sexta-feira, 23 de maio de 2008

Israel faz novas exigências à Síria

Através da Turquia, que intermedia as negociações de paz entre os dois países, Israel prometeu à Síria a retirada total das Colinas do Golã, ocupadas na Guerra dos Seis Dias, em 1967, mas fez novas exigências rejeitadas pelo governo sírio.

A ministra do Exterior israelense, Tzipi Livni, afirmou que a Síria precisa se afastar do Irã e parar de apoiar grupos muçulmanos fundamentalistas, como o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) palestino e a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus).

"Recebemos mensagens e promessas do governo israelense que mostram que o primeiro-ministro sabe o que a Síria quer", declarou o ministro da Informação da Síria, Mohsen Bilal, à televisão árabe especializada em notícias Al Jazira, ao comentar os três dias de negociações em Istambul. "A Síria quer a devolução integral das Colinas do Golã e a retirada de Israel para as fronteiras de 4 de junho de 1967".

A Síria exige a devolução das Colinas do Golã, ocupadas em 1967 e anexadas em 1981, e metade do Mar da Galiléia, uma importante fonte de água para Israel.

Os Estados Unidos declararam oficialmente que não se opõem às negociações, mas repetiram a acusação de que a Síria "apóia o terrorismo". A chanceler israelense usou o mesmo tom.

"Quando eles fazem essas exigências, estão estabelecendo condições para negociar a paz. O processo de paz não exige precondições", reclama o porta-voz sírio.

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse estar "pronto para fazer concessões substanciais à Síria bastante dolorosas".

Bilal rejeita o argumento: "O que os sírios estão exigindo é seu direito. Não há concessão dolorosa nenhuma em devolver uma terra que pertence à Síria".

No momento em que a retomada das negociações sírio-israelenses depois de oito anos foi anunciado, os EUA divulgaram detalhes sobre um bombardeio aéreo de Israel contra uma suposta central nuclear em construção na Síria com reator da Coréia do Norte. Foi claramente uma tentativa de bombardear a negociação, que é do interesse de Israel e não apenas uma jogada para chamar a atenção porque o primeiro-ministro está sendo acusado de corrupção.

A invasão do Iraque pelos EUA mudou o equilíbrio de forças no Oriente Médio. O grande vencedor foi o Irã. Viu desaparecer um poderoso inimigo. Conseguiu criar um arco xiita com a ascensão dos xiitas ao poder no Iraque e o fortalecimento do Hesbolá, no Líbano, especialmente após resistir à ofensiva israelense de 12 de julho a 14 de agosto de 2006, sem esquecer da vitória eleitoral do Hamas em janeiro do mesmo ano.

O Hamas não é xiita mas é um partido fundamentalista muçulmano, inspirado pela revolução islâmica no Irã, em 1979, que recebe dinheiro e outros recursos do governo iraniano.

Ao criar o Iraque, depois da Primeira Guerra Mundial, o Império Britânico juntou as províncias de Mossul, Bagdá e Bássora do extinto Império Otomano (turco), abandonando a promessa de fundar o Curdistão para criar um país suficientemente poderoso para conter o Irã, a antiga Pérsia.

O presidente George Walker Bush não estudou as lições da História. Israel aprendeu, e elas foram amargas demais.

Talvez o governo israelense, reconhecendo a ascensão do Irã como potência regional que está desenvolvendo armas nucleares, tenha considerado importante negociar com a Síria para isolar o Irã, que desponta como o grande inimigo a médio prazo de Israel.

A Síria é a questão-chave para a paz entre árabes e israelenses. Ao apoiar o Hamas e o Hesbolá, a Síria e o Irã travam uma guerra indireta contra Israel e outra no Líbano, e boicotam o processo de paz. A paz com a Síria é o melhor caminho para resolver tanto o problema palestino quanto o libanês.

Líbano elege presidente no domingo após meses

O presidente do Parlamento do Líbano, deputado xiita Nabih Berri, convocou os deputados para uma sessão destinada a eleger o comandante das Forças Armadas, general Michel Suleiman, para a presidência do país, que não tem chefe de Estado há seis meses.

Esse impasse, resultado de um ano e meio de crise política, foi superado durante esta semana pelo Acordo de Doha, mediado pela Liga Árabe.

Ditadura de Mianmar quer US$ 11 bilhões

A ditadura militar de Mianmar, a antiga Birmânia, quer uma ajuda externa de US$ 11 bilhões para reconstruir o país e ajudar os 2,5 milhões de flagelados pelo ciclone Nargis, que arrasou parte do país há 20 dias. Mas o secretário-geral da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) avisou que uma ajuda substancial vai depender de planos claros, monitoramento e transparência no uso do dinheiro e dos recursos oferecidos pela sociedade internacional.

Ontem, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, chegou a Mianmar e sobrevoou a área mais atingida pela catástrofe, o Delta do Rio Irrauade, onde viu corpos jogados pelo chão, casas, ruas e estradas destruídas.

Profundamente chocado, Ban declarou que está na hora do governo de Mianmar e a ONU elaborarem um amplo programa de ajuda para as vítimas da tragédia, que teria matado cerca de 134 mil pessoas. Pela avaliação da ONU, só 25% dos 2,5 milhões de flagelados receberam ajuda até agora.

Hoje, o secretário-geral da ONU se encontra com o chefe da Junta Militar, general Than Shwe.

A Junta Militar quer US$ 11 bilhões, mas é acusada por organizações não-governamentais de roubar os biscoitos energéticos enviados pelo Programa Mundial de Alimentos para usar em operações militares.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Petróleo chega a US$ 135 por barril na Ásia

O barril de petróleo chegou a US$ 135,04 nos negócios da manhã de hoje na Ásia. Desde o início do mês, o petróleo acumula alta de 20%.

Pelas previsões do banco de investimentos Goldman Sachs, o barril pode chegar a US$ 141 no segundo semestre do ano e a US$ 200 em 2010.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Violência mata 40 estrangeiros na África do Sul

O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, manda o Exército conter a violência contra imigrantes, que causou a morte de pelo menos 40 estrangeiros nos últimos dias. Da periferia de Joanesburgo, a maior cidade sul-africano, o conflito se propagou, chegando até a província de Kwazulu-Natal, onde um bar de um nigeriano foi atacado.

Na favela Ramaphosa, nos arredores da capital econômica do país, o dia foi mais calmo. Lixeiros e moradores procuravam objetos de valor entre os casebres incendiados pela turba. Diversos veículos da polícia patrulhavam a área.

A África do Sul vive uma crise econômica, e os estrangeiros são acusados de crimes e de tirar empregos dos sul-africanos. Os principais alvos são zimbabueanos e moçambicanos.

Centenas de moçambicanos aterrorizados voltaram para seu país.

Petróleo chega a US$ 133 por barril

Diante de expectativa de escassez de oferta que elevou para US$ 140 o preço do barril para entrega em 2016 e da queda dos estoques nos Estados Unidos, o petróleo bateu novo recorde.

O barril do tipo West Texas Intermediate chegou a ser vendido por US$ 133,82 na Bolsa Mercantil de Nova Iorque mas caiu para US$ 133,17 no fechamento. Em Londres, o barril de petróleo do tipo Brent, do Mar do Norte, foi até US$ 133,34 e fechou em US$ 132,70.

Entre as causas, está a queda do dólar mas, acima de tudo, o mercado está se convencendo de que a oferta será insuficiente para atender à procura nos próximos anos. É a Lei da Oferta e da Procura, a lei número um da economia.

Sempre atentos às flutuações do mercado, os analistas constataram um aumento do consumo de óleo diesel nas áreas arrasadas pelo Terremoto de Sichuã, na China

"Fundamentalmente, os preços do petróleo bruto estão sendo pressionados por preocupações com o suprimento de gasolina no verão do Hemisfério Norte, quando os americanos saem de férias e no aumento da demanda de óleo diesel na China, que procura aumentar o estoque antes da Olimpíada de Beijim e também por causa do terremoto da semana passada", comentou Nimit Khamar, da corretora Sucden.

Ted Kennedy tem tumor cerebral maligno

O último dos Kennedy, uma dinastia política nos Estados Unidos, está com um tumor cerebral maligno. Ted Kennedy, senador por Massachusetts, perdeu a chance de disputar a Presidência ao ser responsável pelo acidente em que morreu, em 1969, Mary Jo Kopechne, uma assessora. Ele só se apresentou no dia seguinte.

O presidente John Fitzgerald Kennedy foi assassinado em Dallas, no Texas, em 22 de novembro de 1963. O senador Bob Kennedy, ministro da Justiça do irmão e candidato a presidente em 2008, foi morto em 5 de junho de 1968, quando garantiu a candidatura ao vencer a eleição primária na Califórnia.

Ted Kennedy sobreviveu no Congresso como senador durante todo este tempo como um campeão das causas liberais, da defesa dos direitos humanos, dos direitos dos minorias à cobertura de saúde para toda a população.

É um símbolo de uma dinastia política que aparentemente não deixa herdeiros à altura.

Espanha e França prendem número um da ETA

A Guarda Civil da Espanha e Gendarmeria da França prenderam em Bordéus o número um do grupo terrorista ETA (Euskadi ta Askatasuna, Pátria Basca e Liberdade), Francisco Javier López Peña, Thierry, e outros três companheiros: Ainhoa Ozaeta Mendiondo, ex-dirigente do Herri Batasuna, o partido político da ETA, o ex-deputado basco Jon Salaberria Sansinenea e Igor Suberbiola.

Os quatro estavam armados, na França, mas não reagiram.

Obama garante maioria dos delegados eleitos

Com uma boa vitória no estado do Oregon, onde a apuração ainda está em andamento, até agora por 58%-42%, o senador Barack Obama garantiu o apoio de mais da metade dos 3.253 delegados eleitos nas prévias do Partido Democrata para escolher o candidato à Presidência dos Estados Unidos.

No discurso da vitória, o jovem senador por Illinois, de 46 anos, declarou que a candidatura "está ao alcance".

Para derrotá-lo, a senadora e ex-primeira-dama precisa que os 796 superdelegados, que não são obrigados a votar de acordo com os resultados das primárias e convenções de seus estados, virassem a mesa, ignorando o voto popular.

Hillary ganhou no Kentucky por ampla margem, 65%-30%, e insiste em que vai até o fim da temporada de eleições primárias, em 3 de junho. "Como nenhum de nós vai conseguir o número de delegados para garantir a indicação, caberá ao Partido Democrata decidir quem é o mais preparado para acabar com a guerra no Iraque e resolver a crise econômica. Vou apoiar quem quer que ela seja", brincou a ex-primeira-dama.

Obama já é encarado por todos como o candidato democrata à Casa Branca em 4 de novembro de 2008. Só Hillary ainda não se convenceu.

Mortos no terremoto na China já são 40 mil

Oito dias depois do terremoto que arrasou a província de Sichuã, na China, uma mulher foi resgatada. Ela ficou 195 horas soterrada. Ontem, pelo menos outras duas pessoas foram tiradas com vida do meio dos escombros. Mas o grande herói do dia foi um menino de nove anos, que salvou dois coleguinhas que ficaram desacordados depois do abalo sísmico.

O número oficial de mortos já passa de 40 mil. Outras 32 mil pessoas ainda estão desaparecidas. Isso implica que o total de mortos pode superar 70 mil. Mais de 247 mil feridos estão hospitalizados. Sobrecarregados, os hospitais não têm mais espaço. Estão colocando seus pacientes em barracas.

Em Wufu, os pais ficaram revoltados porque a escola primária foi um dos poucos prédios da cidade que desabou, matando a maioria dos alunos. As mães foram para a frente da escola com fotos de seus filhos e choraram.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Crianças etíopes sofrem de grave desnutrição

Mais de 126 mil crianças da Etiópia sofrem de "grave desnutrição", alerta o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Seis milhões estão ameaçadas pela fome.

Com a inflação nos preços dos alimentos e uma seca prolongada, as Nações Unidas estimam que até o final do ano 3,4 milhões dos 80 milhões de etíopes precisarão de ajuda alimentar. A segunda maior população da África é novamente ameaçada por uma fome em grande escala.

Violência mata 24 imigrantes na África do Sul

Pelo menos 24 imigrantes foram mortos nos últimos dias nas favelas da perferia de Joanesburgo, a maior cidade da África do Sul, na pior onda de violência étnica no país desde o fim do regime segregacionista do apartheid, em 1994. A maioria dos mortos é do Zimbábue e de Moçambique, países vizinhos muito mais pobres.

Com a inflação de alimentos e o alto nível de desemprego na África do Sul, de cerca de 30% da população em idade de trabalhar, os estrangeiros são acusados de crimes e de tirar os empregos dos sul-africanos. É mais uma guerra de miseráveis, os sul-africanos pobres contra exilados do Zimbábue. Uma tragédia atrás da outra.

O problema da África do Sul é que não houve um programa de políticas sociais para compensar a maioria negra pela condição de inferioridade imposta pelo apartheid.

A situação na periferia do centro econômico do país é quase tão ruim quanto sob a dominação branca. Mas há uma diferença fundamental: a polícia usou balas de borracha para conter uma turba de 700 agressores que marchavam com machados, lanças e facas, paus e porretes, em busca da redenção pelo sangue.

Um stalinista convertido à economia de mercado, o presidente Thabo Mbeki, sucessor de Nelson Mandela e ex-ministro das Finanças, concentrou-se no equilíbrio macroeconômico e no crescimento da África do Sul, que se beneficiou com o aumento nos preços dos produtos primários. Faltou uma política social efetiva para superar as desigualdades criadas pelo regime segragionista.

Mbeki já pagou pessoalmente por isso. Foi derrotado pelo ex-vice-presidente Jacob Zuma, que havia sido afastado por corrupção, na disputa pela liderança do Congresso Nacional Africano (CNA), em 18 de dezembro de 2007. Isso significa que Zuma será o candidato à Presidência em 2009, se a Justiça não o condenar no processo sobre corrupção.

Jovem comunista da elite negra sul-africana, Mbeki fugiu para o exterior quando Nelson Mandela, Walter Sisulu e seu pai, Govan Mbeki, foram presos. Thabo Mbeki passou 28 anos no exílio. Fez Mestrado em Economia na Universidade de Sussex, na Inglaterra, e trabalhou no escritório do CNA em Londres, onde havia um protesto permanente diante da Embaixada da África do Sul, na praça Trafalgar.

É um líder distante, fechado sobre si mesmo. Perdeu o contato com a realidade mais dura do sul-africano preto e pobre, que não vê sua vida melhorar o suficiente 14 anos depois das eleições que transferiram o poder à maioria negra.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

ASEAN vai levar ajuda da ONU a Mianmar

A junta militar que desgoverna Mianmar, a antiga Birmânia, finalmente consentiu. Os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático vão enviar equipes de ajuda e de avaliação das necessidades do país atingido há 17 dias pelo ciclone Nargis, com ventos de 192 quilômetros por hora.

O governo de Mianmar confirma 78 mil mortes. A estimativa do governo britânico, antiga potência colonial, vai a 200 mil.

Hillary adverte Obama a não declarar vitória

Na véspera de mais duas eleições prévias, a senadora Hillary Clinton advertiu o senador Barack Obama a não declarar vitória na disputa pela candidatura do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos.

"Isto não está nem perto de estar decidido", declarou Hillary, que fez campanha ativamente no estado de Kentucky, onde é a favorita, enquanto Obama reunia 75 mil pessoas, no maior comício da campanha até agora, em Portland, no Oregon.

Se ganhar no Oregon, Obama terá passado a metade dos delegados eleitos em eleições primárias e convenções. A única chance de Hillary seria se os chamados superdelegados, na verdade caciques do partido, deputados, senadores, governadores e altos dirigentes, optassem por ela. Mas Hillary ganhou na Virgínia Ocidental e o senador Robert Boyd anunciou o apoio a Obama.

O candidato republicano, senador John McCain, já entendeu que o adversário é Obama. Atacou a "inexperiência" do jovem senador por dizer que conversaria diretamente com inimigos dos EUA, como a Síria e o Irã.

Obama responde que McCain representa a continuação das políticas de George W. Bush em política externa, defesa e cortes de impostos.

China pára em homenagem aos 34 mil mortos

Às 14h28 pelo horário local, 3h28 em Brasília, o trânsito, as fábricas e os escritórios pararam. A China parou. Os automóveis, ônibus, trens e navios buzinavam ou apitavam em homenagem às vítimas do Terremoto de Wenchuã.

Com o total de mortos passando de 34 mil e o temor de que cresça ainda mais, a salvação de soterrados é cada vez mais rara, mas ainda sai gente viva. O último estava enterrado há mais de 180 horas.

Na primeira semana, pelo menos 200 trabalhadores nas equipes de resgate foram soterrados e mortos na operação de socorro.

Com o luto nacional de três dias iniciado na segunda-feira, pela primeira vez, a China prestou uma homenagem ao povo, às vítimas do terremoto.

Comandante das FARC se entrega na Colômbia

Uma das comandantes mais temidas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Nelly Ávila Moreno, a companheira Karina, se rendeu aos serviços secretos colombianos ontem à noite.

Karina estaria cercada pelo Exército e passando fome. Entre outros crimes de seqüestro e assassinato, ela é acusada pela morte do pai do presidente Álvaro Uribe, há 25 anos.

Em entrevista à televisão, ela sugeriu aos ex-companheiros da guerrilha que entreguem as armas e aceitem a anistia oferecida pelo presidente Uribe.

Morales dá ultimato a Petrobrás, BP e Repsol-YPF

O presidente Evo Morales deu um ultimato das empresas esstrangeiras de petróleo e gás para que aumentem seus investimentos na Bolívia, sob pena de perderem as áreas de exploração que lhes foram concedidas. Estão na mira a companhia brasileira Petrobrás, a britânica British Petroleum e a espanhola Repsol-YPF.

"Pedi aos meus ministros que preparem um decreto dando às companhias um ultimato para investir", ameaçou Morales ontem. "Se eles não investirem nas áreas onde a exploração mostrou haver petróleo e gás natural em um determinado período, vamos tomar de volta essas áreas para a [estatal] YPFB."

domingo, 18 de maio de 2008

Ben Laden exorta a romper cerco de Gaza

Em mensagem de som divulgada via Internet, o terrorista mais procurado do mundo, Ossama ben Laden, líder da rede Al Caeda, convoca os muçulmanos para romper o bloqueio de Israel à Faixa de Gaza

Ben Laden se dirigiu especialmente aos muçulmanos do Egito para trabalhar para romper com o "bloqueio injusto" que resultou em "dezenas de mortes". Também mencionou a participação de líderes ocidentais nas comemorações dos 60 anos de Israel como "prova de que os valores de justiça, liberdade e humanismo são apenas slogans usados para enganar os fracos".

Americano faz tiro ao Corão no Iraque

Um soldado americano foi punido e afastado da Guerra no Iraque por causa de uma provocação desnecessária capaz de inflamar ainda mais a infernal situação do país e a chamada guerra dos Estados Unidos contra o terrorismo. Em 11 de maio, ele fez treinamento de tiro usando uma cópia do Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, como alvo.

A profanação da sagrada escritura é especialmente grave para os muçulmanos, que acreditam que o Corão é a palavra de Alá, ditada diretamente por Deus ao profeta Maomé.

O comando militar americano pediu desculpas a líderes tribais das comunidades que participaram do treinamento. Mas é altamente improvável que os extremistas muçulmanos as aceitem.

Milhares estão sob ameaça de fome em Mianmar

Milhares de crianças correm risco de passar fome nas próximas semanas em Mianmar, a antiga Birmânia, onde a junta militar se nega a receber pessoal estrangeiro para distribuir os suprimentos recebidos como ajuda de outros países para os flagelados pelo ciclone Nargis, que arrasou a região do Delta do Rio Irrauade, há 16 dias. O alerta é da organização não-governamental Save the Children.

Há um grande frustração da sociedade internacional para resistência da ditadura militar que desgoverna Mianmar de permitir a entrada no país, por exemplo, de soldados americanos ou de um navio-hospital da Marinha da França, por medo de uma intervenção militar.

Os generais estão com a paranóia da invasão. Temem ser enquadrados na guerra contra o terrorismo. Na prática, estão aprisionando seu próprio povo, matando-o de fome e de doenças curáveis. Há diversas barreiras e pontos de controle pelas estradas, e não só para estrangeiros. A ditadura controla a movimentação dos birmaneses temendo uma revolta.

A estratégia das Nações Unidas para contornar a resistência do regime que, em 46 anos, transformou o maior exportador mundial de arroz num dos países mais pobres da Ásia é apelar para os países vizinhos da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), a China e a Índia, que mantêm boas relações com a ditadura.

No domingo, o chefe da Junta Militar, general Than Shwe, finalmente visitou as vítimas do ciclone. Mais tarde, chegou ao país o subsecretário-geral para ajuda humanitária da ONU, John Holmes, em sua primeira viagem ao país depois da tragédia. Na quarta ou quinta-feira, o secretário-geral Ban Ki Moon vai a Yangum pressionar a junta a aceitar mais ajuda internacional e permitir o acesso de estrangeiros aos locais mais distantes e de difícil acesso.

China decreta luto por 32,5 mil mortes

O governo da China decretou luto oficial de três dias em homenagem aos mortos no terremoto que arrasou a província de Sichuã, no Centro-Sul do país, há uma semana. Hoje o número oficial de mortes chegou a 32,5 mil. Cerca de 220 mil estão feridos.

Seis dias depois da tragédia, as equipes de resgate ainda conseguiram salvar duas pessoas neste domingo. Um homem preso sob os escombros de seu próprio apartamento prometeu trabalhar duro para pagar ao povo chinês pelo trabalho dos agentes da defesa civil que o resgataram.

Mas a possibilidade de encontrar mais sobreviventes diminui a cada dia e as equipes de resgate dão sinais de esgotamento. Um dos homens resgatados hoje teve as pernas amputadas.



Beichuã, evacuada no sábado por causa da ameaça de ruptura de barragens, o que causaria uma inundação, parecia hoje uma cidade-fantasma. Aos poucos, as pessoas foram voltando. Uma mulher encontra o álbum de fotografias com as imagens do filho que se foi.

No website de uma escola, há fotos da turma praticando esportes às vésperas dos exames finais, um dia antes do tremor. "Gostaria de congelar a história naquele momento", escreveu um dos colegas sobreviventes. "Espero que realizem seus sonhos no paraíso".

Último dos Kennedy é hospitalizado

O senador Ted Kennedy teve duas convulsões na casa da família em Cape Cod e foi levado com urgência para o Hospital Geral de Massachusetts, em Boston, sob suspeita de ter sofrido um acidente vascular cerebral.Mas aparentemente não é nada mais grave.

Ted Kennedy, senador por Massachusetts, base política da mais importante dinastia política americana, é o irmão mais moço do presidente John Kennedy, assassinado em 1963, e do senador Bob Kennedy, assassinado em 1968 quando era favorito para a Presidência dos Estados Unidos.

No ano seguinte, Ted, alcoolizado, foi responsável por um acidente em que morreu Mary Jo Kopechne, em 18 de julho de 1969, com quem o senador estaria tendo um caso. Isso enterrou a candidatura à Presidência. Ele permaneceu no Senado, como um dos expoentes da ala mais liberal e esquerdista do Partido Democrata, sempre atento em defesa das causas sociais negligenciadas por governos conservadores.

Iraque prende mil suspeitos de ser da Al Caeda

Na ofensiva para tomar o último grande bastião da rede terrorista Al Caeda no Iraque, as forças do governo iraquiano prenderam ontem pelo menos 1.068 suspeitos na cidade de Mossul, no Norte do país.

Cientistas alertaram para risco de terremoto

A população chinesa poderia ter alertada do pior terremoto a atingir o país em mais de 30 anos. No ano passado, a revista científica especializada Tectonics um publicou artigo advertindo que as falhas geológicas da província de Sichuã eram "suficientemente grandes para provocar um grande terremoto".

Uma equipe de geólogos formada pelos professores Alexander Densmore, da Universidade de Durham; Mike Ellis, chefe de pesquisas científicas sobre mudança do clima da Sondagem Geológica Britânica; e colegas de institutos de pesquisa de Chengdu, a capital de Sichuã, mapearam a analisaram uma série de novas falhas.

Com base em técnicas de geomorfologia tectônica, os pesquisadores mapearam as áreas densamente povoadas e as montanhas adjacentes. Esta técnica revelou mudanças significativas na superfície da terra como desvios no curso dos rios, alterações nas planícies aluviônicas e no formato dos vales e soerguimento de novos elementos na paisagem.

O tremor da segunda-feira passada ocorreu sob algumas das mais íngremes e escarpadas montanhas da Terra, Longmen Shan, as Montanhas do Portão do Dragão. Esta cordilheira, mais íngreme do que o Himalaia, é a borda voltada para cima do limite oriental do planalto tibetano, que se elevou 5 mil metros em função da lenta mas inexorável colisão da Índia com a Ásia, que começou há cerca de 55 de milhões de anos e continua até hoje.

Duas falhas geológicas que seguem ao longo de quase toda a extensão das Montanhas do Portão do Dragão mostram sinais evidentes de terem deslizado ao longo de milhares, talvez centenas, de anos. Às vezes, são frações de milímetro por ano ou alguns milímetros. O movimento em uma destas falhas deve ter causado o terremoto que pode ter matado 60 mil pessoas.

sábado, 17 de maio de 2008

Obama rebate ataques de Bush

Em tom irônico, numa tentativa de virar o jogo, o senador Barack Obama, virtual candidato do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos, respondeu aos ataques do presidente George W. Bush, que chamou de "apaziguadores" a quem sugere negociar com a Síria, o Irã e o Hamas (Movimento de Resistência Islâmica), comparando-os com quem queria negociar com Hitler antes da Segunda guerra Mundial..

"Então George Bush vai ao aniversário de Israel e nos acusa de sermos iguais aos apaziguadores do nazismo", provocou Obama.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Japão acresce acima da expectativa

O Japão, segunda maior economia do mundo, cresceu 0,8% no primeiro trimestre do ano, acima das expectativas do mercado, indicando que não sofreu um grande impacto com a crise e a desaceleração da economia dos Estados Unidos.

A taxa de crescimento anual está em 3,3%, um pouco abaixo dos 3,5% do final de 2007, mas muito acima dos outros países ricos. Ontem a Alemanha, terceira maior economia do mundo, festejou uma taxa anual de 1,9%.

No Japão, o crescimento foi puxado pelas exportações e pelo consumo interno.

Petróleo bate recorde a quase US$ 128

Com o incêndio do oleoduto na Nigéria e o fracasso na tentativa do presidente George W. Bush em convencer a Arábia Saudita, maior exportador mundial, a aumentar a produção, os preços internacionais do petróleo quebram novos recordes nesta sexta-feira, 17 de maio de 2008.

Na Bolsa Mercantil de Nova Iorque, o barril chegou a US$ 127,82 e terminou o dia em US$ 126,29, fechando pela primeira vez acima de US$ 126.

Reino Unido estima mortes em Mianmar em 200 mil

A junta militar que desgoverna Mianmar, a antiga Birmânia, elevou para 78 mil o número total de mortos e para 56 mil o de desaparecidos no ciclone Nargis, há duas semanas. Mas o governo da Grã-Bretanha, a antiga potência colonial que dominou o país, estima que o total chegue a 200 mil.

Apesar dos renovados apelos de organizações internacionais, a ditadura militar birmanesa insiste em que a operação de socorro aos 2,5 milhões de flagelados vai bem e não precisa da ajuda de pessoal externo.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, considerou "desumano" o que os generais birmaneses estão fazendo com seu próprio povo, ao não oferecer o máximo de ajuda possível.

Na Tailândia, o comissário europeu para desenvolvimento e ajuda humanitária, Louis Michel, manifestou mais uma vez a frustração da União Européia: "Queremos ajudar. Nenhum país é capaz de lidar sozinho com uma tragédia dessas dimensões."

Mais quatro aviões militares de transporte C-130 dos Estados Unidos pousaram hoje em Yangum. Metade da carga será entregue diretamente a organizações não-governamentais, declarou Sean McCormack, porta-voz do Departamento de Estado, acrescentado que haveria progresso nas negociações para obter mais vistos para estrangeiros entrarem em Mianmar.

O embaixador da França nas Nações Unidas acusou a ditadura de estar à beira de um "crime contra a humanidade" por não autorizar a entrada no país de um navio francês equipado com helicópteros, pequenos botes e um hospital de campanha: "É operado pela Marinha francesa mas não é um navio de guerra. Ainda estamos tentado conseguir autorização. Espero que não recusem."

China entrou em alerta por vazamento radioativo

O Ministério do Meio Ambiente da China chegou a entrar em estado de alerta com medo de um vazamento de radiação que poderia ter ocorrido com o terremoto que arrasou a província de Sichuã, no Sul do país. A visita do presidente Hu Jintao à região nesta sexta-feira foi interpretada como uma indicação de que o risco é baixo.

Não há usinas nucleares em Sichuã mas laboratórios que desenvolvem as armas nucleares chinesas. Os Estados Unidos fizeram monitoramento (ou espionagem) via satélite e não detectaram nenhum vazamento.

Hoje o total oficial de mortos subiu para mais de 22 mil. Pode chegar a 60 mil porque há dezenas de milhares de soterrados ou desaparecidos. Cerca de 16 mil pessoas foram resgatadas.

Zimbábue marca segundo turno para 27 de junho

O governo do Zimbábue marcou para 27 de junho o segundo turno da eleição presidencial e finalmente o presidente Robert Mugabe reconheceu a derrota no primeiro turno, em 29 de março.

A oposição, que declarou vitória e acusa o governo de ter fraudado o resultado do primeiro turno, confirmou hoje que vai disputar o segundo turno.

Em visita ao Reino Unido, Morgan Tsvangirai, candidato do Movimento pela Mudança Democrática (MDC), declarou que voltará ao Zimbábue para disputar o segundo turno, apesar das ameaças. Ele fez um apelo à Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral para que enviei monitores para fiscalizar a campanha e evitar a violência de partidários do governo para intimidar oposicionistas.

Mugabe advertiu seu partido, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF) de que não se esforçou suficientemente para vencer no primeiro turno. Foi complacente e agora precisa mudar. Não vê seus próprios erros, como uma economia que já foi um celeiro da África em ruínas, com inflação de 165.000% ao ano.

Há fortes razões para temer que será uma campanha violenta.

Etiópia quer logo para promover café de luxo

O governo da Etiópia contratou uma pequena empresa de design britânica, a Brandhouse (Casa da Marca) para criar um logotipo para vender seu café como artigo de luxo. Quer estabelecer uma reputação de café de alta qualidade como champanhe francês, caviar russo ou charutos cubanos.

Justiça da Califórnia autoriza casamento gay

O Tribunal de Justiça do Estado da Califórnia, nos Estados Unidos, decidiu ontem que não há impedimento legal para o casamento de homossexuais. É o segundo estado americano a fazer isso, depois de Massachusetts.

A medida deve deflagrar um amplo debate nos EUA e colocar mais um tema de alto apelo religioso e emocional na campanha para a eleição presidencial de 4 de novembro.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Computador das FARC não foi manipulado

A Interpol concluiu que o governo da Colômbia não manipulou os arquivos dos computadores apreendidos no acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) no Equador, onde morreu, em 1º de março de 2008, o subcomandante Raúl Reyes. Isso comprova o apoio político e financeiro do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ao grupo guerrilheiro colombiano.

Bush ataca Obama no aniversário de Israel

Ao discursar na Knesset para celebrar os 60 anos de Israel, o presidente George Walker Bush aproveitou para cutucar o candidato do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos, senador Barack Obama, que defende o diálogo e a negociação com países considerados inimigos dos EUA, como o Irã e a Síria, chamando-o de um "apaziguador".

"Algumas pessoas acham que devemos negociar com inimigos que querem nos matar, como se fosse possível convencê-los de que o que faziam até agora estava errado", argumentou Bush. "Isso me lembra que, quando a Alemanha invadiu a Polônia [iniciando a Segunda Guerra Mundial], um senador americano disse: 'Eu deveria ter conversado com Hitler'."

Bush tenta apresentar Obama como ingênuo e despreparado para o poder, para ser o comandante-em-chefe de um país em guerra. Está defendendo sua guerra no Iraque e tentando dar o tom da campanha republicana. É uma antiga estratégia pintar os democratas como fracos em defesa e segurança nacional.

A História não autoriza essa distinção.

Além do mais, com a impopularidade de Bush, comprar uma briga com o presidente não é mau negócio para nenhum candidato. A estratégia democrata é tentar colar o candidato do Partido Republicano, senador John McCain, no presidente Bush.

McCain é a favor da guerra e prometeu vitória no Iraque em quatro anos. "Em 2013, as tropas estarão voltando para casa orgulhosas por terem defendido a liberdade deste país", delirou McCain, tentando apagar um recado anterior. Ele disse que os EUA poderiam ficar cem anos no Iraque.

A guerra é impopular. Ao marcar prazo, McCain age como político manhoso e enganoso. Como ex-militar, veterano da Guerra do Vietnã, onde ficou preso quase seis anos no Vietnã do Norte, sabe que não dá para marcar prazo para acabar com uma guerra.

É demagogia de um candidato fraco que luta para aparecer enquanto os pré-candidatos do outro partido não saem do noticiário porque a disputa entre eles só agora está acabando.

Itália prende imigrantes ilegais e prepara expulsão

Para começar, pouco após a posse, o governo da direita presidido pelo primeiro-ministro Silvio Berlusconi anuncia a ter prendido centenas de imigrantes ilegais para expulsá-los da Itália.

"Nossa atividade nos últimos sete dias resultou na prisão de 383 pessoas, das quais 268 não eram italianas, eram de outros países da União Européia ou do resto do mundo", declarou em Roma o diretor de do Departamento de Operações Centrais da Polícia, Gilberto Caldarozzi.

"Quanto às expulsões, foram 53. Os ilegais foram levados até a fronteira. Outras 65 pessoas foram levadas para centros de detenção provisória", acrescentou o delegado.

Berlusconi voltou ao poder prometendo cortes de impostos, empregos, a retomada do crescimento econômico e o combate ao crime, que os partidos de sua coalizão de direita - formada com a neofascista Aliança Nacional e a separatista Liga Norte -, atribuem aos imigrantes pobres.

Seu governo prepara novos projetos de lei sobre imigração e expulsão dos que violam a lei.

"Todos os crimes estão envolvidos de alguma forma com o fenômeno mais amplo da imigração ilegal", declarou o diretor do departamento de polícia criminal, Francesco Gratteri. "São crimes como tráfico de pessoas, exploração da prostituição, crimes contra a propriedade, como furtos, roubos e invasão de propriedades, e crimes relacionados a drogas. Todos esses são crimes que causam um crescente alarme da sociedade."

Os presos são da Europa Oriental, Albânia, Grécia, Norte da África e China. As acusações contra eles são de entrada ilegal na Itália a prostituição, roubo e tráfico de drogas.

Junta de Mianmar admite 72 mil mortes

O número oficial de mortos pelo ciclone Nargis já está em 43 mil. Outras 29 mil pessoas estariam desaparecidas. A Cruz Vermelha Internacional estima o total de mortes em até 100 mil.

China admite que terremoto afetou 10 milhões

A China declarou hoje que 10 milhões de pessoas foram atingidas, na segunda-feira, pelo pior terremoto ocorrido no país desde 1976. O presidente Hu Jintao visitou nesta sexta-feira (pelo horário chinês) a província de Sichuã.

Os números são impressionantes. Já foram confirmadas cerca de 20 mil mortes. Outras 40 mil pessoas estariam soterradas ou desaparecidas. Os feridos são 102 mil. Mais de 4,3 milhões de casas foram destruídas ou estão condenadas; 391 barragens, danificadas. O prejuízo total é avaliado em US$ 20 bilhões.

Sessenta horas depois da tragédia, as equipes de resgate ainda tiraram velhos e crianças vivos do meio dos escombros. Mais de 130 mil homens trabalham no socorro às vítimas. Mais de 35 vilas da província de Sichuã ainda não foram contactadas.

Com mais 90 helicópteros militares a mais colocados em serviço por ordem do primeiro-ministro Wen Jiabao, 130 mil soldados do Exército Popular de Libertação e agentes da defesa civil fazem a maior operação de resgate da História.

Hesbolá reabre acesso ao aeroporto de Beirute

Um acordo negociado pela Liga Árabe entre o governo e a oposição do Líbano permitiu hoje a reabertura dos caminhos de acesso ao aeroporto de Beirute, bloqueados há oito dias pela milícia fundamentalista xiita Hesbolá.

O governo recuou, atendendo às exigências do mais poderoso exército privado libanês. A milícia xiita mantém sua rede de telecomunicações particular e a chefia da segurança do aeroporto da capital do Líbano.

Em troca, todas as milícias devem sair das ruas, a serem ocupadas pelo Exército do Líbano.

Imediatamente, retroescavadeiras começaram a remover montanhas de areia que bloqueavam as estradas e avenidas de acesso ao aeroporto.

Índice de preços da FAO caiu em abril

O índice dos preços internacionais dos alimentos calculado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentos (FAO) apresentou uma pequena queda em abril depois de um ano e três meses de alta e de subir 52% em um ano.

A queda foi de 217 em março para 216,7 em abril de 2008. Um ano antes, o índice de preços da FAO estava 141,7. Houve redução nos preços de acúçar, arroz, soja e trigo, entre outros produtos.

Os analistas observam que as causas da crise mundial de alimentos são estruturais. É provável que seja um alívio passageiro. Mas é um alívio.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Atentado suicida mata 22 no Iraque

Um atentado terrorista suicida matou 22 pessoas que participavam de um funeral em Abu Ghraib, perto de Bagdá. Uma jovem terrorista suicida matou mais duas pessoas ao atacar um posto de polícia na capital do Iraque.

Nos combates de forças americanas e iraquianas contra o Exército Mehdi, a milícia xiita do aiatolá Muktada al-Sader, na periferia de Bagdá, pelo menos oito pessoas morreram e outras 36 foram feridas.

Enquanto isso, o primeiro-ministro Nuri al-Maliki foi para Mossul, no Norte do Iraque, comandar pessoalmente um suposto assalto final ao último bastião da rede terrorista Al Caeda no país. Como o grupo de Ossama ben Laden estaria sendo derrotado, os Estados Unidos reduziram o prêmio pela captura ou morte de seu líder de US$ 5 milhões para US$ 1 milhão, sob a alegação de que não é mais revelante.

Para o secretário da Defesa dos EUA, Robert Gates, a Guerra do Iraque é um exemplo dos dois tipos de guerra que o país terá de enfrentar no futuro, a guerra convencional e a chamada guerra assimétrica, muitas vezes contra um inimigo oculto.

Mas um artigo publicado na revista americana Newsweek adverte para o risco de libanização do Iraque: "um Estado semifalido com um governo formado por tantas facções que o país se torna ingovernável, os vizinhos que usam o território para travar guerras indiretas através de milícias sectárias e há uma alternância de períodos de guerra e de paz, às vezes da maneira totalmente inesperada".

ONU diz que Mianmar tem 2,5 milhões de flagelados

A Cruz Vermelha estimou hoje em até 128 mil o total de vítimas e as Nações Unidas elevaram para até 2,5 milhões sua estimativa sobre o número de flagelados pela passagem do ciclone Nargis há 11 dias em Mianmar, a antiga Birmânia. Mas a ditadura militar que desgoverna o país há 46 anos insiste em não aceitar a presença estrangeira e já é acusada por organizações não-governamentais de roubar os alimentos enviados para as vítimas da tragédia.

Depois de um encontro de duas horas em Yangum entre os primeiros-ministros da Tailândia, Samak Sundaravej, e de Mianmar, Thein Sein, coube ao chefe de governo tailandês mandar a mensagem da junta militar mianmarense: "Mianmar é um país de 60 milhões de habitantes. Tem governo, povo e setor privado que podem resolver o problema sozinhos. Não há fome nem epidemias no país."

O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, David Miliband, herdeiro da corrente de Tony Blair no Partido Trabalhista britânico, ameaçou mais uma vez usar a força.

A ONU está negociando com a Tailândia a abertura de um corredor terrestre para entregar a ajuda aos milhões de flagelados, já que o regime militar de Mianmar rejeitou a proposta de abertura de um corredor aéreo e marítimo.

Mais cinco aviões militares de transporte dos Estados Unidos levaram suprimentos hoje para Yangum. Até agora, houve oito vôos com ajuda americana, no total de 90 toneladas. Mas a junta rejeitou a entrada no país da Marinha dos EUA.

"Água, comida, equipamento sanitário, suprimentos médicos e material para fazer abrigos estão chegando ao país em quantidades cada vez maiores", declarou o subsecretário-geral da ONU para ajuda humanitária, John Holmes. "A questão é quanto desta ajuda está chegando às áreas e pessoas afetadas. O quadro não é muito claro."

Sem a ajuda de estrangeiros, o socorro às vítimas é mais lento. Aumenta o risco de epidemias: "Os especialistas dizem que entre 10 a 14 dias depois de um desastre desses, quando as condições são insanas e as pessoas não recebendo a ajuda que necessitam, comida, água limpa e abrigo, e se juntam para enfrentar a situação, uma doença pode se propagar rapidamente."

Corriam rumoes pelas ruas de Yangum nesta quarta-feira que a junta militar trocou os biscoitos energéticos enviados pelo Programa Mundial de Alimentos da ONU, que contêm todos os nutrientes e vitaminas necessários para pessoas em situação de emergência, por biscoitos comuns de água e sal. Teria guardado o melhor para os militares de Mianmar.

Para agravar ainda mais uma situação que já é trágica, outra grande tempestade que pode se transformar num ciclone tropical está se formando na região e deve cruzar o Delta do Rio Irrauade, arrasado pelo ciclone Nargis.

Mortos em terremoto na China já são 15 mil

Sobe para cerca de 15 mil o total de mortos pelo terremoto que abalou a província de Sichuã, no Sul da China, há dois dias. Mais de 100 mil soldados do Exército de Libertação Nacional participaram de uma luta contra o relógio para tentar salvar sobreviventes presos entre os destroços ou isolados em vilas e cidades arrasadas.

Uma grande preocupação é com 391 que teriam sido danificadas. Dois mil soldados foram enviados para tentar evitar a ruptura da represa de Zipingpu, perto de Dujianguiã. É uma barragem muito antiga.

Do lado de pelo menos 12 escolas arrasadas, os pais esperam ansiosamente por seus filhos, vivos ou mortos. A desgraça é ainda maior por causa da política de controle da natalidade que só permite a cada casal chinês ter um único filho.

Só agora as equipes conseguem chegar ao epicentro do tremor, em Wenchuã. Um agente da defesa civil declarou à televisão que um terço das casas foram destruídas e 90% danificadas.

Inflação nos EUA foi de 0,2% em abril

O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos registrou um aumento médio de 0,2% em abril, e o núcleo da inflação, excluídos os preços de energia e alimentos, ficou em 0,1%, resultados bem melhores do que previam os economistas,

A inflação anual da maior economia do mundo está em 3,9%. O núcleo, índice que o Federal Reserve Board, o banco central observa para tomar decisões sobre taxas de juros, ficou em 2,3%.

terça-feira, 13 de maio de 2008

ONU propõe corredor de ajuda a Mianmar

As Nações Unidas pediram hoje à ditadura militar que desgoverna Mianmar que abra um corredor aéreo e marítimo para permitir a distribuição de ajuda humanitária a cerca de 1,5 milhão de flagelados pela passagem pelo Sul do país do ciclone Nargis há 10 dias.

O Conselho de Ministros da União Européia declarou que "todos os meios possíveis" devem ser usados para levar ajuda aos necessitados. Em linguagem diplomática, isso inclui o uso da força militar.

Hoje, dez dias depois da tragédia, chegou à antiga Birmânia o primeiro avião com ajuda da organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras.

As ONGs reclamam da falta de liberdade para transitar pelo país e chegar até as regiões mais atingidas. Só 30% dos flagelados teriam recebido ajuda.

China luta para salvar 28 mil soterrados

Já passa de 13 mil o total oficial de mortos pelo terremoto de 7,9 graus na escala aberta de Richter que abalou na segunda-feira a província de Sichuã, no Sul da China. Mais de 60 mil soldados do Exército Popular de Libertação foram mobilizados para a operação de socorro, prejudicada por chuvas fortes.

As estimativas do total de soterrados variam muito. Seria pelo menos 28 mil. A cada dia, diminui a esperança de encontrar mais gente viva. Só em Mianiã haveria 19 mil soterrados. Em Wenchuã, no epicentro do tremor, haveria 60 mil pessoas desaparecidas.

Algumas crianças foram resgatadas da escola em Dujianguiã onde havia 900 estudantes na hora da tragédia. Durante toda a noite, as equipes de resgate procuraram vítimas entre os escombros. Mas houve menos de cem sobreviventes. Os pais choravam seus filhos mortos. Com a política de um filho só para controlar o crescimento da população, a tragédia das famílias chinesas é ainda maior, é a morte do filho único.

Em visita aos locais mais afetados, o primeiro-ministro Wen Jiabao disse que o momento é de lutar para salvar vidas.

Hillary vence primária na Virgínia Ocidental

Depois de uma vitória boa mas irrelevante na eleição primária da Virgínia Ocidental, a senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton reafirmou sua intenção de continuar disputando a candidatura do Partido Democrata à Casa Branca, enquanto seu rival, o senador Barack Obama, volta sua artilharia contra o candidato republicano, senador John McCain.

Com os resultados de 92% das seções eleitorais, Hillary tinha 67% contra 26% para Barack Obama.

A Virgínia Ocidental manda apenas 24 delegados para a Convenção Nacional do Partido Democrata que vai oficializar a candidatura à Presidência. Hillary está derrotada mas conseguiu ferir Obama, especialmente ao levantar a questão racial.

Na verdade, o maior abalo à candidatura do jovem senador por Illinois veio da revelação das gravações dos discursos raivosos do turbulento reverendo Jeremiah Wright, que foi pastor da igreja freqüentada por Obama durante 20 anos, que casou o senador e batizou seus filhos.

Suas pregações acusando os Estados Unidos de terrorismo, o governo americano de disseminar a aids para diminuir a população negra e responsabilizando o país pelos atentados de 11 de setembro de 2001 deram vasta munição aos conservadores. A Fox TV, do magnata da mídia Rupert Murdoch, o Cidadão Kane do século 21, discutiu exaustivamente os discursos e a inevitável relação de Obama com o pastor.

Hillary colocou a questão racial na campanha claramente ao declarar que Obama é fraco entre o operariado e a classe média baixa brancos com pouca instrução, um eleitorado conservador do Partido Democrata que no passado apoiou, por exemplo, Ronald Reagan. Entre os latino-americanos e os velhos, Hillary também leva vantagem.

Mas as últimas pesquisas para a eleição presidencial de 4 de novembro indicam a vitória de qualquer dos candidatos democratas sobre McCain.
As pesquisas de boca-de-urna na Virgínia Ocidental indicam que 35% dos eleitores de Hillary preferem

Ataque terrorista mata 80 na Índia

Uma série de oito explosões em 12 minutos matou pelo menos 80 pessoas e feriu outras 150 pessoas em Jaipur, na Índia. O governo indiano está tratando o caso como terrorismo. Suspeita do grupo fundamentalista Harkut-ul-Jehadi Islami, com sede em Bangladesh.

A polícia acredita que as bombas foram levadas em bicicletas. O ataque aconteceu no início da noite, no Bazar Tripolia, que fica na Cidade Antiga de Jaipur, cercada de muralhas.

Em Nova Déli, o Ministério do Interior da Índia condenou o atentado e ofereceu toda ajuda ao governo estadual do Rajastão.

Foi o 21º atentado terrorista em três anos na Índia, fora do estado de Jamu e Caxemira, onde um grupo muçulmano luta para anexar a Caxemira ao Paquistão.

EUA enviam toneladas de comida à Coréia do Norte

Os Estados Unidos vão mandar 500 mil toneladas de alimentos à Coréia do Norte, em um novo acordo que dá aos americanos um controle inédito sobre sob a distribuição da comida.

Enquanto o governo vai contribuir com 400 mil toneladas a serem enviadas pelo Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas, organizações não-governamentais vão distribuir 100 mil toneladas. O presidente George Walker Bush deve assinar a medida nos próximos dias.

A primeira parte da remessa, 50 mil toneladas, será entregue em junho.

Em uma mudança de comportamento, o regime stalinista norte-coreano vai autorizar um número muito maior de monitores para fiscalizar a distribuição dos alimentos, ao contrário do que está fazendo a ditadura de Mianmar, a antiga Birmânia.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Inflação chinesa é a maior em 12 anos

O índice de crescimento de preços ao consumidor atingiu uma taxa anual de 8,5% em abril na China, o ritmo mais forte dos últimos 12 anos.

As maiores altas foram nos preços dos alimentos, que subiram em média 22,1%.

Terremoto mata cerca de 10 mil na China

Um tremor de terra de 7,8 graus na escala aberta de Richter abalou fortemente a província de Sichuã, no Sul da China, matando cerca de 10 mil pessoas. O primeiro-ministro Wen Jiabao foi à região atingida coordenar a operação de socorro pessoalmente.

Com epicentro a 100 quilômetros ao sul de Chengdu, a capital da província, o terremoto destruiu 80% dos prédios nas áreas mas afetadas.

Pelo menos oito escolas e um hospital desabaram. Em uma escola, cerca de 900 crianças foram soterradas.

O governo chinês mobilizou imediatamente milhares de soldados do Exército Popular de Libertação. Em Dujianguiã, uma das cidades mais castigadas, o primeiro-ministro Wen anunciou que mil homens estavam tentando resgatar vítimas soterradas, enquanto uma tropa de elite de 180 especialistas seguia para reforçar as equipes de resgate.

Mianmar trata flagelados como presos

A oposição acusa a ditadura militar de Mianmar de tratar como presos os flagelados pelo ciclone Nargis, que açoitou o país há nove dias, matando até 100 mil pessoas e deixando 2 milhões desabrigadas. Elas são mantidas em campos sob total vigilância, com visitas limitadas, na presença de agentes do regime.

Aliança pró-ocidental vence eleições na Sérvia

A coligação pró-ocidental, a favor da integração do país na União Européia, obteve uma vitória surpreendente nas eleições parlamentares da Sérvia, apesar da rejeição popular à independência do Kossovo, reconhecida pelos Estados Unidos e as principais potências da Europa.

O resultado foi festejado em Belgrado, a capital da Sérvia, onde carros circularam com as bandeiras sérvia e da UE.

"Neste momento, é importante dizer que os cidadãos da Sérvia confirmaram claramente, sem sombra de dúvida, que a Europa é o caminho para a Sérvia", festejou o presidente Boris Tadic, que assinou um pré-acordo de adesão à UE semanas antes da eleição.

Foi uma aposta arriscada. Se derrotassem a coalizão Por uma Sérvia Européia, os sérvios estariam fechando as portas da UE, cheias de oportunidades de emprego, para si mesmos.

A ex-república iugoslava da Eslovênia, que ocupa neste semestre a presidência rotativa da União Européia, saudou a "clara vitória" de uma aliança com "uma agenda européia clara".

"Os sérvios escolheram a Europa. Depois destas eleições, vamos trabalhar pelo futuro da Sérvia dentro da UE", comemorou o ministro das Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner. "A Sérvia sabe que pode contar com a França e a Europa".

Mas a coligação liderada pelo Partido Democrático, do presidente Tadic, teve 39% dos votos. Não obteve maioria absoluta.

"É preciso formar um governo o mais rapidamente possível", declarou o presidente a seus partidários no discurso da vitória."Não podemos voltar ao isolamento do passado."

O ultranacionalista Partido Radical Sérvio, herdeiro das idéias políticas que destruíram a Iugoslávia em guerras sangrentas durante a ditadura de Slobodan Milosevic (1989-2000), advertiu que é cedo para festejar. A coalizão pró-UE pode não conseguir formar um governo.

Pelas projeções de institutos independentes, os radicais devem ter 28% dos votos. O grande derrotado é o ex-primeiro-ministro Vojislav Kostunica, que derrotou Milosevic na eleição presidencial de 2000. Agora, ele rompeu a coalizão com Tadic, dissolveu o parlamento e antecipou as eleições por não aceitar a independência do Kossovo.

domingo, 11 de maio de 2008

Gaza enfrenta escuridão por falta de energia

Com sua usina geradora de eletricidade fechada e sem combustível porque Israel não entrega nada há quatro dias, a Faixa de Gaza, onde vivem 1,5 milhão de palestinos, enfrentou vários apagões neste domingo, enquanto o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, responsabilizava o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) pelos ataques com foguetes disparados de Gaza e ameaçava impor a "calma" à força.

"O Hamas é a força dominante em Gaza. É responsável por todos os ataques e por todas as conseqüências de suas atividades", advertiu Olmert. "Não vamos aceitar esta realidade. Ela tem de mudar. Ou há calma ou Israel vai usar tamanha força que vai impor a calma."

Três bombardeios aéreos israelenses mataram pelo menos cinco militantes do Hamas no sábado, depois que cerca de 20 foguetes palestinos atingiram o território israelense.

"Estamos numa crise muito séria", lamentou o porta-voz da companhia de energia elétrica, Jamal al-Dardasawi. "Com a usina fechada, estamos recebendo apenas 120 megawatts de Israel. Precisamos de cerca de 250MW. Há um déficit de mais de 50%".

A usina fornece cerca de 30% das necessidades do território, a maior parte vem de Israel e o Egito fornece o resto.

Na tarde de domingo, as padarias da Cidade de Gaza fecharam por falta de eletricidade para esquentar seus fornos.

Ajuda lenta agrava tragédia em Mianmar

Especialistas em ajuda de emergência contra catástrofes naturais - ainda proibidos de entrar em Mianmar, a antiga Birmânia, nove dias depois do ciclone Nargis, que arrasou o país matando cerca de 100 mil pessoas -, advertem que podem ser necessárias semanas para atingir muitas vítimas por causa da infra-estrutura precária do país.

Cerca de 1,5 milhão de flagelados, dos quais 200 mil estariam se concentrando em acampamentos ao longo da costa do Oceano Índico, correm sério risco de pegar malária, cólera e outras doenças capazes de matar. Para a organização não-governamental britânica Oxfam (Oxford Famine Relief), o maior problema é a contaminação da água por cadáveres em estado de putrefação.

"Uma catástrofe natural está se transformando numa tragédia ainda maior por causa da negligência maligna do regime militar", alertou o secretário do Exterior britânico, David Miliband.

No aeroporto de Yangum, a ajuda continua a ser descarregada manualmente dos aviões que chegam com suprimentos para as vítimas do ciclone.

A possibilidade de revolta popular também aumenta, embora os rumores divulgados até agora não tenham sido confirmados. Mas o desespero dos flagelados cresce. Muitos estariam vagando em busca de água e comida.

Sudão rompe relações com o Chade

Depois de um ataque de rebeldes contra a capital, Cartum, o governo do Sudão rompeu relações diplomáticas com o vizinho Chade, acusando-o de apoiar o Movimento por Justiça e Igualdade (JEM, do inglês).

Centenas de rebeldes atacaram no sábado, 10 de maio de 2008, o bairro de Omdurman, na capital sudanesa. The government said Sudanese security forces successfully routed them.

"Essas forças vem do Chade. São treinadas e financiadas pelo governo chadiano", denunciou o presidente sudanês, Omar Bachir, advertindo que seu país "se reserva o direito de responder ao ataque".

Omar Bachir destacou que historicamente sudaneses e chadianos se consideram membros de uma mesma nação, dividida pelo colonialismo, "mas agora somos forçados a romper com esse regime fora-da-lei".

O governo do Chade rejeita as acusações. Em março, os dois países assinaram um pacto de não-agressão, depois de uma ofensiva de rebeldes chadianos saídos do Sudão contra Ndjamena, o capital do Chade, em 1º de fevereiro.

De 1955 a 1972, o Sudão viveu sob uma guerra civil entre o governo muçulmano e rebeldes cristãos e animistas. Essa guerra recomeçou em 1983 e foi até 2005, quando foi assinado um acordo de paz entre o regime fundamentalista de Cartum e o Exército Popular de Libertação do Sudão (EPLS).

No final das negociações, os rebeldes da Província de Darfur se rebelaram contra o acordo, abrindo nova frente de combate no Oeste do Sudão. Desde então, o governo de Cartum perpetrou um genocídio na província rebelde, onde as Nações Unidas estimam que pelo menos 300 mil pessoas foram mortas e 2,5 milhões desalojadas.

Ditadura anuncia vitória em Mianmar

Apesar da tragédia que pode ter matado 100 mil pessoas há oito dias, a ditadura que desgoverna Mianmar realizou ontem na maior parte do país um referendo sobre reformas constitucionais, aprovado, segundo a apuração oficial, por 89% dos votantes. Nas áreas mais atingidas, a votação será realizada daqui a duas semanas.

As reformas dão amplos poderes aos militares para intervir na vida política do país quando bem entenderem, reservam 35% das cadeiras no parlamento para militares e impedem a candidatura da líder da oposição, Aung San Suu Kyi, mantida sob prisão domiciliar.

sábado, 10 de maio de 2008

Hesbolá se retira de Beirute

A milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus) se retirou hoje do setor oeste de Beirute, ocupado em seguida pelo Exército do Líbano, depois de um conflito de três dias entre partidários do governo e da oposição que terminou com pelo menos 37 mortes. Mas deixou claro que pode voltar quando quiser.

O conflito começou há quatro dias, quando o governo mandou desmantelar o sistema de telecomunicações do Hesbolá e mudar o chefe de segurança do aeroporto do capital libanesa, dois atos considerados uma declaração de guerra pelo líder da milícia, xeque Hassan Nasrallah.

Agora, a oposição muçulmana liderada pelo Hesbolá e apoiada pela Síria e pelo Irã promete manter uma campanha de "desobediência civil" como tática para pressionar o governo do primeiro-ministro Fouad Siniora a pedir demissão.

Esse impasse entre governo e oposição já dura um ano e meio. Há seis, o Líbano não tem presidente. O governo e a oposição não se entendem para eleger um novo chefe de Estado indiretamente no Parlamento.

ONU retoma ajuda a Mianmar

Depois de uma suspensão ontem porque a ditadura militar confiscou as primeiras remessas de ajuda, o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidos retomou hoje, com três vôos, a ajuda aos cerca de 1,5 milhão de flagelados pela passagem do ciclone Nargis por Mianmar, a antiga Birmânia, no sábado passado.

Apesar da tragédia, a ditadura militar que desgoverna Mianmar há 46 anos manteve a realização de um referendo neste sábado para aprovar a nova Constituição, e teria usado os alimentos, roupas e abrigos da ajuda internacional para comprar votos.

Rebeldes de Darfur atacam capital do Sudão

Os rebeldes do Movimento por Igualdade e Justiça, da Província de Darfur, atacaram neste sábado a capital do Sudão, sendo repelidos pelo Exército num bairro de Cartum.

É a primeira vez que a luta chega até a capital em décadas de conflitos no maior país africano que passou a maior parte dos últimos 50 anos sob guerras civis.

Houve tiroteio e fogo de artilharia no bairro de Omdurman, do outro lado do Rio Nilo em relação ao centro de Cartum. O governo decretou toque de recolher noturno e contra-atacou os rebeldes com helicópteros e blindados.

"O principal objetivo desta sabotagem terrorista foi provocar a cobertura da mídia e dar a impressão de que tinham a capacidade de entrar em Cartum", declarou na televisão o secretário político do Partido do Congresso Nacional, Mandour al-Mahdi. "Graças a Deus, esta tentativa foi totalmente derrotada. Alguns altos comandantes do movimento rebelde foram mortos".

Um porta-voz rebelde desmentiu a versão oficial do governo e reafirmou a intenção de derrubar o presidente Omar Bachir: "Estamos em Omdurman. Estamos no Norte de Cartum. Isto não é algo que se possa resolver em algumas horas".

Petróleo bate novo recorde e passa de US$ 126

Os preços do petróleo bateram novo recorde na sexta-feira, 9 de maio de 2008, chegando a US$ 126,25 por barril na Bolsa Mercantil de Nova Iorque e depois caindo para US$ 125,96. Já acumulam uma alta de 12% este ano.

Em Londres, o petróleo bruto do tipo Brent, do Mar do Norte, quebrou seu próprio recorde a US$ 125,90 e fechou em US$ 125,40.

Para os analistas, os quatro recordes da semana se devem ao aumento das aplicações de fundos de investimento. Com a crise financeira nos Estados Unidos e na Europa, os mercados oferecem poucas opções para ganhar dinheiro. Nesta semana, os gerentes de fundos apostaram em petróleo.

Oposição disputa segundo turno no Zimbábue

O candidato do Movimento pela Mudança Democrática (MDC), Morgan Tsvangirai, anunciou hoje em Pretória, capital da África do Sul, que aceita disputar um segundo turno contra o presidente Robert Mugabe.

Tsvangirai teria vencido a eleição presidencial de 29 de março no Zimbábue, fraudada pelo governo.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Hesbolá toma setor muçulmano de Beirute

Depois de três dias de combates em que pelo menos 15 pessoas morreram e outras 40 foram feridas, a milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus) e seus aliados xiitas da milícia Amal (Esperança) tomaram o setor oeste de Beirute de grupos aliados ao governo cristão e sunita, dominando toda a parte muçulmana da cidade, enquanto a paz reinava no lado cristão, no leste da capital do Líbano.

O governo pró-ocidental acusou o Hesbolá de dar um golpe de Estado. Com o primeiro-ministro Fouad Siniora sob proteção em local secreto, o ministro Ahmad Fatfat acusou o Hesbolá de violar a Constituição. Ele rejeitou totalmente a exigência da renúncia do governo feita pela oposição liderada pela milícia, dizendo que só criaria um vácuo maior de poder no país, que não tem presidente há seis meses.

Duas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, nºs 1.559 e 1.701, exigem a retirada de forças estrangeiras e o desarmamento das milícias para pacificar o Líbano.

A Síria retirou suas tropas em 2004, depois de 28 anos de intervenção no Líbano. Tinha forças no país vizinho desde 1976, no início da Guerra Civil Libanesa (1975-90). Foi pressionada pela onda de protestos pelo assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri. Outras milícias entregaram as armas, mas não o Hesbolá.

Seu líder, xeque Hassan Nasrallah, aliado da Síria e do Irã, não reconhece a autoridade da ONU para desarmá-lo. Seria apenas uma conspiração ocidental para desarmar a "resistência" libanesa. Ele acusou o governo de declarar guerra ao desmontar as redes de comunicação do Hesbolá e disse que, se o governo quiser lutar contra o Hesbolá, terá de combater, de lutar para valer, com a força das armas.

O Partido de Deus, guiado por sua missão divina, financiado e inspirado por Damasco e Teerã, não vai se extinguir nem se transformar num partido democrático.

Mianmar aceita ajuda, não estrangeiros

A ditadura militar de Mianmar, a antiga Birmânia, está disposta a aceitar a ajuda internacional mas não a deixar estrangeiros entrarem no país, um dos mais fechados do mundo.

Nada de estrangeiros, especialmente militares. A junta militar quer distribuir diretamente alimentos, abrigo, medicamentos e roupas aos cerca de 1,5 milhão de flagelados pela passagem do ciclone Nargis no sábado passado, 3 de maio de 2008.

Em anúncio do Ministério do Exterior publicado em um jornal oficial, o governo declara: "No momento, Mianmar prioriza o recebimentos de provisões para ajuda de emergência e está fazendo enormes esforços para transportar essas provisões sem demora por conta própria para as regiões afetadas.

"Assim, Mianmar não está pronto para receber nem equipes de busca nem da mídia de países estrangeiros".

FMI alerta para risco de inflação mundial

A inflação voltou a ser uma ameaça à economia mundial, advertiu o Fundo Monetário Internacional (FMI) na quinta-feira, 8 de maio de 2008.

O subdiretor-gerente do FMI, John Lipsky, afirmou que "a inflação ressurgiu depois de vários anos" por causa da escalada nos preços de energia e alimentos. Mesmo com o crescimento econômico caindo, os preços estão subindo.

Hillary alega ter mais votos no operariado branco

Em sua luta obstinada e incansável pela candidatura do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos, cada vez mais nas mãos do senador Barack Obama, a senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton usou claramente pela primeira o argumento de que ela tem maior penetração no operariado branco.

"Tenho uma base muito maior para formar uma coalizão vencedora", declarou Hillary em entrevista a USA Today, o jornal mais vendido nos Estados Unidos. "O apoio do senador Obama no operariado branco, americanos que trabalham duro, está caindo de novo. Em ambos os estados (Carolina do Norte e Indiana), os brancos que não tiraram curso superior me apoiaram".

O discurso é dirigido claramente aos 796 superdelegados à convenção nacional do Partido Democrata que vai indicar, no final de agosto, o candidato à Casa Branca: "Há um padrão emergindo aqui", argumentou Hillary.

"Esses são os votos que você precisa conquistar em grande número para ganhar a eleição. Todo o mundo sabe disso", arrematou a ex-primeira-dama.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

China quer terras agrícolas no exterior

Diante da crise mundial de alimentos, a China está estimulando suas empresas a comprar fazendas no exterior para garantir a segurança alimentar.

Uma proposta do Ministério da Agricultura vai tornar a aquisição de terras no exterior uma peça central da política agrícola chinesa. Até agora, os investimentos agrícolas da China no estrangeiro eram poucos e pequenos.

Se o plano for aprovado, pode enfrentar grande resistência internacional por questões de soberania nacional, por causa da crise de alimentos e do risco de mais desmatamento quando o mundo enfrenta a ameaça do aquecimento global.

"Não há nenhuma dificuldade em aprovar esta proposta", comentou um alto funcionário chinês. "O problema virá quando governos estrangeiros não quiserem se desfazer de sua própria terra".

Cheios de dinheiro com a alta nos preços do petróleo, os países ricos do Oriente Médio estão investindo mais e mais no exterior. A Líbia tem um projeto para produção de trigo na ex-república soviética da Ucrânia. A Arábia Saudita pretende investir em agricultura e pecuária por uma questão de segurança alimentar.

No caso da China, com 40% dos agricultores do mundo mas apenas 9% das terras aráveis, os conselheiros do governo recomendam o investimento externo como maior garantia de suprimento alimentar de longo prazo, inclusive na propriedade de terras.

A inflação nos preços dos alimentos na China foi de 25% nos primeiros três meses do ano em comparação com igual período em 2007. É a maior no setor desde o início dos anos 90.

Hesbolá acusa governo libanês de declarar guerra

Beirute está em chamas. Pelo menos 10 pessoas foram mortas nesta quinta-feira, 9 de maio de 2008, na capital do Líbano, em confrontos entre partidários do governo pró-ocidental e da oposição majoritariamente muçulmana, liderada pela milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus).

Seu líder, o xeque Hassan Nasrallah, acusou o governo do primeiro-ministro Fouad Siniora de declarar guerra à milícia ao bloquear a televisão do Hesbolá.

Houve tiroteio e ataques com granadas de morteiro em vários bairros da capital libanesa. No segundo dia de uma greve geral convocada pelo Hesbolá, seus militantes bloquearam o acesso ao aeroporto de Beirute.

A oposição exige a queda do governo e impede a eleição do presidente, o que paralisa os poderes Executivo e Legislativo há mais de um ano.

Em Nova Iorque, o embaixador norueguês Terje Roed Larsen, enviado especial do secretário-geral, declarou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que a Resolução 1.559 não está sendo cumprida.

A Resolução 1.559 do Conselho de Segurança da ONU, de 2004, prevê a retomada da soberania do Exército do Líbano sobre todo o território nacional, sem a interferência de forças estrangeiras, como a Síria, que retirou seus soldados do país depois de quase 30 anos, nem de milícias, como o Hesbolá.

Essas milícias precisam entregar as armas e se converterem em partidos políticos democráticos. Mas o xeque Nasrallah vociferou que está atentado para defender as armas e a existência do Hesbolá contra o que considera uma conspiração ocidental.

É uma situação sombria a do Líbano, onde o tiroteio e os combates de rua recomeçaram ao amanhecer.

Ditadura nega acesso a flagelados em Mianmar

Quatro aviões das Nações Unidas levaram hoje a primeira ajuda da organização internacional aos cerca de 1,5 milhão de flagelados pela passagem por Mianmar, a antiga Birmânia, no sábado passado, do ciclone Nargis. Mais de 100 mil pessoas podem ter morrido.

O país está arrasado, mas a junta militar que o desgoverna impede a entrada de ajuda estrangeira em grande escala. Está mais preocupada no seu próprio poder do que no bem-estar da população num momento crítico em que um número ainda maior de pessoas pode morrer de fome, de sede e de doenças.

Pelo menos quatro aviões de transporte militar dos Estados Unidos C-130 estão numa base da Tailândia esperando autorização. O presidente George W. Bush ordenou à Marinha que ajudasse.

Como os aviões participam de uma operação militar conjunta americano-tailandesa, a ditadura militar mianmarense ficou em dúvida. Afinal, estão treinando uma possível invasão do país.

Tanto os EUA como a ONU estão frustrados. O subsecretário-geral da ONU para ajuda humanitária, John Holmes, disse que está "apenas tentando ajudar o governo de Mianmar a cumprir sua obrigação, que é de dar ajuda aos flagelados".

Uma grande operação de resgate devassaria um dos países fechados do mundo e uma das juntas militares mais sinistras. Não foi capaz de avisar a população do risco do ciclone.

Medvedev assume prometendo liberdade

A cerimônia, no salão dourado do Grande Palácio do Kremlin, está mais para a coroação de um imperador do que para a posse de um presidente.

Dimitri Anatolievitch Medvedev é o novo czar de todas as Rússias.

Ele entra e desfila por um longo corredor até ser recebido num magnífico pódio, com uma enorme bandeira tricolor da Rússia como pano de fundo, pelo presidente Vladimir Putin (2000-2008), que transfere o cargo, em 7 de maio de 2008. Medvedev jura respeitar a Constituição, mas isso até hoje na Rússia nunca teve muita importância.

No discurso de posse, o novo czar promete "liberdades civis e econômicas", significativamente abaladas nos oito anos de governo Putin. Mas o que faz Medvedev como um dos primeiros atos de governo? Nomeia o ex-presidente como primeiro-ministro, na condição de líder do partido Rússia Unida, amplamente majoritário na Duma do Estado, a Câmara do parlamento russo.

O partido talvez seja um dos primeiros campos de batalha entre o presidente e seu poderoso primeiro-ministro, um conflito que os analistas da política russa consideram inevitável.

Ex-chefe da Casa Civil de Putin e ex-presidente da Gazprom, a poderosa empresa que detém o monopólio estatal do gás na Rússia, Medvedev nunca tinha disputado uma eleição. Ele foi nomeado primeiro vice-primeiro-ministro em 14 de novembro de 2005 e indicado candidato à presidência por Putin em 10 de dezembro de 2007. Ganhou, com 71% dos votos, em 2 de março de 2008.

Sua vitória foi atribuída principalmente à recuperação econômica da Rússia nos anos Putin, depois do colapso da União Soviética em 1991 e da caótica introdução do capitalismo liberal sob Boris Yeltsin (1991-1999). O país quebrou em agosto de 1998, um ano depois do início da crise asiática, exacerbando a crise brasileira que levou à desvalorização do real em janeiro de 1999.

Na Rússia, o dólar passou de cerca de sete para 31 rublos, o que encareceu as importações e abriu mercado para a recuperação da indústria nacional. Mas o impulso definitivo foi a elevação dos preços do barril de petróleo, de menos de US$ 10 para os US$ 123,53 de 7 de maio.

A renda do petróleo, muito mais do que as políticas de Putin, reergueu a economia da Rússia, recuperando um pouco da majestade perdida com o fim do Império Soviético. Putin resgatou vários aspectos do passado para reconstruir o orgulho nacional.

O maior país do mundo está de volta ao círculo das grandes potências como membro pleno. Uma das características históricas de um país enorme e sem fronteiras naturais é um medo de estar cercado por países hostis.

Para os atuais líderes da Rússia, o grande desafio é a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) até suas fronteiras. Por isso, Putin se opôs totalmente à entrada das ex-repúblicas soviéticas da Geórgia e da Ucrânia à OTAN.

Em resposta ao apoio do Ocidente à independência do Kossovo, o Kremlin prometeu apoiar os movimentos separatistas da Abcásia e da Ossétia do Sul, dois enclaves de maioria russa na Geórgia.

Dias atrás, um avião de espionagem não-tripulado da Geórgia foi derrubado na Abcásia. O governo da Geórgia acusou a Rússia, que por sua vez atribuiu o ataque aos rebeldes. Nos últimos dias, a Rússia reforçou suas forças nas Abcásia alegando que estão em missão de paz. Mas a Geórgia teme que a Rússia esteja se preparando para a guerra.

Medvedev, um advogado de 42, tecnocrata, não foi chefe do serviço secreto como Putin. Precisa carimbar suas credenciais como um homem-forte capaz de proteger a Rússia contra seus múltiplos inimigos e vizinhos incômodos.

No fim do longo ritual da posse na Presidência da Federação Russa, de 89 unidades administrativas, Medvedev recebeu uma maleta com os códigos secretos das armas nucleares do país. Agora, é com ele.

Para terminar, foi abençoado pelo patriarca Alexei II, chefe da Igreja Ortodoxa da Rússia.

A Geórgia é seu primeiro teste. Há uma expectativa de que vai jogar duro.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Petróleo bate novo recorde a US$ 123,80

O preço do petróleo bateu recorde pelo terceiro dia seguido. Na Bolsa Mercantil de Nova Iorque, chegou a US$ 123,80, fechando em US$ 123,53. Em Londres, o petróleo tipo Brent, do Mar do Norte, chegou a US$ 122,70 e fechou em 122,32, mais de dois dólares acima de ontem.

A alta ignorou o aumento de 5,7 milhões de barris no estoque americano de petróleo bruto na semana passada. Hoje os conflitos no Oriente Médio, com o Hesbolá (Partido de Deus) bloqueando o aeroporto de Beirute e risco de novas incursões turcas no Iraque, e na Nigéria justificaram o aumento.

Hillary vence em Indiana por 23 mil votos

A senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton confirmou sua vitória na eleição primária no estado de Indiana, mas por uma pequena margem de apenas 23 mil votos de vantagem sobre o senador Barack Obama, seu rival na disputa pela candidatura do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos nas eleições de 4 de novembro.

Com a pequena vantagem de 51%-49%, Hillary ganhou apenas dois delegados a mais do que Obama, que teve uma vitória mais confortável na Carolina do Norte, por 56%-42%. Isso amplia a vantagem de Obama e praticamente enterra a candidatura Hillary Clinton.

Hillary não tem mais como superar Obama em número de delegados à convenção nacional do partido nem no voto popular, apesar de sua insistência em contar os votos da Flórida e de Michigan, onde as prévias foram declaradas nulas por terem sido antecipadas sem o consentimento da direção nacional do partido. Mas está endividada e receberá cada vez mais pressões para abandonar a disputa.

Os 796 superdelegados, que podem votar exclusivamente de acordo com suas consciências, sem ter de seguir o resultado das prévias de seus estados, não devem contrariar a vontade do eleitorado depois da mais longa, prolongada e difícil temporada de eleições primárias da História dos EUA.

Barack Obama será o primeiro negro a disputar a Presidência dos EUA por um grande partido. Os próximos meses vão mostrar até que ponto os americanos superaram o racismo que um dia segregou os negros do Sul num regime semelhante ao apartheid da África do Sul.

China endurece concessão de visto para Olimpíada


A China aumentou o rigor na concessão de visto para visitar o país durante a Olimpíada de Beijim, exigindo carta-convite e reserva de hotel, admitiu ontem o regime comunista, depois de insistir que o processo continuava o mesmo. É um reflexo dos protestos contra a ocupação chinesa do Tibete.

O governo chinês chegou a alegar, no auge dos protestos no Tibete, que o país estaria ameaçado por atentados terroristas de fundamentalistas muçulmanos durante os Jogos de Beijim.

Analista prevê que petróleo chegue a US$ 200

Os preços do barril de petróleo bruto podem chegar a US$ 200 nos próximos dois anos, adverte o analista do banco Goldman Sachs Arjun Murti, que previu corretamente há três anos a grande escalada nos preços para mais de US$ 100 o barril. Há conflitos no Oriente Médio e na Nigéria, queda de produção na Rússia e contínuo aumento da demanda da China.

Na sua opinião, a nova crise do petróleo é resultado da falta evidente de uma oferta adequada à expansão do mercado: "A possibilidade de um barril a US$ 150-200 em seis a 24 meses é cada vez maior".

Murti não acredita que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) possa aumentar a produção em quantidade suficiente para suprir o aumento da procura.

terça-feira, 6 de maio de 2008

CBS dá vitória a Hillary em Indiana

A senadora Hillary Clinton acaba de fazer um discurso em tom de vitória em Indiana, onde a rede de televisão CNN ainda considera cedo demais para projetar um resultado final mas a CBS já deu a vitória à ex-primeira-dama.

Mesmo assim, David Gergen, um veterano do marketing político nos Estados Unidos, observou que o pano está caindo sobre a campanha de Hillary e que a postura corporal de Chelsea Clinton, a filha de Hillary e Bill Clinton, revelava.

Petróleo bate novo recorde a US$ 122

O preço do barril de petróleo bateu novo recorde hoje. Chegou, na Bolsa Mercantil de Nova Iorque, a US$ 122,73. No fechamento das operações, ficou em US$ 121,84.

Em Londres, o petróleo do tipo Brent, padrão para o mar do Norte, também bateu recordes, sendo cotado a US$ 120,99 durante o dia e a US$ 120,31 no fechamento.

As causas da alta foram a tensão política em grandes exportadores como o Irã, o Iraque e a Nigéria, o anúncio de que a Indonésia vai deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) porque virou importador e o otimismo de que os Estados Unidos não vão parar de crescer.

Obama vence na Carolina do Norte

O senador Barack Obama venceu a também senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton na eleição primária da Carolina, indicam as projeções feitas pelas televisões americanas com base nos primeiros resultados da apuração. Obama tem 57% dos votos contra 43% para Hillary

No estado de Indiana, onde a disputa é mais apertada, o resultado ainda está indefinido.

Total de mortos em Mianmar sobe para 22,5 mil

A estimativa oficial do número total de mortos pelo ciclone Nargis em Mianmar, a antiga Birmânia, no Sudeste Asiático, chegou a 22,5 mil na manhã de hoje. Outras 41 mil pessoas estão desaparecidas e cerca de 1 milhão, desabrigadas.

Os Estados Unidos e a França acusaram hoje a ditadura militar que há 46 anos desgoverna o país de não facilitar o acesso das equipes de socorro que farão uma avaliação dos danos e das necessidades emergentes para organizar a ajuda.

Na Casa Branca, o presidente George W. Bush declarou estar com as equipes e equipamento de resgate prontos para entrar em ação. Mas falta a autorização do governo mianmarense.

Em Paris, o ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, um socialista e co-fundador da organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras, considerou inaceitável a posição da ditadura: "Eles querem ajuda: dêem-nos o dinheiro que a gente distribui. Não querem aceitar nem nosso pessoal."

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Ciclone arrasa Mianmar e mata 15 mil

Subiu para 15 mil a estimativa oficial de mortes feita pelo governo de Mianmar, a antiga Birmânia, no Sudeste Asiático, pela passagem do ciclone Nargis, com ventos de 190 quilômetros por hora no último sábado, 3 de maio de 2008. Só numa cidade teriam morrido `0 mil pessoas.

Cerca de 6 milhões de desabrigados estão passando a terceira noite ao relento, sem água nem energia elétrica. Os telefones não funcionam e os preços dos combustíveis dispararam.

A ditadura militar que desgoverna o país há 46 anos rompeu o isolamento internacional para aceitar ajuda externa mas não suspendeu um plebiscito sobre reforma constitucional marcado para o dia 10, apenas uma semana depois da devastação.

Na Casa Branca, a primeira-dama Laura Bush acusou o governo de Mianmar de não ter autorizado ainda a entrada de ajuda oferecida pelos Estados Unidos. Laura Bush declarou que acompanha com interesse a situação na antiga Birmânia e a luta da líder da oposição, Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel 1991 que passou a maior parte dos últimos 18 anos sob prisão domiciliar.

Apesar da tragédia, a junta militar manteve para o próximo sábado um referendo para aprovar reformas constitucionais que levariam à realização de eleições em 2010.

Tudo o que a máfia de generais que controla Mianmar não quer saber é de eleição. As reformas foram prometidas sob a pressão dos protestos democráticos de setembro do ano passado, último desafio mais sério a um regime instalado em 1962 que transformou um país relativamente próspero, rico em recursos naturais, num dos mais pobres da Ásia.

A catástrofe natural servirá para mostrar um pouco ao mundo a tragédia política de Mianmar.

Petróleo bate recorde e chega a US$ 120

O barril de petróleo do tipo West Texas Intermediate ultrapassou a marca dos US$ 120 nesta segunda-feira. Chegou, na Bolsa Mercantil de Nova Iorque, a US$ 120,36, caindo no final do dia para US$ 119,97.

A alta foi atribuída à queda do dólar e à tensão no Delta do Rio Níger, maior zona de produção da Nigéria, maior produtor e exportador da África.

Morales propõe diálogo mas rejeita referendo

O presidente Evo Morales propôs um diálogo com a oposição, mas rejeitou o resultado do plebiscito sobre autonomia do departamento de Santa Cruz, o mais rico da Bolívia, aprovada por 85% dos votantes, chamando-o de consulta.

Morales alegou que houve uma abstenção de 35% e que 15% votarão Não, em uma tentativa de reduzir a vitória do Sim. Agora, terá de negociar. No momento, é difícil imaginar um acordo na Bolívia.

China acusa Dalai Lama de "crimes monstruosos"

Um dia depois de iniciar oficialmente o diálogo com representantes do Dalai Lama e seu governo tibetano no exílio, a imprensa oficial chinesa o acusou de "crimes monstruosos".

No domingo, chineses e tibetanos se encontraram pela primeira vez, em Xenzen, no Sul da China. Na segunda-feira, o jornal Diário do Tibete, porta-voz do governo tibetano linha-dura imposto pela China, disse que, "depois dos incidentes de 14 de março em Lhassa, o Dalai não apenas se nega a assumir seus monstruosos crimes mas continua a perpetuar a fraude".

A reportagem ignora o encontro em Xenzen e mantém a postura da reação inicial do regime comunista chinês quando os protestos pela liberdade do Tibete começaram, em março, de total negação de legitimidade ao movimento ou ao Dalai Lama.

Assim, a reivindicação por "autonomia real" feita pelo Dalai Lama é denunciada como uma fraude para "confundir a opinião pública e incitar a violência étnica", "é uma tentativa de dividir a pátria".

domingo, 4 de maio de 2008

Brown promete se concentrar na economia

Depois da fragorosa derrota nas eleições municipais de quinta e sexta-feira na Grã-Bretanha, o primeiro-ministro Gordon Brown tentou reafirmar suas credenciais de administrador do mais longo período de expansão da história do país prometendo prioridade para a solução da crise econômica.

Com a vitória do Partido Conservador por 20 pontos percentuais de vantagem (44%-24%), aumenta o descontentamento na própria bancada trabalhista, que teme um desastre nas próximas eleições gerais sob a liderança de Brown.

Santa Cruz aprova autonomia com 85%

A oposição ao governo do presidente Evo Morales obteve uma importante vitória neste domingo com a aprovação da autonomia do departamento de Santa Cruz, o mais rico da Bolívia, com 85% dos votos, em plebiscito considerado pelo governo "separatista e ilegal".

O atual governador de Santa Cruz, Rubén Costas, considerou o momento histórico, prevendo que a onda de referendos sobre autonomia regional vão redefinir a Bolívia, acabando com o que as oposições chamam de "centralismo totalitário".

"Nem mais um centavo daqui vai para onde o Movimento ao Socialismo (MAS) mandar", declarou um dos líderes autonomistas do departamento, que faz fronteira com o Brasil, com quem tem forte relação econômica. Há vários brasileiros produzindo soja na Bolívia. Eles podem ser alvo da reforma agrária de Morales.

Sudeste Asiático chega a acordo sobre arroz

Em reunião dos ministros da Economia e de Finanças, os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) chegaram a um acordo neste fim de semana, em Báli, na Indonésia, para cooperar na estabilização dos preços e do mercado internacional do arroz, para aumentar a produtividade e a eficiência no plantio, colheita, armazenagem e distribuição do cereal.

A Asean congrega tanto o maior exportador mundial de arroz, a Tailândia, como o segundo maior, o Vietnã, e o maior importador, as Filipinas. Os outros membros são Indonésia, Brunei, Cingapura, Cambodja, Laos, Malásia e Birmânia.

Ao contrário do sugerira a Tailândia na semana passada, não há intenção de formar um cartel de produtores de arroz do tipo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Os ministros se comprometeram "a manter práticas comerciais justas e um comércio regional de arroz organizado".

Obama vence em Guam por sete votos

O senador Barack Obama ganhou a convenção regional do Partido Democrata na Ilha de Guam, no Oceano Pacífico. Venceu a senadora Hillary Clinton por apenas sete votos. Na prática, não muda nada: cada um conquista mais dois delegados para a convenção nacional democrata que vai indicar oficialmente o candidato do partido à Casa Branca, em agosto.

Apuradas as 21 urnas, Obama teve 2.264 votos e a ex-primeira-dama 2.257.

Na terça-feira, haverá eleições primárias importantes nos estados da Carolina do Norte, onde Obama é favorito, e Indiana, onde a disputa é apertada.

sábado, 3 de maio de 2008

Microsoft desiste de comprar o Yahoo

Depois de três meses de espera e recusa do Yahoo em aceitar uma proposta de compra de US$ 44,6 bilhões, a Microsoft anunciou oficialmente que desistiu do negócio capaz de reconfigurar a concorrência no mercado de Internet.

A Microsoft declarou que as duas empresas não conseguiram fechar a um acordo sobre preço.

Obamamania perde o embalo

O senador Barack Obama está praticamente empatado com a senadora Hillary Clinton em 46%-45% na preferência dos eleitores do Partido Democrata numa pesquisa nacional feita para a rede de televisão CNN.

Hillary quase não se mexeu nas pesquisas CNN, mas Obama veio perdendo apoio nas últimos semanas, em parte por causa dos ataques de Hillary mas também por seus próprios erros, além do reaparecimento do pastor Jeremiah Wright, o maior passivo na campanha de Obama até agora.

Obama foi abalado. Hillary agora tenta convencer os superdelegados que darão os votos decisivos na escolha do candidato do Partido Democrata à Casa Branca nas eleições de 4 de novembro de que Obama não tem apelo junto à classe operária branca que abandonou a escola.

Esse operariado conservador que em princípio é do Partido Democrata, os "democratas que votavam no [presidente Ronald] Reagan", é um eleitorado flutuante decisivo em eleições presidenciais, em estados-chaves como Ohio, Pensilvânia, Flórida e Indiana. Hillary ganhou as prévias nos três primeiros; o quarto vota na próxima terça-feira.

Boris Johnson é eleito prefeito de Londres

É uma surpresa e uma grande derrota para o Partido Trabalhista e o primeiro-ministro Gordon Brown. O candidato conservador Boris Johnson venceu a eleição para prefeito de Londres, derrotando Ken Livingstone, o Vermelho, da ala mais à esquerda do Partido Trabalhista.

Ken, o Vermelho, era o líder da Câmara da Grande Londres, extinta por Margaret Thatcher em 1986 por ser dominada pela esquerda. Desde que os trabalhistas, sob Tony Blair, introduziram a eleição direta para prefeito de Londres, em 2000, Ken tinha ganho as duas eleições. Era considerado quase imbatível.

Boris é um jovem jornalista conservador com fama de extravagante e trapalhão. Foi diretor da conceituada revista conservadora The Spectator. Já foi cogitado como líder do Partido Conservador, mas parecia tresloucado demais para a função.

É um cara incapaz de arrumar seus cabelos louros. O trânsito de Londres é um pouco mais difícil. Mas é uma figura. Na era do espetáculo, Londres, um dos principais centros desta sociedade do espetáculo, só poderia ter um prefeito midiático, exótico e extravagante.

O jornal conservador britânico Daily Telegraph sugere que, sem cargo, Ken pode se tornar um espinho para o primeiro-ministro Brown. Eles são adversários dentro do Partido Trabalhista desde que ambos eram jovens deputados ambiciosos na Câmara dos Comuns, nos anos 80.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Trabalhistas sofrem pior derrota em 40 anos

O Partido Trabalhista britânico sofreu sua maior derrota eleitoral em 40 anos nas eleições municipais realizadas na quinta-feira no interior e hoje em Londres. Perdeu 331 vereadores, colocando em questão a liderança do primeiro-ministro Gordon Brown e sua capacidade de levar o partido à vitória nas eleições gerais, que ele pode convocar quando quiser até 2010.

Na contagem geral dos votos, o Partido Conservador teve 44%, o Partido Liberal-Democrata ficou em segundo com 25% e os trabalhistas tiveram apenas 24%.

Brown era ministro das Finanças do Reino Unido no governo Tony Blair. Herdou a liderança do partido e a chefia do governo sem se submeter a eleições, quando Blair saiu, em junho de 2007, desgastado pelo apoio incondicional aos Estados Unidos na Guerra do Iraque.

Como todo-poderoso ministro da economia, Brown conquistou fama por levado o país a seu mais longo período de crescimento. Mas é criticado pela maneira como enfrenta a atual crise financeira e imobiliária, que levou à falência um banco britânico, o Northern Rock,

Esse descontentamento foi refletido nas urnas.

Ruralistas retomam protesto na Argentina

Os fazendeiros e agricultores recomeçam amanhã sem movimento de protesto contra o aumento do imposto sobre exportações imposto pelo governo Cristina Kirchner para garantir o abastecimento interno e combater a inflação. Eles afirmam estar dispostos ao diálogo, mas exigem uma revisão da última sobretaxa imposta sobre exportações agrícolas.

Esta arrecadação extra seria importante para manter o equilíbrio do instável modelo econômico do kirchnerismo, que Cristina herdou do marido Néstor Kirchner. O inverno está começando sob ameaças de falta de energia, há um desabastecimento de combustíveis e o governo ainda estaria manipulando o índice oficial de inflação.

EUA perderam 20 mil empregos em abril

A economia dos Estados Unidos destruiu 20 mil empregos a mais do que gerou no mês passado. Mas a taxa de desemprego recuou de 5,1% para 5%.

É um resultado negativo para o emprego pelo terceiro mês consecutivo, mas acima da expectativa do mercado. Em março, os americanos tinham perdido 81 mil empregos; em fevereiro, 83 mil. A agora previsão era de uma queda de mais 75 mil.

Isto indica que a maior economia do mundo continua debilitada mas a situação não está se agravando. O crescimento no primeiro trimestre foi de 0,6% ao ano, mesmo ritmo do final de 2007.

Agora, os contribuintes americanos estão recebendo os cheques com a devolução do imposto de renda acertada entre o governo George W. Bush e o Congresso. É um estímulo total de US$ 168 bilhões. Esse dinheiro deve estimular o consumo e talvez garanta um crescimento ainda que modesto no segundo trimestre.

Para a segunda metade do ano, espera-se o impacto positivo dos repetidos cortes de juros do Federal Reserve Board, o banco central americano. Mas o setor habitacional continua em recessão e sempre há risco de novos rombos no setor financeiro.

Zimbábue anuncia segundo turno oficialmente

Mais de um mês depois, a Comissão Eleitoral do Zimbábue divulgou hoje o resultado oficial da eleição presidencial de 29 de março de 2008, anunciado que haverá necessidade de um segundo turno.

Pelo resultado oficial, Morgan Tsvangirai, do Movimento pela Mudança Democrática (MDC), teve 47,9% dos votos, vencendo o presidente Robert Mugabe, da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF), que teria recebido 43,2%, sem maioria absoluta. O problema é que todo o mundo suspeita ser fraudulento por causa da demora em sua divulgação.

Agora, o MDC, que proclamou a vitória de Tsvangirai, com o aval dos Estados Unidos e do Reino Unido, deve decidir se disputa o segundo turno, daqui a três semanas.

A previsão é de uma campanha eleitoral sangrenta. Mugabe e seus generais deram um golpe. Ficaram semanas com as urnas decidindo o que fazer. Há denúncias de violência, tortura e morte no campo e em bairros populares onde a oposição venceu.

O segundo turno, se houver, será uma batalha sangrenta.

Exxon lucra US$ 10,9 bilhões no trimestre

A companhia de petróleo Exxon apresentou no primeiro trimestre deste ano o segundo maior lucro de uma empresa americana: US$ 10,9 bilhões, abaixo apenas do lucro da mesma empresa no trimestre anterior. É um avanço de 17% em relação a igual período no ano passado.

O principal motivo é a alta nos preços do petróleo, que caíram esta semana, depois de terem chegado a quase US$ 120 por barril na semana passada. Ontem o petróleo fechou um pouco acima de US$ 112.

Morales faz nova onda de estatizações

Como em 1º de maio de 2006, quando estatizou o gás e o petróleo, o presidente da Bolívia, Evo Morales, aproveitou o Dia do Trabalho ontem para nacionalizar a maior companhia telefônica do país e quatro empresas do setor de energia, inclusive dos grupos espanhol Repsol-YPF, britânico British Petroleum e Ashmore Energy.

"Serviços essenciais, sejam de água, energia ou comunicações, não podem ficar nas mãos de empresas privadas", declarou o presidente boliviano.

A medida foi tomada às vésperas do plebiscito sobre a autonomia do departamento de Santa Cruz, o mais rico do país, numa manobra considerada "separatista e ilegal" pelo governo Morales.

É uma situação extremamente tensa, capaz de degenerar em conflito, adverte o enviado especial da Organização dos Estados Americanos (OEA), Dante Caputo, ex-ministro das Relações Exteriores da Argentina. Ele tentou mediar um diálogo entre o o governo e a oposição em Santa Cruz, mas a oposição só negocia depois do plebiscito.

As pesquisas indicam que mais de 80% dos eleitores do departamento de Santa Cruz, rico em gás, petróleo e sojicultura, devem votar a favor da autonomia política e econômica, criando um problema sério para Morales implantar seu projeto socialista.

Outros departamentos importantes - Beni, Pando e Tarija - convocaram plebiscitos sobre autonomia para junho.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

EUA matam líder d'Al Caeda na Somália

Um bombardeio aéreo dos Estados Unidos matou o chefe mais 30 militantes da rede terrorista Al Caeda na Somália.

Aden Hachi Ayro liderava o grupo Chahab, responsável por ataques contra as forças do frágil governo provisório e do Exército da Etiópia, que invadiu a Somália em 2006 para lutar contra os rebeldes muçulmanos, com o apoio aéreo dos EUA.

73% dos americanos são contra rumo do país

Cerca de 73% dos americanos acreditam que o país está no caminho errado e só 27% têm alguma simpatia pelo Partido Republicano, do presidente George Walker Bush, indica a última pesquisa do Wall Street Journal e da rede de televisão NBC.

Por causa da guerra civil entre os democratas, o senador John McCain perde por 46% a 43% para o senador Barack Obama e está praticamente empatado com a ex-primeira-dama e senadora Hillary Clinton (45%-44%).

Os eleitores dizem que vêem em McCain as mesmas qualidades e princípios dos candidatos democratas. Isso o descola da maldição de Bush sobre o Partido Republicano.

Bush tem a aprovação de apenas 27% e de apenas 21% no comando da economia. É o presidente mais impopular da História dos Estados Unidos.

Esta é uma eleição ganha para o Partido Democrata. Mas ele sempre pode perder.

Crise de alimentos é estrutural

A inflação mundial de alimentos é uma crise global de caráter estrutural, resultado de muitas mudanças que vieram para ficar na era da globalização.

O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas adverte que 100 milhões de pessoas a mais devem precisar de ajuda alimentar este ano. A inflação foi de mais de 80% nos últimos três anos, pelos cálculos do Banco Mundial.

Entre as principais causas, estão:
• a urbanização;
• o crescimento de países da Ásia como a China e a Índia, que está tirando centenas de milhões de pessoas da pobreza;
• a mudança do clima, com mais secas e enchentes;
• o aumento nos preços do petróleo; e
• a especulação nas bolsas de mercadorias e futuros.

Mais da metade da população mundial, de 6,7 bilhões, vive em cidades, consumindo alimentos produzidos por 1,3 bilhão de agricultores. No meio, está uma dezena de empresas transacionais que controlam a maior parte do mercado de commodities agrícolas.

Este é um fator estrutural. Com o desenvolvimento da China e da Índia, centenas de milhões de pessoas migraram ou estão migrando para as cidades em busca de empregos com salários melhores na indústria.

A maioria troca uma agricultura de subsistência por empregos industriais. Esses trabalhadores urbanos passam a receber salários e tornam-se consumidores de alimentos que já não produzem mais.

Como a urbanização e a ascensão da Ásia vieram para ficar, a demanda de alimentos tende a aumentar. A ONU calcula que dobre até 2050, o que aumenta a pressão sobre recursos naturais limitados, como terras já esgotadas e a água.

Há uma ameaça ecológica. O aquecimento global pode tornar mais violentos os fenômenos meteorológicos, como secas, enchentes e tempestades, prejudicando a agricultura.

Um dos efeitos previstos para o aquecimento da Terra é uma quebra de safras agrícolas de 20% a 40%. O impacto sobre a agricultura, especialmente dos países pobres com escassez de água, pode ser catastrófico.

No século 21, o clima é um problema e a falta de água um risco para a maioria dos países.

O barril de petróleo custava cerca de US$ 30 há pouco mais de cinco anos, quando o presidente George W. Bush invadiu o Iraque. Quase chegou a US$ 120 na semana passada, mas depois caiu um pouco.

Também é uma mudança estrutural. O petróleo é um recurso escasso. Enquanto continuar o aumento da demanda na China, na Índia e em outros países em desenvolvimento, a oferta estará no limite da procura.

A energia é um componente fundamental no preço da comida. Nenhum exportador de alimentos planta e colhe sem máquinas agrícolas, geralmente movidas a petróleo.

Diante dos preços recordes do trigo, do arroz, da soja e da carne, grandes países exportadores, como Argentina e Rússia, passaram a limitar e taxas as exportações para proteger o mercado interno e evitar a inflação. Na Argentina, houve uma greve no campo contra os impostos sobre exportação.

Essas restrições a vendas externas provocou nova rodada de aumentos de preços no mercado internacional. Há uma especulação no mercado de produtos primários, já que as bolsas de valores e outros instrumentos de aplicações financeiras estão em profunda crise.

O que está dando dinheiro? Comida, energia, produtos primários. São os países em desenvolvimento que crescem enquanto os ricos estão estagnados. Os chineses e indianos não vão parar de comer nem de gastar energia. Pelo contrário. Querem gastar mais ainda, o que aumenta o risco para o meio ambiente e para um agravamento do efeito estufa.

Mas a crise de alimentos também cria oportunidades. The Wall Street Journal já registrou que as empresas americanas de fertilizantes, sementes, equipamentos e máquinas agrícolas estão faturando como nunca.

Para o Brasil e o Mercosul, que na nova divisão internacional do trabalho são superpotências agrícolas, há uma oportunidade. A Argentina é um país de pouco mais de 35 milhões de habitantes com capacidade para alimentar 350 milhões de pessoas.

O Brasil tem luz, sol e terras férteis como nenhum outro país do mundo. É um dos poucos países do mundo que tem condições de aumentar significativamente a produção de alimentos. Tem também uma eficiente Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa, que pode oferecer assistência técnica em agricultura tropical para países menos avançados tecnologicamente.

É o momento de lutar pelo fim das barreiras ao comércio agrícola e também uma campanha mundial contra a fome.

Além dos US$ 2,5 bilhões pedidos pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, haverá uma conferência sobre segurança alimentar da Organização da ONU para Agricultura e Alimentos (FAO), em junho, em Roma, para evitar que a inflação de alimentos provoque fome em massa.

Até agora, o maior risco é de desnutrição, da chamada fome silenciosa, em que as pessoas vão para a cama com fome mas acordam no dia seguinte com força suficiente para se levantar e trabalhar.