst, diretor do Centro de Clima do Crescente Vermelho e da Cruz Vermelha Internacional.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
EUA propõem meta de corte de gases
Pela primeira vez, os Estados Unidos apresentaram uma proposta de redução das emissões dos gases que agravam o efeito estufa, aumentando a temperatura da Terra.
O presidente Barack Obama vai à Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, a ser realizada em Copenhague, na Dinamarca, de 7 a 18 de dezembro, com o objetivo de negociar um acordo que substitua o Protocolo de Quioto.
A Casa Branca revelou ontem que ele vai levar uma proposta de corte de 17% até 2020 e de 83% até 2050 em relação às emissões de gases-estufa de 2005.
Pelo Protocolo de Quioto, nunca foi aprovado pelos EUA, os americanos teriam de fazer um corte de 5,2% em relação às emissões de 1990.
A atual meta é de cerca de 3% das emissões de 1990. Ainda está abaixo da exigência de Quioto. Mas é a primeira vez que o país, que era o maior poluidor mundial e recentemente foi ultrapassado pela China, se compromete em reduzir suas emissões.
Em entrevista na Alemanha, o secretário-geral da Conferência do Clima, Yvo de Boer, saudou a participação do presidente dos EUA afirmando que, "em Copenhague, não há plano B. Só existe Plano A e é A de ação imediata".
O presidente Barack Obama vai à Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, a ser realizada em Copenhague, na Dinamarca, de 7 a 18 de dezembro, com o objetivo de negociar um acordo que substitua o Protocolo de Quioto.
A Casa Branca revelou ontem que ele vai levar uma proposta de corte de 17% até 2020 e de 83% até 2050 em relação às emissões de gases-estufa de 2005.
Pelo Protocolo de Quioto, nunca foi aprovado pelos EUA, os americanos teriam de fazer um corte de 5,2% em relação às emissões de 1990.
A atual meta é de cerca de 3% das emissões de 1990. Ainda está abaixo da exigência de Quioto. Mas é a primeira vez que o país, que era o maior poluidor mundial e recentemente foi ultrapassado pela China, se compromete em reduzir suas emissões.
Em entrevista na Alemanha, o secretário-geral da Conferência do Clima, Yvo de Boer, saudou a participação do presidente dos EUA afirmando que, "em Copenhague, não há plano B. Só existe Plano A e é A de ação imediata".
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Florestas virgens absorvem mais carbono
As florestas naturais intocadas absorvem até três vezes mais gases carbônicos do que estimado anteriormente e 60% a mais do que as florestas plantadas, concluiu uma nova pesquisa da Universidade Nacional da Austrália. Seu papel no combate ao aquecimento global é ainda mais importante.
"Na Austrália, e provavelmente no mundo inteiro", afirma o relatório, "a capacidade das florestas naturais de absorver carbono é subestimada e portanto desconsiderada nas avaliações econômicas e no debate político".
O relatório Carbono Verde: a papel das florestas naturais na armazenagem do carbono argumenta que o Protocolo de Quioto e o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima não fazem distinção entre florestas naturais ou plantadas.
"Na Austrália, e provavelmente no mundo inteiro", afirma o relatório, "a capacidade das florestas naturais de absorver carbono é subestimada e portanto desconsiderada nas avaliações econômicas e no debate político".
O relatório Carbono Verde: a papel das florestas naturais na armazenagem do carbono argumenta que o Protocolo de Quioto e o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima não fazem distinção entre florestas naturais ou plantadas.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Florestas absorvem menos gás carbônico
A capacidade das florestas de absorver o gás carbônico produzido pelo homem está diminuindo, indicam uma análise de dados de mais de 30 lugares coletados durante duas décadas.
"Atualmente, conseguimos neutralizar 50% do impacto da queima de combustíveis fósseis sobre o clima", afirma o meteorologista John Miller, da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, em artigo na revista científica Nature. Ou seja: a metade dos gases são absorvidos pelos oceanos e a vegetação terrestre.
Para o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (PIMC), das Nações Unidas, a humanidade tem oito anos para evitar os piores efeitos do aquecimento global.
"Infelizmente", adverte o cientista, "não temos garantia de que essa taxa de 50% será mantida. Se diminuir, vamos sentir ainda mais o impacto de nossas permanentes emissões de gás carbônico produzido pela queima de combustíveis fósseis", sobretudo petróleo e carvão.
Leia mais no jornal inglês The Guardian.
"Atualmente, conseguimos neutralizar 50% do impacto da queima de combustíveis fósseis sobre o clima", afirma o meteorologista John Miller, da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, em artigo na revista científica Nature. Ou seja: a metade dos gases são absorvidos pelos oceanos e a vegetação terrestre.
Para o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (PIMC), das Nações Unidas, a humanidade tem oito anos para evitar os piores efeitos do aquecimento global.
"Infelizmente", adverte o cientista, "não temos garantia de que essa taxa de 50% será mantida. Se diminuir, vamos sentir ainda mais o impacto de nossas permanentes emissões de gás carbônico produzido pela queima de combustíveis fósseis", sobretudo petróleo e carvão.
Leia mais no jornal inglês The Guardian.
sexta-feira, 4 de maio de 2007
Custo para conter aquecimento global vai de 0,12% a 3%
O custo para controlar a emissão de gases que provocam o efeito estufa e conter o aquecimento global foi estimado entre 0,12% ao ano do produto mundial bruto, se ações decisivas foram adotadas já, pelos cientistas de mais de cem países, no Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (PIMC), que publicou hoje em Bancoc, na Indonésia, seu terceiro relatório sobre o problema este. Em 2030, o PMB seria 3% menor do que se nada for feito.
Nos relatórios anteriores, o painel das Nações Unidas fez um diagnóstico da influência do homem sobre o clima da Terra e um prognóstico dos desequilíbrios ambientais que acontecerão se não for reduzida a queima de combustíveis, especialmente carvão e petróleo.
Para evitar efeitos catastróficos, será necessário reduzir as emissões entre 50% e 85% até 2050. É preciso reduzir o uso de combustíveis fósseis, trocando-os por biocombustíveis e outras alternativas, como as energias solar, eólica, das mares e até nuclear.
Com uma redução de apenas 0,12% ao ano no crescimento global, será possível evitar os piores efeitos do aquecimento do planeta. Mas só vai dar certo se todos os países, ou pelo menos os mais importantes e mais poluidores, participarem do esforço.
A advertência é grave: a concentração na atmosfera dos gases que provocam o efeito estufa cresce constantemente; triplicou desde 1970. Mas é possível reduzir as emissões desses gases e ao mesmo tempo aumentar a riqueza da humanidade, argumentou em Bancoc Ogunlade Davidson, co-presidente do PIMC. Ele disse que a palavra-chave não é "sacrifício" mas mudança de "estilo de vida", por exemplo, trocando o carro pela bicicleta, quando for possível.
No momento, a concentração de gases que provocam o efeito estufa é de 425 partes por milhão. Se este nível for mantido em até 445 ppm, o aquecimento médio do planeta será contido em até dois graus centígrados. O custo seria uma redução de 3% na produção do mundo inteiro em 2030 em comparação com o que seria se nada for feito, sem levar em conta outros custos decorrentes do aquecimento da Terra.
Nos relatórios anteriores, o painel das Nações Unidas fez um diagnóstico da influência do homem sobre o clima da Terra e um prognóstico dos desequilíbrios ambientais que acontecerão se não for reduzida a queima de combustíveis, especialmente carvão e petróleo.
Para evitar efeitos catastróficos, será necessário reduzir as emissões entre 50% e 85% até 2050. É preciso reduzir o uso de combustíveis fósseis, trocando-os por biocombustíveis e outras alternativas, como as energias solar, eólica, das mares e até nuclear.
Com uma redução de apenas 0,12% ao ano no crescimento global, será possível evitar os piores efeitos do aquecimento do planeta. Mas só vai dar certo se todos os países, ou pelo menos os mais importantes e mais poluidores, participarem do esforço.
A advertência é grave: a concentração na atmosfera dos gases que provocam o efeito estufa cresce constantemente; triplicou desde 1970. Mas é possível reduzir as emissões desses gases e ao mesmo tempo aumentar a riqueza da humanidade, argumentou em Bancoc Ogunlade Davidson, co-presidente do PIMC. Ele disse que a palavra-chave não é "sacrifício" mas mudança de "estilo de vida", por exemplo, trocando o carro pela bicicleta, quando for possível.
No momento, a concentração de gases que provocam o efeito estufa é de 425 partes por milhão. Se este nível for mantido em até 445 ppm, o aquecimento médio do planeta será contido em até dois graus centígrados. O custo seria uma redução de 3% na produção do mundo inteiro em 2030 em comparação com o que seria se nada for feito, sem levar em conta outros custos decorrentes do aquecimento da Terra.
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