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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Facebook ameaça a democracia e precisar ser regulamentado

A rede social Facebook age como um "gângster digital", está destruindo a democracia e precisa ser controlada, concluiu uma comissão de inquérito da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico sobre a desinformação e a divulgação de notícias falsas, noticiou hoje o jornal inglês The Guardian.

Com a força de seu virtual monopólio, o Facebook ignora as leis sobre privacidade e concorrência, colocando-se acima da lei, afirma o relatório da CPI. Seu fundador e diretor-presidente, Mark Zuckerberg, foi acusado de desacatar os deputados e de adotar uma estratégia "deliberada" para enganar o Parlamento Britânico.

O inquérito foi a primeira tentativa de um parlamento nacional de examinar a fundo a economia nebulosa da manipulação de dados para influenciar eleitores e interferir em processos eleitorais democráticos. Ouviu 73 testemunhas que responderam a mais de 4.350 perguntas.

A conclusão final: os governos precisam agir imediatamente e regulamentar as redes sociais.

De acordo com o presidente da CPI, o deputado conservador Damian Collins, é necessária "uma mudança radical no equilíbrio de forças entre as plataformas e o povo".

Um dos focos da investigação foi a empresa Cambridge Analytica, que usou as informações do Facebook para criar um grande banco de dados e traçar o perfil de eleitores-alvo durante as campanhas para o plebiscito sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) e a eleição presidencial de Donald Trump nos Estados Unidos.

O relatório cita a Lei das Organizações Corruptas e Extorsão, a dura legislação americana contra as máfias e o crime organizado. As relações do Facebook com os desenvolvedores dos aplicativos usados na rede social seriam mafiosas, dado seu enorme poder de mercado.

Na questão da interferência da Rússia para minar as democracias ocidentais, o diretor técnico do Facebook, Mike Schroepfer, foi acusado de mentir ao Parlamento. Um dos detalhes que chamaram a atenção dos deputados foi o fato da reação oficial do governo britânico, um documento descrito pelo Guardian como "extraordinariamente seco e chato" despertou maior interesse em Moscou do que em Londres.

terça-feira, 20 de março de 2018

EUA, UE e Reino Unido exigem explicações do Facebook por roubo de dados

O fundador e presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, está sendo intimido a depor no Congresso dos Estados Unidos, no Parlamento Europeu e na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico para explicar como a empresa inglesa Cambridge Analytica roubou e manipulou os dados sobre 50 milhões de americanos para ajudar a campanha de Donald Trump para a Casa Branca. As multas serão pesadas.

A Comissão Federal de Comércio dos EUA está investigando se o Facebook violou um acordo de proteção da privacidade. A rede social coleta dados fornecidos voluntariamente por mais de 1 bilhão de usuários no mundo inteiro. Usa isso para fazer propagandas destinadas aos usuários, mas não pode passar essas informações a uma empresa que manipula campanhas políticas.

No olho do furacão, a Cambridge Analytica suspendeu seu diretor-geral, Alexandre Nix, depois de uma gravação clandestina apresentada no Canal 4 da televisão britânica em que fala de táticas desonestas, inclusive sexo e suborno, para ganhar eleições no exterior. Além da eleição de Trump, a empresa participou da campanha pela saída do Reino Unido da União Europeia.

A Cambridge Analytica foi fundada em 2013 por Steve Bannon, chefe da campanha de Trump e ex-assessor especial da Casa Branca, e pelo milionário conservador Robert Mercer, doador do Partido Republicano.

Através do Facebook, a pretexto de fazer pesquisa, encaminhou perguntas respondidas por 270 mil usuários. Aparentemente sem autorização do Facebook, a Cambridge Analytica ampliou a coleta de dados para os amigos desses usuários. A falta de controle interno do Facebook permitiu a operação, observou o jornal The Wall Street Journal.

Com as informações sobre 50 milhões de americanos extraídas do Facebook, a Cambridge Analytica fez um grande bancos de dados e uma série de perfis do eleitorado para produzir anúncios orientados diretamente para determinado grupo de eleitores. Um ex-funcionário acusou Bannon de supervisionar pessoalmente a coleta de dados no Facebook, revelou o jornal The Washington Post.

Desde que o escândalo veio à tona, no fim de semana, em dois dias, o Facebook perdeu US$ 50 bilhões em valor de mercado na Bolsa de Valores. O diretor de segurança da informação, Alex Stamos, está deixando a empresa. Stamos seria a favor de maior transparência, mas foi vencido no debate interno da diretoria.

Os investidores temem a regulamentação das megaempresas de alta tecnologia. Antes admiradas e respeitadas, companhias como a Apple, o Facebook e o Google são quase monopólios com um tremendo poder de mercado que usam, entre outras coisas, para comprar ou sufocar possíveis rivais.