No início de uma sessão do Senado para votar uma moção de desconfiança contra seu governo, o primeiro-ministro Giuseppe Conte pediu demissão hoje. Agora, o presidente Sergio Mattarella deve convocar os líderes dos principais partidos políticos para que formem novo governo. Se eles não conseguiram, só restará ao presidente convocar novas eleições.
A queda do governo foi precipitada pelo vice-primeiro-ministro e ministro do Interior, Matteo Salvini, do partido neofascista Liga (antiga Liga Norte), que governava em aliança com o Movimento 5 Estrelas, de tendência anarquista.
Em 8 de agosto, Salvini anunciou a saída da Liga da coalizão de governo e pediu a convocação de eleições antecipadas na expectativa de formar um governo sozinho ou com pequenos partidos depois do bom desempenho da Liga nas eleições para o Parlamento Europeu, em maio, quando seu partido conquistou 34% dos votos.
O ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, um dos líderes do Partido Democrático, de centro-esquerda, que evitar a antecipação das eleições. Já articula um difícil acordo com o M5E para não entregar o poder a Salvini, um neofascista.
Salvini não comemora a derrota do regime de Benito Mussolini no fim da Segunda Guerra Mundial, usa demagogicamente a União Europeia e os imigrantes como alvos e impede a chegada à Itália de navios com náufragos resgata. Se for eleito, na visão da revista inglesa The Economist, será "o governo mais à direita da Itália desde Benito Mussolini".
No momento, há um navio de uma organização não governamental espanhola com cerca de 80 refugiados a bordo parado perto da ilha italiana de Lampedusa há 19 dias por ordem de Salvini.
A Espanha aceitou receber os refugiados, mas o navio não tem condições de fazer a viagem. Um procurador italiano ordenou o desembarque dos refugiados até que um navio espanhol venha resgatá-los.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
terça-feira, 20 de agosto de 2019
segunda-feira, 19 de agosto de 2019
Megaempresas dos EUA prometem maior responsabilidade social
Os objetivos das empresas vão muito além de dar lucro aos acionistas. Elas devem investir em seus funcionários, agregar valor para os consumidores, negociar com os fornecedores de maneira ética e justa, e apoiar as comunidades locais.
A Recomendação é da Mesa Redonda dos Negócios, que reúne os diretores-gerais e executivos, entre elas a Apple, a Amazon, a General Motors, a Black Rock, o Bank of America e o banco J P Morgan, noticiou o jornal The New York Times.
É um reconhecimento do papel social das empresas e do escrutínio cada vez maior da sociedade sobre as atividades empresariais. E uma tentativa de mudar a filosofia empresarial que dominou o mundo dos negócios nos últimos 50 anos.
Em 1970, Milton Friedman, o economista mais influente da segunda metade do século 20, professor da Universidade de Chicago e guru do neoliberalismo, afirmou que "a responsabilidade social das empresas e aumentar os lucros."
O espírito desta época foi cristalizado em filmes de Hollywood como Wall Street: Cobiça e Poder, em que o personagem principal repetia que "a ganância é boa", enquanto gerações de investidores ativistas defendiam cortes de custos e demissões para maximizar os lucros.
"Esta ideologia da primazia dos acionistas contribuiu para a desigualdade econômica", comentou o presidente da Fundação Ford, Darren Walker.
Enquanto os ricos ficam cada vez mais ricos, a renda da classe média no mundo ocidental está estagnada desde os anos 1980s. Uma classe média próspera e satisfeita é a principal base social de apoio da democracia liberal. Assim, não admira um fenômeno como o presidente Donald Trump. Meu comentário:
A Recomendação é da Mesa Redonda dos Negócios, que reúne os diretores-gerais e executivos, entre elas a Apple, a Amazon, a General Motors, a Black Rock, o Bank of America e o banco J P Morgan, noticiou o jornal The New York Times.
É um reconhecimento do papel social das empresas e do escrutínio cada vez maior da sociedade sobre as atividades empresariais. E uma tentativa de mudar a filosofia empresarial que dominou o mundo dos negócios nos últimos 50 anos.
Em 1970, Milton Friedman, o economista mais influente da segunda metade do século 20, professor da Universidade de Chicago e guru do neoliberalismo, afirmou que "a responsabilidade social das empresas e aumentar os lucros."
O espírito desta época foi cristalizado em filmes de Hollywood como Wall Street: Cobiça e Poder, em que o personagem principal repetia que "a ganância é boa", enquanto gerações de investidores ativistas defendiam cortes de custos e demissões para maximizar os lucros.
"Esta ideologia da primazia dos acionistas contribuiu para a desigualdade econômica", comentou o presidente da Fundação Ford, Darren Walker.
Enquanto os ricos ficam cada vez mais ricos, a renda da classe média no mundo ocidental está estagnada desde os anos 1980s. Uma classe média próspera e satisfeita é a principal base social de apoio da democracia liberal. Assim, não admira um fenômeno como o presidente Donald Trump. Meu comentário:
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Estado Islâmico reivindica autoria de atentado com 63 mortes em Cabul
Um terrorista suicida se denotou no sábado às 11h da noite no meio de uma festa de casamento com mil convidados em Cabul, a capital do Afeganistão. Pelo menos 63 pessoas morreram e outras 180 saíram feridas. A organização terrorista Estado Islâmico reivindicou a responsabilidade pelo ataque.
O pior atentado terrorista do ano acontece no momento em que os Estados Unidos negociam a paz com a milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes), que governou o país como um emirado islâmico totalitário de 1996 até outubro de 2001, quando uma intervenção americana atacou as bases da rede terrorista Al Caeda e derrubou o regime fundamentalista muçulmano que a acolhia.
Ao reagir ao ataque, o principal negociador americano, Zalmay Khalilzad, defendeu a "aceleração do processo de paz afegão, inclusive das negociações intra-afegãs. O sucesso vai colocar os afegãos numa posição muito mais forte para enfrentar o Estado Islâmico."
Os Talebã condenaram o "ataque brutal", mas fazem ações semelhantes. Meses atrás, explodiu um carro-bomba que deixou 45 mortos e outros 145 feridos.
A Guerra do Afeganistão é a mais longa da história dos EUA. Os dois governos eleitos com o apoio de Washington não conseguiram vencer a guerra nem com a ajuda militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA, a OTAN aplicou pela primeira vez a cláusula do Tratado de Washington que estabelece que um ataque contra qualquer país-membro é um ataque contra todos e participou da guerra no Afeganistão.
Este país está em guerra desde a invasão soviética de 1979, um dos marcos do início da Segunda Guerra Fria. Os EUA, a Arábia Saudita, a China e o Paquistão financiam, armam e treinam a revolta muçulmana contra o invador para fazer do Afeganistão o Vietnã da União Soviética.
Os chamados árabes afegãos, liderados por Ossama ben Laden, fundaram em 1988 a rede terrorista Al Caeda, que depois da vitória sobre a URSS decidiu atacar também os EUA, em parte pela presença de tropas americanas no solo sagrado para os muçulmanos da Arábia Saudita depois da invasão do Kuwait pelo Iraque de Saddam Hussein, em 2 de agosto de 1990.
Ben Laden ofereceu seus homens para proteger o reino de um possível ataque de Saddam, mas o sultão preferiu pedir ajuda militar aos EUA. Os jihadistas nunca aceitaram a presença militar americana.
O Estado Islâmico nasceu como Al Caeda no Iraque, mas depois rompeu com a rede terrorista e tentou criar seu próprio império do terror durante a guerra civil na Síria.
O pior atentado terrorista do ano acontece no momento em que os Estados Unidos negociam a paz com a milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes), que governou o país como um emirado islâmico totalitário de 1996 até outubro de 2001, quando uma intervenção americana atacou as bases da rede terrorista Al Caeda e derrubou o regime fundamentalista muçulmano que a acolhia.
Ao reagir ao ataque, o principal negociador americano, Zalmay Khalilzad, defendeu a "aceleração do processo de paz afegão, inclusive das negociações intra-afegãs. O sucesso vai colocar os afegãos numa posição muito mais forte para enfrentar o Estado Islâmico."
Os Talebã condenaram o "ataque brutal", mas fazem ações semelhantes. Meses atrás, explodiu um carro-bomba que deixou 45 mortos e outros 145 feridos.
A Guerra do Afeganistão é a mais longa da história dos EUA. Os dois governos eleitos com o apoio de Washington não conseguiram vencer a guerra nem com a ajuda militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA, a OTAN aplicou pela primeira vez a cláusula do Tratado de Washington que estabelece que um ataque contra qualquer país-membro é um ataque contra todos e participou da guerra no Afeganistão.
Este país está em guerra desde a invasão soviética de 1979, um dos marcos do início da Segunda Guerra Fria. Os EUA, a Arábia Saudita, a China e o Paquistão financiam, armam e treinam a revolta muçulmana contra o invador para fazer do Afeganistão o Vietnã da União Soviética.
Os chamados árabes afegãos, liderados por Ossama ben Laden, fundaram em 1988 a rede terrorista Al Caeda, que depois da vitória sobre a URSS decidiu atacar também os EUA, em parte pela presença de tropas americanas no solo sagrado para os muçulmanos da Arábia Saudita depois da invasão do Kuwait pelo Iraque de Saddam Hussein, em 2 de agosto de 1990.
Ben Laden ofereceu seus homens para proteger o reino de um possível ataque de Saddam, mas o sultão preferiu pedir ajuda militar aos EUA. Os jihadistas nunca aceitaram a presença militar americana.
O Estado Islâmico nasceu como Al Caeda no Iraque, mas depois rompeu com a rede terrorista e tentou criar seu próprio império do terror durante a guerra civil na Síria.
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domingo, 18 de agosto de 2019
Manifestantes de Hong Kong mostram força
Cerca de 1,7 milhão de pessoas do movimento pela democracia e a liberdade, 23% da população do território, saíram hoje às ruas de Hong Kong pela 11ª semana consecutiva, desafiando a polícia, a governadora regional e o regime comunista da China.
A polícia afirmou que eram apenas 128 mil manifestantes. Em contraste com a violência das últimas semanas, o protesto foi pacífico e não houve repressão violenta.
Em dezenas de outras cidades, inclusive Londres, Melbourne, Nova York, Sídnei e Toronto, houve manifestações em apoio aos cidadãos de Hong Kong.
A polícia de Hong Kong tem usado força excessiva, gás lacrimogênio e balas de borracha. Depois que uma menina foi baleada no olho, vários manifestantes passaram a usar uma venda com uma mancha vermelha.
Até mesmo a tropa de choque das máfias locais foi acionada pela ditadura de Beijim para tentar esmagar o movimento. Sem sucesso.
A República Popular da China está aumentando a pressão sobre a classe empresarial para ficar ao lado do regime comunista, sob pena de ser excluído do mercado da China continental.
Na sexta-feira, a ditadura de Xi Jinping ordenou à companhia aérea Cathay Pacific que exclua dos seus voos para a China pilotos, comissários de bordo e aeromoças que participaram dos protestos.
Agora, pressiona as grandes empresas internacionais de contabilidade - PwC, KPMG, Deloitte e Ernst & Young - por causa de um anúncio de jornal publicado por funcionários destas companhias em apoio às manifestações.
O jornal chinês The Global Times, porta-voz da linha dura do regime comunista chinês, exigiu que as empresas "demitam empregados que adotaram uma posição errada diante da situação em Hong Kong".
Quando o Reino Unido devolveu a antiga colônia britânica à China, em 1997, o regime comunista prometeu manter o regime liberal durante 50 anos. A onda de manifestações começou em protesto contra um projeto de lei para autorizar a extradição de cidadãos de Hong Kong para responder a processos criminais na China continental.
A proposta acaba com a independência judiciária da suposta região administrativa especial e com a fórmula "um país, dois sistemas", criada tendo em vista também a reunificação com Taiwan.
A polícia afirmou que eram apenas 128 mil manifestantes. Em contraste com a violência das últimas semanas, o protesto foi pacífico e não houve repressão violenta.
Em dezenas de outras cidades, inclusive Londres, Melbourne, Nova York, Sídnei e Toronto, houve manifestações em apoio aos cidadãos de Hong Kong.
A polícia de Hong Kong tem usado força excessiva, gás lacrimogênio e balas de borracha. Depois que uma menina foi baleada no olho, vários manifestantes passaram a usar uma venda com uma mancha vermelha.
Até mesmo a tropa de choque das máfias locais foi acionada pela ditadura de Beijim para tentar esmagar o movimento. Sem sucesso.
A República Popular da China está aumentando a pressão sobre a classe empresarial para ficar ao lado do regime comunista, sob pena de ser excluído do mercado da China continental.
Na sexta-feira, a ditadura de Xi Jinping ordenou à companhia aérea Cathay Pacific que exclua dos seus voos para a China pilotos, comissários de bordo e aeromoças que participaram dos protestos.
Agora, pressiona as grandes empresas internacionais de contabilidade - PwC, KPMG, Deloitte e Ernst & Young - por causa de um anúncio de jornal publicado por funcionários destas companhias em apoio às manifestações.
O jornal chinês The Global Times, porta-voz da linha dura do regime comunista chinês, exigiu que as empresas "demitam empregados que adotaram uma posição errada diante da situação em Hong Kong".
Quando o Reino Unido devolveu a antiga colônia britânica à China, em 1997, o regime comunista prometeu manter o regime liberal durante 50 anos. A onda de manifestações começou em protesto contra um projeto de lei para autorizar a extradição de cidadãos de Hong Kong para responder a processos criminais na China continental.
A proposta acaba com a independência judiciária da suposta região administrativa especial e com a fórmula "um país, dois sistemas", criada tendo em vista também a reunificação com Taiwan.
sábado, 17 de agosto de 2019
EUA devem prorrogar licença para Huawei
O Departamento do Comércio dos Estados Unidos devem prorrogar por 90 dias uma "licença temporária geral" para a companhia chinesa fabricante de equipamentos de telecomunicações Huawei, noticiou a agência Reuters. A licença, que vence no dia 19, permite à Huawei comprar suprimentos de empresas americanas.
Em nome da segurança nacional, o presidente Donald Trump acusa a Huawei de ser ligada ao regime comunista chinês e de participar de esquemas de espionagem. Está pressionando os aliados a não contratarem a companhia chinesa para implantar a tecnologia de telecomunicação móvel de quinta geração (5G).
Depois de colocar a Huawei numa lista negra, o Departamento do Comércio permitiu em maio que a empresa comprasse alguns produtos americanos. O objetivo foi evitar prejuízos para companhias de alta tecnologia dos EUA que tem a Huawei como um de seus maiores consumidores.
Agora, apesar das supostas ameaças à segurança nacional, Trump está disposto a usar a Huawei como moeda de troca. A prorrogação de licença tenta ressuscitar as negociações sobre produtos agrícolas. Quando Trump anunciou a imposição de tarifas de 10% sobre US$ 300 bilhões em importações anuais da da China, o governo chinês parou de comprar produtos agrícolas dos EUA.
Os agricultores e fazendeiros são uma base política importante do Partido Republicano, hoje um partido forte nas pequenas cidades e nas zonas rurais. Se não houve avanço nas negociações com a China, a licença pode não ser prorrogada.
Em nome da segurança nacional, o presidente Donald Trump acusa a Huawei de ser ligada ao regime comunista chinês e de participar de esquemas de espionagem. Está pressionando os aliados a não contratarem a companhia chinesa para implantar a tecnologia de telecomunicação móvel de quinta geração (5G).
Depois de colocar a Huawei numa lista negra, o Departamento do Comércio permitiu em maio que a empresa comprasse alguns produtos americanos. O objetivo foi evitar prejuízos para companhias de alta tecnologia dos EUA que tem a Huawei como um de seus maiores consumidores.
Agora, apesar das supostas ameaças à segurança nacional, Trump está disposto a usar a Huawei como moeda de troca. A prorrogação de licença tenta ressuscitar as negociações sobre produtos agrícolas. Quando Trump anunciou a imposição de tarifas de 10% sobre US$ 300 bilhões em importações anuais da da China, o governo chinês parou de comprar produtos agrícolas dos EUA.
Os agricultores e fazendeiros são uma base política importante do Partido Republicano, hoje um partido forte nas pequenas cidades e nas zonas rurais. Se não houve avanço nas negociações com a China, a licença pode não ser prorrogada.
sexta-feira, 16 de agosto de 2019
Ultranacionalismo ameaça a maior democracia do mundo
A República da Índia, multiétnica, plurirreligosa e multicultural, é a maior democracia da Terra. O país realiza as maiores eleições do planeta. Em sete dias, durante sete semanas, cerca de 900 milhões de eleitores estão aptos a votar. Um em cada oito seres humanos. O Exército da Índia se desloca pelo país para garantir a segurança do pleito. Não teria condições se todos votassem no mesmo dia.
A Índia culturalmente diversa e plural é a obra do grande herói da independência, Mohandas Gandhi, o Mahatma, líder da luta pacífica contra o império, e do primeiro chefe de governo do país, Jawaharlal Nehru. Os fatos das últimas duas semanas abalam esta experiência formidável, que completou 72 anos no dia 15.
Ao acabar com a autonomia da Caxemira, o primeiro-ministro ultranacionalista hindu Narendra Modi rebaixa esta democracia, um verdadeiro milagre do pluralismo, observa o historiador Ramachandra Guha, em artigo publicado no jornal americano The New York Times. Meu comentário:
A Índia culturalmente diversa e plural é a obra do grande herói da independência, Mohandas Gandhi, o Mahatma, líder da luta pacífica contra o império, e do primeiro chefe de governo do país, Jawaharlal Nehru. Os fatos das últimas duas semanas abalam esta experiência formidável, que completou 72 anos no dia 15.
Ao acabar com a autonomia da Caxemira, o primeiro-ministro ultranacionalista hindu Narendra Modi rebaixa esta democracia, um verdadeiro milagre do pluralismo, observa o historiador Ramachandra Guha, em artigo publicado no jornal americano The New York Times. Meu comentário:
PetroChina suspende importação de petróleo da Venezuela
Para escapar da sanções impostas pelos Estados Unidos, a companhia estatal PetroChina parou de comprar petróleo da Venezuela, noticiou hoje a agência de notícias Bloomberg.
A China é a maior importadora de petróleo bruto da Venezuela, junto com a Índia. Em junho, comprou cerca de 275 mil barris por dia.
A decisão reduz o risco da PetroChina ser afetada pelas sanções cruzadas, embora possa tentar fazer isso indiretamente, através de outras empresas.
O presidente Donald Trump aumentou as sanções contra a ditadura de Nicolás Maduro e a companhia estatal Petróleos de Venezuela S. A. (PdVSA), com o objetivo de aumentar a pressão para derrubar o regime chavista.
A China é a maior importadora de petróleo bruto da Venezuela, junto com a Índia. Em junho, comprou cerca de 275 mil barris por dia.
A decisão reduz o risco da PetroChina ser afetada pelas sanções cruzadas, embora possa tentar fazer isso indiretamente, através de outras empresas.
O presidente Donald Trump aumentou as sanções contra a ditadura de Nicolás Maduro e a companhia estatal Petróleos de Venezuela S. A. (PdVSA), com o objetivo de aumentar a pressão para derrubar o regime chavista.
quinta-feira, 15 de agosto de 2019
Atual conflito na Caxemira tem primeiras mortes, a serem confirmadas
A anexação da Caxemira pode provocar uma nova guerra no Sul da Ásia. Oito soldados morreram no conflito entre Índia e Paquistão, que são potências nucleares. Uma troca de tiros ao longo da linha de controle deixou cinco soldados indianos e três paquistaneses mortos, afirmou hoje o porta-voz do Exército do Paquistão, general Assif Ghafoor. A Índia nega que suas forças tenham sofrido qualquer baixa.
Já houve trocas de tiros desde que o governo nacionalista hindu do primeiro-ministro Narendra Modi anunciou o fim da autonomia da Caxemira e tomou medidas para integrá-la à união indiana.
As escaramuças ao longo da fronteira, chamada de linha de controle porque não é reconhecida, são comuns. Mas uma escalada na violência pode levar a retaliações mais fortes e a ataques de militantes muçulmanos ligados ao Paquistão, aumentando o risco de guerra entre as duas potências nucleares.Meu comentário:
Israel veta visita de deputadas americanas sob pressão de Trump
Sob pressão do presidente Donald Trump, o governo de Israel proibiu uma visita ao país e aos territórios árabes ocupados de duas deputadas muçulmanas de origem árabe da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.
O primeiro-ministro linha-dura de Israel, Benjamin Netanyahu, havia concordado com a visita por serem deputadas do Congresso dos EUA. Ao mudar de ideia, sob pressão de Trump, que alegou ser um sinal de fraqueza, Netanyahu declarou que "Israel está aberto a críticas, não a boicotes".
Seu ministro do Exterior, Israel Katz, justificou a medida "devido a seu flagrante apoio ao boicote ao Estado de Israel, ao terrorismo contra Israel e a minimizar o Holocausto." Omar, que reconhece Israel como a única democracia do Oriente Médio, considerou a decisão "arrepiante" e "antidemocrática".
As deputadas Ilhan Omar e Rashida Tlaib apoiam o movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), que defende o fim da ocupação dos territórios árabes, igualdade entre cidadãos israelenses de origem árabe e de origem judaica, e o direito de retorno dos palestinos expulsos de suas terras desde a fundação de Israel, em 1948.
O principal grupo de pressão a favor dos interesses israelenses nos EUA, a AIPAC (Comitê de Assuntos Públicos EUA-Israel), criticou a decisão de Netanyahu, afirmando que, embora seja contra a atuação das deputadas, entende deveriam ter o direito de ver pessoalmente a situação.
Em campanha para as eleições de 17 de setembro e em empate técnico nas pesquisas de opinião, o primeiro-ministro israelense preferiu ficar ao lado do aliado Trump, que escolheu quatro deputadas da ala mais à esquerda do Partido Democrata como inimigas e tenta apresentá-las como a verdadeira face da oposição.
O apoio a Israel é uma das poucas causas que tem apoio dos dois grandes partidos dos EUA. Historicamente, o Partido Democrata era mais favorável a Israel. Isto começou a mudar quando o presidente Ronald Reagan (1981-89) atraiu os evangélicos pentecostalistas, que costumavam não votar, para o Partido Republicano forjando uma aliança da direita religiosa cristã com Israel.
Ao acusar o Partido Democrata de ser anti-israelense, Trump ameaça romper o consenso bipartidário dos EUA em apoio a Israel. O Estado de Israel sai perdendo.
O primeiro-ministro linha-dura de Israel, Benjamin Netanyahu, havia concordado com a visita por serem deputadas do Congresso dos EUA. Ao mudar de ideia, sob pressão de Trump, que alegou ser um sinal de fraqueza, Netanyahu declarou que "Israel está aberto a críticas, não a boicotes".
Seu ministro do Exterior, Israel Katz, justificou a medida "devido a seu flagrante apoio ao boicote ao Estado de Israel, ao terrorismo contra Israel e a minimizar o Holocausto." Omar, que reconhece Israel como a única democracia do Oriente Médio, considerou a decisão "arrepiante" e "antidemocrática".
As deputadas Ilhan Omar e Rashida Tlaib apoiam o movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), que defende o fim da ocupação dos territórios árabes, igualdade entre cidadãos israelenses de origem árabe e de origem judaica, e o direito de retorno dos palestinos expulsos de suas terras desde a fundação de Israel, em 1948.
O principal grupo de pressão a favor dos interesses israelenses nos EUA, a AIPAC (Comitê de Assuntos Públicos EUA-Israel), criticou a decisão de Netanyahu, afirmando que, embora seja contra a atuação das deputadas, entende deveriam ter o direito de ver pessoalmente a situação.
Em campanha para as eleições de 17 de setembro e em empate técnico nas pesquisas de opinião, o primeiro-ministro israelense preferiu ficar ao lado do aliado Trump, que escolheu quatro deputadas da ala mais à esquerda do Partido Democrata como inimigas e tenta apresentá-las como a verdadeira face da oposição.
O apoio a Israel é uma das poucas causas que tem apoio dos dois grandes partidos dos EUA. Historicamente, o Partido Democrata era mais favorável a Israel. Isto começou a mudar quando o presidente Ronald Reagan (1981-89) atraiu os evangélicos pentecostalistas, que costumavam não votar, para o Partido Republicano forjando uma aliança da direita religiosa cristã com Israel.
Ao acusar o Partido Democrata de ser anti-israelense, Trump ameaça romper o consenso bipartidário dos EUA em apoio a Israel. O Estado de Israel sai perdendo.
quarta-feira, 14 de agosto de 2019
Risco de recessão mundial assusta mercados financeiros
A guerra comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a China ameaça provocar uma recessão mundial e causa pânico nos mercados do mundo inteiro. Aqui no Brasil, o dólar volta a passar dos R$ 4.
O dia começou com notícias de crescimento decepcionante da indústria e do varejo na China, a segunda maior economia do mundo. Com o recuo de 0,1 por cento no segundo trimestre do produto interno bruto da Alemanha, a maior economia da Europa e quarta do mundo, está à beira da recessão. O mesmo acontece com o Reino Unido, que não consegue resolver a saída da União Europeia e talvez já esteja em recessão.
O medo de uma contração da economia mundial provocou uma fuga para aplicações mais seguras, especialmente títulos da dívida pública do governo dos Estados Unidos.
Em consequência, o rendimento dos bônus de dez anos do Tesouro americano caiu abaixo do rendimento dos títulos de dois anos, o que não acontecia desde 2007.
Além disso, há hoje 15 trilhões de dólares, 60 bilhões de reais investidos em títulos de dívida pública com rendimento negativo, ou seja, os investidores preferem perder dinheiro porque não veem boas opções para aplicar em empresas. Com tudo isso somado, o mercado viu um forte risco de recessão. Meu comentário:
O dia começou com notícias de crescimento decepcionante da indústria e do varejo na China, a segunda maior economia do mundo. Com o recuo de 0,1 por cento no segundo trimestre do produto interno bruto da Alemanha, a maior economia da Europa e quarta do mundo, está à beira da recessão. O mesmo acontece com o Reino Unido, que não consegue resolver a saída da União Europeia e talvez já esteja em recessão.
O medo de uma contração da economia mundial provocou uma fuga para aplicações mais seguras, especialmente títulos da dívida pública do governo dos Estados Unidos.
Em consequência, o rendimento dos bônus de dez anos do Tesouro americano caiu abaixo do rendimento dos títulos de dois anos, o que não acontecia desde 2007.
Além disso, há hoje 15 trilhões de dólares, 60 bilhões de reais investidos em títulos de dívida pública com rendimento negativo, ou seja, os investidores preferem perder dinheiro porque não veem boas opções para aplicar em empresas. Com tudo isso somado, o mercado viu um forte risco de recessão. Meu comentário:
Bolsa de Nova York desaba por medo de recessão e dólar sobe no Brasil
O Índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, sofreu hoje a maior queda do ano, de 800,49 pontos (-3,05%), depois que o rendimento dos títulos de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos caiu abaixo do rendimento dos títulos de 2 anos, o que não acontecia desde 2007, num sinal de grande risco de recessão.
Com o recuo de 0,1% do produto interno bruto da Alemanha, quarta maior economia do mundo e quarta da Europa, no segundo trimestre e indicadores decepcionantes também na China, segunda maior economia do mundo, onde o varejo e a indústria cresceram abaixo do previsto, o pessimismo tomou conta dos mercados financeiros.
Além disso, há US$ 15 trilhões (R$ 60 trilhões) investidos em bônus de dívida pública com rendimento negativo, ou seja, os investidores aceitam perder dinheiro. Aqui no Brasil, a Bolsa de São Paulo chegou a cair abaixo de 100 mil pontos, mas teve uma pequena recuperação e fechou em 100.263 pontos (-2,94%). O dólar chegou a R$ 4,03.
Nos Estados Unidos, o índice amplo S&P perdeu 2,9%, com forte queda de ações do setor de energia. A bolsa eletrônica Nasdaq, de ações do setor de alta tecnologia, caiu pouco mais de 3%.
O presidente Donald Trump culpou o Conselho da Reserva Federal (Fed), o banco central americano, e sua política de juros, mas ele é o maior responsável pela crise, com sua guerra comercial com a China.
"Se estivermos ou não indo para a recessão não é um bom sinal", comentou Michael Farr, presidente da companhia de investimentos Farr, Miller & Washington.
Neste clima de incerteza, os investidores só querem aplicar em empresas com balanços sólidos, dinheiro em caixa e sem muitas dívidas. Ou fogem para companhias que não perdem na crise, como a empresa de bens de consumo pessoal Procter & Gamble e a Johnson & Johnson.
A queda nos preços das ações e nos rendimentos dos títulos da dívida pública acabaram com o otimismo gerado pelo adiamento de parte do tarifaço de Trump sobre as importações chinesas e a recente queda nas taxas básicas de juros nos EUA.
Com o recuo de 0,1% do produto interno bruto da Alemanha, quarta maior economia do mundo e quarta da Europa, no segundo trimestre e indicadores decepcionantes também na China, segunda maior economia do mundo, onde o varejo e a indústria cresceram abaixo do previsto, o pessimismo tomou conta dos mercados financeiros.
Além disso, há US$ 15 trilhões (R$ 60 trilhões) investidos em bônus de dívida pública com rendimento negativo, ou seja, os investidores aceitam perder dinheiro. Aqui no Brasil, a Bolsa de São Paulo chegou a cair abaixo de 100 mil pontos, mas teve uma pequena recuperação e fechou em 100.263 pontos (-2,94%). O dólar chegou a R$ 4,03.
Nos Estados Unidos, o índice amplo S&P perdeu 2,9%, com forte queda de ações do setor de energia. A bolsa eletrônica Nasdaq, de ações do setor de alta tecnologia, caiu pouco mais de 3%.
O presidente Donald Trump culpou o Conselho da Reserva Federal (Fed), o banco central americano, e sua política de juros, mas ele é o maior responsável pela crise, com sua guerra comercial com a China.
"Se estivermos ou não indo para a recessão não é um bom sinal", comentou Michael Farr, presidente da companhia de investimentos Farr, Miller & Washington.
Neste clima de incerteza, os investidores só querem aplicar em empresas com balanços sólidos, dinheiro em caixa e sem muitas dívidas. Ou fogem para companhias que não perdem na crise, como a empresa de bens de consumo pessoal Procter & Gamble e a Johnson & Johnson.
A queda nos preços das ações e nos rendimentos dos títulos da dívida pública acabaram com o otimismo gerado pelo adiamento de parte do tarifaço de Trump sobre as importações chinesas e a recente queda nas taxas básicas de juros nos EUA.
terça-feira, 13 de agosto de 2019
Trump adia parte do tarifaço para não estragar Natal dos americanos
Num recuo significativo, o presidente Donald Trump anunciou ontem que vai suspender até dezembro o tarifaço de 25% sobre produtos importados da China num valor de US$ 156 bilhões no ano passado, inclusive computadores pessoais, telefones celulares, brinquedos e roupas, a pretexto de não estragar o Natal dos americanos. Na realidade, está preocupado com o impacto da guerra comerciais sobre o mercado financeiro e a economia como um todo.
Ao fazer isso, Trump reconhece implicitamente que quem paga pelos tarifaços é o consumidor americano, embora evidentemente as fábricas chinesas produzam menos sem a voracidade do consumismo dos Estados Unidos.
O recuo veio depois de uma conversa telefônica, na terça-feira, do vice-primeiro-ministro chinês encarregado das negociações, Liu He, com o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, e o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer.
Em entrevista em Nova Jérsei, Trump declarou ter adiado o tarifaço contra certos produtos para proteger os consumidores "na época do Natal". Acrescentou ser um sinal de que "eu realmente quero fazer um acordo".
Depois do fracasso de uma reunião dos mesmos negociadores em Xangai, na China, em 29 de julho, Trump revelou a intenção de aplicar tarifas de 10% sobre produtos importados chineses num valor de US$ 300 bilhões no ano passado, a partir de 1º de setembro.
Outros produtos fabricados na China, no valor de US$ 250 bilhões em importações dos EUA em 2018, já estão sujeitos a tarifas de 25%. Para agravar a crise, quando a moeda chinesa, o iuane ou yuan, caiu abaixo de sete iuanes por dólar, os EUA acusaram a China de manipular o câmbio.
A escalada na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo e o risco de uma guerra cambial abalaram os mercados financeiros. Numa fuga para papéis mais seguros, os investidores venderam ações e compraram títulos da dívida pública de países ricos, especialmente dos EUA. O ouro e o dólar subiram.
Se Trump está preocupado em reduzir o colossal déficit dos EUA no comércio de bens, que chegou a US$ 891 bilhões em 2018, as crises que produz acabam fortalecendo a moeda americana e diminuindo a competitividade internacional da indústria americana, que pretende restaurar.
Ao fazer isso, Trump reconhece implicitamente que quem paga pelos tarifaços é o consumidor americano, embora evidentemente as fábricas chinesas produzam menos sem a voracidade do consumismo dos Estados Unidos.
O recuo veio depois de uma conversa telefônica, na terça-feira, do vice-primeiro-ministro chinês encarregado das negociações, Liu He, com o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, e o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer.
Em entrevista em Nova Jérsei, Trump declarou ter adiado o tarifaço contra certos produtos para proteger os consumidores "na época do Natal". Acrescentou ser um sinal de que "eu realmente quero fazer um acordo".
Depois do fracasso de uma reunião dos mesmos negociadores em Xangai, na China, em 29 de julho, Trump revelou a intenção de aplicar tarifas de 10% sobre produtos importados chineses num valor de US$ 300 bilhões no ano passado, a partir de 1º de setembro.
Outros produtos fabricados na China, no valor de US$ 250 bilhões em importações dos EUA em 2018, já estão sujeitos a tarifas de 25%. Para agravar a crise, quando a moeda chinesa, o iuane ou yuan, caiu abaixo de sete iuanes por dólar, os EUA acusaram a China de manipular o câmbio.
A escalada na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo e o risco de uma guerra cambial abalaram os mercados financeiros. Numa fuga para papéis mais seguros, os investidores venderam ações e compraram títulos da dívida pública de países ricos, especialmente dos EUA. O ouro e o dólar subiram.
Se Trump está preocupado em reduzir o colossal déficit dos EUA no comércio de bens, que chegou a US$ 891 bilhões em 2018, as crises que produz acabam fortalecendo a moeda americana e diminuindo a competitividade internacional da indústria americana, que pretende restaurar.
Poder popular desafia ditaduras da China e da Rússia
Apesar da ascensão do populismo e do neofascismo em países com longa tradição democrática, a democracia liberal está viva. As duas grandes potências que desafiam a democracia liberal enfrentam revoltas nas ruas e não tem outra resposta a não ser a repressão violenta.
O grande dilema do século 21 não é mais entre direita e esquerda. Em todas as democracias, o espectro político vai da extrema direita à extrema esquerda. O dilema é entre sociedades abertas e regimes políticos fechados.
Em entrevista recente ao jornal inglês Financial Times, o ditador russo, Vladimir Putin, anunciou a morte da democracia liberal. Mas, enquanto a Rússia moderniza seu arsenal nuclear para manter o status de grande potência, a maior ameaça a Putin vem de seu próprio povo.
Em Hong Kong, são os chineses que lutam para manter o sistema liberal e a sociedade aberta na antiga colônia britânica diante da interferência cada vez maior do regime comunista da China. Meu comentário:
O grande dilema do século 21 não é mais entre direita e esquerda. Em todas as democracias, o espectro político vai da extrema direita à extrema esquerda. O dilema é entre sociedades abertas e regimes políticos fechados.
Em entrevista recente ao jornal inglês Financial Times, o ditador russo, Vladimir Putin, anunciou a morte da democracia liberal. Mas, enquanto a Rússia moderniza seu arsenal nuclear para manter o status de grande potência, a maior ameaça a Putin vem de seu próprio povo.
Em Hong Kong, são os chineses que lutam para manter o sistema liberal e a sociedade aberta na antiga colônia britânica diante da interferência cada vez maior do regime comunista da China. Meu comentário:
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Explosão nuclear mata cinco cientistas no Norte da Rússia
A nova corrida armamentista nuclear já faz vítimas. Uma explosão no local de testes atômicos de Nyonoksa na quinta-feira passada aumentou os níveis de radiação na área. Como no acidente nuclear de Chernobil, na Ucrânia, na antiga União Soviética, em 26 de abril de 1986, o Kremlin nega tudo e insiste que nada aconteceu.
Desta vez, o vazamento de radioatividade foi muito menor. Não chegou a atingir as vizinhas Noruega e Finlândia. Enquanto a população da cidade russa de Severodvinsk, onde a radiação subiu a 18 vezes acima do normal, procurava pílulas de iodo, que protege a glândula tiróide de absorver a radiação, Moscou tirou as informações da página da Internet da prefeitura local.
A central nuclear de Sarov era uma instalação secreta onde a URSS mantinha um arsenal de bombas de hidrogênio, as mais poderosas, durante a Guerra Fria.
Na versão oficial da ditadura de Vladimir Putin, foi apenas um acidente com um motor de foguete de combustível líquido, descrito como um "risco normal". Os cinco cientistas mortos foram chamados de "grandes heróis". Serão condecorados depois da morte e as famílias indenizadas.
O texto russo é patético. A pesquisa envolvia "a criação de fontes de energia térmica ou elétrica usando materiais radioativos, inclusive materiais físseis e radioisótopos", sem dar detalhes mais específicos sobre o projeto em que os "grandes heróis" trabalhavam.
De acordo com os serviços secretos dos Estados Unidos, provavelmente era o projeto de desenvolvimento de um míssil de cruzeiro movido a energia nuclear capaz de dar a volta no planeta e de escapar dos sistemas de defesa antimísseis americanos. É chamado de Burevestnik na Rússia e de SSC-X-9 Skyfall (Queda do Céu) pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA.
Mas também poderia ser o míssil de cruzeiro hipersônico Zircon, capaz de voar a uma velocidade oito vezes superior à do som, conforme a propaganda russa, ou um novo drone submarino de longo alcance lançado por submarino chamado Posseidon.
Os especialistas consideram estas armas "apocalípticas". Só poderiam ser usadas numa guerra nuclear total. Um jornal oficial russo descreveu o Burevestnik como "uma arma de vingança" para atacar qualquer infraestrutura depois que os mísseis nucleares balísticos intercontinentais tivessem atingido o território inimigo.
A tragédia nuclear é mais um golpe na ditadura de Putin, que enfrenta uma onda de protestos em Moscou contra vetos e mais de dez candidatos de oposição às eleições de 8 de setembro para a Câmara Municipal da capital russa.
A verdadeira ameaça a Putin não vem de mísseis nucleares inimigos, mas de seu próprio povo, cansado do autoritarismo emanado no Kremlin.
Desta vez, o vazamento de radioatividade foi muito menor. Não chegou a atingir as vizinhas Noruega e Finlândia. Enquanto a população da cidade russa de Severodvinsk, onde a radiação subiu a 18 vezes acima do normal, procurava pílulas de iodo, que protege a glândula tiróide de absorver a radiação, Moscou tirou as informações da página da Internet da prefeitura local.
A central nuclear de Sarov era uma instalação secreta onde a URSS mantinha um arsenal de bombas de hidrogênio, as mais poderosas, durante a Guerra Fria.
Na versão oficial da ditadura de Vladimir Putin, foi apenas um acidente com um motor de foguete de combustível líquido, descrito como um "risco normal". Os cinco cientistas mortos foram chamados de "grandes heróis". Serão condecorados depois da morte e as famílias indenizadas.
O texto russo é patético. A pesquisa envolvia "a criação de fontes de energia térmica ou elétrica usando materiais radioativos, inclusive materiais físseis e radioisótopos", sem dar detalhes mais específicos sobre o projeto em que os "grandes heróis" trabalhavam.
De acordo com os serviços secretos dos Estados Unidos, provavelmente era o projeto de desenvolvimento de um míssil de cruzeiro movido a energia nuclear capaz de dar a volta no planeta e de escapar dos sistemas de defesa antimísseis americanos. É chamado de Burevestnik na Rússia e de SSC-X-9 Skyfall (Queda do Céu) pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA.
Mas também poderia ser o míssil de cruzeiro hipersônico Zircon, capaz de voar a uma velocidade oito vezes superior à do som, conforme a propaganda russa, ou um novo drone submarino de longo alcance lançado por submarino chamado Posseidon.
Os especialistas consideram estas armas "apocalípticas". Só poderiam ser usadas numa guerra nuclear total. Um jornal oficial russo descreveu o Burevestnik como "uma arma de vingança" para atacar qualquer infraestrutura depois que os mísseis nucleares balísticos intercontinentais tivessem atingido o território inimigo.
A tragédia nuclear é mais um golpe na ditadura de Putin, que enfrenta uma onda de protestos em Moscou contra vetos e mais de dez candidatos de oposição às eleições de 8 de setembro para a Câmara Municipal da capital russa.
A verdadeira ameaça a Putin não vem de mísseis nucleares inimigos, mas de seu próprio povo, cansado do autoritarismo emanado no Kremlin.
segunda-feira, 12 de agosto de 2019
Vitória do kirchnerismo leva pânico ao mercado financeiro na Argentina
O peronismo mostrou sua força e é franco favorito para vencer as eleições de 27 de outubro na Argentina. Hoje foi um dia de pânico no mercado financeiro argentino. O peso caiu a 60 por dólar, recorde histórico de baixa, e o Índice Merval, da Bolsa de Valores da Buenos Aires, desabou em 38%.
O Banco Central vendeu US$ 100 milhões de dólares e aumentou a taxa básica de juros de 64% para 74% ao ano, a maior do mundo, para defender a moeda, subiu para 53 pesos por dólar para grandes negócios e 58 para o público.
Tudo por causa da fragorosa derrota sofrida pelo presidente Mauricio Macri nas eleições prévias realizadas ontem. A chapa da peronista Frente para Todos, formada pelo ex-chefe da Casa Civil Alberto Fernández e pela ex-presidente Cristina Kirchner, ganhou com mais de 47% dos votos contra 32% para Macri.
Todas as pesquisas de opinião erraram. Elas previam a vitória do kirchnerismo, mas com vantagens muito menores, de meio a oito pontos percentuais. Isso daria uma chance a Macri de vitória no segundo turno.
Pela lei argentina, bastam 45% mais um voto válido para ganhar no primeiro turno, ou 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado. Como as intenções de voto não devem se alterar muito em dois meses e meio, até o primeiro turno, em 27 de outubro, a vitória de Alberto Fernández e Cristina Kirchner é dada como praticamente certa, o que explica o pânico no mercado.
A derrota do macrismo foi total. A governadora da província de Buenos Aires, María Eugenia Vidal, que era tida como muito popular, também teve apenas 32% dos votos, enquanto o ex-ministro da Economia de Cristina Kirchner, Axel Kicillof, chegou perto dos 50%. Meu comentário:
O Banco Central vendeu US$ 100 milhões de dólares e aumentou a taxa básica de juros de 64% para 74% ao ano, a maior do mundo, para defender a moeda, subiu para 53 pesos por dólar para grandes negócios e 58 para o público.
Tudo por causa da fragorosa derrota sofrida pelo presidente Mauricio Macri nas eleições prévias realizadas ontem. A chapa da peronista Frente para Todos, formada pelo ex-chefe da Casa Civil Alberto Fernández e pela ex-presidente Cristina Kirchner, ganhou com mais de 47% dos votos contra 32% para Macri.
Todas as pesquisas de opinião erraram. Elas previam a vitória do kirchnerismo, mas com vantagens muito menores, de meio a oito pontos percentuais. Isso daria uma chance a Macri de vitória no segundo turno.
Pela lei argentina, bastam 45% mais um voto válido para ganhar no primeiro turno, ou 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado. Como as intenções de voto não devem se alterar muito em dois meses e meio, até o primeiro turno, em 27 de outubro, a vitória de Alberto Fernández e Cristina Kirchner é dada como praticamente certa, o que explica o pânico no mercado.
A derrota do macrismo foi total. A governadora da província de Buenos Aires, María Eugenia Vidal, que era tida como muito popular, também teve apenas 32% dos votos, enquanto o ex-ministro da Economia de Cristina Kirchner, Axel Kicillof, chegou perto dos 50%. Meu comentário:
O presidente Macri atribuiu o pânico à falta de credibilidade do kirchnerismo no mercado financeiro internacional e prometeu lutar para dar a volta por cima em 27 de outubro para chegar ao segundo turno em 24 de novembro.
Peronismo obtém grande vitória em eleições prévias na Argentina
O candidato peronista Alberto Fernández, da Frente de Todos, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como candidata a vice-presidente, conquistou mais de 47% dos votos na eleição prévia para a Presidência da Argentina realizada ontem, contra apenas 32% para o presidente Mauricio Macri, da aliança Juntos pela Mudança.
Pela lei do país, bastam 45% mais um dos votos válidos para ser eleito em primeiro turno. Fernández é assim o franco favorito para a eleição de 27 de outubro. A meta do kirchnerismo é ganhar no primeiro turno para evitar uma união contra si no segundo turno, previsto para 24 de novembro.
"Não viemos para restaurar nenhum regime e, sim, para criar uma nova Argentina em que se acabarão os rachas, as divisões e as vinganças", declarou Fernández diante de uma multidão eufórica. "Nunca fomos loucos governando. Vamos arrumar o que os outros estropiaram. Nosso objetivo é que os argentinos recuperem a felicidade."
Com a economia em profunda crise, a derrota do macrismo foi total. Na província de Buenos Aires, onde o governo contava com a popularidade da governadora María Eugenia Vidal, ela ficou nos mesmos 32% de Macri, enquanto o ex-ministro da Economia do governo Cristina Kirchner, Axel Kicillof, chegou perto dos 50%.
A grande expectativa é qual será a reação do mercado financeiro nesta segunda-feira. Como as últimas pesquisas se mostraram totalmente erradas e eram favoráveis a Macri, a Bolsa de Valores de Buenos Aires, os índices de confiança e os bônus da dívida pública se valorizaram, na expectativa de reeleição do presidente no segundo turno.
Macri tem o apoio dos Estados Unidos, do governo Jair Bolsonaro e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que emprestou US$ 57 bilhões para conter a queda do peso. As pesquisas davam uma vantagem de 0,5 a 8 pontos percentuais a Fernández, o que colocaria o presidente como favorito no segundo turno.
A crise é brutal. O desemprego passa de 10%, o que não acontecia desde 2006. No ano passado, a inflação ficou em 47,6, a maior em 27 anos, e o produto interno bruto caiu 2,5%. Nos últimos 12 meses até junho, a inflação foi de 55,8%. No fim do primeiro trimestre, o PIB registrava baixa de 5,8%, depois da quatro trimestres em queda. A taxa básica de juros está em 64%.
O peso argentino caiu 51% em relação ao dólar em 2018 e mais 14% no início do ano.
Outra vítima da derrota de Macri pode ser o acordo de livre comércio da União Europeia com o Mercosul, que depende da aprovação pelos parlamentos de todos os países participantes. A oposição a Macri já se pronunciou contra o acordo, considerando-o lesivo aos interesses dos trabalhadores argentinos.
Pela lei do país, bastam 45% mais um dos votos válidos para ser eleito em primeiro turno. Fernández é assim o franco favorito para a eleição de 27 de outubro. A meta do kirchnerismo é ganhar no primeiro turno para evitar uma união contra si no segundo turno, previsto para 24 de novembro.
"Não viemos para restaurar nenhum regime e, sim, para criar uma nova Argentina em que se acabarão os rachas, as divisões e as vinganças", declarou Fernández diante de uma multidão eufórica. "Nunca fomos loucos governando. Vamos arrumar o que os outros estropiaram. Nosso objetivo é que os argentinos recuperem a felicidade."
Com a economia em profunda crise, a derrota do macrismo foi total. Na província de Buenos Aires, onde o governo contava com a popularidade da governadora María Eugenia Vidal, ela ficou nos mesmos 32% de Macri, enquanto o ex-ministro da Economia do governo Cristina Kirchner, Axel Kicillof, chegou perto dos 50%.
A grande expectativa é qual será a reação do mercado financeiro nesta segunda-feira. Como as últimas pesquisas se mostraram totalmente erradas e eram favoráveis a Macri, a Bolsa de Valores de Buenos Aires, os índices de confiança e os bônus da dívida pública se valorizaram, na expectativa de reeleição do presidente no segundo turno.
Macri tem o apoio dos Estados Unidos, do governo Jair Bolsonaro e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que emprestou US$ 57 bilhões para conter a queda do peso. As pesquisas davam uma vantagem de 0,5 a 8 pontos percentuais a Fernández, o que colocaria o presidente como favorito no segundo turno.
A crise é brutal. O desemprego passa de 10%, o que não acontecia desde 2006. No ano passado, a inflação ficou em 47,6, a maior em 27 anos, e o produto interno bruto caiu 2,5%. Nos últimos 12 meses até junho, a inflação foi de 55,8%. No fim do primeiro trimestre, o PIB registrava baixa de 5,8%, depois da quatro trimestres em queda. A taxa básica de juros está em 64%.
O peso argentino caiu 51% em relação ao dólar em 2018 e mais 14% no início do ano.
Outra vítima da derrota de Macri pode ser o acordo de livre comércio da União Europeia com o Mercosul, que depende da aprovação pelos parlamentos de todos os países participantes. A oposição a Macri já se pronunciou contra o acordo, considerando-o lesivo aos interesses dos trabalhadores argentinos.
Alejandro Giammattei é eleito presidente da Guatemala
Na quarta tentativa, o médico conservador e ex-diretor do sistema penitenciário Alejandro Giammattei, do partido Vamos por uma Guatemala Diferente (Vamos), foi eleito ontem presidente da Guatemala no segundo turno de votação. Com mais de 95% das urnas apuradas, ele tinha 1.857.035 votos (59%) contra 1.297.703 (41%) para a ex-primeira-dama Sandra Torres, da Unidade Nacional da Esperança (UNE).
A participação foi fraca. Pouco mais de 40% dos eleitores guatemaltecos votaram no segundo turno. O novo presidente e seu vice, Guillermo Reyes, tomam posse em 14 de janeiro de 2020.
Giammattei é o segundo presidente da Guatemala a ganhar no segundo turno depois de ficar em segundo lugar no primeiro. O primeiro foi Jorge Serrano Elías, do Movimento de Ação Solidária (MAS), em 1990.
Conservador, Giammattei é contra o aborto, contra o casamento gay, a favor da pena de morte e do uso do Exército na segurança interna. Esta última é uma questão extremamente delicada por causa do papel do Exército na violenta repressão durante a Guerra Fria, quando se estima que entre 150 e 200 mil pessoas foram mortas desde o golpe militar de 1954, apoiado pela Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos, até o fim da guerra civil, em 1996.
Depois da Colômbia, a Guatemala é o país com o maior número de mortos na América Latina nas guerras civis da Guerra Fria. Como tem uma população muito menor, foi o palco da maior tragédia humanitária no continente durante a confrontação estratégica entre os EUA e a União Soviética.
O novo presidente guatemalteco prometeu renegociar o acordo feito pelo atual, Jimmy Morales, com os EUA para tornar a Guatemala um "terceiro país seguro". O objetivo do presidente Donald Trump é obrigar os candidatos a asilo político nos EUA a pedir para ficar na Guatemala ou no México.
Morales assinou o acordo, considerado inconstitucional pelo Tribunal Constitucional da Guatemala. Trump ameaça sobretaxar os produtos importados da Guatemala se o acordo for rompido.
A participação foi fraca. Pouco mais de 40% dos eleitores guatemaltecos votaram no segundo turno. O novo presidente e seu vice, Guillermo Reyes, tomam posse em 14 de janeiro de 2020.
Giammattei é o segundo presidente da Guatemala a ganhar no segundo turno depois de ficar em segundo lugar no primeiro. O primeiro foi Jorge Serrano Elías, do Movimento de Ação Solidária (MAS), em 1990.
Conservador, Giammattei é contra o aborto, contra o casamento gay, a favor da pena de morte e do uso do Exército na segurança interna. Esta última é uma questão extremamente delicada por causa do papel do Exército na violenta repressão durante a Guerra Fria, quando se estima que entre 150 e 200 mil pessoas foram mortas desde o golpe militar de 1954, apoiado pela Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos, até o fim da guerra civil, em 1996.
Depois da Colômbia, a Guatemala é o país com o maior número de mortos na América Latina nas guerras civis da Guerra Fria. Como tem uma população muito menor, foi o palco da maior tragédia humanitária no continente durante a confrontação estratégica entre os EUA e a União Soviética.
O novo presidente guatemalteco prometeu renegociar o acordo feito pelo atual, Jimmy Morales, com os EUA para tornar a Guatemala um "terceiro país seguro". O objetivo do presidente Donald Trump é obrigar os candidatos a asilo político nos EUA a pedir para ficar na Guatemala ou no México.
Morales assinou o acordo, considerado inconstitucional pelo Tribunal Constitucional da Guatemala. Trump ameaça sobretaxar os produtos importados da Guatemala se o acordo for rompido.
domingo, 11 de agosto de 2019
Paquistão compara anexação da Caxemira a expansão nazista
O primeiro-ministro do Paquistao, Imran Khan, comparou hoje a decisão da Índia de revogar a autonomia do estado de Jamu e Caxemira à expansão do nazismo e à anexação da Tcheco-Eslováquia antes do início da Segunda Guerra Mundial. A sugestão é que o governo nacionalista hindu do primeiro-ministro Narendra Modi age sob a inspiração de uma ideologia comparável ao nazismo.
Sob intensa pressão doméstica para tomar uma atitude, Khan comparou a situação da Caxemira a um "genocídio iminente". Ele acusou a Índia de querer mudar "a democracia da Caxemira através de uma purificação étnica: A questão é: o mundo vai assistir e apaziguar como fizeram com Hitler em Munique."
Na visão de Khan, a ideologia do Partido Bharatiya Janata (BJP), nacionalista hindu, "vai levar à supressao dos muçulmanos na Índia e, no fim das contas, a ataques ao Paquistão."
Único estado indiano com maioria muçulmana, a Caxemira é um foco de tensão que já causou três guerras entre os dois países, em 1947, 1965 e 1999, desde que se tornaram independentes do Império Britânico, em agosto de 1947.
Quando o país se dividiu, as províncias de maioria hindu formaram a Índia e as de maioria muçulmana formaram o Paquistão. Na Caxemira, a maioria da população era muçulmana, mas a elite dirigente era hindu. A tentativa de solução foi criar um país independente.
Dois meses depois da divisão, tribos paquistanesas invadiram a Caxemira. Quando o último governador colonial, o marajá Hari Singh, pediu ajuda à Índia, o governo indiano declarou que só poderia agir se ele aderisse oficialmente à Índia.
O marajá fez isso. O Exécito da Índia entrou na guerra, mas o Paquistão acabou ficando com 35% da Caxemira e até reivindica a soberania sobre toda a região.
A solução na época foi dar autonomia à Caxemira para fazer suas próprias leis, o que estava expresso no artigo 370 da Constituição da Índia, revogado por iniciativa do governo Modi.
O ultranacionalismo hindu do BJP sempre viu a Índia como um país hindu, mas os pais da pátria, o herói da independência, Mohandas Gandhi, e o primeiro primeiro-ministro indiano, Jawaharlal Nehru, decidiram criar um país inclusivo, multiétnico e multirreligioso. Isso levou ao assassinato de Gandhi por um extremista hindu, em 30 de janeiro de 1948.
Durante décadas, o Partido do Congresso, de Gandhi e Nehru, dominou a política da Índia. Nas últimas décadas, houve uma ascensão do BJP, que venceu as duas últimas eleições, em 2014 e 2019. Nesse período, Índia e Paquistão se tornaram potências nucleares.
Desde 1989, o movimento muçulmano da Caxemira aderiu à luta armada contra a Índia, um conflito responsável por cerca de 45 mil mortes. Para o ultranacionalismo do BJP, a Caxemira sempre foi um problema incômodo.
Antes de ser eleito primeiro-ministro, Modi foi acusado várias vezes de cumplicidade ou tolerância com massacres de muçulmanos e ataques a mesquitas. Era proibido de entrar nos Estados Unidos.
Depois de ganhar as segundas eleições consecutivas, ampliando sua maioria parlamentar, Modi partiu para a integração total da Caxemira na união indiana, sob a alegação de que há muito tempo a região está sujeita às "conspirações paquistanesas para promover o terrorismo e o separatismo".
"Deem-nos cinco anos e faremos da Caxemira o estado mais desenvolvido da Índia", afirmou o ministro do Interior indiano, Amit Shah, um dos extremistas de direita do governo.
Para revogar a autonomia, Modi enviou 15 mil policiais militares à Caxemira, impôs um toque de recolher noturno e cortou as telecomunicações na região, causando revolta no Paquistão, que defende a realização de um plebiscito sobre o futuro da Caxemira.
Em resposta, o Paquistão rebaixou as relações diplomáticas entre os dois países, expulsou o embaixador da Índia, suspendeu todo o comércio bilateral e os transportes ligando um país ao outro, apelou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e ao Tribunal Internacional de Justiça.
Ao fazer a comparação com o nazismo, o primeiro-ministro paquistanês cita uma história que o Ocidente conhece bem, na esperança de obter ajuda internacional. A Índia rejeita a internacionalização do que considera uma questão interna.
O presidente Donald Trump ofereceu a mediação dos EUA, mas a Índia só admite negociar bilateralmente com o Paquistão, a parte mais fraca. Mas é uma parte mais fraca com armas nucleares.
Sob intensa pressão doméstica para tomar uma atitude, Khan comparou a situação da Caxemira a um "genocídio iminente". Ele acusou a Índia de querer mudar "a democracia da Caxemira através de uma purificação étnica: A questão é: o mundo vai assistir e apaziguar como fizeram com Hitler em Munique."
Na visão de Khan, a ideologia do Partido Bharatiya Janata (BJP), nacionalista hindu, "vai levar à supressao dos muçulmanos na Índia e, no fim das contas, a ataques ao Paquistão."
Único estado indiano com maioria muçulmana, a Caxemira é um foco de tensão que já causou três guerras entre os dois países, em 1947, 1965 e 1999, desde que se tornaram independentes do Império Britânico, em agosto de 1947.
Quando o país se dividiu, as províncias de maioria hindu formaram a Índia e as de maioria muçulmana formaram o Paquistão. Na Caxemira, a maioria da população era muçulmana, mas a elite dirigente era hindu. A tentativa de solução foi criar um país independente.
Dois meses depois da divisão, tribos paquistanesas invadiram a Caxemira. Quando o último governador colonial, o marajá Hari Singh, pediu ajuda à Índia, o governo indiano declarou que só poderia agir se ele aderisse oficialmente à Índia.
O marajá fez isso. O Exécito da Índia entrou na guerra, mas o Paquistão acabou ficando com 35% da Caxemira e até reivindica a soberania sobre toda a região.
A solução na época foi dar autonomia à Caxemira para fazer suas próprias leis, o que estava expresso no artigo 370 da Constituição da Índia, revogado por iniciativa do governo Modi.
O ultranacionalismo hindu do BJP sempre viu a Índia como um país hindu, mas os pais da pátria, o herói da independência, Mohandas Gandhi, e o primeiro primeiro-ministro indiano, Jawaharlal Nehru, decidiram criar um país inclusivo, multiétnico e multirreligioso. Isso levou ao assassinato de Gandhi por um extremista hindu, em 30 de janeiro de 1948.
Durante décadas, o Partido do Congresso, de Gandhi e Nehru, dominou a política da Índia. Nas últimas décadas, houve uma ascensão do BJP, que venceu as duas últimas eleições, em 2014 e 2019. Nesse período, Índia e Paquistão se tornaram potências nucleares.
Desde 1989, o movimento muçulmano da Caxemira aderiu à luta armada contra a Índia, um conflito responsável por cerca de 45 mil mortes. Para o ultranacionalismo do BJP, a Caxemira sempre foi um problema incômodo.
Antes de ser eleito primeiro-ministro, Modi foi acusado várias vezes de cumplicidade ou tolerância com massacres de muçulmanos e ataques a mesquitas. Era proibido de entrar nos Estados Unidos.
Depois de ganhar as segundas eleições consecutivas, ampliando sua maioria parlamentar, Modi partiu para a integração total da Caxemira na união indiana, sob a alegação de que há muito tempo a região está sujeita às "conspirações paquistanesas para promover o terrorismo e o separatismo".
"Deem-nos cinco anos e faremos da Caxemira o estado mais desenvolvido da Índia", afirmou o ministro do Interior indiano, Amit Shah, um dos extremistas de direita do governo.
Para revogar a autonomia, Modi enviou 15 mil policiais militares à Caxemira, impôs um toque de recolher noturno e cortou as telecomunicações na região, causando revolta no Paquistão, que defende a realização de um plebiscito sobre o futuro da Caxemira.
Em resposta, o Paquistão rebaixou as relações diplomáticas entre os dois países, expulsou o embaixador da Índia, suspendeu todo o comércio bilateral e os transportes ligando um país ao outro, apelou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e ao Tribunal Internacional de Justiça.
Ao fazer a comparação com o nazismo, o primeiro-ministro paquistanês cita uma história que o Ocidente conhece bem, na esperança de obter ajuda internacional. A Índia rejeita a internacionalização do que considera uma questão interna.
O presidente Donald Trump ofereceu a mediação dos EUA, mas a Índia só admite negociar bilateralmente com o Paquistão, a parte mais fraca. Mas é uma parte mais fraca com armas nucleares.
Uruguai e Japão alertam viajantes sobre tiroteios nos EUA
O Ministério do Exterior do Uruguai advertiu os cidadãos daquele país que viajam aos Estados Unidos sobre o risco de serem vítimas de um ataque a tiros por causa da "crescente violência indiscriminada. Um cônsul do Japão deu aviso semelhante.
Os uruguaios foram aconselhados a evitar "parques temáticos, centros comerciais, festivais, eventos religiosos, feiras gastronômicas e qualquer tipo de eventos culturais ou esportivos".
Em Detroit, o cônsul japonês alertou que turistas do Japão "devem estar atentos a possíveis atentados com armas de fogo em todos os EUA", que descreveu como uma "sociedade armada".
O Japão tem mil vezes menos homicídios do que os EUA. A posse e o porte de armas são rigorosamente proibidos. O índice de homicídios é de 0,3 pessoas para cada 100 mil habitantes. Nos EUA, é de 5,3 por 100 mil habitantes.
Os uruguaios foram aconselhados a evitar "parques temáticos, centros comerciais, festivais, eventos religiosos, feiras gastronômicas e qualquer tipo de eventos culturais ou esportivos".
Em Detroit, o cônsul japonês alertou que turistas do Japão "devem estar atentos a possíveis atentados com armas de fogo em todos os EUA", que descreveu como uma "sociedade armada".
O Japão tem mil vezes menos homicídios do que os EUA. A posse e o porte de armas são rigorosamente proibidos. O índice de homicídios é de 0,3 pessoas para cada 100 mil habitantes. Nos EUA, é de 5,3 por 100 mil habitantes.
sábado, 10 de agosto de 2019
Coreia do Norte testa mísseis e pede reinício do diálogo com os EUA
A Coreia do Norte disparou hoje dois mísseis de curto alcance. Em carta ao presidente Donald Trump, o ditador Kim Jong Un declarou que os testes são uma resposta às "ridículas e caras" manobras militares conjuntas realizadas neste mês pelos Estados Unidos e a Coreia do Sul - e propôs a retomada das negociações entre os dois países.
O teste aconteceu horas depois de Trump anunciar ter recebido uma "carta muito linda" de Kim. Os dois líderes se encontraram pela terceira vez em 30 de junho, na zona desmilitarizada entre as duas Coreias, e combinaram retomar as negociações para desnuclearizar a Península Coreana.
As Forças Armadas da Coreia do Sul estimaram que os mísseis subiram a uma altitude de 48 quilômetros e percorreram uma distância de cerca de 400 km. O presidente minimizou a importância dos testes: "Vou repetir: não houve mais testes nucleares. Os testes de mísseis foram todos de curto alcance. Não houve testes de mísseis balísticos. Nem de mísseis de longo alcance."
Trump está errado. Eram mísseis balísticos de curto alcance. Caso contrário, não subiriam 48 km. Não podem atingir o território continental dos EUA, mas podem atacar aliados e tropas americanas na região.
O regime comunista norte-coreano alega que as manobras conjuntas dos EUA e da Coreia do Sul são um treinamento para invadir o país.
O teste aconteceu horas depois de Trump anunciar ter recebido uma "carta muito linda" de Kim. Os dois líderes se encontraram pela terceira vez em 30 de junho, na zona desmilitarizada entre as duas Coreias, e combinaram retomar as negociações para desnuclearizar a Península Coreana.
As Forças Armadas da Coreia do Sul estimaram que os mísseis subiram a uma altitude de 48 quilômetros e percorreram uma distância de cerca de 400 km. O presidente minimizou a importância dos testes: "Vou repetir: não houve mais testes nucleares. Os testes de mísseis foram todos de curto alcance. Não houve testes de mísseis balísticos. Nem de mísseis de longo alcance."
Trump está errado. Eram mísseis balísticos de curto alcance. Caso contrário, não subiriam 48 km. Não podem atingir o território continental dos EUA, mas podem atacar aliados e tropas americanas na região.
O regime comunista norte-coreano alega que as manobras conjuntas dos EUA e da Coreia do Sul são um treinamento para invadir o país.
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sexta-feira, 9 de agosto de 2019
Ultradireita propõe voto de desconfiança para derrubar governo da Itália
A Liga, um partido nacionalista e fascistoide, apresentou hoje ao Congresso da Itália uma moção de desconfiança para derrubar o primeiro-ministro Giuseppe Conte. É uma manobra para derrubar o governo de coalizão entre o Movimento 5 Estrelas, anarquista, e a própria Liga, parceira menor na aliança.
O objetivo do líder da Liga, o vice-primeiro-ministro e ministro do Interior, Matteo Salvini, é antecipar as eleições parlamentares na esperança de formar um governo sozinha ou com pequenos partidos de direita. As pesquisas de opinião dão 40% das preferências do eleitorado à Liga, que venceu as eleições para o Parlamento Europeu, em maio, com 34% dos votos.
O atual governo, no poder há um ano e dois meses, é resultado da aliança de dois países que fizeram campanha para as últimas eleições, realizadas em 4 de março de 2018, contra os partidos políticos tradicionais. Meu comentário:
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O objetivo do líder da Liga, o vice-primeiro-ministro e ministro do Interior, Matteo Salvini, é antecipar as eleições parlamentares na esperança de formar um governo sozinha ou com pequenos partidos de direita. As pesquisas de opinião dão 40% das preferências do eleitorado à Liga, que venceu as eleições para o Parlamento Europeu, em maio, com 34% dos votos.
O atual governo, no poder há um ano e dois meses, é resultado da aliança de dois países que fizeram campanha para as últimas eleições, realizadas em 4 de março de 2018, contra os partidos políticos tradicionais. Meu comentário:
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quinta-feira, 8 de agosto de 2019
Salvini tenta derrubar governo e antecipar eleições na Itália
Depois de 14 meses no poder, o governo da Itália está por um fio. A coalizão do Movimento 5 Estrelas, anarquista, com a Liga, neofascista, está à beira do colapso. O vice-primeiro-ministro e ministro do Interior, Matteo Salvini, pediu hoje a convocação de eleições antecipadas para outubro. Mas mesmo que a Liga saia do governo, há vários passos necessários antes da realização de novas eleições.
As divergências entre a Liga e o M5E aumentaram nas últimas semanas. A gota d'água foi o voto do M5E no ontem Senado contra o projeto de construção de uma ferrovia de alta velocidade entre a França e a Itália, apoiado pela Liga.
Hoje, Salvini foi ao Palácio do Quirinal e pediu ao presidente Sergio Mattarella pedir a antecipação das eleições. Ele aposta numa vitória da Liga, que teria 40% das preferências do eleitorado, o que permitiria formar um governo sozinha ou com pequenos partidos de direita.
Cabe ao presidente a decisão de dissolver o Congresso e convocar o pleito. Há pouco, Mattarella defendeu a instabilidade institucional e falou contra antecipar as eleições. Mas não tem muitas opções.
O presidente pode pedir ao M5E e à Liga que formem um novo governo, possivelmente com um ministério diferente. Antes desta crise, a Liga estava defendendo a substituição do ministro da Economia, Giovanni Tria, um tecnocrata, por um ministro mais alinhado com suas ideias antieuropeias. Mas os dois parceiros precisam se entender.
Salvini deu até prazo até segunda-feira para o primeiro-ministro Giuseppe Conte fazer uma reforma ministerial. Quer também a cabeça do ministro dos Transportes, Danilo Toninelli.
"Como num casamento, se você passa a maior parte do tempo brigando e trocando insultos em vez de fazer amor, é melhor olhar nos olhos um do outro e tomar uma decisão adulta", afirmou o vice-primeiro-ministro, prometendo uma decisão "nas próximas horas".
O líder do M5E, Luigi di Maio, pediu à Liga que fique no governo até setembro, quando o Congresso da Itália deve votar a redução do número de parlamentares. É uma jogada para legitimar a postura do M5E contra os políticos tradicionais e pressionar a Liga a aprovar uma medida popular junto ao eleitorado.
Mattarella também pode pedir a outros partidos que formem um novo governo sem a Liga. Uma coligação do M5E com o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, teria maioria no Congresso, mas o relacionamento entre esses dois partidos não é bom. O secretário-geral do PD, Nicola Zingaretti, declarou hoje que o partido está pronto para disputar as eleições.
Um governo de minoria do M5E precisaria do apoio de outros partidos para ser aprovado.
Se os partidos não conseguirem formar um governo, o presidente terá de dissolver o Congresso e convocar eleições em 45 a 70 dias. A votação seria um outubro. É um mês difícil.
A Itália tem de apresentar sua proposta orçamentária à Comissão Europeia até 15 de outubro, o que exige a aprovação prévia pela maioria do Congresso. Seria difícil em meio a uma campanha eleitoral.
Com sua política antieuropeia, a Liga não quer se submeter às restrições orçamentárias impostas por Bruxelas por causa da dívida pública italiana, de 132% do produto interno bruto, mais do dobro dos 60%, limite previsto no pacto de estabilidade para sustentar o euro. Populista, Salvini quer mais gastos públicos e menos impostos.
A mistura de baixo crescimento, dívida elevada e governo instável faz da Itália o país mais problemático da Zona do Euro. O custo de refinanciamento da dívida italiana está muito abaixo do nível de juros que tinha de pagar em 2012, no auge da Crise do Euro, mas é maior do que quando o atual governo assumiu, em 1º de junho de 2018.
As divergências entre a Liga e o M5E aumentaram nas últimas semanas. A gota d'água foi o voto do M5E no ontem Senado contra o projeto de construção de uma ferrovia de alta velocidade entre a França e a Itália, apoiado pela Liga.
Hoje, Salvini foi ao Palácio do Quirinal e pediu ao presidente Sergio Mattarella pedir a antecipação das eleições. Ele aposta numa vitória da Liga, que teria 40% das preferências do eleitorado, o que permitiria formar um governo sozinha ou com pequenos partidos de direita.
Cabe ao presidente a decisão de dissolver o Congresso e convocar o pleito. Há pouco, Mattarella defendeu a instabilidade institucional e falou contra antecipar as eleições. Mas não tem muitas opções.
O presidente pode pedir ao M5E e à Liga que formem um novo governo, possivelmente com um ministério diferente. Antes desta crise, a Liga estava defendendo a substituição do ministro da Economia, Giovanni Tria, um tecnocrata, por um ministro mais alinhado com suas ideias antieuropeias. Mas os dois parceiros precisam se entender.
Salvini deu até prazo até segunda-feira para o primeiro-ministro Giuseppe Conte fazer uma reforma ministerial. Quer também a cabeça do ministro dos Transportes, Danilo Toninelli.
"Como num casamento, se você passa a maior parte do tempo brigando e trocando insultos em vez de fazer amor, é melhor olhar nos olhos um do outro e tomar uma decisão adulta", afirmou o vice-primeiro-ministro, prometendo uma decisão "nas próximas horas".
O líder do M5E, Luigi di Maio, pediu à Liga que fique no governo até setembro, quando o Congresso da Itália deve votar a redução do número de parlamentares. É uma jogada para legitimar a postura do M5E contra os políticos tradicionais e pressionar a Liga a aprovar uma medida popular junto ao eleitorado.
Mattarella também pode pedir a outros partidos que formem um novo governo sem a Liga. Uma coligação do M5E com o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, teria maioria no Congresso, mas o relacionamento entre esses dois partidos não é bom. O secretário-geral do PD, Nicola Zingaretti, declarou hoje que o partido está pronto para disputar as eleições.
Um governo de minoria do M5E precisaria do apoio de outros partidos para ser aprovado.
Se os partidos não conseguirem formar um governo, o presidente terá de dissolver o Congresso e convocar eleições em 45 a 70 dias. A votação seria um outubro. É um mês difícil.
A Itália tem de apresentar sua proposta orçamentária à Comissão Europeia até 15 de outubro, o que exige a aprovação prévia pela maioria do Congresso. Seria difícil em meio a uma campanha eleitoral.
Com sua política antieuropeia, a Liga não quer se submeter às restrições orçamentárias impostas por Bruxelas por causa da dívida pública italiana, de 132% do produto interno bruto, mais do dobro dos 60%, limite previsto no pacto de estabilidade para sustentar o euro. Populista, Salvini quer mais gastos públicos e menos impostos.
A mistura de baixo crescimento, dívida elevada e governo instável faz da Itália o país mais problemático da Zona do Euro. O custo de refinanciamento da dívida italiana está muito abaixo do nível de juros que tinha de pagar em 2012, no auge da Crise do Euro, mas é maior do que quando o atual governo assumiu, em 1º de junho de 2018.
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China articula acordo de livre comércio rival da Parceria Transpacífica
Em plena guerra comercial com os Estados Unidos, a China tenta fechar o maior acordo regional de livre comércio do mundo para se apresentar como defensora do sistema multilateral de comércio e líder do desenvolvimento regional no Leste da Ásia.
O presidente Barack Obama negociou a Parceria Transpacífica, um acordo de livre comércio de 12 países da orla do Oceano Pacífico.O objetivo criar uma ordem econômica regional antes que a China o fizesse. Obama queria evitar que a superpotência ascendente, hoje segunda maior economia do mundo, impusesse suas próprias regras aos países vizinhos.
Com sua obsessão de destruir tudo o que Obama fez, o presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos da Parceria Transpacífica no primeiro dia de governo.
Agora, diante da expectativa de não conseguir fechar um acordo construtivo com o governo Trump, a China toca seus próprios projetos. Além da Iniciativa Um Cinturão, Uma Estrada, uma série de obras de infraestrutura, estradas e portos ao longo do antigo Caminho da Seda, que ligava o Leste da Ásia à Europa, a China negocia um acordo de livre comércio: a Parceria Econômica Regional Ampla. Meu comentário:
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quarta-feira, 7 de agosto de 2019
EUA fazem exigências para fechar novo acordo com o Irã
O secretário de Estado, Mike Pompeo, citou hoje quatro questões fundamentais para que os Estados Unidos façam um novo acordo com a República Islâmica do Irã: proibição de fabricar armas atômicas e de desenvolver tecnologia de mísseis, apoio a milícia e grupos terroristas e mudar o tratamento de cidadãos americanos presos naquele país.
Estas exigências foram delineadas pelo chefe da diplomacia americana em artigo publicado no jornal USA Today. Há enormes obstáculos para negociar tal acordo.
A ditadura teocrática iraniana anunciou na semana passada que seus depósitos de água pesada superaram o limite de 130 toneladas previsto no acordo nuclear assinado em 2015 com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar seu programa nuclear militar por 10 anos.
Em 8 de maio de 2018, contrariando os relatórios de inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e dos serviços secretos ocidentais, o presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos do acordo e impôs duras sanções econômicas para impedir o Irã de exportar petróleo.
Sob pressão da guerra econômica do governo Trump, o produto interno bruto da economia iraniana deve cair 6% neste ano e a inflação está em cerca de 50% ao ano.
Nos últimos meses, o regime dos aiatolás anunciou a intenção de parar de cumprir partes do acordo. Estourou o limite dos estoques de urânio enriquecido imposto pelo acordo (130 kg) e anunciou a intenção de enriquecer urânio a 20%, teor usado em equipamentos de medicina nuclear, um passo para chegar aos 90% necessários para uma bomba atômica, e de reativar o reator de Arak.
Ao mesmo tempo, a Guarda Revolucionária Iraniana passou a atacar navios petroleiros no Golfo Pérsico, por onde passam 20% do petróleo exportado no mundo.
Há dois dias, o Irã deu o prazo de um mês aos países da Europa para resgatarem a economia do país, aliviando as sanções dos EUA. A União Europeia chegou a criar um sistema de pagamentos para não usar o mercado financeiro do dólar, mas as empresas europeias resistem, temendo as sanções cruzadas dos EUA com quem fizer negócios com o Irã.
Estas exigências foram delineadas pelo chefe da diplomacia americana em artigo publicado no jornal USA Today. Há enormes obstáculos para negociar tal acordo.
A ditadura teocrática iraniana anunciou na semana passada que seus depósitos de água pesada superaram o limite de 130 toneladas previsto no acordo nuclear assinado em 2015 com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar seu programa nuclear militar por 10 anos.
Em 8 de maio de 2018, contrariando os relatórios de inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e dos serviços secretos ocidentais, o presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos do acordo e impôs duras sanções econômicas para impedir o Irã de exportar petróleo.
Sob pressão da guerra econômica do governo Trump, o produto interno bruto da economia iraniana deve cair 6% neste ano e a inflação está em cerca de 50% ao ano.
Nos últimos meses, o regime dos aiatolás anunciou a intenção de parar de cumprir partes do acordo. Estourou o limite dos estoques de urânio enriquecido imposto pelo acordo (130 kg) e anunciou a intenção de enriquecer urânio a 20%, teor usado em equipamentos de medicina nuclear, um passo para chegar aos 90% necessários para uma bomba atômica, e de reativar o reator de Arak.
Ao mesmo tempo, a Guarda Revolucionária Iraniana passou a atacar navios petroleiros no Golfo Pérsico, por onde passam 20% do petróleo exportado no mundo.
Há dois dias, o Irã deu o prazo de um mês aos países da Europa para resgatarem a economia do país, aliviando as sanções dos EUA. A União Europeia chegou a criar um sistema de pagamentos para não usar o mercado financeiro do dólar, mas as empresas europeias resistem, temendo as sanções cruzadas dos EUA com quem fizer negócios com o Irã.
Paquistão reage ao fim da autonomia da Caxemira
O Conselho de Segurança Nacional do Paquistão decidiu hoje expulsar o embaixador da Índia, suspender todo o comércio bilateral e revisar os acordos bilaterais. E a resposta inicial à decisão do governo nacionalista hindu do primeiro-ministro Narendra Modi de acabar com o estado de Jamu e Caxemira, que foi dividido em duas unidades federativas rebaixadas a territórios, passando para a administração direta do governo central em Nova Déli.
Desde que os dois países se tornaram independentes do Império Britânico, em 1947, o Paquistão reivindica a soberania sobre a Caxemira. O primeiro-ministro Imran promete recorrer ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e ao Tribunal Internacional de Justiça.
Ao revogar o artigo 370 da Constituição da Índia, que dava autonomia regional à Caxemira, o governo Modi tira da região o direito de fazer suas próprias leis e permite que indianos não residentes possam comprar propriedades, se candidatar a empregos e bolsas de estudos na Caxemira. Isto pode mudar a composição demográfica do que era o único estado da Índia de maioria muçulmana.
Desde que os dois países se tornaram independentes do Império Britânico, em 1947, o Paquistão reivindica a soberania sobre a Caxemira. O primeiro-ministro Imran promete recorrer ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e ao Tribunal Internacional de Justiça.
Ao revogar o artigo 370 da Constituição da Índia, que dava autonomia regional à Caxemira, o governo Modi tira da região o direito de fazer suas próprias leis e permite que indianos não residentes possam comprar propriedades, se candidatar a empregos e bolsas de estudos na Caxemira. Isto pode mudar a composição demográfica do que era o único estado da Índia de maioria muçulmana.
O primeiro-ministro
paquistanês, Imran Khan, denunciou a manobra como uma tentativa de fazer uma “purificação
étnica”. A China, que domina 20% da Caxemira, também protestou. O Ministério do
Exterior da Índia alegou que é uma questão interna da Índia. Meu comentário:
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Índia aprova divisão de Jamu e Caxemira em dois territórios
A Lok Sabha, a Câmara dos Deputados da Índia, aprovou ontem a divisão do estado de Jamu e Caxemira em dois territórios federais, rebaixando-os e colocando-os sob administração direta do governo central. O Senado havia aprovado o projeto na véspera.
Depois de uma vitória esmagadora nas eleições de abril e maio passados, o primeiro-ministro nacionalista hindu Narendra Modi e o Partido Bharatiya Janata (BJP) decidiram levar adiante o antigo projeto de integrar totalmente a região da Caxemira na união federal da Índia.
Na segunda-feira, o governo indiano havia revogado a autonomia regional do estado de Jamu e Caxemira, sob protestos do vizinho Paquistão, que reivindica a soberania sobre a região, onde a maioria da população é muçulmana.
Desde a independência do Império Britânico e da divisão do país, Índia e Paquistão disputam a região da Caxemira, objeto de três guerras entre os inimigos históricos, em 1947, 1965 e 1999. Na separação, as regiões de maioria hindu formaram a Índia e as áreas de maioria muçulmana, o Paquistão.
Na Caxemira, apesar da maioria muçulmana, o último governador imperial, marajá Hari Singh, optou por aderir à Índia, gerando esta guerra sem fim entre dois vizinhos que hoje têm armas nucleares. O Paquistão cobra a realização de um plebiscito, mas a Índia não admite a possibilidade de ceder parte de seu território.
Antes do anúncio, Modi enviou 35 mil policiais militares a Jamu e Caxemira. Vários líderes políticos locais foram colocados em prisão domiciliar. Muita gente hoje na região defende a independência da Caxemira para sair do fogo cruzado deste conflito indo-paquistanês. A situação é tensa e o Paquistão vai reagir.
Desde 1989, uma facção do movimento muçulmano para tirar a Caxemira da Índia aderiu à luta armada. O poderoso Serviço de Inteligência das Forças Armadas do Paquistão arma vários grupos armados extremistas numa guerra indireta com a Índia.
Depois de uma vitória esmagadora nas eleições de abril e maio passados, o primeiro-ministro nacionalista hindu Narendra Modi e o Partido Bharatiya Janata (BJP) decidiram levar adiante o antigo projeto de integrar totalmente a região da Caxemira na união federal da Índia.
Na segunda-feira, o governo indiano havia revogado a autonomia regional do estado de Jamu e Caxemira, sob protestos do vizinho Paquistão, que reivindica a soberania sobre a região, onde a maioria da população é muçulmana.
Desde a independência do Império Britânico e da divisão do país, Índia e Paquistão disputam a região da Caxemira, objeto de três guerras entre os inimigos históricos, em 1947, 1965 e 1999. Na separação, as regiões de maioria hindu formaram a Índia e as áreas de maioria muçulmana, o Paquistão.
Na Caxemira, apesar da maioria muçulmana, o último governador imperial, marajá Hari Singh, optou por aderir à Índia, gerando esta guerra sem fim entre dois vizinhos que hoje têm armas nucleares. O Paquistão cobra a realização de um plebiscito, mas a Índia não admite a possibilidade de ceder parte de seu território.
Antes do anúncio, Modi enviou 35 mil policiais militares a Jamu e Caxemira. Vários líderes políticos locais foram colocados em prisão domiciliar. Muita gente hoje na região defende a independência da Caxemira para sair do fogo cruzado deste conflito indo-paquistanês. A situação é tensa e o Paquistão vai reagir.
Desde 1989, uma facção do movimento muçulmano para tirar a Caxemira da Índia aderiu à luta armada. O poderoso Serviço de Inteligência das Forças Armadas do Paquistão arma vários grupos armados extremistas numa guerra indireta com a Índia.
terça-feira, 6 de agosto de 2019
EUA e China correm risco de entrar numa guerra econômica total
Numa escalada perigosa, a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China ameaça virar uma guerra cambial e uma guerra econômica total, capaz de levar a um conflito armado. É uma confrontação estratégica, econômica, científica, tecnológica e militar pela supremacia mundial.
O Banco Popular da China voltou a sustentar o yuan depois que o país foi acusado pelo Tesouro dos Estados Unidos de manipular o câmbio por deixar a moeda cair abaixo de sete yuans por dólares para, na visão americana, “ter uma vantagem competitiva injusta no comércio internacional”.
A China tem paciência estratégica. Ao que tudo indica, o governo chinês está convencido de que não vai conseguir fazer um acordo comercial vantajoso com Trump. O Banco Goldman Sachs avisou os clientes que não espera um acordo entre as duas maiores economias do mundo antes da eleição de novembro de 2020 nos Estados Unidos.
O governo chinês aposta em fazer um acordo melhor com um presidente do Partido Democrata na Casa Branca. Trump é considerado instável, temperamental e inconfiável. Meu comentário:
O Banco Popular da China voltou a sustentar o yuan depois que o país foi acusado pelo Tesouro dos Estados Unidos de manipular o câmbio por deixar a moeda cair abaixo de sete yuans por dólares para, na visão americana, “ter uma vantagem competitiva injusta no comércio internacional”.
A China tem paciência estratégica. Ao que tudo indica, o governo chinês está convencido de que não vai conseguir fazer um acordo comercial vantajoso com Trump. O Banco Goldman Sachs avisou os clientes que não espera um acordo entre as duas maiores economias do mundo antes da eleição de novembro de 2020 nos Estados Unidos.
O governo chinês aposta em fazer um acordo melhor com um presidente do Partido Democrata na Casa Branca. Trump é considerado instável, temperamental e inconfiável. Meu comentário:
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Índia revoga a autonomia da Caxemira e aumenta tensão com o Paquistão
O governo nacionalista hindu da Índia suprimiu ontem a autonomia do estado de Jamu e Caxemira, onde a população de maioria muçulmana gostaria de anexar a região, disputada desde a independência do Império Britânico, em 1947, com o vizinho Paquistão.
"A Constituição será aplicada integralmente em Jamu e Caxemira", anunciou o ministro do Interior, Amit Shah, privando o estado de fazer suas próprias leis. A medida foi tomada depois que a Índia mandou 35 mil policiais militares para a região, descrevendo este envio como uma "operação normal".
Ontem, para evitar uma reação, a Índia cortou a internet e os telefones em Jamu e Caxemira e colocou líderes políticos locais em prisão domiciliar.
A iniciativa do governo Narendra Modi indignou o Paquistão: "Como parte deste contencioso internacional, o Paquistão empregará todos os meios possíveis para ir contra este decisão ilegal", deplorou em nota o Ministério do Exterior paquistanês.
Centenas de pessoas protestaram em Lahore, a grande cidade do Leste do Paquistão. Desde 1947, Índia e Paquistão travaram quatro guerras, sendo três sobre a Caxemira, o principal motivo da discórdia.
Quando os dois países se tornaram independentes, as regiões de maioria hindu formaram a Índia e as regiões de maioria muçulmana, o Paquistão. Pelo menos 2 milhões de pessoas morreram e 10 milhões emigraram para ficar do lado certo da fronteira.
Na Caxemira, o governador colonial, o marajá Hari Singh, optou pela Índia, apesar da maioria muçulmana, origem do conflito que se arrasta até hoje entre dois países que têm armas nucleares.
Analistas internacionais acreditam que a decisão da Índia de revogar a autonomia da Caxemira foi tomada depois da oferta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de mediar o conflito. A Índia se nega internacionalizar o que considera um problema interno. Só admite negociar bilateralmente com o Paquistão, sem qualquer interferência externa.
"A Constituição será aplicada integralmente em Jamu e Caxemira", anunciou o ministro do Interior, Amit Shah, privando o estado de fazer suas próprias leis. A medida foi tomada depois que a Índia mandou 35 mil policiais militares para a região, descrevendo este envio como uma "operação normal".
Ontem, para evitar uma reação, a Índia cortou a internet e os telefones em Jamu e Caxemira e colocou líderes políticos locais em prisão domiciliar.
A iniciativa do governo Narendra Modi indignou o Paquistão: "Como parte deste contencioso internacional, o Paquistão empregará todos os meios possíveis para ir contra este decisão ilegal", deplorou em nota o Ministério do Exterior paquistanês.
Centenas de pessoas protestaram em Lahore, a grande cidade do Leste do Paquistão. Desde 1947, Índia e Paquistão travaram quatro guerras, sendo três sobre a Caxemira, o principal motivo da discórdia.
Quando os dois países se tornaram independentes, as regiões de maioria hindu formaram a Índia e as regiões de maioria muçulmana, o Paquistão. Pelo menos 2 milhões de pessoas morreram e 10 milhões emigraram para ficar do lado certo da fronteira.
Na Caxemira, o governador colonial, o marajá Hari Singh, optou pela Índia, apesar da maioria muçulmana, origem do conflito que se arrasta até hoje entre dois países que têm armas nucleares.
Analistas internacionais acreditam que a decisão da Índia de revogar a autonomia da Caxemira foi tomada depois da oferta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de mediar o conflito. A Índia se nega internacionalizar o que considera um problema interno. Só admite negociar bilateralmente com o Paquistão, sem qualquer interferência externa.
Trump congela todos os bens da Venezuela nos EUA
Por decreto, o presidente Donald Trump ordenou ontem o congelamento de todos os ativos da Venezuela e proibiu qualquer transação com a ditadura de Nicolás Maduro, sob pena de sanções, noticiou hoje o jornal The Wall Street Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova York.
Este embargo total é mais uma tentativa dos Estados Unidos de aumentar a pressão sobre o regime chavista e forçar sua queda. A Venezuela já está sob sanções, especialmente a companhia estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA). O sucesso da nova medida depende da capacidade do governo americano que impor o embargo enquanto China e Russia mantêm o apoio a Maduro.
Ao reagir às novas sanções, o governo venezuelano acusou os EUA de "terrorismo econômico". Os EUA adotaram este tipo de embargo contra Cuba e a Coreia do Norte, sem conseguir derrubar seus regimes comunistas.
Em janeiro, o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, foi proclamado presidente interino. Seu governo paralelo foi reconhecido pelos EUA, pela maioria dos países da América Latina, inclusive o Brasil, e pela maioria da União Europeia.
O governo Trump tentou usar uma operação de ajuda humanitária para desestabilizar Maduro e Guaidó chegou a convocar um levante popular e militar contra a ditadura, mas a cúpula das Forças Armadas manteve o apoio ao regime chavista.
Durante o último encontro do presidente Jair Bolsonaro com Trump, na reunião do Grupo dos 20 em Osaka, no Japão, no fim de junho, o Brasil deixou claro que não vai participar de qualquer intervenção militar na Venezuela. Trump e Bolsonaro também manifestaram preocupação com uma possível derrota do presidente Mauricio Macri na eleição presidencial de outubro na Argentina.
Este embargo total é mais uma tentativa dos Estados Unidos de aumentar a pressão sobre o regime chavista e forçar sua queda. A Venezuela já está sob sanções, especialmente a companhia estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA). O sucesso da nova medida depende da capacidade do governo americano que impor o embargo enquanto China e Russia mantêm o apoio a Maduro.
Ao reagir às novas sanções, o governo venezuelano acusou os EUA de "terrorismo econômico". Os EUA adotaram este tipo de embargo contra Cuba e a Coreia do Norte, sem conseguir derrubar seus regimes comunistas.
Em janeiro, o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, foi proclamado presidente interino. Seu governo paralelo foi reconhecido pelos EUA, pela maioria dos países da América Latina, inclusive o Brasil, e pela maioria da União Europeia.
O governo Trump tentou usar uma operação de ajuda humanitária para desestabilizar Maduro e Guaidó chegou a convocar um levante popular e militar contra a ditadura, mas a cúpula das Forças Armadas manteve o apoio ao regime chavista.
Durante o último encontro do presidente Jair Bolsonaro com Trump, na reunião do Grupo dos 20 em Osaka, no Japão, no fim de junho, o Brasil deixou claro que não vai participar de qualquer intervenção militar na Venezuela. Trump e Bolsonaro também manifestaram preocupação com uma possível derrota do presidente Mauricio Macri na eleição presidencial de outubro na Argentina.
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China para de comprar produtos agrícolas dos EUA
Em resposta ao tarifaço de 10% sobre US$ 300 bilhões em importações anuais da China anunciado pelo presidente Donald Trump na sexta-feira passada, o governo chinês decidiu hoje parar de comprar produtos agrícolas dos Estados Unidos e pode impor tarifas aos que já comprou.
"Esta foi uma séria violação do [que ficou acertado no] encontro dos chefes de Estado dos EUA e da China", declarou o Ministério do Comércio em Beijim, ao justificar a medida, mais uma escalada na guerra comercial entre as duas maiores potências econômicas.
Terceiro maior país do mundo em área e primeiro em população, a China teve dificuldade para alimentar sua população, hoje de 1,4 bilhão de habitantes. Com o desenvolvimento econômico, tornou-se a maior importadora mundial de alimentos.
Os Estados Unidos são o maior exportador mundial de alimentos e o Brasil é o segundo. Em curto prazo, o Brasil pode se beneficiar da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo. A longo prazo, é melhor para a economia mundial que americanos e chineses se entendam.
Neste caso, uma das exigências dos EUA será que a China compre mais produtos agrícolas americanos. Por isso mesmo, a agricultura foi escolhida como arma da retaliação chinesa. Os produtores agrícolas e as zonas rurais são bases eleitorais importantes para a reeleição de Trump em 2020.
A China tem paciência estratégica. Decidiu não ceder diante do blefe de Trump. Está disposta a bancar o jogo pesado e arrastar as negociações. Parece pronta a desistir de Trump e a apostar na vitória do candidato do Partido Democrata na próxima eleição.
O comportamento errático do presidente americano irritou os chineses, que exigem o tratamento como parceiros do mesmo nível. Não aceitam mais se curvar diante de outras potências.
Para agravar ainda mais o conflito, o Tesouro dos EUA acusou a China de manipular o câmbio, por causa de uma desvalorização de 1,9% no yuan, a moeda chinesa, o que Trump considerou uma desvalorização competitiva para dar vantagens comerciais ao país.
"Esta foi uma séria violação do [que ficou acertado no] encontro dos chefes de Estado dos EUA e da China", declarou o Ministério do Comércio em Beijim, ao justificar a medida, mais uma escalada na guerra comercial entre as duas maiores potências econômicas.
Terceiro maior país do mundo em área e primeiro em população, a China teve dificuldade para alimentar sua população, hoje de 1,4 bilhão de habitantes. Com o desenvolvimento econômico, tornou-se a maior importadora mundial de alimentos.
Os Estados Unidos são o maior exportador mundial de alimentos e o Brasil é o segundo. Em curto prazo, o Brasil pode se beneficiar da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo. A longo prazo, é melhor para a economia mundial que americanos e chineses se entendam.
Neste caso, uma das exigências dos EUA será que a China compre mais produtos agrícolas americanos. Por isso mesmo, a agricultura foi escolhida como arma da retaliação chinesa. Os produtores agrícolas e as zonas rurais são bases eleitorais importantes para a reeleição de Trump em 2020.
A China tem paciência estratégica. Decidiu não ceder diante do blefe de Trump. Está disposta a bancar o jogo pesado e arrastar as negociações. Parece pronta a desistir de Trump e a apostar na vitória do candidato do Partido Democrata na próxima eleição.
O comportamento errático do presidente americano irritou os chineses, que exigem o tratamento como parceiros do mesmo nível. Não aceitam mais se curvar diante de outras potências.
Para agravar ainda mais o conflito, o Tesouro dos EUA acusou a China de manipular o câmbio, por causa de uma desvalorização de 1,9% no yuan, a moeda chinesa, o que Trump considerou uma desvalorização competitiva para dar vantagens comerciais ao país.
segunda-feira, 5 de agosto de 2019
EUA acusam China de manipular o câmbio
A guerra comercial corre o risco de degenerar numa guerra cambial. O Tesouro dos Estados Unidos acusou hoje à noite o governo chinês de manipular o yuan, depois que o Banco Popular da China deixou a moeda cair abaixo de sete por dólar.
O Tesouro argumentou que a China tem "uma longa história de permitir a desvalorização da moeda" através da intervenção estatal no mercado. "Nos últimos dias, a China deu passos concretos para desvalorizar sua moeda, enquanto mantém reservas cambiais substanciais, embora tenha feito uso ativo destes instrumentos no passado."
Horas antes, o presidente Donald Trump apontou a desvalorização do yuan como uma forma de criar uma vantagem no comércio ao tornar os produtos chineses mais baratos no mercado internacional. Os economistas chamam isso de desvalorização competitiva.
A pressão de Trump sobre o Conselho da Reserva Federal (Fed), a diretoria do banco central americano, para reduzir ainda mais a taxa básica de juros visava a desvalorizar o dólar e estimular a economia para neutralizar o impacto da guerra comercial com a China.
Se os países começam a proteger seu mercado com tarifaços, é uma guerra comercial. Se manipulam as taxas de câmbio, é uma guerra cambial. Quando travadas pelas maiores economias do mundo, podem ter consequências desastrosas para a economia internacional.
Parte da reação da China ao tarifaço de 10% sobre US$ 300 bilhões em importações anuais anunciado por Trump na sexta-feira passada, o yuan caiu 1,9%, sendo cotado a 7,1087 no centro financeiro de Hong Kong.
"A designação pelo Tesouro dos EUA da China como manipuladora do câmbio é um sinal de que a guerra comercial está se expandindo para uma guerra econômica aberta e total", comentou Eswar Prasad, especialista no sistema financeiro da China na Universidade Cornell, nos EUA.
Depois da trégua anunciada em Osaka, no Japão, durante a reunião do Grupo dos 20, pelo presidente Trump e o ditador Xi Jinping, havia esperança de um acordo entre EUA e China para evitar o agravamento do conflito. Mas não houve avanço no encontro de Xangai, na semana passada, e Trump anunciou o novo tarifaço.
A China tem US$ 1 trilhão em títulos do Tesouro dos EUA em suas reservas cambiais. Em caso de um conflito extremo, poderia usar mais esta arma.
O mercado financeiro sentiu o impacto da escalada na guerra comercial entre EUA e China. A Bolsa de Valores de Nova York caiu 1,9% antes do anúncio do Tesouro nesta noite acusam Beijim de manipular o câmbio.
O Tesouro argumentou que a China tem "uma longa história de permitir a desvalorização da moeda" através da intervenção estatal no mercado. "Nos últimos dias, a China deu passos concretos para desvalorizar sua moeda, enquanto mantém reservas cambiais substanciais, embora tenha feito uso ativo destes instrumentos no passado."
Horas antes, o presidente Donald Trump apontou a desvalorização do yuan como uma forma de criar uma vantagem no comércio ao tornar os produtos chineses mais baratos no mercado internacional. Os economistas chamam isso de desvalorização competitiva.
A pressão de Trump sobre o Conselho da Reserva Federal (Fed), a diretoria do banco central americano, para reduzir ainda mais a taxa básica de juros visava a desvalorizar o dólar e estimular a economia para neutralizar o impacto da guerra comercial com a China.
Se os países começam a proteger seu mercado com tarifaços, é uma guerra comercial. Se manipulam as taxas de câmbio, é uma guerra cambial. Quando travadas pelas maiores economias do mundo, podem ter consequências desastrosas para a economia internacional.
Parte da reação da China ao tarifaço de 10% sobre US$ 300 bilhões em importações anuais anunciado por Trump na sexta-feira passada, o yuan caiu 1,9%, sendo cotado a 7,1087 no centro financeiro de Hong Kong.
"A designação pelo Tesouro dos EUA da China como manipuladora do câmbio é um sinal de que a guerra comercial está se expandindo para uma guerra econômica aberta e total", comentou Eswar Prasad, especialista no sistema financeiro da China na Universidade Cornell, nos EUA.
Depois da trégua anunciada em Osaka, no Japão, durante a reunião do Grupo dos 20, pelo presidente Trump e o ditador Xi Jinping, havia esperança de um acordo entre EUA e China para evitar o agravamento do conflito. Mas não houve avanço no encontro de Xangai, na semana passada, e Trump anunciou o novo tarifaço.
A China tem US$ 1 trilhão em títulos do Tesouro dos EUA em suas reservas cambiais. Em caso de um conflito extremo, poderia usar mais esta arma.
O mercado financeiro sentiu o impacto da escalada na guerra comercial entre EUA e China. A Bolsa de Valores de Nova York caiu 1,9% antes do anúncio do Tesouro nesta noite acusam Beijim de manipular o câmbio.
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Terrorismo de extrema direita assombra os EUA
Dois massacres a tiros mataram 31 pessoas e deixaram outras 50 feridas em duas cidades relativamente pequenas e pacatas, e chocaram os Estados Unidos no fim de semana. Realimentaram o debate sobre controle de armas e deixaram um alerta sobre a ameaça crescente do terrorismo de extrema direita, dos ultranacionalistas e supremacistas brancos.
O ex-presidente Barack Obama reclamava que há pessoas proibidas de viajar de avião nos Estados Unidos por suspeita de terrorismo, mas podem comprar armas. Com esta facilidade de comprar armas, houve 251 ataques a tiros nos Estados Unidos nos últimos 216 dias.
Dezoito anos depois dos atentados cometidos por extremistas muçulmanos em 11 de setembro de 2001, a maioria dos atos de terrorismo nos Estados Unidos vem da extrema direita.
Nos últimos dez anos, ultradireitistas foram responsáveis por mais de 70% das mortes por terrorismo político. No ano passado, supremacistas brancos cometeram 39 das 50 matanças causadas por extremismo político. Meu comentário:
O ex-presidente Barack Obama reclamava que há pessoas proibidas de viajar de avião nos Estados Unidos por suspeita de terrorismo, mas podem comprar armas. Com esta facilidade de comprar armas, houve 251 ataques a tiros nos Estados Unidos nos últimos 216 dias.
Dezoito anos depois dos atentados cometidos por extremistas muçulmanos em 11 de setembro de 2001, a maioria dos atos de terrorismo nos Estados Unidos vem da extrema direita.
Nos últimos dez anos, ultradireitistas foram responsáveis por mais de 70% das mortes por terrorismo político. No ano passado, supremacistas brancos cometeram 39 das 50 matanças causadas por extremismo político. Meu comentário:
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Supremacistas brancos são nova ameaça do terror nos EUA
Treze horas depois de um ataque com 22 mortes em El Paso, no Texas, um homem mascarado identificado como Connor Betts, com colete a prova de bala e um fuzil de assalto metralhou dezenas de pessoas numa região de bares noturnos em Dayton, no estado de Ohio.
O atirador matou nove pessoas e feriu outras 27 em 30 segundos, até ser morto pela polícia. Os ataques realimentam o debate sobre controle de armas e também para a ameaça crescente do terrorismo dos ultranacionalistas, de extrema direita, nos Estados Unidos.
Em El Paso, na fronteira com o México, a polícia descobriu um manifesto atribuído a Patrick Crusius, o terrorista de 21 anos, um admirador do presidente Donald Trump, denunciando uma "invasão hispânica do Texas". Ele alegou: "Estou simplesmente defendendo meu país contra uma substituição étnica e cultural trazida por uma invasão."
Para o jornal The New York Times, é um eco do discurso do presidente Trump contra os imigrantes, especialmente da América Latina, reproduzido por jornalistas e comentaristas alinhados ao presidente.
"O ódio não tem lugar no nosso país, vamos tomar conta disso", declarou Trump, atribuindo os ataques a "problemas de doença mental". Mas o ex-deputado por El Paso Beto O'Rourke, aspirante à candidatura democrata à Presidência dos EUA em 2020, afirmou que "o presidente Trump tem muito a ver com o que aconteceu ontem em El Paso. Trump semeia um um tipo de medo e o tipo de reação que vimos ontem."
Em entrevista à rede de televisão ABC, o chefe da Casa Civil interino da Casa Branca, Mick Mulvaney, negou mais uma vez que o presidente tenha qualquer simpatia por grupos racistas ou supremacistas brancos: "São pessoas doentes. Você não pode ser um supremacista branca e ser bom da cabeça. Eu sei, você sabe e o presidente sabe disso. Este tipo de coisa tem de parar. Temos de imaginar uma maneira de corrigir o problema e não de a quem atribuir a culpa."
Desde 2015, Trump usou várias a palavra invasão para se referir aos imigrantes que tentam entrar nos EUA pela fronteira com o México. Manipula a questão para agradar ao eleitorado mais conservador, branco e sem curso superior, que se sente ameaçado pelos estrangeiros.
Em 2011, Trump alegou que o então presidente Barack Obama não tinha nascido nos EUA. Assim, não poderia ser presidente. Ao lançar sua candidatura, em junho de 2016, chamou os imigrantes mexicanos de "traficantes, estupradores e assassinos", e prometeu erguer um muro na fronteira.
Naquele mesmo ano, propôs a proibição da entrada de muçulmanos no país, uma discriminação religiosa inaceitável à luz da Constituição dos EUA. Depois da marcha de nazistas em Charlottesville, na Virgínia, em 12 de agosto de 2017, e de confrontos violentos com antifascistas, Trump disse que "havia gente boa e gente ruim dos dois lados".
Nas últimas semanas, o presidente atacou quatro jovens deputadas de primeiro mandato da ala mais à esquerda do Partido Democrata, todas de origem estrangeira e nenhuma branca. Ainda discutiu com um deputado negro da Comissão de Supervisão da Câmara de Representantes que criticou as condições de alojamento dos imigrantes na fronteira descrevendo a cidade de Baltimore como "infestada de ratos".
Hoje, no México, o ministro do Exterior, Marcelo Ebrard, considerou o ataque em El Paso uma agressão aos mexicanos e ofereceu a ajuda do país às vítimas. Sete mexicanos foram mortos e outros sete saíram feridos em El Paso.
A maioria dos atentados hoje nos EUA vem da extrema direita. No ano passado, supremacistas brancos cometeram 39 das 50 matanças realizadas por extremistas políticos. Oito foram responsabilidade de assassinos com posições contrárias ao governo.
Nos últimos dez anos, extremistas de direita causaram mais de 70% das mortes por terrorismo político. "A violência do extremismo de direita é nossa maior ameaça", denuncia o presidente da Liga Antidifamação, uma organização não governamental que luta contra a discriminação.
O discurso eleitoreiro de Trump no mínimo banaliza o racismo e o lobby das armas garante o acesso fácil a armas de guerra. O projeto de Trump, como acusa a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, está mais para "tornar os EUA brancos de novo".
O atirador matou nove pessoas e feriu outras 27 em 30 segundos, até ser morto pela polícia. Os ataques realimentam o debate sobre controle de armas e também para a ameaça crescente do terrorismo dos ultranacionalistas, de extrema direita, nos Estados Unidos.
Em El Paso, na fronteira com o México, a polícia descobriu um manifesto atribuído a Patrick Crusius, o terrorista de 21 anos, um admirador do presidente Donald Trump, denunciando uma "invasão hispânica do Texas". Ele alegou: "Estou simplesmente defendendo meu país contra uma substituição étnica e cultural trazida por uma invasão."
Para o jornal The New York Times, é um eco do discurso do presidente Trump contra os imigrantes, especialmente da América Latina, reproduzido por jornalistas e comentaristas alinhados ao presidente.
"O ódio não tem lugar no nosso país, vamos tomar conta disso", declarou Trump, atribuindo os ataques a "problemas de doença mental". Mas o ex-deputado por El Paso Beto O'Rourke, aspirante à candidatura democrata à Presidência dos EUA em 2020, afirmou que "o presidente Trump tem muito a ver com o que aconteceu ontem em El Paso. Trump semeia um um tipo de medo e o tipo de reação que vimos ontem."
Em entrevista à rede de televisão ABC, o chefe da Casa Civil interino da Casa Branca, Mick Mulvaney, negou mais uma vez que o presidente tenha qualquer simpatia por grupos racistas ou supremacistas brancos: "São pessoas doentes. Você não pode ser um supremacista branca e ser bom da cabeça. Eu sei, você sabe e o presidente sabe disso. Este tipo de coisa tem de parar. Temos de imaginar uma maneira de corrigir o problema e não de a quem atribuir a culpa."
Desde 2015, Trump usou várias a palavra invasão para se referir aos imigrantes que tentam entrar nos EUA pela fronteira com o México. Manipula a questão para agradar ao eleitorado mais conservador, branco e sem curso superior, que se sente ameaçado pelos estrangeiros.
Em 2011, Trump alegou que o então presidente Barack Obama não tinha nascido nos EUA. Assim, não poderia ser presidente. Ao lançar sua candidatura, em junho de 2016, chamou os imigrantes mexicanos de "traficantes, estupradores e assassinos", e prometeu erguer um muro na fronteira.
Naquele mesmo ano, propôs a proibição da entrada de muçulmanos no país, uma discriminação religiosa inaceitável à luz da Constituição dos EUA. Depois da marcha de nazistas em Charlottesville, na Virgínia, em 12 de agosto de 2017, e de confrontos violentos com antifascistas, Trump disse que "havia gente boa e gente ruim dos dois lados".
Nas últimas semanas, o presidente atacou quatro jovens deputadas de primeiro mandato da ala mais à esquerda do Partido Democrata, todas de origem estrangeira e nenhuma branca. Ainda discutiu com um deputado negro da Comissão de Supervisão da Câmara de Representantes que criticou as condições de alojamento dos imigrantes na fronteira descrevendo a cidade de Baltimore como "infestada de ratos".
Hoje, no México, o ministro do Exterior, Marcelo Ebrard, considerou o ataque em El Paso uma agressão aos mexicanos e ofereceu a ajuda do país às vítimas. Sete mexicanos foram mortos e outros sete saíram feridos em El Paso.
A maioria dos atentados hoje nos EUA vem da extrema direita. No ano passado, supremacistas brancos cometeram 39 das 50 matanças realizadas por extremistas políticos. Oito foram responsabilidade de assassinos com posições contrárias ao governo.
Nos últimos dez anos, extremistas de direita causaram mais de 70% das mortes por terrorismo político. "A violência do extremismo de direita é nossa maior ameaça", denuncia o presidente da Liga Antidifamação, uma organização não governamental que luta contra a discriminação.
O discurso eleitoreiro de Trump no mínimo banaliza o racismo e o lobby das armas garante o acesso fácil a armas de guerra. O projeto de Trump, como acusa a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, está mais para "tornar os EUA brancos de novo".
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Greve para Hong Kong em protesto contra a interferência da China
Depois do nono fim de semana seguido de manifestações, cerca de 500 mil pessoas de 20 setores da economia aderiram à greve geral convocada para hoje em Hong Kong em protesto contra a interferência crescente do regime comunista chinês na administração do território, considerado uma região administrativa especial dentro da República Popular da China.
Durante a manhã desta segunda-feira, cerca de 230 voos foram cancelados. Com a paralisação dos controladores de voo, uma pista do aeroporto internacional de Hong Kong está fechada até 6h de terça-feira pela horal local (19h de hoje em Brasília). Só 34 voos foram autorizados a decolar, a metade do normal, informou o jornal local South China Morning Post.
As companhias aéreas de Hong Kong (Cathay Pacific, Cathay Dragon, HK Express e Hong Kong Airlines) aconselham os passageiros a se certificar de que seus voos estão confirmados antes de se dirigir ao aeroporto.
Os militantes entraram nas estações de metrô e tentaram impedir o fechamento das portas dos vagões para parar os trens.
Esta é a crise mais greve desde que o Reino Unido devolveu Hong Kong à China, em 1º de julho de 1997. Os protestos começaram contra um projeto de lei para autorizar a extradição de residentes em Hong Kong para responder a processos na China continental.
Agora, os manifestantes também exigem a renúncia da governadora Carrie Lam, indicada por Beijim, e eleições diretas para governador e para o Conselho de Legislativo, o parlamento de Hong Kong. É praticamente impossível que o regime comunista aceite tais demandas. Seria um avanço rumo a uma democracia que não interessa à ditadura militar de Beijim e um sinal para a China, onde não existem liberdade de expressão e de manifestação.
No sábado, houve mais confrontos violentos quando a polícia reprimiu a manifestação popular. Pelo menos 44 pessoas foram presas. Os moradores de Hong Kong travam um duelo com o governo central da China capaz de provocar uma repressão violenta.
A ditadura comunista chinesa não costuma ceder diante de manifestações pela democracia. Hong Kong não quer abrir mão das liberdades democráticas conquistadas como colônia britânica. A China prometeu manter a situação no território durante 50 anos dentro do esquema "um país, dois sistemas", também criado tendo em vista a reintegração de Taiwan, que Beijim considera uma província rebelde.
Se usar a violência e o Exército Popular de Libertação para reprimir os protestos, como pede a linha dura comunista, a China compromete o prestígio de Hong Kong como centro financeiro internacional, muito importante para canalizar dinheiro para o extraordinário desenvolvimento econômico chinês das últimas. E envia um sinal errado para Taiwan.
Durante a manhã desta segunda-feira, cerca de 230 voos foram cancelados. Com a paralisação dos controladores de voo, uma pista do aeroporto internacional de Hong Kong está fechada até 6h de terça-feira pela horal local (19h de hoje em Brasília). Só 34 voos foram autorizados a decolar, a metade do normal, informou o jornal local South China Morning Post.
As companhias aéreas de Hong Kong (Cathay Pacific, Cathay Dragon, HK Express e Hong Kong Airlines) aconselham os passageiros a se certificar de que seus voos estão confirmados antes de se dirigir ao aeroporto.
Os militantes entraram nas estações de metrô e tentaram impedir o fechamento das portas dos vagões para parar os trens.
Esta é a crise mais greve desde que o Reino Unido devolveu Hong Kong à China, em 1º de julho de 1997. Os protestos começaram contra um projeto de lei para autorizar a extradição de residentes em Hong Kong para responder a processos na China continental.
Agora, os manifestantes também exigem a renúncia da governadora Carrie Lam, indicada por Beijim, e eleições diretas para governador e para o Conselho de Legislativo, o parlamento de Hong Kong. É praticamente impossível que o regime comunista aceite tais demandas. Seria um avanço rumo a uma democracia que não interessa à ditadura militar de Beijim e um sinal para a China, onde não existem liberdade de expressão e de manifestação.
No sábado, houve mais confrontos violentos quando a polícia reprimiu a manifestação popular. Pelo menos 44 pessoas foram presas. Os moradores de Hong Kong travam um duelo com o governo central da China capaz de provocar uma repressão violenta.
A ditadura comunista chinesa não costuma ceder diante de manifestações pela democracia. Hong Kong não quer abrir mão das liberdades democráticas conquistadas como colônia britânica. A China prometeu manter a situação no território durante 50 anos dentro do esquema "um país, dois sistemas", também criado tendo em vista a reintegração de Taiwan, que Beijim considera uma província rebelde.
Se usar a violência e o Exército Popular de Libertação para reprimir os protestos, como pede a linha dura comunista, a China compromete o prestígio de Hong Kong como centro financeiro internacional, muito importante para canalizar dinheiro para o extraordinário desenvolvimento econômico chinês das últimas. E envia um sinal errado para Taiwan.
domingo, 4 de agosto de 2019
Moeda da China cai à menor cotação em 11 anos
Sob pressão da guerra comercial deflagrada pelos Estados Unidos, a cotação do yuan chinês ficou abaixo de sete por dólar, rompendo a meta abaixo da qual o Banco Popular da China, banco central do país, intervinha no mercado de câmbio para contar a queda.
É a primeira vez que isto acontece desde maio de 2008 e um sinal de que o governo chinês pode apelar para a desvalorização competitiva para baixar os preços internacionais de seus produtos e assim reduzir o impacto dos tarifaços do presidente Donald Trump.
O banco central chinês controla a flutuação da moeda e aceita uma variação de no máximo 2% para mais ou para menos. Na sexta-feira, depois do anúncio do novo tarifaço de Trump de 10% sobre produtos importados da China no valor de US$ 300 bilhões anuais, a moeda chinesa caiu 0,9%, com a venda de ações e fuga para títulos da dívida pública
Nesta segunda-feira, o yuan ou iuane perdeu 1,3% na abertura do mercado na Ásia. Foi cotado a 7,0297 por dólar.
No momento, a China está numa lista de países que têm grandes saldos comerciais com os EUA e estão sendo observados por possível manipulação cambial. Se a guerra comercial de Trump levar a uma guerra cambial, o risco para a economia mundial será muitíssimo maior.
É a primeira vez que isto acontece desde maio de 2008 e um sinal de que o governo chinês pode apelar para a desvalorização competitiva para baixar os preços internacionais de seus produtos e assim reduzir o impacto dos tarifaços do presidente Donald Trump.
O banco central chinês controla a flutuação da moeda e aceita uma variação de no máximo 2% para mais ou para menos. Na sexta-feira, depois do anúncio do novo tarifaço de Trump de 10% sobre produtos importados da China no valor de US$ 300 bilhões anuais, a moeda chinesa caiu 0,9%, com a venda de ações e fuga para títulos da dívida pública
Nesta segunda-feira, o yuan ou iuane perdeu 1,3% na abertura do mercado na Ásia. Foi cotado a 7,0297 por dólar.
No momento, a China está numa lista de países que têm grandes saldos comerciais com os EUA e estão sendo observados por possível manipulação cambial. Se a guerra comercial de Trump levar a uma guerra cambial, o risco para a economia mundial será muitíssimo maior.
sábado, 3 de agosto de 2019
Polícia ataca manifestação e prende mais de 800 pessoas em Moscou
A polícia reprimiu com violência hoje na capital da Rússia uma manifestação não autorizada. Pela segundo sábado seguido, milhares de moscovitas protestavam contra a rejeição de mais de dez candidaturas independentes e de oposição às eleições para a Câmara Municipal de Moscou, em 8 de setembro. Mais de 800 manifestantes foram presos, inclusive a líder oposicionista Liubov Sobol, noticiou o jornal The Moscow Times.
Nas grandes cidades, os russos mostram insatisfação com a crise econômica e a virtual ditadura de Vladimir Putin e de seu partido Rússia Unida em que qualquer oposição ou dissidência é marginalizada, ignorada ou reprimida. Há uma semana, quase 1,4 mil pessoas foram presas.
Hoje, antes da manifestação, que seria uma marcha pacífica, agentes retiraram Sobol à força de um táxi e a enfiaram numa caminhonete da polícia. Logo depois, a polícia de choque começou a dispersar os manifestantes com cassetetes e gás lacrimogênio. Vários oposicionistas foram espancados. As autoridades admitiram 600 prisões, mas uma organização independente contou 828 presos.
As eleições municipais estão sendo vistas como prévias para as eleições parlamentares nacionais de2021.
Nas grandes cidades, os russos mostram insatisfação com a crise econômica e a virtual ditadura de Vladimir Putin e de seu partido Rússia Unida em que qualquer oposição ou dissidência é marginalizada, ignorada ou reprimida. Há uma semana, quase 1,4 mil pessoas foram presas.
Hoje, antes da manifestação, que seria uma marcha pacífica, agentes retiraram Sobol à força de um táxi e a enfiaram numa caminhonete da polícia. Logo depois, a polícia de choque começou a dispersar os manifestantes com cassetetes e gás lacrimogênio. Vários oposicionistas foram espancados. As autoridades admitiram 600 prisões, mas uma organização independente contou 828 presos.
As eleições municipais estão sendo vistas como prévias para as eleições parlamentares nacionais de2021.
Índia envia 35 mil policiais militares para Jamu e Caxemira
O governo nacionalista hindu da Índia mandou 35 mil policiais militares para Jamu e Caxemira, o estado mais ao norte do país, onde desde 1989 há uma rebelião armada da maioria muçulmana, que gostaria de anexar a região ao Paquistão. O Ministério do Interior indiano descreveu o envio das forças como uma "operação normal".
Mesmo que a Índia declare que o movimento de tropas é uma "operação normal", o Paquistão, inimigo histórico, deve dar uma resposta aumentando seu contingente do outro lado da fronteira.
A Caxemira está no centro do conflito histórico entre a Índia e o Paquistão, que travaram três guerras desde a independência do Império Britânico, em 1947, duas em torno da Caxemira, em 1947 e 1962.
A guerra de 1971 levou à independência de Bangladesh, a República de Bengala, antes chamada de Paquistão Oriental, e ainda houve o conflito de Kargil, em 1999, que alguns consideram uma guerra, mas limitada àquela região.
Quando a Índia se dividiu, os estados de maioria muçulmana formaram o Paquistão e as regiões de maioria hindu formaram a Índia. Entre 10 a 12 milhões de pessoas foram desalojadas e se mudaram. Ao todo, estima-se que 2 milhões de pessoas tenham morrido na divisão da Índia.
Os dois inimigos históricos têm a bomba atômica. A Índia fez seu primeiro teste nuclear em 1974 e o Paquistão em 1975. Em maio de 1998, ambos assumiram o status de potência nuclear testando bombas e mísseis na corrida armamentista no Sul da Ásia.
Como uma guerra total hoje seria devastadora, a dissuasão nuclear evita uma escalada nos conflitos. A Índia reclama que o Paquistão apoia grupos extremistas muçulmanos que travam uma guerra indireta, especialmente na Caxemira, onde há uma insurgência muçulmana desde 1989. O Paquistão cobra a realização de um plebiscito sobre o futuro da região.
Ao receber o primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, na Casa Branca, o presidente Donald Trump ofereceu a mediação dos Estados Unidos para resolver o conflito. Como parte mais forte, a Índia se recusa a internacionalizar a questão. Só aceitar discutir bilateralmente com o Paquistão e rejeita qualquer possibilidade de ceder parte de seu território.
Em fevereiro deste ano, um atentado terrorista de um grupo baseado no Paquistão matou 40 policiais indianos em Pulwama, em Jamu e Caxemira. A poucos meses das eleições, o primeiro-ministro nacionalista hindu Narendra Modi ordenou um bombardeio aéreo, supostamente nos acampamentos da milícia Jaish-e-Mohamed, o Exército de Maomé, responsável pelo ataque.
O Paquistão retaliou, derrubou um avião indiano e capturou o piloto. Mas não passou disso. Logo o conflito foi desarmado. Mas a tensão entre os dois inimigos históricos armados com bombas atômicas é uma ameaça permanente.
Mesmo que a Índia declare que o movimento de tropas é uma "operação normal", o Paquistão, inimigo histórico, deve dar uma resposta aumentando seu contingente do outro lado da fronteira.
A Caxemira está no centro do conflito histórico entre a Índia e o Paquistão, que travaram três guerras desde a independência do Império Britânico, em 1947, duas em torno da Caxemira, em 1947 e 1962.
A guerra de 1971 levou à independência de Bangladesh, a República de Bengala, antes chamada de Paquistão Oriental, e ainda houve o conflito de Kargil, em 1999, que alguns consideram uma guerra, mas limitada àquela região.
Quando a Índia se dividiu, os estados de maioria muçulmana formaram o Paquistão e as regiões de maioria hindu formaram a Índia. Entre 10 a 12 milhões de pessoas foram desalojadas e se mudaram. Ao todo, estima-se que 2 milhões de pessoas tenham morrido na divisão da Índia.
Os dois inimigos históricos têm a bomba atômica. A Índia fez seu primeiro teste nuclear em 1974 e o Paquistão em 1975. Em maio de 1998, ambos assumiram o status de potência nuclear testando bombas e mísseis na corrida armamentista no Sul da Ásia.
Como uma guerra total hoje seria devastadora, a dissuasão nuclear evita uma escalada nos conflitos. A Índia reclama que o Paquistão apoia grupos extremistas muçulmanos que travam uma guerra indireta, especialmente na Caxemira, onde há uma insurgência muçulmana desde 1989. O Paquistão cobra a realização de um plebiscito sobre o futuro da região.
Ao receber o primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, na Casa Branca, o presidente Donald Trump ofereceu a mediação dos Estados Unidos para resolver o conflito. Como parte mais forte, a Índia se recusa a internacionalizar a questão. Só aceitar discutir bilateralmente com o Paquistão e rejeita qualquer possibilidade de ceder parte de seu território.
Em fevereiro deste ano, um atentado terrorista de um grupo baseado no Paquistão matou 40 policiais indianos em Pulwama, em Jamu e Caxemira. A poucos meses das eleições, o primeiro-ministro nacionalista hindu Narendra Modi ordenou um bombardeio aéreo, supostamente nos acampamentos da milícia Jaish-e-Mohamed, o Exército de Maomé, responsável pelo ataque.
O Paquistão retaliou, derrubou um avião indiano e capturou o piloto. Mas não passou disso. Logo o conflito foi desarmado. Mas a tensão entre os dois inimigos históricos armados com bombas atômicas é uma ameaça permanente.
sexta-feira, 2 de agosto de 2019
Governo e oposição assinam acordo de paz em Moçambique
O presidente Filipe Nyusi, da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e o líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Ossufo Momade, assinaram ontem um acordo de paz para evitar a volta da guerra civil a este país da África Austral.
Se a paz entre os dois inimigos histórico for finalmente alcança, Moçambique poderá se concentrar na luta contra uma crescente rebelião de extremistas muçulmanos no Norte do país.
O sucesso do acordo depende da desmobilização ou integração às Forças Armadas de 5 mil milicianos da Renamo. Isto não aconteceu em acordos de paz anteriores por desconfiança dos rebeldes quanto às reais intenções do governo.
Afonso Dhlakama, líder histórico da Renamo, falecido em 3 de maio de 2018, nunca depôs as armas. Sua morte enfraqueceu o grupo, que luta para se manter politicamente relevante como eterno partido de oposição que nunca chegou ao poder.
A Renamo nasceu em 1975 como uma organização anticomunista para se contrapor à Frelimo, que governa o país desde a independência de Portugal, alguns meses antes, naquele mesmo. Foi criada pela Organização Central de Inteligência da Rodésia, hoje Zimbábue, na época governada por uma ditadura da minoria branca no modelo do regime do apartheid na África do Sul.
O ditador branco Ian Smith queria impedir que Moçambique servisse de refúgio para os rebeldes negros da União Nacional Africana do Zimbábue, que lutavam contra o regime segregacionista da minoria branca e conquistariam a vitória em 1980, sob a liderança de Robert Mugabe.
Em plena Guerra Fria, o governo de Samora Machel, da Frelimo, era aliada da União Soviética, do Congresso Nacional Africano, que lutava contra o apartheid na África do Sul, e dos rebeldes do Zimbábue, enquanto as ditaduras da minoria branca eram aliadas do Ocidente até começarem a ser alvo de sanções internacionais contra seus regimes racistas.
Se a paz entre os dois inimigos histórico for finalmente alcança, Moçambique poderá se concentrar na luta contra uma crescente rebelião de extremistas muçulmanos no Norte do país.
O sucesso do acordo depende da desmobilização ou integração às Forças Armadas de 5 mil milicianos da Renamo. Isto não aconteceu em acordos de paz anteriores por desconfiança dos rebeldes quanto às reais intenções do governo.
Afonso Dhlakama, líder histórico da Renamo, falecido em 3 de maio de 2018, nunca depôs as armas. Sua morte enfraqueceu o grupo, que luta para se manter politicamente relevante como eterno partido de oposição que nunca chegou ao poder.
A Renamo nasceu em 1975 como uma organização anticomunista para se contrapor à Frelimo, que governa o país desde a independência de Portugal, alguns meses antes, naquele mesmo. Foi criada pela Organização Central de Inteligência da Rodésia, hoje Zimbábue, na época governada por uma ditadura da minoria branca no modelo do regime do apartheid na África do Sul.
O ditador branco Ian Smith queria impedir que Moçambique servisse de refúgio para os rebeldes negros da União Nacional Africana do Zimbábue, que lutavam contra o regime segregacionista da minoria branca e conquistariam a vitória em 1980, sob a liderança de Robert Mugabe.
Em plena Guerra Fria, o governo de Samora Machel, da Frelimo, era aliada da União Soviética, do Congresso Nacional Africano, que lutava contra o apartheid na África do Sul, e dos rebeldes do Zimbábue, enquanto as ditaduras da minoria branca eram aliadas do Ocidente até começarem a ser alvo de sanções internacionais contra seus regimes racistas.
Fim de acordo de desarmamento nuclear aponta para nova corrida armamentista
Os Estados Unidos abandonaram hoje um marco do degelo na Guerra Fria, o primeiro tratado que eliminou dois tipos de armas nucleares. Aumenta o risco de uma nova corrida armamentista nuclear, que já estaria em andamento.
O Tratado sofre Forças Nucleares intermediárias foi assinado em 8 de dezembro de 1987 pelo presidente Ronald Reagan e o último líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev, para eliminar todos os mísseis nucleares baseados em terra de curto e médio alcances, com raio de ação de 500 a 5 mil e 500 quilômetros.
Os EUA deixaram o acordo sob a alegação de que a Rússia violou o tratado a partir de 2014, ao desenvolver um novo míssil, o SSC-8, com alcance estimado em mil e 500 quilômetros, e de que a China não faz parte e assim pode desenvolver estas armas.
Desde 2014, houve seis encontros de técnicos especializados dos dois países para discutir o assunto, sem que a Rússia reconhecesse o erro. Moscou garante que o SSC-8 tem raio de ação de 300 quilômetros.
Em fevereiro, os EUA deram seis meses à Rússia para acabar com a violação. O prazo acabou hoje. Meu comentário:
O Tratado sofre Forças Nucleares intermediárias foi assinado em 8 de dezembro de 1987 pelo presidente Ronald Reagan e o último líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev, para eliminar todos os mísseis nucleares baseados em terra de curto e médio alcances, com raio de ação de 500 a 5 mil e 500 quilômetros.
Os EUA deixaram o acordo sob a alegação de que a Rússia violou o tratado a partir de 2014, ao desenvolver um novo míssil, o SSC-8, com alcance estimado em mil e 500 quilômetros, e de que a China não faz parte e assim pode desenvolver estas armas.
Desde 2014, houve seis encontros de técnicos especializados dos dois países para discutir o assunto, sem que a Rússia reconhecesse o erro. Moscou garante que o SSC-8 tem raio de ação de 300 quilômetros.
Em fevereiro, os EUA deram seis meses à Rússia para acabar com a violação. O prazo acabou hoje. Meu comentário:
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EUA geram mais 164 mil empregos
O mercado de trabalho dos Estados Unidos voltou a mostrar vigor em julho, com 164 mil contratações a mais do que demissões, mantendo uma base firme para o crescimento da maior economia do mundo, ininterrupto há quase dez anos. A taxa de desemprego, medida em outra pesquisa, ficou estável em 3,7%. É a menor desde 1969.
O salário médio no setor privado registrou alta de 3,2% ao ano. Ficou em US$ 27,98 por hora, quase R$ 109. Com um recorde de 157,288 milhões de americanos empregados, a participação da força de trabalho chegou a 63% das pessoas em idade de trabalhar.
A força do mercado de trabalho americano faz um contraponto à fraqueza da economia internacional, abalada pelas guerras comerciais do presidente Donald Trump e outros riscos políticos, como a saída do Reino Unido da União Europeia.
Sob pressão de Trump, há dois dias, o Conselho da Reserva Federal (Fed), a diretoria do banco central dos EUA, reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual para uma faixa de 2% a 2,25% ao ano.
A meta do Fed é o maior emprego possível com a inflação sob controle. O Comitê de Mercado Aberto persegue informalmente um crescimento de preços ao consumidor de 1% até 2% ao ano. O relatório de emprego mostra que o mercado de trabalho continua firme, apesar da guerra comercial com a China e da desaceleração da economia mundial.
Nos primeiros sete meses do ano, houve um saldo positivo de 165 mil empregos por mês, abaixo dos 223 mil de 2018, mas ainda um nível elevado e estável, mesmo com desemprego muito baixo.
Em julho, o ciclo de expansão da economia americana se tornou o mais longo da história. Mas o ritmo caiu de 3,1% ao ano no primeiro trimestre para 2,1% no segundo.
O salário médio no setor privado registrou alta de 3,2% ao ano. Ficou em US$ 27,98 por hora, quase R$ 109. Com um recorde de 157,288 milhões de americanos empregados, a participação da força de trabalho chegou a 63% das pessoas em idade de trabalhar.
A força do mercado de trabalho americano faz um contraponto à fraqueza da economia internacional, abalada pelas guerras comerciais do presidente Donald Trump e outros riscos políticos, como a saída do Reino Unido da União Europeia.
Sob pressão de Trump, há dois dias, o Conselho da Reserva Federal (Fed), a diretoria do banco central dos EUA, reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual para uma faixa de 2% a 2,25% ao ano.
A meta do Fed é o maior emprego possível com a inflação sob controle. O Comitê de Mercado Aberto persegue informalmente um crescimento de preços ao consumidor de 1% até 2% ao ano. O relatório de emprego mostra que o mercado de trabalho continua firme, apesar da guerra comercial com a China e da desaceleração da economia mundial.
Nos primeiros sete meses do ano, houve um saldo positivo de 165 mil empregos por mês, abaixo dos 223 mil de 2018, mas ainda um nível elevado e estável, mesmo com desemprego muito baixo.
Em julho, o ciclo de expansão da economia americana se tornou o mais longo da história. Mas o ritmo caiu de 3,1% ao ano no primeiro trimestre para 2,1% no segundo.
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quinta-feira, 1 de agosto de 2019
Trump anuncia novo tarifaço na guerra comercial com a China
A partir de 1º de setembro, os Estados Unidos vão impor tarifas de 10% sobre produtos importados da China num valor anual de US$ 300 bilhões, cerca de R$ 1,152 trilhão, anunciou hoje no Twitter o presidente Donald Trump. Como outras importações da China, no valor anual de US$ 250 bilhões, cerca de R$ 960 bilhões, todas as exportações chinesas para os Estados Unidos serão sobretaxadas.
As negociações entre os dois países foram reiniciadas em 29 de julho em Xangai, na China, mas Trump não gostou do resultado. O presidente americano acusou a China de não cumprir as promessas de aumentar as importações de produtos agrícolas e acabar com a venda de fentanil para os Estados Unidos.
No Twitter, Trump descreveu os 10% como uma tarifa pequena, em comparação com os 25% ameaçados antes, chamou de “construtivo” o encontro desta semana e afirmou que espera “um diálogo positivo com a China”.
A posição da China mudou depois da ruptura das negociações no fim de abril, quando a China rejeitou as propostas dos Estados Unidos para fiscalizar o acordo, e em maio, por causa das restrições impostas por Washington à companhia chinesa Huawei, maior fabricante mundial de equipamentos de telecomunicações, observou a empresa de consultoria e análise estratégica americana Stratfor.
O governo Trump acusa a Huawei de ser um instrumento da espionagem do regime comunista chinês. Meu comentário:
As negociações entre os dois países foram reiniciadas em 29 de julho em Xangai, na China, mas Trump não gostou do resultado. O presidente americano acusou a China de não cumprir as promessas de aumentar as importações de produtos agrícolas e acabar com a venda de fentanil para os Estados Unidos.
No Twitter, Trump descreveu os 10% como uma tarifa pequena, em comparação com os 25% ameaçados antes, chamou de “construtivo” o encontro desta semana e afirmou que espera “um diálogo positivo com a China”.
A posição da China mudou depois da ruptura das negociações no fim de abril, quando a China rejeitou as propostas dos Estados Unidos para fiscalizar o acordo, e em maio, por causa das restrições impostas por Washington à companhia chinesa Huawei, maior fabricante mundial de equipamentos de telecomunicações, observou a empresa de consultoria e análise estratégica americana Stratfor.
O governo Trump acusa a Huawei de ser um instrumento da espionagem do regime comunista chinês. Meu comentário:
Correção: a taxa de desemprego nos EUA é de 3,7%. Falei 3,8% por engano e achei que não seria necessário refazer a gravação por causa deste pequeno erro.
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China impõe restrições a viagens a Taiwan
No pior momento das relações bilaterais em duas décadas, a República Popular da China aumenta os esforços para intimidar Taiwan. Vai proibir o turismo individual à ilha que considera uma província rebelde. As viagens de negócios e o turismo em grupos está autorizado.
Se a proibição for prorrogada até o fim do ano, a expectativa é que menos 700 mil chineses do continente visitem Taiwan. Em 2017, último ano de que há números disponíveis, houve 2,7 milhões de visitas de chineses à ilha.
Em 2015, antes das relações através do Estreito de Taiwan se deteriorarem, foram 4,2 milhões de visitas. O turismo representa 5% do produto interno bruto taiwanês.
O regime comunista chinês também tenta influir no resultado da eleição presidencial de 11 de janeiro de 2020 em favor do histórico partido nacionalista Kuomintang (KMT), que lutou na guerra civil contra o Partido Comunista, mas hoje é mais próximo do governo de Beijim do que o Partido Democrático Progressista (PDP), da presidente Tsai Ing-wen.
Enquanto o PDP flerta com a independência, o KMT adota a política dos três nãos: não à guerra, não à independência e não à unificação.
A pressão aumenta com a anunciada venda de US$ 2 bilhões em armas dos Estados Unidos para Taiwan. Navios de guerra americanos têm passado pelo Estreito de Taiwan, que separa a China e a ilha a uma distância de 100 quilômetros.
Taiwan autorizou visitas de grupos da China continental em 2008 e viagens individuais em 2011, inicialmente de três cidades e hoje de 47 cidades chinesas. A China é hoje o país que mais envia turistas ao exterior. Em 2017, foram 130 milhões.
O governo passou a usar o turismo como arma contra a Coreia do Sul e Taiwan, sem grandes resultados. Em 2016, a China restringiu viagens de grupos, mas não conseguiu impedir a vitória de Tsai Ing-wen.
Se a proibição for prorrogada até o fim do ano, a expectativa é que menos 700 mil chineses do continente visitem Taiwan. Em 2017, último ano de que há números disponíveis, houve 2,7 milhões de visitas de chineses à ilha.
Em 2015, antes das relações através do Estreito de Taiwan se deteriorarem, foram 4,2 milhões de visitas. O turismo representa 5% do produto interno bruto taiwanês.
O regime comunista chinês também tenta influir no resultado da eleição presidencial de 11 de janeiro de 2020 em favor do histórico partido nacionalista Kuomintang (KMT), que lutou na guerra civil contra o Partido Comunista, mas hoje é mais próximo do governo de Beijim do que o Partido Democrático Progressista (PDP), da presidente Tsai Ing-wen.
Enquanto o PDP flerta com a independência, o KMT adota a política dos três nãos: não à guerra, não à independência e não à unificação.
A pressão aumenta com a anunciada venda de US$ 2 bilhões em armas dos Estados Unidos para Taiwan. Navios de guerra americanos têm passado pelo Estreito de Taiwan, que separa a China e a ilha a uma distância de 100 quilômetros.
Taiwan autorizou visitas de grupos da China continental em 2008 e viagens individuais em 2011, inicialmente de três cidades e hoje de 47 cidades chinesas. A China é hoje o país que mais envia turistas ao exterior. Em 2017, foram 130 milhões.
O governo passou a usar o turismo como arma contra a Coreia do Sul e Taiwan, sem grandes resultados. Em 2016, a China restringiu viagens de grupos, mas não conseguiu impedir a vitória de Tsai Ing-wen.
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