Um atentado terrorista com carro-bomba matou oito pessoas hoje no centro de Beirute, inclusive o general Wissan al-Hassan, chefe do serviço secreto das forças de segurança interna e assessor do ex-primeiro-ministro do Líbano Saad Hariri. Ele era considerado um inimigo da Síria Dezenas de pessoas saíram feridas.
Foi o primeiro carro-bomba a explodir na capital libanesa em quatro anos. O governo da Síria e a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) condenaram o atentado, mas Hariri acusa a ditadura de Bachar Assad, aliada da República Islâmica do Irã.
O ex-primeiro-ministro Rafik Hariri, pai de Saad Hariri, foi morto num atentado terrorista com carro-bomba em 14 de fevereiro de 2005. Sua morte deflagrou uma onda de protestos populares contra a intervenção militar síria no Líbano, que durava desde 1976, no início da guerra civil libanesa (1975-90).
Há meses o Líbano teme que a guerra civil síria transborde suas fronteiras e envolva seu país, reacendendo o conflito sectário entre sunitas e xiitas: "Faz tempo que o regime sírio tenta internacionalizar o conflito", admite o jornalista Adbel Bari Atwan, editor-chefe do jornal árabe editado em Londres Al Quods.
"Os agentes sírios estão lá, o Hesbolá está lá. Não se sabe quem foi, mas os sírios são especialistas em carros-bomba e gostariam de iniciar uma guerra civil no Líbano como a que existe na Síria", acrescentou o jornalista.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
UE aprova fiscalização conjunta dos bancos
Em mais uma medida para enfrentar a crise das dívidas públicas, a partir de 1º de janeiro de 2013, o Banco Central Europeu (BCE) vai passar a fiscalizar todos os 6 mil bancos dos 27 países-membros da União Europeia. A decisão foi tomada ontem à noite, durante reunião de cúpula do bloco.
Nem George W. Bush acredita na vitória de Romney
Até mesmo o ex-presidente George Walker Bush duvida da vitória do ex-governador Mitt Romney na eleição presidencial de 6 de novembro de 2012 nos Estados Unidos, de acordo com um perfil de seu irmão Jeb Bush, ex-governador da Flórida, publicada na revista New York.
Depois de coleção espetacular de fracassos de seus governos, Bush virou uma figura maldita no país e no Partido Republicano, mas troca ideias regularmente com um de seus principais ideólogos, seu subchefe da Casa Civil, Karl Rove.
Bush critica a campanha de Romney e não acredita numa vitória republicana daqui a 18 dias.
Depois de coleção espetacular de fracassos de seus governos, Bush virou uma figura maldita no país e no Partido Republicano, mas troca ideias regularmente com um de seus principais ideólogos, seu subchefe da Casa Civil, Karl Rove.
Bush critica a campanha de Romney e não acredita numa vitória republicana daqui a 18 dias.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Colômbia e FARC abrem negociações de paz em Oslo
O governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) iniciaram hoje em Oslo, na Noruega, negociações de paz para acabar com uma guerra civil que matou centenas de milhares de pessoas nas últimas seis décadas.
"Não queremos criar falsas expectativas, mas acreditamos ter os elementos estruturais que nos dão esperança de dar uma boa notícia aos colombianos", declarou o chefe da delegação governalmental, citado pela TV pública britânica BBC antes de sair de Bogotá.
O primeiro dia de negociações envolveu questões técnicas e de procedimentos.
"Não queremos criar falsas expectativas, mas acreditamos ter os elementos estruturais que nos dão esperança de dar uma boa notícia aos colombianos", declarou o chefe da delegação governalmental, citado pela TV pública britânica BBC antes de sair de Bogotá.
O primeiro dia de negociações envolveu questões técnicas e de procedimentos.
Rebeldes sírios conseguem mísseis antiaéreos
Algumas facções rebeldes da Síria obtiveram mísseis antiaéreos portáteis avançados capazes de mudar o equilíbrio de forças na guerra civil que travam contra a ditadura de Bachar Assad.
Os Estados Unidos temem que essas armas caiam em mãos de terroristas, razão pela qual relutam em armar os rebeldes, mas a Turquia e as monarquias petroleiras do Golfo Pérsico estão fazendo isso.
Em imagens divulgadas nesta semana, os rebeldes aparecem usando mísseis apoiados no ombro capazes de se guiar pelo calor, conhecidos como sistemas portáteis de defesa antiaérea. Eles teriam entrado no país através da Turquia e do Líbano.
"O Norte da Síria está cheio de armas antitanque e antiavião", admitiu um rebelde envolvido na compra dos mísseis. "A situação [no campo de batalha] está mudando rapidamente".
O uso de mísseis antiaéreos foi fundamental para a resistência de guerrilheiros muçulmanos à invasão do Afeganistão pela União Soviética, em 1979.
Os Estados Unidos temem que essas armas caiam em mãos de terroristas, razão pela qual relutam em armar os rebeldes, mas a Turquia e as monarquias petroleiras do Golfo Pérsico estão fazendo isso.
Em imagens divulgadas nesta semana, os rebeldes aparecem usando mísseis apoiados no ombro capazes de se guiar pelo calor, conhecidos como sistemas portáteis de defesa antiaérea. Eles teriam entrado no país através da Turquia e do Líbano.
"O Norte da Síria está cheio de armas antitanque e antiavião", admitiu um rebelde envolvido na compra dos mísseis. "A situação [no campo de batalha] está mudando rapidamente".
O uso de mísseis antiaéreos foi fundamental para a resistência de guerrilheiros muçulmanos à invasão do Afeganistão pela União Soviética, em 1979.
Enviado da ONU tenta negociar trégua na Síria
Depois de advertir para o risco de uma conflagração generalizada no Oriente Médio, o enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe, Lakhdar Brahimi, vai à Síria tentar negociar uma trégua entre o governo e os rebeldes durante os feriados religiosos do Eid, a festa que celebra o fim do jejum que todos os muçulmanos são obrigados a fazer durante o sagrado mês do Ramadã.
"Faremos um apelo a nossos irmãos sírios, sejam do governo ou contra o governo, para que parem de lutar nos três ou quatro dias do Eid, na próxima semana", declarou Brahimi, ex-ministro do Exterior da Argélia, confirmando sua ida a Damasco, informa a agência de notícias Reuters.
A Turquia, aliada dos rebeldes, e o Irã, que apoia a ditadura de Bachar Assad, são a favor da trégua.
Uma tentativa anterior de negociar um cessar-fogo, em abril, realizada pelo antigo mediador, o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, fracassou em poucos dias. Meses depois, Annan renunciou ao cargo.
Seu plano de paz previa ainda a retirada de tropas e tanques do Exército sírio das ruas, um diálogo nacional, eleições, e liberdade de circulação para jornalistas e organizações de ajuda humanitária.
"Faremos um apelo a nossos irmãos sírios, sejam do governo ou contra o governo, para que parem de lutar nos três ou quatro dias do Eid, na próxima semana", declarou Brahimi, ex-ministro do Exterior da Argélia, confirmando sua ida a Damasco, informa a agência de notícias Reuters.
A Turquia, aliada dos rebeldes, e o Irã, que apoia a ditadura de Bachar Assad, são a favor da trégua.
Uma tentativa anterior de negociar um cessar-fogo, em abril, realizada pelo antigo mediador, o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, fracassou em poucos dias. Meses depois, Annan renunciou ao cargo.
Seu plano de paz previa ainda a retirada de tropas e tanques do Exército sírio das ruas, um diálogo nacional, eleições, e liberdade de circulação para jornalistas e organizações de ajuda humanitária.
Pelo menos 28 mil sírios estão "desaparecidos"
Ao menos 28 mil pessoas "desapareceram" durante a revolta popular contra a ditadura de Bachar Assad, iniciada em 15 de março de 2011 na Síria, denuncia um grupo de defesa dos direitos humanos. O total pode chegar a 80 mil, informa a TV pública britânica BBC.
"Os sírios estão sendo sequestrados na rua pelas forças de segurança e 'desaparecem' em centro de tortura. De mulheres fazendo compras no armazém da esquina a camponeses comprando combustível, ninguém está seguro", acusa o grupo militante Avaaz, que está apelando ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas para que investigue a situação, revela o jornal britânico The Guardian.
A elite até agora praticamente isolada na capital do país, Damasco, já sente o impacto direto da guerra civil síria, reporta o jornal The New York Times.
"Os sírios estão sendo sequestrados na rua pelas forças de segurança e 'desaparecem' em centro de tortura. De mulheres fazendo compras no armazém da esquina a camponeses comprando combustível, ninguém está seguro", acusa o grupo militante Avaaz, que está apelando ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas para que investigue a situação, revela o jornal britânico The Guardian.
A elite até agora praticamente isolada na capital do país, Damasco, já sente o impacto direto da guerra civil síria, reporta o jornal The New York Times.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Fatores metabólicos agravam risco de câncer de próstata
A hipertensão, o excesso de gordura e açúcar no sangue, e o excesso de peso são fatores metabólicos que aumentam o risco de morrer de câncer de próstata, concluiu uma pesquisa divulgada hoje na edição na Internet da revista Cancer, da Sociedade Americana do Câncer.
O estudo realizado na Universidade de Umea, na Suécia, examinou os dados de 289.866 que participaram do projeto. Seus autores sugerem que as recomendações sobre dieta e estilo de vida dadas para prevenir o diabetes e as doenças de coração diminuiriam a mortalidade por câncer de próstata.
Durante um período de 12 anos, 6.673 homens tiveram câncer de próstata e 961 morreram por causa da doença. Os homens com índices de massa corporal apontando obesidade correram um risco de vida 36%. Já os hipertensos têm 62% a mais de probabilidade de morrer de câncer na próstata.
O estudo realizado na Universidade de Umea, na Suécia, examinou os dados de 289.866 que participaram do projeto. Seus autores sugerem que as recomendações sobre dieta e estilo de vida dadas para prevenir o diabetes e as doenças de coração diminuiriam a mortalidade por câncer de próstata.
Durante um período de 12 anos, 6.673 homens tiveram câncer de próstata e 961 morreram por causa da doença. Os homens com índices de massa corporal apontando obesidade correram um risco de vida 36%. Já os hipertensos têm 62% a mais de probabilidade de morrer de câncer na próstata.
Crescimento da China cai para 7,4% ao ano
A China manteve no terceiro trimestre de 2012 sua trajetória de desaceleração do crescimento. De julho a setembro, a segunda maior economia do mundo avançou num ritmo de 7,4% ao ano, abaixo dos 7,6% ao ano do segundo trimestre e dos 9,3% do ano passado.
O primeiro-ministro Wen Jiabao declarou que a meta de crescimento para este ano, de 7,5%, será cumprida.
Nas últimas três décadas, a China cresceu em média quase 10% ao ano. Em 2010, a expansão do produto interno bruto foi de 11,9%. Agora, com a crise na União Europeia, maior mercado para suas exportações, e uma queda na demanda interna, a China pisa no freio.
Ao mesmo tempo, não vai haver uma aterrissagem forçada. Sob pressão da crise, a China está fazendo reformas para reorientar sua economia para o consumo interno. Seus níveis de crescimento devem baixar. Mas, no momento, a segunda maior economia do mundo se prepara para um pouso suave e uma decolagem segura pouco depois.
O primeiro-ministro Wen Jiabao declarou que a meta de crescimento para este ano, de 7,5%, será cumprida.
Nas últimas três décadas, a China cresceu em média quase 10% ao ano. Em 2010, a expansão do produto interno bruto foi de 11,9%. Agora, com a crise na União Europeia, maior mercado para suas exportações, e uma queda na demanda interna, a China pisa no freio.
Ao mesmo tempo, não vai haver uma aterrissagem forçada. Sob pressão da crise, a China está fazendo reformas para reorientar sua economia para o consumo interno. Seus níveis de crescimento devem baixar. Mas, no momento, a segunda maior economia do mundo se prepara para um pouso suave e uma decolagem segura pouco depois.
Construção de casas novas sobe 15% nos EUA
O início da construção de imóveis residenciais cresceu 15% em setembro nos Estados Unidos em relação a agosto, a maior alta em mais de quatro anos, num sinal de que o setor habitacional do mercado imobiliário americano, onde a crise mundial começou, finalmente começa a se recuperar, anunciou hoje o Departamento do Comércio.
Na comparação anual, o avanço foi de 34,8%, reporta The Wall St. Journal.
Esse ritmo projeta a construção de 872 mil casas num ano. As casas representam 69% do total ou 603 mil unidades, alta de 43% nos últimos 12 meses.
Na comparação anual, o avanço foi de 34,8%, reporta The Wall St. Journal.
Esse ritmo projeta a construção de 872 mil casas num ano. As casas representam 69% do total ou 603 mil unidades, alta de 43% nos últimos 12 meses.
Suspeito de ataque ao Fed de NY é preso nos EUA
Um homem de 21 anos de Bangladesh foi preso hoje e acusado de planejar um atentado a bomba contra a delegacia da Reserva Federal (Fed), o banco central dos Estados Unidos, em Nova York.
O suspeito, Quazi Mohammad Reswanul Ahsan Nafis, foi detido na manhã desta quarta-feira, quando tentava detonar o que acreditava ser uma bomba dentro de uma caminhonete estacionada na sede nova-iorquina do banco, noticia o jornal The Washington Post.
O suspeito, Quazi Mohammad Reswanul Ahsan Nafis, foi detido na manhã desta quarta-feira, quando tentava detonar o que acreditava ser uma bomba dentro de uma caminhonete estacionada na sede nova-iorquina do banco, noticia o jornal The Washington Post.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Obama vence segundo debate presidencial nos EUA
Bem mais firme, decidido e incisivo, o presidente Barack Obama saiu-se melhor do que seu adversário conservador Mitt Romney no segundo debate da campanha para a eleição presidencial de 6 de novembro de 2012 nos Estados Unidos. Foi mais presidencial. Na pesquisa da TV americana CNN, Obama ganhou por 45% a 39%.
Em economia, Romney insistiu na questão do emprego. O presidente lembrou que o país perdeu 800 mil empregos em janeiro de 2009, quando ele assumiu, e que desde então foram criados 5 milhões de empregos no seu governo. O ex-governador de Massachusetts contra-argumentou dizendo que 23 milhões de americanos estão desempregados.
O candidato conservador acusou Obama de apostar apenas no Estado para resolver os problemas econômicos do país, enquanto o presidente respondeu que ele prometia o impossível, como equilibrar o orçamento com um corte de 25% no imposto de renda de todos os americanos.
Pelo raciocínio de Obama, Romney vai cortar US$ 5 trilhões em despesas do governo federal, ampliar os gastos militares em US$ 2 trilhões e manter os cortes de impostos para os ricos da era George W. Bush, outro trilhão de dólares. Mesmo eliminando todas as deduções e isenções, como despesas com saúde e educação, seria impossível equilibrar o orçamento, argumentou o presidente
"Quando ele fala em eliminar furos na lei, isenções e decisões, ele não diz onde", alfinetou Obama. "A conta não fecha".
Romney contra-atacou: "Eu equilibrei o orçamento de empresas e do estado de Massachusetts. Ele acumulou déficits trilionários. Se Obama for reeleito, vamos para uma dívida de US$ 20 trilhões, como a Grécia."
Obama defendeu sua atuação como comandante-em-chefe. Ele prometera em 2008 acabar com as guerras no Iraque e no Afeganistão e se concentrar na luta contra os responsáveis pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Citou a morte de Ossama ben Laden e prometeu usar o dinheiro economizado com o fim das guerras para reerguer a economia dos EUA.
O momento de fraqueza do presidente foi sobre a morte do embaixador americano na Líbia num ataque terrorista ao consulado em Bengázi em 11 de setembro de 2012. Como o debate era com participação do público, um senhor perguntou por que o Departamento de Estado negara um pedido de reforço na segurança do consulado. Obama não respondeu. Romney perdeu a chance de chamar a atenção para isso.
Obama acusou o oposicionista de politizar a morte do embaixador dos EUA e outros três americanos em Bengázi no primeiro momento, quando o consulado ainda estava sob ataque.
Romney ficou mal ao acusar o governo de demorar duas semanas para definir que houvera um ataque terrorista e não uma reação contra um filme antimuçulmano postado na Internet. O presidente negou e a mediadora do debate, Candy Crowley, da CNN, confirmou que no dia seguinte ao ataque Obama dissera no jardim da Casa Branca: "Nenhum ataque terrorista vai abalar a determinação dos Estados Unidos."
No discurso, Romney tentou fugir do discurso do movimento radical de direita Festa do Chá, que empolgou o Partido Republicano nos últimos anos levando-o ainda mais para a direita. Aceitou algum controle sobre armas automáticas, apesar de ter prometido o contrário para obter o apoio da Associação Nacional do Rifle, o lobby dos fabricantes de armas. Obama declarou ser a favor do direito a portar armas para autodefesa, como previsto na Emenda nº 2 da Constituição dos EUA, mas com limites.
Em imigração, Romney também apresentou posições mais moderadas para não perder o voto latino do que na verdade seu partido defende. Todas as minorias preferem o Partido Democrata. Obama se aproveitou disso para acusar o adversário de apoiar a Lei de Imigração do estado do Arizona. Ela dá direito à polícia de pedir documentos para conferir a identidade de supostos imigrantes ilegais, uma discriminação contra os latino-americanos, que são hoje a maioria dos 12 milhões de ilegais.
O presidente recuperou a retórica que empolgou os EUA há quatro anos, a ponto de Romney iniciar uma de suas intervenções dizendo: "Vamos discutir as políticas do presidente e não o discurso. Se vocês reelegerem o presidente Obama, terão mais do mesmo nos próximos quatro anos".
A China não poderia ser ignorada. Romney ameaçou declarar a China "manipuladora do câmbio" no primeiro dia de seu governo para impor sobretaxas à importação de determinados produtos chineses. O presidente falou que seu governo recorreu com sucesso à Organização Mundial do Comércio em todos os casos de comércio desleal contra os EUA.
Quando quis apresentar políticas de sucesso de seu partido, Obama lembrou os governos Bill Clinton (1993-2001). Romney teve de regredir até Ronald Reagan (1981-89). Os dois George Bush, pai e filho, são rejeitados hoje pelo Partido Republicano.
No fim, ao prometer governar para "100% dos americanos", Romney deu espaço para Obama lembrar a gafe do adversário num jantar com ricos para arrecadar dinheiro para a campanha, em maio, quando o ex-governador menosprezou 47% do eleitorado como "gente que não paga imposto de renda", se considera vítima e acredita que o Estado deve sustentar suas necessidades básicas, como casa, comida, saúde e educação.
Não foi um nocaute, mas, na minha opinião, Obama foi melhor no segundo debate.
Em economia, Romney insistiu na questão do emprego. O presidente lembrou que o país perdeu 800 mil empregos em janeiro de 2009, quando ele assumiu, e que desde então foram criados 5 milhões de empregos no seu governo. O ex-governador de Massachusetts contra-argumentou dizendo que 23 milhões de americanos estão desempregados.
O candidato conservador acusou Obama de apostar apenas no Estado para resolver os problemas econômicos do país, enquanto o presidente respondeu que ele prometia o impossível, como equilibrar o orçamento com um corte de 25% no imposto de renda de todos os americanos.
Pelo raciocínio de Obama, Romney vai cortar US$ 5 trilhões em despesas do governo federal, ampliar os gastos militares em US$ 2 trilhões e manter os cortes de impostos para os ricos da era George W. Bush, outro trilhão de dólares. Mesmo eliminando todas as deduções e isenções, como despesas com saúde e educação, seria impossível equilibrar o orçamento, argumentou o presidente
"Quando ele fala em eliminar furos na lei, isenções e decisões, ele não diz onde", alfinetou Obama. "A conta não fecha".
Romney contra-atacou: "Eu equilibrei o orçamento de empresas e do estado de Massachusetts. Ele acumulou déficits trilionários. Se Obama for reeleito, vamos para uma dívida de US$ 20 trilhões, como a Grécia."
Obama defendeu sua atuação como comandante-em-chefe. Ele prometera em 2008 acabar com as guerras no Iraque e no Afeganistão e se concentrar na luta contra os responsáveis pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Citou a morte de Ossama ben Laden e prometeu usar o dinheiro economizado com o fim das guerras para reerguer a economia dos EUA.
O momento de fraqueza do presidente foi sobre a morte do embaixador americano na Líbia num ataque terrorista ao consulado em Bengázi em 11 de setembro de 2012. Como o debate era com participação do público, um senhor perguntou por que o Departamento de Estado negara um pedido de reforço na segurança do consulado. Obama não respondeu. Romney perdeu a chance de chamar a atenção para isso.
Obama acusou o oposicionista de politizar a morte do embaixador dos EUA e outros três americanos em Bengázi no primeiro momento, quando o consulado ainda estava sob ataque.
Romney ficou mal ao acusar o governo de demorar duas semanas para definir que houvera um ataque terrorista e não uma reação contra um filme antimuçulmano postado na Internet. O presidente negou e a mediadora do debate, Candy Crowley, da CNN, confirmou que no dia seguinte ao ataque Obama dissera no jardim da Casa Branca: "Nenhum ataque terrorista vai abalar a determinação dos Estados Unidos."
No discurso, Romney tentou fugir do discurso do movimento radical de direita Festa do Chá, que empolgou o Partido Republicano nos últimos anos levando-o ainda mais para a direita. Aceitou algum controle sobre armas automáticas, apesar de ter prometido o contrário para obter o apoio da Associação Nacional do Rifle, o lobby dos fabricantes de armas. Obama declarou ser a favor do direito a portar armas para autodefesa, como previsto na Emenda nº 2 da Constituição dos EUA, mas com limites.
Em imigração, Romney também apresentou posições mais moderadas para não perder o voto latino do que na verdade seu partido defende. Todas as minorias preferem o Partido Democrata. Obama se aproveitou disso para acusar o adversário de apoiar a Lei de Imigração do estado do Arizona. Ela dá direito à polícia de pedir documentos para conferir a identidade de supostos imigrantes ilegais, uma discriminação contra os latino-americanos, que são hoje a maioria dos 12 milhões de ilegais.
O presidente recuperou a retórica que empolgou os EUA há quatro anos, a ponto de Romney iniciar uma de suas intervenções dizendo: "Vamos discutir as políticas do presidente e não o discurso. Se vocês reelegerem o presidente Obama, terão mais do mesmo nos próximos quatro anos".
A China não poderia ser ignorada. Romney ameaçou declarar a China "manipuladora do câmbio" no primeiro dia de seu governo para impor sobretaxas à importação de determinados produtos chineses. O presidente falou que seu governo recorreu com sucesso à Organização Mundial do Comércio em todos os casos de comércio desleal contra os EUA.
Quando quis apresentar políticas de sucesso de seu partido, Obama lembrou os governos Bill Clinton (1993-2001). Romney teve de regredir até Ronald Reagan (1981-89). Os dois George Bush, pai e filho, são rejeitados hoje pelo Partido Republicano.
No fim, ao prometer governar para "100% dos americanos", Romney deu espaço para Obama lembrar a gafe do adversário num jantar com ricos para arrecadar dinheiro para a campanha, em maio, quando o ex-governador menosprezou 47% do eleitorado como "gente que não paga imposto de renda", se considera vítima e acredita que o Estado deve sustentar suas necessidades básicas, como casa, comida, saúde e educação.
Não foi um nocaute, mas, na minha opinião, Obama foi melhor no segundo debate.
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Cuba anuncia liberação das viagens ao exterior
Vinte e três anos depois da queda do Muro de Berlim, Cuba vai deixar de ser um país-prisão, mas os dissidentes continuarão tendo problemas para sair da ilha.
Em mais uma mudança que aponta para o fim do regime comunista imposto por Fidel Castro, depois de mais de 50 anos, a partir de 14 de janeiro de 2013, os cubanos não vão mais precisar de autorização oficial do governo para sair do país. Vai bastar um passaporte. Também não vão precisar da carta-convite exigida hoje.
Aliás, foi isso que o secretário de Comunicação Social da então Alemanha Oriental, Günter Schabowski, anunciou em 9 de novembro de 1989: "A partir da meia-noite, todos poderão sair do país, bastando apresentar o passaporte num posto de fronteira". Assim foi aberto o Muro de Berlim.
A regulamentação não estava concluída. Schabowski não tinha participado das discussões do Politburo do partido comunista e anunciou uma abertura total do muro. Os alemães-orientais correram em massa para a fronteira, e a situação se tornou irreversível. Mas amigos alemães-ocidentais que pularam para o lado oriental no meio da festa contam que às 3h da manhã, os soldados alemães-orientais tinham tomado posição junto ao muro, num sinal de que a ordem poderia ter sido revogada.
Em Cuba, dissidentes, atletas de alto desempenho e cientistas podem continuar tendo dificuldades para obter passaporte.
Desde 1961, quando a ditadura stalinista tomou conta da ilha, os cubanos precisam pagar US$ 150 para pedir autorização de saída, geralmente negada a pretexto de evitar a evasão de divisas. Sem outra chance, muitos cubanos tentaram fugir clandestinamente pelo ar ou pelo mar, sendo condenados e até mesmo mortos por isso.
É mais uma das reformas de Raúl Castro, que substituiu o irmão em 2006, quando Fidel quase morreu por causa de uma doença intestinal. Raúl já autorizou a criação de microempresas para combater o desemprego, rumo a uma abertura econômica que até agora não tinha evoluído para uma abertura política.
Em mais uma mudança que aponta para o fim do regime comunista imposto por Fidel Castro, depois de mais de 50 anos, a partir de 14 de janeiro de 2013, os cubanos não vão mais precisar de autorização oficial do governo para sair do país. Vai bastar um passaporte. Também não vão precisar da carta-convite exigida hoje.
Aliás, foi isso que o secretário de Comunicação Social da então Alemanha Oriental, Günter Schabowski, anunciou em 9 de novembro de 1989: "A partir da meia-noite, todos poderão sair do país, bastando apresentar o passaporte num posto de fronteira". Assim foi aberto o Muro de Berlim.
A regulamentação não estava concluída. Schabowski não tinha participado das discussões do Politburo do partido comunista e anunciou uma abertura total do muro. Os alemães-orientais correram em massa para a fronteira, e a situação se tornou irreversível. Mas amigos alemães-ocidentais que pularam para o lado oriental no meio da festa contam que às 3h da manhã, os soldados alemães-orientais tinham tomado posição junto ao muro, num sinal de que a ordem poderia ter sido revogada.
Em Cuba, dissidentes, atletas de alto desempenho e cientistas podem continuar tendo dificuldades para obter passaporte.
Desde 1961, quando a ditadura stalinista tomou conta da ilha, os cubanos precisam pagar US$ 150 para pedir autorização de saída, geralmente negada a pretexto de evitar a evasão de divisas. Sem outra chance, muitos cubanos tentaram fugir clandestinamente pelo ar ou pelo mar, sendo condenados e até mesmo mortos por isso.
É mais uma das reformas de Raúl Castro, que substituiu o irmão em 2006, quando Fidel quase morreu por causa de uma doença intestinal. Raúl já autorizou a criação de microempresas para combater o desemprego, rumo a uma abertura econômica que até agora não tinha evoluído para uma abertura política.
Menina baleada pelos Talebã se trata na Inglaterra
A menina Malala Yussufzai, de 14 anos, baleada na cabeça pela milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes) no Noroeste do Paquistão por defender o direito das mulheres à educação, chegou ontem a Birmingham, na Inglaterra, para receber tratamento.
Aos 11 anos, Malala escreveu um texto contando como adorava a escola e os estudos. Como os jihadistas negam o direito das mulheres à educação e atacam escolas femininas, a menina virou da fúria medieval dos extremistas muçulmanos. Um porta-voz dos Talebã ameaça matá-la, se ela sobreviver.
Uma mulher tentou invadir a ala do hospital onde Malala está internada.
Aos 11 anos, Malala escreveu um texto contando como adorava a escola e os estudos. Como os jihadistas negam o direito das mulheres à educação e atacam escolas femininas, a menina virou da fúria medieval dos extremistas muçulmanos. Um porta-voz dos Talebã ameaça matá-la, se ela sobreviver.
Uma mulher tentou invadir a ala do hospital onde Malala está internada.
Modelo econômico do kirchnerismo está esgotado
BUENOS AIRES - A Argentina vive sua pior crise econômica e financeira desde o colapso, em 2001, da dolarização da era Carlos Menem (1989-99). Sob o impacto da Grande Recessão que atingiu a economia mundial em 2008-9, o país reduziu suas exportações, o governo bloqueia importações, a inflação se aproxima de 30% ao ano e algumas empresas estão à beira do calote de suas dívidas em dólares.
A presidente Cristina Kirchner fala em concluir a "pesificação" da economia, acabando com a tendência dos argentinos de poupar em dólares, como se fosse apenas um problema cultura e não uma defesa contra uma política de minidesvalorizações da moeda que alimenta a inflação e mina a credibilidade do peso.
O modelo kirchnerista foi adotado pelo marido de Cristina, Néstor Kirchner, presidente de 2003 a 2007, depois do colapso de 2001-2, que jogara 58% dos argentinos abaixo da linha de pobreza, numa das piores crises da história de qualquer economia moderna, comparada à crise da dívida pública da Grécia.
Kirchner se propôs a reduzir a inclusão social. Para isso, renegociou a dívida caloteada com um desconto que não foi aceita por 25% dos investidores que tinham bônus argentinos. Como o problema não foi solucionado até hoje, há várias tentativas de bloquear bens da Argentina no exterior para saldar os compromissos assumidos. O caso mais recente é o da fragata Libertad, retida há 14 dias num porto de Gana, na África (leia abaixo).
Para combater a inflação e proteger a população fragilizada, Kirchner impôs limites às tarifas cobradas pelas empresas privatizadas por Menem. Como uma retórica populista de defesa dos pobres, adotou políticas antiliberais e antimercado, reduzindo os investimentos, especialmente estrangeiros, na Argentina.
Nos primeiros anos, a economia deprimida avançou numa média de 8% ao ano, mas a crise econômico-financeira internacional de 2008-9 esgotou o modelo kirchnerista antes que a Argentina voltasse a ser um país normal.
"A Argentina tomou medidas excessivamente populistas", criticou o economista turco naturalizado americano Nouriel Roubini, famoso por prever a crise mundial. Em entrevista concedida antes de viajar a Buenos Aires, ele lamentou que o país "não possa tirar todo o proveito de suas vantagens comparativas".
Isolada na Casa Rosada, cerca de áulicos que relutam em lhe dizer a verdade, a presidente age quase como uma autista. Só ouve sua própria voz. Limita-se a repetir o discurso oficial que atribuiu todos os problemas às "elites conservadoras" e aos jornais críticos de seu governo.
Seus partidários se apressam em defender uma emenda constitucional para permitir a terceira eleição de Cristina. A julgar por sua queda de popularidade, será difícil. Há um ano, ela foi reeleita com 54% dos votos no primeiro turno. Hoje, tem o apoio de cerca de 30% dos argentinos.
A presidente Cristina Kirchner fala em concluir a "pesificação" da economia, acabando com a tendência dos argentinos de poupar em dólares, como se fosse apenas um problema cultura e não uma defesa contra uma política de minidesvalorizações da moeda que alimenta a inflação e mina a credibilidade do peso.
O modelo kirchnerista foi adotado pelo marido de Cristina, Néstor Kirchner, presidente de 2003 a 2007, depois do colapso de 2001-2, que jogara 58% dos argentinos abaixo da linha de pobreza, numa das piores crises da história de qualquer economia moderna, comparada à crise da dívida pública da Grécia.
Kirchner se propôs a reduzir a inclusão social. Para isso, renegociou a dívida caloteada com um desconto que não foi aceita por 25% dos investidores que tinham bônus argentinos. Como o problema não foi solucionado até hoje, há várias tentativas de bloquear bens da Argentina no exterior para saldar os compromissos assumidos. O caso mais recente é o da fragata Libertad, retida há 14 dias num porto de Gana, na África (leia abaixo).
Para combater a inflação e proteger a população fragilizada, Kirchner impôs limites às tarifas cobradas pelas empresas privatizadas por Menem. Como uma retórica populista de defesa dos pobres, adotou políticas antiliberais e antimercado, reduzindo os investimentos, especialmente estrangeiros, na Argentina.
Nos primeiros anos, a economia deprimida avançou numa média de 8% ao ano, mas a crise econômico-financeira internacional de 2008-9 esgotou o modelo kirchnerista antes que a Argentina voltasse a ser um país normal.
"A Argentina tomou medidas excessivamente populistas", criticou o economista turco naturalizado americano Nouriel Roubini, famoso por prever a crise mundial. Em entrevista concedida antes de viajar a Buenos Aires, ele lamentou que o país "não possa tirar todo o proveito de suas vantagens comparativas".
Isolada na Casa Rosada, cerca de áulicos que relutam em lhe dizer a verdade, a presidente age quase como uma autista. Só ouve sua própria voz. Limita-se a repetir o discurso oficial que atribuiu todos os problemas às "elites conservadoras" e aos jornais críticos de seu governo.
Seus partidários se apressam em defender uma emenda constitucional para permitir a terceira eleição de Cristina. A julgar por sua queda de popularidade, será difícil. Há um ano, ela foi reeleita com 54% dos votos no primeiro turno. Hoje, tem o apoio de cerca de 30% dos argentinos.
Apreensão de navio derruba chefe da Marinha argentino
BUENOS AIRES - A apreensão de um navio de guerra da Argentina em Gana, na África, a pedido de investidores que tiveram seus bonos da dívida do país caloteados em 2001 e que não aceitaram os termos da negociação proposta pelo governo argentino, levaram à queda do comandante da Marinha, almirante Carlos Alberto Paz.
Há 13 dias, a fragata Libertad, usada para treinamento da Marinha do país vizinho, está atracada no porto de Tema, a 7.366 quilômetros do porto de Buenos Aires, com 289 tripulantes argentinos, 23 marinheiros uruguaios e chilenos, e 13 convidados especiais. O custo para mantê-la nesta situação é de US$ 50 mil por dia para o governo Cristina Fernández de Kirchner, que enfrenta uma crise de falta de divisas.
A apreensão do navio provocou uma discussão dentro do governo. O ministro da Defesa, Arturo Puricelli, argumenta que a decisão foi tomada em comum acordo com o Ministério das Relações Exteriores, Comércio Internacional e Culto, onde o chanceler Héctor Timerman alega que foi a Defesa que organizou o itinerário.
Internamente, o ministro do Exterior acusaria o secretário de Comércio, Guillermo Moreno, que estaria interessado em promover a visita da presidente a Angola e melhorar as relações com a África. Moreno é o articulador das políticas protecionistas de controle das importações usadas para tentar manter o equilíbrio entre a entrada e a saída de dólares da Argentina, que ainda sofre as consequências do calote de 2001.
O novo comandante da Marinha argentina é o almirante Daniel Alberto Martín, que era o subcomandante de Paz, informa o jornal argentino Clarín.
Há 13 dias, a fragata Libertad, usada para treinamento da Marinha do país vizinho, está atracada no porto de Tema, a 7.366 quilômetros do porto de Buenos Aires, com 289 tripulantes argentinos, 23 marinheiros uruguaios e chilenos, e 13 convidados especiais. O custo para mantê-la nesta situação é de US$ 50 mil por dia para o governo Cristina Fernández de Kirchner, que enfrenta uma crise de falta de divisas.
A apreensão do navio provocou uma discussão dentro do governo. O ministro da Defesa, Arturo Puricelli, argumenta que a decisão foi tomada em comum acordo com o Ministério das Relações Exteriores, Comércio Internacional e Culto, onde o chanceler Héctor Timerman alega que foi a Defesa que organizou o itinerário.
Internamente, o ministro do Exterior acusaria o secretário de Comércio, Guillermo Moreno, que estaria interessado em promover a visita da presidente a Angola e melhorar as relações com a África. Moreno é o articulador das políticas protecionistas de controle das importações usadas para tentar manter o equilíbrio entre a entrada e a saída de dólares da Argentina, que ainda sofre as consequências do calote de 2001.
O novo comandante da Marinha argentina é o almirante Daniel Alberto Martín, que era o subcomandante de Paz, informa o jornal argentino Clarín.
Missão da SIP vai à Argentina defender grupo Clarín
BUENOS AIRES - A Sociedade Interamericana de Imprensa, reunida em São Paulo, decidiu enviar uma missão à Argentina para defender a maior empresa jornalística do país, o grupo Clarín, que está sendo perseguido pela presidente Cristina Fernández de Kirchner, cada vez mais autoritária e distante dos problemas argentinos.
A pretexto de combater o monopólio, o governo argentino aprovou há dois anos uma Lei de Meios de Comunicação que obriga o maior grupo de mídia do país a se desfazer de mais de 200 licenças de telerradiodifusão. Isso reduziria sua participação no mercado de 47% para 35%.
Embora a iniciativa tenha sido elogiada por organizações não governamentais que defendem a liberdade de imprensa, como os Repórteres sem Fronteiras. Mas, na prática, está sendo usada para desmantelar a maior empresa jornalística do país.
O Clarín apoiou o governo de Néstor Kirchner (2003-7), marido de Cristina, que morreu do coração há dois anos, quando se preparava para voltar à Presidência da Argentina. Em 2008, no início do primeiro governo de presidenta (sic), como ela gosta de ser chamada (a presidente Dilma Rousseff a imitou), quando a crise financeira internacional começou a se agravar, os produtores rurais fizeram uma greve de mais de cem dias contra o aumento dos impostos sobre exportações, o Clarín ficou com os ruralistas.
Desde então, o kirchnerismo elegeu o Clarín como seu principal inimigo. A Argentina enfrenta uma situação econômica muito difícil, com uma inflação que se aproxima de 30%, embora o governo negue, com preços em alta, escassez de divisas, controle de importações, restrições ao câmbio de moedas e ameaça de que as províncias comecem a dar calote nas suas dívidas em moedas fortes. Mas Cristina prefere atribuir os problemas aos grandes jornais do país.
A pretexto de combater o monopólio, o governo argentino aprovou há dois anos uma Lei de Meios de Comunicação que obriga o maior grupo de mídia do país a se desfazer de mais de 200 licenças de telerradiodifusão. Isso reduziria sua participação no mercado de 47% para 35%.
Embora a iniciativa tenha sido elogiada por organizações não governamentais que defendem a liberdade de imprensa, como os Repórteres sem Fronteiras. Mas, na prática, está sendo usada para desmantelar a maior empresa jornalística do país.
O Clarín apoiou o governo de Néstor Kirchner (2003-7), marido de Cristina, que morreu do coração há dois anos, quando se preparava para voltar à Presidência da Argentina. Em 2008, no início do primeiro governo de presidenta (sic), como ela gosta de ser chamada (a presidente Dilma Rousseff a imitou), quando a crise financeira internacional começou a se agravar, os produtores rurais fizeram uma greve de mais de cem dias contra o aumento dos impostos sobre exportações, o Clarín ficou com os ruralistas.
Desde então, o kirchnerismo elegeu o Clarín como seu principal inimigo. A Argentina enfrenta uma situação econômica muito difícil, com uma inflação que se aproxima de 30%, embora o governo negue, com preços em alta, escassez de divisas, controle de importações, restrições ao câmbio de moedas e ameaça de que as províncias comecem a dar calote nas suas dívidas em moedas fortes. Mas Cristina prefere atribuir os problemas aos grandes jornais do país.
domingo, 14 de outubro de 2012
Israel mata líder de grupo d'al Caeda na Faixa de Gaza
BUENOS AIRES - Um ataque aéreo de Israel matou ontem na Faixa de Gaza Hicham Saedni, também conhecido como Abu al-Walid al-Maqdissi, chefe do grupo salafista jihadista Tawhid e Jihad (Um único deus e guerra santa). Outro militante morreu no ataque. Eles viajavam numa motocicleta alvejada depois do anoitecer.
A morte e a identidade do líder não foram confirmadas pelo grupo terrorista, informa o jornal liberal israelense Haaretz.
A morte e a identidade do líder não foram confirmadas pelo grupo terrorista, informa o jornal liberal israelense Haaretz.
EUA suspeitam de Irã em ataques cibernéticos
BUENOS AIRES - Os Estados Unidos acreditam que o Irã esteja por trás de uma onda de ataques cibernéticos contra a indústria do petróleo da Arábia Saudita e várias instituições financeiras americanas, informa o jornal The New York Times.
Seria uma retaliação contra ataques cibernéticos dos EUA e de Israel contra o programa nuclear iraniano.
Seria uma retaliação contra ataques cibernéticos dos EUA e de Israel contra o programa nuclear iraniano.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
UE ganha Prêmio Nobel da Paz de 2012
No momento mais difícil de sua história, diante da ameaça de dissolução sob o peso da crise das dívidas públicas da Zona do Euro, a União Europeia ganhou hoje o Prêmio Nobel da Paz, um justo reconhecimento de seu papel na promoção da paz, da democracia e dos direitos humanos na Europa depois do continente ter causado duas guerras mundiais.
O comitê norueguês do Nobel, que dá o prêmio da paz, destaca a importância da integração europeia para acabar com o conflito histórico entre a Alemanha e a França, e levar a democracia ao Sul, Centro e Leste do continente.
Esse processo começa com a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (Ceca), que pretendia controlar essas duas substâncias essenciais para a fabricação de armas e, portanto, para o rearmamento da Alemanha.
Em 1957, Alemanha, França, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo assinaram o Tratado de Roma fundando a Comunidade Econômica Europeia, instalada em 1958. Nos anos 70, entraram a Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido.
Como a UE tem uma cláusula democrática, a Grécia, a Espanha e Portugal foram aceitos nos anos 80, depois de se livrar de suas ditaduras nos anos 70, elevando para 12 o número total de países-membros.
Depois do fim da Guerra Fria com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e a extinção da União Soviética, em 1991, entraram primeiro os países neutros - Áustria, Finlândia e Suécia - e, no século 21, dez países das Europas Central e Oriental - Hungria, Polônia, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia, as ex-repúblicas soviética da Estônia, da Letônia e da Lituânia, a Bulgária e a Romênia - e as ilhas de Chipre e Malta. A Croácia, a Sérvia e a Turquia estão negociando a associação.
Em 1991, o Tratado de Maastricht cria a União das Comunidades Europeias (UE), com o objetivo de aprofundamentar a integração política e econômica, criando uma moeda e políticas externas e de segurança comuns. Mas o colapso do comunismo na Europa Oriental, a reunificação da Alemanha e a necessidade de se abrir para o Leste mudaram o curso do projeto europeu.
Com as crises das dívidas da Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, e a resistência da Alemanha e de outros países do Norte a emprestar o dinheiro necessário, a integração europeia vive sua pior crise. O Comitê do Nobel resolveu lembrar o mundo de sua importância.
A UE é um modelo único. É uma entidade supranacional de países que decidiram ceder parte de sua soberania para uma organização interestatal de modo a garantir a paz. Entre suas principais características, estão a economia social de mercado e o fundo estrutural para transferir recursos para o desenvolvimento dos países pobres.
Neste sentido, a UE é um modelo para uma globalização social-democrata.
O comitê norueguês do Nobel, que dá o prêmio da paz, destaca a importância da integração europeia para acabar com o conflito histórico entre a Alemanha e a França, e levar a democracia ao Sul, Centro e Leste do continente.
Esse processo começa com a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (Ceca), que pretendia controlar essas duas substâncias essenciais para a fabricação de armas e, portanto, para o rearmamento da Alemanha.
Em 1957, Alemanha, França, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo assinaram o Tratado de Roma fundando a Comunidade Econômica Europeia, instalada em 1958. Nos anos 70, entraram a Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido.
Como a UE tem uma cláusula democrática, a Grécia, a Espanha e Portugal foram aceitos nos anos 80, depois de se livrar de suas ditaduras nos anos 70, elevando para 12 o número total de países-membros.
Depois do fim da Guerra Fria com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e a extinção da União Soviética, em 1991, entraram primeiro os países neutros - Áustria, Finlândia e Suécia - e, no século 21, dez países das Europas Central e Oriental - Hungria, Polônia, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia, as ex-repúblicas soviética da Estônia, da Letônia e da Lituânia, a Bulgária e a Romênia - e as ilhas de Chipre e Malta. A Croácia, a Sérvia e a Turquia estão negociando a associação.
Em 1991, o Tratado de Maastricht cria a União das Comunidades Europeias (UE), com o objetivo de aprofundamentar a integração política e econômica, criando uma moeda e políticas externas e de segurança comuns. Mas o colapso do comunismo na Europa Oriental, a reunificação da Alemanha e a necessidade de se abrir para o Leste mudaram o curso do projeto europeu.
Com as crises das dívidas da Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, e a resistência da Alemanha e de outros países do Norte a emprestar o dinheiro necessário, a integração europeia vive sua pior crise. O Comitê do Nobel resolveu lembrar o mundo de sua importância.
A UE é um modelo único. É uma entidade supranacional de países que decidiram ceder parte de sua soberania para uma organização interestatal de modo a garantir a paz. Entre suas principais características, estão a economia social de mercado e o fundo estrutural para transferir recursos para o desenvolvimento dos países pobres.
Neste sentido, a UE é um modelo para uma globalização social-democrata.
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quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Turquia intercepta avião russo com armas para Síria
A Turquia interceptou ontem um avião de passageiros da Rússia que seguia para a Síria com uma "carga ilegal" de armas para a ditadura de Bachar Assad, que há um ano e sete meses reprime violentamente uma revolta popular. Tanto a Síria quanto a Rússia negaram as alegações e acusaram o governo turco de "colocar em risco a segurança e a vida dos passageiros".
O avião levaria partes de mísseis. A Síria, que andou trocando tiros com a Turquia através da fronteira nas últimas semanas, acusou o país vizinho de "pirataria aérea".
Em Atenas, durante visita à Grécia, o ministro do Exterior turco, Ahmet Davutoglu, declarou: "Estamos determinados a controlar a transferência de armas para um regime que massacra brutalmente seu próprio povo. É inaceitável que essa transferência de armas seja feita por nosso espaço aéreo", reportou a agência Reuters.
O avião levaria partes de mísseis. A Síria, que andou trocando tiros com a Turquia através da fronteira nas últimas semanas, acusou o país vizinho de "pirataria aérea".
Em Atenas, durante visita à Grécia, o ministro do Exterior turco, Ahmet Davutoglu, declarou: "Estamos determinados a controlar a transferência de armas para um regime que massacra brutalmente seu próprio povo. É inaceitável que essa transferência de armas seja feita por nosso espaço aéreo", reportou a agência Reuters.
Chinês Mo Yan ganha Prêmio Nobel de Literatura
O escritor chinês Mo Yan foi agraciado hoje com o Prêmio Nobel de Literatura de 2012 por seu "realismo alucinógeno", que mescla folclore, história e contemporaneidade, dando uma visão intimista da vida dos camponeses na China, anunciou em Estocolmo a Academia da Suécia.
Nas redes sociais da Internet na China, o Nobel foi criticado porque Mo é considerado um defensor do regime comunista. Nenhum de seus livros foi publicado no Brasil.
Nas redes sociais da Internet na China, o Nobel foi criticado porque Mo é considerado um defensor do regime comunista. Nenhum de seus livros foi publicado no Brasil.
Maduro é nomeado vice-presidente da Venezuela
O ministro do Exterior, Nicolás Maduro, foi nomeado ontem vice-presidente da Venezuela, o que o coloca como principal candidato à sucessão do presidente Hugo Chávez na liderança do Partido Socialista Unido da Venezuela e de sua "revolução bolivarista".
Durante o ato de proclamação de Chávez como presidente eleito, no Centro de Imprensa Internacional do Conselho Nacional Eleitoral, o caudilho venezuelano anunciou o nome de seu vice-presidente, agradecendo ao anterior Elías Jaua e a sua família pela lealdade.
Chávez tem um câncer abdominal diagnosticado em 2011 e tratado como segredo de Estado. Desde junho do ano passado, o presidente venezuelano foi submetido a três cirurgias para tratar da doença.
Durante a campanha, o candidato oposicionista, Henrique Capriles, de 40 anos, governador do estado de Miranda, foi a mais de 300 cidades para mostrar vigor, em contraste com o debilitado Chávez, que abusou do poder convocando cadeias nacionais de rádio e televisão 130 vezes.
Quando Chávez foi se tratar de câncer em Cuba, não passou o poder ao vice. Governava a Venezuela pelo telefone. Com a saúde do caudilho debilitada, a grande dúvida é se ele conseguirá concluir o mandato, em 2019.
Durante o ato de proclamação de Chávez como presidente eleito, no Centro de Imprensa Internacional do Conselho Nacional Eleitoral, o caudilho venezuelano anunciou o nome de seu vice-presidente, agradecendo ao anterior Elías Jaua e a sua família pela lealdade.
Chávez tem um câncer abdominal diagnosticado em 2011 e tratado como segredo de Estado. Desde junho do ano passado, o presidente venezuelano foi submetido a três cirurgias para tratar da doença.
Durante a campanha, o candidato oposicionista, Henrique Capriles, de 40 anos, governador do estado de Miranda, foi a mais de 300 cidades para mostrar vigor, em contraste com o debilitado Chávez, que abusou do poder convocando cadeias nacionais de rádio e televisão 130 vezes.
Quando Chávez foi se tratar de câncer em Cuba, não passou o poder ao vice. Governava a Venezuela pelo telefone. Com a saúde do caudilho debilitada, a grande dúvida é se ele conseguirá concluir o mandato, em 2019.
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quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Rússia libera uma roqueira da banda Pussy Riots
Uma integrante do banda de punk rock Pussy Riots, Iekaterina Samutsevitch, foi colocada em liberdade condicional hoje pela Justiça da Rússia depois de ser condenada por arruaça, profanação e ódio religioso. Mas confirmou a sentença de dois anos de prisão para as outras duas músicas do grupo, Nadia Tolokonnikova e Maria Alekhina.
Elas gravaram um videoclip na Catedral do Cristo Salvador, em Moscou, pedindo à Virgem Maria: "Livrai-nos de Putin".
A advogada de Iekaterina, Irina Khrunova, alegou que sua cliente ficou apenas 15 segundos na catedral antes de ser detida pela segurança da Igreja Ortodoxa Russa. Portanto não teria tido tempo de pular, dançar irreverentemente e gritar palavras ofensivas.
Ao sair da cadeia, Iekaterina declarou estar feliz mas preocupada com as colegas.
O processo contra a rebeldia juvenil inconsequente das roqueiras provocou críticas no mundo inteiro ao autoritarismo do presidente Vladimir Putin, que reina absoluto no país desde 1999. Ele alega não ter nada com isso.
Elas gravaram um videoclip na Catedral do Cristo Salvador, em Moscou, pedindo à Virgem Maria: "Livrai-nos de Putin".
A advogada de Iekaterina, Irina Khrunova, alegou que sua cliente ficou apenas 15 segundos na catedral antes de ser detida pela segurança da Igreja Ortodoxa Russa. Portanto não teria tido tempo de pular, dançar irreverentemente e gritar palavras ofensivas.
Ao sair da cadeia, Iekaterina declarou estar feliz mas preocupada com as colegas.
O processo contra a rebeldia juvenil inconsequente das roqueiras provocou críticas no mundo inteiro ao autoritarismo do presidente Vladimir Putin, que reina absoluto no país desde 1999. Ele alega não ter nada com isso.
Toyota manda recolher 7,43 milhões de carros
Em mais uma mancha na sua imagem, associada no passado a um rigoroso programa de qualidade total, a fábrica de automóveis japonesa Toyota ordenou a devolução de 7,43 milhões de veículos no inteiro. Eles têm um problema de aquecimento do botão que aciona o vidro elétrico capaz de causar incêndios.
É mais um golpe na empresa. A Toyota desdenhou seu próprio programa de qualidade para bater a General Motors, que durante 77 anos foi o maior fabricante mundial de automóveis. Foi obrigada a recolher e consertar milhões de veículos.
No ano passado, foi duramente atingida pelo terremoto e maremoto no Nordeste do Japão. Agora, enfrenta a revolta contra marcas japonesas na China por causa da disputa entre os dois países pelas ilhas Senkaku ou Diaoyu.
É mais um golpe na empresa. A Toyota desdenhou seu próprio programa de qualidade para bater a General Motors, que durante 77 anos foi o maior fabricante mundial de automóveis. Foi obrigada a recolher e consertar milhões de veículos.
No ano passado, foi duramente atingida pelo terremoto e maremoto no Nordeste do Japão. Agora, enfrenta a revolta contra marcas japonesas na China por causa da disputa entre os dois países pelas ilhas Senkaku ou Diaoyu.
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Talebã atacam menina de 14 anos que queria estudar
Em mais um de seus ataques brutais, a milícia fundamentalista dos Talebã atacou a tiros no Noroeste do Paquistão, a região tribal dominada pelos jihadistas, uma menina de 14 anos que lutava pelo direito das mulheres à educação.
Aos 11 anos, Malala Yussafzai revelou sua paixão pelos estudos. Sonhava em ser médica. Ao desafiar a doutrina medieval dos Talebã, tornou-se um símbolo da luta contra o extremismo muçulmano e quase pagou com a vida.
Nessa terça-feira, pistoleiros mascarados balearam a menina, acusando-a de "ocidentalismo". Um porta-voz da milícia, Ehsanullah Ehsan, confirmou por telefone que Malala virou alvo porque sua cruzada pelo direito à educação é "uma obscenidade", reportou o jornal The New York Times.
"Ela se tornou um símbolo da cultural ocidental. Fazia propaganda abertamente", declarou Ehsan, prometendo matá-la se ela sobreviver. "Que isto seja uma lição", sentenciou o porta-voz da barbárie, do atraso e do subdesenvolvimento em nome de Deus.
Aos 11 anos, Malala Yussafzai revelou sua paixão pelos estudos. Sonhava em ser médica. Ao desafiar a doutrina medieval dos Talebã, tornou-se um símbolo da luta contra o extremismo muçulmano e quase pagou com a vida.
Nessa terça-feira, pistoleiros mascarados balearam a menina, acusando-a de "ocidentalismo". Um porta-voz da milícia, Ehsanullah Ehsan, confirmou por telefone que Malala virou alvo porque sua cruzada pelo direito à educação é "uma obscenidade", reportou o jornal The New York Times.
"Ela se tornou um símbolo da cultural ocidental. Fazia propaganda abertamente", declarou Ehsan, prometendo matá-la se ela sobreviver. "Que isto seja uma lição", sentenciou o porta-voz da barbárie, do atraso e do subdesenvolvimento em nome de Deus.
EUA mandam tropas à Jordânia de olho na Síria
Os Estados Unidos enviaram secretamente à Jordânia uma força-tarefa com mais de 150 planejadores e outros especialistas das Forças Armadas.
Sua missão é ajudar o governo jordaniano a lidar com cerca de 180 mil refugiados sírios e ficar de prontidão. Se a guerra civil da Síria transbordar suas fronteiras ou se houver risco de que as armas químicas da ditadura de Bachar Assad caiam nas mãos de terroristas, os militares americanos estariam prontos para entrar em ação.
Outro objetivo é evitar o contágio da Jordânia pela crise síria, observa o jornal The New York Times. O Líbano, sempre tenso e dividido, está ainda mais radicalizado depois de um ano e sete meses de conflito na vizinha Síria.
Sua missão é ajudar o governo jordaniano a lidar com cerca de 180 mil refugiados sírios e ficar de prontidão. Se a guerra civil da Síria transbordar suas fronteiras ou se houver risco de que as armas químicas da ditadura de Bachar Assad caiam nas mãos de terroristas, os militares americanos estariam prontos para entrar em ação.
Outro objetivo é evitar o contágio da Jordânia pela crise síria, observa o jornal The New York Times. O Líbano, sempre tenso e dividido, está ainda mais radicalizado depois de um ano e sete meses de conflito na vizinha Síria.
Americanos dividem o Prêmio Nobel de Química 2012
Dois pesquisadores dos Estados Unidos, Robert Lefkowitz e Brian Kobilka, ganharam hoje o Prêmio Nobel de Química de 2012 por seus estudos sobre receptores ligados às proteínas G que permitem às células "adaptar-se a novas situações", anunciou em Estocolmo a Academia Real de Ciências da Suécia.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Diário do Che é divulgado na Internet
Uma cópia do diário do guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara com suas anotações sobre suas ações na Bolívia, onde ele foi preso e morto em 8 de outubro de 1967, foi divulgada pela primeira vez na Internet, anunciou hoje o jornalista e pesquisador boliviano Carlos Soria Galvarro, responsável pelo portal www.chebolivia.org.
"O objetivo é deixar um documento histórico ao alcance de todos", explicou ele, acrescentando que os textos trazem "notas de esclarecimento para que se possa entender melhor o que aconteceu há 45 anos".
"O objetivo é deixar um documento histórico ao alcance de todos", explicou ele, acrescentando que os textos trazem "notas de esclarecimento para que se possa entender melhor o que aconteceu há 45 anos".
Homens-bomba atacam quartel da Força Aérea síria
Dois atentados suicidas visaram hoje um complexo de inteligência da Força Aérea da Síria em Damasco. Um carro-bomba era uma ambulância carregada de explosivos.
A Frente al-Nusra, ligada à rede terrorista Al Caeda, reivindicou a autoria dos ataques. Não há informações sobre centenas de prisioneiros detidos no quartel.
O Exército da Síria continua bombardeando Homs, a terceira maior cidade do país e um dos principais campos de batalha da guerra civil resultante da revolta popular iniciada há um ano e sete meses. A ditadura de Bachar Assad tenta expulsar os rebeldes de seus últimos redutos.
A Frente al-Nusra, ligada à rede terrorista Al Caeda, reivindicou a autoria dos ataques. Não há informações sobre centenas de prisioneiros detidos no quartel.
O Exército da Síria continua bombardeando Homs, a terceira maior cidade do país e um dos principais campos de batalha da guerra civil resultante da revolta popular iniciada há um ano e sete meses. A ditadura de Bachar Assad tenta expulsar os rebeldes de seus últimos redutos.
Americano e francês dividem Prêmio Nobel de Física
O americano David Wineland e o francês Serge Haroche ganharam hoje o Prêmio Nobel de Física 2012 "por seus métodos experimentais inovadores que permitiram medir e manipular sistemas quânticos individuais", anunciou em Estocolmo a Academia de Ciências da Suécia. Essas pesquisas ajudaram a fazer relógios de grande precisão e ao desenvolvimento de supercomputadores.
Uma partícula quântica é uma partícula isolada. Nesta condição, um átomo, um elétron ou um próton apresenta propriedades estranhas como estar em dois lugares ao mesmo tempo, comportando-se como uma nuvem. Isto muda quando a partícula interage.
Os dois cientistas trabalharam isoladamente em instrumentos para medir e manipular. Haroche é professor do Colégio da França e da Escola Normal Superior de Paris, enquanto Wineland é um físico do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia da Universidade do Colorado em Bolder, informa o jornal The Washington Post.
Uma partícula quântica é uma partícula isolada. Nesta condição, um átomo, um elétron ou um próton apresenta propriedades estranhas como estar em dois lugares ao mesmo tempo, comportando-se como uma nuvem. Isto muda quando a partícula interage.
Os dois cientistas trabalharam isoladamente em instrumentos para medir e manipular. Haroche é professor do Colégio da França e da Escola Normal Superior de Paris, enquanto Wineland é um físico do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia da Universidade do Colorado em Bolder, informa o jornal The Washington Post.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
FMI reduz previsão de crescimento para 2013
O Fundo Monetário Internacional diminuiu de 3,9% para 3,6% sua expectativa de crescimento para a economia mundial em 2013 e de 3,6% para 3,3% neste ano. Em 2012, o Brasil deve crescer menos da metade da média mundial.
Em sua Perspectiva Econômica Global, lançada hoje em Washington, o FMI criticou a Europa e os Estados Unidos por subestimarem os danos causados pelos cortes de gastos públicos e aumentos de impostos, dando munição aos críticos das políticas de austeridade fiscal.
A nova previsão, que rebaixa a estimativa de julho, presume que o Congresso dos EUA evite o chamado "abismo fiscal".
Em janeiro de 2013, expiram os cortes de impostos para os ricos da era George W. Bush (2001-9) e, como não houve acordo até agora para reduzir o déficit, entram em vigor reduções obrigatórias previstas em lei nas despesas de governos.
Esse movimento duplo vai tirar mais recursos da economia, ameaçando-a com a volta da recessão que já ronda as economias desenvolvidas.
Na Europa, o FMI espera que os governos aproveitem que o Banco Central Europeu está comprando as dívidas de países em dificuldades para fazer reformas e aprofundar a integração da União Europeia, observa o jornal inglês Financial Times.
Para o Brasil, o Fundo reduziu sua expectativa de crescimento para 2012 de 2,5% para apenas 1,5%; em 2013, espera 4%. A China deve avançar 7,8% neste ano e 8,2% no próximo.
Em sua Perspectiva Econômica Global, lançada hoje em Washington, o FMI criticou a Europa e os Estados Unidos por subestimarem os danos causados pelos cortes de gastos públicos e aumentos de impostos, dando munição aos críticos das políticas de austeridade fiscal.
A nova previsão, que rebaixa a estimativa de julho, presume que o Congresso dos EUA evite o chamado "abismo fiscal".
Em janeiro de 2013, expiram os cortes de impostos para os ricos da era George W. Bush (2001-9) e, como não houve acordo até agora para reduzir o déficit, entram em vigor reduções obrigatórias previstas em lei nas despesas de governos.
Esse movimento duplo vai tirar mais recursos da economia, ameaçando-a com a volta da recessão que já ronda as economias desenvolvidas.
Na Europa, o FMI espera que os governos aproveitem que o Banco Central Europeu está comprando as dívidas de países em dificuldades para fazer reformas e aprofundar a integração da União Europeia, observa o jornal inglês Financial Times.
Para o Brasil, o Fundo reduziu sua expectativa de crescimento para 2012 de 2,5% para apenas 1,5%; em 2013, espera 4%. A China deve avançar 7,8% neste ano e 8,2% no próximo.
Iraque fornece óleo combustível à Síria
Em sigilo, o Iraque está fornecendo óleo combustível à Síria. É um suprimento vital para sustentar a ditadura de Bachar Assad depois de um ano e sete meses de uma revolta popular que virou guerra civil.
Há três meses, o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, fechou um acordo para vender 720 mil toneladas de óleo combustível com entregas mensais durante um ano. É um sinal das dificuldades do regime de Assad e mais uma amostra do desinteresse de Maliki em cooperar com as políticas dos Estados Unidos no Oriente Médio.
Em junho e julho, revela o Financial Times, o Ministério do Petróleo do Iraque enviou a Assad dois carregamentos de óleo combustível no valor total de US$ 14 milhões. O regime sírio pagou em dinheiro.
A nova revelação surge um mês depois de um protesto dos EUA porque Bagdá estava autorizando a passagem pelo espaço aéreo iraquiano de aviões do Irã com suprimentos militares para o ditador sírio.
Há três meses, o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, fechou um acordo para vender 720 mil toneladas de óleo combustível com entregas mensais durante um ano. É um sinal das dificuldades do regime de Assad e mais uma amostra do desinteresse de Maliki em cooperar com as políticas dos Estados Unidos no Oriente Médio.
Em junho e julho, revela o Financial Times, o Ministério do Petróleo do Iraque enviou a Assad dois carregamentos de óleo combustível no valor total de US$ 14 milhões. O regime sírio pagou em dinheiro.
A nova revelação surge um mês depois de um protesto dos EUA porque Bagdá estava autorizando a passagem pelo espaço aéreo iraquiano de aviões do Irã com suprimentos militares para o ditador sírio.
Banco da França vê contração econômica de 0,1%
O Banco da França reafirmou hoje sua estimativa de recuo de 0,1% no produto interno bruto do país no terceiro trimestre de 2012, depois de três trimestres de estagnação. Se isso for confirmado pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos (Insee, da sigla em francês).
No seu último boletim, o Insee previu que a economia francesa, a quinta do mundo, permaneça estagnada até o fim do ano.
A Zona do Euro lançou hoje oficialmente o Mecanismo de Estabilidade Europeu, um fundo permanente de 500 bilhões de euros para socorrer países em crise. Essa quantia não seria suficiente para grandes economias como a Itália e a Espanha.
No seu último boletim, o Insee previu que a economia francesa, a quinta do mundo, permaneça estagnada até o fim do ano.
A Zona do Euro lançou hoje oficialmente o Mecanismo de Estabilidade Europeu, um fundo permanente de 500 bilhões de euros para socorrer países em crise. Essa quantia não seria suficiente para grandes economias como a Itália e a Espanha.
Células-tronco dão Nobel de Medicina a inglês e japonês
Dois pesquisadores, o britânico John Gurdon e o japonês Shinya Yamanaka, que conseguiram reprogramar células adultas para que elas voltassem a ser células-tronco ou pluripotenciais foram homenageados hoje pela Academia de Ciência da Suécia com o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia.
As descobertas desses dois cientistas revolucionaram o conhecimento sobre como as células e os organismos se desenvolvem, e a expectativa é que possa ser usado para resolver problemas de saúde, declarou a Assembleia do Nobel no Instituto Karolinska, em Estocolmo. Eles vão dividir o prêmio de US$ 1,2 milhão.
Gurdon, professor da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, fez pesquisas pioneiras sobre transplante de núcleo e clonagem. Em 1962, o britânico descobriu que as células especializadas podem regredir a um estágio anterior de seu desenvolvimento em que são células pluripotenciais, células-tronco capazes de se transformar em diferentes tecidos.
Na sua experiência, Gurdon colocou uma célula madura do estômago de um sapo dentro de um ovo de sapo. O DNA da célula madura ainda guardava as informações necessárias para voltar a um estágio anterior.
Mais de 40 anos depois, independentemente, Yamanaka, professor da Universidade de Quioto, no Japão, conseguiu transformar células maduras em primitivas introduzindo alguns genes. Essa descoberta mostrou ser possível obter células-tronco embrionárias sem destruir embriões.
As descobertas desses dois cientistas revolucionaram o conhecimento sobre como as células e os organismos se desenvolvem, e a expectativa é que possa ser usado para resolver problemas de saúde, declarou a Assembleia do Nobel no Instituto Karolinska, em Estocolmo. Eles vão dividir o prêmio de US$ 1,2 milhão.
Gurdon, professor da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, fez pesquisas pioneiras sobre transplante de núcleo e clonagem. Em 1962, o britânico descobriu que as células especializadas podem regredir a um estágio anterior de seu desenvolvimento em que são células pluripotenciais, células-tronco capazes de se transformar em diferentes tecidos.
Na sua experiência, Gurdon colocou uma célula madura do estômago de um sapo dentro de um ovo de sapo. O DNA da célula madura ainda guardava as informações necessárias para voltar a um estágio anterior.
Mais de 40 anos depois, independentemente, Yamanaka, professor da Universidade de Quioto, no Japão, conseguiu transformar células maduras em primitivas introduzindo alguns genes. Essa descoberta mostrou ser possível obter células-tronco embrionárias sem destruir embriões.
domingo, 7 de outubro de 2012
Venezuela anuncia vitória de Chávez com 54%
A votação foi prorrogada, mas, com 90% das urnas apuradas, a Comissão Nacional Eleitoral da Venezuela acaba de anunciar a vitória do presidente Hugo Chávez na eleição presidencial de hoje com 54% dos votos contra 45% para o ex-governador Henrique Capriles. O comparecimento às urnas, de 80%, foi recorde.
"A revolução triunfou", proclamou o caudilho venezuelano da sacada do Palácio Miraflores, em Caracas, agradecendo à multidão por ter "votado no socialismo".
Será o quarto mandato de Chávez, que vai governar durante mais seis anos, até 2019, acumulando um total de 20 anos no poder. Ele agradeceu ao comportamento democrático da oposição, que não contestou o resultado.
Ao reconhecer a derrota e cumprimentar o presidente em discurso diante de seus seguidores, Capriles afirmou que o resultado mostra um país dividido com "duas visões" muito distintas. Num apelo à reconciliação nacional, o candidato oposicionista disse que "um bom presidente deve trabalhar pela união de todos os venezuelanos".
"A revolução triunfou", proclamou o caudilho venezuelano da sacada do Palácio Miraflores, em Caracas, agradecendo à multidão por ter "votado no socialismo".
Será o quarto mandato de Chávez, que vai governar durante mais seis anos, até 2019, acumulando um total de 20 anos no poder. Ele agradeceu ao comportamento democrático da oposição, que não contestou o resultado.
Ao reconhecer a derrota e cumprimentar o presidente em discurso diante de seus seguidores, Capriles afirmou que o resultado mostra um país dividido com "duas visões" muito distintas. Num apelo à reconciliação nacional, o candidato oposicionista disse que "um bom presidente deve trabalhar pela união de todos os venezuelanos".
Filipinas faz acordo de paz com rebeldes muçulmanos
Depois de 40 anos de uma guerra civil com 120 mil mortes, o governo das Filipinas conseguiu negociar um acordo de paz com a guerrilha muçulmana que lutava pela independência de Mindanau, a terceira maior das ilhas que formam o país.
O acordo foi fechado no fim de semana em Kuala Lumpur, na Malásia, entre o governo Begnino Aquino III e a Frente de Libertação Islâmica Moro. As Filipinas são majoritariamente cristãs, mas os muçulmanos são maioria em Mindanau, que passará a ter autonomia regional.
O acordo foi fechado no fim de semana em Kuala Lumpur, na Malásia, entre o governo Begnino Aquino III e a Frente de Libertação Islâmica Moro. As Filipinas são majoritariamente cristãs, mas os muçulmanos são maioria em Mindanau, que passará a ter autonomia regional.
Foxconn enfrenta mais agitação trabalhista na China
A empresa taiwanesa Foxconn, responsável pela produção da Apple e de outros empresas de alta tecnologia na China, enfrenta a segunda onda de protestos trabalhistas em duas semanas.
Na sexta-feira, mais de 200 funcionários encarregados do controle de qualidade dos produtos da Apple na fábrica da cidade de Zhengzhou se negaram a trabalhar alegando pressão excessiva. A empresa funciona em capacidade máxima para atender à demanda pelo novo iPhone 5.
Na sexta-feira, mais de 200 funcionários encarregados do controle de qualidade dos produtos da Apple na fábrica da cidade de Zhengzhou se negaram a trabalhar alegando pressão excessiva. A empresa funciona em capacidade máxima para atender à demanda pelo novo iPhone 5.
sábado, 6 de outubro de 2012
Chávez aposta tudo na terceira reeleição
A Venezuela vota amanhã na eleição presidencial mais disputada no país em décadas. O presidente Hugo Chávez, no poder desde 1999, luta por um quarto mandato, depois de ter sobrevivido a um golpe de Estado em 2002 e a um câncer, de reduzir significamente a pobreza e de anunciar um mal definido "socialismo do século 21".
Chávez lidera a maioria das pesquisas e usa toda a máquina do Estado, mas uma vitória de Henrique Capriles não impossível.
Se perder, Chávez entrega o poder? Eis a questão central desta eleição. Com sua retórica populista inflamada, o caudilho venezuelano declarou na campanha que até os ricos e a burguesia deveriam votar porque a alternativa a sua "revolução bolivarista" seria uma "guerra civil". As massas rebeladas com a derrota do poder popular tomariam as ruas e completariam a tarefa.
Quem entrou na política como golpista não abandonou o golpismo.
CARACAÇO
Em 1989, depois de eleger presidente prometendo combater as políticas neoliberais do chamado Consenso de Washington (Estado mínimo, privatização, disciplina fiscal, taxas de juros reais positivas), Carlos Andrés Pérez introduziu políticas impostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
Um grande aumento nos preços da gasolina, historicamente subsidiada num país com as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, provocou uma revolta popular na capital do país conhecida como Caracazo. Pelo menos 276 foram mortas na violenta repressão popular.
Revoltado com o Caracazo, a corrupção endêmica e o controle da oligarquia sobre a riqueza do petróleo, o coronel Hugo Chávez Frías começou a planejar a Operação Zamora.
TENTATIVA DE GOLPE
Sua tentativa de golpe contra Andrés Pérez, deflagrada em 4 de fevereiro de 1992, teve até bombardeio aéreo ao Palácio Miraflores, em Caracas. Mas sua parte na ação militar foi um fracasso. Sem comunicação, isolado, Chávez foi preso, mas teve a chance de ir à televisão e pedir desculpas à população. Ele também perdeu militarmente no primeiro momento do golpe de 11 de abril de 2002. Mas, nos dois casos, ganhou politicamente.
O pronunciamento na televisão marca a transição definitiva de Hugo Chávez de militar para político.
A tentativa de golpe ajudou a divulgar o manifesto do Movimento Nacionalista Bolivarista. Foi inspirado no caudilho venezuelano Simón Bolivar, o herói mais famoso da independência da América Latina.
Bolivar foi um pioneiro da integração latino-americana não para se opor aos Estados Unidos, como propõe Chávez, mas para tentar se equiparar ao Grande Irmão do Norte. Na releitura marxista-chavista do Libertador, a questão central é o antiamericanismo.
Com a crise econômica iniciada na Ásia em 2 de julho de 1997, o preço internacional do barril de petróleo desabou para menos de US$ 10. A Venezuela quebrou.
VITÓRIA ELEITORAL
Naquele ambiente de ruína econômica, em 1998, com 56% dos votos, Chávez venceu Henrique Salas Römer, um economista formado na Universidade de Yale, nos EUA, apoiado pelos partidos tradicionais, o Copei (democrata-cristão) e a Ação Democrática, que um dia fora populista de esquerda sob Andrés Pérez, alvo da tentativa de golpe de 1992.
Foi a primeira de uma onda de vitórias da esquerda na América Latina. Lula ganhou no Brasil em 2002, Néstor Kirchner na Argentina em 2003, Tabaré Vázquez no Uruguai em 2004, Evo Morales na Bolívia em 2005 e Rafael Correa no Equador em 2006.
Ao tomar posse, em 2 de fevereiro de 1999, Chávez alterou o texto do juramento presidencial, negando lealdade à Constituição da Venezuela: "Juro a meu povo sobre esta Constituição moribunda fazer as mudanças democráticas necessárias para que a nova república tenha uma Carta Magna de acordo com estes novos tempos".
Um de seus primeiros atos foi convocar um referendo sobre uma Assembleia Nacional Constituinte. Em 25 de abril de 1999, 88% votaram a favor da proposta. Na eleição para a Constituinte, em 25 de julho do mesmo ano, o chavismo elegeu 95% dos deputados. Em 12 de agosto, a Constituinte se deu o direito de extinguir instituições e demitir funcionários públicos suspeitos de corrupção.
Em dezembro de 1999, com um comparecimento às urnas inferior a 50%, que indicava uma certa fadiga eleitoral, 72% aprovaram a Constituição da República Bolivarista da Venezuela, com novos direitos para as mulheres e as populações indígenas, e os direitos à alimentação, habitação, saúde e educação.
PROGRAMAS SOCIAIS
No plano social, Chávez tinha lançado em 27 de fevereiro de 1999, décimo aniversário do Caracazo, o Plano Bolívar 2000, orçado em US$ 113 bilhões. Cerca de 70 mil oficiais do Exército foram mobilizados para restaurar ruas, estradas, escolas e hospitais, oferecer assistência médica, vacinar e vender comida a preços baratos.
Foi o início de um trabalho que reduziu a pobreza na Venezuela de 50% para menos de 30% da população e a miséria de 25% para 8%. Daí vem a grande base eleitoral do chavismo, que, como o peronismo, não vai desaparecer mesmo se for derrotada nas urnas neste domingo.
A nova Constituição previa a realização de uma "megaeleição". Pela primeira vez na História da Venezuela, as eleições para presidente, deputados, governadores, prefeitos e vereadores foi realizada no mesmo dia, 30 de julho de 2000.
Chávez teve 60% dos votos, batendo Francisco Arias Cárdenas, da Causa Radical, que na sua origem em 1971 fora um movimento de esquerda revolucionária, em outro sinal da desintegração política e da derrota ideológica da oligarquia venezuelana, que só agora com Capriles consegue apresentar uma resposta eleitoral ao chavismo, em grande parte pelos abusos de poder do próprio Chávez.
GOLPE DE 2002
A revolução bolivarista se radicaliza com o golpe de 11 de abril de 2002, apoiado pelos governos de George W. Bush, nos EUA, e de José María Aznar, da Espanha, o que levaria Chávez a discutir com o primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero e ouvir o famoso "por que não te calas?" do rei Juan Carlos II numa conferência de cúpula ibero-americana.
Em meio a crescentes manifestações de protesto, em 11 de abril, pelo menos 20 pessoas morreram e 110 saíram feridas de confrontos entre chavistas, antichavistas e a polícia. Militares descontentes com a revolução deram o golpe com o apoio da federação das entidades empresariais Fedecámaras. Chávez foi preso e poderia ter sido morto.
O milionário Pedro Carmona, líder da federação empresarial, assumiu a chefia do Estado, aboliu a Constituição chavista, dissolveu o parlamento e nomeou um ministério para governar o país num pequeno comitê. As manifestações em defesa do presidente e a falta de apoio político a um projeto claramento ditatorial levaram ao colapso do golpe e à restauração do poder de Chávez em 14 de abril.
Em reação ao golpe, Chávez passou a comprar armas para fortalecer o regime, como 100 mil fuzis AK-47, aviões de guerra e helicópteros de combate da Rússia e Supertucanos do Brasil. A aproximação com Cuba, que vinha desde a vitória de Chávez, tornou-se mais ideológica resultando na proposta do "socialismo do século 21", anunciada a partir de 2005.
Depois de derrotar o golpe, de dezembro de 2002 a fevereiro de 2003, Chávez enfrentou uma greve dos gestores e profissionais da empresa estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA) descontentes com a intervenção governamental cada vez maior na empresa. A PdVSA é a grande fonte de recursos para as Missões, os programas sociais do chavismo.
REFERENDO REVOGATÓRIO
Como a Constituição Bolivarista previa o referendo revogatório, dando direito ao povo de anular mandatos, a próxima jogada da oposição foi recolher assinaturas para convocar a consulta popular. Em 15 de agosto de 2004, com a participação de 70% dos eleitores inscritos, 59% decidiram manter o presidente no poder.
O eleitor chavista tinha mudado. Com a guinada para a esquerda, ele tinha sido abandonado pela classe média que votara nele em 1998 como um candidato anticorrupção e contra a política tradicional. Seu apoio vinha cada vez mais das camadas mais pobres da população beneficiadas diretamente pelas políticas sociais.
Para unificar esse apoio, ele criou em janeiro de 2006 o Partido Socialista Unido da Venezuela.
Chávez ganhou mais uma eleição presidencial, em dezembro de 2006, com 61% dos votos, contra Manuel Rosales, que fugiu para o exílio sob a ameaça de processos de uma Justiça subordinada ao Executivo. O chavismo destruiu a independência entre os poderes, o modelo idealizado pelo Barão de Montesquieu na Época das Luzes do século 18.
SOCIALISMO DO SÉCULO 21
A radicalização da revolução bolivarista levaria ao chamado "socialismo do século 21", que se afastava da social-democracia e da pregação de um socialismo democrático para se aproximar em alguns sentidos do modelo cubano. Chávez usou a expressão pela primeira vez em discurso no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, em 30 de janeiro de 2005 com base em ideas enunciadas por Heinz Dieterich, um sociólogo alemão residente no México, em 1996.
Dieterich parte do princípio de que nem o "capitalismo industrial" nem o "socialismo real" conseguiram resolver os problemas urgentes da humanidade, como a fome, a miséria, a exploração econômica, a opressão, o racismo e o sexismo.
Para atacar esses problemas, a economia do "socialismo do século 21"seria baseada na teoria do valor marxista, com preços determinados pelo trabalho e não pelo mercado. A vontade da maioria seria expressa e imposta através de plebiscitos, numa democracia plebiscitária.
Em 2007, uma proposta para introduzir esse socialismo, com restrições à propriedade privada e a permissão de reeleição do presidente indefinidamente foi derrotada nas urnas. Chávez armou outro referendo em 2009. Conseguiu o direito de se reeleger sem limites e ameaçou ficar no poder até 2030. Um câncer na região abdominal, supostamente na próstata, que o levou a fazer tratamento secreto e três operações em Cuba reduziu seu sonho de grandeza.
Durante a campanha, seu adversário Capriles percorreu mais de 300 cidades para se apresentar como o jovem e o novo, um candidato com a energia para mudar a Venezuela e restaurar a democracia sem abandonar os programas sociais. Num país dividido, a doença de Chávez é um mistério e os chavistas não acreditam que Capriles mantenha os programas sociais.
CRISE DA DEMOCRACIA
O grande problema da revolução chavista, com o "narcisismo-leninismo", expressão do comentarista Andrés Oppenheimer, e o autoritarismo caudilhista do líder, é ter atropelado as instituições, a democracia e as regras mais básicas da administração da economia.
Para o professor Octavio Amorim Neto, da Fundação Getúlio Vargas, uma democracia exige:
• eleições regulares competitivas;
• alternância no poder;
• liberdade de expressão; e
• garantias dos direitos das minorias.
A Venezuela chavista não passa no teste. Se a eleição pode ser considera livre, não é justa na medida em que Chávez usa e abusa da máquina do Estado, confunde o país com sua propriedade privada. Quando o presidente fala que a alternativa a ele é uma guerra civil, adota uma linguagem militarista e revolucionária que intimida o cidadão e ameaça o processo democrático.
Depois do referendo revogatório de 2004, houve uma demissão em massa de funcionários públicos. Muita gente tem medo de admitir em público o apoio ao candidato da oposição Henrique Capriles, o que pode distorcer as pesquisas de opinião, como aconteceu em 1990 na Nicarágua, quando Violeta Chamorro venceu Daniel Ortega e a revolução da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN).
Sob o pretexto de que apoiou o golpe de 2002, Chávez não renovou a licença da Radio Caracas Televisión (RCTV), que era a maior rede de televisão privada da Venezuela, estatizando-a. Se houve realmente um noticiário golpista, seria o caso de abrir um processo administrativo e outro na Justiça, mas as mortes nos conflitos de rua de 11 de abril de 2002 nunca foram esclarecidas.
A violência e a criminalidade tornaram-se uma das chagas da Venezuela bolivarista. O total de homicídios passou de 4.558 em 1998 para 19.336 em 2011. Desde a posse de Chávez, mais de 175 milhões de venezuelanos foram mortos, informa o jornal International Herald Tribune.
É o maior índice entre países de renda média. Com 29 milhões de habitantes, a Venezuela tem um produto interno bruto de cerca de US$ 225 bilhões, o que dá uma renda média por habitante de superior a US$ 7,75 mil.
O esgotamento do modelo oligárquico num país que nada em petróleo levou à revolução chavista, com inegáveis conquistas sociais. A questão é se não seria mais estável e mais viável a longo prazo fazer mudanças baseadas em instituições sólidas e não no arcaico caudilhismo latino-americano, que dividiu a Venezuela e destruiu mesmo as novas instituições que o chavismo tentou construir, numa economia sólida e aberta para o mundo, com todas as condições para se livrar da chamada "maldição do petróleo".
A maioria dos países ricos em petróleo tem uma riqueza tão fácil que não desenvolvem os outros setores da economia. Talvez para isso a Venezuela tenha se livrar antes da maldição do chavismo.
Chávez lidera a maioria das pesquisas e usa toda a máquina do Estado, mas uma vitória de Henrique Capriles não impossível.
Se perder, Chávez entrega o poder? Eis a questão central desta eleição. Com sua retórica populista inflamada, o caudilho venezuelano declarou na campanha que até os ricos e a burguesia deveriam votar porque a alternativa a sua "revolução bolivarista" seria uma "guerra civil". As massas rebeladas com a derrota do poder popular tomariam as ruas e completariam a tarefa.
Quem entrou na política como golpista não abandonou o golpismo.
CARACAÇO
Em 1989, depois de eleger presidente prometendo combater as políticas neoliberais do chamado Consenso de Washington (Estado mínimo, privatização, disciplina fiscal, taxas de juros reais positivas), Carlos Andrés Pérez introduziu políticas impostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
Um grande aumento nos preços da gasolina, historicamente subsidiada num país com as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, provocou uma revolta popular na capital do país conhecida como Caracazo. Pelo menos 276 foram mortas na violenta repressão popular.
Revoltado com o Caracazo, a corrupção endêmica e o controle da oligarquia sobre a riqueza do petróleo, o coronel Hugo Chávez Frías começou a planejar a Operação Zamora.
TENTATIVA DE GOLPE
Sua tentativa de golpe contra Andrés Pérez, deflagrada em 4 de fevereiro de 1992, teve até bombardeio aéreo ao Palácio Miraflores, em Caracas. Mas sua parte na ação militar foi um fracasso. Sem comunicação, isolado, Chávez foi preso, mas teve a chance de ir à televisão e pedir desculpas à população. Ele também perdeu militarmente no primeiro momento do golpe de 11 de abril de 2002. Mas, nos dois casos, ganhou politicamente.
O pronunciamento na televisão marca a transição definitiva de Hugo Chávez de militar para político.
A tentativa de golpe ajudou a divulgar o manifesto do Movimento Nacionalista Bolivarista. Foi inspirado no caudilho venezuelano Simón Bolivar, o herói mais famoso da independência da América Latina.
Bolivar foi um pioneiro da integração latino-americana não para se opor aos Estados Unidos, como propõe Chávez, mas para tentar se equiparar ao Grande Irmão do Norte. Na releitura marxista-chavista do Libertador, a questão central é o antiamericanismo.
Com a crise econômica iniciada na Ásia em 2 de julho de 1997, o preço internacional do barril de petróleo desabou para menos de US$ 10. A Venezuela quebrou.
VITÓRIA ELEITORAL
Naquele ambiente de ruína econômica, em 1998, com 56% dos votos, Chávez venceu Henrique Salas Römer, um economista formado na Universidade de Yale, nos EUA, apoiado pelos partidos tradicionais, o Copei (democrata-cristão) e a Ação Democrática, que um dia fora populista de esquerda sob Andrés Pérez, alvo da tentativa de golpe de 1992.
Foi a primeira de uma onda de vitórias da esquerda na América Latina. Lula ganhou no Brasil em 2002, Néstor Kirchner na Argentina em 2003, Tabaré Vázquez no Uruguai em 2004, Evo Morales na Bolívia em 2005 e Rafael Correa no Equador em 2006.
Ao tomar posse, em 2 de fevereiro de 1999, Chávez alterou o texto do juramento presidencial, negando lealdade à Constituição da Venezuela: "Juro a meu povo sobre esta Constituição moribunda fazer as mudanças democráticas necessárias para que a nova república tenha uma Carta Magna de acordo com estes novos tempos".
Um de seus primeiros atos foi convocar um referendo sobre uma Assembleia Nacional Constituinte. Em 25 de abril de 1999, 88% votaram a favor da proposta. Na eleição para a Constituinte, em 25 de julho do mesmo ano, o chavismo elegeu 95% dos deputados. Em 12 de agosto, a Constituinte se deu o direito de extinguir instituições e demitir funcionários públicos suspeitos de corrupção.
Em dezembro de 1999, com um comparecimento às urnas inferior a 50%, que indicava uma certa fadiga eleitoral, 72% aprovaram a Constituição da República Bolivarista da Venezuela, com novos direitos para as mulheres e as populações indígenas, e os direitos à alimentação, habitação, saúde e educação.
PROGRAMAS SOCIAIS
No plano social, Chávez tinha lançado em 27 de fevereiro de 1999, décimo aniversário do Caracazo, o Plano Bolívar 2000, orçado em US$ 113 bilhões. Cerca de 70 mil oficiais do Exército foram mobilizados para restaurar ruas, estradas, escolas e hospitais, oferecer assistência médica, vacinar e vender comida a preços baratos.
Foi o início de um trabalho que reduziu a pobreza na Venezuela de 50% para menos de 30% da população e a miséria de 25% para 8%. Daí vem a grande base eleitoral do chavismo, que, como o peronismo, não vai desaparecer mesmo se for derrotada nas urnas neste domingo.
A nova Constituição previa a realização de uma "megaeleição". Pela primeira vez na História da Venezuela, as eleições para presidente, deputados, governadores, prefeitos e vereadores foi realizada no mesmo dia, 30 de julho de 2000.
Chávez teve 60% dos votos, batendo Francisco Arias Cárdenas, da Causa Radical, que na sua origem em 1971 fora um movimento de esquerda revolucionária, em outro sinal da desintegração política e da derrota ideológica da oligarquia venezuelana, que só agora com Capriles consegue apresentar uma resposta eleitoral ao chavismo, em grande parte pelos abusos de poder do próprio Chávez.
GOLPE DE 2002
A revolução bolivarista se radicaliza com o golpe de 11 de abril de 2002, apoiado pelos governos de George W. Bush, nos EUA, e de José María Aznar, da Espanha, o que levaria Chávez a discutir com o primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero e ouvir o famoso "por que não te calas?" do rei Juan Carlos II numa conferência de cúpula ibero-americana.
Em meio a crescentes manifestações de protesto, em 11 de abril, pelo menos 20 pessoas morreram e 110 saíram feridas de confrontos entre chavistas, antichavistas e a polícia. Militares descontentes com a revolução deram o golpe com o apoio da federação das entidades empresariais Fedecámaras. Chávez foi preso e poderia ter sido morto.
O milionário Pedro Carmona, líder da federação empresarial, assumiu a chefia do Estado, aboliu a Constituição chavista, dissolveu o parlamento e nomeou um ministério para governar o país num pequeno comitê. As manifestações em defesa do presidente e a falta de apoio político a um projeto claramento ditatorial levaram ao colapso do golpe e à restauração do poder de Chávez em 14 de abril.
Em reação ao golpe, Chávez passou a comprar armas para fortalecer o regime, como 100 mil fuzis AK-47, aviões de guerra e helicópteros de combate da Rússia e Supertucanos do Brasil. A aproximação com Cuba, que vinha desde a vitória de Chávez, tornou-se mais ideológica resultando na proposta do "socialismo do século 21", anunciada a partir de 2005.
Depois de derrotar o golpe, de dezembro de 2002 a fevereiro de 2003, Chávez enfrentou uma greve dos gestores e profissionais da empresa estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA) descontentes com a intervenção governamental cada vez maior na empresa. A PdVSA é a grande fonte de recursos para as Missões, os programas sociais do chavismo.
REFERENDO REVOGATÓRIO
Como a Constituição Bolivarista previa o referendo revogatório, dando direito ao povo de anular mandatos, a próxima jogada da oposição foi recolher assinaturas para convocar a consulta popular. Em 15 de agosto de 2004, com a participação de 70% dos eleitores inscritos, 59% decidiram manter o presidente no poder.
O eleitor chavista tinha mudado. Com a guinada para a esquerda, ele tinha sido abandonado pela classe média que votara nele em 1998 como um candidato anticorrupção e contra a política tradicional. Seu apoio vinha cada vez mais das camadas mais pobres da população beneficiadas diretamente pelas políticas sociais.
Para unificar esse apoio, ele criou em janeiro de 2006 o Partido Socialista Unido da Venezuela.
Chávez ganhou mais uma eleição presidencial, em dezembro de 2006, com 61% dos votos, contra Manuel Rosales, que fugiu para o exílio sob a ameaça de processos de uma Justiça subordinada ao Executivo. O chavismo destruiu a independência entre os poderes, o modelo idealizado pelo Barão de Montesquieu na Época das Luzes do século 18.
SOCIALISMO DO SÉCULO 21
A radicalização da revolução bolivarista levaria ao chamado "socialismo do século 21", que se afastava da social-democracia e da pregação de um socialismo democrático para se aproximar em alguns sentidos do modelo cubano. Chávez usou a expressão pela primeira vez em discurso no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, em 30 de janeiro de 2005 com base em ideas enunciadas por Heinz Dieterich, um sociólogo alemão residente no México, em 1996.
Dieterich parte do princípio de que nem o "capitalismo industrial" nem o "socialismo real" conseguiram resolver os problemas urgentes da humanidade, como a fome, a miséria, a exploração econômica, a opressão, o racismo e o sexismo.
Para atacar esses problemas, a economia do "socialismo do século 21"seria baseada na teoria do valor marxista, com preços determinados pelo trabalho e não pelo mercado. A vontade da maioria seria expressa e imposta através de plebiscitos, numa democracia plebiscitária.
Em 2007, uma proposta para introduzir esse socialismo, com restrições à propriedade privada e a permissão de reeleição do presidente indefinidamente foi derrotada nas urnas. Chávez armou outro referendo em 2009. Conseguiu o direito de se reeleger sem limites e ameaçou ficar no poder até 2030. Um câncer na região abdominal, supostamente na próstata, que o levou a fazer tratamento secreto e três operações em Cuba reduziu seu sonho de grandeza.
Durante a campanha, seu adversário Capriles percorreu mais de 300 cidades para se apresentar como o jovem e o novo, um candidato com a energia para mudar a Venezuela e restaurar a democracia sem abandonar os programas sociais. Num país dividido, a doença de Chávez é um mistério e os chavistas não acreditam que Capriles mantenha os programas sociais.
CRISE DA DEMOCRACIA
O grande problema da revolução chavista, com o "narcisismo-leninismo", expressão do comentarista Andrés Oppenheimer, e o autoritarismo caudilhista do líder, é ter atropelado as instituições, a democracia e as regras mais básicas da administração da economia.
Para o professor Octavio Amorim Neto, da Fundação Getúlio Vargas, uma democracia exige:
• eleições regulares competitivas;
• alternância no poder;
• liberdade de expressão; e
• garantias dos direitos das minorias.
A Venezuela chavista não passa no teste. Se a eleição pode ser considera livre, não é justa na medida em que Chávez usa e abusa da máquina do Estado, confunde o país com sua propriedade privada. Quando o presidente fala que a alternativa a ele é uma guerra civil, adota uma linguagem militarista e revolucionária que intimida o cidadão e ameaça o processo democrático.
Depois do referendo revogatório de 2004, houve uma demissão em massa de funcionários públicos. Muita gente tem medo de admitir em público o apoio ao candidato da oposição Henrique Capriles, o que pode distorcer as pesquisas de opinião, como aconteceu em 1990 na Nicarágua, quando Violeta Chamorro venceu Daniel Ortega e a revolução da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN).
Sob o pretexto de que apoiou o golpe de 2002, Chávez não renovou a licença da Radio Caracas Televisión (RCTV), que era a maior rede de televisão privada da Venezuela, estatizando-a. Se houve realmente um noticiário golpista, seria o caso de abrir um processo administrativo e outro na Justiça, mas as mortes nos conflitos de rua de 11 de abril de 2002 nunca foram esclarecidas.
A violência e a criminalidade tornaram-se uma das chagas da Venezuela bolivarista. O total de homicídios passou de 4.558 em 1998 para 19.336 em 2011. Desde a posse de Chávez, mais de 175 milhões de venezuelanos foram mortos, informa o jornal International Herald Tribune.
É o maior índice entre países de renda média. Com 29 milhões de habitantes, a Venezuela tem um produto interno bruto de cerca de US$ 225 bilhões, o que dá uma renda média por habitante de superior a US$ 7,75 mil.
O esgotamento do modelo oligárquico num país que nada em petróleo levou à revolução chavista, com inegáveis conquistas sociais. A questão é se não seria mais estável e mais viável a longo prazo fazer mudanças baseadas em instituições sólidas e não no arcaico caudilhismo latino-americano, que dividiu a Venezuela e destruiu mesmo as novas instituições que o chavismo tentou construir, numa economia sólida e aberta para o mundo, com todas as condições para se livrar da chamada "maldição do petróleo".
A maioria dos países ricos em petróleo tem uma riqueza tão fácil que não desenvolvem os outros setores da economia. Talvez para isso a Venezuela tenha se livrar antes da maldição do chavismo.
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Latinos da Flórida preferem Obama por 61% a 31%
A atitude complacente e distante do presidente Barack Obama no primeiro debate da eleição presidencial nos Estados Unidos pode ser explicado pelo fato dele viver dentro de uma bolha, a Casa Branca. Mas, se depender dos eleitores de origem latina num estado decisivo como a Flórida, o presidente está reeleito.
No poder, o presidente está cercado de áulicos e assessores que o protegem de questionamentos mais duros da imprensa. Raramente ele enfrenta diretamente as críticas tanto de setores descontentes de seu próprio partido, o democrata, e menos ainda da oposição republicana, comenta Lesley Clark, da companhia jornalística americana McClatchy Newspapers, editora do jornal The Miami Herald.
Por outro lado, na Flórida, os eleitores de origem latino-americana ou hispânicos, como são chamados nos EUA, tendem a votar no presidente numa proporção de dois para um. A maioria apoia suas políticas sobre imigração e está entusiasmada para votar, o que é importante num país onde o voto não é obrigatório, indica uma pesquisa feita pelo grupo Decisões Latinas por uma Voz na América.
"Os latinos estão mais envolvidos na questão da imigração, independentemente de onde vivam no país", comentou o cientista político Casey Klofstad, professor da Universidade de Miami que pesquisa o voto hispânico, sugerindo que este seja um padrão nacional.
Obama perde para o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, candidato do Partido Republicano, entre os homens brancos, mas vence entre as mulheres e todas as minorias raciais. O conservadorismo americano é majoritariamente o reduto dos brancos de olhos azuis. A mudança demográfica favorece o Partido Democrata.
No poder, o presidente está cercado de áulicos e assessores que o protegem de questionamentos mais duros da imprensa. Raramente ele enfrenta diretamente as críticas tanto de setores descontentes de seu próprio partido, o democrata, e menos ainda da oposição republicana, comenta Lesley Clark, da companhia jornalística americana McClatchy Newspapers, editora do jornal The Miami Herald.
Por outro lado, na Flórida, os eleitores de origem latino-americana ou hispânicos, como são chamados nos EUA, tendem a votar no presidente numa proporção de dois para um. A maioria apoia suas políticas sobre imigração e está entusiasmada para votar, o que é importante num país onde o voto não é obrigatório, indica uma pesquisa feita pelo grupo Decisões Latinas por uma Voz na América.
"Os latinos estão mais envolvidos na questão da imigração, independentemente de onde vivam no país", comentou o cientista político Casey Klofstad, professor da Universidade de Miami que pesquisa o voto hispânico, sugerindo que este seja um padrão nacional.
Obama perde para o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, candidato do Partido Republicano, entre os homens brancos, mas vence entre as mulheres e todas as minorias raciais. O conservadorismo americano é majoritariamente o reduto dos brancos de olhos azuis. A mudança demográfica favorece o Partido Democrata.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Jornalistas denunciam prisão de blogueiros em Cuba
O Comitê de Proteção aos Jornalistas condenou hoje a prisão de três blogueiros dissidentes do regime comunista de Cuba e exigiu sua libertação imediata.
A conhecida blogueira Yoani Sánchez, seu marido Reinaldo Escobar e Agustín Díaz foram detidos na cidade de Bayamo, onde pretendiam cobrir o julgamento de um acidente de trânsito em que dois dissidentes morreram, denunciou a Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional de Cuba.
No julgamento, a promotoria da ditadura militar cubana está pedindo sete anos de cadeia para o espanhol Ángel Carromero, denunciando-o por homicídio culposo por imprudência nas mortes de Oswaldo Payá e Harold Cespero, em 22 de julho de 2012.
Yoani Sánchez reportaria o julgamento para o jornal espanho El País. Ela foi proibida várias vezes de sair do país
Cuba, acusa o comitê, é um dos países mais censurados do mundo. Depois de 30 horas de detenção, Yoani foi solta e disse ter muito a contar.
A conhecida blogueira Yoani Sánchez, seu marido Reinaldo Escobar e Agustín Díaz foram detidos na cidade de Bayamo, onde pretendiam cobrir o julgamento de um acidente de trânsito em que dois dissidentes morreram, denunciou a Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional de Cuba.
No julgamento, a promotoria da ditadura militar cubana está pedindo sete anos de cadeia para o espanhol Ángel Carromero, denunciando-o por homicídio culposo por imprudência nas mortes de Oswaldo Payá e Harold Cespero, em 22 de julho de 2012.
Yoani Sánchez reportaria o julgamento para o jornal espanho El País. Ela foi proibida várias vezes de sair do país
Cuba, acusa o comitê, é um dos países mais censurados do mundo. Depois de 30 horas de detenção, Yoani foi solta e disse ter muito a contar.
FGV procura professor doutor em relações internacionais
O CPDOC em São Paulo informa a abertura de processo seletivo para a contratação de um professor(a) horista de Relações Internacionais para início de suas atividades no primeiro semestre de 2013.
Os candidatos deverão apresentar experiência docente e de pesquisa na área de Relações Internacionais e comprovante de titulação acadêmica. Apenas doutores e doutorandos podem se candidatar à vaga.
Os interessados deverão enviar um breve memorial acadêmico (max. 3 páginas) acompanhado de currículo lattes, comprovante de titulação acadêmica e uma proposta de um programa de curso da disciplina de Teoria das Relações Internacionais.
Algumas disciplinas poderão eventualmente ser ministradas em inglês, a critério do CPDOC. Assim, é necessário ter fluência em língua inglesa.
1ª Etapa: Análise curricular (memorial acadêmico e lattes) e da proposta de programa de curso da disciplina de Teoria das Ris;
2ª Etapa: Entrevistas presenciais com os candidatos selecionados na primeira etapa (Parte da entrevista será realizada em inglês);
3ª Etapa: Apresentação de aula experimental.
As inscrições devem ser enviadas (até a data de 11/10/2012) para o endereço eletrônico cpdoc.sp@fgv.br. Não serão aceitas inscrições após dessa data.
Sobre o CPDOC/FGV: O Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) é a Escola de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas. O CPDOC foi criado em 1973 no Rio de Janeiro, e também possui sede em São Paulo, onde mantém desde 2009 uma coordenação. O CPDOC tem o mais importante acervo de arquivos pessoais de pessoas públicas do país, totalizando cerca de 1,3 milhão de documentos. Em São Paulo, o CPDOC viabiliza e desenvolve estudos e pesquisas nas áreas de ciências sociais, história e relações internacionais, vários deles em conjunto com as outras Escolas da FGV. Além disso, oferece cursos regulares em Relações Internacionais para os alunos matriculados na graduação das escolas de São Paulo - Administração, Direito e Economia; e organiza debates e conferências promovidos pelo Centro de Relações Internacionais, que é sediado no CPDOC.
O Centro de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas promove a pesquisa, ensino, criação de acervos e o debate sobre grandes temas de política e história internacional. Oferece a todos os alunos de graduação das escolas da FGV em São Paulo e no Rio de Janeiro a Formação Complementar em Relações Internacionais, programa composto por disciplinas que proporcionam ao aluno as habilidades necessárias para analisar os grandes temas de política internacional, tratando de temas como globalização, política externa brasileira, história das relações internacionais, e teoria das relações internacionais.
Mais informações em www.fgv.br/cpdoc.
EUA criaram mais 114 mil empregos em setembro
A economia dos Estados Unidos gerou 114 mil postos de trabalho a mais do que destruiu no mês de setembro de 2012, revelou hoje o Departamento do Trabalho. O índice de desemprego caiu para 7,8%, a menor desde janeiro de 2009, quando o presidente Barack Obama tomou posse, mas ainda atrapalha seus planos de reeleição.
Outro dado positivo foi a revisão dos números de agosto, que registraram um saldo de 142 mil emprego, bem acima da estimativa inicial anunciada há um mês, de 96 mil vagas. O total de julho também foi revisado para cima para 178 mil empregos.
No pós-guerra, nenhum presidente americano se reelegeu com taxa de desemprego acima de 7,2% no dia da eleição. Mesmo assim, a campanha do presidente à reeleição ganhou um impulso, observa o jornal The New York Times.
Obama festejou e declarou que seu papel é impedir a volta das políticas responsáveis pela crise, o que não disse no debate de quarta-feira, quando o ex-governador Mitt Romney levou a melhor.
O candidato republicano mudou um discurso-padrão em que acusava o presidente por "43 meses com taxa de desemprego acima de 8%". Alegou que o desemprego só caiu a esse nível porque muita gente desistiu de procurar emprego.
Na matemática eleitoreira de Romney, "a verdadeira taxa de desemprego estaria em 11%".
Depois do fraco desempenho atribuído à "maldição do primeiro debate" para o presidente em busca da reeleição Obama adotou um tom mais agressivo. Uma pesquisa do instituto Ipsos para a agência de notícias Reuters apontou uma queda de dois pontos na vantagem de Obama, de 46% a 44%, o que dá novo ânimo à campanha de Romney.
Como nos EUA o voto não é obrigatório, o primeiro objetivo dos partidos é estimular o eleitor a sair de casa.
Outro dado positivo foi a revisão dos números de agosto, que registraram um saldo de 142 mil emprego, bem acima da estimativa inicial anunciada há um mês, de 96 mil vagas. O total de julho também foi revisado para cima para 178 mil empregos.
No pós-guerra, nenhum presidente americano se reelegeu com taxa de desemprego acima de 7,2% no dia da eleição. Mesmo assim, a campanha do presidente à reeleição ganhou um impulso, observa o jornal The New York Times.
Obama festejou e declarou que seu papel é impedir a volta das políticas responsáveis pela crise, o que não disse no debate de quarta-feira, quando o ex-governador Mitt Romney levou a melhor.
O candidato republicano mudou um discurso-padrão em que acusava o presidente por "43 meses com taxa de desemprego acima de 8%". Alegou que o desemprego só caiu a esse nível porque muita gente desistiu de procurar emprego.
Na matemática eleitoreira de Romney, "a verdadeira taxa de desemprego estaria em 11%".
Depois do fraco desempenho atribuído à "maldição do primeiro debate" para o presidente em busca da reeleição Obama adotou um tom mais agressivo. Uma pesquisa do instituto Ipsos para a agência de notícias Reuters apontou uma queda de dois pontos na vantagem de Obama, de 46% a 44%, o que dá novo ânimo à campanha de Romney.
Como nos EUA o voto não é obrigatório, o primeiro objetivo dos partidos é estimular o eleitor a sair de casa.
Romney repudia desprezo aos 47%
Um dia depois de sua vitória no primeiro debate dos candidatos à Presidência dos Estados Unidos em 6 de novembro de 2012, o ex-governador Mitt Romney repudiou a declaração em que disse que "47% dos americanos são dependentes do Estado e vão votar neste presidente de qualquer maneira".
Durante uma reunião com ricos para obter doações para sua campanha, em maio, Romney acusou o eleitorado de Obama de ser formado por "gente que se considera vítima e acha que o Estado deve sustentá-las com casa e comida". Isso reforçou a imagem de multimilionário insensível que a campanha do presidente Barack Obama tentar associar ao principal adversário.
"Foi totalmente errado", admitiu o candidato do Partido Republicano, tentando aproveitar o momento favorável de sua campanha para reparar a gafe, informa a agência de notícias Reuters.
Durante uma reunião com ricos para obter doações para sua campanha, em maio, Romney acusou o eleitorado de Obama de ser formado por "gente que se considera vítima e acha que o Estado deve sustentá-las com casa e comida". Isso reforçou a imagem de multimilionário insensível que a campanha do presidente Barack Obama tentar associar ao principal adversário.
"Foi totalmente errado", admitiu o candidato do Partido Republicano, tentando aproveitar o momento favorável de sua campanha para reparar a gafe, informa a agência de notícias Reuters.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Iranianos protestam contra crise e enfrentam polícia
A polícia de choque do Irã usou gás lacrimogênio ontem para dispersar uma manifestação em Teerã contra a desvalorização do rial e a crise econômica causadas pelas sanções internacionais contra o programa nuclear iraniano, acusado pelo Ocidente de desenvolver armas nucleares.
Muitas pessoas foram presas, noticia a TV pública britânica BBC. A moeda iraniana perdeu 80% do valor desde o início do ano.
Muitas pessoas foram presas, noticia a TV pública britânica BBC. A moeda iraniana perdeu 80% do valor desde o início do ano.
Facebook já tem 1 bilhão de usuários
O Facebook, maior rede social da Internet, anunciou ter superado a marca de 1 bilhão de usuários. Suas ações tiveram uma rápida alta na bolsa eletrônica Nasdaq, que negocia ações de empresas de alta tecnologia, mas voltaram a cair.
Em entrevista à televisão nos Estados Unidos, seu criador, Mark Zuckerberg, defendeu seu modelo de negócios, alegando que os usuários vão apontar os caminhos para o futuro desenvolvimento da empresa.
Em entrevista à televisão nos Estados Unidos, seu criador, Mark Zuckerberg, defendeu seu modelo de negócios, alegando que os usuários vão apontar os caminhos para o futuro desenvolvimento da empresa.
Parlamento da Turquia aprova ataques à Síria
Por 320 a 129 votos, a Assembleia Nacional da Turquia autorizou as Forças Armadas do país a realizar ações militares durante um ano através da fronteira com a Síria depois de um morteiro sírio ter atingido ontem a cidade turca de Akçakale, matando cinco civis.
O vice-primeiro Besir Atalay afirmou que "não é uma guerra", é uma medida para impedir que a violência da guerra civil na vizinha síria extravaze para a Turquia, reporta o jornal The Washington Post.
Novos ataques foram realizados hoje, informa o jornal liberal israelense Haaretz.
Há pouco, o embaixador sírio nas Nações Unidas leu uma carta em que a ditadura de Bachar Assad expressa suas condolências pela morte de cinco civis turcos e promete investigar o incidente, sugerindo que os rebeldes sejam responsáveis.
Não chega a ser um pedido de desculpas, mas é uma clara manifestação de que a Síria quer evitar uma escalada na confrontação.
Como a Turquia apoia os rebeldes, a ditadura síria passou a apoiar os curdos sírios na sua luta contra o país vizinho. Eles podem ter sido responsáveis pelo ataque.
A Turquia é um país-membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos. Como um ataque contra qualquer país-membro é considerado um ataque contra todos, o incidente poderia servir para justificar uma intervenção militar na guerra civil síria.
O vice-primeiro Besir Atalay afirmou que "não é uma guerra", é uma medida para impedir que a violência da guerra civil na vizinha síria extravaze para a Turquia, reporta o jornal The Washington Post.
Novos ataques foram realizados hoje, informa o jornal liberal israelense Haaretz.
Há pouco, o embaixador sírio nas Nações Unidas leu uma carta em que a ditadura de Bachar Assad expressa suas condolências pela morte de cinco civis turcos e promete investigar o incidente, sugerindo que os rebeldes sejam responsáveis.
Não chega a ser um pedido de desculpas, mas é uma clara manifestação de que a Síria quer evitar uma escalada na confrontação.
Como a Turquia apoia os rebeldes, a ditadura síria passou a apoiar os curdos sírios na sua luta contra o país vizinho. Eles podem ter sido responsáveis pelo ataque.
A Turquia é um país-membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos. Como um ataque contra qualquer país-membro é considerado um ataque contra todos, o incidente poderia servir para justificar uma intervenção militar na guerra civil síria.
Setor privado teve saldo de 162 mil vagas nos EUA
O relatório oficial de emprego do Departamento do Trabalho sai amanhã, mas a empresa de recursos humanos, maior processadora de folhas de pagamento dos Estados Unidos, divulgou ontem sua estimativa: o setor privado criou 162 mil postos de trabalho a mais do que destruiu no mês passado. Nem sempre seus dados coincidem com os do governo.
A questão do desemprego é um ponto fraco para o presidente Barack Obama na sua luta pela reeleição em 6 de novembro contra o republicano Mitt Romney. No debate transmitido pela televisão ontem à noite, em Denver, no Colorado, o oposicionista o acusou de perder dois anos tentando aprovar a reforma da saúde em vez de se concentrar na recuperação do mercado de trabalho.
Já o índice do setor de serviços calculado pelo Instituto para Gestão da Oferta subiu para 55,1 pontos, o melhor resultado desde março deste ano. Números acima de 50 indicam crescimento da atividade econômica.
A questão do desemprego é um ponto fraco para o presidente Barack Obama na sua luta pela reeleição em 6 de novembro contra o republicano Mitt Romney. No debate transmitido pela televisão ontem à noite, em Denver, no Colorado, o oposicionista o acusou de perder dois anos tentando aprovar a reforma da saúde em vez de se concentrar na recuperação do mercado de trabalho.
Já o índice do setor de serviços calculado pelo Instituto para Gestão da Oferta subiu para 55,1 pontos, o melhor resultado desde março deste ano. Números acima de 50 indicam crescimento da atividade econômica.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Romney leva vantagem no primeiro debate com Obama
O presidente Barack Obama começou o primeiro debate dos candidatos à Presidência dos Estados Unidos em 6 de novembro de 2012, realizado na Universidade de Denver, no Colorado, lembrando seu casamento com Michelle, embora o tema fosse a geração de empregos. De acordo com pesquisa da televisão americana CNN, 67% consideraram o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney vencedor.
Havia uma expectativa de que 60 milhões de americanos assistissem ao debate. Obama começou pela humanização do candidato, para parecer um ser humano normal. O foi direto ao assunto e no final foi considerado melhor, mais animado e mais efetivo ao passar sua mensagem. Ele falou menos do que Obama, mas usou melhor seu tempo.
"Meu plano para gerar empregos tem cinco partes", disse Romney: "independência energética, abrir o comércio com América Latina, enfrentar a China, estimular a formação profissional e ajudar pequenas empresas. Ele promete restaurar a 'vitalidade' dos EUA".
Obama prometeu usar o dinheiro poupado com o fim das guerras no Iraque e no Afeganistão para investir na independência energética dos EUA.
Para Romney, as saídas são "energia e comércio": "Ambos concordamos que é preciso cortar impostos, mas fazer isso reduzindo as isenções para não perder receita". O candidato do Partido Republicano acusou o governo Obama de "enterrar" a classe média.
O presidente reagiu dizendo que seu oponente pretende cortar o déficit orçamentário em US$ 5 trilhões. Romney negou e prometeu não reduzir impostos para os ricos nem aumentar para a classe média. O republicano disse que a reforma fiscal de Obama fará a classe média pagar US$ 3 mil a US$ 4 mil a mais de impostos por ano. O presidente dissera que o republicano vai aumentar os impostos em US$ 2 mil por ano para famílias de classe média.
"Precisamos voltar aos níveis do governo Clinton, que criou 23 milhões de empregos e equilibrou o orçamento. Eu baixei os impostos para pequenas empresas 18 vezes", argumentou Obama, que parece um tanto agressivo. Por enquanto, Romney está seguro e tranquilo. Enfrentou vários tiroteios durante as eleições primárias republicanas.
O ex-governador de Massachusetts insiste em que vai reduzir impostos cortando isenções e deduções para gerar empregos para que mais gente pague impostos. Obama alega que ele vai cortar impostos em US$ 5 trilhões e aumentar os gastos militares em US$ 2 trilhões que o Pentágono não pediu. Desta maneira, seria impossível equilibrar o orçamento.
"O déficit não é só uma questão econômica, é uma questão moral", afirmou Romney, um argumento comum da direita americana. "Estamos passando uma dívida às futuras gerações. Podemos resolver isso de três maneiras: aumentando impostos, reduzindo gastos públicos ou fazendo a economia crescer. Vou tornar o governo mais eficiente. O presidente diz ter reduzido o déficit pela metade, mas na verdade o dobrou. Nenhum presidente endividou mais o país".
Obama tenta citar as medidas de seu governo, combatendo fraudes no sistema de saúde: "Todos sabemos que temos de fazer mais sobre o déficit". Promete um corte de US$ 4 trilhões no déficit público.
"Você aumenta impostos e mata empregos", acusou Romney. "Meu plano é aumentar a arrecadação fazendo com que mais gente trabalhe e ganhe melhor, e assim pague mais impostos".
O presidente denunciou a decadência das escolas para dizer que "orçamentos refletem prioridades". Romney criticou Obama por investir US$ 90 bilhões nas energias eólica e solar. O presidente poderia ter respondido que a China, maior concorrente dos EUA, é hoje o maior investidor nos dois setores.
"Uma das grandes ideias deste país é que os estados são a base da democracia", raciocinou o candidato republicano para justificar a transferência de responsabilidades da União para os estados.
Ao falar de saúde e previdência social, "as maiores causas do déficit", Obama lembrou sua avó, falando que, sem a Previdência Social e os programas de saúde pública, "ela não teria conseguido".
O oposicionista fez questão de prometer não cortar os atuais programas sociais. Não é o que prega seu candidato a vice-presidente, o deputado Paul Ryan, que pretende transformar o programa de saúde para idosos (Medicare) num sistema de cupons que o cidadão usaria para comprar assistência médica no mercado.
"Pessoas da idade da minha avó naquela época, com mais de 65 anos, vão ser abandonadas no momento em que mais precisam de ajuda", alfinetou Obama.
Romney se comprometeu a não mudar o sistema para quem já está aposentado ou é idoso, mas defendeu a necessidade de mudar para as futuras gerações como forma de evitar o excessivo endividamento público: "Temos de garantir que o sistema esteja aí por muito tempo, mas precisamos de competição no sistema".
"A competição vai deixar os idosos nas mãos das empresas de seguro-saúde", rebateu o presidente.
Depois de Romney criticar a "excessiva regulamentação" da economia, Obama reagiu afirmando que "esta é a razão pela qual estamos atravessando uma das piores crises da história, falta de regulamentação. Introduzimos o maior volume de regulamentações em Wall Street desde a Grande Depressão. Se você acredita que falta regulamentação em Wall St., vote em mim. Se você que há regulamentação demais, vote nele".
Agora, Romney exagerou. Culpou a Lei Dodd-Frank, de regulamentação financeira, pela falta de empréstimos bancários, especialmente no setor imobiliário, justamente onde começou a crise.
Sob pressão da ala mais direitista do partido, do movimento Festa do Chá, Romney está prometendo acabar com a reforma de saúde de Obama, que pretende oferecer cobertura para 46 milhões de americanos que não tinham cobertura alguma.
"São milhões de famílias que temem falir se alguém ficar muito doente. Se tiverem doenças preexistentes, as empresas de seguro médico podem não aceitar vocês. A ironia é que vimos esse modelo funcionando bem no estado de Massachusetts, onde o governador Mitt Romney, trabalhando em conjunto com os democratas, tirou milhões de pessoas do frio", cutucou Obama.
Romney pegou a onda e disse que conseguiu trabalhar com um parlamento 87% democrata, acusando Obama de ter aprovado uma reforma "sem um voto republicano" e de dividir o país.
Com seu estilo intelectualizado, o presidente declarou que o problema precisa ser enfrentado e desenvolveu um raciocínio sutil e sofisticado mas longo, o que é sempre difícil de acompanhar em televisão: "É preciso reduzir os custos", concluiu. "O governador Romney não disse o que pretende fazer, além de dizer que vai deixar para os estados".
O republicano repetiu um mantra de seu partido: "O presidente Obama acredita que um conselho de 50 pessoas vai decidir que tratamento você pode ter. O mercado funciona muito melhor, com uma série de pequenas empresas competindo entre si e aprendendo como fazer melhor. Esta é nossa diferença: eu acredito no mercado". O ex-governador acusou o presidente de perder dois anos com a reforma da saúde, em vez de se concentrar na geração de empregos.
Obama agora está acusando Romney de ser vago: "Será que o governador Romney esconde seus planos sobre impostos, saúde, regulamentação de Wall St. porque eles são muito bons?", desafiou.
"O gênio dos EUA é a livre empresa e a liberdade, mas, como disse Abraham Lincoln, já coisas que fazemos melhor juntos, como a Academia de Ciências. O governo pode abrir 'degraus de oportunidade', investir em educação. Isso não significa fazer uma reforma de cima para baixo. Daremos dinheiro aos estadosse eles se comprometeram a fazer reformas. O governo Romney acha que não precisamos mais professores. Eu acho que sim. Isso vai atrair empresas", previu Obama.
Na visão de mundo de Romney, as Forças Armadas são essenciais para preservar "a vida e a liberdade. Eu não acredito em cortes de gastos nas Forças Armadas. Temos de ter as melhores forças militares do mundo". O complexo industrial militar agradece.
A educação é um dos setores onde o governo federal pode fazer uma diferença, entende Obama: "Para isso é preciso dinheiro. Os orçamentos refletem as prioridades de cada governo. Gente como eu e Michelle não teríamos tido a oportunidade de estudar sem o auxílio-educação".
Romney voltou a atacar Obama por ter dado US$ 90 bilhões para energias alternativas, alegando que o dinheiro poderia ter sido usado na contratação de professores. Também se gabou do sucesso das escolas de Massachusetts, uma tradição que vem da fundação da Universidade de Harvard, em 1636.
Nos comentários finais, o presidente afirmou: "Há quatro anos, vivíamos uma das piores crises de nossa história, mas minha fé no futuro dos EUA não foi diminuída".
Romney está preocupado com "o futuro dos EUA, com o curso adotado no país nos últimos quatro anos", como se o último governo republicano, de George W. Bush, não tivesse sido um dos piores da história do país. Promete 12 milhões de empregos e não poupar dinheiro com os militares: "Quero os EUA fortes e a classe média trabalhando".
Obama começou mal, parecendo um tanto abatido e irritadiço. Só lá pela metade relaxou e começou a sorrir. Não falou dos "47% dependentes do Estado", uma das gafes de campanha do adversário nem relacionou claramente as propostas republicanas aos fracassos do governo Bush e à atual crise. Romney teve um grande debate. Disse muitas meias-verdades, mas impressionou bem, posou como presidente e fez promessas vagas, não comprometedoras.
Havia uma expectativa de que 60 milhões de americanos assistissem ao debate. Obama começou pela humanização do candidato, para parecer um ser humano normal. O foi direto ao assunto e no final foi considerado melhor, mais animado e mais efetivo ao passar sua mensagem. Ele falou menos do que Obama, mas usou melhor seu tempo.
"Meu plano para gerar empregos tem cinco partes", disse Romney: "independência energética, abrir o comércio com América Latina, enfrentar a China, estimular a formação profissional e ajudar pequenas empresas. Ele promete restaurar a 'vitalidade' dos EUA".
Obama prometeu usar o dinheiro poupado com o fim das guerras no Iraque e no Afeganistão para investir na independência energética dos EUA.
Para Romney, as saídas são "energia e comércio": "Ambos concordamos que é preciso cortar impostos, mas fazer isso reduzindo as isenções para não perder receita". O candidato do Partido Republicano acusou o governo Obama de "enterrar" a classe média.
O presidente reagiu dizendo que seu oponente pretende cortar o déficit orçamentário em US$ 5 trilhões. Romney negou e prometeu não reduzir impostos para os ricos nem aumentar para a classe média. O republicano disse que a reforma fiscal de Obama fará a classe média pagar US$ 3 mil a US$ 4 mil a mais de impostos por ano. O presidente dissera que o republicano vai aumentar os impostos em US$ 2 mil por ano para famílias de classe média.
"Precisamos voltar aos níveis do governo Clinton, que criou 23 milhões de empregos e equilibrou o orçamento. Eu baixei os impostos para pequenas empresas 18 vezes", argumentou Obama, que parece um tanto agressivo. Por enquanto, Romney está seguro e tranquilo. Enfrentou vários tiroteios durante as eleições primárias republicanas.
O ex-governador de Massachusetts insiste em que vai reduzir impostos cortando isenções e deduções para gerar empregos para que mais gente pague impostos. Obama alega que ele vai cortar impostos em US$ 5 trilhões e aumentar os gastos militares em US$ 2 trilhões que o Pentágono não pediu. Desta maneira, seria impossível equilibrar o orçamento.
"O déficit não é só uma questão econômica, é uma questão moral", afirmou Romney, um argumento comum da direita americana. "Estamos passando uma dívida às futuras gerações. Podemos resolver isso de três maneiras: aumentando impostos, reduzindo gastos públicos ou fazendo a economia crescer. Vou tornar o governo mais eficiente. O presidente diz ter reduzido o déficit pela metade, mas na verdade o dobrou. Nenhum presidente endividou mais o país".
Obama tenta citar as medidas de seu governo, combatendo fraudes no sistema de saúde: "Todos sabemos que temos de fazer mais sobre o déficit". Promete um corte de US$ 4 trilhões no déficit público.
"Você aumenta impostos e mata empregos", acusou Romney. "Meu plano é aumentar a arrecadação fazendo com que mais gente trabalhe e ganhe melhor, e assim pague mais impostos".
O presidente denunciou a decadência das escolas para dizer que "orçamentos refletem prioridades". Romney criticou Obama por investir US$ 90 bilhões nas energias eólica e solar. O presidente poderia ter respondido que a China, maior concorrente dos EUA, é hoje o maior investidor nos dois setores.
"Uma das grandes ideias deste país é que os estados são a base da democracia", raciocinou o candidato republicano para justificar a transferência de responsabilidades da União para os estados.
Ao falar de saúde e previdência social, "as maiores causas do déficit", Obama lembrou sua avó, falando que, sem a Previdência Social e os programas de saúde pública, "ela não teria conseguido".
O oposicionista fez questão de prometer não cortar os atuais programas sociais. Não é o que prega seu candidato a vice-presidente, o deputado Paul Ryan, que pretende transformar o programa de saúde para idosos (Medicare) num sistema de cupons que o cidadão usaria para comprar assistência médica no mercado.
"Pessoas da idade da minha avó naquela época, com mais de 65 anos, vão ser abandonadas no momento em que mais precisam de ajuda", alfinetou Obama.
Romney se comprometeu a não mudar o sistema para quem já está aposentado ou é idoso, mas defendeu a necessidade de mudar para as futuras gerações como forma de evitar o excessivo endividamento público: "Temos de garantir que o sistema esteja aí por muito tempo, mas precisamos de competição no sistema".
"A competição vai deixar os idosos nas mãos das empresas de seguro-saúde", rebateu o presidente.
Depois de Romney criticar a "excessiva regulamentação" da economia, Obama reagiu afirmando que "esta é a razão pela qual estamos atravessando uma das piores crises da história, falta de regulamentação. Introduzimos o maior volume de regulamentações em Wall Street desde a Grande Depressão. Se você acredita que falta regulamentação em Wall St., vote em mim. Se você que há regulamentação demais, vote nele".
Agora, Romney exagerou. Culpou a Lei Dodd-Frank, de regulamentação financeira, pela falta de empréstimos bancários, especialmente no setor imobiliário, justamente onde começou a crise.
Sob pressão da ala mais direitista do partido, do movimento Festa do Chá, Romney está prometendo acabar com a reforma de saúde de Obama, que pretende oferecer cobertura para 46 milhões de americanos que não tinham cobertura alguma.
"São milhões de famílias que temem falir se alguém ficar muito doente. Se tiverem doenças preexistentes, as empresas de seguro médico podem não aceitar vocês. A ironia é que vimos esse modelo funcionando bem no estado de Massachusetts, onde o governador Mitt Romney, trabalhando em conjunto com os democratas, tirou milhões de pessoas do frio", cutucou Obama.
Romney pegou a onda e disse que conseguiu trabalhar com um parlamento 87% democrata, acusando Obama de ter aprovado uma reforma "sem um voto republicano" e de dividir o país.
Com seu estilo intelectualizado, o presidente declarou que o problema precisa ser enfrentado e desenvolveu um raciocínio sutil e sofisticado mas longo, o que é sempre difícil de acompanhar em televisão: "É preciso reduzir os custos", concluiu. "O governador Romney não disse o que pretende fazer, além de dizer que vai deixar para os estados".
O republicano repetiu um mantra de seu partido: "O presidente Obama acredita que um conselho de 50 pessoas vai decidir que tratamento você pode ter. O mercado funciona muito melhor, com uma série de pequenas empresas competindo entre si e aprendendo como fazer melhor. Esta é nossa diferença: eu acredito no mercado". O ex-governador acusou o presidente de perder dois anos com a reforma da saúde, em vez de se concentrar na geração de empregos.
Obama agora está acusando Romney de ser vago: "Será que o governador Romney esconde seus planos sobre impostos, saúde, regulamentação de Wall St. porque eles são muito bons?", desafiou.
"O gênio dos EUA é a livre empresa e a liberdade, mas, como disse Abraham Lincoln, já coisas que fazemos melhor juntos, como a Academia de Ciências. O governo pode abrir 'degraus de oportunidade', investir em educação. Isso não significa fazer uma reforma de cima para baixo. Daremos dinheiro aos estadosse eles se comprometeram a fazer reformas. O governo Romney acha que não precisamos mais professores. Eu acho que sim. Isso vai atrair empresas", previu Obama.
Na visão de mundo de Romney, as Forças Armadas são essenciais para preservar "a vida e a liberdade. Eu não acredito em cortes de gastos nas Forças Armadas. Temos de ter as melhores forças militares do mundo". O complexo industrial militar agradece.
A educação é um dos setores onde o governo federal pode fazer uma diferença, entende Obama: "Para isso é preciso dinheiro. Os orçamentos refletem as prioridades de cada governo. Gente como eu e Michelle não teríamos tido a oportunidade de estudar sem o auxílio-educação".
Romney voltou a atacar Obama por ter dado US$ 90 bilhões para energias alternativas, alegando que o dinheiro poderia ter sido usado na contratação de professores. Também se gabou do sucesso das escolas de Massachusetts, uma tradição que vem da fundação da Universidade de Harvard, em 1636.
Nos comentários finais, o presidente afirmou: "Há quatro anos, vivíamos uma das piores crises de nossa história, mas minha fé no futuro dos EUA não foi diminuída".
Romney está preocupado com "o futuro dos EUA, com o curso adotado no país nos últimos quatro anos", como se o último governo republicano, de George W. Bush, não tivesse sido um dos piores da história do país. Promete 12 milhões de empregos e não poupar dinheiro com os militares: "Quero os EUA fortes e a classe média trabalhando".
Obama começou mal, parecendo um tanto abatido e irritadiço. Só lá pela metade relaxou e começou a sorrir. Não falou dos "47% dependentes do Estado", uma das gafes de campanha do adversário nem relacionou claramente as propostas republicanas aos fracassos do governo Bush e à atual crise. Romney teve um grande debate. Disse muitas meias-verdades, mas impressionou bem, posou como presidente e fez promessas vagas, não comprometedoras.
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Turquia bombardeia a Síria
A Turquia fez hoje disparos de artilharia pesada contra alvos da Síria, em retaliação a um ataque de morteiros sírios que matou cinco civis numa cidade turca próxima à fronteira entre os dois países, anunciou em Ancara o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan.
"Este ataque atroz teve uma resposta imediata e adequada de nossas Forças Armadas na região da fronteira", declarou uma nota distribuída pelo chefe de governo da Turquia. "Os alvos bombardeados foram identificados por radar."
Erdogan advertiu: "A Turquia, de acordo com suas regras de engajamento e o direito internacional, jamais vai deixar tais provocações do regime sírio contra nossa segurança nacional sem resposta".
Os dois países eram aliados, mas a Turquia é hoje o grande exemplo de democracia no mundo muçulmano, apesar do tratamento discriminatório à minoria curda e do eterno duelo político entre secularistas e islamitas. Quando o ditador Bachar Assad começou a usar a força bruta contra as manifestações da Primavera Árabe, a Turquia passou a apoiar os rebeldes.
Como a Turquia é um país-membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos, que tem uma cláusula que considera um ataque contra um ataque contra todos, o incidente poderia justificar uma intervenção militar na Síria.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas discutiu o assunto em reunião de emergência.
Em Alepo, a segunda maior cidade do país, foco de uma violenta batalha, pelo menos 40 pessoas foram mortas ontem em três atentados arrasadores atribuídos aos rebeldes.
"Este ataque atroz teve uma resposta imediata e adequada de nossas Forças Armadas na região da fronteira", declarou uma nota distribuída pelo chefe de governo da Turquia. "Os alvos bombardeados foram identificados por radar."
Erdogan advertiu: "A Turquia, de acordo com suas regras de engajamento e o direito internacional, jamais vai deixar tais provocações do regime sírio contra nossa segurança nacional sem resposta".
Os dois países eram aliados, mas a Turquia é hoje o grande exemplo de democracia no mundo muçulmano, apesar do tratamento discriminatório à minoria curda e do eterno duelo político entre secularistas e islamitas. Quando o ditador Bachar Assad começou a usar a força bruta contra as manifestações da Primavera Árabe, a Turquia passou a apoiar os rebeldes.
Como a Turquia é um país-membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos, que tem uma cláusula que considera um ataque contra um ataque contra todos, o incidente poderia justificar uma intervenção militar na Síria.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas discutiu o assunto em reunião de emergência.
Em Alepo, a segunda maior cidade do país, foco de uma violenta batalha, pelo menos 40 pessoas foram mortas ontem em três atentados arrasadores atribuídos aos rebeldes.
Banco da Ásia reduz previsões de crescimento
O Banco de Desenvolvimento da Ásia reduziu nesta quarta-feira suas previsões de crescimento para a maioria dos países do Leste do continente em 2012 e 2013 por causa da queda na demanda mundial por suas exportações, um dia depois que a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), órgão das Nações Unidas diminuiu suas expectativas para a região.
Para a China, em relação às perspectivas de seis meses atrás, a queda foi de 8,5% para 7,7% neste ano e de 8,7% a 8,1% no próximo. O relatório adverte para os riscos à frente da segunda maior economia mundial, altamente dependente do comércio exterior, responsável por mais da metade de seu produto interno bruto.
Há fraqueza no consumo nos países ricos e nas duas grandes economias da Ásia - a China e o Japão. Assim, as economias em desenvolvimento na região, excluído o Japão, que já é rico, devem crescer em média 6,1% em 2012, abaixo dos 7,2% de 2011. Para 2013, a expectativa é e 6,7%.
Para a China, em relação às perspectivas de seis meses atrás, a queda foi de 8,5% para 7,7% neste ano e de 8,7% a 8,1% no próximo. O relatório adverte para os riscos à frente da segunda maior economia mundial, altamente dependente do comércio exterior, responsável por mais da metade de seu produto interno bruto.
Há fraqueza no consumo nos países ricos e nas duas grandes economias da Ásia - a China e o Japão. Assim, as economias em desenvolvimento na região, excluído o Japão, que já é rico, devem crescer em média 6,1% em 2012, abaixo dos 7,2% de 2011. Para 2013, a expectativa é e 6,7%.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Presidente da Geórgia reconhece derrota eleitoral
O presidente da ex-república soviética da Geórgia, Mikheil Saakachvili, admitiu hoje a derrota de seu governo nas eleições parlamentares da segunda-feira. A vitória foi da oposição liderada por Bidzina Ivanichvili, um milionário que fez fortuna na Rússia e pretende melhorar as relações com o gigantesco país vizinho.
Saakachvili chegou ao poder em 2003, com a chamada Revolução Rosa, que tirou do poder os remanescentes da era soviética. A Rússia logo passou a apoiar revoltas separatistas nas repúblicas autônomas da Abcásia e da Ossétia do Sul.
Em 8 de agosto de 2008, uma tentativa de retomar o controle das regiões rebeladas deflagrou uma guerra contra a Rússia que terminou em derrota para Saakachvili. Seu rival pediu sua renúncia imediata.
Saakachvili chegou ao poder em 2003, com a chamada Revolução Rosa, que tirou do poder os remanescentes da era soviética. A Rússia logo passou a apoiar revoltas separatistas nas repúblicas autônomas da Abcásia e da Ossétia do Sul.
Em 8 de agosto de 2008, uma tentativa de retomar o controle das regiões rebeladas deflagrou uma guerra contra a Rússia que terminou em derrota para Saakachvili. Seu rival pediu sua renúncia imediata.
Moeda do Irã perdeu 80% do valor em 2012
Sob a pressão de sanções internacionais contra seu programa nuclear, suspeito de desenvolver armas atômicas, a moeda do Irã, o rial, perdeu 18% do valor ontem, acumulando uma desvalorização de 80% neste ano. Depois de negar repetidas vezes o impacto das sanções, o presidente Mahmoud Ahmadinejad acusou hoje o Ocidente de fazer uma "guerra econômica" contra o país.
A queda do rial é tão espetacular que suas cotações foram removidas da Internet.
"Da nossa perspectiva, isto fala da incessante e cada vez mais bem-sucedida pressão internacional sobre a economia iraniana" que "está sob uma tensão incrível", comemorou a porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland.
Com inflação em alta, escassez ou carestia de alguns alimentos, congelamento de suas relações com o sistema financeiro internacional e a queda na renda do petróleo, a crise atinge diretamente o bolso do consumidor, nota a televisão pública britânica BBC.
A queda do rial é tão espetacular que suas cotações foram removidas da Internet.
"Da nossa perspectiva, isto fala da incessante e cada vez mais bem-sucedida pressão internacional sobre a economia iraniana" que "está sob uma tensão incrível", comemorou a porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland.
Com inflação em alta, escassez ou carestia de alguns alimentos, congelamento de suas relações com o sistema financeiro internacional e a queda na renda do petróleo, a crise atinge diretamente o bolso do consumidor, nota a televisão pública britânica BBC.
Obama lidera por 49% a 45% por causa das mulheres
As mulheres garantem a vantagem do presidente Barack Obama sobre o desafiante Mitt Romney na última rodada da prestigiada pesquisa da Universidade Quinnipiac sobre a eleição presidencial de 6 de novembro de 2012 nos Estados Unidos. Obama lidera por 49% a 45% graças à vantagem de 56% a 38% entre o eleitorado feminino.
Por uma maioria ainda mais esmagadora, de 54% a 28%, os eleitores acreditam que o presidente vai superar o candidato do Partido Republicano nos debates que começam amanhã à noite em Denver, no Colorado.
A boa notícia para Romney é uma pequena vantagem entre os independentes, de 47% a 45%, dentro da margem de erro da pesquisa. Entre o eleitorado branco, o oposicionista vence por 53% a 42%, mas isso está próximo do resultado obtido por Obama em 2008: 43% dos votos de eleitores brancos, noticia o jornal USA Today.
Por uma maioria ainda mais esmagadora, de 54% a 28%, os eleitores acreditam que o presidente vai superar o candidato do Partido Republicano nos debates que começam amanhã à noite em Denver, no Colorado.
A boa notícia para Romney é uma pequena vantagem entre os independentes, de 47% a 45%, dentro da margem de erro da pesquisa. Entre o eleitorado branco, o oposicionista vence por 53% a 42%, mas isso está próximo do resultado obtido por Obama em 2008: 43% dos votos de eleitores brancos, noticia o jornal USA Today.
EUA desistem de negociar com os Talebã
Altos comandantes militares dos Estados Unidos não acreditam mais na possibilidade de negociar um acordo de paz com a ala supostamente moderada da milícia fundamentalista dos Talebã, que governou o Afeganistão de 1996 até a invasão americana de outubro de 2001 para vingar os atentados de 11 de setembro de 2001.
A negociação era um aspecto importante da estratégia do governo Barack Obama para a retirada americana e o fim da guerra mais longa da História dos EUA. O objetivo agora é criar condições para um acordo entre o governo afegão e os jihadistas depois da retirada, prevista para o fim de 2014.
Ao não conseguir atrair os Talebã para a mesa de negociação, fica evidente a debilidade dos ganhos obtidos pelo reforço do contingente americano com mais 30 mil soldados, ordenado por Obama em 2009 para aumentar para 100 mil o total de americanos no Afeganistão. Os 30 mil voltaram para casa sem que o inimigo tenha cedido, observa o jornal The New York Times.
Outro problema sério é o aumento dos ataques de policiais e soldados das forças de segurança do Afeganistão aos membros da aliança liderada pelos EUA, frutos da revolta contra a intervenção internacional no país. O 38º ataque desta natureza, descrito como "verde contra azul", elevou para 52 o número de mortos nessas ações e para 2 mil o total de americanos mortos na guerra, informa o jornal USA Today.
A negociação era um aspecto importante da estratégia do governo Barack Obama para a retirada americana e o fim da guerra mais longa da História dos EUA. O objetivo agora é criar condições para um acordo entre o governo afegão e os jihadistas depois da retirada, prevista para o fim de 2014.
Ao não conseguir atrair os Talebã para a mesa de negociação, fica evidente a debilidade dos ganhos obtidos pelo reforço do contingente americano com mais 30 mil soldados, ordenado por Obama em 2009 para aumentar para 100 mil o total de americanos no Afeganistão. Os 30 mil voltaram para casa sem que o inimigo tenha cedido, observa o jornal The New York Times.
Outro problema sério é o aumento dos ataques de policiais e soldados das forças de segurança do Afeganistão aos membros da aliança liderada pelos EUA, frutos da revolta contra a intervenção internacional no país. O 38º ataque desta natureza, descrito como "verde contra azul", elevou para 52 o número de mortos nessas ações e para 2 mil o total de americanos mortos na guerra, informa o jornal USA Today.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Americanos preferem dar todo poder a um partido
Ao contrário do que aconteceu durante décadas, diante da paralisia do governo federal dos Estados Unidos por causa do desentendimento entre o presidente Barack Obama e uma Câmara dominada pelo Partido Republicano, os americanos agora preferem que o mesmo partido controle a Casa Branca e o Congresso, indica uma pesquisa do Instituto Gallup.
"Até mesmo os independentes se tornaram mais favoráveis a um governo de um só partido neste ano, sete pontos percentuais acima do resultado da pesquisa de 2011", revelou um pesquisador.
O conflito em torno do orçamento começou em 1995, depois que os republicanos conquistaram maioria na Câmara em 1994. Sob a liderança de Newt Gingrich, tentaram impor seu "Contrato com a América" para equilibrar o orçamento. A máquina pública federal chegou a parar duas vezes no governo Bill Clinton (1993-2001).
Com a grande expansão da economia americana nos anos 90, democratas e republicanos conseguiram chegar a um acordo para zerar o déficit orçamentário dos EUA. Clinton entregou a George W. Bush em 2001 um país com orçamento equilibrado.
A grande questão no debate entre o vice-presidente Al Gore e Bush na eleição de 2000 era sobre o que fazer com o superávit. Bush queria cortar impostos, Gore fortalecer a previdência social.
Os republicanos não controlavam a Casa Branca, o Senado e a Câmara ao mesmo tempo desde o governo Dwight Eisenhower (1953-61). Conseguiram isso no governo George W. Bush (2001-9), um dos piores da História dos EUA.
Talvez o eleitorado tenha memória curta. Não quer uma repetição do impasse entre Executivo e Legislativo quando a Câmara não queria autorizar o governo Obama a elevar o teto da dívida pública dos EUA. Isso impediria o banco central de emitir novos títulos de dívida paralisando a máquina administrativa federal.
Para o economista Paul Krugman, a eleição presidencial de 2012 será um plebiscito sobre o New Deal do presidente Franklin Roosevelt (1933-45), que introduziu programas sociais para combater a Grande Depressão (1929-39), e o projeto da Grande Sociedade do governo Lyndon Johnson (1963-69), dos programas de assistência de saúde para os idosos (Medicare) e para os pobres (Medicaid), de um lado, e a onda neoconservadora que pretende acabar com tudo isso.
Krugman acredita na vitória da proteção contra a proposta de resgatar um capitalismo selvagem como se fosse a verdadeira expressão do sonho americano.
"Até mesmo os independentes se tornaram mais favoráveis a um governo de um só partido neste ano, sete pontos percentuais acima do resultado da pesquisa de 2011", revelou um pesquisador.
O conflito em torno do orçamento começou em 1995, depois que os republicanos conquistaram maioria na Câmara em 1994. Sob a liderança de Newt Gingrich, tentaram impor seu "Contrato com a América" para equilibrar o orçamento. A máquina pública federal chegou a parar duas vezes no governo Bill Clinton (1993-2001).
Com a grande expansão da economia americana nos anos 90, democratas e republicanos conseguiram chegar a um acordo para zerar o déficit orçamentário dos EUA. Clinton entregou a George W. Bush em 2001 um país com orçamento equilibrado.
A grande questão no debate entre o vice-presidente Al Gore e Bush na eleição de 2000 era sobre o que fazer com o superávit. Bush queria cortar impostos, Gore fortalecer a previdência social.
Os republicanos não controlavam a Casa Branca, o Senado e a Câmara ao mesmo tempo desde o governo Dwight Eisenhower (1953-61). Conseguiram isso no governo George W. Bush (2001-9), um dos piores da História dos EUA.
Talvez o eleitorado tenha memória curta. Não quer uma repetição do impasse entre Executivo e Legislativo quando a Câmara não queria autorizar o governo Obama a elevar o teto da dívida pública dos EUA. Isso impediria o banco central de emitir novos títulos de dívida paralisando a máquina administrativa federal.
Para o economista Paul Krugman, a eleição presidencial de 2012 será um plebiscito sobre o New Deal do presidente Franklin Roosevelt (1933-45), que introduziu programas sociais para combater a Grande Depressão (1929-39), e o projeto da Grande Sociedade do governo Lyndon Johnson (1963-69), dos programas de assistência de saúde para os idosos (Medicare) e para os pobres (Medicaid), de um lado, e a onda neoconservadora que pretende acabar com tudo isso.
Krugman acredita na vitória da proteção contra a proposta de resgatar um capitalismo selvagem como se fosse a verdadeira expressão do sonho americano.
Cinegrafista de Ahmadinejad pede asilo aos EUA
Um dos cinegrafistas da delegação do Irã que participou do debate de alto nível da Assembleia Geral das Nações Unidas, sob a liderança do presidente Mahmoud Ahmadinejad, pediu asilo aos Estados Unidos, revelou hoje o advogado Paul O'Dwyer.
Hassan Golkanbhan tem o direito de ficar legalmente nos EUA enquanto seu pedido é analisado.
Hassan Golkanbhan tem o direito de ficar legalmente nos EUA enquanto seu pedido é analisado.
Historiador Eric Hobsbawm morre aos 95 anos
Um dos mais importantes historiadores do século 20, o judeu britânico Eric Hobsbawm morreu de pneumonia na madrugada de hoje aos 95 anos.
Hobsbawm escreveu mais de 30 livros, entre eles uma prestigiada História do Marxismo, outra do jazz, uma trilogia sobre o que chamou de "longo século 19" (A Era das Revoluções, A Era do Capital e A Era dos Impérios) e A Era dos Extremos - o curto século 20: 1914-91.
Ele nasceu em Alexandria, em 1917, quando o Egito era uma colônia britânica. Aos dois anos, Eric e a irmã foram para Berlim. Como ficaram órfãos na adolescência, foram adotados pelos tios, que fugiram para Londres em 1993, quando Hitler chegou ao poder na Alemanha.
Marxista convicto, dizia "nunca ter tentado diminuir os horrores que aconteceram na União Soviética". Assisti a uma de suas aulas magnas na London School of Economics, quando ele recebeu um prêmio por A Era dos Extremos.
"Tem gente que acha que Elvis está vivo. Todo ano há dois ou três jornais que dizem isso. Mas a maioria das pessoas não acredita nisso", começou Hobsbawm, rejeitando as "visões revisionistas da história que pretendem apresentar a Revolução Russa como um golpe de Estado".
Uma consequência histórica importante da revolução comunista, na visão do professor, foi o surgimento do Exército Vermelho, que derrotou "mais de 80% das tropas nazistas na Segunda Guerra Mundial". A julgar pelo desempenho do Exército Imperial da Rússia na Primeira Guerra Mundial, "sem a revolução, Hitler não teria sido derrotado".
Amigo do Brasil, esteve aqui várias, inclusive como atração principal da Festa Literária de Paraty (Flip) em 2003.
Nos últimos anos, doente, quase não saia de sua casa em Hampstead, um dos bairros preferidos da intelectualidade londrina. Estava convencido de que a crise ambiental é o grande desafio para o homem no século 21.
Hobsbawm escreveu mais de 30 livros, entre eles uma prestigiada História do Marxismo, outra do jazz, uma trilogia sobre o que chamou de "longo século 19" (A Era das Revoluções, A Era do Capital e A Era dos Impérios) e A Era dos Extremos - o curto século 20: 1914-91.
Ele nasceu em Alexandria, em 1917, quando o Egito era uma colônia britânica. Aos dois anos, Eric e a irmã foram para Berlim. Como ficaram órfãos na adolescência, foram adotados pelos tios, que fugiram para Londres em 1993, quando Hitler chegou ao poder na Alemanha.
Marxista convicto, dizia "nunca ter tentado diminuir os horrores que aconteceram na União Soviética". Assisti a uma de suas aulas magnas na London School of Economics, quando ele recebeu um prêmio por A Era dos Extremos.
"Tem gente que acha que Elvis está vivo. Todo ano há dois ou três jornais que dizem isso. Mas a maioria das pessoas não acredita nisso", começou Hobsbawm, rejeitando as "visões revisionistas da história que pretendem apresentar a Revolução Russa como um golpe de Estado".
Uma consequência histórica importante da revolução comunista, na visão do professor, foi o surgimento do Exército Vermelho, que derrotou "mais de 80% das tropas nazistas na Segunda Guerra Mundial". A julgar pelo desempenho do Exército Imperial da Rússia na Primeira Guerra Mundial, "sem a revolução, Hitler não teria sido derrotado".
Amigo do Brasil, esteve aqui várias, inclusive como atração principal da Festa Literária de Paraty (Flip) em 2003.
Nos últimos anos, doente, quase não saia de sua casa em Hampstead, um dos bairros preferidos da intelectualidade londrina. Estava convencido de que a crise ambiental é o grande desafio para o homem no século 21.
Desemprego de 11,4% é recorde na Eurozona
A taxa de desemprego dos 17 países da Zona do Euro chegou a um recorde de 11,4%, informa a Eurostat, agência oficial de estatísticas da União Europeia. No bloco todo, o índice cai para 10,5%.
O desemprego é maior na Espanha, onde 25,1% dos trabalhadores e mais da metade dos jovens não têm um emprego formal de tempo integral, o que só agrava a recessão e a crise econômica na quarta maior economia da Eurozona. A Grécia ficou em segundo, com 24,4% de desemprego, noticia o jornal The New York Times.
Hoje, uma oferta de 150 vagas de emprego em Madri levou à formação de uma fila de 15 mil candidatos.
O desemprego é maior na Espanha, onde 25,1% dos trabalhadores e mais da metade dos jovens não têm um emprego formal de tempo integral, o que só agrava a recessão e a crise econômica na quarta maior economia da Eurozona. A Grécia ficou em segundo, com 24,4% de desemprego, noticia o jornal The New York Times.
Hoje, uma oferta de 150 vagas de emprego em Madri levou à formação de uma fila de 15 mil candidatos.
Grécia vai encolher mais do que previsto em 2013
A depressão da economia da Grécia, a mais abalada pela Grande Recessão de 2008-9, não dá sinais de trégua. Depois de uma contração de 20% em cinco anos, a expectativa do próprio governo para 2013 é de uma redução de mais 3,8% no produto interno bruto grego, indica o orçamento que será encaminha hoje ao Parlamento, em Atenas.
Há poucos meses, a Comissão Europeia, orgão Executivo da União Europeia, que monitora os acordos com a Grécia ao lado do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europa, previa estagnação em 2013. Foi uma previsão otimista demais.
O novo orçamento traz cortes adicionais de 7,8 bilhões dos 13,5 bilhões de euros de economia exigidos pela chamada troika (UE, FMI e BCE) para liberar a segunda parcela de um segundo pacote de 173 bilhões de euros. Serão 10,5 bilhões de euros em cortes de despesas públicas e 3 bilhões em aumentos de impostos.
A troika acompanha a tramitação do orçamento e faz nova inspeção nas contas públicas gregas. A parcela a ser liberada, de 31,5 bilhões é necessária para a Grécia pagar suas dívidas, manter a máquina pública funcionando e recapitalizar seu debilitado setor bancário, observa o jornal The Wall St. Journal.
Há poucos meses, a Comissão Europeia, orgão Executivo da União Europeia, que monitora os acordos com a Grécia ao lado do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europa, previa estagnação em 2013. Foi uma previsão otimista demais.
O novo orçamento traz cortes adicionais de 7,8 bilhões dos 13,5 bilhões de euros de economia exigidos pela chamada troika (UE, FMI e BCE) para liberar a segunda parcela de um segundo pacote de 173 bilhões de euros. Serão 10,5 bilhões de euros em cortes de despesas públicas e 3 bilhões em aumentos de impostos.
A troika acompanha a tramitação do orçamento e faz nova inspeção nas contas públicas gregas. A parcela a ser liberada, de 31,5 bilhões é necessária para a Grécia pagar suas dívidas, manter a máquina pública funcionando e recapitalizar seu debilitado setor bancário, observa o jornal The Wall St. Journal.
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