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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Síria usa fome como arma de guerra

A ditadura de Bachar Assad está usando a comida como arma de guerra, impedindo o fornecimento a regiões dominadas pelos rebeldes para causar fome nas populações locais, revelam documentos das Nações Unidas divulgados pela revista americana Foreign Policy.

Com a fome, há um êxodo rumo às áreas controladas pelo governo, as únicas onde há garantia de conseguir alimentos. Isso expõe mais os rebeldes às ofensivas governamentais.

Um relatório do Programa Mundial de Alimentos indica que a ONU conseguiu distribuir comida para 415 mil pessoas que vivem em áreas de risco. Em toda a Síria, 4,1 milhões de pessoas receberam ajuda de alimentos em março, mais do que os 3,7 milhões de fevereiro.

A estimativa da ONU é que 9,3 milhões de sírios precisem de ajuda de emergência.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Armar rebeldes contraria resolução da ONU

A proposta de armar os rebeldes da Líbia para que eles tenham condições de enfrentar as Forças Armadas do coronel Muamar Kadafi esbarra na Resolução 1.970 do Conselho de Segurança das Nações Unidas que impôs sanções ao país.

A observação é de David Bosco, da revista Foreign Policy.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Americanos preocupam-se mais com terrorismo

Seis anos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, só 29% dos americanos acreditam que os Estados Unidos estão ganhando a guerra contra os terroristas muçulmanos que os atacaram. É o menor índice desde os atentados.

O agravamento das sangrentas guerras no Iraque e no Afeganistão, os atentados terroristas do Reino Unido à Somália, tornam o mundo mais inseguro para os americanos. A campanha para as eleições presidenciais de 2008 gira em torno de como enfrentar essas ameaças.

Mais de 60% dos americanos não temem um ataque terrorista iminente. Mais de 60% entendem que a invasão do Iraque era desnecessária.

Para fazer uma avaliação mais precisa, a revista Foreign Policy fez uma pesquisa com 100 especialistas, inclusive altos assessores da Casa Branca, do Departamento de Estado e do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, altos comandantes militares, profissionais de inteligência e acadêmicos de prestígio.

Entre os especialistas, 91% consideram o mundo hoje mais perigoso, 10% a mais do que em fevereiro, e apenas 2% afirmam que é totalmente seguro. Mais de 80% esperam um ataque na escala de 11 de setembro dentro de 10 anos. Para 84%, os EUA estão perdendo a guerra contra o terror.

Leia a reportagem completa sobre a sondagem em The Terrorism Index.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Muktada tira ministros do governo do Iraque

Depois de convocar a maior manifestação de protesto contra a ocupação americana do Iraque em 9 de abril, quando festejava o quarto aniversário da queda de Saddam Hussein, o aiatolá rebelde Muktada al-Sader vai agora retirar seus seis ministros e o apoio dos cerca de 30 deputados da "bancada de Sader" ao governo do primeiro-ministro Nuri al-Maliki. Seu objetivo é forçar a imposição de um cronograma para a retirada das forças dos Estados Unidos.

Muktada foi considerado pela revista americana Foreign Policy como o homem mais forte do Iraque e o segundo maior vencedor da invasão do Iraque, depois do Irã. Foi seu nome que os algozes gritaram para perturbar Saddam na hora da morte.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Irã é o grande vencedor com invasão americana

Quase três anos depois da invasão americana para derrubar Saddam Hussein, a revista Foreign Policy faz em sua última edição uma análise sobre quem são os 10 grandes vencedores da guerra iniciada pelo presidente George Walker Bush, que certamente está entre os perdedores.

Até agora, o maior vencedor da guerra no Iraque é a República Islâmica do Irã, muito ao contrário do que pretendiam os Estados Unidos. Além de eliminar Saddam, um inimigo histórico com quem o Irã travou uma guerra de oito anos, a ascensão política dos xiitas no Iraque fortalece o Irã.

Em teoria, o novo Iraque laico e democrático seria um modelo para o Oriente Médio e uma ameaça à teocracia iraniana. Ao provocar apenas caos e anarquia, a invasão do Iraque aumentou o medo e o receio de mudanças nos demais povos do Oriente Médio. O fim do baathismo eliminou um inimigo do Irã, primeiro país a reconhecer o novo governo e a estimular o povo iraquiano a participar das eleições convocadas pelos EUA.

Com o vácuo político criado pelo colapso do regime de Saddam, os iranianos rapidamente estabeleceram relações econômicas, religiosas e culturais com a região Sul do Iraque, onde a maioria é xiita. A guerra, nota a revista, transformou a maior parte do Iraque numa zona de influência do Irã e de seu aparato político, cultural e religioso.

Além disso, o Irã está desenvolvendo um programa nuclear que em breve poderá fabricar armas atômicas, o que será muito difícil de impedir, segundo documento reservado da União Européia (UE). Até 2002, a política dos EUA em relação ao Irã era de fomentar a mudança de regime.

Ao invadir o Iraque, os EUA deram uma trégua e uma força ao regime dos aiatolás. Com os xiitas do Iraque, formam hoje um Crescente Xiita com tentáculos até o Hesbolá (Partido de Deus) no Líbano e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) na Palestina.

Hoje uma das maiores preocupações americanas é conter a influência regional do Irã. Os países árabes de maioria sunita apóiam os americanos. Mas este é, para a revista Foreign Policy, o preço que o Irã paga pela vitória.

Enfraquecimento dos EUA fortalece a China

Ao enfraquecer os Estados Unidos, a guerra no Iraque fortaleceu a superpotência emergente. Para os editores de Foreign Policy, a China é a quinta maior vencedora no Iraque.

Se a demonstração de força dos americanos tivesse sucesso, os chineses ficariam intimidados.

Diante do fracasso e da erosão do poder diplomático, do poder suave dos EUA no mundo, a China procura se apresentar como um parceiro responsável da comunidade internacional. Acaba de negociar o acordo para desligar uma usina nuclear da Coréia do Norte, primeiro passo para desarmar o programar nuclear norte-coreano. E se os EUA não conseguem lutar duas guerras ao mesmo tempo, no Iraque e no Afeganistão, contra países subdesenvolvidos, não terão como enfrentar a China, se o regime comunista de Beijim cumprir a eterna ameaça de invadir Taiwan, caso a ilha rebelde declare independência.

Os EUA têm o compromisso histórico de defender Taiwan de um ataque chinês. Mas com suas Forças Armadas no limite, presos no atoleiro no Iraque, os EUA não estão em condições de enfrentar a China.

Como a grande preocupação da China é manter a estabilidade que garante seu extraordinário crescimento econômico de 10% ao ano e boas relações com um parceiro que lhe deu um saldo de US$ 232,5 bilhões em 2006, a China não tem interesse em invadir Taiwan. Mas o fiasco no Iraque desestimula novas aventuras militares americanas.

Uma coisa é bombardear o Irã para destruir meia dúzia de centrais nucleares ou até todo o sistema de defesa antiaéreo da república islâmica; outra, muito diferente, é enfrentar a China, que aumenta seu status a cada dia no sistema internacional.

Preço do petróleo dobra com invasão do Iraque

Os editores de Foreign Policy escolheram o preço do petróleo como sétimo ganhador com a guerra no Iraque.

Em 1998, por causa da crise da Ásia, o preço do petróleo caiu a cerca de US$ 10 dólares o barril. Foi o ano da primeira vitória eleitoral de Hugo Chávez, na Venezuela.

Antes da invasão do Iraque, o barril estava em torno de US$ 30.

No ano passado, chegou a US$ 78, caiu mas agora voltou a se estabilizar em torno de US$ 60, por causa de conflitos em diversos países produtores, Arábia Saudita, Irã, Iraque, Rússia, Nigéria, Sudão, e do aumento da demanda provocado pelo crescimento acelerado da Ásia, especialmente da China e da Índia.

Durante anos, os países exportadores receberão uma chuva de petrodólares. A esses preços, novas áreas de exploração passarão a ser economicamente viáveis.

Um possível bombardeio dos EUA ao Irã provocaria uma forte alta, já que o Irã ameaça retaliar fechando o Estreito de Ormuz, saída do Golfo Pérsico, por onde passam 70% do petróleo exportado no mundo. O preço do barril poderia bater em US$ 100.

ONU é indispensável à paz e reconstrução

Quando o presidente George Walker Bush preparava a guerra no Iraque, em 2002, ao discursar na abertura da Assembléia Geral das Nações Unidas, advertiu que a instituição corria o risco de se tornar irrelevante se não fosse capaz de enfrentar os desafios de segurança do século 21 como as armas de destruição em massa. Na época, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, o teria alertado que logo ele poderia precisar da ONU.

Na opinião de Foreign Policy, o oitavo vencedor na Guerra do Iraque foi a Organização das Nações Unidas.

“As ilusões de um poder invencível pereceram na areia da Mesopotâmia”, diz a revista. Os EUA, como superpotência com interesses globais, não podem se desengajar do mundo.

A ONU é a única instituição que dá legitimidade ao uso da força nas relações internacionais. Se não tem sido capaz de evitar a guerra, porque o poder de fato está nas mãos dos países-membros, especialmente os mais poderosos, é indispensável na construção da paz.