O primeiro-viúvo, Assif Ali Zardari, herdeiro político da ex-primeira-ministro Benazir Bhutto, foi eleito hoje indiretamente presidente do Paquistão. Ele substituirá o ex-ditador Pervez Musharraf, que renunciou no mês passado para escapar de um processo de impeachment.
Playboy na juventude, Zardari ganhou a sorte grande ao casar com a jovem e bela herdeira de um dos grandes heróis paquistaneses, Zulfikar Ali Bhutto, presidente (1971-73) e primeiro-ministro (1973-77), executado em 1979 por uma das tantas ditaduras militares da história do país.
Benazir foi a primeira mulher a chefiar o governo de um país muçulmano. Durante seu governo, Zardari era conhecido como Sr. 10%, por causa da comissão que cobrava para intermediar negócios com o Estado paquistanês.
Ele chegou lá por mais uma sucessão de erros e tragédias. Há um ano, ninguém cogitaria esse resultado final.
Como o Paquistão é o único país muçulmano com armas nucleares, os Estados Unidos têm muito medo que grupos terroristas islâmicos tenham acesso a bombas atômicas. O general Musharraf era considerado pelo governo americano um guardião confiável do arsenal nuclear paquistanês.
Os EUA articularam uma transição para a democracia em que Musharraf seguiria na presidência e Benazir seria a primeira-ministra. Mas para garantir sua terceira eleição indireta, o general decretou estado de emergência e afastou 60 juízes, inclusive o presidente da Suprema Corte.
Benazir chegou ao país e foi obrigada a atacar o general, extremamente impopular por causa do estado de emergência, na campanha eleitoral. Foi assassinada por radicais muçulmanos, os chamados talebã paquistaneses, em 27 de dezembro de 2007.
Era a chance para Zardari. Ele aproveitou.
Em dezembro, ele declarou que não aspirava cargos: "Sou como Sonia Gandhi", disse, comparando-se com o viúva do primeiro-ministro indiano Rajiv Gandhi.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sábado, 6 de setembro de 2008
segunda-feira, 10 de março de 2008
Oposições se unem contra Musharraf
Os dois principais partidos de oposição no Paquistão, vencedores das eleições de 18 de fevereiro, se acertaram ontem em princípio para formar o novo governo.
Entre os pontos da plataforma comum, está a reinstauração no cargo de 60 juízes afastados pelo ditador, general Pervez Musharraf, porque eles resistiram à sua reeleição indireta.
Assif ali Zardari, viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, do Partido Popular Paquistanês, e o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, da Liga Muçulmana do Paquistão-N, saíram vitoriosos. Sua aproximação complica a situação do general.
O acordo entre Zardari e Sharif, deposto em 1999 por um golpe de Estado comandado por Musharraf, praticamente a possibilidade de que os aliados do general participem do futuro governo paquistanês.
Leia mais no jornal The New York Times.
Entre os pontos da plataforma comum, está a reinstauração no cargo de 60 juízes afastados pelo ditador, general Pervez Musharraf, porque eles resistiram à sua reeleição indireta.
Assif ali Zardari, viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, do Partido Popular Paquistanês, e o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, da Liga Muçulmana do Paquistão-N, saíram vitoriosos. Sua aproximação complica a situação do general.
O acordo entre Zardari e Sharif, deposto em 1999 por um golpe de Estado comandado por Musharraf, praticamente a possibilidade de que os aliados do general participem do futuro governo paquistanês.
Leia mais no jornal The New York Times.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Viúvo de Benazir propõem grande coalizão
O líder do Partido Popular Paquistanês, Assif Ali Zardari, viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, mudou de opinião de um dia para o outro e anunciou na quarta-feira estar pronto para formar uma grande aliança para governar o Paquistão.
Como o PPP elegeu 33% dos deputados eleitos do parlamento paquistanês, o PPP conquistou o direito de formar o governo do país, que adota o regime parlamentarista.
Na terça-feira, Zardari dissera que formaria o governo com quaisquer partidos, menos com a Liga Muçulmana do Paquistão-Q, o partido do ditador, general Pervez Musharraf.
Grande derrotado na eleição, com apenas 14% das cadeiras para seu partido, o general ficou sob pressão dos dois maiores partidos do país para renunciar à presidência. Mas anunciou que permaneceria no cargo como "coordenador do processo de democratização".
Musharraf era comandante do Exército em 1999, quando o então primeiro-ministro Nawaz Sharif tentou destituí-lo e foi derrubado.
A História do Paquistão independente mostra que a maior parte do tempo o país foi governado por generais. O golpe só dá certo quando é dado pelo comandante do Exército. Mas esse não falha. Nenhum governo civil cumpriu todo o mandato.
Zardari deve ter percebido que Musharraf ainda tem o apoio do Exército, quando fala em "unir todas as instituições", inclusive o Exército, fiador da unidade nacional. Já avisou que não será candidato a primeiro-ministro. O PPP deve indicar outro nome.
O general Musharraf também tem o apoio dos Estados Unidos, já que é o guardião das armas nucleares do Paquistão, grande sonho dos terroristas muçulmanos.
Quando Benazir Bhutto voltou ao Paquistão, com o apoio americano, a expectativa era de um acordo com Musharraf. O general continuaria como presidente e Benazir seria primeira-ministra.
Essa rearticulação está sendo refeita.
Como o PPP elegeu 33% dos deputados eleitos do parlamento paquistanês, o PPP conquistou o direito de formar o governo do país, que adota o regime parlamentarista.
Na terça-feira, Zardari dissera que formaria o governo com quaisquer partidos, menos com a Liga Muçulmana do Paquistão-Q, o partido do ditador, general Pervez Musharraf.
Grande derrotado na eleição, com apenas 14% das cadeiras para seu partido, o general ficou sob pressão dos dois maiores partidos do país para renunciar à presidência. Mas anunciou que permaneceria no cargo como "coordenador do processo de democratização".
Musharraf era comandante do Exército em 1999, quando o então primeiro-ministro Nawaz Sharif tentou destituí-lo e foi derrubado.
A História do Paquistão independente mostra que a maior parte do tempo o país foi governado por generais. O golpe só dá certo quando é dado pelo comandante do Exército. Mas esse não falha. Nenhum governo civil cumpriu todo o mandato.
Zardari deve ter percebido que Musharraf ainda tem o apoio do Exército, quando fala em "unir todas as instituições", inclusive o Exército, fiador da unidade nacional. Já avisou que não será candidato a primeiro-ministro. O PPP deve indicar outro nome.
O general Musharraf também tem o apoio dos Estados Unidos, já que é o guardião das armas nucleares do Paquistão, grande sonho dos terroristas muçulmanos.
Quando Benazir Bhutto voltou ao Paquistão, com o apoio americano, a expectativa era de um acordo com Musharraf. O general continuaria como presidente e Benazir seria primeira-ministra.
Essa rearticulação está sendo refeita.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Musharraf sofre derrota esmagadora
As projeções dos primeiros resultados indicam que o partido apoiado pelo presidente Pervez Musharraf foi amplamente derrotado nas eleições legislativas da segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008.
Os dois partidos de oposição - o Partido Popular Paquistanês, da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, assassinada após um comício em 27 de dezembro, hoje liderado pelo viúvo; e a Liga Muçulmana do Paquistão, do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif - levam ampla vantagem sobre os candidatos do general.
Eles terão de se unir para formar um governo estável. Já seria um avanço formidável na política paquistanesa. Daí até pacificar um país em chamas, com um crescente radicalismo muçulmano e a fronteira incerta com o Afeganistão onde estariam refugiados os líderes da rede terrorista Al Caeda.
Musharraf era comandante do Exército em 1999, quando o então primeiro-ministro Sharif tentou destituí-lo e foi derrubado. Inicialmente hostilizado pelos Estados Unidos por ser um ditador, o general tornou-se peça fundamental na estratégia americana a partir dos atentados de 11 de setembro de 2001.
O problema imediato, na verdade, era o Afeganistão. Lá, a rede Al Caeda (A Base), responsável pelos atentados, tinha seus centros de treinamento sob a proteção do regime fundamentalista da milícia dos Talebã (1996-2001), que chegou a ser apoiado nos EUA como maneira de estabilizar o Afeganistão.
Esse país árido e montanhoso sempre foi um desafio estratégico. Só foi conquistado por Alexandre o Grande, talvez o maior general de todos os tempos.
Em 1979, foi invadido pela União Soviética. No governo Ronald Reagan (1981-89), os EUA, a Arábia Saudita, o Paquistão e a China apoiaram guerrilheiros muçulmanos (mujahedin) que fizeram do Afeganistão o Vietnã da URSS.
Cerca de 25 mil soviéticos morreram na invasão e ocupação do país. Em 1989, na era Gorbachev (1985-91), a URSS se retirou.
O Afeganistão ficou entregue a grupos muçulmanos que, primeiro, derrubaram o último presidente instalado pelos soviéticos, Mohammed Najibullah. Depois, brigaram entre si com alianças tribais.
Como nunca foi dominado, o Afeganistão não saiu do estágio tribal, não tem uma infra-estrutura moderna. O país foi dividido em feudos dominados pelos senhores da guerra.
Por iniciativa do serviço secreto do Paquistão, com dinheiro da Arábia Saudita e o apoio dos EUA, a partir de 1994, a milícia dos Talebã começou a realizar operações militares.
Talebã significa estudantes religiosos em pachtum, a língua da tribo pachtum, a maior do Afeganistão (40%) e uma minoria importante no Paquistão (13%). É uma importação de taleb, que é estudante em árabe.
Os talebã são estudantes doutrinados nas madrassás, escolas onde só se estuda o
Corão, o livro sagrado muçulmanos. Muitas ficam no Paquistão, onde milhões de afegãos se refugiaram durante a invasão soviética.
A guerra Afeganistão não só é um detrito da Guerra Fria como o antigo aliado de Washington na luta contra o comunismo, o Paquistão, está diretamente envolvido.
Depois de 11 de setembro de 2001, os EUA precisavam do Paquistão para atacar o Afeganistão. Como o Afeganistão não tem saída para o mar, as forças americanas previsam atravessar o Paquistão ou entrar pelas ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central.
Pior ainda: o Paquistão é o único país muçulmano com armas nucleares, e tudo o que os terroristas querem é uma bomba atômica para destruir uma grande cidade de maneira ainda mais espetacular.
Por tudo isso, Musharraf é um aliado fundamental para a estratégia americana na chamada guerra contra o terrorismo. É um guardião confiável da bomba atômica muçulmana.
Sua derrota coloca sérias dúvidas sobre a governabilidade do Paquistão, que durante a maior parte de sua história foi governado pelos militares, para ser exato, pelo Exército. É uma história marcada por golpes de Estado, que só tiveram sucesso quando dados pelo comandante do Exército.
Os dois partidos de oposição - o Partido Popular Paquistanês, da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, assassinada após um comício em 27 de dezembro, hoje liderado pelo viúvo; e a Liga Muçulmana do Paquistão, do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif - levam ampla vantagem sobre os candidatos do general.
Eles terão de se unir para formar um governo estável. Já seria um avanço formidável na política paquistanesa. Daí até pacificar um país em chamas, com um crescente radicalismo muçulmano e a fronteira incerta com o Afeganistão onde estariam refugiados os líderes da rede terrorista Al Caeda.
Musharraf era comandante do Exército em 1999, quando o então primeiro-ministro Sharif tentou destituí-lo e foi derrubado. Inicialmente hostilizado pelos Estados Unidos por ser um ditador, o general tornou-se peça fundamental na estratégia americana a partir dos atentados de 11 de setembro de 2001.
O problema imediato, na verdade, era o Afeganistão. Lá, a rede Al Caeda (A Base), responsável pelos atentados, tinha seus centros de treinamento sob a proteção do regime fundamentalista da milícia dos Talebã (1996-2001), que chegou a ser apoiado nos EUA como maneira de estabilizar o Afeganistão.
Esse país árido e montanhoso sempre foi um desafio estratégico. Só foi conquistado por Alexandre o Grande, talvez o maior general de todos os tempos.
Em 1979, foi invadido pela União Soviética. No governo Ronald Reagan (1981-89), os EUA, a Arábia Saudita, o Paquistão e a China apoiaram guerrilheiros muçulmanos (mujahedin) que fizeram do Afeganistão o Vietnã da URSS.
Cerca de 25 mil soviéticos morreram na invasão e ocupação do país. Em 1989, na era Gorbachev (1985-91), a URSS se retirou.
O Afeganistão ficou entregue a grupos muçulmanos que, primeiro, derrubaram o último presidente instalado pelos soviéticos, Mohammed Najibullah. Depois, brigaram entre si com alianças tribais.
Como nunca foi dominado, o Afeganistão não saiu do estágio tribal, não tem uma infra-estrutura moderna. O país foi dividido em feudos dominados pelos senhores da guerra.
Por iniciativa do serviço secreto do Paquistão, com dinheiro da Arábia Saudita e o apoio dos EUA, a partir de 1994, a milícia dos Talebã começou a realizar operações militares.
Talebã significa estudantes religiosos em pachtum, a língua da tribo pachtum, a maior do Afeganistão (40%) e uma minoria importante no Paquistão (13%). É uma importação de taleb, que é estudante em árabe.
Os talebã são estudantes doutrinados nas madrassás, escolas onde só se estuda o
Corão, o livro sagrado muçulmanos. Muitas ficam no Paquistão, onde milhões de afegãos se refugiaram durante a invasão soviética.
A guerra Afeganistão não só é um detrito da Guerra Fria como o antigo aliado de Washington na luta contra o comunismo, o Paquistão, está diretamente envolvido.
Depois de 11 de setembro de 2001, os EUA precisavam do Paquistão para atacar o Afeganistão. Como o Afeganistão não tem saída para o mar, as forças americanas previsam atravessar o Paquistão ou entrar pelas ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central.
Pior ainda: o Paquistão é o único país muçulmano com armas nucleares, e tudo o que os terroristas querem é uma bomba atômica para destruir uma grande cidade de maneira ainda mais espetacular.
Por tudo isso, Musharraf é um aliado fundamental para a estratégia americana na chamada guerra contra o terrorismo. É um guardião confiável da bomba atômica muçulmana.
Sua derrota coloca sérias dúvidas sobre a governabilidade do Paquistão, que durante a maior parte de sua história foi governado pelos militares, para ser exato, pelo Exército. É uma história marcada por golpes de Estado, que só tiveram sucesso quando dados pelo comandante do Exército.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Seqüestradores soltam 250 crianças no Paquistão
Os seqüestradores que tomaram uma escola no Paquistão libertaram 250 crianças que mantinham como reféns e se entregaram a líderes tribais, no Noroeste do país. As informações são de que se tratam de criminosos comuns e não de extremistas muçulmanos.
Em Londres, depois de se encontrar com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, o ditador paquistanês atribuiu a ação a extremistas.
De qualquer maneira, é mais um sintoma da violência endêmica e da falta de controle do governo sobre o país.
Em Londres, depois de se encontrar com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, o ditador paquistanês atribuiu a ação a extremistas.
De qualquer maneira, é mais um sintoma da violência endêmica e da falta de controle do governo sobre o país.
domingo, 6 de janeiro de 2008
EUA apostam nos sucessores de Benazir
Sem alternativas, os Estados Unidos apostam nos herdeiros políticos de Benazir Bhutto, seu marido, acusado de corrupção nos anos 90, e filho Bilawal Bhutto Zardari, de apenas 19 anos, para formar um governo em aliança com o presidente Pervez Musharraf que dê algum equilíbrio ao Paquistão e afaste o perigo de que armas nucleares caiam nas mãos de extremistas muçulmanos.
Leia mais no The Washington Post.
Leia mais no The Washington Post.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Paquistão adia eleições para 18 de fevereiro
Por causa do assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto em 27 de dezembro, o governo militar do Paquistão adiou em seis semanas, para 18 de fevereiro, as eleições legislativas convocadas dentro de um processo de democratização do único país muçulmano com armas nucleares.
Os dois maiores partidos de oposição denunciaram a medida como desnecessária. Mas o presidente da Comissão Eleitoral, Kazi Mohammad Faruk, alegou que, "em todas as quatro províncias, o processo eleitoral ficou completamente paralisado por alguns dias. A votação agora será realizada em 18 de fevereiro, em vez de 8 de janeiro".
Em pronunciamento na televisão, o ditador paquistanês, general Pervez Musharraf, adveriu que o Exército e a Polícia estão prontos a reagir com dureza contra a violência política "para garantir a paz e a lisura do pleito". Ele fez um apelo à reconciliação nacional.
Mas o Partido Popular Paquistanês, de Benazir, reagiu contra o adiamento, acreditando que o impacto da morte recente de sua líder lhe seria favorável.
Já a Liga Muçulmana do Paquistão, do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, derrubado por Musharraf num golpe militar em 1999, pediu a união das oposições para exigir a destituição da Comissão Eleitoral e a queda do ditador.
Os dois maiores partidos de oposição denunciaram a medida como desnecessária. Mas o presidente da Comissão Eleitoral, Kazi Mohammad Faruk, alegou que, "em todas as quatro províncias, o processo eleitoral ficou completamente paralisado por alguns dias. A votação agora será realizada em 18 de fevereiro, em vez de 8 de janeiro".
Em pronunciamento na televisão, o ditador paquistanês, general Pervez Musharraf, adveriu que o Exército e a Polícia estão prontos a reagir com dureza contra a violência política "para garantir a paz e a lisura do pleito". Ele fez um apelo à reconciliação nacional.
Mas o Partido Popular Paquistanês, de Benazir, reagiu contra o adiamento, acreditando que o impacto da morte recente de sua líder lhe seria favorável.
Já a Liga Muçulmana do Paquistão, do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, derrubado por Musharraf num golpe militar em 1999, pediu a união das oposições para exigir a destituição da Comissão Eleitoral e a queda do ditador.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Terrorista suicida mata Benazir Bhuto

A primeira mulher a governar um país muçulmano, Benazir Bhutto, ex-primeira-ministra e atual líder da oposição paquistanesa, foi assassinada nesta quinta-feira, 27 de dezembro de 2007, em Rawalpindi, aos 54 anos, por um terrorista suicida.
O ditador do Paquistão, general Pervez Musharraf, pediu calma à população. Embora o caos político seja de seu interesse, as maiores suspeitas recaem sobre os jihadistas ligados à rede terrorista Al Caeda.
No final de um comício para as eleições de 8 de janeiro, Benazir, a política mais popular do país, líder do Partido Popular Paquistanês, fundado por seu pai, foi atacada a tiros por um homem que em seguida detonou explosivos amarrados a seu corpo.
Benazir saiu do comício em Rawalpindi, nos arredores da capital paquistanesa, em carro aberto. Saiu pelo teto solar e começou a acenar para a multidão de seguidores, totalmente exposta.
O assassino chegou de moto, e atirou no peito e no pescoço da ex-primeira-ministra, que morreu no hospital uma hora depois. Em seguida, o terrorista se explodiu. Outras 22 pessoas morreram no atentado.
Como o outro líder da oposição, o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, deposto em 1999 pelo general Musharraf, defende o boicote às eleições, a transição para a democracia e o próprio pleito estão ameaçados.
Isso gera um forte risco de instabilidade no Paquistão, de 160 milhões de habitantes, sendo 65 milhões em pobreza absoluta. É único país muçulmano com armas atômicas, onde estariam refugiados Ossama ben Laden, a cúpula d'Al Caeda e parte dos Talebã, com o apoio das tribos que vivem na fronteira afegã-paquistanesa.
Benazir foi eleita primeira-ministra pela primeira vez em 1988, aos 35 anos. Deposta em 1990, foi reeleita em 1993 e afastada de novo em 1996, acusada de corrupção. Ela denunciou os processos como manobras políticas, mas preferiu o exílio em 1999 a enfrentar a Justiça.
Quando voltou ao Paquistão, em outubro de 2007, depois de oito anos, ela foi alvo de outro atentado terrorista suicida. Na ocasião, 136 pessoas morreram mas Benazir saiu ilesa.
Além de ser mulher e secularista, Benazir era a maior aliada dos Estados Unidos na política paquistanesa, o que a tornou em alvo preferencial dos fundamentalistas muçulmanos que sonham em tomar o poder no único país muçulmano com armas nucleares.
Antes de voltar ao Paquistão, ela negociou um acordo intermediado pelos EUA com o ditador Pervez Musharraf. O general, agora reformado, ficaria na presidência e Benazir seria chefe de governo outra vez.
Era a estratégia americana para democratizar o Paquistão. Mas a Suprema Corte rejeitou a reeleição de Musharraf e o ditador decretou estado de emergência, em 3 de novembro, empurrando Benazir para a oposição.
A relação entre os dois ficou inconciliável, pelo menos até as eleições. Depois, se Benazir ganhasse, como esperado, a negociação com Musharraf seria inevitável.
É mais uma tragédia para a principal dinastia política do Paquistão. Seu pai, Zulfikar Ali Bhutto, o primeiro primeiro-ministro eleito da História do Paquistão, foi enforcado em 1979 pela ditadura do general Zia ul-Haq, aliado dos EUA durante a Guerra Fria.
Zia morreu num acidente aéreo suspeito em 1988, quando o líder soviético Mikhail Gorbachev e o presidente americano Ronald Reagan já tinham negociado o fim da Guerra Fria. A União Soviética estava saindo derrotada do Afeganistão, onde entrara em 26 de dezembro de 1979.
Em 1988, com apenas 35 anos, Benazir Bhutto seria primeira-ministra pela primeira vez.
Benazir Bhutto herdou o PPP e o destino trágico do pai.
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Musharraf suspende emergência no dia 16
O ditador do Paquistão, general Pervez Musharraf, empossado hoje para um terceiro mandato como presidente, acaba de anunciar a suspensão, a partir de 16 de dezembro, do estado de emergência imposto em 3 de novembro.
Ao mesmo tempo em que assume um terceiro mandato, o ditador quer limitar em dois mandatos o período máximo de governo para primeiros-ministros. Isto excluiria os principais líderes da oposição, Benazir Bhutto e Nawaz Sharif, de voltar à chefia do governo paquistanês. Ambos exigem a renúncia de Musharraf.
Ao mesmo tempo em que assume um terceiro mandato, o ditador quer limitar em dois mandatos o período máximo de governo para primeiros-ministros. Isto excluiria os principais líderes da oposição, Benazir Bhutto e Nawaz Sharif, de voltar à chefia do governo paquistanês. Ambos exigem a renúncia de Musharraf.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Musharraf deixa comando do Exército
Em cerimônia realizada agora há pouco, com transmissão ao vivo para o país e o mundo, o ditador Pervez Musharraf deixou o comando do Exército do Paquistão, uma das exigências dos Estados Unidos e da oposição, que ameaça boicotar as eleições de 8 de janeiro.
Amanhã, Musharraf será empossado para um terceiro mandato como presidente paquistanês. Mas será um chefe de Estado muito mais fraco do que o comandante que deu o golpe em 1999, quando o então primeiro-ministro Nawaz Sharif tentou destituí-lo.
Musharraf escolheu como substituto um antigo companheiro de armas, o general Ashfaq Kiyani, que acaba de deixar a chefia do serviço secreto paquistanês.. Mas a História ensina que o comandante do Exército do Paquistão não costuma aceitar ordens de ninguém.
Amanhã, Musharraf será empossado para um terceiro mandato como presidente paquistanês. Mas será um chefe de Estado muito mais fraco do que o comandante que deu o golpe em 1999, quando o então primeiro-ministro Nawaz Sharif tentou destituí-lo.
Musharraf escolheu como substituto um antigo companheiro de armas, o general Ashfaq Kiyani, que acaba de deixar a chefia do serviço secreto paquistanês.. Mas a História ensina que o comandante do Exército do Paquistão não costuma aceitar ordens de ninguém.
terça-feira, 27 de novembro de 2007
Musharraf deixa Exército do Paquistão amanhã
O ditador do Paquistão, general Pervez Musharraf, deixa nesta quarta-feira o comando do Exército e na quinta-feira, já como civil, deve ser empossado para um terceiro mandato como presidente, anunciou ontem seu porta-voz, Rashid Qureshi.
Musharraf chegou ao poder em 1999, num golpe de Estado contra o primeiro-ministro Nawaz Sharif, que tentara destituí-lo. Como presidente, continuará sendo o comandante supremo das Forças Armadas, a instituição que manda no Paquistão.
Sharif, líder da Liga Muçulmano, um partido islamita moderado, promete liderar uma onda de manifestações de protesto contra o ditador e ameaça boicotar as eleições de 8 de janeiro, se Musharraf não suspender o estado de emergência impostoo em 3 de novembro.
Com medo de uma crise ainda pior no único país muçulmano com armas nucleares, os Estados Unidos articularam um entendimento da principal líder da oposição, a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, do Partido Popular Paquistanês, com o general Musharraf.
A proposta era manter o ditador na Presidência, dando a chefia do governo a Benazir. Mas a decretação de estado de emergência impediu um acordo.
Musharraf chegou ao poder em 1999, num golpe de Estado contra o primeiro-ministro Nawaz Sharif, que tentara destituí-lo. Como presidente, continuará sendo o comandante supremo das Forças Armadas, a instituição que manda no Paquistão.
Sharif, líder da Liga Muçulmano, um partido islamita moderado, promete liderar uma onda de manifestações de protesto contra o ditador e ameaça boicotar as eleições de 8 de janeiro, se Musharraf não suspender o estado de emergência impostoo em 3 de novembro.
Com medo de uma crise ainda pior no único país muçulmano com armas nucleares, os Estados Unidos articularam um entendimento da principal líder da oposição, a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, do Partido Popular Paquistanês, com o general Musharraf.
A proposta era manter o ditador na Presidência, dando a chefia do governo a Benazir. Mas a decretação de estado de emergência impediu um acordo.
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Nawaz Sharif se apresenta como candidato
O ex-primeiro-ministro do Paquistão Nawaz Sharif, que voltou ao país no sábado depois de sete anos de exílio na Arábia Saudita, registrou-se hoje como candidato às eleições de 8 de janeiro. Ele ainda ameaça boicotar o pleito, se o estado de emergência não for suspenso.
Sharif exige a renúncia do presidente Pervez Musharraf, que o derrubou num golpe de Estado em 1999. Meses atrás, tentou voltar ao Paquistão mas foi mandado de volta sem desembarcar do avião.
A ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, principal líder da oposição, também registrou hoje sua candidatura. Benazir chegou a negociar com o ditador Pervez Musharraf, mas rompeu com o regime quando o general decretou estado de emergência, em 3 de novembro.
Sharif exige a renúncia do presidente Pervez Musharraf, que o derrubou num golpe de Estado em 1999. Meses atrás, tentou voltar ao Paquistão mas foi mandado de volta sem desembarcar do avião.
A ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, principal líder da oposição, também registrou hoje sua candidatura. Benazir chegou a negociar com o ditador Pervez Musharraf, mas rompeu com o regime quando o general decretou estado de emergência, em 3 de novembro.
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Paquistão faz eleições em 8 de janeiro
A ditadura militar do Paquistão anunciou hoje oficialmente que realizará eleições para a Assembléia Nacional e quatro assembléias provinciais em 8 de janeiro.
Milhares de presos desde a decretação de estado de emergência pelo general Pervez-Musharraf, em 3 de novembro, foram soltos. Mas os principais líderes da oposição, os ex-primeiros-ministros Nawaz Sharif e Benazir Bhutto, ameaçam boicotar as eleições se o estado de emergência não for suspenso, como também exigem os Estados Unidos.
Milhares de presos desde a decretação de estado de emergência pelo general Pervez-Musharraf, em 3 de novembro, foram soltos. Mas os principais líderes da oposição, os ex-primeiros-ministros Nawaz Sharif e Benazir Bhutto, ameaçam boicotar as eleições se o estado de emergência não for suspenso, como também exigem os Estados Unidos.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Musharraf deixa comando do Exército este mês
O ditador do Paquistão, general Pervez Musharraf, prometeu hoje deixar o comando do Exército até o final do mês. É uma das exigências da oposição e dos Estados Unidos, além da suspensão do estado de emergência e da realização de eleições.
Musharraf voltou a defender a lei marcial: "Em um ambiente marcado pelo terrorismo e por ataques suicidas, o estado de emergência é necessário para a realização de eleições livres, honestas a pacíficas. Uma situação anormal exige uma ação anormal".
Musharraf voltou a defender a lei marcial: "Em um ambiente marcado pelo terrorismo e por ataques suicidas, o estado de emergência é necessário para a realização de eleições livres, honestas a pacíficas. Uma situação anormal exige uma ação anormal".
terça-feira, 13 de novembro de 2007
Benazir está de novo sob prisão domiciliar
A líder política mais popular do Paquistão, a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, voltou a ser colocada sob prisão domiciliar pela ditadura do general Pervez Musharraf para impedir que ela liderasse uma marcha prevista para hoje, de Lahore até a capital do país, Islamabad, em protesto contra o estado de emergência decretado em 3 de novembro. Ela deve ser impedida de sair de casa durante uma semana.
sábado, 10 de novembro de 2007
Paquistão promete fim da emergência num mês
O ministro da Justiça do Paquistão acaba de anunciar que o estado de emergência decretado pelo ditador Pervez Musharraf deve ser suspenso em um mês.
A ordem de prisão contra a ex-primeira-ministro Benazir Bhutto foi revogada.
A ordem de prisão contra a ex-primeira-ministro Benazir Bhutto foi revogada.
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Paquistão realiza eleições ate 15 de fevereiro
Sob intensa pressão externa e interna, a ditadura militar do Paquistão anunciou hoje a realização de eleições legislativas até 15 de fevereiro, mas a medida foi considerada insuficiente para líder política mais popular do país, a ex-primeira-mnistra Benazir Bhutto. Ela exige que o presidente, general Pervez Musharraf, passe para a reserva e suspenda o estado de emergência.
Em sua defesa, o governo alegou que a medida de força foi imposta para combater os extremistas muçulmanos na "guerra contra o terrorismo". Ontem, o diretor nacional de Inteligência dos Estados Unidos, embaixador John Negroponte, afirmou ao Congresso americano que Musharraf ainda é um "aliado indispensável" na luta contra os jihadistas.
O ditador pretende manter o estado de emergência até que o Supremo Tribunal do Paquistão confirme sua eleição.
Em sua defesa, o governo alegou que a medida de força foi imposta para combater os extremistas muçulmanos na "guerra contra o terrorismo". Ontem, o diretor nacional de Inteligência dos Estados Unidos, embaixador John Negroponte, afirmou ao Congresso americano que Musharraf ainda é um "aliado indispensável" na luta contra os jihadistas.
O ditador pretende manter o estado de emergência até que o Supremo Tribunal do Paquistão confirme sua eleição.
Benazir Bhutto convoca protestos de massa
Num desafio ao estado de emergência decretado pelo ditador Pervez Musharraf, a ex-primeira-ministra do Paquistão, Benazir Bhutto, deu ontem um ultimato ao general, ameaçando convocar uma série de manifestações de massa para tentar forçar a redemocratização do país. Irritado, o governo declarou que vai realizar eleições legislativas em janeiro, como previsto antes do golpe palaciano de Musharraf.
Benazir exige que o ditador deixe o comando do Exército, suspenda o estado de emergência e convoque eleições em uma semana. Caso contrário, promete liderar uma grande marcha de protesto de Lahore a Islamabad para exigir a redemocratização do país.
Sob a orientação dos Estados Unidos, que a vêem como o maior antídoto contra o fundamentalismo político paquistanês, Benazir chegou a negociar com Musharraf. Ela voltaria a ser chefe de governo, sob a presidência do general, que deixaria o comando do Exército.
A decretação de estado de emergência indica que o general teme perder o poder caso deixe o comando. O Paquistão viveu a maior parte de sua história, desde que se tornou independente do Império Britânico e se separou da Índia, em 1947, sob ditaduras militares. Mas os golpes só tiveram sucesso quando deflagrados pelo comandante do Exército.
O Paquistão é o único país muçulmano com armas nucleares. Seu serviço secreto ajudou a criar a milícia dos Talebã (Estudantes), que governou o vizinho Afeganistão de 1996 até a invasão americana de 2001 para punir a rede terrorista Al Caeda pelos atentados de 11 de setembro daquele ano nos EUA. É um país-chave na chamada guerra contra o terrorismo dos fundamentalistas muçulmanos.
Ao conclamar a população a reagir, Benazir coloca-se em rota de colisão com o ditador. Por outro lado, ela é alvo dos jihadistas, que não admitem ver o país governado por uma mulher. Quando ela voltou ao Paquistão no mês passado, após nove anos no exílio, foi atacada por um terrorista suicida. Morreram no ataque 136 pessoas.
Não foi a primeira vez que os jihadistas tentaram matá-la. Benazir fora alvo de um atentado em 1993.
Benazir exige que o ditador deixe o comando do Exército, suspenda o estado de emergência e convoque eleições em uma semana. Caso contrário, promete liderar uma grande marcha de protesto de Lahore a Islamabad para exigir a redemocratização do país.
Sob a orientação dos Estados Unidos, que a vêem como o maior antídoto contra o fundamentalismo político paquistanês, Benazir chegou a negociar com Musharraf. Ela voltaria a ser chefe de governo, sob a presidência do general, que deixaria o comando do Exército.
A decretação de estado de emergência indica que o general teme perder o poder caso deixe o comando. O Paquistão viveu a maior parte de sua história, desde que se tornou independente do Império Britânico e se separou da Índia, em 1947, sob ditaduras militares. Mas os golpes só tiveram sucesso quando deflagrados pelo comandante do Exército.
O Paquistão é o único país muçulmano com armas nucleares. Seu serviço secreto ajudou a criar a milícia dos Talebã (Estudantes), que governou o vizinho Afeganistão de 1996 até a invasão americana de 2001 para punir a rede terrorista Al Caeda pelos atentados de 11 de setembro daquele ano nos EUA. É um país-chave na chamada guerra contra o terrorismo dos fundamentalistas muçulmanos.
Ao conclamar a população a reagir, Benazir coloca-se em rota de colisão com o ditador. Por outro lado, ela é alvo dos jihadistas, que não admitem ver o país governado por uma mulher. Quando ela voltou ao Paquistão no mês passado, após nove anos no exílio, foi atacada por um terrorista suicida. Morreram no ataque 136 pessoas.
Não foi a primeira vez que os jihadistas tentaram matá-la. Benazir fora alvo de um atentado em 1993.
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Musharraf recua e confirma eleições em janeiro
Sob intensa pressão internacional, o ditador do Paquistão, general Pervez Musharraf, recuou e confirmou a realização de eleições parlamentares em janeiro. Ontem, o primeiro-ministro havia anunciado seu adiamento por um ano.
Desde sábado, quando o ditador decretou estado de emergência, 1,5 mil pessoas foram presas.
Desde sábado, quando o ditador decretou estado de emergência, 1,5 mil pessoas foram presas.
sábado, 3 de novembro de 2007
Musharraf decreta emergência no Paquistão
Diante do crescimento das tensões políticas e da violência, o ditador do Paquistão, general Pervez Musharraf, decretou estado de emergência, suspendeu a Constituição e afastou pela segunda vez o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Iftikhar Mohammed Chaudhry. As televisões saíram do ar e as comunicações telefônicas foram cortadas em várias cidades paquistanesas.
A Suprema Corte rejeitou a decretação de estado de emergência. O mais alto tribunal paquistanês estaria prestes a declarar ilegal a eleição de Musharraf.
Pouco depois, militares invadiram o escritório de Chaudhry e o comunicaram que estava destituído. O ministro Abdul Hamid Dogar foi nomeado para substituí-lo.
Em um ato de subordinação, soldados paquistaneses estariam se negando a cumprir as medidas repressivas decorrentes do estado de emergência sob a alegação de que não vão atirar em "irmãos muçulmanos".
Único país muçulmano com armas nucleares, o Paquistão é considerado um país-chave na guerra contra o terrorismo.
Desde agosto, o general Musharraf queria impor o estado de emergência. Foi contido pelos EUA. Mas, naturalmente, tratado-se de um país muçulmano com a bomba atômica, a preocupação americana é muito mais com a segurança do que com a democracia.
A ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, que teria feito um acordo com Musharraf para voltar à chefia do governo, acaba de regressar ao Paquistão. Seu avião pousou agora há pouco no aeroporto de Caráchi, maior cidade do país.
Na última vez em que voltou, em 18 de outubro deste ano, depois de anos de exílio, Benazir foi alvo de um atentado terrorista que matou 136 pessoas. Agora, acusou Musharraf de desrespeitar as instituições e marchar para uma ditadura.
Musharraf chegou ao poder num golpe militar em 1999. A tentativa de afastar o presidente do Supremo minou o que restava de sua credibilidade.
A Suprema Corte rejeitou a decretação de estado de emergência. O mais alto tribunal paquistanês estaria prestes a declarar ilegal a eleição de Musharraf.
Pouco depois, militares invadiram o escritório de Chaudhry e o comunicaram que estava destituído. O ministro Abdul Hamid Dogar foi nomeado para substituí-lo.
Em um ato de subordinação, soldados paquistaneses estariam se negando a cumprir as medidas repressivas decorrentes do estado de emergência sob a alegação de que não vão atirar em "irmãos muçulmanos".
Único país muçulmano com armas nucleares, o Paquistão é considerado um país-chave na guerra contra o terrorismo.
Desde agosto, o general Musharraf queria impor o estado de emergência. Foi contido pelos EUA. Mas, naturalmente, tratado-se de um país muçulmano com a bomba atômica, a preocupação americana é muito mais com a segurança do que com a democracia.
A ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, que teria feito um acordo com Musharraf para voltar à chefia do governo, acaba de regressar ao Paquistão. Seu avião pousou agora há pouco no aeroporto de Caráchi, maior cidade do país.
Na última vez em que voltou, em 18 de outubro deste ano, depois de anos de exílio, Benazir foi alvo de um atentado terrorista que matou 136 pessoas. Agora, acusou Musharraf de desrespeitar as instituições e marchar para uma ditadura.
Musharraf chegou ao poder num golpe militar em 1999. A tentativa de afastar o presidente do Supremo minou o que restava de sua credibilidade.
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