quarta-feira, 21 de março de 2018

FARC tem 1,2 mil dissidentes que não abandonaram a luta armada

Cerca de 1,2 mil guerrilheiros das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que se transformaram em partido político depois de um acordo de paz com o governo colombiano, não abandonaram a luta armada, declarou hoje o comandante do Exército, general Alberto Mejia. A agora Força Alternativa Revolucionária do Comum admitiu a deserção de 500 dissidentes.

Os rebeldes tentam financiar a luta armada com o tráfico de drogas e se aliar ao Exército de Libertação Nacional (ELN), que retomou as negociações de paz depois de violar a trégua e matar policiais em ataques a delegacias, ou ao Clã do Golfo, que reúne paramilitares de extrema direita desmobilizados durante o governo Álvaro Uribe (2002-10).

Desde a assinatura do acordo, em novembro de 2016, pelo menos 248 dissidentes das FARC foram mortos, presos ou entregues às autoridades, revelou o comandante do Exército. O novo partido colabora com o governo no combate à violência política e à erradicação das plantações de coca.

Com o fim da Guerra Fria e da União Soviética, em 1991, o tráfico de drogas passou a ser a principal fonte de financiamento das guerrilhas esquerdistas da Colômbia, prolongando a guerra civil iniciada em 9 de abril de 1948, com o assassinado do líder liberal e candidato a presidente Jorge Eliécer Gaitán.

O ELN teria hoje cerca de 1,5 mil homens em armas. A nova FARC teve um desempenho eleitoral medíocre. Seus candidatos ao Senado obtiveram apenas 52 mil votos, 0,34% do total.

terça-feira, 20 de março de 2018

Trump ignora assessor de Segurança Nacional e cumprimenta Putin

O conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, general Herbert McMaster, tem mais um motivo para deixar a Casa Branca, como antecipam os jornais. Mais uma vez, o presidente Donald Trump ignorou sua recomendação, noticiou o jornal The Washington Post

McMaster aconselhou Trump a não cumprimentar o presidente Vladimir Putin pela vitória numa eleição totalmente controlada e manipulada pelo Kremlin, no momento em que os EUA investigam a interferência indevida da Rússia nas eleições americanas de 2016.

Trump é suspeito de ser o principal beneficiário de um possível conluio de sua candidatura com Moscou para derrotar Hillary Clinton, que Putin culpa por mobilizações de massa da oposição quando ela era secretária de Estado, no primeiro governo Barack Obama. A interferência russa é objeto do inquérito do procurador especial Robert Mueller.

Desde a anexação ilegal da península da Crimeia, em março de 2014, os EUA e a União Europeia adotaram sanções contra a Rússia. As relações com o Ocidente estão no pior momento desde o fim da Fica a vontade com o líder russo.

Além de cumprimentar Putin, Trump não seguiu a orientação de seus assessores, que incluíram o envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal na Inglaterra entre os pontos a serem discutidos com o czar moderno, assim como a guerra civil na Síria e a questão nuclear da Coreia do Norte.

Na conversa, descrita pelo presidente americano como "muito boa", Trump sugeriu a realização de um encontro para evitar uma "nova corrida armamentista". Nenhuma palavra sobre a interferência russa nas eleições nos EUA nem sobre o espião.

"Provavelmente vamos nos encontrar num futuro não muito distante", disse o presidente dos EUA, embora nada esteja sendo planejado neste sentido, como esclareceu a assessora de imprensa da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders.

O cumprimento foi repudiado pelo senador John McCain, presidente da Comissão das Forças Armadas do Senado e candidato derrotado por Obama em 2008: "Um presidente americano não lidera o mundo livre cumprimentando ditador por ganharem eleições vergonhosas. Ao fazer isso com Vladimir Putin, o presidente Trump insultou todos os russos que não tiveram o direito de votar em eleições livres e limpas."

Putin ganhou com 76,6% dos votos, com a participação de 67,5% do eleitorado, de acordo com dados oficiais, mas circulam na Internet imagens de fraude eleitoral, com uma mesária enchendo a urna com cédulas de votação.

EUA, UE e Reino Unido exigem explicações do Facebook por roubo de dados

O fundador e presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, está sendo intimido a depor no Congresso dos Estados Unidos, no Parlamento Europeu e na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico para explicar como a empresa inglesa Cambridge Analytica roubou e manipulou os dados sobre 50 milhões de americanos para ajudar a campanha de Donald Trump para a Casa Branca. As multas serão pesadas.

A Comissão Federal de Comércio dos EUA está investigando se o Facebook violou um acordo de proteção da privacidade. A rede social coleta dados fornecidos voluntariamente por mais de 1 bilhão de usuários no mundo inteiro. Usa isso para fazer propagandas destinadas aos usuários, mas não pode passar essas informações a uma empresa que manipula campanhas políticas.

No olho do furacão, a Cambridge Analytica suspendeu seu diretor-geral, Alexandre Nix, depois de uma gravação clandestina apresentada no Canal 4 da televisão britânica em que fala de táticas desonestas, inclusive sexo e suborno, para ganhar eleições no exterior. Além da eleição de Trump, a empresa participou da campanha pela saída do Reino Unido da União Europeia.

A Cambridge Analytica foi fundada em 2013 por Steve Bannon, chefe da campanha de Trump e ex-assessor especial da Casa Branca, e pelo milionário conservador Robert Mercer, doador do Partido Republicano.

Através do Facebook, a pretexto de fazer pesquisa, encaminhou perguntas respondidas por 270 mil usuários. Aparentemente sem autorização do Facebook, a Cambridge Analytica ampliou a coleta de dados para os amigos desses usuários. A falta de controle interno do Facebook permitiu a operação, observou o jornal The Wall Street Journal.

Com as informações sobre 50 milhões de americanos extraídas do Facebook, a Cambridge Analytica fez um grande bancos de dados e uma série de perfis do eleitorado para produzir anúncios orientados diretamente para determinado grupo de eleitores. Um ex-funcionário acusou Bannon de supervisionar pessoalmente a coleta de dados no Facebook, revelou o jornal The Washington Post.

Desde que o escândalo veio à tona, no fim de semana, em dois dias, o Facebook perdeu US$ 50 bilhões em valor de mercado na Bolsa de Valores. O diretor de segurança da informação, Alex Stamos, está deixando a empresa. Stamos seria a favor de maior transparência, mas foi vencido no debate interno da diretoria.

Os investidores temem a regulamentação das megaempresas de alta tecnologia. Antes admiradas e respeitadas, companhias como a Apple, o Facebook e o Google são quase monopólios com um tremendo poder de mercado que usam, entre outras coisas, para comprar ou sufocar possíveis rivais.

Sarkozy é preso sob suspeita receber dinheiro de Kadafi para eleição de 2007

O ex-presidente Nicolas Sarkozy foi preso hoje de manhã para ser interrogado no inquérito sobre um suposto financiamento ilegal que teria recebido do ditador da Líbia, Muamar Kadafi, para a eleição de 2007. Ele passa a noite numa delegacia de polícia de Nanterre. Pode ficar detido por até 48 horas.

Em março de 2011, quando as Nações Unidas autorizaram uma intervenção militar na Líbia para impedir Kadafi de massacrar os rebeldes cercados em Bengázi, em meio a uma rebelião da chamada Primavera Árabe, o ditador declarou à mídia francesa que Sarkozy lhe devia a eleição porque ele dera 50 milhões de euros (R$ 200 milhões pela cotação de hoje) à campanha eleitoral do presidente da França.

Na época, o limite de gastos de uma campanha presidencial na França era de 21 milhões de euros (R$ 82 milhões). O caso está sob investigação desde 2013.

Sarkozy é ouvido pela primeira vez neste caso semanas depois da prisão, em Londres, de seu ex-assessor Alexandre Djouhri. Em novembro de 2016, um empresário franco-libanês confessou ter levado três malas cheias de dinheiro da Líbia para o diretor da campanha de Sarkozy, Claude Guéant.

Em entrevista ao sítio de notícias Mediapart, Ziad Takieddine revelou ter feito três viagens da capital líbia, Trípoli, a Paris. Em cada viagem, carregou uma mala com 1,5 a 2 milhões em notas de 200 e 500 euros. Ele disse ter recebido o dinheiro do chefe do serviço secreto militar de Kadafi, Abdallah Senussi.

O ex-presidente chamou Takieddine de "mentiroso" e "condenado inúmeras vezes por difamação". Sarkozy governou a França de 2007 a 2012, quando perdeu a reeleição para o socialista François Hollande. Pouco depois da posse, convidou o ditador líbio para uma visita de Estado.

Durante a guerra civil na Líbia, temendo massacres e uma fuga em massa de refugiados pelo Mar Mediterrâneo, Sarkozy articulou com os Estados Unidos e o Reino Unido uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e de países árabes.

Essa intervenção foi decisiva para a queda e morte de Kadafi, em 2011. Não houve uma missão internacional de paz da ONU. Até hoje, a Líbia está em estado de anarquia, com governos paralelos e milícias rivais lutando pelo poder.

Em 2016, Sarkozy ficou em terceiro lugar nas eleições prévias do partido gaullista, conservador, de centro-direita, que hoje se chama Os Republicanos e perdeu muitos eleitores e deputados com a ascensão do presidente Emmanuel Macron e sua República em Marcha.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Carro sem motorista atropela e mata pedestre em teste no Arizona

A empresa Uber suspendeu as experiências com automóveis dirigidos automaticamente, sem motorista, depois da primeira morte de um pedestre em acidente causado por um de seus veículos autômos em teste nos Estados Unidos. Em 2016, o motorista de um Tesla morreu quando usava o piloto automático.

A morte de uma mulher em Tempe, no estado do Arizona, reabre o debate sobre veículos autônomos no momento em que as empresas tentam desenvolver a tecnologia e as autoridades estudam sua regulamentação.

Os testes da Uber estão sendo realizados em Tempe, São Francisco e Pittsburgh, nos EUA, e Toronto, no Canadá. O acidente aconteceu ontem por volta das 22h. A mulher atravessava a rua fora da faixa de segurança quando foi atingida.

"O veículo envolvido era um dos veículos autônomos da Uber", declarou a polícia da cidade. "Estava em modo autônomo no momento da colisão, com um operador na direção." A vítima foi hospitalizada, mas não resistiu aos ferimentos.

domingo, 18 de março de 2018

Descontentamento militar aumenta ameaça de golpe contra Maduro

Com a economia em colapso, cresce a ameaça de um golpe militar contra o ditador Nicolás Maduro na Venezuela. Há um expurgo silencioso em andamento dos oficiais que participaram da tentativa de golpe liderada pelo coronel Hugo Chávez contra o presidente Carlos Andrés Pérez, em 4 de fevereiro de 1992.

Mais de cem militares foram presos desde o início do ano, inclusive comandantes de batalhão, sargentos, tenentes e até mesmo generais. Na quinta-feira, foi detido o general Alexis López Ramírez, ex-secretário do Conselho de Defesa da Nação (Codena). As autoridades não confirmaram a prisão e a família não sabe onde ele está.

As casas dos coronéis Erik Peña e Igber José Marín Chaparro, comandante do Batalhão de Infantaria Motorizada Juan Pablo Ayala, foram revistadas por agentes da Direção Geral de Contrainteligência Militar na mesma quinta-feira. Eles foram detidos em 2 de março sob a suspeita de pertencerem ao Movimento de Transição para a Dignidade do Povo, de oposição a Maduro.

Em 14 de fevereiro, foram presos o ex-ministro do Interior general da reserva Miguel Rodríguez Torres e 19 oficiais da ativa da Força Armada Nacional Bolivarista (FANB), entre eles comandantes de unidades com alto poder de fogo.

Antes de sua prisão, o general López Ramírez manifestou solidariedade ao companheiro: "Minha solidariedade ao companheiro RodTor, suas filhas e toda a sua família. Tudo passará e a Venezuela recuperará o caráter republicano que nos legou Bolívar e a democracia que tanto esforço, sofrimento e sangue nos custou no século passado. Viva Bolívar! Viva a Venezuela!"

Um mês antes da prisão de Rodríguez, em 15 de janeiro, o policial e piloto de helicóptero rebelde Óscar Pérez foi sumariamente fuzilado quando tentava se entregar ao ser encurralado, meses depois de atacar o Ministério do Interior no ano passado.

Ao liquidar o Rambo venezuelano, o policial era dublê de personagem do cinema e da televisão, Maduro mandou um recado claro: nenhuma dissidência militar será tolerada. Com a oposição desarmada, o ditador sabe que qualquer desafio à sua autoridade virá dos homens em armas. O fim da ditadura depende de uma cisão interna.

Agora, o próximo preso seria o general Clíver Alcalá Cordones.

"Não tenho dúvidas em assinalar que a Venezuela enfrenta a pior crise militar desde 1992. A de 2002 foi palaciana, daí a diferença", alertou a advogada venezuelana Rocío San Miguel, diretora da organização não governamental Controle Cidadão, comparando a situação atual com o golpe contra o então presidente Hugo Chávez 16 anos atrás.

"Pela primeira vez em seis anos, incluo o golpe de Estado entre minhas hipóteses, não com alta probabilidade, mas sim como uma variável em crescimento sustentado. E não necessariamente violento, mas como um produto de um acordo do chavismo militar dentro da FANB", acrescentou a advogada.

Com o colapso da economia, 40% menor do que em 2013, quando Chávez morreu, uma inflação de 13.000% ao ano, dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), e desabastecimento generalizado, os venezuelanos estão passando fome. Cada cidadão perdeu em média oito quilos nos últimos anos.

O governo Maduro distribui cestas básicas na periferia na campanha para a eleição presidencial de 20 de maio, mas policiais e militares de baixas patentes estão excluídos das mordomias do fracassado "socialismo do século 21". Suas famílias também passam fome e outras necessidades, como a falta de medicamentos básicos. A inquietação nos quartéis mina o regime. A fome tem um poder revolucionário.

Entre os presos, "não há militares oposicionistas", observa a analista Sebastiana Barráez. "Tinham comando e só aos mais testados dão poder de fogo." Ela entende que Maduro "pôs toda a FANB sob suspeita porque acabam de cair os 'incondicionais', os 'profundamente chavistas' e do componente mais determinante, o Exército. Está justificado o alarme."

O expurgo dos "profundamente chavistas", os aliados de primeira hora da tentativa de golpe de 1992, com a prisão do ex-ministro Rodríguez Torres, na opinião da advogada Rocío San Miguel, "é apenas uma mostra da ruptura em marcha entre o chavismo e o madurismo nas FANB. São previsíveis novas prisões nas próximas horas", previu, antes da detenção de López Ramírez.

"Aqui não pode haver golpe de Estado. Estamos no século 21", declarou à televisão estatal TeleSur o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, homem-forte do regime. Mas admitiu: "Agora, há tentativas e conspirações, e do império estão movimentando suas marionetes aqui na Venezuela, tentando fazer o que é impossível, usar a FANB com propósitos obscuros. A FANB está curada, tem maturidade política suficiente, tem integridade constitucional suficiente."

Por outro lado, a oposição formou a Frente Ampla Venezuela Livre para protestar contra a eleição presidencial antecipada por Maduro. Durante várias reuniões durante o fim de semana, uma nota foi lida na Universidade Andrés Bello: "Ratificamos a Assembleia Nacional como único órgão legislativo e desconhecemos a assembleia nacional constituinte que, sem tempo nem condições, convocou um evento presidencial, legislativo, regional e municipal que deveria ser feito de forma separada por ordem constitucional. Propomos uma ampla aliança em que esteja incorporada a FANB para dizer não à farsa eleitoral. Queremos votar, mas sem repressão, perseguição e inabilitação."

Putin é reeleito com mais de 70% dos votos

Como sempre na Rússia, o candidato do Kremlin ganhou. Com 98,6% dos votos apurados na eleição de hoje, o presidente Vladimir Putin está reeleito com quase 56,2 milhões de votos (77%) para um quarto mandato, agora de seis anos. 

O segundo colocado é o candidato do Partido Comunista, Pavel Groudinine, com 8,6 milhões (11,8%), seguido pelo ultranacionalista Vladimir Jirinovsky com 4,1 milhão (5,6%) e pela jornalista Ksenia Sobchak com 1,2 milhão (1,67%).

Com a vitória garantida, a grande preocupação do Kremlin era com o comparecimento às urnas. Proibido de concorrer por causa de processos forjados, o principal líder da oposição, Alexei Navalny defendeu um boicote. De acordo com a Comissão Central Eleitoral, 64% ou 73,3 dos 110 milhões de eleitores russos foram às urnas.

Exilado em Moscou desde 2013 por revelar um megaesquema da espionagem dos Estados Unidos na Internet, o americano Edward Snowden denunciou no Twitter uma gigantesca fraude eleitoral.

Para o deputado Igor Morozov, o confronto com o Ocidente ajudou a reeleição: "Os americanos e britânicos têm de entender que não podem influenciar o resultado da eleição. Nossos concidadãos compreendem a situação em que a Rússia se encontra hoje."

Putin chegou ao poder em 1999 como primeiro-ministro de Boris Yeltsin, a quem sucedeu depois de iniciar a Segunda Guerra da Chechênia (1999-2000) em reação contra ações terroristas de extremistas muçulmanos no Norte do Cáucaso. Foi sua primeira tentativa de restaurar o poder imperial da Rússia, perdido desde o fim da União Soviética, em 1991, que ele considera a "maior catástrofe geopolítica do século 20".

Em março de 2000, Putin já estava no cargo como substituto de Yeltsin quando foi eleito presidente pela primeira vez. Ex-diretor do Serviço Federal de Segurança, sucessor do KGB (Comitê de Defesa do Estado), a polícia política soviética, Putin combateu a anarquia da era pós-URSS resgatando o autoritarismo.

A pretexto de combater movimentos nacionalistas pela independência como o da Chechênia, as eleições diretas para as hoje 83 unidades administrativas da Federação Russa foram suspensas. Aumentou o combate às ideias liberais, da censura à perseguição de homossexuais, jornalistas e defensores dos direitos humanos.

No plano internacional, a restauração do poder imperial soviético significa manter a esfera de influência de Moscou sobre o "exterior próximo", as antigas repúblicas da URSS, o antigo império interior soviético, e sobre o antigo Bloco Soviético na Europa Oriental, o antigo império exterior soviético.

Assim, as revoluções liberais Rosa (2003), na ex-república soviética da Geórgia, e Laranja (2004), na ex-república soviética da Ucrânia, foram vistas como conspirações do Ocidente para enfraquecer a Rússia. Em 2008, a Rússia interveio na Geórgia numa guerra rápida, consolidando o poder de aliados de Moscou nas regiões da Abecásia e da Ossétia do Sul.

Com a alta nos preços internacionais do petróleo, a economia russa se recuperou do colapso de agosto de 1998 e teve boas taxas de crescimento até a Grande Recessão (2008-9), quando levou um tombo de 8%. Putin aproveitou para reconstruir o única indústria competitiva da Rússia, o setor bélico.

De 2008 a 2012, cumprindo o limite constitucional uma reeleição, Putin trocou de lugar com o primeiro-ministro Dimitri Medvedev, um fiel escudeiro que nunca tentou um golpe palaciano.

Na campanha para as eleições parlamentares de dezembro de 2011, em plena Primavera Árabe, Putin viu a influência do Ocidente nas grandes mobilizações da oposição e lançou nova onda repressiva contra liberais em geral e as organizações não governamentais, especialmente as estrangeiras.

O conflito com o Ocidente se acirrou com a revolta popular na Ucrânia, em novembro de 2013, quando o presidente Viktor Yanukovich abandonou uma negociação para fazer um acordo com a União Europeia. Na visão de Putin, mais uma tentativa de enfraquecer a Rússia, como se a Ucrânia não tivesse o direito de entrar para a UE.

Desta vez, Putin decidiu reagir. Logo depois da queda de Yanukovich, em fevereiro de 2014, soldados da Frota do Mar Negro, baseada no porto de Sebastopol, começaram a assumir o controle da região da Crimeia, onde a maioria da população é de origem russa. Há quatro anos, a Rússia anexava oficialmente a Crimeia.

Em abril de 2014, com inspiração, armas, dinheiro, mercenários e soldados da Rússia, começava uma rebelião em províncias do Leste da Ucrânia com maioria de origem étnica russa. Mais de 10 mil pessoas foram mortas até novembro de 2017.

Os Estados Unidos e a União Europeia impuseram sanções que agravaram a crise econômica da Rússia, abalada pela queda nos preços internacionais do petróleo, que baixaram de US$ 110 por barril em junho de 2014 para pouco mais de US$ 60 hoje.

Com a deterioração da economia, Putin usa a guerra para insuflar uma onda nacionalista e apresentar a Rússia como vítima de uma conspiração internacional. Em 30 de setembro de 2015, a Rússia entrou na guerra civil da Síria em apoio à ditadura de seu aliado Bachar Assad para preservar sua base naval em Tartus, no Mar Mediterrâneo, e se reafirmar como grande potência no Oriente Médio.

Esse apoio foi decisivo para o regime de Assad recuperar o controle sobre a maior parte do país, enquanto Putin tenta articular um acordo de paz que o mantenha no poder contra a vontade dos EUA e seus aliados europeus.

A julgar pelo resultado das urnas, as bravatas militaristas de Putin tem apoio popular. O envenenamento de um ex-agente duplo russo na Inglaterra e a reação indignada do governo britânico, com a expulsão de 23 diplomatas de cada lado, reforçaram a imagem de líder todo-poderoso que Putin tenta apresentar aos russos.

sábado, 17 de março de 2018

Subdiretor do FBI demitido entregou relatos de encontros com Trump ao procurador especial

Numa vingança pessoal do presidente Donald Trump, o secretário da Justiça, Jeff Sessions, demitiu ontem o subdiretor do FBI (Federal Bureau of Investigation), Andrew McCabe, dois dias antes do prazo para ele se aposentar com vencimentos integrais. 

Como sentia-se perseguido, McCabe entregou memorandos de seus encontros com o presidente ao procurador especial Robert Mueller, que investiga a interferência da Rússia nas eleições nos Estados Unidos e um possível conluio da campanha de Trump com o Kremlin.

Sob pressão da Casa Branca, McCabe deixou o cargo em janeiro. Estava afastado sob licença, aguardando o prazo para se aposentar. Ao justificar a demissão, Sessions citou uma investigação do Inspetor Geral para acusar o ex-subdiretor de fazer revelações não autorizadas aos meios de comunicação e por "falta de candura - inclusive sob juramento - em múltiplas ocasiões".

Em sua conta no Twitter, Trump festejou: "É um grande dia para os homens e mulheres que trabalham duramente no FBI. Um grande dia para a democracia. Santinho James Comey era seu chefe e fez McCabe parecer um sacristão. Ele sabia tudo sobre as mentiras e a corrupção nos altos níveis do FBI!"

McCabe reagiu imediatamente. Denunciou uma manobra da "guerra contra o FBI" para desacreditar a investigação do procurador especial: "É parte de um esforço para me desacreditar como testemunha. É extremamente injusto com minha reputação depois de 21 anos de carreira."

Ele foi diretor-geral interino do FBI, a polícia federal dos EUA, depois que Trump demitiu o diretor-geral James Comey, em 9 de maio de 2017, depois de pressioná-lo, sem sucesso, a encerrar o inquérito sobre as relações de seu ex-assessor de Segurança Nacional, general Michael Flynn, com a Rússia.

Como Mueller pediu documentos da Organização Trump, o presidente sente o inquérito se aproximar cada vez mais dele e de sua família. Quatro ex-assessor de Trump, 13 russos e quatro empresas russas já foram denunciadas criminalmente pelo procurador especial.

Quando recebeu McCabe na Casa Branca, Trump perguntou em quem ele havia votado na eleição presidencial. McCabe respondeu que não havia votado. O presidente considera a lealdade uma questão pessoal, enquanto os altos funcionários do FBI como Comey ou McCabe vêm de uma cultura de serviço público de trabalhar para o país e não para pessoas.

O governo acusa McCabe de interferir na investigação do FBI sobre o correio eletrônico privado usado por Hillary Clinton quando secretária de Estado. Sua mulher foi candidata a senadora estadual pelo Partido Democrata na Virgínia, quando recebeu US$ 700 mil de um comitê de campanha de um aliado de Hillary.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Trump forma um ministério de comentaristas de televisão

O primeiro presidente da era dos reality shows monta um governo de comentaristas de televisão, observa hoje o boletim The Daily 202, do jornal The Washington Post. Donald Trump, um presidente com fama de não ler nem o informe de inteligência preparado diariamente pelos serviços secretos dos Estados Unidos, se informa pela TV e nela recruta seus ministros.

No Departamento de Estado, Rex Tillerson, foi substituído pelo diretor da CIA (Agência Central de Inteligência), Mike Pompeo, sempre pronto a defender o presidente nos programas de entrevistas. Trump não confirma, mas deve substituir o assessor de Segurança Nacional, general Herbert McMaster. O mais cotado é o ex-embaixador na ONU John Bolton, comentarista do canal direitista Fox News.

Como principal conselheiro econômico da Casa Branca, sai Gary Cohn, ex-diretor do banco de investimentos Goldman Sachs, e entra Larry Kudlow, analista do canal de notícias CNBC. Para assumir a Secretaria dos Veteranos, o favorito é Pete Hagseth, apresentador do programa Fox and Friends Weekend.

Heather Nauert, ex-apresentadora do programa Fox and Friends, foi promovida de porta-voz do Departamento de Estado a subsecretária de Estado para Diplomacia Pública. Substitui Steve Goldstein, demitido por contradizer publicamente a Casa Branca ao questionar a demissão do secretário Rex Tillerson.

Como de costume, Trump desvaloriza o conhecimento e os verdadeiros especialistas, e opta por celebridades. Durante a transição entre a eleição e a posse, o presidente manifestou o interesse de levar Bolton, Hegseth e Kudlow para o governo. Foi convencido de que eles não eram qualificados para o cargo.

Cada vez mais Trump forma um governo com sua cara e suas ideias.

Civis fogem em massa de regiões sob ataque na Síria

Cerca de 20 mil civis fugiram ontem do distrito de Guta Oriental, alvo há semanas de uma ofensiva do Exército da Síria e aliados, inclusive a Força Aérea da Rússia. No Norte da Síria, milhares de curdos fogem de uma ofensiva da Turquia para evitar a criação de um enclave em sua fronteira.

A guerra civil síria completou sete anos com um total de 500 mil. Cerca de 12 milhões, mais metade da população, fugiram de casa e 5,5 milhões saíram do país. A tragédia humanitária continua sem trégua. 

Com a cobertura dos bombardeios aéreos, as forças leais à ditadura de Bachar Assad avançam por terra. Já controlam mais da metade do território de Guta Oriental, uma região agrícola na periferia de Damasco, último reduto dos rebeldes nos arredores da capital síria.

Só da cidade de Hamuriê saíram 10 mil pessoas nos últimos dias. Quem ficou se esconde em ruínas, túneis e cavernas. "Fugi através do campo", contou um sírio via Skype ao jornal americano The Washington Post. "Havia um intenso bombardeio a meu redor. A fuga é um renascimento porque o suplício aqui era igualmente perigoso."

Outra testemunha contou que "famílias inteiras foram assassinadas. Seus corpos estão jogados nas ruas. Ninguém pode ajudar por causa dos bombardeios."

A Batalha de Guta Oriental é das mais encarniçadas da guerra civil síria. O total de mortos é estimado em 1,8 mil.

Em Ancara, a Turquia repudiou uma moção aprovada no Parlamento Europeu para exigir a retirada imediata da região de Afrin. Quando uma milícia árabe-curda financiada, treinada e armada pelos Estados Unidos para combater o Estado Islâmico ocupou a área, o governo turco viu uma ameaça por causa da ligação dos guerrilheiros curdos com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que luta pela autonomia dos curdos da Turquia.

O ditador turco, Recep Tayyip Erdogan, teme que os curdos da Síria se juntem aos do Iraque para proclamar a independência do Curdistão e reivindicar a soberania sobre a região de maioria curda na Turquia.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Trump vai demitir assessor de Segurança Nacional da Casa Branca

Depois do secretário de Estado Rex Tillerson, o maior peso-pesado a deixar o caos do governo Donald Trump, o presidente também deve trocar o assessor de Segurança Nacional, general Herbert McMaster, revelou o jornal The Washington Post.

Apesar do caos em seu governo, Trump se considera fortalecido neste momento pela imposição da tarifas de importação de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio, e o anúncio do encontro de cúpula com o ditador da Coreia do Norte. Os novos secretário de Estado e assessor de Segurança Nacional terão de correr para preparar a reunião histórica com Kim, prevista para o fim de maio.

McMaster, um general de três estrelas, pode agora voltar ao Exército. Ao lado do secretário da Defesa, James Mattis, e do ex-secretário de Estado Rex Tillerson, era considerado um dos "adultos" do governo, capazes de corrigir a infantilidade do presidente.

Como general da ativa, homem austero e disciplinado, McMaster tem um profundo senso do dever que não se confunde com a lealdade pessoal incondicional exigida por Trump dos subordinados. Quando o presidente reclamou no Twitter que o general não havia feito esforços para defendê-lo, sua sorte estava selada.

Trump negou. No Twitter, declarou ter ótimas relações com seu conselheiro de Segurança Nacional. Tenta ganhar tempo e desmentir a imprensa liberal, que detesta. Mas a saída de McMaster é iminente.

O governo fica cada vez mais com a cara de Trump. O novo secretário de Estado, Mike Pompeo, se negou a condenar a censura e não acredita no acordo nuclear com o Irã. A nova diretora da CIA (Agência Central de Inteligência), Gina Haspel, é acusada de participar de sessões de tortura. Trump acredita na tortura.

Ontem, Larry Kudlow, um comentarista de televisão conservador sem diploma da economia foi nomeado principal conselheiro econômico da Casa Branca, em substituição a Gary Cohn, que sai porque, como defensor do livre comércio, é contra as tarifas de Trump.

Um nome cotado para conselheiro de Segurança Nacional é John Bolton, embaixador dos EUA nas Nações Unidas em 2005 e 2006, no governo George W. Bush (2001-9). É um linha-dura do Partido Republicano, um ultrarrealista. Como Trump, acredita mais no uso da força do que na diplomacia.

Entrevistei Bolton numa palestra no Royal Institute of International Affairs (RIIA), a Chatham House, em Londres. Ele reagiu com fúria a uma pergunta sobre a Iniciativa Europeia de Defesa Estratégica (ESDI), o embrião de um Exército da Europa. Como Trump, Bolton não gosta de nada que possa afetar nem de longe a supremacia estratégica e militar dos EUA.

Procurador especial intima Organização Trump a entregar documentos

A investigação do procurador especial Robert Mueller sobre a interferência da Rússia na eleição presidencial de 2016 se aproxima do presidente Donald Trump. Mueller intimou a Organização Trump a entregar documentos no mesmo dia em que o governo dos Estados Unidos anunciou sanções contra 19 cidadãos e cinco organizações russas.

Em julho do ano passado, Trump declarou que o limite tolerável do inquérito era as finanças de sua família. Hoje a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, teve de declarar mais uma vez que "não houve conluio entre a candidatura Trump e a Rússia".

As intimações foram encaminhadas semanas atrás, revelou o jornal The New York Times. Os documentos são sobre as relações do grupo empresarial com a Rússia e outros tópicos de interesse da investigação.

São indicações de que o inquérito deve durar ainda vários meses. Mueller está examinando as fontes de financiamento do exterior para a campanha de Trump. Já interrogou um assessor do governo dos Emirados Árabes Unidos sobre o apoio a Trump.

Mueller denunciou vários ex-assessores do presidente dos EUA, 13 cidadãos e três empresas da Rússia.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Consumo pessoal cai nos EUA pelo terceiro mês seguido

As vendas ao consumidor registraram em fevereiro de 2018 o terceiro mês consecutivo de queda. É a primeira vez que isso acontece em cinco anos e meio. Como a inflação, divulgada ontem, está sob controle, as duas notícias reforçam a possibilidade de que o Conselho da Reserva Federal (Fed), o banco central dos Estados Unidos, aumente as taxas básicas de juros três vezes em vez de quatro.

Os dados sobre o contínuo fortalecimento do mercado de trabalho, com índice de desemprego de 4,1%, publicados na semana passada, aumentaram a expectativa de quatro altas de juros. Mas as vendas baixaram 0,3% em fevereiro depois de quedas de 0,1% em dezembro e janeiro.

Desde o segundo trimestre de 2012, não havia queda no consumo pessoal nos EUA por três meses seguidos. A expectativa dos economistas era de uma alta de 0,3%.

A inflação anual subiu de 2,1% para 2,2% em fevereiro, mas o núcleo do índice, excluídos os preços mais voláteis de energia e alimentos, ficou em 1,8%, dentro da meta perseguida informalmente pelo Fed, de 2% ao ano.

Reino Unido expulsa diplomatas russos por ataque a ex-agente duplo

Na maior expulsão de espiões do país desde o fim da Guerra Fria, o Reino Unido anunciou hoje que 23 diplomatas da Rússia terão de deixar o país em duas semanas. Todos os contatos de alto nível entre os dois países estão suspensos.

É uma retaliação a um ataque químico contra o ex-agente duplo russo Serguei Skripol, encontrado inconsciente junto com a filha numa praça em Salisbury, na Inglaterra, em 4 de março. Ambos continuam hospitalizados em estado grave.

A Rússia nega qualquer participação no ataque. Sua embaixada em Londres considerou a medida "inaceitável, injustificável e míope".

Para a primeira-ministra britânica, Theresa May, não há dúvidas. Além da expulsão de 23 diplomatas considerados espiões, ela ameaçou congelar bens e ativos do governo russo no Reino Unido. As autoridades britânicas não irão à Rússia durante a Copa do Mundo.

May dera prazo até a meia-noite de ontem pelo horário britânico para a Rússia explicar o uso de um agente nervoso, uma arma química proibida.

"Sua resposta demonstra o total desdém pela gravidade dos fatos", declarou a primeira-ministra à Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico. "Trataram o uso de um agente nervoso de grau militar na Europa com sarcasmo, desprezo e desafio. Isso representa um uso ilegal da força pelo Estado russo contra o Reino Unido."

Skripal era um agente duplo. Entregou os nomes de vários espiões russos aos serviços secretos ocidentais. Preso em 2006, foi libertado em 2010 numa troca de espiões e foi morar no Reino Unido, onde deveria estar sob a proteção do serviço secreto britânico.

O caso está sendo comparado ao assassinato de outro ex-espião russo. Alexander Litvinenko definhou diante das câmeras durante três semanas até morrer depois de ser envenenado em 1º de novembro de 2006 por dois ex-colegas num hotel de Londres.

A Rússia negou a extradição dos dois acusados. Um deles, Andrei Lugovoi, é deputado da Duma do Estado, a câmara baixa do Parlamento russo. Cometou o discurso da primeira-ministra britânica ao vivo na televisão estatal.

terça-feira, 13 de março de 2018

Total de venezuelanos que saem do país aumentou 20 vezes

Só no ano passado, 94 mil venezuelanos pediram asilo em outros países. De 2014 até 7 de março de 2018, a fuga do país aumentou 20 vezes, e chegou a um total de 145,2 mil pessoas, revelou hoje o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). Outras 444,8 mil pessoas saíram da Venezuela, mas não fixaram oficialmente residência no exterior.

A ONU atribui a emigração em massa "aos complexos acontecimentos políticos e socioeconômicos da Venezuela. Os motivos para a saída do território incluem insegurança e violência, falta de comida, remédios ou acesso a serviços sociais essenciais, assim como perda de renda."

Sob o desgoverno do ditador Nicolás Maduro, a Venezuela vive a pior crise econômica de sua história, apesar de ter as maiores reservas mundiais comprovadas de petróleo, por causa do fracasso do "socialismo do século 21" implantado pelo caudilho Hugo Chávez, que morreu em 5 de março de 2013.

Sem o talento nem o carisma do chefe, Maduro está arruinando a Venezuela numa escala sem precedentes para um país relativamente desenvolvido em tempo de paz. Com os controles de câmbio e preços, o regime chavista causou uma hiperinflação que deve chegar a 13.000% neste ano.

Desde a ascensão de Maduro, o produto interno bruto caiu pelo menos um terço. Isso caracteriza uma recessão econômica. Mas a situação é muito pior. Mais de 80% dos produtos desapareceram das prateleiras dos supermercados. Os venezuelanos perderam peso com a fome.

A vitória da oposição nas eleições parlamentares de dezembro de 2015 foi o último suspiro da democracia. O Tribunal Supremo de Justiça, subserviente ao regime, impugnou a eleição de cinco deputados para tirar a maioria de dois terços que em tese daria à oposição o direito de reformar a Constituição.

Depois de uma tentativa do TSJ de usurpar o Poder Legislativo da Assembleia Nacional, desafiada por uma onda de manifestações de protesto em abril, maio e junho de 2017, Maduro convocou uma Assembleia Nacional Constituinte eleita por regras especiais criadas pelo regime chavista.

A oposição boicotou a Constituinte de Maduro, que transformou definitivamente o regime numa ditadura ao marginalizar a Assembleia Nacional eleita democraticamente.

No ano passado, a Venezuela teve o segundo maior índice de homicídios do mundo fora de zonas de guerra, atrás apenas de El Salvador. Em 2014, o índice era de 62 homicídios para cada 100 mil habitantes por ano, de acordo com a então procuradora-geral Luisa Ortega. A taxa considera civilizada é até 10.

Como 95% dos mortos são homens e 69% jovens, a taxa de homicídios entre os jovens chegou a 225 por 100 mil no ano 2000. Cerca de 92% dos homicídios são cometidos com armas de fogo, 83% perto da casa das vítimas, 55% em altercações públicas e 55% das mortes violentas ocorrem nos fins de semana.

Para manipular a eleição presidencial, remarcada de 22 de abril para 20 de maio, a ditadura madurista vetou os principais candidatos, partidos e a grande aliança oposicionistas, antecipou a votação, prevista para ocorrer no fim do ano, e está distribuindo cestas básicas em áreas carentes.

Trump demite secretário de Estado e indica chefe da CIA para o cargo

Em mais uma decisão inesperada, o presidente Donald Trump demitiu hoje o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, alegando os dois têm "mentalidades diferentes" e discordavam em questões importantes como o acordo nuclear com o Irã. 

O novo chefe da diplomacia dos Estados Unidos será o atual diretor de Agência Central de Inteligência (CIA), Mike Pompeo, que será substituído por Gina Haspel. Ela é acusada de participar de tortura de suspeitos de terrorismo na Tailândia, em 2002, e de destruir gravações que poderiam ser provas, em 2005.

Depois de um ano e dois meses no cargo, Tillerson soube da demissão pelo Twitter, pouco depois do jornal The Washington Post dar a notícia em primeira mão. Ele agradeceu a quem trabalhou com ele nos departamento de Estado e da Defesa, mas não ao presidente.

Trump e Tillerson tiveram várias desavenças em público. Na audiência de confirmação no Senado, em fevereiro do ano passado, o secretário adotou uma posição muito mais dura em relação à Rússia do que o discurso do presidente, suspeito de conluio com o Kremlin durante a campanha.

Tillerson propôs em abril um corte de 2,3 mil empregos e de 26% do orçamento do Departamento de Estado para poupar recursos a serem investidos pelo Departamento de Defesa dentro da política de Trump de dar mais valor ao poderio militar do que à diplomacia, como se o sucesso de um não dependesse do outro.

Internamente, isso foi visto como um enfraquecimento da diplomacia americana. Muitos diplomatas pediram demissão ou se aposentaram. Subsecretários como o da América Latina não foram nomeados.

O presidente rejeitou, em maio, o nome sugerido por Tillerson para subsecretário de Estado, Elliott Abrams, um linha dura da era Ronald Reagan (1981-89), por tê-lo criticado durante a campanha.

Apesar dos apelos de Tillerson, do secretário da Defesa, James Mattis, e dos generais do Pentágono, em 2 de junho, Trump anunciou a retirada dos EUA do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima.

Quando a Arábia Saudita, o Egito e outras monarquias petroleiras do Golfo Pérsico decidiram boicotar e isolar o Catar sob a acusação de ser próximo do Irã, Trump apoiou a iniciativa do novo príncipe herdeiro saudita, Mohamed ben Salman. Tillerson pediu união no combate ao terrorismo.

Em outubro do ano passado, a imprensa americana revelou que o secretário chamou o presidente de idiota. Trump respondeu via Twitter que é mais inteligente e tem um quociente intelectual (QI) maior.

No mesmo mês, o presidente desprezou o esforço do secretário para negociar com a Coreia do Norte no Twitter: "Poupe sua energia, Rex! Vamos fazer o que tiver de ser feito", como quem diz que não valeria a pena o esforço de negociar, numa ameaça de uso da força.

Na semana passada, convidado pelo ditador Kim Jong Un para ir a Pyongyang, Trump aceitou imediatamente, enquanto o secretário observava que seriam necessários meses para preparar tal encontro.

Quanto ao Irã, Tillerson é a favor da manutenção do acordo nuclear negociado com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Sob pressão da direita republicana e de Israel, Trump é contra. Não acredita que o modelo iraniano sirva para negociar com a Coreia do Norte.

A esperada reunião de cúpula com o ditador norte-coreano será organizada por Pompeo, um linha-dura que se negou a condenar a tortura, fez várias declarações preconceituosas sobre muçulmanos, é contra o acordo nuclear com o Irã e não acredita que Kim cogite abrir mão de suas armas atômicas.

Republicanos da Câmara tentam eximir Trump de conluio com a Rússia

A Comissão de Inteligência da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos encerrou sua investigação sobre um possível conluio da candidatura Donald Trump com o governo da Rússia na eleição de 2016, anunciou ontem o deputado Mike Conaway, líder republicano na comissão. 

A fase de tomada de depoimentos está encerrada, informou o deputado, enquanto o inquérito do procurador especial Robert Mueller segue em frente, observou o jornal The New York Times. Um anteprojeto de relatório final, de 150 páginas, será apresentado hoje à bancada democrata.

Sua conclusão final vai contra o entendimento da bancada democrata e de Mueller, primeiro, de que seja hora de encerrar a investigação da Câmara e, em segundo lugar, porque há vários indícios de cumplicidade entre a equipe de Trump e o Kremlin.

"Não encontramos prova de conluio", declarou ontem Conaway. "Descobrimos talvez erros de julgamentos, encontros inapropriados, julgamentos inapropriados em participar de encontros - mas só Tom Clancy poderia juntar essa série de encontros e contatos inadvertidos e tecer uma história de espionagem."

Trump imediatamente aplaudiu a decisão via Twitter: "A Comissão de Inteligência da Câmara, depois de uma profunda investigação de 14 meses, não encontros provas de conluio ou coordenação entre a campanha de Trump e a Rússia para influenciar a eleição presidencial de 2016."

O líder democrata na comissão, deputado Adam Schiff, repudiou a posição do Partido Republicano como "um marco trágico" e "uma capitulação diante do Executivo".

"Ao encerrar seu papel de supervisão na única investigação autorizada na Câmara, a maioria colocou o interesse de proteger o presidente acima da proteção ao país", disparou Schiff. "A história vai julgar suas ações com dureza."

segunda-feira, 12 de março de 2018

Primeira-ministra britânica acusa Rússia de tentar matar agente duplo

Em discurso hoje à tarde na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, a primeira-ministra Theresa May considerou "muito provável" que o governo da Rússia seja responsável pela tentativa de assassinato do ex-agente duplo Serguei Skripal. Ele e a filha foram encontrados inconscientes numa praça da cidade de Salisbury, na Inglaterra, em 4 de março, e continuam hospitalizados em estado grave.

"Não podemos tolerar uma tentativa descarada de assassinar civis inocentes em nosso solo", bradou May.

A Rússia nega qualquer participação no ataque, mas restam poucas dúvidas. O governo britânico exigiu explicações da Rússia até amanhã à noite junto à Organização para a Proscrição de Armas Químicas (OPAQ), já que a arma usada foi um agente nervoso proibido. Caso contrário, ameaça impor novas sanções.

Skripal passou nomes de agentes russos aos serviços secretos ocidentais. Preso em 2004, foi condenado a 13 anos de prisão, mas saiu numa troca de espiões realizada com os Estados Unidos, em 2010.

May quer o apoio e a solidariedade dos países da Europa, dos quais o Reino Unido está se afastando ao sair da União Europeia. Ela prometeu medidas duras. Durante o debate, um deputado chegou a sugerir o confisco de bens e propriedades de aliados do presidente Vladimir Putin no país.

Com a Brexit (saída britânica da UE), o Reino Unido fica mais frágil. May sabe que as relações econômicas com a Rússia serão importantes quando o país sair do processo de integração europeia.

Em novembro de 2006, o ex-espião russo Alexander Litvinenko definhou diante das câmeras até morrer depois de ser envenenado por ex-colegas com Polônio-210 num hotel de Londres. O principal acusado, Andrei Lugovoi, é hoje deputado da Duma do Estado, a câmara baixa do Parlamento da Rússia.

domingo, 11 de março de 2018

Congresso da China confirma fim dos limites à reeleição presidencial

Como esperado, o Congresso Nacional do Povo aprovou hoje uma emenda constitucional acabando com os limites à reeleição do presidente da China, em vigor há 35 anos. Na prática, Xi Jinping deve virar presidente perpétuo e ditador vitalício, praticamente um imperador.

A proposta teria sido lançada pelo próprio Xi numa reunião do Comitê Central do Partido Comunista em 29 de setembro, antes mesmo de ser oficialmente reconduzido à liderança do partido, em outubro. Para não parecer um ditador, Xi deixou a iniciativa para dirigentes municipais e provinciais do partido.

Quando o então presidente Hu Jintao propôs reformas constitucionais, os projetos de emenda circularam nos órgãos do partido dois meses antes da sessão anual do Congresso. A proposta de reeleição ilimitada surgiu apenas oito dias antes, deixando pouco tempo para uma possível contestação, que não aconteceu.

Ao que tudo indica, Xi Jinping tem hoje amplo controle da máquina do partido e do governo. Os ex-presidentes Jiang Zemin e Hu Jintao, os únicos capazes de articular alguma reação, poderiam ser atingidos pela campanha anticorrupção usada por Xi para consolidar o poder. Numa ditadura, todos os líderes fazem seus negócios sujos.

Dos 2.964 delegados, 2.958 aprovaram a entronização de Xi como imperador praticamente por unanimidade. Só dois votaram contra. Houve três abstenções e um voto nulo.

Além da reeleição sem limites, o parlamento chinês votou a favor de outras 20 propostas de mudanças na Constituição, inclusive a que coloca o pensamento de Xi em seu preâmbulo.

Com seus superpoderes, o ditador está desmantelando as estruturas de poder criadas pelo dirigente Deng Xiaoping, o grande arquiteto das reformas econômicas, para evitar o culto da personalidade da era Mao Tsé-tung, que levou a grandes erros e catástrofes históricas como o Grande Salto para a Frente (1958-61) e a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).

A China volta a viver o dilema do bom imperador ou mau imperador, observou o jornal inglês Financial Times. Em comparação, Xi tem hoje muito mais poder. Mao era o líder da um país pobre, uma potência nuclear introvertida com uma turba de fanáticos que carregava seu livrinho vermelho. Xi preside um país que marcha para se tornar a maior economia do mundo sob um regime político cada vez mais totalitário.

sábado, 10 de março de 2018

Total de mortos na ofensiva síria em Guta Oriental passa de mil

A ofensiva do Exército da Síria e aliados contra o reduto rebelde de Guta Oriental, nos arredores de Damasco, lançada em 18 de fevereiro, matou mais de mil civis, anunciou hoje o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental com sede em Londres que monitora a guerra civil no país.

"Oito civis foram mortos nas cidades de Arbine e Harasta. Outros 17 corpos foram retirados dos escombros da cidade de Duma, elevando o total de mortos na ofensiva para 1.002 civis, inclusive 215 crianças", declarou o Observatório.

Além do incessante bombardeio, com o apoio da Força Aérea da Rússia, as forças leais à ditadura de Bachar Assad, que incluem milícias iranianas e milícias xiitas financiadas pelo Irã como a libanesa Hesbolá, fizeram um grande avanço por terra. Isolaram Duma, a maior cidade do distrito de Guta Oriental, uma região agrícola na periferia da capital síria.

Diante da impotência da sociedade internacional, o regime sírio está determinado a reconquistar Guta Oriental, o último reduto rebelde na região de Damasco, cercado desde 2013, com seus 400 mil habitantes submetidos a intensos bombardeios.

Em 21 de agosto de 2013, um bombardeio com armas químicas causou a morte de 1.729 pessoas. O presidente americano Barack Obama havia prometido represálias, mas aceitou um acordo proposto pela Rússia pelo qual a Síria abriria mão de seu arsenal químico.

Obama hesitou, a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico negou autorização ao primeiro-ministro britânico, David Cameron, para usar a força e a Rússia acabou intervindo militarmente em 20 de setembro e 2015 para evitar a derrota do aliado Assad, que hoje está perto da vitória.

A guerra civil síria completa sete anos neste mês de março com um balanço de mais de 500 mil mortes. Cerca de 12 milhões de pessoas, mais da metade da população do país no início do conflito, de 23 milhões, fugiram de casa; 5 milhões saíram da Síria.

sexta-feira, 9 de março de 2018

EUA criaram mais 313 mil empregos em fevereiro

Acima de todas as expectativas, a economia dos Estados Unidos abriu 313 mil novas vagas a mais do que fechou em fevereiro de 2018, o maior ganho desde julho de 2016, revelou hoje o relatório mensal de emprego do Departamento do Trabalho. 

Com mais de 800 mil pessoas entrando no mercado de trabalho, a taxa de desemprego ficou em 4,1% pelo quinto mês consecutivo. É a menor desde dezembro de 2000. Foi a maior expansão na oferta de mão de obra desde 1983.

Os números dos meses anteriores foram revisados, o de janeiro para 239 mil postos de trabalho e o dezembro para 175 mil, com um ganho de 54 mil empregos. A média dos primeiros dois meses deste ano superou a do ano passado, de 182 mil vagas.

Em princípio, o baixo desemprego aumenta a pressão sobre os salários e a inflação. Apesar da alta anual nos salários de 2,6%, inferior aos 2,8% do mês anterior, o Conselho da Reserva Federal (Fed) deve elevar a taxa básica de juros em ritmo mais agressivo.

O Fed sinalizou em dezembro que faria três altas de juros de 0,25 ponto percentual ao longo deste ano. O mercado já aposta em quatro.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Trump aceita convite de Kim Jong Un para ir à Coreia do Norte em maio

Em carta enviada através de uma delegação da Coreia do Sul, o ditador Kim Jong Un convidou o presidente Donald Trump a visitar a Coreia do Norte em maio. Trump aceitou. Os Estados Unidos exigem o fim do programa norte-coreano de armas nucleares. O Norte quer garantias de segurança.

A carta de Kim foi entregue hoje ao assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Herbert McMaster, por seu colega sul-coreano, Chung Eui Yong. Meia hora depois, o convite foi aceito.

Até agora, os EUA exigiam um compromisso claro de desnuclearização da Coreia do Norte. Há pouco, o secretário de Estado, Rex Tillerson, estimou que seriam necessários meses para organizar um diálogo com o regime comunista de Pyongyang. Mas Trump gosta de surpreender.

O anúncio do encontro de cúpula com o ditador que chamava de "fogueteiro" veio em outro dia de grandes notícias envolvendo o presidente, como a imposição de tarifas sobre as importações de aço e alumínio e o escândalo sexual com a atriz pornô Stormy Daniels, a quem um advogado de Trump pagou US$ 130 mil (R$ 423 mil) para não falar sobre um suposto caso entre os dois.

Mulheres fazem greve por igualdade de direitos na Espanha

As espanholas festejaram o Dia Internacional da Mulher com uma greve e uma mobilização nacional pela igualdade de direitos. Com passeatas em mais de 120 cidades e paralisações, centenas de milhares protestaram contra a discriminação, o assédio e a violência, noticiou o jornal espanhol El País.

Seis milhões de trabalhadoras pararam, de acordo com a estimativa das centrais sindicais que apoiaram o movimento que suscitou todos os debates sobre desigualdade, da corresponsabilidade na administração da casa e da família, da desigualdade de salários e aposentadorias, da discriminação sexual, do assédio e da violência contra a mulher.

A greve feminista coloca a Espanha na vanguarda da luta pela emancipação da mulher e a igualdade de direitos, observa o jornal. "Se nós paramos, o mundo para", era o lema do movimento.

Além de denunciar a violência sexual, as feministas espanholas foram ajudadas na mobilização por uma pesquisa recente que mostra que as mulheres ganham em média 13% a menos por tarefas semelhantes.

Em Madri, o governo estimou em 170 mil o número de manifestantes, enquanto as centrais sindicais inflaram esse número para um milhão. Em Barcelona, a polícia estimou o tamanho da multidão em 200 mil; as organizadoras falaram em 600 mil.

Trump sobretaxa importações e ameaça impor tarifas recíprocas

O presidente Donald Trump deu hoje o primeiro tiro numa guerra comercial de consequências imprevisíveis, capaz de abalar o sistema multilateral de comércio criado pelos Estados Unidos depois da Segunda Mundial (1939-45) para evitar a volta da Grande Depressão (1929-39). 

Além de sobretaxar as importações de aço em 25% e de alumínio em 10%, Trump ameaçou impor tarifas-espelho ou recíprocas no comércio exterior dos EUA. As novas tarifas entram em vigor em 15 dias. O Canadá e o México ficam isentos "por enquanto". Segundo maior exportador de aço para o mercado americano, o Brasil será afetado.

Ao lado de trabalhadores dos setores de aço e alumínio, o presidente se queixou do tratamento injusto que a maior economia da Terra teria recebido de seus rivais menos poderosos nas últimas décadas. Em seu estilo de palanque, mentiu sobre o déficit comercial dos EUA, dizendo ser de US$ 800 bilhões. No ano passado, foi de US$ 566 bilhões.

"Vocês qual a tarifa que carros importados dos EUA pagam na China? 25%. E os carros chineses pagam tarifa de 2,5?% para entrar nos EUA", afirmou Trump. "Isto vai mudar. Se cobram 25%, vamos cobrar 25%, tarifas-espelho, recíprocas."

Trump usou o argumento da segurança nacional, o artigo 232 da Lei de Comércio dos EUA, que não faz sentido porque o país não importa muito aço da China, só 2% do total. Os maiores exportadores de aço para o mercado americano são o Canadá e o Brasil, aliados e não inimigos dos EUA.

"Temos amigos e inimigos que lucraram muito conosco em comércio e defesa", acrescentou o presidente americano. "Se olharmos a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a Alemanha paga 1% do produto interno bruto e nós pagamos 4,2% de um PIB muito maior. Não é justo."

Os maiores parceiros comerciais dos EUA, a China, a União Europeia e o Canadá, ameaçaram impor tarifas retaliatórias às exportações americanas, numa guerra comercial. A UE exporta aço no valor de cerca de 5 milhões de euros por ano e outro milhão de euros em alumínio para os EUA. A comissária de Comércio Exterior, Cecilia Malmström, preparou uma lista de produtos tradicionais americanos a serem sobretaxados, inclusive manteiga de amendoin e whiskey bourbon.

A decisão de excluir o Canadá e o México aumenta a pressão sobre esses países na renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

Em protesto, depois de perder o debate com a ala protecionista, o principal assessor econômico da Casa Branca, Gary Cohn, um democrata, anunciou sua saída. A maioria dos economista prevê um aumento nos preços do aço e do alumínio com reflexos na fabricação de todos os produtos industriais dependentes destas matérias-primas.

Uma guerra comercial pode ter consequências arrasadoras. A última guerra comercial em escala global levou à Grande Depressão, principal causa econômica da Segunda Guerra Mundial.

Dentro do próprio Partido Republicano, os defensores do liberalismo econômico criticaram a decisão de Trump. O presidente da Câmara, deputado Paul Ryan, foi claro: "Estou em desacordo com estas decisão e creio que as consequências são imprevisíveis."

Enquanto os EUA adotavam o protecionismo econômico, 11 países (Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Cingapura, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru e Vietnã) assinaram hoje em Santiago, no Chile, a Parceria Transpacífica (TPP).

O acordo comercial negociado pelo governo Barack Obama foi repudiado por Trump assim que chegou à Casa Branca, em janeiro de 2017. Os outros países decidiram tocar a frente a TTP mesmo sem os EUA.

Rússia ataca ex-espião na Inglaterra como no tempo da Guerra Fria

O stalinismo acabou como doutrina econômica, mas não como modo de governar. O ex-agente duplo Serguei Skripal, sua filha Yulia Skripal e o policial britânico que os socorreu estão hospitalizados em estado grave desde domingo, quando foram encontrados caídos numa praça próxima a um centro comercial da cidade de Salisbury. Suspeita-se que tenham sido envenenados pelo serviço secreto da Rússia com um agente neurotóxico.

Ao todo, 21 pessoas contaminadas estão em tratamento. Em discurso na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, a ministra do Interior, Amber Rudd, descreveu o ataque como "descarado, deplorável e cruel", comprometendo-se a "agir sem hesitação quando os fatos se tornarem claros". Ela informou ainda que a situação do detetive Nick Bailey é estável. O policial consegue "falar e se engajar numa conversa", declarou a ministra, citada pela televisão pública britânica BBC.

A Rússia, como de costume nestes casos, nega tudo. O ministro do Exterior do Reino Unido, Boris Johnson, prometeu não deixar impune. Com seu estilo de bufão, fez uma ameaça que soa ridículo diante da gravidade da situação: autoridades britânicas podem boicotar a Copa do Mundo na Rússia.

Durante a Guerra Fria, em 11 de setembro de 1978, o escritor dissidente búlgaro Georgi Markov foi morto o com veneno colocado na ponta de um guarda-chuva quando esperava um ônibus na Ponte de Waterloo, no centro de Londres.

Com o fim do comunismo, 26 anos depois o jornalista búlgaro Hristo Hristov descobriu nos arquivos do serviço secreto da Bulgária que o assassino foi o dinamarquês de origem italiana Francesco Gullino.

Em 1º de novembro de 2006, outro ex-espião russo, Alexander Litvinenko passou mal depois de um encontro com dois ex-colegas no Hotel Millennium. Andrei Lugovoi e Dimitri Kovtun haviam prometido informações sobre o assassinato em Moscou da jornalista russa Anna Politkovskaya, crítica do Kremlin e de Vladimir Putin.

Litvinenko se transfigurou diante das câmeras até morrer 23 dias depois, envenenado pelo elemento radioativo Polônio-210. Lugovoi é hoje deputado da Duma do Estado, a câmara baixa do Parlamento da Rússia.

Skripal foi condenado a 13 anos de prisão na Rússia em 2006 sob a acusação de revelar a identidade de agentes russos ao serviço secreto britânico MI6. Em 2010, ele foi um dos quatro apenados entregues aos Estados Unidos em troca da libertação de 10 espiões russos presos pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal americana.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Meio-irmão de Kim Jong Un foi morto por arma química proibida

O  ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un, mandou matar seu meio-irmão Kim Jong Nam com o agente neurotóxico VX, uma arma química proibida, acusaram ontem os Estados Unidos. Pela lei americana, isso obriga o governo a impor novas sanções econômicas à ditadura comunista de Pyongyang no momento em que o regime norte-coreano admite negociar a desnuclearização com Washington.

"Os EUA condenam com firmeza o uso de armas químicas para cometer um assassinato", declarou a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, com base em investigação dos serviços secretos do país.

Kim Jong Nam esperava um voo para Macau, na China, no aeroporto de Kuala Lumpur, na Malásia,  quando duas mulheres se aproximaram e jogaram a substância em seu rosto com uma seringa de injeção. Ele chegou a ser hospitalizado, mas morrem em seguida. Presas, as duas assassinas alegaram ter sido enganadas. Elas estariam apenas participando de uma gravação inocente de TV.

"Esta demonstração pública de desprezo em relação às normas universais contra o uso de armas químicas é uma prova suplementar da natureza perigosa da Coreia do Norte e sublinha que não podemos permitir e tolerar um programa de armas de destruição em massa norte-coreano, sejam quais forem", acrescentou a nota do Departamento de Estado.

A Coreia do Norte é alvo de uma série de sanções dos EUA e do Conselho de Segurança das Nações Unidas por causa de seus programas de mísseis e armas nucleares. O impacto de novas sanções seria limitado e poderia atrapalhar as possíveis negociações diretas EUA-Coreia do Norte.

Depois de uma visita a Kim Jong Un, uma delegação liderada pelo conselheiro de Segurança Nacional da Coreia do Sul anunciou que o regime stalinista norte-coreano marcou uma reunião de cúpula com o presidente sul-coreano, Moon Jae In, está disposto a negociar um acordo de paz com os EUA e a congelar seus testes de mísseis e armas atômicas durante as negociações.

É uma rara oportunidade, ainda que as exigências de segurança da Coreia do Norte, como a retirada total das forças americanas da Península Coreana, sejam inaceitáveis para os EUA. As bases militares americanas na Ásia, na Coreia do Sul e no Japão, estão lá mais para conter a China do que para proteger os aliados.

terça-feira, 6 de março de 2018

Principal assessor econômico de Trump sai por guerra comercial

A guerra comercial do presidente Donald Trump faz sua primeira vítima, na frente interna. O principal assessor econômico da Casa Branca, Gary Cohn, pediu demissão hoje por discordar da imposição de sobretaxas às importações de aço e alumínio. Cohn, ex-diretor do banco Goldman Sachs, é um defensor do liberalismo econômico.

É 21º alto funcionário da Casa Branca que cai fora do caótico governo Trump em pouco mais de um ano e um peso-pesado. Cohn presidia o Conselho Econômico Nacional e é considerado o maior responsável pela maior realização do atual governo, os cortes de impostos acusados de favorecerem os ricos e muito ricos.

"Gary era meu principal assessor econômico e fez um trabalho soberbo por nosso programa, especialmente na aprovação de um corte de impostos histórico e de reformas para a economia americana deslanchar uma vez mais", declarou Trump. "É um talento raro. Eu o agradeço pelo serviço dedicado ao povo americano."

Só no mês passado, saíram o secretário Rob Porter, acusado de espancamento por duas ex-mulheres, numa falha na verificação de seus antecedentes criminais, e a diretora de comunicações, Hope Kicks, que admitiu em depoimento ao Congresso dos Estados Unidos ter dito "pequenas mentiras" em defesa do presidente.

Cohn avisou na semana passada. Não ficaria se Trump insistisse em taxar o aço importado em 25% e o alumínio importado em 10%. Várias vozes dissidentes se insurgiram dentro do Partido Republicano, defensor do livre mercado.

Hoje o presidente da Câmara, deputado Paul Ryan, declarou que as tarifas deveriam ser aplicadas apenas a alguns países e citou a China.

Desde o anúncio, os maiores parceiros comerciais dos EUA, a China, a União Europeia e o Canadá, indicaram que pretendem retaliar. No fim de semana, Trump alegou no Twitter que "guerras comerciais são fáceis de ganhar". A maioria dos economistas aposta que todos perdem, a começar pelos EUA.

Os preços internos vão ficar mais altos e os ganhos na produção local serão muito menores do que as perdas, além do risco maior de uma guerra comercial capaz de destroçar o sistema multilateral de comércio construído pelos EUA no pós-guerra.

Coreia do Norte admite desarmar o programa nuclear

Em mais um gesto de reaproximação, o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un, recebeu uma delegação da Coreia do Sul, marcou um encontro de cúpula para o fim de abril, admitiu congelar seu programa nuclear e discutir a desnuclearização com os Estados Unidos.

Todo diálogo parecia impossível poucos meses atrás com a guerrinha fria verbal entre Kim e o presidente Donald Trump. Na mensagem de Ano Novo, Kim manifestou a intenção de retomar as conversas com o Sul e de enviar atletas norte-coreanos para a Olimpíada de Inverno de Pyeongchang.

Sua irmã Kim Yo Jong foi aos Jogos. Esteve com o presidente sul-coreano, Moon Jae In. Um encontro com o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, foi desmarcado na última hora por iniciativa norte-coreana.

A manobra de Kim foi vista como uma tentativa de abalar a aliança EUA-Coreia do Sul. Estes dois países adiaram manobras militares conjuntas por causa dos Jogos de Inverno. A Paraolimpíada de Pyeongchang será realizada de 8 a 18 de março.

Há sempre o risco de que o ditador norte-coreano retome a linguagem guerreira quando começar o treinamento militar conjunto dos seus inimigos históricos. Ao receber ontem a delegação de mais alto nível da Coreia do Sul em uma década, Kim revela uma disposição para o diálogo.

Antes do encontro de cúpula, Kim e Moon vão falar pessoalmente pelo telefone através de uma linha direta entre os governos dos dois países, instalado pela primeira vez em setembro de 1971 para evitar crises bilaterais. Quando o telefone foi religado pelo Norte, em 3 de janeiro, diálogo recomeçou.

A delegação sul-coreana foi chefiada pelo conselheiro de Segurança Nacional, Chung Eui Yong. Foi recebida na sede do Partido dos Trabalhadores, o nome oficial do partido comunista norte-coreano, numa área de acesso restrito de Pyongyang.

Na versão sul-coreana, as duas Coreias concordaram que "a parte norte-coreana expôs claramente sua disposição para a desnuclearização".

Em troca, o regime stalinista de Pyongyang exige garantias de segurança: "deixou claro que não haveria razão para manter armas nucleares se a ameaça militar contra o Norte fosse eliminada", acrescentou o comunicado da delegação sul-coreana.

"O Norte expressou sua disposição para manter um diálogo sincero com os EUA sobre desnuclearização e normalização de relações", disse a nota. "Enquanto continuar o diálogo, não realizará provocações estratégicas tais como testes nucleares e de mísseis balísticos."

Uma delegação da Coreia do Sul vai a Washington nos próximos dias fazer um relato detalhado sobre o encontro.

Trump admitiu negociar sem precondições. Até agora, o governo americano exigia medidas concretas para desarmar o programa nuclear norte-coreano para dar início a um diálogo direto.

Se a Coreia do Norte exigir a retirada das forças dos EUA da Coreia do Sul, onde estão desde a Segunda Guerra Mundial, a proposta de paz de Kim será recusada. Como os EUA não costumam revelar por onde andam suas armas atômicas, a desnuclearização total da Península Coreana também não está nos planos de Washington.

Mais do que proteger a Coreia do Sul e o Japão, a presença militar dos EUA no Leste da Ásia é uma peça central da estratégia para conter a China, a superpotência emergente e único rival capaz de ameaçar e suplantar o poderio americano.

Nestas condições, o regime comunista norte-coreano vai se declarar ameaçado. Será necessário negociar um acordo de paz definitivo para a Guerra da Coreia (1950-53). Historicamente, a Coreia do Norte sempre exigiu negociações diretas com os EUA, alegando que a Coreia do Sul e o Japão têm governos-fantoches de Washington.

Desde o fim da União Soviética, em 1991, a Coreia do Norte enfrentou sérias crises energéticas e de escassez de alimentos, com uma estimativa de milhões de mortes. Sem a patrocinadora histórica, partiu para uma chantagem atômica com os EUA e seus aliados na Ásia, ameaçando desenvolver armas nucleares.

Em 1994, o ex-presidente americano Jimmy Carter foi a Pyongyang, esteve com o ditador Kim Il Sung, fundador do pai e avô do atual líder, e abriu caminho para o então presidente Bill Clinton negociar um acordo para dar ajuda em troca da desnuclearização.

Houve vários acordos frustrados. A Coreia do Norte chegou a destruir um reator na central atômica de Yongbyon, a principal instalação nuclear militar do país. Quando o então presidente George W. Bush colocou o país no "eixo do mal", ao lado do Irã e do Iraque, em 29 de janeiro de 2002, e invadiu o Iraque em 2003, o Irã e a Coreia do Norte aceleraram seus projetos para fabricar a bomba atômica.

O regime comunista norte-coreano fez seu primeiro teste nuclear em 2006 e o segundo em 2009, sob a liderança de Kim Jong Il, pai do atual ditador. Kim Jong Un ascendeu ao poder com a morte do pai, em dezembro de 2011, meses após a queda e morte do ditador da Líbia Muamar Kadafi.

Kadafi abrira mão de suas armas de destruição em massa em um acordo com o Ocidente. Foi derrubado por uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas para evitar um massacre de rebeldes em Bengázi, a segunda maior cidade líbia.

Desde a ascensão de Kim, a Coreia do Norte fez mais quatro testes nucleares e dezenas de testes de mísseis. No fim de 2017, o ditador afirmou que o país dominava o ciclo completo da tecnologia nuclear. Trump ameaçou responder com "fogo e fúria", com uma "força jamais vista", o que significa guerra atômica.

Assim, está é uma oportunidade que não pode ser desprezada para evitar o risco de uma guerra nuclear. Vamos aguardar a proposta de paz concreta do ditador que matou o tio e o irmão para se firmar no poder - e três meses atrás ameaçava incendiar o mundo.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Músicos têm mais facilidade para tomar decisões

Os músicos desenvolvem conexões neurais que os não músicos não têm. Isso facilita a tomada de decisões e a solução de problemas cotidianos. A conclusão é de investigadores da Universidade de Granada, na Espanha.

Os cientistas do Centro de Pesquisas sobre Mente, Cérebro e Comportamento e do Departamento de História e Ciências da Música decidiram investigar as mudança na conectividade cerebral dos músicos.

A pesquisa examinou 142 músicos do Real Conservatório Superior de Música Victoria Eugenia, de Granada, do Real Conservatório Superior de Música, de Málaga, da graduação em História e Ciências da Música da Universidade de Granada e de outros setores da universidade.

Todos os músicos tinham pelo menos dez anos de formação musical e tocavam instrumentos. Eles e os não músicos foram submetidos a exames de ressonância magnética e a uma série de testes neuropsicológicos.

A conclusão é que os músicos desenvolvem conexões neurais que facilitam a solução de problemas difíceis: "Tratam-se das tarefas mais complexas que um sujeito pode realizar a nível cerebral, resultados de múltiplas interrelações cerebrais", declarou a principal autora do relatório, Miriam Albusac Jorge, da Universidade de Granada.

domingo, 4 de março de 2018

Populistas e ultradireita vencem eleições na Itália

Como previsto, as eleições parlamentares deste domingo na Itália apresentaram um resultado inconclusivo. Nenhum bloco deve ter maioria absoluta no Congresso. O partido mais votado foi o Movimento 5 Estrelas (M5E). Com 226 deputados, está longe dos 316 necessários para a maioria absoluta. 

A maior bancada será da centro-direita, com 236 cadeiras. A neofascista Liga (antiga Liga Norte) teve 18,8% dos votos, superando sua aliada Força Itália, que ficou em 13,3%.

A expectativa é de um governo mais eurocético, que deve aumentar os gastos públicos, ignorando as restrições orçamentárias impostas pela União Europeia para reduzir a dívida pública italiana, de 130% do produto interno bruto.

O M5E obteve 30,5% dos votos, seguido pelo Partido Democrático, de centro-esquerda, liderado pelo ex-primeiro-ministro Matteo Renzi. Com 20,2%, o partido que estava no governo desde a queda de Berlusconi, em 2011, no auge da Crise do Euro, foi o grande derrotado, por causa da estagnação econômica, do crescimento da pobreza e da onda de refugiados.

Com a centro-direita como maior força política, o líder por trás do trono será o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, do partido Força Itália. No momento, ele é inelegível por causa de condenações por corrupção e fraude fiscal. Deve indicar o atual presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, como próximo chefe de governo. Mas o líder da Liga Norte, Matteo Salvini, quer o cargo, assim como o candidato do M5E, Luigi di Maio.

Partido Social-Democrata da Alemanha aprova aliança com Merkel

Por uma maioria de 66%, os 643 mil membros do Partido Social-Democrata (SPD) aprovaram hoje a aliança com a União Democrata-Cristã (CDU), da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, e sua aliada União Social-Cristã (CSU) para formar o governo da Alemanha cinco meses depois das eleições parlamentares que marcaram a volta da extrema direita ao Parlamento alemão depois da Segunda Guerra Mundial. Será o quarto governo Merkel, o terceiro com a grande coalizão dos partidos tradicionais que governaram o país no pós-guerra.

Com o avanço da ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD), que criticou Merkel por acolher um milhão de refugiados, a chanceler perdeu o brilho e a aura de líder do mundo ocidental e defensora da democracia liberal na era Donald Trump, um presidente dos Estados Unidos autoritário e antidemocrático.

Se não houvesse acordo, as alternativas seriam um governo fraco de centro-direita sem maioria no Bundestag (Câmara Federal) ou a realização de novas eleições em que os partidos tradicionais deveriam perder ainda mais deputados.

Merkel governou de 2005-9 e 2013-17 com o SPD e em aliança com o Partido Liberal-Democrata (FDP) de 2009-13. Mesmo fraco, o quarto governo Merkel é uma boa notícia para a economia da Europa e para a tentativa do presidente da França, Emmanuel Macron, de reformar e revigorar a União Europeia.

sábado, 3 de março de 2018

Negociador palestino acusa plano de paz de Trump de criar 'apartheid'

A proposta do governo Donald Trump para a paz no Oriente Médio vai manter a situação atual, legitimando a colonização dos territórios árabes ocupados na guerra de 1967. Vai criar um regime de apartheid em que israelenses e palestinos viveriam no Estado de Israel com direitos diferentes, liquidando o sonho de uma Palestina independente, denunciou o principal negociador palestino, Saeb Erekat.

Em informe apresentado ontem ao Conselho Revolucionário da Fatah (Luta), o partido dominante na Organização para a Libertação da Palestina, sob o título Ditados do Presidente Trump para uma nova fase: impondo uma solução, Erekat argumenta que o plano de paz dos Estados Unidos vai "levar à criação de um Estado com dois sistemas, legitimando o apartheid e as colônias de acordo com os critérios americanos".

O plano de paz de Trump não foi concluído oficialmente. Erekat afirmou ter recebido informações e advertiu que o movimento nacional palestino não deve perder tempo: "Não precisamos esperar até que as linhas gerais e o conteúdo deste ditado e desta liquidação sejam anunciados", alegou.

"De acordo com esta nova fase para os americanos, quem quiser a paz precisa concordar com o ditado dos EUA e quem se opuser ao plano será considerado parte das forças do terrorismo e do extremismo, que devem ser combatidas e expulsas", analisou o negociador palestino. "Para os EUA, moderação significa aceitar um ditado que endossa as posições de sucessivos governos israelenses.""

A previsão do dirigente palestino é que o plano de paz de Trump tenha os seguintes pontos:

• Reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e transferência para lá da Embaixada dos EUA, o que está previsto para maio. Na visão de Erekat, isso significa aceitar a anexação por Israel do setor oriental de Jerusalém.

• O governo Trump vai "inventar" uma capital para o Estado palestino nos subúrbios de Jerusalém, foram dos limites atuais do município.

• Num período de dois a três, Trump reconheceria a anexação das colônias israelenses situadas nos territórios ocupados, cerca de 10% da Cisjordânia. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, quer anexar 15% da Cisjordânia.

• O próximo passo seria um acordo regional de segurança com a participação do Egito e da Jordânia para criar um Estado Nacional palestino desmilitarizado, apenas com forças policiais. Israel manteria sua presença militar no Rio Jordão e nas montanhas centrais da Cisjordânia.

• Israel faria uma retirada gradual do resto da Cisjordânia, sem data marcada. No fim deste processo, seria anunciada a criação do Estado palestino, que incluiria a Faixa de Gaza.

• O Estado de Israel seria reconhecido internacionalmente como a pátria do povo judeu e a Palestina como a pátria do povo palestino.

• Israel garantiria a liberdade religiosa em todos os lugares sagrados de Jerusalém.

• Os palestinos poderiam usar parte dos portos de Ashdod e Haifa e o Aeroporto Internacional Ben Gurion, mas a segurança ficaria a cargo de Israel.

• Os palestinos teriam presença nas fronteiras internacionais, mas a responsabilidade pela segurança continuaria com Israel.

• As águas territoriais, o espaço aéreo e o espectro eletromagnético ficariam sob o controle de Israel, sem prejuízo, em tese, para a Palestina.

• Um canal de tráfego seguro seria aberto entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, sob a soberania israelense.

• O direito de retorno dos refugiados palestinos desde a criação de Israel, em 1948, teria uma solução justa no contexto da criação de um país para os palestinos.

Estas são as linhas gerais do acordo com Erekat considera inaceitável. O apartheid era o regime segregacionista imposto à maioria negra pela ditadura da minoria branca na África do Sul até 1994. Os palestinos alegam que a anexação dos territórios ocupados, como prega a ultradireita israelense, os tornaria cidadãos de segundo classe.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Ação terrorista deixa pelo menos 28 mortos em Burkina Fasso

Um ataque contra a Embaixada da França e o Estado-Maior das Forças Armadas na manhã de hoje terminou com a morte de pelo menos 28 pessoas em Uagadugu, a capital de Burkina Fasso, um país da África Ocidental sem saída para o mar, noticiaram agências internacionais.

Entre os mortos, oito eram membros das forças de segurança e outros oito eram terroristas que participaram do ataque, revelou o Serviço de Informações do Governo. O ministro da Defesa, Jean-Claude Bouda, afirmou ao boletim de notícias Jeune Afrique que foi "um ataque terrorista".

Em Paris, a Justiça da França abriu inquérito por "tentativa de assassinato terrorista". O ministro do Exterior francês, Jean-Yves Le Drian, declarou que "os ataques hoje de manhã visaram vários locais de Uagadugu, inclusive a Embaixada da França. As forças de segurança burquinenses se mobilizaram contra os atacantes, com o apoio das forças de segurança de nossa embaixada."

Nenhum francês saiu ferido, mas todos foram alertados a redobrar a vigilância em Burkina Fasso. Toda a região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara, da Mauritânia à Somália, é palco da ação de jihadistas.

A França interveio militarmente no vizinho Mali, em janeiro de 2013, para ajudar o governo local a enfrentar rebeldes jihadistas ligados à rede terrorista Al Caeda. A intervenção acabou oficialmente em 2014, mas a França mantém forças na região.

No momento do ataque, havia uma reunião na sede do Estado-Maior burquinense do Grupo dos Cinco do Sahel (G5 Sahel), formado por Burkina Fasso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger, para discutir o combate ao terrorismo dos extremistas muçulmanos na região.

NOTA: No dia seguinte, o Grupo de Apoio a Islamitas e Muçulmanos (GSIM, do francês), ligado à rede terrorista Al Caeda, reivindicou a autoria do atentado.

Boko Haram mata um comandante do Exército da Nigéria

O coronel A E Mamudu, um dos comandantes da Força de Ataque do Exército da Nigéria, e um jovem oficial da Marinha morreram ontem quando uma bomba explodiu na passagem de seu carro durante uma operação na Floresta de Sambissa, principal refúgio da milícia extremista muçulmana Boko Haram, informou o boletim Sahara Reporters.

Mamudu veio do estado de Kogi e servia pela segunda vez no Nordeste da Nigéria, na guerra contra o Boko Haram. Havia sido enviado para o estado de Borno em 2015.

É a segunda derrota do Exército diante do grupo que repudia a educação ocidental e luta para impor a lei islâmica na região. Nesta semana, o governo admitiu que 110 meninas foram sequestradas de uma escola pelos rebeldes do Boko Haram na cidade de Dapchi.

Mais 15 mil pessoas morreram desde que o Boko Haram aderiu à luta armada, em 2009. Em março de 2015, seu líder Abubakar Shekau jurou lealdade à organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. O grupo se apresenta agora também como a Província do Estado Islâmico na África Ocidental.

Trump inicia guerra comercial

Ao impor tarifas de 25% sobre as importações de aço e de 10% sobre as importações de alumínio, o presidente Donald Trump deflagrou uma guerra comercial em escala global. Os maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos, a China, a União Europeia e o Canadá ameaçam impor tarifas retaliatórias sobre exportações americanas.

Diante da ameaça de um grande conflito comercial, o Índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, caiu 586 pontos. Teve uma recuperação, mas terminou o dia em queda de 380 pontos (1,5%). O índice amplo Standard & Poor's 500 e a bolsa de ações de alta tecnologia Nasdaq fecharam em queda de 1,3%.

O dia começou com boas notícias. O número de novos pedidos de seguro-desemprego caiu na semana encerrada em 24 de fevereiro em 10 mil para 210 mil. É o menor desde 1969. O índice dos gerentes de compras do Institute for Supply Management chegou a 60,8, a maior leitura desde maio de 2004.

Com o anúncio inesperado de Trump impondo tarifas pesadas em nome da "segurança nacional" e da proteção de empregos nos EUA, repudiadas pelos deputados e senadores liberais economicamente do Partido Republicano e pelas grandes empresas transnacionais americanas, o mercado desandou.

Em consequência, o Índice Dow Jones voltou a ficar negativo para o ano. A Nasdaq registra alta de 4%. "Os comerciantes estão focando na questão das tarifas, enquanto os investidores estão olhando para o aumento dos lucros, a inflação baixa e as taxas de juros bastante baixas."

O Brasil, onde o aço representa 3% das exportações, ameaça recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) junto com outros países prejudicados. Mas Trump pode rejeitar a decisão e romper com a OMC, uma criação americana para promover o livre comércio e resolver conflitos comerciais, como ameaçou fazer tantas vezes, sob a alegação de que diminui a soberania dos EUA para negociar acordos internacionais.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Putin ameaça os EUA em sua campanha eleitoral

A 17 dias da eleição presidencial na Rússia, em que é franco favorito, o protoditador Vladimir Putin aproveitou o Discurso sobre o Estado da União para ameaçar o Ocidente, advertindo que o país tem uma nova geração de armas nucleares capaz de furar quaisquer defesas.

"Os esforços para conter a Rússia fracassaram", vangloriou-se Putin num discurso de duas horas em que apresentou videoclipes das novas armas, inclusive drones submarinos, mísseis intercontinentais e um sistema hipersônico que "voa para o alvo como um meteorito".

Putin chegou ao poder em 1999 como primeiro-ministro de Boris Yeltsin, afastado em seguida por motivo de saúde. Esta será sua quarta eleição presidencial. Depois de dois mandatos, de 2008 a 2012, ele trocou de lugar com o primeiro-ministro Dimitri Medvedev. Mas sempre mandou na Rússia.

O atual czar de todas as Rússias trabalhava no escritório da polícia política soviética, o KGB (Comitê de Defesa do Estado), em Dresden, na Alemanha Oriental, quando sentiu a força do poder popular, como revela este perfil da televisão pública britânica BBC.

Em 5 de novembro de 1989, quatro dias antes da abertura do Muro de Berlim, a multidão tomou as ruas de Dresden, atacou o Ministério de Segurança do Estado (Stasi), a polícia política da Alemanha Oriental. O escritório do KGB, do outro lado da rua, logo se tornou alvo.

Quando o ataque parecia inevitável, Putin avisou os manifestantes que seus homens estavam armados e reagiriam a bala. Ele ligou para a guarnição mais próxima do Exército Vermelho pedindo apoio.

"Não podemos fazer nada sem a autorização de Moscou", respondeu o oficial do outro lado da linha, e Moscou está em silêncio."

Essa frase assombrou Putin. Mais tarde, quando era vice-prefeito de São Petersburgo, declarou num debate público que o fim da União Soviética foi "a maior catástrofe geopolítica do século 20". Antes de virar primeiro-ministro, ele foi chefe do Serviço Federal de Segurança, sucessor do KGB.

Sua obsessão desde que chegou ao poder é restaurar o poder imperial da Rússia czarista e da URSS. Putin acabou com as eleições diretas para governador das 85 unidades administrativas da Federação Russa, a pretexto de evitar o surgimento de movimentos nacionalistas como na Chechênia.

Sob Putin, o Kremlin voltou a intervir diretamente nos assuntos internos dos países que considera parte de sua esfera de influência. Isso inclui tanto das ex-repúblicas soviéticas, o antigo império interior soviético, chamado hoje na Rússia de "exterior próximo", quanto os países do antigo Bloco Soviético, como a Hungria e a Polônia, onde Putin apoia governos de ultradireita contrários à União Europeia e à democracia liberal.

Depois do liberalismo caótico da era Yeltsin, Putin aproveitou a bonança dos anos de petróleo caro para recuperar a economia e recolocar o Estado no centro de tudo. A prosperidade econômica lhe valeu popularidade. Com o fracasso de Yeltsin, os russos queriam um líder autoritário e linha dura.

A Rússia que ameaça o Ocidente é governada por um ex-oficial do KGB ressentido com a perda de poder e prestígio de seu império decadente. Com uma população de 145 milhões de habitantes e uma economia baseada em produtos primários, a Rússia só é superpotência hoje no plano militar.

Na sua visão estreita e autoritária do mundo, Putin considera as revoluções Rosa, na ex-república soviética da Geórgia, em 2003, e Laranja, na ex-república soviética da Ucrânia, em 2004, como conspirações do Ocidente para enfraquecer a Rússia.

Por isso, a Rússia atacou a Geórgia em agosto de 2008, aproveitando uma tentativa do presidente Mikheil Saakachvili de tentar retomar o controle de regiões controladas por rebeldes fantoches do Kremlin.

Em 2011, quando, em plena Primavera Árabe, multidões protestaram contra as eleições parlamentares da Rússia, Putin viu a influência maligna do Ocidente, em especial da então secretária de Estado americano, Hillary Clinton. Isso ajudaria a explicar, em parte, a campanha russa para sabotar a candidatura democrata na última eleição presidencial nos EUA.

Diante da nova revoltar popular na Ucrânia, Putin interveio militarmente e anexou a região da Crimeia em março de 2014. Em seguida, fomentou uma rebelião de russos étnicos no Leste da Ucrânia, provocando uma guerra civil que se arrasta até hoje.

A reação ocidental, com a imposição de sanções à Rússia, rebaixou as relações do Kremlin com os EUA e a Europa ao pior nível desde o fim da URSS e da Guerra Fria, em 1991. Bombardeiros russos voltaram a fazer voos provocadores no espaço aéreo de países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA. E a Rússia interveio decisivamente na guerra civil da Síria, a partir de setembro de 2015.

Com a modernização das Forças Armadas depois da vergonhosa derrota na Primeira Guerra da Chechência (1994-96), Putin não só ganhou a Segunda Guerra da Chechênia (1999-2000), que consolidou seu poder. Recolocou a indústria bélica da Rússia entre as maiores exportadoras de armas do mundo.

O único setor industrial em que a Rússia compete no mercado internacional é o de armas. Como ninguém vai testar em curto prazo a eficácia dos novos mísseis e drones, Putin pode marchar tranquilo para mais uma reeleição.

A investigação sobre um possível conluio do Kremlin com a candidatura do presidente Donald Trump para derrubar Hillary Clinton rendeu a maior propaganda que Putin poderia esperar. Os meios de comunicação dos EUA não param de falar em como a Rússia usou as redes sociais para manipular a democracia americana, apresentando Putin como o super-homem de seus sonhos.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Partido aprova candidatura à reeleição do presidente da Nigéria

A comissão executiva nacional do partido Congresso de Todos os Progressistas (APC) endossou a candidatura do ex-ditador e atual presidente Muhammadu Buhari à reeleição na Nigéria, o mais rico e mais populoso país da África, noticiou hoje a agência Reuters.

Buhari, de 76 anos, ficou cinco meses afastado no ano passado para tratamento de saúde no Reino Unido, suscitando dúvidas sobre sua capacidade de governar a Nigéria. O ex-presidente Olusegun Obasanjo fez um apelo para que ele não se candidate.

As eleições presidencial e parlamentares estão marcadas para 16 de fevereiro de 2019, com posse em 29 de maio. Será a quarta eleição presidencial desde o fim da última ditadura militar, em 1999. O presidente nigeriano governa por um mandato de quatro anos, com direito a uma reeleição.

Em dezembro de 1983, Buhari liderou um golpe de Estado e governou o país como um ditador até agosto de 1985. Hoje, apresenta-se como um "democrata convertido" que não pode mudar o passado.

Muçulmano do Norte de Nigéria, a região mais pobre do país, Buhari sucedeu a Goodluck Jonathan, um cristão sulista, num revezamento adotado para manter o equilíbrio interno do país.

Uma de suas maiores promessas de campanha era derrotar a milícia extremista muçulmana Boko Haram, que acaba de sequestrar mais 110 meninas em mais um ataque a uma escola secundária, em sua campanha contra a "educação ocidental".

Durante seu governo, houve um reinício da violência política na região do Delta do Rio Níger, principal zona de produção de petróleo do país, e um fortalecimento do movimento do povo ibo pela independência de Biafra, causa de uma das maiores guerras civis da África pós-independência, de 1967 a 1970, quando um milhão de pessoas morreram, muitas de fome, no cerco ao território dominado pelos rebeldes.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

ELN anuncia trégua eleitoral na Colômbia

O Exército de Libertação Nacional tenta retomar as negociações de paz com o governo da Colômbia. Depois de romper a trégua e matar sete policiais, o grupo guerrilheiro de esquerda anunciou ontem um cessar-fogo durante as eleições parlamentares do próximo mês e propôs o reinício do diálogo.

"Quando nos aproximamos das eleições de 11 de março, mesmo que não endossemos este processo falho, em sinal de respeito aos homens e mulheres da Colômbia que irão votar, o ELN vai cessar suas operações militares ofensivas entre 9 e 13 de março", declarou o grupo em nota publicada na Internet.

Nestas eleições para a Câmara e o Senado, pela primeira vez, os ex-guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) vão participar do processo político como Forças Alternativas Revolucionárias do Comum (FARC), depois de um acordo negociado durante quatro anos, em Cuba. O partido preserva a marca registrada do que era o maior grupo guerrilheiro de esquerda colombiano.

As negociações com as FARC são o modelo para o ELN, que tem muito menos poder de barganha. As FARC, enfraquecidas pela guerra deflagrada pelo presidente Álvaro Uribe (2002-10), tinham 8 mil homens em armas quando o governo Juan Manuel Santos o diálogo pela paz, em 2012. O ELN tem entre 1,5 e 2 mil guerrilheiros desgastados por uma guerra sem sentido.

Na declaração de cessar-fogo, o ELN pede a Santos que "marque uma data para o início da quinta rodada de negociações e envie uma delegação para o diálogo em Quito. Naquela data, todos os nossos delegados também irão à capital do Equador."

O diálogo entre o governo Santos e o ELN começou em 7 de fevereiro de 2017, em Quito. Foi suspenso pelo presidente colombiano em 29 de janeiro de 2018 depois de vários ataques da guerrilha que resultaram na morte de sete policiais. Uma unidade de guerrilha urbana do ELN reivindicou um ataque a Barranquilla em que cinco policiais morreram e 41 saíram feridos.

Justiça da Alemanha autoriza cidades a proibir veículos a diesel

O superior tribunal de justiça da Alemanha autorizou hoje os governos municipais a proibir o trânsito de veículos movidos a óleo diesel para combater a poluição e melhorar a qualidade do ar. Milhões de veículos podem sair de circulação, noticiou o jornal inglês The Guardian.

A decisão histórica revoluciona o maior mercado de automóveis da Europa. Cerca de 15 milhões de veículos são movidos a diesel na Alemanha. É um problema para a frágil coalizão liderada pela primeira-ministra conservadora Angela Merkel com o Partido Social-Democrata (SPD).

"O tribunal não impôs nenhuma proibição, mas trouxe clareza sobre a lei", declarou a ministra do Meio Ambiente, Barbara Hendricks. "As proibições podem ser evitadas. É minha meta e meu desejo que não entrem em vigor."

Em seu julgamento, o Tribunal Administrativo Federal, com sede na cidade de Leipzig, manteve a decisão de instâncias inferiores sobre o veto a veículos a diesel em Stuttgart e Düsseldorf, duas das cidades mais poluídas do país.

"É um grande dia para o ar puro na Alemanha", festejou Jürgen Resch, da Ajuda Ambiental Alemã, uma organização não governamental de proteção à natureza.

Ao criticar a decisão, o presidente da Associação da Indústria Automobilística da Alemanha, Matthias Wissmann, afirmou que "os padrões ambiciosos de qualidade do ar nas cidades alemãs podem ser atingidos sem proibições."

O excesso de óxidos de nitrogênio no ar causa uma série de problemas de saúde, de asma a derrame, matando entre 6 e 10 mil pessoas por ano na Alemanha. É um problema do óleo diesel, observou a televisão pública britânica BBC.

A norma da União Europeia é de no máximo 40 microgramas de óxidos de nitrogênio por metro cúbico de ar. Várias cidades alemãs, como Colônia, Düsseldorf, Munique e Stuttgart, várias vezes passam de 70 microgramas.

Mas o diretor da Associação de Municípios da Alemanha, Gerd Landsberg, considera difícil implantar e fiscalizar um veto a veículos a diesel com eficiência: "As prefeituras simplesmente não estão em posição de realizar em curto prazo a montanha burocrática necessária para aplicar uma proibição de dirigir" veículos a diesel.

Nem todos pensam assim. Em Hamburgo, o maior porto da Alemanha, situado no Norte do país, o senador verde Jens Kerstan promete banir o óleo diesel "em semanas" se a Câmara Municipal assim o decidir.

ONU liga Coreia do Norte a programa de armas químicas da Síria

A Coreia do Norte enviou à Síria 50 toneladas de materiais usados para construir uma fábrica para produção de armas químicas em grande escala, constatou um relatório confidencial das Nações Unidas citado pelo jornal americano The Wall Street Journal.

No fim de 2016 e 2017, relata o informe, uma companhia chinesa fez cinco viagens para a Síria a serviço da ditadura comunista de Pyongyang, transportando telhas resistentes a ácido e a altas temperaturas, válvulas e tubos de aço inoxidável.

A ONU vê nisso uma prova de que o ditador Bachar Assad está comprando tecnologia militar norte-coreana no valor de bilhões de dólares por ano, com o aval de seu aliado e maior patrono, o Irã. O relatório foi baseado em informes de serviços secretos que investigam violações às sanções impostas pelo Conselho de Segurança.

Para driblar as sanções internacionais contra seu programa de armas nucleares, o regime stalinista de Pyongyang vende tecnologia de proliferação de armas de destruição em massa. Larry Niksch, ex-pesquisador do Congresso dos EUA, estima que nos últimos 10 anos a cooperação militar com o Irã rendeu à Coreia do Norte de US$ 2 bilhões a US$ 3 bilhões por ano.

O Centro de Pesquisas e Estudos Científicos da Síria, responsável pelo desenvolvimento de armas químicas pagou à Corporação de Comércio, Desenvolvimento e Mineração da Coreia pelos materiais através de uma série de empresas de fachada.

Durante a investigação da ONU, a China negou ter conhecimento de que uma empresa chinesa tenha feito negócios com a maior vendedora de armas da Coreia do Norte. Mas prometeu abrir inquérito sobre o caso.

Os Estados Unidos ameaçaram bombardear de novo a Síria se o regime de Assad usar armas químicas. A Sociedade Médica Sírio-Americana, uma organização de ajuda humanitária, acusou o ditador sírio de atacar pelo menos três vezes com armas químicas neste ano. O governo sírio nega.