sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Venda de casas novas sobre 2,8% nos EUA

Num sinal de recuperação do mercado imobiliário, a venda de residências novas aumentou 2,8% nos Estados Unidos em julho, projetando um total anual de 870 mil novas moradias comercializadas, estimou hoje o Departamento de Comércio.

A expectativa do mercado era de uma projeção de 820 mil casas. Mesmo assim, as vendas ainda ficaram 10,2% abaixo dos negócios realizados em julho do ano passado.

Quando a notícia foi divulgada, as bolsas do mundo inteiro começaram a subir.

Na quarta queda mensal consecutiva, o estoque de casas não-vendidas caiu 1% para 553 mil, na . No ritmo das vendas de julho, este estoque daria para sete meses e meio, em contraste com 7,7 em junho. É hoje 7% menor do que um ano atrás.

Al Caeda invade cidade do Iraque com 200 homens

Cerca de 200 guerrilheiros do grupo terrorista Al Caeda invadiram nesta quinta-feira a cidade de Kanan, na província de Diala. Eles atacaram uma mesquita, militantes sunitas rivais, mataram um xeque que agora apóia a intervenção americana. O combate deixou 23 mortos. Quinze pessoas foram seqüestradas.

"O primeiro ataque foi a uma mesquita", declarou o general Ali Dalayan, chefe de polícia de Diala, na capital provincial, Bacuba. "Eles explodiram a mesquita e depois destruíram duas casas, onde moravam dois xeques. O xeque Yunis al-Tae foi morto no ataque, assim como vários de seus familiares".

A polícia teve o apoio das Brigadas da Revolução de 1920, um grupo sunita que antes apoiava al Caeda e agora é um dos seis rivais mais ferozes. O ataque aconteceu logo depois do fim da Operação Martelo de Raios, que durante 12 dias fez uma varredura na província de Diala, um dos focos da insurgência contra a ocupacão americana.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Violência no Iraque vai durar muitos anos

O último relatório dos serviços secretos dos Estados Unidos mostra um Iraque sombrio e brutal, onde o governo não consegue promover a reconciliação nacional, necessária para combater a violência sectária.

A notícia é divulgada dias depois que o senador Barack Obama, um dos pré-candidatos democratas à Casa Branca na eleição presidencial de 2008, defendeu sua remoção. Para o presidente George Walker Bush, esta é uma decisão que os iraquianos precisam tomar.

Bush mantém seu apoio ao primeiro-ministro Nuri al-Maliki. Mas altos funcionários do governo dos EUA mostram-se frustrados com a incapacidade do governo iraquiano de dar qualquer aparência de volta da normalidade ao país.

Leia mais no Financial Times.

Historiadores discordam de Bush sobre Vietnã

Os historiadores concordam quanto aos fatos mas discordam das interpretações do presidente George Walker Bush no discurso para veteranos de guerra em Kansas City, Missouri, na quarta-feira, sobre as conseqüências da retirada americana e suas analogias com a situação atual no Iraque, diz hoje o jornal The New York Times.

"Sem dúvida é verdade que o fracasso americano no Vietnã levou a conseqüências catastróficas na região, especialmente no Camboja", admite o historiador David C. Hendrickson, especialista em política externa dos Estados Unidos no Colorado College, em Colorado Springs.

"Mas há outras questões que devem ser pesadas", analisa Hendrickson. "O Khmer Vermelho não teria chegado ao poder sem a Guerra do Vietnã - essa força sinistra surgiu das circunstâncias da guerra, foi num sentido profundo criada pela guerra. O mesmo está acontecendo hoje no Oriente Médio. A ocupação do Iraque criou muito mais terroristas do que deteve."

Leia a reportagem do New York Times.

Banco do Japão mantém juros em 0,5%

O Banco do Japão decidiu nesta quinta-feira manter inalterada a taxa básica de juros da segunda maior economia do mundo pelo sexto mês consecutivo.

Com a alta do iene diante do dólar, as ações das empresas exportadoras puxam a alta da Bolsa de Valores de Tóquio. No momento, o Índice Nikkei registra alta de 425 pontos (+2,68). As ações da Canon sobem 5,4%, as da Honda 3% e as da Toyota, 2%.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Interpol quer pegar venezuelano da mala de dólares

A Polícia Internacional emitiu hoje uma ordem de prisão internacional contra o empresário venezuelano-americano Guido Alejandro Antonini Wilson, que tentou desembarcar num aeroporto de Buenos Aires com uma maleta com US$ 790 mil não-declarados às autoridades aduaneiras da Argentina. Ele mora em Miami e viajava em companhia de diretores das empresas estatais de petróleo venezuelana (PdVSA) e argentina (Enarsa), em avião fretado pela Enarsa.

O escândalo abalou a candidatura da senadora e primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner à Casa Rosada na eleição presidencial de 28 de outubro. Para fugir da acusação, o governo Kirchner alegou que o dinheiro seria destinado a grupos chavistas e não ao pagamento de propinas nem à candidatura de Cristina.

Por causa do escândalo chamado de Maletagate, que se soma à descoberta de outra grande quantia em dólares no banheiro privativo da ministra da Economia, Felisa Miceli, que foi obrigada a pedir demissão, e ao pagamento de propinas em licitações de obras públicas, o kircherismo está na defesa a apenas dois meses da eleição.

FARC entram em contato com Chávez

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) entraram em contato com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, horas depois que este propôs uma troca de prisioneiros com o governo colombiano por razões humanitárias. O governo Chávez não confirmou a notícia, publicada no jornal venezuelano El Universal.

O porta-voz das FARC, Raúl Reyes, teria enviado a mensagem a uma pessoa próxima do dirigente venezuelano. Há possibilidade de que Chávez se encontre com o líder guerrilheiro, depois de se reunir com o presidente colombiano, Álvaro Uribe, em 31 de agosto, em Bogotá.

Anteontem, Chávez pediu tanto a Uribe quanto às FARC que "facilitem" seu trabalho de "observador", que na verdade parece mais mediador. Imediatamente, o maior grupo guerrilheiro colombiano respondeu ao comandante Chávez.

As FARC mantêm milhares de pessoas reféns, inclusive uma candidata a presidente, Ingrid Betancourt, seqüestrada há mais de quatro anos.

Leia a íntegra da notícia de El Universal e, no mesmo jornal, uma entrevista dada em Havana pelo comandante do outro grande grupo guerrilheiro da Colômbia, o Exército de Libertação Nacional (ELN), Pablo Beltrán.

Índice Dow Jones cresce 150 pontos (+1,1%)

A Bolsa de Valores de Nova Iorque consolidou a recuperação dos últimos dias fechando em alta pela quarta sessão consecutiva, em 13.236,13, depois de subir 145,27 (+1,1%), num sinal de que a intervenção do Federal Reserve Board (fed), o banco central americano, está aliviando as preocupações com a falta de liquidez no mercado financeiro.

A bolsa eletrônica Nasdaq, das ações de empresas de alta tecnologia, teve alta de 1,25%.

Homem é preso por roubar acesso a banda larga

Um homem de 39 anos que sentou com seu laptop junto a uma casa de Chiswick, no Oeste de Londres, para aproveitar a Internet sem fio foi preso. Ele admitiu que estava usando a conexão à Internet sem permissão. Preso sob suspeita de roubar uma conexão de banda-larga sem fio, foi solto após fiança e ficou de se apresentar à Justiça em outubro.

É a polícia inglesa reprimindo um novo tipo de delito da era da informática: "obter acesso de graça à Internet desonestamente" é crime pela Lei de Comunicações, de 2003, e uma violação da Lei de Mau Uso de Computador.

"Esta prisão é uma advertência para quem pensa que é aceitável usar ilegalmente a conexão de banda larga de outra pessoa", declarou o detetive Mark Roberts, da Unidade de Combate aos Crimes com Computador da Polícia Metropolitana da Grande Londres. "É contra a lei, e a polícia vai investigar qualquer violação que tenha conhecimento."

Em abril, um homem teve de pagar uma caução depois de ser denunciado pelos vizinhos por usar seu laptop dentro do carro diante de uma casa em Redditch, no condado de Worcester. Em outro caso, em 2005, uma homem foi multado em 500 libras por piratear uma conexão de internet sem fio em Londres.

Bush invoca Vietnã para justificar Guerra no Iraque

Na expectativa ansiosa por um novo relatório que vai avaliar sua nova estratégia para a guerra no Iraque, anunciada no início do ano, o presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush, invocará hoje a Guerra do Vietnã para defender sua determinação de não retirar as tropas americanas do país ocupado desde março de 2003.

"Então, como agora, muita gente argumentava que o problema era a presença americana e que, assim que nos retirássemos, a matança terminaria", dirá nesta quarta-feira o presidente dos EUA a uma platéia de veteranos de guerra em Kansas City, Missouri.

"Há um debate legítimo até hoje nos EUA sobre o Vietnã", acrescentará Bush, de acordo com um texto liberado com antecedência pela Casa Branca. "Qualquer que seja sua posição nesta debate, o preço da retirada americana foi pago com a morte de milhões de cidadãos inocentes. Sua agonia trouxe para o nosso vocabulário expressões como 'povo dos barcos', 'centros de reeducação' e 'campos da morte'."

O presidente vai argumentar ainda que uma retirada americana do Iraque será vista como uma vitória de Ossama ben Laden e da rede Al Caeda.

EUA criam MySpace para espiões

O Diretor Nacional de Inteligência dos Estados Unidos vai lançar um um espaço virtual na intranet dos serviços secretos americanos, no modelo de sites de internet como Facebook e MySpace, para promover uma ampla troca de informações que revolucione o trabalho analítico numa tentativa de evitar atentados como os de 11 de setembro de 2001.

Para Thomas Fingar, subdiretor nacional de análise de informações, essa espécie de "MySpace para analistas" produzirá melhores informes ao derrubar as barreiras entre os diferentes serviços, que funcionavam como burocracias compartimentalizadas.

Leia mais no Financial Times.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Americanos preocupam-se mais com terrorismo

Seis anos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, só 29% dos americanos acreditam que os Estados Unidos estão ganhando a guerra contra os terroristas muçulmanos que os atacaram. É o menor índice desde os atentados.

O agravamento das sangrentas guerras no Iraque e no Afeganistão, os atentados terroristas do Reino Unido à Somália, tornam o mundo mais inseguro para os americanos. A campanha para as eleições presidenciais de 2008 gira em torno de como enfrentar essas ameaças.

Mais de 60% dos americanos não temem um ataque terrorista iminente. Mais de 60% entendem que a invasão do Iraque era desnecessária.

Para fazer uma avaliação mais precisa, a revista Foreign Policy fez uma pesquisa com 100 especialistas, inclusive altos assessores da Casa Branca, do Departamento de Estado e do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, altos comandantes militares, profissionais de inteligência e acadêmicos de prestígio.

Entre os especialistas, 91% consideram o mundo hoje mais perigoso, 10% a mais do que em fevereiro, e apenas 2% afirmam que é totalmente seguro. Mais de 80% esperam um ataque na escala de 11 de setembro dentro de 10 anos. Para 84%, os EUA estão perdendo a guerra contra o terror.

Leia a reportagem completa sobre a sondagem em The Terrorism Index.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Novas ilhas emergem com degelo no Ártico

Ilhas desconhecidas estão emergindo do Oceano Glacial Ártico na medida em que a calote diminui, o que já faz cientistas e ecologistas suporem que o aquecimento global esteja superando as previsões do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, que reúne cientistas de mais de 120 países-membros das Nações Unidas.

Os ursos polares e as focas estão sofrendo neste verão no Hemisfério Norte no arquipélago de Svalbard, na Noruega, onde 40 cientistas e políticos se encontram de 20 a 22 de agosto.

"A redução na camada de gelo e neve é alarmante", declarou a ministra do Meio Ambiente norueguesa, Helen Bjoernoy, no seminário, realizado em Ny Alesund, a 1,2 mil km do Pólo Norte. "O degelo está sendo mais rápido do que previsto."

Ny Alesund, uma base para pesquisas no Ártico, se considera a povoação humana permanente mais ao norte do planeta.

Em fevereiro, o painel da ONU que estuda o agravamento do efeito estuta, provocado pelo aumento da concentração de gás carbônico na atmosfera desde o início da Revolução Industrial, no século 18, previu que a calota polar ártica possa praticamente desaparecer até o fim do século.

Comandante da Guarda Revolucionária do Irã ameaça transformar Golfo um inferno

Um dos comandantes da Guarda Revolucionária do Irã, tropa de elite do regime dos aiatolás que os pretendem declarar um "grupo terrorista", ameaçou transformar o Golfo Pérsico num inferno, se a república islâmica for atacada pelos Estados Unidos, que poderiam tentar destruir as instalações nucleares iranianas.

Bolsas da Ásia abrem em alta

As bolsas de valores da Ásia abriram em forte alta nesta segunda-feira, indicando que o corte na taxa de redesconto do Federal Reserve Board (Fed), o banco central dos Estados Unidos, surtiu o efeito de acalmar os mercados financeiros depois de grandes perdas.

O Índice Nikkei, o principal da Bolsa de Tóquio, sobe cerca de 500 pontos e o Hang Seng, de Hong Kong, mais de 700.

Na opinião dos analistas, a volatilidade pode voltar durante a semana, dependendo das notícias econômicas.

Apagão na Faixa de Gaza: UE congela ajuda

Algumas regiões de Faixa de Gaza estão sofrendo falta de energia elétrica desde domingo porque a União Européia congelou fundos usados para financiar o combustível da única usina de eletricidade do território palestino, dominado pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), considerado um grupo terrorista pelos Estados Unidos, por Israel e pela Europa.

Desde que o Hamas assumiu o controle desta pequena faixa de areia junto ao Mar Mediterrâneo, os 1,1 milhões de habitantes, na maior concentração populacional do planeta, vivem ainda mais miseravelmente, o que só será agravado pela crise energética, complicando ainda mais a retomada do processo de paz entre israelenses e palestinos.

sábado, 18 de agosto de 2007

Seqüestradores de avião turco se rendem

Dois homens que seqüestraram um avião de passageiros que ia de Chipre para Istambul, na Turquia, alegando pertencer à rede terrorista Al Caeda e ter bombas a bordo, se entregaram à polícia turna, depois de libertar os tripulantes e os últimos quatro passageiros.

A maioria dos 136 passageiros e quatro tripulantes tinham conseguido fugir quando o avião da empresa aérea Atlasjet pousou no aeroporto de Antalia, no Sudoeste da Turquia. O ministro do Interior turco informou que um seqüestrador é turco e o outro tem passaporte sírio.

Mercado reage com corte de juros do Fed

A Bolsa de Valores de Nova Iorque reagiu na sexta-feira, depois de uma semana arrasadora, com o Índice Dow Jones fechando em 13.079,08 pontos, com alta de 233,30 (1,82%) mas perda de 1,3% na semana, depois que o Federal Reserve Board (Fed), o banco central dos Estados Unidos, cortou sua taxa de redesconto, que cobra para fazer empréstimos diretos aos bancos comerciais.

Para analistas de mercado, a decisão indica que o Fed não vai mexer na taxa de fundos federais, a taxa básica, há nove meses em 5,25%, antes da próxima reunião do Comitê de Mercado Aberto, daqui a exatamente um mês.

Outros economistas observam que o corte da taxa de redesconto indica que, na avaliação do Fed, o maior risco para a economia americana não é mais de inflação mas de recessão.

A crise financeira iniciada no mercado hipotecário para clientes de segunda linha vai reduzir o crescimento dos EUA. Como 100 milhões de americanos investem em ações, sentiram o impacto das quedas na Bolsa de Valores de Nova Iorque.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Fed reduz taxa de redesconto em meio ponto

Em uma medida de emergência, o Federal Reserve Board (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu hoje reduzir a taxa de redesconto em meio ponto percentual, a taxa cobrada para emprestar dinheiro aos bancos, para 5,75% ao ano, numa tentativa de acalmar os mercados financeiros.

Depois de fortes quedas na Ásia, com baixa de 5,4% na Bolsa de Tóquio, sua pior em sete anos, as principais bolsas da Europa, Londres, Frankfurt e Paris, operavam em alta de cerca de 3% no final da manhã de hoje pelo horário brasileiro.

Neste momento, o Índice Dow Jones, o principal da Bolsa de Valores de Nova Iorque, que chegou a subir 300 pontos na abertura dos negócios, registra alta superior a 150 pontos e acaba de chegar a 13.000 pontos.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Holanda impõe condições para sediar julgamento da morte do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri

A Holanda está impondo condições para sediar o tribunal das Nações Unidas encarregado de julgar o assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri. Uma exigência é que os condenados pelo atentado com caminhão-bomba com 300 kg de explosivos que matou Hariri, em Beirute, em 14 de fevereiro de 2005, cumpram pena em outro país.

O governo holandês quer que outro país-membro da ONU se comprometa de antemão a receber os apenados.

Em entrevista de rádio, o ministro do Exterior holandês, Maxime Verhagen, admitiu que seu governo deve concordar com o pedido, a ser feito ainda este mês pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon. Mas ressalvou que "algumas questões práticas precisam ser acertadas antes".

"Parto da premissa de que o tribunal terá sede em Haia", disse Verhagen. "Insistimos em que as pessoas consideradas culpadas pelo tribunal cumpram suas sentenças em outro país."

EUA bombardeiam Tora Bora

Os Estados Unidos e seus aliados afegãos bombardearam por terra e ar pelo segundo dia consecutivo, nesta quinta-feira, as montanhas de Tora Bora, no Afeganistão, perto da fronteira do Paquistão, onde se acredita que Ossama ben Laden e a cúpula da rede terrorista Al Caeda se refugiaram quando os americanos invadiram o Afeganistão e derrubaram o regime dos Talebã, em 2001, depois dos atentados de 11 de setembro.

A região de Tora Bora é cheia de cavernas e túneis construídos pelos guerrilheiros muçulmanos, os mujahedin, durante a ocupação soviética do Afeganistão (1979-89).

"É uma operação conjunta realizada por forças dos EUA e do Afeganistão, divididas entre aéreas e terrestre", declarou a capitã Vanessa Bowman, porta-voz americana no Afeganistão. Äs forças americanas e afegãs engajaram-se em combate contra al Caeda e outros grupos extremistas no Leste do Afeganistão, na região de Tora Bora."

O Paquistão, de onde sai grande parte do apoio aos Talebã e a al Caeda, mobilizou um "número limitado" de soldados do Exército para patrulhar a região tribal de Kurram, do seu lado da cordilheira de Tora Bora.

Pelo menos 50 militantes e 30 civis teriam sido mortos, segundo autoridades e as rádios e jornais locais.

Bolsa de Nova Iorque se recupera após cair 340 pontos

O Índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova Iorque, recuperou-se no final do pregão, depois de cair 340 pontos, fechando em baixa de apenas 15,69 pontos (-0,1%), em 12.845,78. O Índice S&P500, que avalia 500 ações, chega a ter alta de 0,32%.

Durante todo o dia, houve fortes quedas nos mercados de ações no mundo inteiro, com queda de 4,1% na Bolsa de Londres, a maior da Europa.

A Bolsa de São Paulo chegou a cair 8,8% mas recuperou parte das perdas, seguindo a tendência americana, e fechou em baixa de 2,48%.

Wall Street reagiu animada por dois boatos não-confirmados:
- o Federal Reserve Board, o banco central dos Estados Unidos, faria uma reunião de emergência para baixar as taxas de juros;
- e investidores asiáticos estariam interessados em comprar as instituições financeiras americanas em dificuldades.

Dow Jones cai abaixo de 13 mil pontos

Pela primeira vez desde 25 de abril, o Índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova Iorque, fechou abaixo de 13 mil pontos, caindo 167,45 (-1,3%) pontos, para 12.861,47, próximo do nível mais baixo do dia.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Guarda Revolucionária do Irã será declarada terrorista pelos EUA

A Guarda Revolucionária do Irã, tropa de elite da República Islâmica, com 125 mil homens, será declarada uma "organização terrorista global" pelo governo dos Estados Unidos, o que permitirá atacar suas finanças e operações, revelou na quarta-feira o jornal The Washington Post.

O governo George Walker Bush decidiu tomar esta medida diante do que descreve como crescente envolvimento do Irã no Iraque e no Afeganistão, e seu apoio a grupos extremistas em todo o Oriente Médio.

Pela proposta, a Guarda será enquadrada na Ordem Executiva (decreto) 13.224, assinado por George W. duas semanas após os atentados de 11 de setembro. Autoriza os EUA a identificar indivíduos, empresas, instituições beneficentes e grupos extremistas engajados em atividades terroristas.

A Guerra Revolucionária do Irã seria a primeira organização militar incluída na lista, onde predominam as típicas organizações terroristas não-governamentais.

O decreto de Bush autoriza a congelar os bens dos terroristas e impedir suas operações e as de empresas que "dêem apoio, prestem serviços ou dêem assistência a terroristas ou se associe a eles sob qualquer outra forma".

Leia mais no Washington Post.

Chávez propõe reeleição sem limites

O presidente Hugo Chávez propôs hoje uma reforma constitucional na Venezuela para permitir sua própria reeleição indefinidamente, a existência de monopólios públicos e privados e a criação de diversos vice-presidentes que circulariam pelo país, tendo mais poder do que os governadores.

Depois da aprovação da Assembléia Nacional, onde não há nenhum deputado de oposição, a proposta deve ser submetida a um plebiscito.

Inflação para consumidor sobe 0,1% nos EUA

O núcleo do índice de preços ao consumidor subiu apenas 0,1% em julho nos Estados Unidos, e a inflação plena, incluindo os preços de energia e alimentos, em 0,2%, a menor em oito meses, por causa da queda no preço da gasolina. As roupas e os cuidados de saúde tiveram os maiores aumentos.

Quando o Federal Reserve Board, o banco central americano, toma decisões sobre taxa de juros, olha para o núcleo da inflação, que foi de 2,4% nos últimos 12 meses, enquanto o índice pleno está em 2,2%, ambos acima da meta informalmente seguida pelo Fed, que é de 1% a 2% ao ano.

Essa inflação renitente fez com que o Wall St. preveja que o Comitê de Mercado Aberto do Fed não baixe a taxa básica de juros, hoje em 5,25% ao ano, apesar da crise no mercado financeiro.

Sobe para 500 total de mortos no Iraque

Pelo menos 500 pessoas foram mortas pela explosão coordenada de quatro caminhões-bomba em Caatania, al-Jazira and Tal Uzair, pequenas cidades próximas a Mossul, na região curda, no Norte do Iraque, na terça, 14 de agosto de 2007. Por matar tanta gente em atentados simultâneos, o ataque tem a marca registrada da Al Caeda, como observou um general americano, acrescentando tratar-se de "um ato de limpeza étnica".

O alvo desta vez foi a minoria religiosa iazide. Eles professam uma religião anterior ao islamismo e receberam as chamadas "cartas noturnas" dizendo para "irem embora porque são infiéis".

Índia: com 60 anos e cada vez mais sexy

A Índia festeja hoje 60 anos de independência do Império Britânico - e a separação do Paquistão até hoje é uma ferida aberta - como uma superpotência emergente no século 21.

Ao celebrar, o primeiro-ministro Manmohan Singh declarou que "o país só será independente quando erradicar a miséria".

É a 10ª economia do mundo. Cresce 9% ao ano. Tem mais de 1,1 bilhão de habitantes, sendo 800 milhões de pobres vivendo com menos de um dólar por dia. Mas a classe média se aproxima de 300 milhões.

A Índia adota o inglês e herdou da dominação colonial a própria idéia de Índia, a língua nacional, o sistema educacional, o funcionalismo público e o sistema jurídico.

Com o seu próprio Vale do Silício, ao redor de Bangalore, a Índia é uma superpotência mundial em software. Não fica atrás de ninguém.

Vítima da exploração colonial, a Índia independente sob a liderança do Mahatma Gandhi e de Jawaharlar Nehru tornou-se um país não-alinhado. Não queria se submeter. Sem aderir ao socialismo, virou aliada da União Soviética. Tinha uma economia fortemente protegida em nome da soberania nacional.

A derrota para a China numa guerra de fronteira em 1962 levou a Índia a desenvolver a bomba atômica, que teria conseguido em 1974, no governo de Indira Gandhi. O país nunca aceitou o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, que cria dois tipos de países, os que têm a bomba e os que não podem ter armas atômicas.

Foi o filho de Indira, Rajiv Gandhi, que iniciou o processo de abertura econômica da Índia, em 1991, antes de ser assassinado por um extremista, não por convicção política mas, como no Brasil, por falência do modelo anterior.

Em maio de 1998, o governo do Partido Bharatiya Janata cumpriu uma de suas promessas de campanha: realizou um teste nuclear, colocando o país oficialmente como parte do seleto grupo que têm a bomba atômica. O arquirrival Paquistão fez o mesmo em seguida, neutralizando a superioridade estratégica que as armas nucleares dariam à Índia.

Os dois países travaram três guerras entre si desde a independência da Grã-Bretanha, há 60 anos, em 1947, 1965 e 1971, quando o antigo Paquistão Oriental se tornou independente como Bangladesh.

Na verdade, a bomba atômica é o instrumento de dissuasão para o Paquistão, que é mais fraco, está em crise política, sob ditadura militar e não surfa na onda de prosperidade econômica da Índia. O pai da bomba paquistanesa, Abdul Kadir Kahn, é responsabilizado por difundir tecnologia de enriquecimento de urânio entre países do Terceiro Mundo.

Apesar dos protestos iniciais, sobretudo dos Estados Unidos, a Índia ascendeu de status internacionalmente com a explosão nuclear. Passou a ser vista mais ainda por Washington como uma aliada estratégica para equilibrar o crescente poderio chinês.

Apesar do crescimento econômico e do status de potência nuclear, o governo nacionalista hindu perdeu as eleições para o Partido do Congresso de Gandhi, Nehru, Indira e Rajiv, que historicamente lutou por uma Índia unida.

Superpotência emergente, com uma população enorme, uma economia em crescimento acelerado sustentável e uma cultura multimilenar, a Índia é um dos países mais importantes do mundo do século 21.

Por mais formidável que seja a ascensão da China, nenhum país dominará o mundo globalizado, que tende a ser mais pluralista do que hegemônico. A tendência é para um multipolarismo com várias grandes potências cuja articulação será fundamental para enfrentar os desafios do futuro: EUA, China, Japão, Europa, Rússia, Índia e Brasil.

Alguns analistas incluem a Indonésia, por seu tamanho e população, e certamente África do Sul, Nigéria, Egito, Arábia Saudita e Irã são potências regionais. Mas potências mundiais são aquelas ali. E a Índia e a estrela em ascensão.

(O título acima é tirado da manchete de um jornal conservador, The Times of India.)

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Atentados suicidas matam 200 no Iraque

Quatro atentados suicidas coordenados, no estilo da rede terrorista Al Caeda, mataram pelo menos 200 pessoas e deixaram outras 300 feridas nas vilas de Caatania, al-Jazira e Tal Uzair, perto de Mossul, na região curda, no Norte do Iraque.

O alvo foi a minoria iazide, de uma religião pré-islâmica que já foi alvo de fundamentalistas muçulmanos.

Justiça argentina pede prisão do homem da mala

A promotora argentina María Luz Rivas pediu a prisão do empresário venezuelano Guido Alejandro Antonini Wilson, que tentou entrar na Argentina em 4 de agosto com US$ 790 mil não-declarados numa maleta.

Em entrevista de rádio, ela afirmou que não descarta a possibilidade de pedir a prisão de Claudio Uberti, ex-diretor do Órgão de Controle de Concessões Viárias (Occovi), único alto funcionário do governo argentino demitido até agora por causa do escândalo.

O governo da Venezuela, por sua vez, nega-se a dar explicações sobre o caso, atribuindo-o, como disse o presidente Hugo Chávez, a "maquinações do império", palavra que usa para falar dos Estados Unidos. Ontem, soube-se que o avião onde viajaram os dólares fez escala na Bolívia antes de chegar a Buenos Aires.

Antonini Wilson, que esteve 12 vezes na Argentina este ano, saiu do país sem problemas dias depois da apreensão dos dólares, acompanhando a viagem do presidente Chávez, que foi na época da Buenos Aires para Montevidéu.

Inflação no atacado sobe 0,6% em julho nos EUA

O Índice de Preços ao Produtor subiu 0,6% em julho nos Estados Unidos, puxado pela alta de 2,5% nos preços de energia. Mas o núcleo da inflação, excluídos os preços de energia e alimentos, dado que o banco central americano leva em conta ao definir a taxa básica de juros, ficou em 0,1%.

De qualquer forma, como a nota da última reunião do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve Board (Fed), falava em riscos inflacionários vindos da excessiva utilização de recursos, ou seja, do superaquecimento da demanda por produtos primários, o mercado voltou a ficar nervoso.

As bolsas de valores, que pareciam ter voltado a operar normalmente, voltaram a cair.

EUA caçam Al Caeda no Iraque

Mais de 16 mil soldados americanos e iraquianos participam de uma megaoperação contra a rede terrorista Al Caeda na província de Diala, no Iraque, hoje uma das principais frentes de combate no país. Os principais alvos são militantes fundamentalistas que teriam fugido da capital provincial, Bacuba.

Diala é um dos bolsões da insurgência próximos à capital do Iraque. Os estrategistas dos Estados Unidos acreditam que derrotando os rebeldes nestas áreas, que incluem a província de Ambar, reduzirão os ataques em Bagdá.

Enquanto isso, na capital, forças lideradas pelos EUA atacaram guerrilheiros ligados ao Exército Mehdi, dominado pelo aiatolá xiita rebelde Muktada al-Sader.

Mais cinco soldados dos EUA foram mortos no Iraque, elevando para 3.694 o total de soldados americanos mortos no país desde a invasão de março de 2003.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

A América Latina sob diversas vertentes

No dia 30 de agosto de 2007, o website Cenário Internacional estará realizando o Seminário Uma visão da América Latina Sob Diferentes Vertentes, no Hotel Mércure Apartment Pamplona, na Rua Pamplona 1.315, Jardim Paulista, próximo à Av. Paulista.

Como forma de incentivar a participação no evento de alunos, professores e demais interessados, Cenário Internacional oferece um desconto especial no valor de R$ 55,00 para grupos acima de três pessoas. Esse valor inclui a participação no evento, coffee-break e material dos palestrantes que será disponibilizado no portal do Cenário Internacional para Download, e Certificado de Participação com carga horária emitido pelo Cenário Internacional.

Os interessados podem obter informações através do site do evento www.cenariointernacional.com.br/visao ou pelo tel. 11-3862 2981.

Fidel faz 81 anos após sobreviver a 167 atentados

O ditador cubano, Fidel Castro, completa hoje 81 anos, depois de sobreviver a 467 planos e 167 tentativas de assassiná-lo desde que implantou o regime comunista em Cuba, a partir da vitória da revolução, em 1 de janeiro de 1959.

Um livro publicado em Cuba pelo jornalista Luis Báez, El Mérito de Estar Vivo, faz um balanço dos atentados contra Fidel, o chefe de Estado que está no poder há mais tempo no mundo depois da rainha Elizabeth II. Ele passou os cargos de presidente, primeiro-ministro, líder do Partido Comunista e comandante das Forças Armadas interinamente a seu irmão, Raúl Castro, em 31 de julho do ano passado.

Desde então, Raúl acenou com a possibilidade de diálogo com os Estados Unidos. Seu objetivo seria promover uma reforma no estilo chinês, abrindo a economia para o sistema capitalista enquanto mantém o regime político ditatorial.

Leia mais detalhes sobre o livro no jornal espanhol El País.

Marqueteiro de Bush sai no fim do mês

Karl Rove, o principal assessor político e estrategista eleitoral do presidente George Walker Bush, e coordenador de suas campanhas presidenciais, anunciou hoje que deixa o cargo em 31 de agosto.

Ao incluir em 11 estados plebiscitos sobre casamento gay e outras questões sensíveis, foi considerado o responsável pela mobilização do eleitorado cristão conservador que teria garantido a vantagem de 4 milhões de votos de Bush sobre o democrata John Kerry, em 2004.

Leia aqui a entrevista de Rove a Paul Gigot, editor das páginas de opinião do Wall Street Journal, que pode ser restrita a assinantes do Journal Online.

Bush desperdiçou vitória no Afeganistão

Em momentos-chaves da guerra no Afeganistão, o governo George Walker Bush desviou os recursos escassos para a inútil guerra no Iraque, afirma reportagem de David Rhode e David Sanger publicada no domingo, 12 de agosto, no jornal The New York Times.

A guerra para derrubar a ditadura da milícia dos Talebã, no Afeganistão, foi a primeira resposta aos atentados de 11 de setembro de 2001 e o primeiro teste da doutrina militar do então secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, de uma força pequena e de alta mobilidade. Pode servir para ganhar a guerra mas não para ocupar o território conquistado por longo prazo, como ficou evidente no Iraque e no Afeganistão, que assiste hoje ao ressurgimento dos Talebã.

Diante da vitória fácil, Rumsfeld rejeitou os pedidos do então secretário de Estado, Colin Powell, e o presidente afegão, Hamid Karzai, de que uma grande força internacional garantisse a paz no Afeganistão.

Quando a situação se agravou, com a incapacidade do governo Karzai de controlar até mesmo a região da capital, Cabul, os Estados Unidos apelaram aos aliados europeus da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Em 12 de setembro de 2001, os aliados invocaram o princípio da Carta do Atlântico que considera uma agressão contra qualquer país-membro um ataque contra todos, e se ofereceram para lutar ao lado dos EUA contra os autores dos atentados terroristas, no caso a rede terrorista Al Caeda e o regime da milícia dos Talebã, que a acolhia.

A situação mudou com a invasão do Iraque, em março de 2003. Hoje vários aliados europeus temem ser alvo de terrorismo caso se associem a uma guerra americana.

Como Ossama ben Laden e a rede terrorista Al Caeda, seus aliados talebã se reagruparam nas regiões tribais do Paquistão. Além da milícia que governou o Afeganistão, a rede de Ben Laden também se recuperou da derrota sofrida em 2001 enquanto desvia recursos para atacar o Iraque, embora Saddam Hussein não tivesse qualquer relação com os terroristas que atacaram os EUA.

Na semana passada, o presidente Karzai declarou em Washington que a segurança do Afeganistão está "definitivamente deteriorada".

Com sua arrogância imperial, o presidente Bush prometeu um novo Plano Marshall para o Afeganistão, que acabou recebendo menos ajuda internacional por habitante do que a Bósnia-Herzegovina, o Kossovo e o Haiti.

A partir do final do ano passado, os EUA voltaram a reforçar seu contingente no Afeganistão, que tem hoje 23,5 mil soldados, muito menos do que os 160 mil no Iraque.

Os US$ 300 milhões aprovados pelo Congresso para o desenvolvimento de pequenas empresas no Afeganistão nunca saiu do papel. Apesar de 80% da economia afegã serem agrícola, não há engenheiros agrônomos americanos dando assistência técnica.

A realidade é que os EUA fracassaram na reconstrução de países e nações. O sucesso no pós-guerra na Bósnia e no Kossovo se deve muito mais à União Européia, que fracassara ao intervir nas guerras. No Haiti, a força internacional de paz liderada pelo Brasil conseguiu controlar uma situação de segurança dificílima. Mas a pacificação do país a longo prazo depende de um projeto de consolidação institucional e desenvolvimento econômico, ou seja, da construção de um Estado e de uma nação, o que os americanos não conseguiram fazer no Afeganistão e no Iraque.

"Não temos nem dinheiro nem soldados suficientes", admite Robert Finn, ex-embaixador em Cabul em 2002 e 2003. "Tenho repetido a mesma coisa há seis anos". Um verdadeiro Plano Marshall custaria muito caro e não bastariam soldados.

Zalmay Khalilzad, foi embaixador americano no Afeganistão e no Iraque, e que agora está nas Nações Unidas, reconhece que "fomos relutantes na construção do Estado e da nação. Deveríamos ter feito mais no início". Bastava reconstruir o país.

Para Ronald Neuman, que substituiu Khalilzad em Cabul, "a idéia de que deveríamos apenas caçar terroristas, sem nos preocuparmos com a reconstrução nacional, foi um grande erro".

A proposta de Powell para uma força de paz de 40 mil soldados, 20 mil americanos e 20 mil europeus, foi abandonada. Em 2002, os EUA deixaram no Afeganistão uma força de 8 mil homens para caçar Al Caeda e os Talebã, e não para manter a paz ou reconstruir o país. A força de paz internacional de 4 mil soldados ia pouco além da capital, Cabul. O resto do país ficou entregue aos senhores da guerra aliados na luta contra os Talebã.

Nos planos, os EUA treinariam o Exército afegão, de 70 mil homens. A Alemanha prepararia 62 mil policiais. O Japão desarmaria 100 mil milicianos. E a Grã-Bretanha faria um programa antidrogas.

Menos de um ano e meio depois do discurso de Bush de 2002 prometendo um novo Plano Marshall, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional tinha apenas sete funcionários no Afeganistão e outros 35 contratados temporariamente trabalhando em tempo integral.

Em outubro de 2002, um ex-diretor da CIA (Agência Central de Inteligência), o serviço de contra-espionagem dos EUA, visitou o quartel-general das tropas americanas no Kuwait. Os recursos da guerra contra o terrorismo começavam a ser desviados para o Iraque.

Os comandos de elite, como a Força Delta e as Focas da Marinha, foram para o Iraque, assim como os melhores recursos. Mais uma vez, o Afeganistão foi deixado de lado. Tinha sido abandonado no final da Guerra Fria, após o fim de intervenção soviética, o que levou à ascensão dos Talebã e à instalação das bases da Al Caeda.

Em 1º de maio de 2003, horas antes do discurso do presidente Bush falando em "missão cumprida" no Iraque, o secretário Rumsfeld dava entrevista em Cabul ao lado do presidente Karzai, declarando que "claramente saímos de uma fase de grande combates para um período de estabilidade e reconstrução. A grande maioria do país é segura".

A declaração de Rumsfeld não teve o destaque do discurso de Bush a bordo de um porta-aviões cantando uma vitória que cada vez mais parece uma derrota. Mas ambos são exemplos da visão distorcida da realidade e dos erros de avaliação que arruinaram os governos de George W. Bush.

Só em 2006 Bush pressionou o ditador do Paquistão, general Pervez Musharraf, e admitiu que os laços entre os Talebã e o serviço secreto paquistanês não tinham sido rompidos.

Antes disso, em setembro de 2005, numa reunião da OTAN, os EUA anunciaram a retirada de 3 mil soldados, 20% das tropas americanas. Três meses depois, cortaram a ajuda ao país em um terço.

De 2005 para 2006, a ajuda americana caiu 38%, de US$ 4,3 bilhões para US$ 3,1 bilhões.

Em fevereiro de 2006, o embaixador Neumann mandou um alerta a Washington avisando que os Talebã preparavam uma grande ofensiva para a primavera no Hemisfério Norte. Ao todo, 191 soldados da OTAN foram mortos no Afeganistão em 2006, 20% a mais do que em 2005.

Neumann diz que os terroristas suicidas são paquistaneses mas os talebã são afegãos.

"Destruir as bases da Al Caeda no Afeganistão foi um feito extraordinário", declarou ao NY Times Robert Blackwill, encarregado de Afeganistão e Iraque no Conselho de Segurança Nacional, "mas onde nos encontramos hoje talvez tivesse sido quase inevitável, se os EUA tivessem invadido o Iraque ou não. Teremos de enfrentar uma guerra longa no Afeganistão até que o governo afegão consiga reconstruir o interior do país e os refúgios para os Talebã no Paquistão forem eliminados".

O resultado é essa guerra sem fim. Para os EUA, o fracasso, tanto no Iraque quanto no Afeganistão, dará o recado que os fundamentalistas como Ossama ben Laden querem: a hiperpotência pode ser derrotada, no caso afegão apesar do apoio de 37 países.

Confira a reportagem completa no New York Times.

domingo, 12 de agosto de 2007

Sair do Iraque levará anos, admitem democratas

Os Estados Unidos devem demorar muitos anos para retirar suas forças do Iraque, admitem os principais candidatos do Partido Democrata à Casa Branca na eleição de novembro de 2008 em reportagem publica hoje no jornal The New York Times.

A senadora e ex-primeira-dama Hillary Rodham Clinton deixaria uma pequena força para combater o terrorismo e estabilizar a região curda, no Norte do Iraque, onde a Turquia ameaça intervir para atacar guerrilheiros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

O senador Barack Obama manteria uma força de tamanho não-especificado para "proteger os americanos, combater o terrorismo e treinar as forças segurança iraquianas.

Já o terceiro colocado nas pesquisas sobre a candidatura democrata à presidência dos EUA, o ex-senador e ex-candidato a vice-presidente John Edwards, quer preservar a capacidade das forças americanas de impedir um genocídio no Iraque e evitar que a violência se espalhe por outros países do Oriente Médio, como se elas pudessem fazer isso.

Com pressa, o governador do Novo México, Bill Richardson, ex-secretário de Energia no governo Bill Clinton, admite até deixar equipamento militar para trás para apressar a retirada.

Mais uma vez, os democratas estão aprendendo que é muito mais fácil começar uma guerra do que terminá-la.

Confira na íntegra a reportagem do New York Times.

Uberti controlava 907 milhões de pesos

O alto funcionário argentino demitido no escândalo da maleta com US$ 790 mil não-declarados vindos da Venezuela controlava fundos com 907 milhões de pesos, revela hoje o jornal argentino La Nación. Acima de tudo, Claudio Uberti era o principal operador da relação especial com a Venezuela do presidente Hugo Chávez.

Uberti dirigia o Órgão de Controle de Concessões Viárias (Occovi). Em 2004, o partido esquerdista ARI o acusou de ser o apanhador de dinheiro sujo da campanha do presidente Néstor Kirchner em 2003, junto com o ex-motorista de Kirchner, Rudy Ulloa Igor, hoje dona de uma empresa multimídia.

Ele era próximo do ministro do Planejamento, Julio De Vido, um dos homens-fortes do kirchnerismo. O ministro encarregou Uberti da maior jóia da política externa de Kirchner: a relação especial com a Venezuela, mesmo que Uberti não tivesse autoridade legal para tanto. Além dos negócios de energia, a Venezuela comprou mais de US$ 5 bilhões em bônus da dívida pública argentina.

Claudio Uberti estava no vôo em que o empresário venezuelano Guido Alejandro Antonini Wilson e sua maleta, onde funcionários da aduana encontraram US$ 790 mil não-declarados, chegaram ao Aeroparque Jorge Newberry, no sábado, 4 de agosto. O escândalo estourou na terça-feira.

Desde que Uberti assumiu a direção do Occovi, em 28 de maio de 2003, mais de 1,5 bilhão de pesos passaram pela agência. Se não tivesse caído, teria 406 milhões para obras viárias, previstos no orçamento para 2007. Mais dinheiro vem da arrecadação de pedágio e vai para um fundo que movimentou 684 milhões de pesos sob a gestão de Uberti. Outro fundo recebe uma porcentagem da venda de combustíveis.

Esses fundos são as caixas-pretas do governo Kirchner. E a relação com a Venezuela é mais misteriosa ainda porque não existe uma contabilidade transparente.

"Ele não nos atende ao telefone há algum tempo", reclamou um concessionário de rodovia. "Está sempre em reunião ou tratando de assuntos relativos à Venezuela."

Outro empresário observou que Uberti "estava convencido de que seria embaixador na Venezuela". Não conseguiu, mas viajava todo mês a Caracas.

O escândalo desnuda a relação entre duas manifestações do populismo latino-americano: Kirchner é o herdeiro do general Juan Domingo Perón; Chávez é, na definição do pensador mexicano Jorge Castañeda, um "Perón com petróleo".

Chávez e Kirchner não têm idéias iguais, observa o jornalista Joaquín Morales Solá, colunista do jornal La Nación, "embora façam às vezes os discursos semelhantes para confusão deles mesmos e dos outros. Mas existe uma mesma maneira de governar: o personalismo absoluto, o controle dos recursos públicos como se fossem propriedade privada e o temor reverencial de amigos e colaboradores".

Este estilo autoritário e populista de governar com um grupo de tomada de decisões pequeno e fechado faz com que bilhões de dólares sejam administrados por pouquíssimas pessoas. Quase tudo passa pelas mãos do presidente, comenta Solá, que propõe uma série de perguntas:
• Como o avião pôde sair da Venezuela com US$ 790 mil?
• Que tipo de controle existe nos aeroportos da Venezuela?
• Por acaso os amigos de Chávez gozam dos privilégios de toda elite governante num regime autoritário?
• Por que seria esta a primeira vez que o empresário venezuelano Antonini Wilson teria tentado entrar na Argentina com uma fortuna na maleta? Só este ano entrou e saiu 12 vezes da Argentina.
• Que destino teria esse montão de dinheiro em moeda do "império", como costuma dizer Chávez?
• Quantas vezes Claudio Uberti viajou a Caracas nos últimos meses?
• O que foi fazer em cada viagem?
• Por que o Estado argentino deixou viajar de graça uma pessoa que declara não conhecer?
• Ou foi Antonini Wilson que pagou o aluguel do avião?

Um advogado já acionou judicialmente a estatal de petróleo argentina Enarsa, que oficialmente fretou o avião, para que esclareça a última pergunta.

O governo argentino alega que o dinheiro seria distribuído entre grupos chavistas. Neste caso, seria uma ingerência externa na política argentina. É melhor para Kirchner do que as hipóteses de pagamento de propina ou ajuda para a candidatura da primeira-dama, senadora Cristina Fernández de Kirchner.

sábado, 11 de agosto de 2007

Maleta de dólares divide Kirchner e Chávez

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, negou-se a dar as explicações exigidas pelo seu colega argentino, Néstor Kirchner, a respeito de uma maleta com US$ 790 mil apreendidos no Aeroparque Jorge Newberry, em Buenos Aires, na semana passada, depois que um empresário venezuelano tentou entrar na Argentina sem declará-los.

"Chegue para lá vovê com suas percepções", retrucou Chávez rispidamente, o que sugere que o dinheiro seria distribuído entre simpatizantes do chavismo interessados em difundir sua "revolução bolivarista" na Argentina.

Sob pressão dos jornalistas, Chávez reagiu assim: "Não sei por que tanto empenho em dar a esse episódio uma dimensão que não tem".

Funcionários e seguranças do caudilho venezuelano foram agressivos com repórteres argentino que insistiram no assunto: "Não há nada a declarar", protestou o chanceler chavista, Nicolás Maduro. "Dediquem-se a temas mais importantes, como o energético".

Mas o clima de tensão era evidente ontem em Tarija, na Bolívia, onde os presidentes da Argentina, da Venezuela e da Bolívia, Evo Morales, fizeram acordos sobre energia.

O ministro do Planejamento da Argentina, Julio De Vido, a quem estava subordinado Claudio Uberti, o alto funcionário argentino que estava no avião e que foi demitido do cargo de chefe da agência que negocia concessões de rodovias, negou conhecer o empresário venezuelano radicado em Miami que levava os dólares. Uberti é amigo pessoal de Chávez, com quem negociou questões energéticas e a venda de bônus da dívida argentina à Venezuela. De Vido tentou indicá-lo embaixador em Caracas.

"São eles que têm de dizer", alegou De Vido. "Nós sabemos o que diz o comunicado da Enarsa [estatal de petróleo argentina que fretou o avião]: que tomou o avião e que ignorávamos quem ele era".

Como Guido Alejandro Antonini Wilson, o homem da maleta, acompanhava o filho do presidente da estatal Petróleos de Venezuela S, A. (PdVSA), os repórteres insistiram. Mais uma vez, De Vido esquivou-se: "Esperemos para ver o que eles têm a dizer".

A lua-de-mel entre Chávez e Kirchner acabou. Melhor para o Brasil, que assistia à formação de um eixo Argentina-Venezuela capaz de diminuir o peso político relativo do Brasil dentro do Mercosul.

O Fed criou a bolha especulativa

Minha explicação favorita para a atual crise nos mercados financeiros internacionais é do economista Stephen Roach, diretor executivo do banco de investimentos americano Morgan Stanley: o Federal Reserve Board (Fed), o banco central dos Estados Unidos, criou uma bolha especulativa ao manter a taxa básica de juros a 1% ao ano.

Com essa taxa, adotada pelo Fed, sob a presidência de Alan Greenspan, depois do estouro da bolha das empresas da Internet e dos atentados terroristas de 11 setembro e mantida por tempo demais, na opinião de Roach, inevitavelmente o banco central americano criou uma bolha.

A 1% ao ano, o Fed praticamente deu dinheiro aos bancos, que fizeram o que os bancos fazem: emprestaram o dinheiro. Primeiro, atenderam aos tomadores de primeira linha. Como sobrava dinheiro, em seguida, passaram a emprestar a tomadores de segunda linha, que não tinham um histórico de crédito positivo e que portanto tinham maior probabilidade de não pagar. Quando os juros subiram, as prestações com juros variáveis como costumam ser as da casa própria também aumentaram, dificultando ainda mais o pagamento.

Isso gerou uma grande inadimplência que levou à recessão o mercado habitacional nos EUA. Inicialmente, a expectativa é que fosse algo isolado. A especulação imobiliária seria um fenômeno urbano e das grandes cidades, que não afetaria nem a maioria dos americanos, muito menos a economia mundial.

Mas, no mundo globalizado, o maior banco da França foi abalado pela crise do crédito hipotecário nos EUA. A dúvida é sempre qual o tamanho do rombo. Por um lado, se os bancos centrais centenas de bilhões de dólares para garantir a liquidez, a crise é séria; do outro, os bancos centrais estão aí para apagar o incêndio, o que pode estimular ainda mais o comportamento de risco.

Sem saber o que fazer, ou para onde correr, o mercado vive oscilações ferozes, temendo que a situação seja ainda pior e que estejam todos vendo apenas o topo do iccebo

A tese inicial, no entanto, é que o Fed criou a bolha ao manter a taxa básica de juros baixa demais durante muito tempo. Assim, a culpa da crise atual cabe mais a Greenspan do que a Ben Bernanke.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Bancos centrais da Asia, da Europa e dos EUA injetam mais US$ 100 bilhões e mercados reagem

Bancos centrais da Ásia, da Europa e dos Estados Unidos colocaram mais de US$ 100 bilhões hoje à disposição dos bancos para acabar com a crise de liquidez que derrubou os mercados no mundo inteiro ontem, provocando uma queda de 387 pontos na Bolsa de Nova Iorque.

Mais uma vez, o Banco Central da Europa, que havia liderado a intervenção ontem injetando 94,8 bilhões de euros, ofereceu mais 61 bilhões de euros (US$ 84 bilhões) e o Federal Reserve Board (Fed) manteve uma oferta de US$ 35 bilhões "para facilitar o funcionamento ordeiro dos mercados financeiros".

Na Ásia, o Banco do Japão injetou US$ 8,48 bilhões e o Banco da Reserva da Austrália US$ 4,17 bilhões.

A iniciativa dos bancos centrais reverteu a tendência de forte queda das bolsas. Em Nova Iorque, o Índice Dow Jones registra queda de 74,95 pontos (-0,56%).

O mercado agora dá como certo um corte na taxa básica de juros da maior economia do mundo, inalterada há 11 meses em 5,25% ao ano, como diz hoje o economista Paul Krugman em sua coluna no jornal The New York Times. Há quem acredite numa queda de meio ponto percentual para 4,75%.

No final do dia, depois de operar em baixa de até 225 pontos, Nova Iorque fechou em queda 31,14 pontos (-0,23%), em 13.239,54.

Bolsas operam em queda no mundo inteiro

O congelamento de três fundos do banco francês BNP Paribas e a conseqüente queda de 387 pontos ontem na Bolsa de Valores de Nova Iorque provocam uma baixa generalizada nos mercados de ações no mundo inteiro pelo segundo dia consecutivo.

Na Ásia, onde as bolsas já encerraram as operações da semana, o risco de uma crise no crédito levou a quedas hoje de 2,4% no Índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, 2,9% em Hong Kong, 4,2% em Seul e 3,7% na Austrália. Confira no Asian Wall Street Journal.

Neste momento, o Índice Dow Jones, da Bolsa de Nova Iorque, registra queda superior a 110 pontos. Já o Índice Bovespa, da bolsa brasileira, está em baixa de mais de 2%, com todas as ações em queda.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Maleta de dólares venezuelanos derruba alto funcionário do governo da Argentina

O escândalo deflagrado pela apreensão de US$ 790 mil não-declarados por um empresário venezuelano que chegava à Argentina sábado num avião alugado pela estatal de petróleo Enarsa derrubou um dos passageiros do vôo, Claudio Uberti.

Chefe da agência responsável pelas concessões de rodovias, subordinado ao ministro do Planejamento, Julio De Vido, um dos homens-fortes do governo Kircher, Uberti era amigo pessoal do presidente venezuelano, Hugo Chávez, e viaja em companhia de representantes da estatal Petróleos de Venezuela S. A. (PdVSA).

Em sua defesa, o presidente Néstor Kirchner alega que seu governo é o primeiro a investigar a corrupção para valer: "Eu não tapo nada. Quando algo acontece, o povo tem de se inteirar."

A oposição suspeita que fosse propina por algum negócio - Uberti negociou energia e a compra de bônus argentinos pela Venezuela - ou uma ajuda de Chávez à campanha da senadora e primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner à Presidência da Argentina na eleição de outubro.

Bolsa de Nova Iorque cai 387 pontos

O Índice Dow Jones, da Bolsa de Nova Iorque, fechou hoje em queda de 387 pontos (-2,83%) e no nível mais baixo do dia, 13.270,68 pontos, num sinal de que os investidores não acreditaram numa recuperação.

Foi a segunda pior sessão do ano. Das 30 empresas que compõem o principal índice da bolsa de Wall Street, só a General Motors teve alta. As maiores quedas foram de ações de bancos.

A queda começou na Europa, onde o banco BNP-Paribas, o maior da França, suspendeu as operações de três de seus fundos de investimentos, que tinham 2 bilhões de euros no final do mês passado e perderam 20% desse valor desde então.

Em resposta, o Banco Central da Europa injetou 95 bilhões de euros para dar maior liquidez ao mercado. O Federal Reserve Board, o banco central dos Estados Unidos, injetou US$ 25 bilhões. Essa intervenção dos dois principais bancos centrais do mundo preocupou os investidores, que suspeitam que haja algo pior no ar.

A Bolsa de São Paulo caiu 3,28%. Mas o Banco Central do Brasil não aumentou a liquidez, numa indicação de que não vê ameaças à economia brasileira.

Novo escândalo abala governo Kirchner

Três altos funcionários ligados ao ministro do Planejamento, Julio De Vido, viajavam no avião particular que chegou sábado passado na Argentina levando um empresário venezuelano com US$ 790 mil não-declarados, na véspera da chegada a Buenos Aires do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, revelou ontem a Justiça argentina. O governo escondeu a notícia durante quatro dias.

Claudio Uberti, que dirige o órgão do governo argentino encarregado das concessões para explorar rodovias, tem uma relação pessoal com Chávez e foi cotado para embaixador na Venzuela; Victoria Bereziuk trabalha para a mesma agência; e Exequiel Espinosa é presidente de Enarsa, a empresa estatal de petróleo, que pagou o aluguel do avião.

A promotora María Luz Rivas Diez, que investiga o caso, revelou a identidade empresário venezuelano: é Guido Alejandro Antonini Wilson, de 46 años, com negócios en Miami, onde mora.

O presidente argentino, Néstor Kirchner, acossado por outros escândalos de corrupção, botou a culpa no venezuelano. Mas é outro golpe no governo, a dois meses da eleição presidencial.

Esta versão é desmentida pelo industrial portenho Juan Ricardo Mussa, ex-candidato pelo Partido Justicialista (peronista), que disse ter sabido da apreensão dos dólares em conversa informal com os funcionários da alfândega do Aeroparque Jorge Newbery, o aeroporto que fica dentro da cidade de Buenos Aires e é mais usado por jatinhos executivos.

"Os funcionários venezuelanos e argentinos pressionaram os agentes aduaneiros: ameaçaram-nos de punição e exonaração, mas mesmo assim eles abriram a maleta", contou o empresário ao jornal argentino La Nación.

Kirchner optou por não concorrer à reeleição. Lançou como candidata sua mulher, a senadora Cristina Fernández de Kirchner, menos chamuscada pelos escândalos de corrupção e pela crise energética provocada pelo congelamento das tarifas e o frio excepcional deste inverno no Hemisfério Sul, quando nevou em Buenos Aires, o que não acontecia há 89 anos.

Já o presidente Hugo Chávez afirmou apenas que trata-se de "mais uma armação do império", colocando, como de costume, a culpa nos Estados Unidos.

Para a candidata esquerdista mais cotada para a eleição presidencial de outubro, Elisa Carrió, "é a prova da corrupção deste governo".

BCE injeta 95 bilhões de euros para conter crise

Diante da suspensão de três fundos do banco francês BNP-Paribas, que provoca nova queda generalizada nas bolsas de valores do mundo inteiro, o Banco Central da Europa decidiu injetar 94,8 bilhões de euros (US$ 132 bilhões) no mercado financeiro para evitar uma crise de liquidez (falta de dinheiro das instituições financeiras para honrar seus compromissos).

O BNP-Paribas congelou três fundos que no final do mês passado tinham 2 bilhões de euros (US$ 2,76 bilhões) e desde então teriam perdido 20% desse dinheiro por sua exposição ao mercado de crédito hipotecário para clientes de segunda linha nos Estados Unidos.

Bolsas voltam a cair por risco de crédito

A Bolsa de Valores de Nova Iorque opera em forte queda na manhã desta quinta-feira, no momento superior a 160 pontos, com 27 das 30 ações que compõem o Índice Dow Jones em baixa.

Os analistas apontam os riscos de crédito, depois que o banco francês BNP-Paribas congelou três fundos que tinham 1,6 bilhão de euros (US$ 2,2 bilhões), citando como causa a crise do crédito hipotecário nos Estados Unidos.

Banco da Inglaterra elevará taxa de juros para 6%

A taxa básica de juros do Reino Unido deve subir de 5,75% para 6% ao ano antes do final de 2007, indicou o presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King, ao prever uma redução significativa no consumo para baixar a inflação: "Esperamos uma queda no consumo no próximo ano, mas nada terrivelmente dramático".

King considerou "impossível" dizer se os problemas de crédito hipotecário nos Estados Unidos que derrubaram as bolsas de valores podem gerar conseqüências maiores para a economia mundial.

O relatório trimestral sobre a inflação do Banco da Inglaterra, divulgado na quarta-feira, projeta uma inflação de 2%, meta fixada pelo governo britânico, se houver um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros.

Na semana passada, o Banco da Inglaterra manteve a taxa básica inalterada em 5,75%, depois de aumentá-la três vezes este ano e cinco nos últimos 12 meses. Em agosto de 2006, a taxa estava em 4,5% ao ano.

Se a taxa básica for mantida em 5,75%, a projeção do banco é que a inflação supere a meta.

Para o presidente do Banco da inglaterra, a forte demanda esticou a capacidade de oferta e o aumento nos preços do petróleo impediram a queda na taxa de inflação no ritmo que o banco esperava em maio.

Antes de tomar suas decisões, os nove membros do Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra examinam uma série de indicadores para avaliar os riscos. Entre outras coisas, observam aumentos de preços, custos trabalhistas e a força da demanda em setores sensíveis a apertos de crédito.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Qualidade do ar de Beijim na Olimpíada preocupa

Hoje começou a contagem regressiva de um ano para a Olimpíada de Beijim, que será aberta às oito da noite e oito minutos de 8 de agosto de 2008. Mas a China foi advertida pelo presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, de que precisa melhorar a qualidade do ar de Beijim. Caso contrário, algumas provas de resistência podem ser transferidas.

A China é muito dependente do carvão como fonte de energia para a indústria e até para o aquecimento doméstico. A isso soma-se a nova paixão chinesa pelo automóvel. Isto deixa seis cidades chinesas entre as dez mais poluídas do mundo.

O que disse mesmo o Fed?

Depois de anunciar hoje que decidiu manter a taxa básica de juros inalterada em 5,25% ao ano, a nota do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve Board (Fed), o banco central dos Estados Unidos, diz que “o crescimento econômico foi moderado durante a primeira metade do ano”. É uma constatação.

Em seguida, lista os problemas recentes: “Os mercados financeiros estão mais voláteis nas últimas semanas, as condições de financiamento se tornaram mais apertadas para algumas famílias e empresas, e a correção no setor habitacional está em andamento.”

Ou seja: as bolsas caíram, a crise com os financiamentos habitacionais de segunda linha levou a um aperto de crédito para pessoas, famílias e empresas, e os preços da casa própria continuam caindo.

No entanto, o Comitê do Mercado Aberto, numa mensagem positiva, pondera que “a economia parece que vai continuar se expandindo num ritmo moderado nos próximos trimestres, apoiada no sólido crescimento do emprego e da renda e numa economia global robusta.”

O Fed está otimista. Não vê nenhuma catástrofe pela frente com a crise dos empréstimos de segunda linha. A economia deve continuar crescendo em ritmo lento, mas o crescimento do emprego ficou aquém do esperado passado, com apenas 92 mil novos empregos gerados no mês passado a mais do que destruídos.

Mas a economia global está aí, forte e robusta. Com o extraordinário desenvolvimento da China e da Índia, já não depende tanto da economia dos Estados Unidos.

Agora, a nota entra na questão central: “As leituras do núcleo da inflação melhoraram modestamente nos últimos meses. No entanto, a moderação sustentável das pressões inflacionárias ainda está por ser convincentemente demonstrada. Além disso, o alto nível de utilização de recursos tem o potencial de sustentar essas pressões.”

O núcleo da inflação, expurgados os preços de energia e de alimentos, que é o índice mais observado pelo comitê de política monetária do Fed, caiu lentamente e o comitê não está certo de que as pressões inflacionárias acabaram.

Por isso, não houve indicação de tendência de queda de juros, como queria o mercado. Ainda por cima, o crescimento rápido da China está provocando uma alta nos preços dos produtos primários, inclusive do petróleo, que chegou a nível recorde na semana passada.

Não é novidade para ninguém que preços das matérias-primas, especialmente do petróleo, fatalmente teriam um impacto sobre a economia mundial. O Fed não diz nenhuma novidade.

Embora admita que os riscos de uma queda no crescimento tenham aumentado, a maior preocupação política do comitê é o risco de a inflação não caia como se espera. Aumentaram os riscos de recessão, mas o Fed ainda está mais preocupado com a inflação, por isso não sinalizou uma queda de juros já em setembro.

“Os futuros ajustes da política monetária vão depender das perspectivas tanto para a inflação quanto para o crescimento econômico, com base nas informações que receberemos.”

Conclusão: a economia dos EUA continua a enviar sinais contraditórios. Sua capacidade é formidável mas o endividamento também. E tudo indica que vai continuar assim, provocando sustos no mercado.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Talebã atacam base americana no Afeganistão

Pelo menos 20 guerrilheiros da milícia dos Talebã (Estudantes) foram mortos quando 75 fundamentalistas muçulmanos lançaram um ataque frontal contra uma base militar dos Estados Unidos, nesta terça-feira, no Sul do Afeganistão, anunciou o comando militar americano.

Os talebã lançaram um ataque em três frentes contra a base Anaconda, usando metralhadoras, granadas e foguetes de 107mm. Uma força conjunta afegã-americana respondeu ao ataque com morteiros, metralhadoras e cobertura aérea.

"A incapacidade das forças insurgentes de infligir qualquer dano grave à base Anaconda, enquanto eram simultaneamente dizimadas no processo, deve ser uma indicação clara da ineficácia de seus guerreiros", declarou a capitã Vanessa Bowman, porta-voz da coalizão liderada pelos EUA.

Coréias farão reunião de cúpula este mês

Os presidentes da Coréia do Norte, Kim Jong Il, e da Coréia do Sul, Roh Moo Hyun vão se encontrar entre os dias 28 e 30 deste mês em Pionguiangue, a capital norte-coreana.

Será a segunda reunião de cúpula entre os países, que até hoje não assinaram um tratado de paz para acabar com a Guerra da Coréia (1950-53), a primeira desde que o regime comunista norte-coreano fez um teste nuclear, em 9 de outubro do ano passado.

É a retomada da política de reaproximação da cada vez mais próspera Coréia do Sul da introvertida Coréia do Norte, uma das últimas e certamente a mais autêntica das ditaduras stalinistas sobreviventes.

Anúncios em jornais caem 4,8% nos EUA

O faturamente publicitário dos jornais dos Estados Unidos caiu 4,8% ou US$ 10,6 bilhões no primeiro trimestre do ano. A queda foi acentuada pela redução dos classificados de imóveis residenciais devida à crise no setor habitacional.

Em todo o ano de 2006, a queda fora de 0,6%. A circulação dos jornais americanos cai todo ano desde 1984.

Fed mantém taxa básica de juros em 5,25%

Por unanimidade, o Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve Board (Fed), o banco central dos Estados Unidos, decidiu hoje manter inalterada pelo nono mês consecutivo a taxa básica de juros da maior economia do mundo em 5,25% ao ano, mencionando riscos inflacionários para justificar sua decisão.

Leia aqui a declaração oficial do Fed.

Caminhão-bomba mata 30 no Norte do Iraque

Um terrorista-suicida detonou um caminhão-bomba carregado de explosivos em Al Cuba, uma vila xiita no Norte do Iraque, destruindo pelo menos 20 casas e matando 30 pessoas, inclusive 12 crianças e quatro mulheres. Outras 50 pessoas saíram feridas, 14 em estado grave.

Foi o pior ataque em mais um dia sangrento no Iraque, em que foram anunciadas as mortes de mais cinco soldados dos Estados Unidos, elevando para 3.670 o total de americanos mortos no Iraque desde a invasão de março de 2003. Quatro americanos foram mortos em Bacuba na segunda-feira; o quinto morreu domingo em Bagdá mas sua morte só foi anunciada na segunda.

Em Al Cuba, testemunhas viram o caminhão se aproximando em alta velocidade. O terrorista usou espuma para encobrir os explosivos escondidos embaixo do caminhão. Diversos corpos foram retirados dos escombros das casas da pequena vila. A maioria das 200 casas de Al Cuba é de barro, de pau-a-pique e sapê. Vinte foram arrasadas pela explosão.

China detém jornalistas estrangeiros

A polícia da China deteve por mais de uma hora jornalistas estrangeiros que cobriam uma manifestação pela liberdade de imprensa na segunda-feira em Beijim. Para o jornal inglês Financial Times, é um teste para o regime comunista chinês, que terá de administrar a presença no país de 30 mil repórteres estrangeiros durante os Jogos Olímpicos de Beijim, daqui a um ano.

Ao apresentar a candidatura de Beijim para a Olimpíada de 2008, o governo da China prometeu "total liberdade para reportar" no país.

O protesto da segunda-feira, 6 de agosto, foi realizado pela organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras, que pediu a libertação de 100 jornalistas, dissidentes que usam a internet e ativista da liberdade de expressão. No final da entrevista coletiva, policiais chineses vestidos à paisana barraram a passagem dos correspondentes internacionais, alguns por mais de uma hora.

Confira no FT.com.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Bolsa de Nova Iorque reage e sobe 2,18%

Depois de fortes quedas na semana passada que abalaram mercados no mundo inteiro, o Índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova Iorque, subiu 286,87 pontos (2,18%), fechando em 13.468,78. Foi o maior ganho percentual desde 16 de junho de 2003. Desde o início do ano, a alta é de 8,1%.

O índice S&P 500 subiu 34,61 pontos (2.4%), para 1.467,67, na maior alta desde 2 de abril de 2003; no ano, o ganho é de 3.5%. Já a bolsa Nasdaq, de ações de empresas de alta tecnologia teve alta de 36,08 pontos (1,4%), chegando a 2.547,33. A alta acumulada no ano é de 5,5%.

A queda da semana passada foi atribuída aos riscos associados à crise de empresas financiadoras de empréstimos para a compra de casa própria por cliente de risco nos Estados Unidos. Essa crise dos empréstimos de segunda linha poderia atingir outros setores da sociedade americana.

Hoje, a reação foi atribuída à busca de barganhas pelos investidores, de ações que teriam caído aquém do que a situação das empresas e da economia internacional recomendaria. A Bolsa de São Paulo, que caíra 3% no início das operações, também reagiu, seguindo a tendência de Wall Street, e fechou em alta de 0,46%.

"Foi um alívio", comentou Larry Peruzzi, corretor de ações da empresa Boston Company Asset Management. "Depois da grande venda de sexta-feira, os investidores estavam em busca de ações com valor real".

O Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve Board (Fed), o banco central dos EUA, reúne-se nesta terça-feira. Deve manter a taxa básica de juros da economia americana inalterada, mais uma vez, em 5,25% ao ano. Mas o mercado espera que o Fed indique um viés de baixa.

A previsão do banco de investimentos Merrill Lynch é que a taxa caia para 4,5% até o final do ano "e talvez até para 3,75% em meados de 2008".

EUA perdem controle de 190 mil armas no Iraque

O comando militar dos Estados Unidos no Iraque perdeu o controle sobre 190 mil pistolas e rifles Kalachnikov entregues às novas forças de segurança iraquianas. Teme-se que muitos tenham caído nas mãos dos rebeldes que lutam contra a ocupação americana.

Esse número equivale a 30% das armas distribuídas pelas forças de ocupação americanas desde 2004. O Pentágono prometeu investigar o assunto.

Olmert faz visita histórica a cidade palestina

Numa visita histórica, o primeiro-ministro Ehud Olmert tornou-se o primeiro chefe de governo de Israel a ir a uma cidade palestina desde o início da Segunda Intifada, em setembro de 2000. Sob forte proteção, ele se encontrou em Jericó com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, para discutir a criação de um Estado palestino independente.

O encontro faz parte de uma série programada para preparar uma conferência internacional sobre a paz no Oriente Médio a ser realizada em novembro nos Estados Unidos.

As principais questões que impedem um acordo de paz entre israelenses e palestinos são as fronteiras do futuro Estado palestino, a divisão de Jerusalém, a remoção das colônias israelenses implantadas nos territórios árabes ocupados e o direito de retorno dos palestinos refugiados desde a criação do Estado de Israel, em 1948.

EUA torturaram suspeito de armar ataques de 11/9

O suspeito de idealizar os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, Khaled Cheikh Mohammed, foi submetido a diversos métodos de tortura durante os interrogatórios realizados pela CIA (Agência Central de inteligência) em prisões secretas para onde foi levado nos últimos três anos. Esses métodos, descritos como "duros" pelo governo dos Estados unidos, "equivalem a tortura" para o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, afirma reportagem publicada neste domingo pela revista The New Yorker.

Na reportagem de 12 páginas, a repórter Jane Mayer examina o desenvolvimento dos métodos de interrogatório do serviço de espionagem dos EUA e um relatório confidencial da Cruz Vermelha que confirma as alegações de Mohammed de que foi torturado pela CIA. Ele foi deixado nu em sua cela, interrogado por mulheres para sentir-se humilhado, atado a uma coleira como um cachorro, jogado contra as paredes e colocado com posições dolorosas enquanto estava amarrado ao chão. Também foi submetido a afogamento, a um calor sufocante e ao frio.

Quando ele foi preso e entregue aos EUA, em março de 2003, os agentes da CIA advertiram: "Não vamos matar você. Mas vamos levá-lo à beira da morte e trazê-lo de volta".

Leia a íntegra da investigação sobre os porões da guerra do governo Bush contra o terrorismo na revista The New Yorker.

domingo, 5 de agosto de 2007

Gates admite iniciar retirada do Iraque este ano

Os Estados Unidos podem começar a retirada das forças que ocupam o Iraque ainda este ano, admitiu o secretário da Defesa, Robert Gates, neste domingo em entrevista ao programa Meet the Press (Encontro com a Imprensa), da rede de televisão americana NBC. Mas ressalvou que tudo depende do sucesso da atual estratégia da reforço das tropas em Bagdá, anunciada no início do ano pelo presidente George Walker Bush.

Em setembro, o general David Petraeus, comandante militar americano no Iraque, e o embaixador americano em Bagdá, Ryan Crocker, apresentarão relatório ao Congresso fazendo uma avaliação dessa estratégia. Gates discorda da sugestão feita no ano passado pelo Grupo de Estudos sobre o Iraque de reduzir substancialmente a ajuda econômica e militar ao governo iraquiano se não houver progressos efetivos rumo à reconciliação nacional.

"Temos observado uma evolução importante nas províncias de Anbar e Diala, e em outras áreas", declarou o secretário da Defesa. Os EUA estão trabalhando com chefes tribais que mudaram de lado e estão colaborando com a nova ordem, "alistando seus jovens nas forças de segurança e cooperando".

Gates considerou inevitável a aproximação a grupos sunitas que se opunham ferozmente à invasão americana: "Se o Iraque se reconciliar, se o Iraque se estabilizar, isto vai exigir que grupos de oposição deixem de ser oposição e passam a colaborar com o governo".

Tanto Gates quanto a secretária de Estado, Condoleezza Rice, aproveitaram as entrevistas deste domingo para negar que os EUA atacariam unilateralmente regiões tribais do Paquistão atrás de guerrilheiros da rede terrorista Al Caeda, como afirmou que faria o pré-candidato à Casa Branca pelo Partido Democrata Barack Obama.

Ambos prometeram consultar o ditador paquistanês, general Pervez Musharraf. Gates declarou estar certo de que "Musharraf teria prazer em participar conosco desta operação".

Economia americana gera menos empregos

A maior economia do mundo gerou apenas 92 mil novos postos de trabalho a menos do que destruiu em julho, abaixo da expectativa do mercado, revelou na sexta-feira do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos. O índice de desemprego subiu para 4,6% da população economicamente ativa dos EUA.

Isto indica que a economia americana pode estar entrando em nova desaceleração depois de crescer vigorosamente no segundo trimestre de 2007.

França vende armas à Líbia

A França concordou em vender mísseis antitanque Milan ADT-ER e outras armas e equipamentos militares à Líbia num acordo secreto para permitir a libertação, no mês passado, de enfermeiras búlgaras condenadas à morte pela ditadura do coronel Muamar Kadafi, supostamente por contaminarem crianças com o vírus da aids.

Em entrevista ao jornal francês Le Monde de 2 de agosto, Saif al Islam Kadafi declarou que o negócio de 100 milhões de euros (US$ 136 milhões) será seguido por uma ajuda francesa para fabricação e manutenção de equipamentos militares na Líbia. Os acordos foram negociados pelo novo presidente francês, Nicolas Sarkozy.

Petróleo termina semana em US$ 76,67

O preço do barril de petróleo atingiu cotação recorde de US$ 78,77 na quarta-feira na Bolsa Mercantil de Nova Iorque, diante dos riscos ao suprimento do mercado americano no próximo inverno no Hemisfério Norte, mas fechou a semana em US$ 76,67. Em Londres, o petróleo tipo Brent, do Mar do Norte, terminou a semana em US$ 75,39.

"Como a margem entre oferta e procura é muito estreita e os participantes do mercado estão interessados em pagar para ver, a tendência não é de uma queda prolongada nos preços", comentou um analista. "Vem aí a temporada de furacões nos Estados Unidos. Basta uma tempestade para colocar o mercado em polvorosa."

sábado, 4 de agosto de 2007

Museu conta história da imigração alemã

Mais de cinco milhões de pessoas saíram do porto de Hamburgo em busca de uma vida melhor na América de 1850 a 1934. Em julho, a cidade, que é hoje o maior centro comercial da Alemanha, inaugurou o Museu Ballinstadt para ajudar a contar as histórias dessas vidas. O acervo inclui a lista completa de todos os imigrantes que partiram do porto de Hamburgo, hoje o maior da Alemanha.

O Museu Ballinstadt custou 12 milhões de euros. Seu acervo tem desde reproduções de ambientes da época, filmes, fotografias, documentos originais, elementos multimídia e manequins para contar a história dos imigrantes. Foi construído em pavilhões que reproduzem a vila dos emigrantes, que de 1901 a 1934 foi alojamento, refeitório, posto médico e centro de identificação, com lojas, igrejas e uma sinagoga, com todos os serviços necessários para quem embarcaria atrás do sonho americano.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

“Segurança pública é tragédia nacional"

A segurança pública é hoje uma tragédia nacional, reconhece o ex-secretário nacional de Segurança Luiz Eduardo Soares, hoje secretário mumicipal em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

“Em Florianópolis, as gangues do tráfico estão crescendo e usando a linguagem dos traficantes cariocas. As cidades médias e pequenas já sofrem os problemas das megalópoles”, disse Luiz Eduardo, ao participar da mesa redonda Lições da Segurança Internacional para a Segurança Pública: Missões de Paz, Garantia da Lei e da Ordem e o Emprego das Forças Armadas, realizada na segunda-feira, 30 de julho, no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), no Rio.

“No Rio de Janeiro, a disponibilização de recursos é orientada pela mídia e pressões políticas. Há um festival de crimes contra o patrimônio em Madureira.

Temos 550 mil policiais e 300 mil soldados no Brasil. Mas há uma crise profunda nas instituições policiais. No Rio de Janeiro, não há crime sem polícia. Precisamos reformular as polícias. Elas têm uma estrutura organizacional que impede a eficiência.

Pablo Dreyfus lembrou que as Forças Armadas recrutam 80 mil pessoas por ano para fazer o serviço militar: “Hoje os jovens voltam para as favelas com treinamento militar sofisticado mas sem emprego.”

O ex-secretário nacional de Segurança Luiz Eduardo Soares trouxe sua experiência nos três níveis de governo: municipal, estadual e federal. No Brasil, revelou, são cometidos 45 mil assassinatos por ano, 23,7 para cada 100 mil, em contraste com oito para 100 mil nos EUA, menos de três na Europa e um no Japão.

Na Venezuela, na Guatemala, no México, a situação é ainda pior. A América Latina é responsável por 42% das mortes por armas de fogo no mundo, salientou Luiz Eduardo.

Para o ex-secretário, o problema é institucional. São 150 mil policiais em todo o país, com deficiências dramáticas. O Rio é uma referência para essas deficiências.

Em primeiro lugar, só 1,5% dos homicídios dolosos é resolvido. Em segundo lugar, houve o fechamento de várias criminais diante da impotência, da incapacidade de investigação.

Há 170 mil solicitações de laudos periciais esperando. Seriam necessários 10 anos de trégua da criminalidade só para concluir esses laudos. Assim, somente crimes com atenção pública recebem tratamento adequado.

Em terceiro lugar, são notórios os casos de corrupção. O Rio de Janeiro paga os piores salários do Brasil. Então os policiais têm um segundo emprego, que chamam de ‘bico’, na segurança privada.

Os gestores das polícias sabem disso mas não podem fiscalizar. Os policiais querem sobreviver legitimamente e isso é tolerado em nome da crise no orçamento.

"Quem não fiscaliza a informalidade benigna também não fiscaliza a maligna", raciocina Luiz Eduardo Soares. "Há um desrespeito às empresas privadas de segurança constituídas legalmente e a formação de ligações perigosas entre policiais e criminosos.

"Se o chefe e o subordinado se encontram neste universo paralelo, como fica a relação funcional? Os turnos de 12h-24h são inviáveis, assim como é irracional suspender o trabalho por 24h-72h. Não podemos mudar isso sem impedir o segundo emprego.

Das 1195 mortes cometidas por policiais no Rio, 777 foram execuções sumárias. Nos EUA, os policiais matam cerca de 200 pessoas por ano. Em Minas Gerais, foram 71 as mortes de responsabilidade de policiais em 2005.

"Os municípios não participam do debate", protesta o secretário municipal de Nova Iguaçu. "As Guardas Muncipais não são policiais, Não temos perícia, Não temos controle externo. Não temos possibilidade de gestão. As polícias são inadministráveis. Faltam informações para fazer um diagnóstico. Preciamos aprender com os eros. Nas polícias brasileiras, não há diagnóstico. Não há um planejamento efetivo."

"Civis ainda têm preconceito com militares"

Os civis ainda não sabem o que querem e têm preconceito em relação aos militares, afirmou o professor Antônio Jorge Ramalho, da Universidade de Brasília, assessor do Ministério da Defesa ao participar da mesa redonda Lições da Segurança Internacional para a Segurança Pública: Missões de Paz, Garantia da Lei e da Ordem e o Emprego das Forças Armadas, realizada na segunda-feira, 30 de julho, no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), no Rio.

Na sua opinião, a experiência da missão de paz das Nações Unidas no Haiti, onde o Brasil tem o comando e o maior contingente, está sendo extremamente instrutiva. Mas “na questão conceitual, ainda há uma zona cinzenta entre a segurança nacional e a segurança pública”.

Essa definição não se faz no vácuo, destacou Antônio Jorge. A confusão vem dos Estados Unidos, onde o Departamento de Segurança Interna está enviando agentes para o exterior para, por exemplo, inspecionar as cargas despachadas para o território americano. Caso contrário, o navio tem o direito de atracar em portos dos EUA.

Diante da nova realidade criada pela guerra dos EUA contra o terrorismo, admite o professor, “há uma necessidade de revisar conceitos como instituições, fronteiras, segurança juridical, direitos humanos. As violações dos direitos humanos em Darfur, no Sudão, são consideradas uma ameaça à paz e à segurança internacionais. O narcotráfico e o tráfico de seres humanos exigem coordenação internacional”.

Antônio Jorge entende que as Forças Armadas devem ser empregadas somente em situações extremas, o que em alguns casos pode incluir a segurança interna. Mas “falta regulamentação: quem assume o comando? Falta um arcabouço legal, uma cadeia de comando e controle”, argumenta o professor.

Em princípio, ele reluta em ver as Forças Armadas fazendo papel de polícia: “As Forças Armadas foram feitas para dissuadir e fazer a guerra, para atirar primeiro e perguntar depois. Sabem que o tempo não se recupera; o espaço se recupera. Visam a destruir mais do que a normalizar”.

Na guerra, uma situação extrema em que as normas da convivência civilizada são suspensas, há uma desumanização do inimigo, um fortalecimento do espírito de corpo e uma série de comportamentos inaceitáveis na sociedade civilizada.

“Para as Forças Armadas e os guerrilheiros, havia uma guerra no Brasil. A sociedade ainda não virou a página 1964-85. É um problema sobretudo para os civis.”

“Hoje, entre as hipóteses de guerra, o Exército treina guerra de guerrilhas estudando casos como o Vietnã. Não temos armas e homens para defender o território nacional. Ninguém pensa que irá acontecer mas é uma hipótese. A guerrilha exige apoio local. O Exército acha importante ocupar a Amazônia.”

Como o afastamento dos militares da política no fim da ditadura, “o Exército se afastou dos grandes debates nacionais”.

No Haiti, Antônio Jorge acredita que os resultados da missão de paz da ONU liderada pelo Brasil são positivos. A única baixa foi o suicídio do general-de-divisão Urano Teixeira da Matta Bacellar, em 7 de janeiro de 2006, por problemas pessoais.

“Há uma doutrina de troca e relacionamento, uma ação cívico-social do Exército. A população percebe o soldado brasileiro como um primo. Em poucos dias, o soldado brasileiro se entende com os haitianos, em parte por causa da diversidade e da tolerância em relação ao próximo da cultura brasileira.”

“Não é um emprego da tropa para fazer papel de polícia. O Exército está lá num exercício de projeção de poder”, concluiu o professor Antônio Jorge em sua apresentação inicial.

O professor Antônio Jorge negou que haja uma ociosidade das Forças Armadas: “No terceiro dia no Haiti, em pleno Natal, os militares brasileiros estavam atirando”.

A sociedade precisa saber o que quer das Forças Armadas, insistiu o assessor do Ministério da Defesa. “O Exército não é necessário para fazer estradas e realizar campanhas de vacinação. A Força Nacional de Segurança é uma força intermediária. Precisa de doutrina e formação. A força armada foi feita para a guerra. É um elemento de dissuasão. Deve ser preservada da atuação cotidiana.”

Forças armadas na segurança: da separação total argentina à promiscuidade venezuelana

O professor Pablo Dreyfus, coordenador de pesquisas da organização não-governamental Viva Rio, faz uma análise comparativa do uso das Forças Armadas na segurança interna na América Latina, da separação total no caso da Argentina, a um caso médio no Brasil e à “promiscuidade extrema” na Venezuela, Defesa ao participar da mesa redonda Lições da Segurança Internacional para a Segurança Pública: Missões de Paz, Garantia da Lei e da Ordem e o Emprego das Forças Armadas, realizada na segunda-feira, 30 de julho, no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), no Rio.

Na Argentina, a brutalidade da ditadura mesmo depois da derrota dos grupos guerrilheiros e o fiasco na Guerra das Malvinas desmoralizaram as Forças Armadas.

A Lei de Defesa Nacional, de 1987, época das tentativas de golpe contra o presidente Raúl Alfonsín (1983-89), só prevê a atuação das Forças Armadas da Argentina “contra agressões externas das Forças Armadas de outro país”, nos termos da Carta das Nações Unidas.

No Brasil, segurança significa preservar a integridade territorial do país, enquanto defesa é a expressão militar contra ameaças externas, conforme definido nos artigos 142 e 144 da Constituição de 1988.

"A função das Forças Armadas é aniquilar o inimigo. Quem determina se as Forças Armadas serão empregadas na segurança interna é o presidente, quando as forças policiais tiverem sido atropeladas. Mas deve ser algo provisório, numa área demilitada e por tempo limitado", observa Dreyfus.

"É preciso também dar ao Exército o direito de agir nas fronteiras. A Argentina tem a Gendarmeria, o Chile tem os Carabineiros, mas o Brasil não tem uma força intermediária."

Na Venezuela, há uma forte promiscuidade: "O país não vive sob ditadura desde 1959. A guerrilha foi reprimida por um Estado democrático. A doutrina de segurança nacional não é palavrão. O conceito de segurança nacional está ligado ao desenvolvimento. O Exército está em todas as áreas, na manutenção da ordem pública, tem participação ativa no desenvolvimento nacional e isso não é regulamentado", o que aumenta a margem de manobra de um líder autoritário como Chávez.

A Venezuela tem a Guarda Nacional e, desde 2005, a Reserva Nacional e a Guarda Territorial (baseada na co-responsabilidade do cidadão na defesa nacional).

Com a atual polarização política, há um sério risco de intervenção politizada.

Na Argentina, "a participação das Forças Armadas é mínima. Há uma zona cinzenta onde estão a gendarmería e os guarda-costas. Não são claras as circunstâncias em que as Forças Armadas podem participar. E se houver uma guerra civil na Bolívia?"

No Brasil, a vantagem está na flexibilidade. A intervenção é negociada às vezes pela mídia. Quem determina a gravidade da crise?

No México, a intervenção direta na guerra contra as drogas aprofundou a corrupção nas Forças Armadas.

No Peru, "as Forças Armadas foram para a região do Alto Huallaga para combater o Sendero Luminoso. Adotaram uma estratégia de contra-insurgência. Depois, passaram a fazer o papel de polícia e se enlamearam na corrupção. Esse é o risco de envolver o Exército diretamente na guerra contra as drogas."

Missão no Haiti cria doutrina para intervenção

O Brasil não está no Haiti para treinar as Forças Armadas para atuar na segurança interna. Mas será um ponto positivo se desenvolver a doutrina para uma possível intervenção interna, observou o professor Pablo Dreyfus, coordenador de pesquisas da organização não-governamental Viva Rio, ao participar da mesa redonda Lições da Segurança Internacional para a Segurança Pública: Missões de Paz, Garantia da Lei e da Ordem e o Emprego das Forças Armadas, realizada na segunda-feira, 30 de julho, no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), no Rio.

Rubem César Fernandes, coordenador do Viva Rio, esteve várias vezes no Haiti acompanhando a missão da força de paz da ONU liderada pelo Brasil. Na primeira vez, em 2004, um oficial brasileiro desabafou: “Todos mentem. Não consigo trabalhar neste ambiente”.

O general Augusto Heleno Ribeiro Pereira manteve um estilo muito criticado, muito carioca, ao rejeitar a ação militar clássica, entende Rubem César: "Em Porto Príncipe, a situação é muito delicada. As favelas estão à beira-mar; a ONU, a classe média e as elites estão lá em cima.

"Não há praias na capital. Cite Soleuil fica à beira-mar. O Exército entrou primeiro no centro, em Bel Air, perto do Palácio Nacional. Até 2004, era cercada por barricadas de lixo. O Brasil levou um ano para tomar Bel Air, o que conseguiu em agosto de 2005.

"Os jordanianos fracassaram em Cité Soleuil, mas o Brasil conseguiu abrir um corredor de segurança Bel Air-Cité Soleuil. O trabalho do Exército Brasileiro levou três anos. No final de 2006, houve uma onda de seqüestros. O último batalhão que entrou resolveu o problema de Cite Soleuil", conta o coordenador do Viva Rio.

O Haiti é um país de 8 milhões de habitantes, com 2,5 milhões a 3 milhões na capital. É um favelão com as classes média e alta refugiadas nas montanhas.

"Houve uma progressividade. As conquistas são graduais, baseadas em uma estratégia de redução de risco evitando tiroteios prolongados em lugares labirínticos. Não houve nenhuma baixa brasileira na missão de paz no Haiti", lembrou Rubem César Fernandes. "O Exército identifica os bolsões de resistência, cerca e anuncia que vai entrar. Provoca uma correria e ocupa pacificamente."

A idéia é realizar ações civis e militares para a pacificação, sob comando militar. Ao lado dos militares, há organizações não-governamentais do mundo inteiro: Cruz Vermelha, Médicos sem Fronteiras, serviços de saúde, hospitais de campanha, grupos de defesa dos direitos humanos.

O lado civil da missão de paz é lento. Ser guerreiro todo dia é desgastante. O contingente é trocado há cada seis meses.

"Bel Air é uma cidade totalmente informal. São 11 localidades e quatro comandos. Demos apoio aos grupos de carnaval e aí percebemos a relação entre cultura e criminalidade", prossegue o coordenador do Viva Rio.

Em 16 de maio, foi firmado o acordo de paz entre as gangues. Se houvesse 30 dias sem violência, seriam dadas bolsas de estudos para todas as criança. Se a trégua fosse de 60 dias, seriam distribuídas bolsas para milicianos.

"Os bandidos de Bel Air querem estudar inglês, francês e atividades criativas: música, poesia e artesanato. O líder é um poeta, um samba", revela Rubem César.

“É preciso refletir, pensar criativamente. Vivemos situações muito diferentes: informal, terrorismo, criminalidade... O maior problema do Haiti é consolidação institucional.”

Do ponto de vista militar, não há mais nada a conquistar, só a consolidar. A missão militar passou. Começa o trabalho de polícia.

Pelo artigo 144 da Constituição, quando o Exército entra em ação todos se submetem à hierarquia militar. "Na crise da febre aftosa no Paraguai, rapidamente o Exército fechou todas as fronteiras. Foi uma reação rápida. Não passava uma vaca."

É preciso repensar as relações civis-militares, diz Rubem Cesar. Há o argumento do governador Sérgio Cabral: é um absurdo que um quartel numa comunidade só cuide dos muros para dentro.

O almirante Mário César Flores citou exemplos em que a Marinha foi chamada para aprender navios e precisou levar junto policiais federais porque não poderia fazer a apreensão.

Rússia põe bandeira no leito do Oceano Ártico

Dois minissubmarinos russos desceram até o leito do Oceano Ártico e plantaram uma bandeira da Rússia especialmente feita de titânio para não enferrujar, a uma profundidade de 4.261 metros, sob as geleiras do Pólo Norte, num gesto simbólico de reinvindicação sobre os recursos naturais do Ártico.

"É tão lindo lá em baixo", declarou Artur Chilingarov, líder do grupo que desceu com dois minissubs para águas profundas. "Se daqui a 100 ou mil anos alguém descer até lá, verá a bandeira da Rússia".

É um gesto mais simbólico do que prático. Agora é preciso pesquisar para descobrir se existem jazidas de gás e petróleo no Pólo Norte em quantidade suficiente para justificar o investimento necessário.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Bielorrússia pede dinheiro a Chávez

Um dos ditadores de quem o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, se aproximou simplesmente por ser antiamericano começa a cobrar a conta. Com uma dívida de US$ 456 milhões com a poderosa vizinha Rússia, que ameaça reduzir o fornecimento à metade, o presidente da Bielorrússia, Alexander Lukachenko, apelou ao caudilho venezuelano.

EUA "subestimaram" desunião de iraquianos

Os Estados Unidos "subestimaram" a desconfiança histórica entre árabes sunitas e árabes xiitas no Iraque e sua incapacidade de chegar a um acordo sobre um projeto nacional e medidas de reconciliação, admitiu nesta quinta-feira o secretário da Defesa americano, Robert Gates, no fim de uma viagem ao Oriente Médio. Gates considerou "desencorajadora" a decisão do principal bloco parlamentar sunita de retirar o apoio ao governo do primeiro-ministro Nuri al-Maliki.

Nesta quinta-feira, um terrorista suicida jogou um carro-bomba contra uma fila de candidatos a trabalhar na polícia, no Norte de Bagdá, matando 13 pessoas. Ao todo, mais de 70 pessoas foram mortas por bombas na capital iraquiana.

Jornalista de oposição é hospitalizada na Rússia

A jornalista russa da oposição Larissa Arap, de 48 anos, foi internada num hospital psiquiátrico, denuncia a organização não-governamental Repórteres sem Fronteiras (RSF).

Em 8 de junho, Larissa publicou no jornal da Marcha dos Dissidentes, o movimento liderado pelo ex-campeão mundial de xadrez Gary Kasparov, reportagem sobre o tratamento de menores nos hospitais psiquiátricos na Rússia, onde ainda recebem eletrochoque.

Ela foi se submeter a um exame médico na cidade de Murmansk, no Norte da Rússia, para tirar carteira de motorista, em 6 de julho, quando foi presa e encerrada num hospital psiquiátrico a 150 quilômetros dessa cidade.

O governo russo negou qualquer participação: "Excluo totalmente a possibilidade de um caso de repressão política. Não existe nenhuma perseguição a oposicionistas. Todos têm o direito de expressar seus pontos de vista. Isto é um absurdo."

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Chefe do FMI adverte sobre riscos da globalização

O diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo Rato, alertou hoje para os riscos associados aos capitais de risco, citando como exemplo a crise das empresas que financiaram habitação para clientes de segunda linha nos Estados Unidos e hoje estão em crise.

"Há razões para se preocupar com o crescimento dramático das transações com capitais de risco", advertiu Rato durante visita às Filipinas. Se essas grandes tacadas financiadas com endividamento elevado derem errado, podem criar uma aversão ao risco, reduzindo as linhas de financiamento para mercados emergentes.

Por sua vez, "isto pode influenciar negativamente as perspectivas de investimento e crescimento não apenas nos países onde ocorra mas no mundo inteiro", ponderou o diretor do Fundo. "Pediria aos reguladores que estejam vigilantes quanto a esses negócios e que dêem atenção especial a negócios cujo fracasso tenha implicações sistêmicas".

Na opinião de Rodrigo Rato, "há riscos associados à globalização financeira. Me preocupo quando esses riscos não são plenamente apreciados".

Ele não considera importante para a economia global a crise do mercado habitacional para tomadores de segunda linha nos EUA, que derrubou as bolsas do mundo inteiro. "A escala de quaisquer perdas com empréstimos de segunda linha é muito menor do que a crise das sociedades de poupança e empréstimo" nos anos 80, também nos EUA.

Exército britânico deixa Irlanda do Norte

O Exército Real britânico encerrou à zero hora desta quinta-feira sua intervenção na Irlanda do Norte, iniciada em 1969 para tentar conter, sem sucesso, a violência sectária entre católicos e protestantes.

A intervenção não pacificou a província do Úlster. Ao contrário, ajudou a fomentar uma guerra civil que matou cerca de 3,3 mil pessoas. Neste período, mais de 300 mil soldados britânicos serviram na Irlanda do Norte; 763 foram mortos.

O conflito só acabou com a decisão do Exército Republicano Irlandês (IRA), que lutava contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, de entregar as armas em 2005 e a formação de um governo de união nacional reunindo os ex-inimigos do Sinn Féin, partido político ligado ao IRA, e o Partido Unionista Democrático, liderado pelo reverendo Ian Paisley, há dois meses.

Agora, a segurança ficará totalmente a cargo da Polícia da Irlanda do Norte, formada por católicos e protestantes.

Caminhão-tanque-bomba mata 50 em Bagdá

A explosão de um caminhão-tanque carregado de explosivos num posto de gasolina do Oeste de Bagdá matou pelo menos 50 pessoas e deixou outras 60 feridas nesta quarta-feira.

Outros três carros-bomba explodiram hoje na capital do Iraque.

Mais cedo, no distrito de Karrada, um carro-bomba matou pelo menos 15 pessoas e deixou outras 20 feridas numa rua movimentada. A explosão aconteceu perto de uma sorveteria e de lojas de produtos eletroeletrônico numa área de comércio movimentada. Karrada era um dos bairros mais tranqüilos de Bagdá. Nos últimos dias, foi alvo de uma série de atentados.

No distrito de Dora, outro carro-bomba matou três pessoas num mercado de rua de uma área predominantemente cristã freqüentada por muçulmanos.

Outro carro bomba matou uma pessoas no bairro de Harthia, no Oeste da capital.

Também nesta quarta-feira, o principal bloco político sunita, a Frente Acordo Iraquiano, anunciou sua retirada do governo do primeiro-ministro Nuri al-Maliki, alegando que ele não cumpriu suas exigências para proteger a comunidade sunita da violência sectária.

Hillary dispara entre candidatos democratas

A senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton abriu grande vantagem sobre seus rivais na disputa pela candidatura do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos em 2008. Em pesquisa do jornal Wall Street Journal e da NBC News, Hillary tem 43% das preferências contra 21% para seu seguidor mais próximo, o senador negro Barack Obama.

Tanto Hillary quanto Obama venceriam hoje o favorito republicano, o ex-prefeito de Nova Iorque Rudolph Giuliani, prejudicado por pertencer ao partido do presidente George Walker Bush, apesar de uma suposta relutância do eleitorado americano em eleger uma mulher ou um negro para a Casa Branca.