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sábado, 26 de março de 2016

Ban Ki Moon pede união entre sunitas e xiitas contra Estado Islâmico

Ao chegar hoje a Bagdá, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon fez, ao lado do primeiro-ministro do Iraque, Haider al-Abadi, um apelo às comunidades sunitas e xiitas para que se unam no combate à organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, informou a agência Reuters.

Do lado de fora da Zona Verde, onde estão os prédios governamentais na capital iraquiana, partidários do aiatolá radical xiita Muktada al-Sader protestam sentados para exigir a queda de todos os ministros do atual governo. As manifestações começaram em 18 de março na cidade de Samarra.

O primeiro-ministro anunciou em fevereiro a intenção de mudar nove ministros, mas ainda não revelou quem pretende nomear. Hoje a Aliança Nacional Iraquiana, um bloco parlamentar xiita, ameaçou exigir a mudança de todo o ministério.

Amanhã, Abadi deve se reunir com os líderes de cinco bancadas parlamentares. Os atuais protestos liderados por Muktada devem acabar em 28 de março, mas não devem parar por aí. Ele vai continuar exigindo uma reformulação total no governo iraquiano.

Ban Ki Moon viaja acompanhado dos presidentes do Banco Mundial, Jim Yong Kim, e do Banco de Desenvolvimento Islâmico, Ahmad Mohamed Ali al-Madani. Hoje mesmo eles seguiram para Erbil, capital do governo semitautônomo do Curdistão iraquiano.

sábado, 5 de novembro de 2011

EUA perderam guerra no Iraque, diz Wallerstein

As Forças Armadas dos Estados Unidos saem derrotadas do Iraque depois de oito anos e oito meses de invasão, afirma o professor de relações internacionais Immanuel Wallerstein, da Universidade de Yale, um dos maiores pensadores marxistas americanos.

Wallerstein considera uma derrota comparável à da Guerra do Vietnã. Na sua descrição das negociações para manter 10 mil soldados dos EUA para treinar as forças de segurança do Iraque, só o primeiro-ministro Nuri al-Maliki queria dar imunidade aos soldados americanos.

Nem mesmo o líder não religioso sunita Ayad Allawi e o presidente Jalal Talabani, um curdo, tidos como os maiores aliados dos EUA, foram contra. E o líder religioso xiita Muktada al-Sader, o aiatolá rebelde, ameaçou retirar o apoio de sua bancada ao governo Maliki.

Em artigo publicado no jornal mexicano La Jornada, o pesquisador de Yale atribui a derrota ao nacionalismo iraquiano e vê Muktada como grande vencedor, chegando a arriscar que ele poderá ser primeiro-ministro do Iraque.

Muktada al-Sader teve sua prisão decretada no auge do conflito sectário entre sunitas e xiitas, refugiou-se no Irã para não ser preso pelos EUA e voltou com a proteção política das novas autoridades iraquianas.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Parlamento do Iraque aprova pacto com EUA

Com 149 votos a favor e 35 contra, o Parlamento do Iraque aprovou hoje o pacto de segurança negociado com os Estados Unidos, que prorroga por mais três anos a ocupação militar americana. O prazo final para a retirada é 31 de dezembro de 2011.

A proposta teve o apoio da Aliança Iraque Unido, majoritariamente xiita, da Aliança Curda e também dos sunitas. Foram contra os 30 deputados xiitas ligados ao aiatolá Muktada al-Sader.

Pelo acordo, as tropas americanas param de patrulhar as ruas do Iraque na metade do próximo ano e recuam para bases militares, onde devem continuar treinando as forças de seguranças iraquianas. Os EUA se comprometem a não usar o Iraque como base para atacar países vizinhos, como Síria e Irã.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Força Aérea dos EUA volta a bombardear Bagdá

Em apoio às forças do governo do Iraque, que enfrentavam a maior milícia xiita do país, aviões e helicópteros dos Estados Unidos atacaram o bairro xiita de Cidade de Sáder, na periferia sul de Bagdá.

Os combates foram reiniciados no domingo, depois de novo ultimato do primeiro-ministro Nuri al-Maliki ao Exército Mehdi, a milícia do aiatolá Muktada al-Sader. Desde então, pelo menos 25 iraquianos e três soldados americanos foram mortos.

Através de assessores, o aiatolá admitiu entregar as armas, se o governo se comprometer a "acabar com a ocupação americana" ou se receber ordens do grão-aiatolá Ali al-Sistani, maior autoridade eclesiástica do Iraque.

domingo, 6 de abril de 2008

Combate na Cidade de Sader mata 20 no Iraque

Um violento combate as forças de segurança do Iraque, apoiadas pelos Estados Unidos, e o Exército Mehdi, a milícia do aiatolá Muktada al-Sader, causou a morte de pelo menos 20 pessoas na Cidade de Sader, um bairro xiita da periferia sul de Bagdá.

Depois da fracassada ofensiva do governo há duas semanas, Al-Sader ordenou a saída de seus milicianos das ruas.

Mas a tensão voltou a crescer nos últimos dias, quando o aiatolá rebelde convocou uma grande manifestação de protesto contra a ocupação americana, que chamou de Passeta do Milhão, para a próxima quarta-feira, 9 de abril, quinto aniversário da queda do ditador Saddam Hussein.

domingo, 30 de março de 2008

Muktada al-Sader ordena recuo de suas forças

Depois de cinco dias de combates ferozes contra forças do governo, o aiatolá Muktada al-Sader, um dos homens mais poderosos do Iraque, ordenou seu Exército Mehdi, a maior milícia em atividade no país, que recue e "colabore com o governo".

O primeiro-ministro Nuri al-Maliki, que comanda pessoalmente a ofensiva governamental, tinha dado prazo até sábado pela manhã às milícias xiitas que dominavam Bássora, a segunda maior cidade iraquiana, para se render e entregar as armas. Diante, da resistência, ampliou o prazo até 8 de abril e ofereceu dinheiro em troca das armas.

A Força Aérea dos Estados Unidos entrou em ação na sexta-feira, bombardeando redutos dos milicianos, sobretudo do Exército Mehdi. Ontem, foi a vez das forças britânicas, que somam 4,1 mil soldados, de avançar rumo a Bássora. Mas elas não têm planos para retomar a cidade, que esteve sob seu controle após a invasão americana.

No final da ofensiva fracassada, que terminou com um empate entre o governo e um grupo armado declarado ilegal e "pior do que Al Caeda" pelo primeiro-ministro, o grande vencedor é Muktada al-Sader, na opinião da revista Foreign Policy um dos grandes beneficiários da invasão americana no Iraque.

sábado, 29 de março de 2008

Muktada não entrega armas do Exército Mehdi

Em aberto desafio ao primeiro-ministro Nuri al-Maliki, o aiatolá rebelde Muktada al-Sader advertiu neste sábado que só entregará as armas do seu Exército Mehdi, a maior milícia em atividade no Iraque, a um "governo independente", sugerindo que o atual é fantoche dos Estados Unidos.

O primeiro-ministro permanece em Bássora, a segunda maior cidade iraquiana e centro da indústria do petróleo, comandando a ofensiva contra as milícias xiitas que controlam a região. Maliki chegou a acusar os milicianos liderados por Al-Sader de "piores do que Al Caeda".

As autoridades iraquianas prorrogaram o toque de recolher em Bagdá e Bássora por tempo indeterminado.

Em cinco dias de combate, pelo menos 300 pessoas morreram.

sexta-feira, 28 de março de 2008

EUA bombardeiam milícias xiitas no Iraque

A Força Aérea dos Estados Unidos bombardeou hoje as milícias xiitas que resistem em Bássora, no Sul do Iraque, no quarto dia de uma ofensiva governamental para retomar o controle da segunda cidade mais importante do país.

Diante da resistência, o primeiro-ministro Nuri al-Maliki recuou, ampliando em mais 10 dias, até 8 de abril, o ultimamento que venceria na manhã deste sábado para que os milicianos xiitas se rendam. Também ofereceu dinheiro em troca das armas.

Pelo menos 180 pessoas morreram em quatro dias de ferozes combates que ameaçam a trégua declarada em agosto de 2007 pelo aiatolá Muktada al-Sader, chefe do Exército Mehdi, a maior milícia em atuação no Iraque, que recebe apoio e armas do vizinho Irã.

Mais uma vez, a ultraprotegida Zona Verde de Bagdá, onde ficam a sede do governo, o comando militar americano e as embaixadas, foi atingida por foguetes e morteiros, inclusive o escritório de um dos dois vice-presidentes, matando um funcionário. O ataque foi atribuído às forças de Al-Sader.

Em um sinal da divisão dos xiitas, na cidade sagrada de Carbalá, milhares de pessoas saíram às ruas em apoio a Maliki, enquanto na Cidade de Sader, um bairro xiita da periferia sul da capital iraquiana, o primeiro-ministro era acusado de ser um "ditador" e "fantoche dos EUA".

quarta-feira, 26 de março de 2008

Maliki dá ultimato a milícias xiitas no Iraque

No segundo dia de uma ofensiva contra milícias xiitas em Bagdá e Bássora, as duas principais cidades do Iraque, o primeiro-ministro Nuri al-Maliki deu prazo de 72 horas para que elas se entreguem.

Maliki está comandando pessoalmente as operações em Bássora. O líder da principal milícia, conhecida como Exército Mehdi, o aiatolá rebelde Muktada al-Sader, pediu ao primeiro-ministro que voltasse para Bagdá e resolvesse a questão pacificamente.

O ataque ameaça a trégua ordenada por Sader em agosto do ano passado, um fatores da queda do número de mortes na guerra do Iraque.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Bush defende invasão do Iraque, que faz cinco anos

Em discurso no Departamento da Defesa, o presidente George Walker Bush está defendendo sua decisão de invadir o Iraque e derrubar o ditador Saddam Hussein, há cinco anos, e insistindo em que os Estados Unidos "podem e precisam" ganhar.

Depois de listar as inúmeras atrocidades cometidas pela ditadura de Saddam, Bush argumentou que os Estados Unidos ficaram mais seguros por causa da guerra, como se a infiltração da rede terrorista Al Caeda no Iraque não fosse conseqüência da intervenção americana.

O presidente dos Estados Unidos atribuiu a redução da violência no Iraque desde junho do ano passado à sua estratégia de aumentar em 30 mil soldados o contingente americano no país, que é hoje de cerca de 130 mil homens. Mas isso se deve ao cessar-fogo negociado com o aiatolá rebelde Muktada al-Sader e à proliferação de milícias sunitas que resolveram combater Al Caeda como uma ameaça maior do que os EUA.

Há uma segregação que divide árabes xiitas de árabes sunitas em áreas diferentes, praticamente isolando um grupo religioso do outro.

Bush admitiu que há hoje 90 mil iraquianos "defendendo suas comunidades", mas não reconheceu que na verdade são milicianos sem maior lealdade à idéia de uma união nacional. Afirmou que eles estão lutando pela liberdade, apontando um caminho para o futuro do Oriente Médio.

"Como os adversários da guerra não podem mais alegar que estamos perdendo a guerra", argumenta Bush, "dizem agora que o custo da guerra é caro demais". Está se referindo ao livro A Guerra de Três Trilhões de Dólares, do economista Joseph Stiglitz, ganhador do Prêmio Nobel da Paz.

Se os EUA não vencerem no Iraque, acrescenta Bush, a rede Al Caeda terá uma nova base de onde lançar seus ataques contra os EUA e outros países. Na verdade, o terrorismo dos fundamentalistas muçulmanos recuou em Bagdá e na província de Diala, mas está ativo em Mossul, na região curda do Norte do Iraque, de onde se infiltra em outros países do Oriente Médio, como na batalha que os jihadistas travaram contra o Exército do Líbano no campo de refugiados palestinos de Naher al-Barad na segunda maior cidade libanesa.

O presidente americano afirma que os EUA criaram no Iraque uma democracia que será exemplo na região. Mas essa é uma meia-verdade. Se é evidente que os iraquianos têm maior liberdade de expressão e elegeram os deputados da Assembléia Nacional, o colapso do Estado deixou o país numa situação de total anarquia em que não há segurança.

Um garoto entrevistado pela TV pública britânica BBC na série de reportagens sobre os cinco anos da guerra disse que desde 2003 não pode sair de casa para jogar futebol.

Mais de 4 mil americanos foram mortos no Iraque, entre civis e militares, admitiu o presidente Bush. Pelo menos 82.249 civis iraquianos foram comprovadamente mortos pela guerra, informa o site Iraq Body Count. Outras estimativas falam em centenas de milhares de mortos.

Cerca de 4 milhões de iraquianos, 14% da população, fugiram de suas casas.

No final do discurso, Bush agradeceu aos militares e garantiu que essa guerra "nobre, justa e necessária" só pode terminar com a vitória dos EUA.

Quando a guerra começou, tinha o apoio de 68% do povo americano. Hoje, 66% são contra e 61% querem que o presidente a ser eleito em 4 de novembro retire das tropas dos EUA do Iraque em meses depois da posse.

A maioria dos americanos acredita que a guerra prejudicou a economia dos EUA. Certamente teve um impacto sobre o preço do petróleo, que estava em torno de US$ 30 o barril e chegou a US$ 100, e também sobre o déficit público federal, drenando recursos que poderiam ser usados para estimular a maior economia do mundo, que enfrenta uma série crise, talvez a mais grave desde a Grande Depressão (1929-39).

Além disso, a Guerra do Iraque abalou o prestígio dos EUA no mundo, tornou-se um poderoso instrumento de propaganda e recrutamento para grupos terroristas muçulmanos, fortaleceu a revolução islâmica no Irã e provocou uma profunda divisão entre os EUA e seus aliados europeus da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), um dos pilares da ordem internacional do pós-guerra. E o verdadeiro inimigo que atacou os EUA em 11 de setembro, Ossama ben Laden, continua solto.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Número de mortos no Iraque cai bastante

O total de soldados americanos e civis iraquianos mortos na Guerra do Iraque diminuiu significativamente nos últimos meses, mas o comando militar dos Estados Unidos reluta em afirmar que seja um declínio consistente e definitivo.

Em outubro, 37 soldados dos EUA foram mortos no Iraque, o menor número desde março de 2006, quando morreram 31 militares americanos no país ocupado. O total de civis iraquianos mortos caiu de 1.990 em janeiro para 844 em setembro.

As execuções bárbaras também diminuíram. O número de corpos mutilados de pessoas torturadas até a morte recolhidos nas ruas de Bagdá baixou de 428 em agosto para 301 em setembro e 151 até agora em outubro.

Tanto o governo do Iraque quanto os EUA atribuíram a queda na mortandade como um sinal do sucesso da nova estratégia anunciada em janeiro pelo presidente George Walker Bush. As principais razões da redução da violência são três:

• o reforço de 30 mil soldados americanos para aumentar a segurança em Bagdá e nas províncias sunitas rebeldes de Ambar e Diala;

• a trégua do Exército Mehdi, a milícia xiita controlada pelo aiatolá radical Muktada al-Sader, que seria responsável por atrocidades contra os sunitas e milícias xiitas rivais; e

• a derrota da Al Caeda no Iraque, com o apoio líderes sunitas locais que não querem o terrorismo dos jihadistas seguidores de Ossama ben Laden na sua comunidade.

"Estamos quase lá", declarou o subcomandante militar americano no Iraque, general Raymond Odierno. "Estamos em vantagem mas ainda não sei se é irreversível".

Com maior apoio dos EUA, a polícia e o Exército do Iraque estariam melhorando seu desempenho. Mas o deputado sunita Saleh Mutlak, um dos maiores críticos do primeiro-ministro Nuri al-Maliki, alerta que a segurança pode se deteriorar de novo: "Está melhorando mas minha sensação é que essa melhora é temporária por causa da maior concentração de forças dos EUA e do Iraque".

Mutlak também não acredita que al Caeda esteja vencida: "Al Caeda é muito forte. Está mais fraca em algumas regiões, mas esta fraqueza reflete a consciência do povo iraquiano, especialmente os sunitas, de que al Caeda não é boa para eles."

O deputado sunita atribuiu a melhora da segurança no Iraque "especialmente à resistência, que percebeu que é mais importante lugar contra a presença de iranianos no Iraque do que combater os americanos".

terça-feira, 14 de agosto de 2007

EUA caçam Al Caeda no Iraque

Mais de 16 mil soldados americanos e iraquianos participam de uma megaoperação contra a rede terrorista Al Caeda na província de Diala, no Iraque, hoje uma das principais frentes de combate no país. Os principais alvos são militantes fundamentalistas que teriam fugido da capital provincial, Bacuba.

Diala é um dos bolsões da insurgência próximos à capital do Iraque. Os estrategistas dos Estados Unidos acreditam que derrotando os rebeldes nestas áreas, que incluem a província de Ambar, reduzirão os ataques em Bagdá.

Enquanto isso, na capital, forças lideradas pelos EUA atacaram guerrilheiros ligados ao Exército Mehdi, dominado pelo aiatolá xiita rebelde Muktada al-Sader.

Mais cinco soldados dos EUA foram mortos no Iraque, elevando para 3.694 o total de soldados americanos mortos no país desde a invasão de março de 2003.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Muktada reaparece atacando "diabo americano"

O aiatolá xiita rebelde Muktada al-Sader reapareceu hoje no Iraque para fazer o sermão da sexta-feira na cidade sagrada de Kufa. Diante de 6 mil fiéis, atacou o "diabo americano" e exigiu mais uma vez a retirada total dos soldados dos Estados Unidos que ocupam o Iraque.

"Não ao diabo! Não à América! Não à ocupação! Não a Israel!", bradou o jovem aiatolá, considerado o homem mais poderoso do Iraque pela revista americano Foreign Policy. O clérigo xiita, que seus seguidores acreditam que seja descendente direto do profeta Maomé, estava refugiado no Irã. Teria voltado ao Iraque há uma semana.

Há poucos dias, o jornal inglês The Independent revelou uma conspiração americana para assassinar Muktada em 2004. Chefe do Exército Mehdi, uma milícia de dezenas de milhares de homens, é a voz mais forte dentro do Iraque exigindo a retirada americana.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

EUA tentaram matar Muktada al-Sader

Os Estados Unidos tentaram matar o aiatolá rebelde Muktada al-Sader, considerado o mais mais poderoso do Iraque pela revista americana Foreign Policy, atraindo-o para negociações numa casa que depois foi atacada na cidade sagrada de Najaf, revela hoje o jornal inglês The Independent.

Se a conspiração tivesse tido sucesso, a morte de Al Sader provavelmente provocaria uma sublevação xiita. Sua revelação tornou-o num dos maiores inimigos da ocupação americana: "Acredito que aquele incidente fez Muktada perder totalmente a confiança na coalizão liderada pelos EUA e o tornou realmente selvagem", admite o assessor de Segurança Nacional do Iraque, Mowaffaq Rubaie.

A tentativa de assassinato aconteceu há dois anos e meio, em agosto de 2004, quando Muktada e seu Exército Mehdi, uma milícia que contaria hoje com dezenas de milhares de homens, estavam cercados por fuzileiros navais americanos em Najaf.

Rubaie agiu como mediador, passando todas as informações ao comando militar americano e ao governo iraquiano. Elas foram usadas para atrair o líder xiita para um lugar onde pudesse ser morto ou preso. Muktada escapou na última hora. Salvo por uma articulação do grão-aiatolá Ali al Sistani, tornou-se um líder político e chefe de milícia com 32 deputados leais na Assembléia Nacional do Iraque. Mas desapareceu desde que o presidente George W. Bush lançou sua nova estratégia para conter a violência em Bagdá, o que exige atacar milícias como o Exército Mehdi.

Muktada, de 33 anos, foi o nome que os algozes de Saddam Hussein gritaram para fustigá-lo na hora de sua morte. Ele é filho de Mohammed Sadek al-Sader, assassinado pela ditadura de Saddam em 1999. Com um discurso radical, nacionalista, fundamentalista e antiamericano, Muktada é o líder da Cidade de Sader, um bairro pobre xiita da periferia de Bagdá com cerca de 2 milhões de habitantes.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Muktada tira ministros do governo do Iraque

Depois de convocar a maior manifestação de protesto contra a ocupação americana do Iraque em 9 de abril, quando festejava o quarto aniversário da queda de Saddam Hussein, o aiatolá rebelde Muktada al-Sader vai agora retirar seus seis ministros e o apoio dos cerca de 30 deputados da "bancada de Sader" ao governo do primeiro-ministro Nuri al-Maliki. Seu objetivo é forçar a imposição de um cronograma para a retirada das forças dos Estados Unidos.

Muktada foi considerado pela revista americana Foreign Policy como o homem mais forte do Iraque e o segundo maior vencedor da invasão do Iraque, depois do Irã. Foi seu nome que os algozes gritaram para perturbar Saddam na hora da morte.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Iraquianos festejam queda de Saddam exigindo retirada das forças de ocupação americanas

Os iraquianos festejaram hoje os quatro anos da queda do ditador Saddam Hussein, mas diversas manifestações de protesto exigiram o fim da ocupação militar americana. A maior foi realidade na cidade sagrada xiita de Najaf, por convocação do aiatolá rebelde Muktada al-Sader.

Muktada foi apontado pela revista americana Foreign Policy como o segundo maior vencedor com a intervenção militar dos Estados Unidos no Oriente Médio. Foi seu nome que os algozes gritaram na hora do enforcamento de Saddam para fustigar o ditador até a morte.

terça-feira, 20 de março de 2007

Iraque é maior erro americano desde o Vietnã

Maior erro da política externa dos Estados Unidos desde a Guerra do Vietnã, a invasão do Iraque completou quatro anos em 29 de março sem perspectivas de pacificação do país. A grande esperança de paz está numa conferência internacional marcada para abril na Turquia, reunindo os membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e os vizinhos do Iraque, inclusive o Irã e a Síria, maiores inimigos estatais dos Estados Unidos no Oriente Médio.

Mais de 3,2 mil americanos (3.217 até 19 de março) e pelo menos 60 mil civis iraquianos foram mortos. Uma pesquisa feita pela revista médica britânica The Lancet, supondo que haja uma grande subnotificação, estimou o total de civis mortos em até 655 mil.

Dois milhões de iraquianos saíram do país, e 1,8 milhão são refugiados internos. O custo da guerra passa de US$ 400 bilhões. Pode chegar a US$ 2 trilhões, dependendo de quando será a retirada americana.

O presidente George Walker Bush, que declarara “o fim dos grandes combates” em 1º de maio de 2003, como se a guerra tivesse acabado, agora pede mais paciência. Insiste em que “a vontade de vencer” é decisiva para os soldados americanos nas frentes de batalha e acena com a ameaça terrorista, hoje real, enquanto o Congresso, desde janeiro dominado pela oposição democrata, quer cortar o financiamento para encerrar a guerra no próximo ano.

As duas profecias de Bush se auto-realizaram. Saddam Hussein pagava US$ 25 mil para cada família de terrorista suicida palestinos. Mas não havia grupos jihadistas fazendo ‘guerra santa’ muçulmana no Iraque ou a partir do Iraque. Também não havia aliança do Partido Baath, de Saddam, com os fundamentalistas d’al Caeda. Hoje ambos lutam lado a lado contra o invasor. Se expulsarem as forças estrangeiras, começarão a brigar entre si.

No momento, a nova estratégia Bush aposta tudo na Batalha de Bagdá. O presidente está enviado mais 30 mil homens numa tentativa de retomar o controle da capital iraquiana das mãos de milícias e insurgentes. Entende que a vitória “é uma questão de meses, e não de dias ou semanas”.

Entre as vitimas da guerra, estão o unilateralismo americano, a aliança transatlântica, a presidêncial imperial, o projeto neoconservador para democratizar o Oriente Médio.

Entre os vencedores, na análise da revista Foreign Policy, o Irã, os xiitas, o aiatolá rebelde Muktada al-Sader, Al Caeda, a China, a tese do choque de civilizações, os ditadores árabes, o preço do petróleo, as Nações Unidas, Israel e a Velha Europa. Poderia acrescentar o Partido Democrata, mas quem ganhar a Casa Branca em 2008 leva de brinde uma guerra usada em péssimo estado.

Leia a íntegra na minha coluna no Baguete

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Muktada é o homem mais poderoso do Iraque

Foi seu nome que os algozes gritaram para torturar Saddam Hussein psicologicamente na hora de sua morte: "Muktada! Muktada!"

Há quatro anos, quando os EUA invadiram o Iraque, quase ninguém conhecia o jovem aiatolá Muktada al-Sader, que, mesmo sendo inimigo de Saddam, responsável pela morte de seu pai, sempre rejeitou a intervenção americana.

Líder da principal milícia xiita do Iraque, o Exército Mehdi, de 60 mil homens, Muktada controla uma bancada de deputados na Assembléia Nacional maior do que qualquer partido isolado. Para a revista Foreign Policy, Muktada é hoje o homem mais poderoso do Iraque e o segundo maior vencedor com a ocupação americana.

A partir de 2003, e sobretudo de 2004, ele conquistou prestígio com a desilusão do povo iraquiano com a invasão e a violência da insurgência sunita.

Em agosto de 2004, seus homens ocuparam a mesquita do imã Ali, fundador do xiismo, durante semanas. O grão-aiatolá Ali al-Sistani e outros clérigos xiitas negociaram para que Muktada não fosse detido sob acusação de assassinato.

Agora, quando começou a operação para tentar controlar a segurança em Bagdá, correram boatos de que Muktada teria mandado sua turma baixar a bola e se refugiado no Irã. Foreign Polícy o considera mais poderoso do que os aiatolás que o livraram há dois anos e meio.