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sexta-feira, 4 de maio de 2007

Ex-assessor do Pentágono ataca ex-diretor da CIA

Ao responsabilizar o resto do governo George W. Bush pela invasão do Iraque, o ex-diretor da CIA (Agência Central de Inteligência) George Tenet está "fugindo da culpa" por não ter previsto os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos, afirma o ex-secretário adjunto para política de defesa Richard Perle, um dos falcões que defendeu a guerra.

"Ele simplesmente cita coisas que eu nunca disse e as coloca em datas que eu nem estava no país", declarou Perle ao comentar o livro de Tenet, No Centro da Tempestade, na rede de televisão CNN.

No livro, Tenet o acusa de dizer que "o Iraque tem um preço a pagar. Tem responsabilidade" pelos atentados de 11 de setembro. Perle nega: "Nunca acreditei que Saddam Hussein fosse responsável pelo 11 de setembro. Quando voltei aos EUA, estava claro que tinha sido Ben Laden."

Mas a CNN lembrou que cinco dias depois dos atentados Perle insistiu em que, mesmo que o Iraque nada tivesse a ver com os atentados, sua relação estava amplamente documentada.

Agora, seu discurso mudou: "Eu era a favor de derrubar Saddam muito antes do 11 de setembro, porque me parecia que ele era ameaça aos EUA, e a sensação de perigo ficou muito mais aguda desde 11 de setembro porque descobrimos tínhamos esperado demais para lidar com uma ameaça conhecida: Ossama ben Laden e Al Caeda. Assistimos à preparação da Al Caeda para lançar um ataque contra os EUA e não fizemos nada."

Perle acrescentou: "Você não pode fazer um replay da História e julgar hoje o que Saddam poderia ter feito se tivesse ficado lá. É fácil dizer que ele estava encurralado, mas as sanções que o encurralavam eram frágeis, não teriam sobrevivido."

Ele não pediu desculpas pela guerra mas considerou a ocupação um erro: "Lamento que depois de remover Saddam não tenhamos devolvido logo o poder aos iraquianos. Lamento que tenhamos embarcado numa ocupação que se tornou a base da insurgência contra nós. Penso que o que deveríamos ter feito - e disse isso na época - era devolver o poder aos iraquianos logo depois de derrubar Saddam".

De quem é a culpa então? Do presidente e de seus assessores diretos. "Eles tomaram a decisão, penso que erradamente, de enviar milhares de americanos para o Iraque e tentar administrar o país. Fizeram isso com boas intenções. Mas foi politicamente inepto e penso que contribuíram para a situação em que estamos hoje".

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Ex-agentes da CIA acusam ex-diretor

Em carta ao ex-diretor da Agência Central de Inteligência (CIA) George Tenet, seis ex-funcionários do serviço de espionagem dos Estados Unidos atacaram seu antigo chefe e seu livro No Centro da Tempestade, em que ele tenta se eximir de culpa pela decisão americana de invadir o Iraque, responsabilizando principalmente o vice-presidente Dick Cheney, como "uma admissão de fracasso de liderança".

"Você participou por vontade própria de uma decisão política mal avaliada de começar uma guerra desnecessária e divide com Dick Cheney e [o presidente] George Bush a culpabilidade pelo fracasso no Iraque", alfineta a carta.

Os autores, Phil Giraldi, Ray McGovern, Larry Johnson, Jim Marcinkowski, Vince Cannistraro e David MacMichael, alegam que Tenet deveria ter renunciado em protesto e exigem que o ex-diretor da CIA destine pelo menos metade dos rendimentos do livro a vítimas iraquianas e americanas da guerra.

Na sua opinião, "os agentes da CIA tinham informações consistentes, em setembro de 2002, de que não havia estoques de nenhuma arma de destruição em massa no Iraque. Esta inteligência foi ignorada e mais tarde manipulada."

sábado, 28 de abril de 2007

Ex-chefe da CIA acusa Cheney pela guerra

O ex-diretor da Agência Central de Inteligência (CIA) George Tenet responsabiliza o vice-presidente Dick Cheney e outros altos funcionários do governo George W. Bush pela guerra no Iraque, acusando-os de jamais terei realizado um "debate sério" sobre a ameaça real que Saddam Hussein representava para os Estados Unidos.

No livro No Centro de Tempestade, que será lançado na próxima segunda-feira, Tenet tenta de desvincular das alegações sobre as armas de destruição em massa de Saddam que teriam justificado a guerra. Ele admite que usou em encontro com o presidente a expressão do basquete americano "slam dunk" (uma bola que é só enterrar na cesta), como se estivesse certo de que o Iraque tinha armas proibidas pela ONU. Mas, na sua opinião, isso não alteraria a determinação de Bush de ir à guerra.

Tenet acredita que o governo Bush quis colocá-lo como bode expiatório: "Nunca houve um debate sério que eu saiba dentro do governo sobre a iminência da ameaça iraquiana", defende-se Tenet. "Nem houve nunca qualquer discussão significativa" sobre a possibilidade de conter o Iraque sem a invasão.

Nem a Medalha da Liberdade Tenet diz que queria aceitar. Mudou de idéia quando viu que a homenagem era "ao trabalho da CIA contra o terrorismo, não no Iraque".

Ele duvida do sucesso da nova estratégia de Bush para o Iraque: "Talvez funcionasse há mais de três anos", comenta Tenet no seu livro, obtido pelo jornal The New York Times. "Meu medo é que a violência sectária no Iraque tenha tomado vida própria e que as forças dos EUA estejam se tornando cada vez mais e mais irrelevantes no controle dessa violência".

O ex-diretor da CIA acrescenta ainda que houve vários alertas sobre terrorismo e a necessidade de enfrentar Ossama ben Laden antes de 11 de setembro de 2001. Mas ninguém deu maior atenção antes dos atentados contra Nova Iorque e o Pentágono. Tenet prevê que o terror voltará a atacar no território dos EUA: "Al Caeda está aqui esperando".