sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

TV Senado vê situação de estrangeiros presos por tráfico

Condenados, principalmente, pelo crime de narcotráfico, milhares de estrangeiros ocupam as penitenciárias brasileiras. Destaque do programa deste fim de semana da TV Senado, Diplomacia foi conhecer de perto o drama de quem está cumprindo pena em outro país, onde se fala um outro idioma.
O programa analisa ainda as perspectivas econômicas do Brasil em mais um ano de crise internacional e queda no superávit da balança comercial. Na contra-mão do esforço em captar mais dólares, 6 milhões de turistas brasileiros deixaram no exterior US$ 22 bilhões, quantia equivalente à metade do orçamento federal da Saúde, no Brasil.
A convidada especial é a vice-ministra de Ciência e Tecnologia da Argentina, Ruth Ladenheim, que faz uma análise da integração regional sob a perspectiva do trabalho conjunto no desenvolvimento tecnológico dos países membros do bloco econômico.
No quadro Arte & Diplomacia, a pintura engajada do equatoriano Oswaldo Guayasamín e, nas colunas culturais, uma viagem pelo som africano e as análises do filme uruguaio Um banheiro para o Papa, e do livro Passos perdidos, História Recuperada, de Tânia Kaufman, que registra a presença judaica em Pernambuco".
Serviço:
O programa Diplomacia, a revista de Política Internacional da TV Senado, vai ao ar no fim de semana logo após o carnaval: sábado, dia 16/2, às 12h30, e às 22h30; domingo, dia 17/2, às 9h e às 17h. Com reprises nos finais de semana seguintes: sábado, dia 23/2, às 17h; domingo, dia 24/2, às 3h e sábado, dia 30/2, às 3h.
A TV Senado pode ser sintonizada em canal aberto (UHF) nas seguintes cidades:
  • 16 UHF (Rio Branco – AC)
  • 36 UHF (Gama-DF)
  • 40 UHF (João Pessoa-PB)
  • 43 UHF (Fortaleza-CE)
  • 49 UHF (Rio de Janeiro-Zona Oeste)
  • 51 UHF (Brasília-DF)
  • 52 UHF (Natal-RN)
  • 53 UHF (Salvador-BA)
  • 55 UHF (Recife-PE)
  • 56 UHF (Cuiabá-MT)
  • 57 UHF (Manaus-AM)
Também nos canais 07 (Net Brasília), 118 (Sky), 217 (Direct TV) e 17 (TECSAT), 121 (Vivo TV), 903 (OI-TV), 231 (GVT-TV) e na Internet pelo www.senado.gov.br/tv.

Produção industrial dos EUA cai 0,1%

Com queda de 3,2% na fabricação de automóveis e autopeças, a produção industrial dos Estados Unidos recuou 0,1% em janeiro, anunciou hoje a Reserva Federal (Fed), o banco central do país. O índice de utilização da capacidade instalada caiu de 79,3% para 79,1%.

Nos últimos 12 meses, a indústria americana cresceu 2,1%. Em novembro e dezembro, o setor havia crescido. Os economistas esperavam expansão de 0,2% em janeiro. A contração foi ainda maior na mineração, que diminui 1% em janeiro.

Chuva de meteoritos fere 1,2 mil pessoas na Rússia

Quase mil pessoas foram feridas pela queda de meteoritos em Cheliabinsk, na região dos Montes Urais, que separam a parte europeia da parte asiática da Rússia, a cerca de 1,5 mil quilômetros de Moscou. O Ministério do Interior declarou que 1,2 mil pessoas procuraram tratamento médico; 44 foram hospitalizadas, duas em estado grave.

A maioria dos ferimentos foi causada por estilhaços de 100 mil metros quadrados de vidros de janelas quebradas pelas ondas de choque emitidas pelos impactos. Como a temperatura pode cair para até 20 graus negativos durante a noite no rigoroso inverno russo, o governador regional pediu ajuda a quem puder ajudar a reparar as janelas

O meteoro de dez toneladas e cerca de 12 metros de diâmetro entrou na atmosfera da terra a uma velocidade de 54 mil quilômetros horários e se fragmentou a uma altitude de 30 a 50 km, liberando uma energia equivalente a dezenas de toneladas de dinamite, como uma bomba atômica, estimou a Academia de Ciências da Rússia.

"Houve pânico. Ninguém tinha ideia do que estava acontecendo", disse Sergei Hametov, morador de Cheliabinsk. "Vimos uma grande explosão luminosa, saímos à rua e logo ouvimos o estrondo realmente muito alto".

Outro corpo celeste, um asteroide de 45 metros de diâmetro batizado provisoriamente como 2012-DA 14, passou hoje relativamente perto da Terra, a 27,7 mil quilômetros, a uma velocidade de 7,8 km/seg. Foi a menor distância de um asteroide para a Terra medida até hoje, inferior à que estão os satélites de telecomunicações que orbitam ao redor do planeta, cerca de 35 mil quilômetros.

No momento, nenhum país desenvolveu tecnologia para destruir asteroides e meteoros antes que eles atinjam a Terra. A maioria se dissolve no ar ao entrar em atrito com a atmosfera do planeta. Os que passam podem causar grandes estragos.

Veja mais detalhes e as imagens do fenômeno na Rússia no jornal digital americano The Huffington Post.

Desemprego na Grécia chega a 27%

Depois de seis anos de recessão por causa da crise de sua dívida pública e das medidas de austeridade tomadas para combatê-la, a taxa de desemprego chegou a 27% da população em idade de trabalhar no México. Há um ano, era de 20,8%.

Produção industrial do Japão avança 2,4%

Com aumento na fabricação de automóveis e de semicondutores, a indústria manufatureira do Japão cresceu 2,4% em dezembro de 2012 na comparação com novembro, informou hoje o Ministério da Economia, do Comércio e da Indústria.

É um sinal de recuperação do setor, que sofria com o iene sobrevalorizado, a desaceleração na China e a recessão na Europa e no próprio Japão. Beneficia-se de uma pequena melhora na conjuntura econômica internacional e dadesvalorização de sua moeda, que caiu 16% desde novembro.

Chávez fez traqueostomia e não pode falar, diz ministro

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, submetido em Cuba à quarta cirurgia contra um câncer abdominal, teve de fazer uma traqueostomia por causa de problemas respiratórios e está impedido de falar, admitiu hoje o ministro da Comunicações, citado há pouco pela rede de televisão americana CNN.

Em Caracas, Henrique Capriles, o candidato derrotado por Chávez na eleição de outubro passado, reagiu indignado: "Esses mentirosos diziam que falavam com o presidente. Agora, dizem que ele não podia falar".

A traquestomia é uma operação para abrir um orifício na traqueia, abaixo da laringe, usada em intubações prolongadas.

O governo divulgou hoje as primeiras fotos do caudilho depois da cirurgia, cercado por suas duas filhas, 69 dias depois de ir para Havana.

Como Chávez não compareceu à cerimonia de posse de um novo mandato presidencial, em 10 de janeiro de 2013, sua saúde virou uma questão nacional e um segredo de Estado. O caudilho venezualano preferiu ir para Cuba, em vez do Brasil, onde a medicina é muito mais desenvolvida, para evitar o vazamento de informações sobre o tratamento.

Se Chávez não se recuperar, a Venezuela deve realizar uma nova eleição presidencial. Antes de ir para Havana, o presidente nomeou Nicolás Maduro como vice-presidente e sucessor.

Oposição bloqueia aprovação do chefe do Pentágono

Numa obstrução sem precedentes, a bancada do Partido Republicano no Senado dos Estados Unidos decidiu bloquear a indicação do ex-senador republicano Chuck Hagel para secretário da Defesa do segundo governo Barack Obama. É a primeira vez que um cargo de ministro da área de segurança nacional é alvo desse tipo de medida.

Pelo regimento do Senado dos EUA, de 100 cadeiras, um partido precisa de 60 votos para interromper o debate sobre determinada matéria forçando a votação no plenário. Caso contrário, o outro lado pode fazer discursos sem fim para obstruir a votação.

Os republicanos têm 41 votos. Querem mais esclarecimentos sobre o ataque terrorista contra o Consulado dos EUA em Bengázi, na Líbia, em 11 de setembro de 2012, quando quatro americanos foram mortos, inclusive o embaixador.

 "Isto aqui não é uma escola secundária escolhendo que vai jogar no time de futebol ou participar de uma peça de teatro em produção", protestou o líder da maioria, senador Harry Reid. "Estamos tentando confirmar a indicação de alguém para dirigir a defesa e as Forças Armadas do país", reporta o jornal The Washington Post.

A aprovação deve ser adiada por 12 dias.

Warren Buffett e brasileiros compram Heinz

Por US$ 28 bilhões (R$ 55 bilhões), sendo US$ 23,2 bilhões (R$ 45,4 bilhões) em dinheiro e ações, o fundo de investimentos Berkshire Hathaway, do bilionário Warren Buffett, e a empresa brasileira 3G Capital compraram ontem a Heinz, uma das maiores empresas do mundo no setor de alimentos, maior fabricante de ketchup e outros molhos.

Os donos da 3G Capital, presidida por Jorge Paulo Lemann, fazem parte do grupo que articulou a fusão entre a Brahma e a Antártica para criar a Americas Beverage. Esta por sua vez se fundiu com uma empresa belga para formar a International Beverage, a maior fabricante mundial de cervejas, e depois adquiriu a americana Anheuser-Busch. Eles também compraram a rede de lanchonetes Burger King em 2010 por US$ 3,3 bilhões (R$ 6,46 bilhões pela cotação de ontem).

Agora, tem cerveja, hambúrguer e ketchup.

Buffett declarou que há meses estava "salivando" um bom negócio e a Heinz tem os ingredientes necessários: é uma marca conhecida em todos os lares dos EUA, faz parte da dieta dos americanos e tem vendas consistentes.

Quem ganha com o negócio é o novo secretário de Estado americano, John Kerry, casado com Maria Teresa Heinz, uma portuguesa nascida em Moçambique, viúva de um dos herdeiros da empresa. Eles teriam lucrado US$ 500 milhões (R$ 979 milhões) com a valorização de suas ações.

A onda de fusões e aquisições é um sinal da retomada da confiança na economia, observa o jornal The New York Times.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Americanas se fundem para criar maior empresa aérea

As companhias aéreas American Airlines (AA) e US Airways anunciaram hoje uma fusão que vai criar a maior empresa do setor no mundo, com valor de mercado de US$ 11 bilhões e faturamento anual de US$ 39 bilhões.

Os atuais diretores da US Airways vão assumir o controle operacional da empresa, enquanto os credores da American Airlines, que está em concordata, terão 72% das ações e cinco dos 12 diretores da nova empresa.

"Esta é a mais bem-sucedida reestruturação de uma companhia aérea da história", declarou o diretor-presidente da AMR, Tom Horton, em entrevista à agência Reuters.

A nova empresa será 2% maior do que a United Continental em número de milhas voadas e passageiros transportados. Terá 950 aviões e fará 6,7 mil voos diários para 56 países, inclusive o Brasil. A expectativa é de uma economia de US$ 1 bilhão por ano até 2015.

O setor aéreo entrou numa série crise, especialmente nos Estados Unidos, quando seus aviões foram usados como mísseis guiados nos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Desde então, houve várias fusões de grandes empresas aéreas como Air France e KLM, United e Continental Airlines, Delta e Northwest Airlines, British Airways e Iberia, e LAN e TAM.

Esta nova fusão ainda depende da aprovação das autoridades antimonopólio e do Tribunal de Falências dos EUA, já que a AA está em concordata.

Tibetanos se autoimolam no Nepal e no Tibete

Mais dois tibetanos tentaram se suicidar ateando fogo a suas roupas em protesto contra a dominação da China sobre o Tibete e suas políticas de assimilação cultural. Um dos casos foi o centésimo caso em território chinês. No outro, um monge tibetano se autoimolou no vizinho Nepal.

Na China, o ex-monge Lobsang Mongyal, de 37 anos, se tocou fogo em 3 de fevereiro diante de uma delegacia de polícia de um condado da província de Sichuã, parte do chamado Grande Tibete, de 1,1 milhão de quilômetros quadrados, 11% do território chinês.

Ele morreu no local, informou a organização não governamental Tibete Livre, com sede em Londres. Em sua agonia, teria pedido longa vida ao Dalai Lama, o líder espiritual do Tibete.

A onda de autoimolações no Tibete começou em 2009. Como a repressão das autoridades da China proibiu manifestações de protesto, os tibetanos partiram para autoimolações. Em cem casos, 82 pessoas morreram. Também há protestos suicidas no exterior.

Na manhã de ontem, um monge tibetano exilado foi até uma rua do centro de Katmandu, a capital do Nepal, jogou gasolina no corpo e em suas roupas, e se ateou fogo. Antes de cair no chão, ainda gritou palavras de ordem contra a ditadura comunista chinesa, reportou o jornal The New York Times, citando como fonte a agência de notícias Associated Press.

Até hoje, houve pelo menos meia dúzia de autoimolações no exterior.

O Tibete foi integrado à China no século 13, quando os dois países foram tomados pelo Império Mongol. No século 20, o Tibete teve um breve período de independência da implantação da república na China, em 1912, até a invasão determinada por Mao Tsé-tung, em 1951, depois da vitória da revolução comunista, em 1949.

Economia da Eurozona recua mais 0,6%

A Zona do Euro, que reúne 17 países da União Europeia, sofreu uma contração econômica de 0,6% no último trimestre de de 2012, aprofundando a recessão no bloco, que teve seu pior desempenho em quase quatro anos. Na UE como um todo, a baixa foi de 0,5%, calculou o escritório oficial de estatísticas do bloco, Eurostat.

É a pior recessão na Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial. O ano passado foi o primeiro desde a introdução do euro, em 1999, em que a Eurozona não cresceu em nenhum trimestre. No ano inteiro, a contração foi de 0,5%, informa a agência de notícias Reuters.

A queda no quarto trimestre foi puxada pela Alemanha (-0,6%) e a França (-0,3%), que recuaram mais do que o previsto. Pior ainda foi a Itália (-0,9%), que encolheu pelo sexto semestre consecutivo.

Em 2012 como um todo, a economia da França, a segunda maior da Eurozona e a quinta do mundo, ficou estagnada, revelou hoje o Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos (Insee).

Apesar do recuo no quarto trimestre, a Alemanha, maior economia da Zona do Euro e quarta do mundo, fechou o ano com 0,7% de crescimento porque tinha crescido nos três primeiros trimestres do ano, anunciou hoje o escritório oficial de estatísticas Destatis.

Japão tem terceiro trimestre seguido de contração

O Japão não saiu da recessão no fim de 2012, registrando uma queda de 0,1% no produto interno bruto no quarto trimestre em relação ao terceiro e de 0,4% na comparação anual. A expectativa média de 32 economistas ouvidos pela agência Bloomberg era de um crescimento de 0,4%.

Para combater a estagnação e a deflação, o primeiro-ministro Shinzo Abe, do Partido Liberal-Democrata pressionou o Banco do Japão a elevar a meta de inflação para 2% ao ano e a aumentar a quantidade de dinheiro em circulação. Desde que o conservador Partido Liberal-Democrata voltou ao poder em novembro, a moeda japonesa, o iene, perdeu 16% do valor.

Em uma reunião do Grupo dos Vinte (19 países mais ricos do mundo e a União Europeia) que começa amanhã em Moscou, o governo japonês será pressionado por causa dessa desvalorização, denunciada em ocasiões similares anteriores pelo ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, como "guerra cambial".

Essas políticas de expansão monetária, aumento da quantidade de dinheiro em circulação, adotadas pelos Estados Unidos e o Reino Unido, são acusadas de funcionar na prática como desvalorizações para aumentar a competitividade das exportações, tornando-as mais baratas.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

S&P rebaixa crédito de mais um país da Eurozona

A agência de classificação de risco americana Standard & Poor's reduziu hoje em um nível, de A para A-, a nota de crédito da dívida pública da Eslovênia, um dos 17 países da União Europeia que usam o euro como moeda.

Na análise da S&P, uma crise política está deteriorando a situação da dívida do país.

Champanha supera crise com exportações

A indústria do champanha manteve um faturamento elevado, com vendas de 4,37 bilhões de euros (R$ 11,5 bilhões) em 2012, quase a mesma de 2011.

As exportações para fora da Europa compensaram o recuo causado pela crise econômica no Velho Continente.

Peugeot Citroën tem prejuízo recorde de 5 bi de euros

Sob o impacto da crise econômica da Europa, a fábrica de automóveis francesa PSA Peugeot Citroën anunciou um prejuízo recorde de 5 bilhões de euros (R$ 13,14 bilhões) em 2012. Em 2011, a empresa tivera um lucro de 588 milhões (R$ 1,47 bilhão).

O faturamento recuou 5,2% para 55,4 bilhões de euros (R$ 145,65 bilhões). A dívida líquida ficou em 3 bilhões de euros (R$ 7,89 bilhões).

"Os resultados do grupo no ano passado refletem a deterioração da indústria automobilística na Europa", declarou o presidente da PSA, Philippe Varin.

"Neste contexto, tivemos de tomar medidas difíceis mas necessárias que se impõe para reorganizar nossa base industrial na França. Os resultados do plano de economia e do plano de cessão de ativos superaram nossos objetivos, sublinhando o engajamento excepecional dos nossos empregados. Enfim, nossa aliança estratégica com a General Motors entrou em fase de execução. Hoje, as fundações de nossa recuperação estão lançadas", acrescentou.

EUA e UE negociam livre comércio a partir de junho

Depois do anúncio feito na madrugada de hoje pelo presidente Barack Obama no Discurso sobre o Estado da União, os Estados Unidos e a União Europeia devem começar a negociar uma parceria transatlântica de comércio e investimentos, confirmou hoje o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. O objetivo é contrabalançar a ascensão econômica da Ásia e da China.

"Estas negociações vão criar um novo padrão não apenas para futuros acordos bilaterais de comércio e investimentos, inclusive questões regulatórias, mas também para o desenvolvimento de regras para o comércio global", afirmou Barroso, citado pelo jornal inglês Financial Times.

O comissário europeu de Comércio, Karel de Gucht, espera concluir um acordo em dois anos, reduzindo tarifas e a burocracia, mas observou que a amplitude do acordo é mais importante do que a pressa.

Em declaração conjunta, EUA e UE declararam que "as relações econômicas transatlânticas representam metade da produção global e cerca de US$ 1 trilhão por ano no comércio de bens e serviços, sustentando milhões de empregos dos dois lados do Atlântico".

A Parceria Transatlântica de Comércio e Investimentos será um marco importante na reorganização geopolítica das potências ocidentais que dominaram o mundo nos últimos 500 anos e hoje assistem à irresistível ascensão econômica da Ásia.

Numa sociedade internacional anárquica que não conseguem mais controlar, os EUA e a Europa tratam de se aliar. Mas excluem o Japão, um fiel aliado do Ocidente desde o fim da Segunda Guerra Mundial. É um rearranjo geopolítico fundamental e um desafio para o resto do mundo.

O fluxo de comércio no Atlântico Norte é hoje de US$ 2,7 bilhões por dia.

Obama propõe agenda para os próximos quatro anos

Ao fazer um balanço da situação atual dos Estados Unidos e apresentar propostas para seu segundo governo, o presidente Barack Obama começou citando John Kennedy para dizer que a Constituição é o instrumento que os partidos têm para chegar a acordos que façam o país progredir. Afirmou que o país, os pacientes e os consumidores estão hoje mais protegidos do que quatro anos atrás, quando chegou à Casa Branca.

"Nos últimos dois anos", afirmou, "os dois partidos trabalharam juntos para cortar o déficit orçamentário em US$ 2,1 trilhões", mas isso é apenas a metade do necessário para equilibrar as contas públicas. O presidente é contra os cortes automáticos previstos em lei se democratas e republicanos não chegarem a um acordo para evitar o chamado "sequestro".

O maior desafio, observou, é retomar a máquina de crescimento da economia americana, a classe média. Ele defendeu aumentos de impostos para os ricos para que o custo do ajuste fiscal não recaia apenas sobre a classe média. "Precisamos de cortes de gastos e aumento da renda".

Em seguida, Obama admitiu que a maior causa do crescimento do déficit público federal dos EUA é o gasto com saúde pública. Ele não vê sentido em manter furos e isenções na lei que permitem que ricos e grandes empresas deixem de pagar impostos enquanto aumentam a pressão da direita conservadora por cortes em saúde pública, educação e benefícios sociais.

Ao falar de uma reforma nos impostos, o presidente propôs que empresas que abrem filiais no exterior paguem mais do que as que operam nos EUA com trabalhadores americanos.

"A maior nação do mundo não pode ficar administrando sua economia de uma crise industrial a outra", argumentou. "Os americanos trabalharam demais para se livrar dos efeitos de uma crise para ver os políticos criarem outra".

Na sua opinião, "a simples redução do déficit não constitui uma política econômica". É preciso criar bons empregos e empresas inovadoras. "Há um ano e meio, propus uma lei de geração de empregos que foi rejeitada. Espero que este Congresso aprove uma".

Para rejeitar a acusação de que está aumentando o tamanho do governo, Obama garantiu que nenhuma das propostas que está fazendo nesta noite vai aumentar o déficit público em um centavo sequer.

Um de seus objetivos é "fazer a próxima revolução industrial aqui" nos EUA. "Para ter os melhores negócios, temos de investir em tecnologia. Não é hora de reduzir os investimentos em ciência e inovação."

Hoje, "nenhuma área promete mais para os EUA do que o setor de energia". O país pode alcançar a autossufiência. Ao mesmo tempo, "precisamos fazer mais para combater a mudança do clima. Os 12 anos mais quentes estiveram entre os últimos 14. Temos mais tempestades, secas, enchentes, furacões e nevadas. Precisamos acreditar na ciência e agir antes que seja tarde demais. Podemos fazer grandes progressos sem comprometer o crescimento econômico".

Se o Congresso não agir, advertiu, "eu o farei", acelerando a transição para uma economia com menos carbono. "No ano passado, a energia eólica representou a metade da nova energia oferecida nos EUA. Enquanto países como a China investirem em energia limpa, devemos fazer o mesmo".

O presidente quer criar um Energy Security Trust para aumentar a eficiência energética, construir edifícios mais econômicos em gasto de energia, além de renovar a infraestrutura, reconstruindo ferrovias e rodovias para gerar empregos.

Como há 70 mil pontes em risco no país, é possível criar um programa de emergência capaz de gerar empresas com o apoio do capital privado. "Temos de provar que não há melhor lugar para fazer negócios do que aqui nos EUA".

Obama anunciou a recuperação do mercado imobiliário, onde começou a crise financeira internacional de 2008. Quer dar a todos os compradores de casa própria o direito de renegociar suas hipotecas pelos juros atuais, que caíram muito com a crise.

"Energia, indústria, infraestrutura, construção civil - tudo isso vai gerar novos empregos, mas precisamos educar e treinar nossa juventude. Hoje desafio os estados a oferecerem uma pré-escola de qualidade a todas as crianças dos EUA", provocou.

"Vamos dar a nossas crianças a chance de começar a vida sem estar atrás. Vamos ter certeza de que nossos alunos saiam do segundo grau qualificados para o trabalho. Na Alemanha, todo estudante do ensino médio recebe uma formação técnica", exortou o presidente.

Mesmo que o segundo grau qualifique, muitos alunos vai chegar à universidade, que está cada vez mais cara. "Quanto mais se estuda, maior é a possibilidade de subir na vida". Obama defende novas regras para que as universidades recebam recursos públicos federais.

Outro ponto importante do projeto de Obama para o segundo mandato é a reforma do sistema de imigração: "Chegou a hora. Uma verdadeira reforma deve fortalecer o controle das fronteiras. Uma verdadeira reforma tem de criar um caminho para os ilegais regularizarem sua situação no país. Uma verdadeira reforma significa mudar as regras para a migração legal, valorizando os que vierem somar para o crescimento de nossa economia. Sabemos o que tem de ser feito. Os dois partidos estão trabalhando nisso. Vamos fazê-lo".

Ontem o Senado aprovou uma lei para proteger as mulheres da violência doméstica. O presidente pediu à Câmara que vote a favor e pagamento igual para homens e mulheres que exercerem as mesmas funções.

Obama também propôs um reajuste do salário mínimo para US$ 9 por hora, alegando que menos do que isso significa miséria para o trabalhador do país mais rico do mundo, e sua indexação: "Vamos ligar o salário mínimo ao aumento do custo de vida. Isso é algo que eu e o governador Mitt Romney combinamos fazer no ano passado", quando ambos faziam campanha para a Casa Branca.

O presidente prometeu ainda reduzir as dívidas federais de municípios em dificuldades financeiras para que eles possam voltar a investir em educação, saúde e segurança. "Famílias fortes, comunidades fortes, EUA mais fortes. Esta sempre foi a fonte de nosso progresso".

No plano internacional, Obama declarou que já retirou 33 mil soldados do Afeganistão, anunciou a saída de mais 34 mil nos próximos 12 meses e o fim da mais longa guerra da História dos EUA no fim de 2014. Ficará uma força mínima para perseguir terroristas.

A rede terrorista Al Caeda não é mais sombra do que era, alegou Obama. Deve ser combatida com ajuda a países onde ela atua e na ação de aliados como a França em sua intervenção militar no Máli, sendo desnecessário enviar dezenas de milhares de soldados americanos ao exterior.

"Nossos desafios não terminam com Al Caeda. Os EUA vão continuar tentando evitar a proliferação das armas mais perigosas", acrescentou advertindo os líderes da Coreia do Norte e do Irã. "Faremos o que for necessário para evitar que tenham armas nucleares".

Ao mesmo tempo, prometeu trabalhar com a Rússia para reduzir os arsenais atômicos das grandes potências.

Outra preocupação séria é a guerra cibernética, a tentativa de roubar segredos militares e econômicos, e até de paralisar o sistema de transmissão de energia dos EUA.

"Queremos criar uma Parceria Transpacífica e hoje estou lançando a proposta de criança de uma zona de livre comércio transatlântica porque é isso que gera prosperidade", anunciou, prometendo ainda fazer um grande esforço com os aliados para superar a miséria e liberar as novas gerações da aids.

Os EUA precisam continuar sendo o centro das transformações. Obama citou o exemplo americano em lugares como Mianmar e ofereceu ajuda à transição para a democracia no Oriente Médio. "O processo será confuso e não podemos ditar o ritmo da mudança em países como o Egito, mas vamos continuar pressionando um regime sírio que ataca seu próprio povo. Também vamos continuar pressionando Israel e os palestinos para que cheguem a uma paz duradoura".

É esta a mensagem que o presidente vai levar em sua primeira visita a Israel no mês que vem.

A fim de manter sua preeminência, os EUA "devem continuar a ter as melhores Forças Armadas do mundo", investindo em novas tecnologias e dando total apoio aos veteranos, o que raramente acontece na prática.

O direito de votar sem ter de esperar horas em filas é importante para a democracia americana, alertou Obama, citando as dificuldades para exercer esse direito em bairros pobres habitados por minorias.

Outro direito fundamental, o direito à vida, levou o presidente a pedir ao Congresso que coloque em votação os projetos para aumentar o controle de armas. Em tom emocional, ele citou várias vítimas de tiroteios para dizer que elas merecem que o assunto seja votado no Capitólio.

Em resposta, o jovem senador republicano Marco Rubio, da Flórida, acusou o presidente de aumentar o déficit, acreditar num governo grande e de prejudicar assim a iniciativa privada. Foi um discurso pobre, fraco, negativo e sem entusiasmo. Rubio sonha em chegar à Casa Branca. Precisa melhor muito.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Assembleia Nacional aprova casamento gay na França

Depois de mais de 110 horas de debates e de examinar mais de 5 mil emendas, por 329 a 229, a Assembleia Nacional da França aprovou hoje o projeto que permite o casamento de pessoas do mesmo sexo e a adoção de crianças por casais gays.

O texto será examinado pelo Senado em 2 de abril. Depois, sua legalidade será examinada pelo Conselho Constitucional, o supremo tribunal francês, último ato para sua aprovação.

Quando o resultado foi anunciado, os deputados da maioria liderada pelo Partido Socialista festejaram aos gritos de "igualdade, igualdade!" Quatro socialistas votaram contra e cinco se abstiveram.

A grande maioria da União por um Movimento Popular (UMP), o maior partido de centro-direita, votou contra. Só um deputado foi a favor. Cinco se abstiveram.

EUA dão US$ 50 milhões para guerra no Máli

O presidente Barack Obama autorizou ontem uma ajuda de emergência de US$ 50 milhões dos Estados Unidos para a França e o Chade enfrentarem a guerra civil no Máli. Desde 21 de janeiro, os americanos  colaboram com a intervenção militar na antiga colônia francesa em operações de transporte aéreo.

Hoje à noite, ao prestar contas ao Congresso e à nação no Discurso sobre o Estado da União, Obama deve anunciar a retirada de 34 mil soldados americanos do Afeganistão. Acabar com a mais longa guerra da História dos EUA é um compromisso de Obama desde sua primeira eleição presidencial, em 2008.

O Departamento da Defesa é a favor de uma retirada em três fases, revela hoje o jornal americano The Washington Post. Depois do fim das operações militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), no fim de 2014, ficariam no Afeganistão 8 mil soldados americanos. Este contingente seria reduzido para pouco menos de mil até 2017.

Entre outros temas internacionais, Obama deve defender ainda a reforma do sistema de imigração dos EUA para resolver a situação de 11 milhões de imigrantes ilegais.

Irã nega que Argentina vá interrogar ministro da Defesa

O Irã negou nesta terça-feira que seu ministro da Defesa, Ahmad Vahidi, vá ser interrogado em Teerã por representantes da Justiça da Argentina, como declarou o ministro da Defesa argentino, Héctor Timerman, ao anunciar em 30 de janeiro um acordo sobre uma investigação conjunta a respeito de um atentado terrorista contra uma associação cultural judaica em Buenos Aires.

No pior atentado terrorista da História do país, 85 pessoas foram mortas e outras 300 feridas no ataque contra Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA) em 18 de julho de 1994.

Dois anos antes, em 17 de março de 1992, outra ação terrorista contra a Embaixada de Israel em Buenos Aires tinha matado 29 pessoas e ferido outras 242. A milícia Jihad Islâmica, ligada ao Hesbolá, reivindicou a autoria do atentado.

Todos os suspeitos locais do ataque de 1994 foram declados inocentes em 2004. Em outubro de 2006, dos promotores de justiça argentinos denunciaram o Irã de ser o mandante do atentado e a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbola (Partido de Deus) como executora. Vahidi foi acusado de ser um dos responsáveis.

A Argentina pediu então ao Irã a extradição de oito cidadãos iranianos, inclusive do atual ministro da Defesa e do ex-presidente Ali Akbar Hachemi Rafsanjani, criando um impasse diplomático entre os dois países. O Irã sempre negou qualquer responsabilidade pelo atentado.

Nos últimos anos, com a aproximação entre o casal Kirchner e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, as relações entre a Argentina e o Irã viraram uma barreira. Chávez se aproximou da república islâmica porque ela exporta petróleo e é inimiga dos Estados Unidos. O governo Cristina Kirchner depende cada vez mais da Venezuela, um dos poucos compradores dos títulos da dívida argentina.

Em 27 de janeiro de 2013, Cristina anunciou um acordo. Uma comissão formada por cinco juristas de prestígio internacional: "Pela primeira vez, autoridades judiciais argentinas poderão interrogar pessoas para quem a Interpol emitiu notificações vermelhas".

Apesar do acordo, muito criticado pela comunidade judaica argentina, a maior da América Latina, o Irã afirma que não tem nada a ver com isso.

ONU condena teste nuclear da Coreia do Norte

O Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou há pouco em reunião de emergência a Coreia do Norte por ter realizado uma explosão nuclear subterrânea com o objetivo de desenvolver armas atômicas.

Em termos duros, a ONU ameaçou adotar novas sanções para tentar abortar a bomba atômica norte-coreana. O Irã, que tem um programa nuclear sob suspeita, e a China e a Rússia, que protegem a república islâmica de medidas mais drásticas, criticaram energicamente o regime comunista de Pionguiangue.

A Coreia do Norte ainda não conseguiu a miniaturização necessária para empacotar a carga nuclear numa bomba, mas está cada vez mais perto, o que assusta os vizinhos, especialmente a Coreia do Sul e o Japão.

Único país que já foi alvo de um ataque nuclear, o Japão decidiu não fazer armas atômicas, confiando num acordo em que os Estados Unidos garantem a segurança do país. Com seu extraordinário desenvolvimento tecnológico, pode fazer a bomba quando quiser.

Se as ameaças regionais aumentarem, o Japão pode abrir mão do pacifismo adotado oficialmente no artigo 9 de sua Constituição do pós-guerra e decidir garantir sua segurança por conta própria. Nem a China, inimiga histórica, nem os EUA, que jogaram as bombas em Hiroxima e Nagasaki no fim da Segunda Guerra Mundial, gostam da ideia.

Coreia do Norte testa bomba atômica

Um "terremoto artificial" no Nordeste da Coreia do Norte detectado pela Coreia do Sul pouco antes do meio-dia desta terça-feira pela hora localestá sendo atribuído a um teste de armas atômicas. Seria o terceiro do regime comunista de Pionguiangue, que mantém uma ditadura stalinista rígida, mas começa uma tímida abertura econômica.

Em outubro de 2006 e maio de 2009, a República Popular Democrática da Coreia, nome oficial do país, o que implica uma reivindicação de soberania sobre toda a Península da Coreia, realizou explosões nucleares. Isso não significa que seja capaz de fazer uma bomba, colocá-la num míssil e fazê-la explodir no alvo. Mas a ditadura de Kim Jong Un está no caminho.

Desde o fim da União Soviética, em 1991, a Coreia do Norte perdeu seu grande patrocinador. O regime comunista, baseado numa suposta autossuficiência, quase entrou em colapso. Com a escassez de alimentos, pelo menos 2 milhões de pessoas morreram de fome.

A ditadura norte-coreana começou então uma chantagem nuclear com os Estados Unidos e seus aliados mais próximos, a Coreia do Sul e o Japão. Exige ajuda em energia e alimentos para enfrentar a crise, mas repetidamente rompe os acordos e volta a desenvolver seu programa nuclear.

Para se afirmar no poder, o novo líder Kim Jong Un, que substitui o falecido pai há pouco mais de um ano, testa mísseis de longo alcance e bombas atômicas. O equilíbrio estratégico no Leste de Ásia ainda não mudou. Mas a Coreia do Norte vai aumentando o nível de suas provocações.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Irã e Hesbolá montam rede para Síria pos-Assad

Para defender seus interesses na Síria mesmo que o ditador aliado Bachar Assad caia, o Irã e a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbola (Partido de Deus) estão armando uma rede de milícias. Por enquanto, elas atuam como aliadas do atual governo.

Um alto funcionário do governo dos Estados Unidos citou um agente iraniano para afirmar que a república islâmica está apoiando pelo menos 50 mil milicianos na guerra civil síria. "É uma grande operação", comentou. "A intenção imediata é sustentar o regime de Assad até o fim. Mas é importante para o Irã e o Hesbolá terem uma força confiável na Síria pós-Assad".

A revolta popular contra Assad completa dois anos em 15 de março sem qualquer perspectiva de solução da guerra civil em que degenerou. Assad controla cada vez menos território, mas os rebeldes não têm a força necessária para lhe dar um golpe final.

Na semana passada, o secretário da Defesa dos EUA, Leon Panetta, revelou que o presidente Barack Obama não quis armar os rebeldes, contrariando a posição de outros membros do governo americano.

Com mais de 60 mil mortes reconhecidas pelas Nações Unidas, a violência brutal fragmentou a Síria. Será muito difícil reconciliar e reintegrar o país.

A maior parte dos rebeldes vem da maioria sunita, o que não significa que tenham unidade. Uma grande força armada é formada por extremistas muçulmanos ligados à rede terrorista Al Caeda.

Os curdos, que têm suas próprias milícias, controlam grandes áreas e querem autonomia. A maioria dos cristãos apoia Assad temendo a islamização do país. Cerca de 700 mil drusos, que seguem sua própria versão do xiismo, tendem cada vez mais para o lado dos rebeldes. Já os alauítas, que formam o núcleo central do regime, permanecem leais a Assad.

"A Síria está se desintegrando como nação, a exemplo do que aconteceu com o Líbano nos anos 70 e depois com o Iraque", declarou ao jornal The New York Times Paul Salem, diretor do Centro de Oriente Médio da Fundação Carnagie para a Paz Internacional, com sede em Beirute, no Líbano.

Papa Bento XVI renuncia

O papa Bento XVI anunciou hoje sua renúncia ao cargo de chefe da Igreja Católica Apostólica Romana a partir de 28 de fevereiro de 2013, alegando problemas de saúde. É o primeiro papa a fazer isso em quase 600 anos, desde Gregório II em 1415.

Bento XVI era o Sumo Pontífice desde 2005, quando morreu João Paulo II. Um substituto deve ser eleito pelo Sacro Colégio Cardinalício antes da Páscoa, que este ano cai em 31 de março. Estão aptos a votar 117 cardeais, na maior parte europeus.

Conservador, o cardeal Joseph Ratzinger foi nomeado por João Paulo II prefeito da Sagrada Congregação da Doutrina da Fé, o Santo Ofício, a antiga Inquisição. Nesta função, perseguiu seguidores da chamada Teologia da Libertação, defendida por setores progressistas a favor de uma igreja mais envolvida em questões sociais e políticas, sob influência marxista.

Como Sumo Pontífice, Bento XVI criticou "uma ditadura do relativismo" cultural que tenta tornar aceitáveis o que antes era considerado intolerável pela sociedade e por pessoas religiosas. Ele próprio foi muito criticado em 2006, quando afirmou que o islamismo era uma religião guerreira e teve de pedir desculpas.

A saúde sempre foi um de seus maiores problemas como papa. Afinal, ele sucedeu ao atlético João Paulo II, que percorreu o mundo mesmo depois de ter sido baleado num atentado em 1981.

Na renúncia, Bento XVI argumentou que seu corpo e sua mente não têm mais força suficiente para comandar o Vaticano. Seu irmão disse que ele foi orientado pelo médico a não fazer mais viagens transatlânticas.

A revista de negócios Harvard Business Review fez uma análise das implicações da renúncia de Bento XVI sobre liderança e envelhecimento.

Do ponto de vista político, seu maior desafio foi enfrentar uma série de escândalos sexuais envolvendo ministros da Igreja, especialmente de pedofilia. Nem isso o levou a cogitar o fim do celibato.

Aqui no Brasil, o frei Leonardo Boff, que foi silenciado pelo papa por seu apoio à Teologia da Libertação, acusou Bento XVI de usar o segredo pontifício para tentar evitar que padres e bispos fossem julgamento pela justiça comum pelos escândalos sexuais da Igreja. Ele só teria recuado quando a situação era insustentável. Aí pediu desculpas e prometeu rigor na investigação.

A expectativa agora é de eleição de um papa do Terceiro Mundo, que leve o trabalho de evangelização da Igreja Católica para regiões onde ela está sob pressão de outras religiões. Mas 61% dos cardeais que participarão do Conclave para escolher o novo papa são europeus.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Jihadistas contra-atacam no Norte do Máli

Os extremistas muçulmanos que dominavam o Norte do Máli nos últimos nove meses lançaram hoje contra a cidade de Gao o contra-ataque mais forte contra a intervenção militar iniciada há um mês pela França para devolver ao governo malinês o controle de todo o seu território.

Gao, de 85 mil habitantes, é a cidade mais importante da região ocupada inicialmente pelo Movimento Nacional de Libertação de Azawade, que luta pela criação de um país para o povo tuaregue, e seus aliados jihadistas ligados à rede terrorista Al Caeda.

Houve tiroteio perto da chefiatura da polícia, no centro da cidade e em bairros do sul da cidade. Os rebeldes atacaram com rifles AK-47 e foram repelidos por soldados malineses apoiados por helicópteros e militares franceses.

No início da tarde de domingo, os franceses haviam cercado os rebeldes, reporta o jornal The New York Times.

O combate é um sinal de que a rápida vitória francesa pode ser ilusória. Sem condições de enfrentar uma força mais poderosa, os rebeldes recuaram para o Deserto do Saara, onde podem se reagrupar para lançar novos ataques de surpresa no estilo característico da guerra de guerrilha.

A França anunciou a retirada de suas forças em março e abril. Em seu lugar, deve ficar uma força de paz das Nações Unidas formada por soldados africanos de países vizinhos, sob a liderança da Nigéria, a grande potência regional.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Nevasca deixa mortos e 650 mil sem energia nos EUA

A grande tempestade Nemo, que cobriu o Nordeste dos Estados Unidos com quase um metro de neve em alguns pontos, deixou 650 mil pessoas sem energia elétrica, e milhares de carros abandonados em ruas e estradas que ficaram intransitáveis rapidamente. O vento chegou a 120 quilômetros por hora. Pelo menos 11 pessoas morreram.

Hoje a temperatura em Boston e Nova York pode cair abaixo de 10 graus centígrados.

A cidade de Nova York foi, de certa forma, poupada. "Tivemos muita sorte até agora", declarou hoje de manhã o prefeito Michael Bloomberg, citado pelo jornal The New York Times.

Como mais de 3 mil voos foram cancelados, quem vai viajar deve consultar sua companhia aérea. A tendência é manter e horário dos voos futuros, mas a confusão será grande nos próximos dias.

Venezuela megadesvaloriza moeda em 31,7%

Sob pressão da inflação de 20% ao ano, de um déficit público de 15% do produto interno bruto e da ausência do presidente Hugo Chávez, que aumenta a incerteza, o governo da Venezuela anunciou ontem uma desvalorização de 31,7% na cotação oficial do bolívar que passou de 4,30 para 6,30 por dólar.

A medida vai ajudar a fechar as contas públicas, já que a Venezuela vai ganhar mais bolívares por seus petrodólares. Por outro lado, vai pressionar ainda mais a inflação.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Rainha da Escócia foi decapitada há 426 anos

Em 8 de fevereiro de 1587, Maria Stuart, a Rainha da Escócia, foi decapitada no castelo de Fotheringhay, no condado de Northampton, na Inglaterra, por ordem da rainha protestante Elizabeth I, que temia que os católicos tomassem o poder.

Maria Stuart era a única filha do rei Jaime V e de sua mulher francesa, Maria de Guise. Seis dias depois de seu nascimento, em 1542, seu pai morreu e ela se tornou Rainha da Escócia.

Na Inglaterra, com a morte de Henrique VIII, em 1547, seu filho Eduardo VI ascendeu ao trono aos nove anos. Doente, morreu aos 15, abrindo uma luta pela sucessão entre suas duas irmãs, a católica Maria Tudor, filha do primeiro dos seis casamentos do rei, e a protestante Elizabeth Tudor, filha do segundo casamento.

Henrique VIII tinha rompido com a Igreja Católica em 1534 para se divorciar de Catarina de Aragão, filha do rei Fernando II, da Espanha, e se casar com Ana Bolena, mãe de Elizabeth. Assim, elas iniciaram uma era de guerras religiosas que se arrasta até hoje na Irlanda do Norte.

Em 1553, com a morte de Eduardo VI, Maria Tudor assumiu o trono da Inglaterra, depois de uma breve tentativa de usurpação por Lady Jane Grey. Maria I entrou para a história como Maria Sangrenta (Bloody Mary) por sua tenaz perseguição aos protestantes na tentativa de restaurar o catolicismo.

Com a morte de Maria I, em 1558, Elizabeth I se torna uma das rainhas mais poderosas da História da Inglaterra. Durante o período elizabetano, época de florescimento da literatura de William Shakespeare, o país se torna uma grande potência, entra na era das grandes navegações e começa a construir o Império Britânico.

Sobrinha-neta de Henrique VIII e filha de Jaime V da Escócia, Maria Stuart era uma ameaça ao poder de Elizabeth I. Era a primeira na linha de sucessão ao trono. Como os católicos consideravam o divórcio e o segundo casamento de Henrique VIII ilegítimos, Elizabeth I seria uma filha bastarda e não teria direito ao trono.

Henrique II, da França, reivindicou então a coroa para Maria Stuart, sua nora. Em 1559, com a morte de Henrique II, Maria vira Rainha da França, mas seu marido, o rei Francisco II, morre em 1560, deixando-a viúva aos 18 anos.

Ao voltar à Escócia, Maria Stuart não estava preparada para os desafios da luta pelo poder. Elizabeth I nunca a aceitou como sucessora. Acusada de assassinato, abdicou do trono da Escócia em favor de seu filho Jaime VI em 1567, foi presa, condenada e executada na Inglaterra.

Por ironia da História, Maria Stuart está enterrada na Abadia de Westminster num túmulo do mesmo esplendor que o de sua arqui-inimiga Elizabeth I. Seu filho se tornou Jaime I, da Inglaterra, e resolveu honrar a memória da mãe.

Nordeste dos EUA espera pior nevasca em cem anos

Já começou a nevar em Nova York e Boston. Do estado de Nova York até o Maine, o Nordeste dos Estados Unidos se prepara para a que pode ser a maior nevasca em cem anos.

Em Boston, a neve pode chegar a 90 centímetros, prevê o jornal The Boston Globe. Os ventos podem chegar a 100 km/h. Todos os voos foram cancelados. Os trens estão parados desde ontem. Mais de 300 estradas do estado de Massachusetts receberam sal para dificultar o congelamento.

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, muito criticado pela reação a uma nevasca em dezembro de 2010, garantiu que desta vez a maior cidade americana está preparada: "Nossa maior preocupação é garantir que as pessoas cheguem em casa com segurança depois do trabalho e não abandonem seus carros no meio da rua", reportou o jornal The New York Times.

Rebeldes lutam no anel rodoviário de Damasco

As forças leais ao ditador Bachar Assad lutam ferozmente no anel rodoviário de Damasco para impedir o avanço dos rebeldes que lutam há quase um ano e onze meses contra seu regime na Síria. Rebeldes vindos da região de Ghouta, a leste, romperam duas linhas de defesa e chegaram ao bairro de Jobar, a apenas dois quilômetros do centro da capital síria.

Pelo menos 46 teriam sido mortas ontem na Batalha de Damasco. Os rebeldes tentam cortar os suprimentos para as forças governamentais.

Assad já perdeu o controle de vastas áreas do país na mais violenta guerra civil da Primavera Árabe. Mais de 60 mil pessoas foram mortas desde 15 de março de 2011. Com o apoio da Força Aérea, conseguiu até agora defender o centro de Damasco. Ainda está longe de ficar encurralado, mas corre o risco de perder mais uma rota de suprimento, observam analistas ouvidos pela agência Reuters.


Líderes da UE cortam orçamento para 2014-20

Depois de quase 24 horas de negociações, os líderes da União Europeia chegaram a um acordo hoje em Bruxelas para reduzir o orçamento comunitário para 2014-20, anunciou o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy.

A redução, de 80 bilhões de euros, era exigida por países como a Holanda e o Reino Unido para se adaptar à crise econômica. "Simplesmente, não podemos ignorar a extensão da crise", disse Van Rompuy.

Mas as quatro grandes bancadas do Parlamento Europeu (conservadores, liberais, socialistas e ecologistas) criticaram o corte, alegando que não vai contribuir para a recuperação econômica do continente.

O orçamento da UE representa 1% do produto regional bruto. É muito menor do que os orçamentos nacionais somados.

Comércio exterior chinês cresce muito no início do ano

As exportações da China avançaram 25% em janeiro de 2013 na comparação anual. É o ritmo mais forte desde abril de 2011, um salto em relação aos 14,1% de dezembro de 2012. As importações aumentaram ainda mais, 28,8%, mais de quatro vezes a mais do que os 6% de dezembro.

São sinais de que a segunda maior economia do mundo esta acelerando seu ritmo de expansão, depois de crescer 7,8% no ano passado.

A força das importações reduziu o saldo comercial de US$ 31,6 bilhões em dezembro para US$ 29,2 bilhões em janeiro.

Os analistas recomendam certa cautela. Por causa dos feriados do Ano Novo Chinês, que será festejado neste ano em 10 de fevereiro e que anualmente provoca a maior migração em massa de seres humanos, as empresas tendem a antecipar negócios para janeiro.

É mais prudente esperar até março, quando a vida volta ao normal, para fazer uma avaliação mais precisa do desempenho da economia chinesa em 2013. Os sinais são de aceleração do crescimento. O Banco Popular da China, o banco central do país, já indicou que sua maior preocupação no momento é a inflação.

Islamitas rejeitam governo de união na Tunísia

Os partidos islamitas que dominam a Assembleia Nacional da Tunísia rejeitaram ontem a proposta do primeiro-ministro Hamadi Jebali para formar um governo de união nacional e assim enfrentar a crise gerada pelo assassinato do líder esquerda Cokri Belaïd, um advogado marxista de 48 anos defensor dos direitos humanos.

Belaïd foi assassinado quando saía de casa em 6 de fevereiro de 2013. Ele era o mais eloquente porta-voz da oposição. Denunciava a ação crescente de milícias islamitas que querem sequestrar a revolução que derrubou, em 14 de janeiro de 2011, o ditador Zine ben Ali, que estava no poder havia 23 anos.

Há meses, a violência aumenta. Pelo menos desde outubro, há denúncias regulares de ameaças e ataques a liberais, esquerdistas, feministas, jornalistas e artistas, que são considerados infiéis ao Islã pelos integristas.

Como no caso da Irmandade Muçulmana no Egito, o partido dominante da Tunísia, o Nahda, não mostra interesse e num diálogo amplo e aberto com a sociedade. Ao não aceitar a proposta de união nacional, sente-se no direito de representar toda a sociedade. Mas a revolta popular está nas ruas e a polícia age com a mesma brutalidade do antigo regime.

Os sindicatos convocaram uma greve geral para hoje. Há riscos de novos conflitos violentos.

Como disse ontem o jornal francês Libération, a esperança é que o país onde nasceu a Primavera Árabe não seja o primeiro a enterrá-la.

Jaua: "Chávez está na batalha"

O presidente Hugo Chávez "está na batalha" pela vida, comentou o ministro do Exterior e ex-vice-presidente da Venezuela, Elías Jaua, depois de visitar seu comandante em Cuba ao lado do atual vice-presidente, Nicolás Maduro, e da procuradora-geral, Cilia Flores.

"Nicolás, Cilia e eu acabamos de sair de um encontro extremamente humano e bonito com nosso comandante Chávez. Está na batalha", escreveu Jaua no Twitter.

Isso significa que não está recuperado, como Maduro declarou há poucos dias.

Na última vez em que apareceu em público, na televisão, em 8 de dezembro de 2012, Chávez anunciou que ia Havana, a capital cubana, onde foi operado pela quarta vez de um câncer que virou segredo de Estado de seu regime autoritário. Não se sabe exatamente nem onde é, na "região pélvica".

Mesmo sem ir à Assembleia Nacional para tomar posse para mais um mandato, em 10 de janeiro de 2013, ele foi mantido no cargo por uma manobra do Tribunal Supremo da Venezuela, dominado pelo chavismo.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Invasão do rock britânico nos EUA começou há 49 anos

Em 7 de fevereiro de 1964, os Beatles desembarcaram em Nova York, no começo de sua primeira excursão pelos Estados Unidos. Duas noites depois, com uma apresentação no Ed Sullivan Show, a Beatlemania conquistou o país. Cerca de 73 milhões de americanos viram o programa na televisão.

Era o início da chamada invasão britânica à pátria do rock'n'roll. Durante décadas, bandas britânicas como os Beatles, os Rolling Stones, The Who, Led Zeppelin, Pink Floyd, Sex Pistols, Clash e tantas outras estiveram na vanguarda do pop e do rock e das paradas de sucesso dos EUA e do resto do mundo.

Os Beatles fizeram seu último show com venda de ingressos em 29 de fevereiro de 1966, em São Francisco, na Califórnia. Havia 42,5 mil lugares no Candlestick Park. Só foram vendidos 25 mil a US$ 4,50 e US$ 6,50. O cachê da banda teria sido de US$ 90 mil.

Eles ainda fizeram uma última aparição não anunciada em público em janeiro de 1969, no teto da gravadora Apple, em Londres, que está no filme Let it be.

Guerra no Máli já custou 70 milhões de euros à França

A intervenção militar da França no Máli, iniciada em 11 de janeiro de 2013, já custou 70 milhões de euros (R$ 186 milhões) ao país europeu, estimou o jornal Le Parisien. Nas palavras do ministro do Exterior, Laurent Fabius, representa um "grande esforço".

O orçamento anual da França para operações militares no exterior é de 630 milhões de euros (R$ 1,674 bilhão). A intervenção na guerra civil da Líbia, que durou sete meses, custou 300 milhões de euros (R$ 797,4 milhões).

Nesta semana, a França anunciou a retirada do Máli, que deve começar em março e terminar em abril. As tropas francesas devem ser substituída por uma força de paz das Nações Unidas composta por soldados africanos.

Pelas estimativas francesas, entre 150 e 300 extremistas muçulmanos foram mortos na guerra. Vários grupos islamitas tomaram o Norte do Máli em março e abril do ano passado, depois de um golpe militar na capital, que fica no Sul, uma reação dos militares contra a suposta falta de apoio na luta contra os jihadistas.

Irã rejeita diálogo com EUA sobre questão nuclear

O Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica do Irã, aiatolá Ali Khamenei, o ditator que realmente manda no país, rejeitou hoje qualquer possibilidade de diálogo com os Estados Unidos e as outras grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, França, Rússia e Reino Unido), que impuseram duras sanções contra o programa nuclear iraniano, suspeito de desenvolver armas nucleares.

Em declaração divulgada via Internet, o Supremo Líder afirmou que a revolução iraniana não tem medo de "ameaças armadas", numa referência à posição do governo americano de que "todas as opções estão na mesa, inclusive o uso da força.

 Khamenei rejeitou assim uma suposta oferta feita pelo ministro do Exterior, Ali Akbar Salehi, durante a Conferência sobre Segurança realizada em Munique, na Alemanha. A comissária de Relações Exteriores da União Europeia, Catherine Ashton, chegou a anunciar a retomada das negociações com o Irã em 25 e 26 de fevereiro na ex-república soviética do Casaquistão.

Como Salehi não tem poder para tomar decisões sobre o programa nuclear, as grandes potências ficaram esperando a confirmação do Supremo Líder, que sempre tem a palavra final. Hoje, veio a rejeição.

Sob intensa pressão das sanções internacionais aprovadas pela ONU, o Irã deve insistir na sua suspensão como condição prévia para voltar a negociar. As grandes potências do Conselho de Segurança e a Alemanha exigem que o Irã cumpra suas resoluções e pare de enriquecer urânio, a carga da bomba atômica.

"Não sou um diplomata. Sou um revolucionário e expresso minhas palavras honestamente", teria dito Khamenei, citado pelo jornal liberal israelense Haaretz. Israel teme ser o primeiro alvo de uma bomba nuclear iraniana.

Os EUA e o Irã não têm relações diplomáticas desde que estudantes radicais iranianos invadiram a embaixada americana em Teerã, em 4 de novembro de 1979, e mantiveram 52 americanos como reféns durante 444 dias.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Líder da oposição é morto na Tunísia

A Tunísia, onde começaram as revoluções da chamada Primavera Árabe, está em estado de choque. O advogado esquerdista Chokri Belaïd, secretário-geral do Partido dos Patriotas Democratas Unidos, aliado à Frente Popular, foi assassinado a tiros hoje de manhã quando saía de casa em Túnis.

"Uma bala atingiu a cabeça e outra o pescoço", contou chorando a advogada e aliada política Radhia Nasraoui por telefone ao jornal francês Le Monde.

O primeiro-ministro Hamadi Jebali denunciou o assassinato como "um ato criminoso, um ato de terrorismo não apenas contra Belaïd mas contra toda a Tunísia".

Depois de condenar a morte, o presidente Moncef Marzouki interrompeu uma viagem pela Europa, cancelou sua participação numa reunião de cúpula da Organização da Conferência Islâmica realizada no Cairo e voltou imediatamente ao país.

Em entrevista no Parlamento Europeu, o presidente afirmou: "Esse assassinato odioso tem como objetivo jogar os componentes laicos contra os componentes muçulmanos de nossa sociedade para provocar o caos. Ha forças políticas no interior da Tunísia contrárias ao sucesso dessa transição".

O presidente não quis dizer se suspeita de membros do antigo regime ou de extremistas muçulmanos. As maiores suspeitas recaem sobre aliados do governo islamita.

Ao meio-dia, cerca de 2 mil pessoas se reuniram diante do Ministério do Interior, no centro da capital, para protestar contra o assassinato de um dos maiores críticos do governo formado pelo partido islamita Nahda. A polícia atacou os manifestantes com gás lacrimogênio.

Em Sidi Bouazid, berço da revolta popular que derrubou o ditador Zine ben Ali em 14 de janeiro de 2011, também houve protestos e a polícia usou gás lacrimogênio.

Diante da crise política, o primeiro-ministro propôs a formação de um governo de união nacional.

Frente Nacional não assusta 47% dos franceses

Para 47% dos franceses, o partido neofascista Frente Nacional "não representa uma ameaça para a democracia", indica uma pesquisa encomendada pelo jornal Le Monde e pela televisão Canal Plus. São oito pontos percentuais a mais do que em 2012.

Entre os simpatizantes da União por um Movimento Popular (UMP), o grande partido de centro-direita do ex-presidente Nicolas Sarkozy, 54% veem a líder da extrema direita, Marine Le Pen, como representante de "uma direita patriótica ligada aos valores tradicionais".

Com a decadência do comunismo, nas últimas décadas, a FN conquistou o eleitorado de trabalhadores desiludidos com a esquerda que passaram a ver nos imigrantes uma ameaça a seu emprego.

Em 2002, a esquerda estava descontente com as políticas liberais do então primeiro-ministro socialista, Lionel Jospin. Muitos esquerdistas votaram na extrema esquerda no primeiro turno. Isso tirou os socialistas do segundo turno, levando o líder histórico da extrema direita francesa, Jean-Marie Le Pen, para a votação final, com 17% dos votos.

No primeiro turno da eleição de François Hollande, em 22 de abril de 2012, Marine obteve 18% dos votos, superando a votação do pai. Ela trouxe um rosto e um ar mais respeitável à extrema direita. É aí que mora o perigo, na "banalização do mal", como advertiu a filósofa judia alemã Hannah Arendt em As Origens do Totalitarismo.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Câmara dos Comuns aprova casamento gay

Depois de um dia de debates e apesar da divisão da bancada conservadora, por 400 a 175, a Camâra dos Comuns do Parlamento Britânico aprovou hoje em primeira votação o casamento de pessoas do mesmo sexo na Inglaterra e no País de Gales. A Escócia e a Irlanda do Norte, que também fazem parte do Reino Unido, tem autonomia.

O projeto vai agora para a Câmara dos Lordes, que pode adiar mas não impedir a aprovação. Depois, volta à Câmara dos Comuns para aprovação final.

"Foi um passo importante para fortalecer a sociedade", declarou o primeiro-ministro conservador David Cameron. De sua bancada, 136 votaram contra, 127 a favor, 35 não votaram e cinco se abstiveram, informa a televisão pública britânica BBC.

Já o vice-primeiro-ministro Nick Clegg, líder do Partido Liberal Democrata, festejou a decisão como "um marco no caminho para a igualdade. Não interessa quem você é e quem você ama. O casamento é amor e compromisso, não deve ser negado porque alguém é gay. O PLD luta há muito tempo pela igualdade no casamento. É uma política do partido e tenho orgulho de que seja um governo com participação liberal-democrata que o tenha conseguido".

O líder da oposição trabalhista, Ed Miliband, que votou em peso a favor do casamento gay, afirmou que "foi um grande avanço do Reino Unido rumo à igualdade".

Bulgária acusa Hesbolá por ataque contra israelenses

A Bulgária acusou hoje a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) por um atentado contra um ônibus com turistas de Israel no aeroporto de Burgas em julho de 2012. Cinco turistas israelenses e o motorista do ônibus morreram.

O ministro do Interior da Bulgária, Tsvetan Tsvetanov, declarou que os dois responsáveis pelo ataque usaram passaportes da Austrália e do Canadá.

Se a denúncia for comprovada, a União Europeia será obrigada a classificar o Hesbolá como uma organização terrorista e impedir seus vastos esquemas de arrecadação de dinheiro em território europeu.

O grupo é inimigo de Israel e aliado do Irã. A Alemanha e a França gostariam de reconhecê-lo como um partido legítimo, mas os Estados Unidos e Israel insistem na caracterização como terrorista.

"As implicacões da investigação precisam ser avaliadas seriamente porque se trata de um atentado terrorista em solo da UE que resultou na morte de civis inocentes", afirmou a comissária de Relações Exteriores do bloco, Lady Catherine Ashton.

Nos EUA, o principal assessor antiterrorismo do governo Obama, John Brennan, indicado para diretor-geral da CIA (Agência Central de Inteligência), convocou "nossos aliados europeus e outros membros da comunidade internacional a tomar medidas para desvendar a infraestrutura do Hesbolá e romper os esquemas de financiamento e as redes operacionais do grupo para evitar futuros ataques".

Para o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, "é mais uma comprovação de que o Hesbolá e seus patrões iranianos estão orquestrando uma campanha terrorista mundial por vários países e continentes".

O Hesbolá negou responsabilidade pelo atentado, alegando faltarem provas conclusivas. A decisão de colocar o grupo na lista de organizações terroristas depende da unanimidade dos 27 países da UE, informa o jornal The New York Times.

EUA justificam assassinato de americanos no exterior

O assassinato de cidadãos americanos no exterior é legal se eles liderarem a rede terrorista Al Caeda e representarem um perigo iminente para os Estados Unidos, justifica um memorando do Departamento de Justiça revelado ontem pela rede de televisão NBC.

A explicação é uma resposta às dúvidas suscitadas pela morte de Anwar al-Awlaki, um americano convertido em líder da Al Caeda na Península Arábica. Ele foi eliminado no Iêmen por um bombardeio com aeronaves não tripuladas, os drones, em setembro de 2011, depois de treinar um jovem radical nigeriano que tentou explodir um avião que chegava a Detroit no Natal de 2009.

No primeiro governo Barack Obama, os EUA mataram mais de 3 mil pessoas com ataques de drones controlados à distância, uma maneira de fazer a guerra sem colocar vidas americanas em risco. Além de Al-Awlaki, outros três americanos foram mortos por drones no Iêmen, inclusive um filho dele de 16 anos.

O documento de 16 páginas foi preparado em 2011, antes da morte de Al-Awlaki.

A definição de "perigo iminente" é bastante ampla, observa o jornal The Washington Post. Não são necessárias informações precisas sobre uma conspiração, sob o argumento de que a rede terrorista está continuamente planejando ataques contra os EUA e seus aliados.

Para a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), é um documento "profundamente perturbador" que "amplia surpreendentemente o alcance da autoridade do Executivo - o alegado poder de declarar que americanos são uma ameaça e de matá-los longe de um lugar reconhecido como campo de batalha e sem qualquer envolvimento judicial antes ou depois do ato".

Indonésia cresceu 6,2% em 2012

A Indonésia, maior economia do Sudeste Asiático, superou os desafios da crise econômica internacional e a desaceleração do crescimento da China para avançar 6,2% no ano passado, um pouco abaixo dos 6,5% registrados em 2011.

Enquanto a maioria das economias emergentes da Ásia depende das exportações, mais de 60% do produto interno bruto da Indonésia são gerados pelo mercado interno.

O crescimento médio de 5,7% ao ano na década passada mostra mais uma vez que a Indonésia merecia fazer parte do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), os tijolos que vão construir a economia mundial nas próximas décadas.

No ano passado, a China cresceu 7,6%; a Índia, 5,9%; a Rússia, 3,4%; e o Brasil, 0,9%. A Indonésia só não faz parte do grupo porque a China preferiu convidar a África do Sul para fortalecer sua posição na África.

Com a expansão da classe média, o país de 240 milhões de habitantes recebeu um nível de investimentos sem precedentes em 2012, inclusive de grandes empresas transnacionais como a francesa L'Oréal e a japonesa Toyota.

Argentina congela preços para conter inflação

Sob pressão do Fundo Monetário Internacional (FMI) por manipular os índices oficiais de inflação, a Argentina recorreu mais uma vez ao congelamento de preços. No primeiro dia útil depois da censura do Fundo, o governo anunciou um acordo entre o secretário de Comércio, Guillermo Moreno, e grandes supermercados responsáveis por 70% das vendas do setor.

Até 1º de abril de 2013, Walmart, Carrefour, Coto, Jumbo, Disco e outras grandes redes não devem aumentar nenhum preço. O Ministério do Comércio aconselha os consumidores a guardar notas fiscais para conferir possíveis reajustes.

A inflação é uma das maiores preocupações dos argentinos. Eles chegaram a enfrentar altas de 200% ao mês em 1989, quando o primeiro presidente depois da redemocratização do país, Raúl Alfonsín, foi obrigado a renunciar. Ele transferiu o poder antecipadamente para Carlos Menem porque seu governo tinha perdido credibilidade para conter os preços depois de vários congelamentos fracassados.

Desde a campanha para a primeira eleição da presidente Cristina Kirchner, em 2007, o governo é acusado de manipular os índices do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). A inflação do ano passado ficou oficialmente em 10,9%, enquanto economistas do setor privado estimam algo em torno de 25% e projetam 30% para 2013.

Com a manipulação, o governo Cristina Kirchner perdeu o apoio dos sindicatos, que temem a perda do poder de compra pelos trabalhadores.

Na opinião da economia Soledad Pérez Duhalde, o congelamento só dará resultado em curto prazo. É possível que os supermercados tenham problemas de reabastecimento e que alguns produtos fiquem escassos.

A presidente e seu ministro da Economia, Hernán Lorenzino, reagiram ontem às críticas do FMI, alegando que a instituição perdeu sua credibilidade ao apoiar a dolarização da era Menem, que levou a economia argentina ao calote e ao colapso no fim de 2001. Eles acusaram o Fundo de agravar a crise das dívidas públicas da Zona do Euro por tomarem medidas que supostamente favoreceriam os bancos em prejuízo do crescimento econômico e da geração de empregos.

Para Lorenzino, a censura do FMI "não é somente um erro, é um exemplo claro do tratamento desigual e do uso de dois pesos e duas medidas em relação a certos países-membros".

Apesar dos protestos, o governo argentino anunciou que está mudando a metodologia de cálculo da inflação e impôs o congelamento para tentar segurar os preços.

EUA processam agência de avaliação de risco

O Departamento da Justiça dos Estados Unidos deve pedir hoje abertura de processo contra a agência de classificação de risco Standard & Poor's. A empresa será acusada de ignorar seus próprios padrões ao avaliar os títulos da dívida hipotecária que causaram prejuízos bilionários e foram responsáveis pela pior crise financeira internacional dos últimos 70 anos.

É o primeiro processo contra essas agências na atual crise. A S&P, uma das três grandes agências de classificação de risco, alega estar sendo punida injustamente por não ter previsto a crise, o que quase ninguém conseguiu.

Se for condenada, a S&P terá de pagar multas de mais de US$ 1 bilhão. A agência tirou em 2011 a nota máxima da dívida dos EUA por falta de entendimento entre a Casa Branca e o Congresso para reduzir o déficit orçamentário.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Total de desempregados na Espanha é de 4,98 milhões

Com mais 132 mil demissões em janeiro, o número total de desempregados na Espanha chegou a 4,98 milhões, revelou hoje o Ministério do Emprego e da Seguridade Social. A quarta maior economia da Zona do Euro perdeu 1,4% no ano passado e talvez só volte a crescer em 2014. O índice de desemprego estava em 26,02% no fim de 2012.

Houve uma pequena queda do desemprego nas Ilhas Baleares (+326 vagas), onde os europeus buscam tomar algum sol durante o inverno, mas forte aumento na Andaluzia (-18.569) e em Madri (-17.435).

Desde o fim da semana passada, os espanhóis protestam nas ruas contra a corrupção. O primeiro-ministro Mariano Rajoy e outros líderes do conservador Partido Popular são acusados de receber "dinheiro não contabilizado" do caixa 2 de grandes empresas num grande escândalo de corrupção, um mensalão espanhol.

Rajoy teria recebido 25,2 mil euros (R$ 68 mil) por mês durante 11 anos, num total equivalente a quase R$ 750 mil. Como o governo direitista tem maioria no Parlamento, está tentando ignorar a voz das ruas. Diante da notícias, milhares de espanhóis protestaram diante do Congresso, perguntando: "Onde está meu envelope?" Os pepistas recebiam o dinheiro extra mensalmente em envelopes.

Durante visita à Alemanha, o chefe do governo espanhol negou mais uma vez ter recebido dinheiro sujo: "Este é um momento difícil, mas vamos superá-lo", disse Rajoy, citado pelo jornal espanhol El País, que denunciou o escândalo. O subsecretário do PP ameaçou processar quem acusar o partido de financiamento ilegal.

A situação é especialmente grave porque a Espanha enfrenta sua pior crise econômica desde o fim da ditadura do generalíssimo Francisco Franco, em 1975.

Inglaterra identifica restos mortais de Ricardo III

Ele foi o último rei da Inglaterra a morrer em combate e um dos mais condenados pela História, em grande parte por causa da peça de William Shakespeare que o caracterizou como um vilão coxo e corcunda, responsável pelo assassinato de dois príncipes adolescentes na Torre de Londres.

Agora, Ricardo III está de volta, talvez para receber um julgamento mais benevolente. Pesquisadores da Universidade de Leicester confirmaram hoje que os restos mortais encontrados em setembro de 2012 embaixo de uma área de estacionamento são do monarca que caiu em desgraça. Ricardo III será reenterrado solenemente na Catedral de Leicester.

Michael Ibsen, um marceneiro canadense que mora em Londres, descendente direto de Ana de York, irmã de Ricardo III, forneceu o material genético para ser comparado com o DNA dos restos mortais, informa o jornal conservador britânico The Daily Telegraph.

"Sem dúvida, é Ricardo", afirmou o arqueólogo Richard Buckley, sob aplausos dos participantes de uma entrevista coletiva realizada na universidade. Para a arqueóloga Jo Appleby, da Faculdade de Arqueologia e História Antiga, os ossos são de um homem com vinte e muitos ou trinta e poucos anos. Ricardo morreu aos 32 anos.

Na peça de Shakespeare, a pé depois de cair do cavalo, perdido no meio do campo de batalha, Ricardo III teria feito um último apelo: "Meu reino por um cavalo". Tarde demais.

Seu esqueleto tinha dez lesões no momento da morte, sendo oito no crânio e duas potencialmente fatais. Uma tirou um pedaço do crânio, talvez com um machado ou uma massa, e outra foi feita por uma lâmina que penetrou 10 centímetros até tocar no outro lado do crânio. As lesões são consistentes com as descrições da batalha

"Esses dois ferimentos podem ter causado uma perda imediata da consciência seguida de uma morte rápida", declarou Jo Appleby, citada pela televisão pública britânica BBC.

Outras lesões teriam sido provocadas por facadas no rosto. Ricardo III também teria sido vítima de humilhações. Há uma lesão na região pélvica causada pela introdução de uma arma pelo ânus.

A coluna vertebral do desgraçado rei tinha uma escoliose que explicaria sua descrição como corcunda. Sua compleição física foi chamada de "quase feminina" pela pesquisadora.

Ricardo Plantageneta, Duque de Gloucester, era um príncipe real até a morte do irmão, Eduardo IV, em 1483. Ele foi nomeado como Lorde Protetor dos sobrinhos, Eduardo V, e Ricardo, que foram levados para a Torre  de Londres e desapareceram.

Algumas versões inocentam Ricardo III, alegando que a História foi escrita por seus inimigos. De qualquer jeito, como Lorde Protetor, ele era o responsável pela segurança dos príncipes adolescentes e foi beneficiário direto de suas mortes.

Depois de dois anos e dois meses como rei, Ricardo III foi derrotado por Henrique Tudor, Conde de Richmond, na Batalha de Bosworth, em 22 de agosto de 1485, no último combate importante da Guerra das Duas Rosas, que terminou com a vitória da dinastia de Lancaster sobre a dinastia de York.

O vencedor foi coroado como Henrique VII e se casou com Elizabeth de York, filha de Eduardo IV e sobrinha de Ricardo III, para pacificar a Inglaterra. Era o começou da dinastia Tudor, que governou a Inglaterra e o País de Gales por 117, combinando em seu brasão as rosas branca da casa de York e vermelha da casa de Lancaster.

O trauma dessa guerra civil levou à obsessão de Henrique VIII por ter um filho homem para evitar as guerras intermináveis entre príncipes que reivindicavam o direito ao trono.

Henrique VIII rompeu com a Igreja Católica para se divorciar. Casou-se seis vezes, mas seu filho homem, Eduardo VI, era fraco e doente. Reinou apenas seis anos, dos nove aos 15 anos de idade, quando morreu abrindo uma guerra pela sucessão entre suas duas irmãs, Maria I, católica, e Elizabeth I, protestante, dando início a um conflito político-religioso que se arrasta até hoje na Irlanda do Norte.

Irã aceita negociar questão nuclear com os EUA

O ministro do Interior do Irã, Ali Akbar Salehi, declarou ontem à noite em Munique, na Alemanha, onde participa de uma conferência sobre segurança, que seu país está disposto a aceitar uma proposta dos Estados Unidos para discutir o programa nuclear iraniano, acusado de desenvolver armas atômicas ilegalmente. As negociações seriam retomadas em 25 e 26 de fevereiro, na ex-república soviética do Casaquistão.

Como americanos e europeus acreditam que ele não tem poder para tomar essa decisão, receberam a declaração com certo ceticismo. "É um passo à frente", comentou o vice-presidente Joe Biden, representante americano na conferência, considerando a declaração positiva.

Em seu estilo franco e direto, Biden afirmou que os EUA estão prontos para discutir "quando a liderança do Irã, o Supremo Líder, falar sério". Ele acrescentou que as negociações "têm de ser reais e tangíveis, com uma agenda clara. Não vamos negociar só por negociar".

Na mesma ocasião, Salehi acusou "o outro lado" de não cumprir os compromissos assumidos em negociações anteriores. Também reclamou dos "sinais contraditórios" enviados pelo governo Barack Obama como "a retórica de que todas as opções estão na mesa", inclusive a possibilidade de uma ação militar contra o Irã, reporta o jornal The New York Times.

As negociações incluem as cinco potências com poder de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido) e a Alemanha.

Na última rodada, realizada em Moscou em junho passado, o Irã exigiu a suspensão de todas as sanções contra o país como precondição para discutir seu programa nuclear. As grandes potências alegaram que primeiro o Irã precisa cumprir as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, suspender o enriquecimento de urânio e abrir totalmente suas instalações nucleares a inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Cuba elege deputados em eleições sem disputa

Mais de 8,6 milhões de cubanos foram convocados pela ditadura comunista para eleger hoje os 612 deputados da Assembleia Nacional e 1.269 das 15 assembleias provinciais. Detalhe: o número de candidatos é igual ao número de cadeiras.

Ao defender a farsa eleitoral na televisão de Cuba, o ministro do Exterior, Bruno Rodríguez, argumentou que o sistema eleitoral cubano "é distinto" e "a democracia diferente", mas "sinto que é muito mais democrático do que a maioria que eu conheço".

Os ditadores Fidel Castro, de 86 anos, e seu irmão e atual presidente, Raúl Castro, de 81 anos, são candidatos nestas eleições de cartas marcadas num país onde só existe um partido legalizado, o comunista. Pode ser o último mandato de Raúl, se ele cumprir a regra que propôs ao 6º Congresso do Partido Comunista, em 2011, para limitar o exercício de cargos públicos, inclusive o de presidente, a um máximo de dois mandatos de cinco anos.

General golpista morre em acidente aéreo no Paraguai

O general golpista Lino Oviedo, candidato à Presidência do Paraguai em 21 de abril de 2013 pelo partido União Nacional dos Cidadãos Éticos (no estilo Renan Calheiros), morreu na queda de um helicóptero depois de participar de um ato político ontem à noite no Departamento de Concepción, ao norte da capital, Assunção.

Uma comitiva especial de militares e policiais foi ao local do acidente, mas só encontrou o helicóptero caído e três corpos carbonizados.

Oviedo participou da conspiração para derrubar o ditador Alfredo Stroessner, deposto em fevereiro de 1989 depois de governar o Paraguai por 45 anos. Desde então, é uma figura de destaque da política paraguaia, acusada em várias tentativas de golpe. Foi comandante do Exército de 1993 a 1996. Caiu sob acusação de tramar um golpe contra o presidente Juan Carlos Wasmosy.

Em 1999, o general foi acusado de ser o mandante do assassinato do então vice-presidente Luis María Argaña e de massacres contra protestos populares que levaram à renúncia do presidente Raúl Cubas. Ele foge para a Argentina e se exila no Brasil, que se nega a extraditá-lo.

Do exílio, Oviedo teria conspirado contra o presidente interino González Macchi, em 2000. Depois de cinco anos fora do país, ele voltou ao Paraguai. Preso, cumpriu pena até setembro de 2007.

Em 2008, perdeu a eleição presidencial para Fernando Lugo, afastado num golpe branco em 2012 que teve o apoio de Oviedo. Agora, mais uma vez, o general sonhava em chegar à Presidência.

O governo paraguaio prometeu convidar especialistas estrangeiros para participar da investigação a fim de que não pairem dúvida sobre a morte do general Oviedo.

Terror mata mais 35 no Norte do Iraque

Um atentado terrorista suicida com carro-bomba seguido da ação de um atirador contra a chefiatura de polícia da cidade de Kirkuk, no Norte do Iraque, matou pelo menos 35 pessoas e feriu outras dezenas hoje.

Kirkuk fica 240 quilômetros ao norte da capital. É a capital de uma província rica em petróleo disputada por árabes e curdos. No mês passado, dezenas de pessoas foram mortas em ataque contra órgãos públicos.

Com a dissolução do Império Otomano (turco) no fim da Primeira Guerra Mundial, os Impérios Francês e Britânico redesenharam o mapa do Oriente Médio.

O então subsecretário do Exterior britânico Winston Churchill juntou a província de Kirkuk, rica em petróleo às províncias de Bagdá e Bássora, para criar um Iraque forte capaz de se contropor ao Irã. A promessa de criação de uma pátria para o povo curdo, o Curdistão, foi adiada.

Até hoje, os cursos são o maior povo sem pátria, cerca de 40 milhões de pessoas distribuídas entre a Turquia, a Síria, o Iraque e o Irã. Há pelo menos dois anos, o governo regional autônomo curdo e o governo central disputam o controle sobre as jazidas de petróleo do Curdistão iraquiano.

Em novembro, o governo regional curdo mobilizou tropas e tanques para garantir sua reivindicação sobre Kirkuk, aumentando ainda mais a tensão, observa a televisão americana CNN.

O atual conflito é mais um sinal do sectarismo crescente do primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki, que se mostra incapaz de resolver os problemas entre os diferentes grupos étnicos e religiosos do Iraque. Está em conflito tanto com os árabes sunitas quanto com os curdos.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Rússia comemora 70 anos da Batalha de Stalingrado

Durante seis meses, 3 milhões de soldados da Alemanha nazista e do Exército Vermelho se enfrentaram com uma violência sem precedentes na que é considerada a batalha mais importante de todos os tempos.

Em 2 de fevereiro de 1943, em meio a um rigoroso e cruel inverno soviético, os alemães se renderam em Stalingrado, hoje Volgogrado, que mudou de nome depois que os crimes do ditador Josef Stalin foram denunciados.

A Batalha de Stalingrado marca o fim do avanço nazista e o início da contraofensiva soviética que terminaria com a derrota de Hitler e a tomada do Reichstag, em Berlim, em 8 de maio de 1945. O total de vítimas - mortos, feridos, presos e desaparecidos - passou de 2 milhões, três vezes mais do que na Batalha de Verdun, na Primeira Guerra Mundial.

Depois de romper o Pacto Germano-Soviético, em 22 de junho de 1941, a Alemanha invadiu a União Soviética. A ofensiva rumo a Stalingrado começou em 6 de julho de 1942. Na propaganda nazista, era uma "cruzada anticomunista", lembra o jornal Courrier International, que publicou um dossiê sobre a Batalha de Stalingrado na sua última edição.

Na madrugada de 23 de agosto, a 16ª Divisão Panzer avançou em alta velocidade pela estepe russa saindo do vale do Rio Don. Ao anoitecer, chegou à margem direita do Rio Volga. Do outro lado, começava a Ásia. Aquela deveria ser a fronteira leste do Terceiro Reich, o império de Hitler, observa Antony Beevor, no magnífico Stalingrad (Viking: London, 1998).

Muitos alemães festejaram como se a guerra estivesse ganha, acrescenta o historiador. Stalingrado ardia sob o fogo da Luftwaffe, a Força Aérea nazista. Só neste primeiro, 40 mil civis foram mortos.

A única resistência aos tanques alemães foi feita por meninas manejando canhos antiaéreos. "Tivemos de atacar uma a uma 37 posições defendidas tenazmente por meninas até serem destruídas", disse o relatório do comando militar alemão.

Assim começou a batalha mais importante da História.

Hitler tinha dito ao general Friedrich Paulus que o 6º Exército, o mais poderoso da Alemanha, seria capaz de "invadir o céu". Mas, de repente, como acontecera com Napoleão, cerca de 250 mil soldados do mais poderoso Exército do mundo se viram cercados a milhares de quilômetros de casa e ainda tiveram de enfrentar o inverno.

Stalingrado não foi só o ponto em que a guerra mudou e a Alemanha começou a recuar. Foi a primeira grande batalha da era moderna travada numa cidade, encurralando milhares de civis.

Assembleia Nacional da França aprova casamento gay

Por 249 a 97, a Assembleia Nacional da França aprovou hoje o artigo do projeto de lei sobre o casamento homossexual que autoriza o casamento de pessoas do mesmo sexo.

O artigo 1 diz que "o casamento é contratado por duas pessoas de sexos diferentes ou do mesmo sexo". A lei deve ser aprovada solenemente em 12 de fevereiro.

Presidente da Franca visita tropas no Máli

O presidente François Hollande foi hoje ao Máli cumprimentar os soldados da França que participação da intervenção militar no Norte da África. Na cidade histórica de Timbuktu, recém-liberada, ele esteve na grande mesquita e na biblioteca, considerada uma das mais importantes da Idade Média.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

FMI censura Argentina por manipular dados econômicos

O Fundo Monetário Internacional (FMI) criticou o governo da Argentina por manipular os dados sobre crescimento e inflação, dando prazo até 29 de setembro para o país revisar suas metodologias de cálculo de estatísticas.

Essa inédita declaração de censura é um primeiro passo para expulsar países que não apresentem estatísticas confiáveis. A manipulação de dados pelo Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos) vem desde 2007, durante a campanha para a primeira eleição da presidente Cristina Kirchner.

Em nota, o Fundo atribui a decisão à "falta de progresso na implementação de medidas corretivas para solucionar problemas de qualidade nas estatísticas oficiais". Os Estados Unidos e a União Europeia apoiaram a declaração de censura.

O FMI declarou estar pronto para continuar o diálogo com as autoridades argentinas para melhorar a qualidade das estatísticas oficiais. A exigência é que a Argentina adote os padrões internacionais para assegurar medições exatas.

A diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, deve informar ao resto da direção do Fundo ate 13 de novembro de 2013 se a Argentina se alinhou aos procedimentos da instituição, noticia o jornal argentino Clarín.

Índice Dow Jones fecha acima de 14 mil

O Índice Dow Jones, o mais importante da Bolsa de Valores de Nova York, fechou acima dos 14 mil pontos hoje pela primeira vez desde outubro de 2007, antes do início da Grande Recessão (2008-9), por causa de dados considerados positivos na indústria e no mercado de trabalho.

Apesar do aumento na taxa de desemprego de 7,8% para 7,9%, os analistas notaram uma recuperação do mercado de trabalho em setores vitais para a recuperação como comércio varejista e construção civil.

Nas últimas quatro semanas, os investidores aplicaram US$ 12,7 bilhões no mercado de ações dos Estados Unidos, que receberam o maior fluxo de capital desde 1996.

"Há uma grande quantidade de dinheiro procurando um lar. Os investidores decidiram sair do mercado de bônus e comprar ações", analisa o economista Edward Simmons, sócio da empresa High Partner, de Portland, no estado do Maine.

Já o diretor de investimentos da corretora North Star Investment Management Corporation, Eric Kuby, observa que "todos os dados parecem indicar uma melhoria lenta mas firme da economia".

Hoje o Índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais ações, subiu 149,21 pontos ou 1,08% para 14.009,79 pontos. O índice amplo S&P 500, que avalia 500 empresas, avançou 15,06 pontos ou 1,01% para 1.513,17 pontos. A bolsa eletrônica Nasdaq, de empresas de alta tecnologia, cresceu 36,97 pontos ou 1,18% para 3.179,1 pontos, informa a agência de notícias Reuters.

Inflação na Eurozona cai para meta de 2% ao ano

O índice de crescimento de preços nos 17 países da Zona do Euro caiu em janeiro de 2013 de 2,2% para 2% ao ano, que é a meta de inflação do Banco Central Europeu.

As maiores altas foram registradas nos setores de energia, onde os precos subiram 3,9% depois de crescerem 5,2% em dezembro de 2012, e de alimentos, bebidas e tabaco, que subiram 3,2%, mesmo índice de dezembro.

No setor industrial, a inflação foi de 0,8%, abaixo do 1% de dezembro, enquanto os serviços ficaram 1,7% mais caros em janeiro depois de avançar 1,8% no mês anterior.

Os dados são do escritório oficial de estatísticas da União Europeia, Eurostat.

Taxa de desemprego sobe para 4,2% no Japão

O índice de desemprego registrou uma pequena alta em dezembro de 2012 no Japão, de 4,1% para 4,2%. No mesmo mês, houve uma queda de 0,7% no consumo das famílias em relação a dezembro de 2011.

No fim do ano passado, o total de empregados no Japão ficou em 62,28 milhões, 380 pessoas ou 0,6% a menos do que no fim de 2011. O número de desempregados era 2,59 milhões, 170 mil ou 6,2% a menos na comparação anual, informa o escritório de estatísticas do governo japonês.

O consumo das famílias baixou 0,8% em termos nominais ou 0,7% em termos reais em dezembro, mas fechou 2012 com alta nominal de 2,1% e real de 2,2%. A renda familiar subiu 1% em termos nominais e 1,1% em termos reais no ano passado.

Terrorista suicida ataca embaixada dos EUA na Turquia

Um terrorista suicida se detonou hoje no primeiro cordão de segurança da Embaixada dos Estados Unidos na Turquia. Além do homem-bomba, um segurança morreu. Outras três pessoas saíram feridas, uma em estado grave.

As primeiras suspeitas recaíram sobre grupos de extrema esquerda que lutam contra o imperialismo ocidental. Depois, foi confirmado que o homem-bomba pertencia ao proscrito Partido Popular Revolucionário da Libertação. O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, prometeu linha dura contra o terrorismo.

O ataque acontece no momento em que cerca de 400 militares dos EUA instalam baterias de mísseis de defesa Patriot junto à fronteira com a Síria para evitar possíveis ataques vindos do país vizinho, que enfrenta uma terrível guerra civil há um ano e dez meses. Os mísseis estão na cidade turca de Adana e podem ser usados a partir de amanhã.

Taxa de desemprego sobe para 7,9% nos EUA

A economia dos Estados Unidos criou 157 mil empregos a mais do que destruiu em janeiro, estimou hoje o relatório oficial de emprego do Departamento do Trabalho. Em outra pesquisa, o índice de desemprego subiu de 7,8% para 7,9%, um sinal de que há mais gente querendo trabalhar. Cerca de 12,3 milhões de americanos procuraram emprego em janeiro. O índice de desemprego amplo permaneceu em 14,4%.

O relatório aponta uma desaceleração do mercado de trabalho no início de 2013. O produto interno bruto dos EUA registrou uma pequena queda de 0,1% ao ano no fim de 2012, descrita pela Reserva Federal (Fed), o banco central americano, como uma "pausa" na lenta recuperação da economia do país.

Em janeiro, as empresas privadas abriram 166 mil vagas nos setores de varejo (33 mil), atacado, construção (28 mil) e saúde (23 mil). A indústria contribuiu com apenas 4 mil postos de trabalho. No setor público, sob pressão dos déficits e dívidas públicas, houve queda de 9 mil empregos.

No ano passado como um todo, a maior economia do mundo teve um saldo médio de 181 mil empregos por mês. O ganho de dezembro foi elevado de 155 mil para 196 mil e o de novembro de 161 mil para 247 mil.

A taxa de desemprego ainda está bem acima dos 6,5% fixados pelo Fed como meta para a redução do índice. Até lá, o banco central dos EUA promete continuar vendendo títulos públicos para aumentar a quantidade de dinheiro em circulação.

O PIB dos EUA cresceu 2,2% em 2012, um pouco acima do 1,8% de 2011. O mercado imobiliário e o investimento das empresas estão em recuperação, mas os cortes nos gastos governamentais para reduzir o déficit público e o impacto da supertempestade Sandy pesaram negativamente.

Com o aumento da contribuição previdenciária, a expectativa é de um impacto negativo de meio ponto percentual no crescimento de 2013. A média das previsões dos economistas é de uma expansão de 2% do PIB neste ano, informa o jornal The Washington Post.

Apesar do aumento da taxa de desemprego, as bolsas de valores de Nova York estão em alta.

Explosão mata 32 na estatal de petróleo do México

Pelo menos 32 pessoas morreram e outras cem saíram feridas de uma explosão na sede da companhia estatal de petróleo Petróleos Mexicanos (Pemex) ontem à noite. O novo presidente do México, Enrique Peña Nieto, lamentou as mortes.

As causas da explosão estão sendo investigadas, informou o secretário de Governo, Miguel Ángel Osorio. A principal suspeita é que tenha havido uma explosão de gás, mas a polícia fez uma operação de busca de explosivos. Um porta-voz da Defesa Civil disse que havia "acúmulo de gás" numa subestação de energia no térreo do edifício.

Mensalão espanhol atinge primeiro-ministro Rajoy

O Partido Popular (PP), de direita, que atualmente governa a Espanha, distribuiu a seus líderes, inclusive ao atual primeiro-ministro Mariano Rajoy, dinheiro recebido de grandes empresas como bancos e empreiteiras, dois setores diretamente envolvidos na pior crise econômica do país desde o fim do franquismo, em 1975, denuncia o jornal El País.

Durante 11 anos, acusa o jornal, Rajoy recebeu em média 25,2 mil euros por ano. A reportagem Os papéis secretos de Bárcenas revela que Álvaro Lapuerta e Luis Bárcenas, tesoureiros do PP de 1990 a 2008, anotavam em cadernos manuscritos as doações, com origem, data e valor, e, em outra seção, o destinatário, a data e o valor.

O dinheiro era distribuído mensalmente em envelopes aos líderes do partido conservador espanhol, herdeiro do franquismo. Vários líderes do partido citados negaram ter recebido qualquer quantia.

À noite, um grupo de manifestantes se concentrou diante da sede do PP em Madri para protestar contra esse escândalo de corrupção, em meio a uma crise econômica que deixou 26% dos trabalhadores espanhóis e mais da metade dos jovens até 24 anos sem emprego.