Sob pressão do Fundo Monetário Internacional (FMI) por manipular os índices oficiais de inflação, a Argentina recorreu mais uma vez ao congelamento de preços. No primeiro dia útil depois da censura do Fundo, o governo anunciou um acordo entre o secretário de Comércio, Guillermo Moreno, e grandes supermercados responsáveis por 70% das vendas do setor.
Até 1º de abril de 2013, Walmart, Carrefour, Coto, Jumbo, Disco e outras grandes redes não devem aumentar nenhum preço. O Ministério do Comércio aconselha os consumidores a guardar notas fiscais para conferir possíveis reajustes.
A inflação é uma das maiores preocupações dos argentinos. Eles chegaram a enfrentar altas de 200% ao mês em 1989, quando o primeiro presidente depois da redemocratização do país, Raúl Alfonsín, foi obrigado a renunciar. Ele transferiu o poder antecipadamente para Carlos Menem porque seu governo tinha perdido credibilidade para conter os preços depois de vários congelamentos fracassados.
Desde a campanha para a primeira eleição da presidente Cristina Kirchner, em 2007, o governo é acusado de manipular os índices do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). A inflação do ano passado ficou oficialmente em 10,9%, enquanto economistas do setor privado estimam algo em torno de 25% e projetam 30% para 2013.
Com a manipulação, o governo Cristina Kirchner perdeu o apoio dos sindicatos, que temem a perda do poder de compra pelos trabalhadores.
Na opinião da economia Soledad Pérez Duhalde, o congelamento só dará resultado em curto prazo. É possível que os supermercados tenham problemas de reabastecimento e que alguns produtos fiquem escassos.
A presidente e seu ministro da Economia, Hernán Lorenzino, reagiram ontem às críticas do FMI, alegando que a instituição perdeu sua credibilidade ao apoiar a dolarização da era Menem, que levou a economia argentina ao calote e ao colapso no fim de 2001. Eles acusaram o Fundo de agravar a crise das dívidas públicas da Zona do Euro por tomarem medidas que supostamente favoreceriam os bancos em prejuízo do crescimento econômico e da geração de empregos.
Para Lorenzino, a censura do FMI "não é somente um erro, é um exemplo claro do tratamento desigual e do uso de dois pesos e duas medidas em relação a certos países-membros".
Apesar dos protestos, o governo argentino anunciou que está mudando a metodologia de cálculo da inflação e impôs o congelamento para tentar segurar os preços.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador Raúl Alfonsín. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Raúl Alfonsín. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Assinar:
Postagens (Atom)