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terça-feira, 13 de maio de 2008

Hillary vence primária na Virgínia Ocidental

Depois de uma vitória boa mas irrelevante na eleição primária da Virgínia Ocidental, a senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton reafirmou sua intenção de continuar disputando a candidatura do Partido Democrata à Casa Branca, enquanto seu rival, o senador Barack Obama, volta sua artilharia contra o candidato republicano, senador John McCain.

Com os resultados de 92% das seções eleitorais, Hillary tinha 67% contra 26% para Barack Obama.

A Virgínia Ocidental manda apenas 24 delegados para a Convenção Nacional do Partido Democrata que vai oficializar a candidatura à Presidência. Hillary está derrotada mas conseguiu ferir Obama, especialmente ao levantar a questão racial.

Na verdade, o maior abalo à candidatura do jovem senador por Illinois veio da revelação das gravações dos discursos raivosos do turbulento reverendo Jeremiah Wright, que foi pastor da igreja freqüentada por Obama durante 20 anos, que casou o senador e batizou seus filhos.

Suas pregações acusando os Estados Unidos de terrorismo, o governo americano de disseminar a aids para diminuir a população negra e responsabilizando o país pelos atentados de 11 de setembro de 2001 deram vasta munição aos conservadores. A Fox TV, do magnata da mídia Rupert Murdoch, o Cidadão Kane do século 21, discutiu exaustivamente os discursos e a inevitável relação de Obama com o pastor.

Hillary colocou a questão racial na campanha claramente ao declarar que Obama é fraco entre o operariado e a classe média baixa brancos com pouca instrução, um eleitorado conservador do Partido Democrata que no passado apoiou, por exemplo, Ronald Reagan. Entre os latino-americanos e os velhos, Hillary também leva vantagem.

Mas as últimas pesquisas para a eleição presidencial de 4 de novembro indicam a vitória de qualquer dos candidatos democratas sobre McCain.
As pesquisas de boca-de-urna na Virgínia Ocidental indicam que 35% dos eleitores de Hillary preferem

terça-feira, 18 de março de 2008

Obama condena sermões de pastor racista

Sob intensa pressão para esclarecer suas ligações de 20 anos com o reverendo Jeremiah Wright, que faz pregações racistas na Igreja Unida da Trindade de Cristo, em Chicago, onde se casou e batizou suas filhas, o senador Barack Obama fez hoje na Filadélfia um discurso sobre o racismo.

Filho de um africano negro e de uma americana branca, Obama disse que o simples fato de poder chegar à Presidência dos Estados Unidos reafirma o sonho americano.

Ao contrário do que costumam fazer os candidatos com amigos ou assessores inconvenientes, Obama agradeceu ao pastor por tê-lo convertido ao cristianismo.

Em seguida, lembrou a Convenção da Filadélfia, que aprovou em 1787 a Constituição dos EUA, até hoje um modelo para o resto do mundo. "Os pais da pátria prometiam liberdade, igualdade e justiça", observou Obama, "mas não se livraram do pecado original da escravidão".

Para criar "uma sociedade mais justa, mais livre e mais próspera", o senador por Illinois defendeu um aperfeiçoamento da União: "Não podemos resolver os problemas a não ser juntos. Podemos não parecer iguais, mas queremos ir na mesma direção".

Ele invocou sua própria história: "Meu avô branco lutou na Segunda Guerra Mundial. Minha avó branca fabricou munição. Tenho parentes em três continentes e de todas as raças. Em nenhum outro país do mundo isso é possível", afirmou.

"O povo americano está faminto por essa unidade acima das raças. Ganhei a eleição primária na Carolina do Sul, onde a bandeira da Confederação ainda tremula", acrescentou, falando da bandeira dos estados do Sul, que se revoltaram contra a União quando o presidente Abraham Lincoln aboliu a escravatura, provocando a Guerra da Secessão (1861-65), até hoje o conflito mais marcante da História dos EUA, mais do que as duas guerras mundiais.

Durante a atual campanha, Obama foi acusado "de ser negro demais e de não ser suficientemente negro". Na verdade, ele é mulato. "Mas só nas últimas semanas a questão racial aflorou. O reverendo ofendeu negros e brancos com uma linguagem. Já condenei esses sermões. Sabia que ele criticava as políticas interna e externa dos EUA. Discordo totalmente de suas opiniões".

Há uma profunda distorção na visão de Jeremiah Wright sobre os EUA, raciocinou o pré-candidato democrata: "Ele vê o país como branco e os conflitos no Oriente Médio como fruto dos EUA e não do radicalismo. É um discurso que divide, quando temos de unir brancos, negros, asiáticos e latinos".

Nesse momento, Obama voltou a defender o reverendo: "O homem que conheci há 20 anos me apresentou Cristo, me ensinou a amar o próximo, serviu como fuzileiro naval e ajudou gente que sofre neste país. Não posso abandoná-lo, como não podia abandonar minha avó branca, aquela mulher que me amava e cuidava de mim, quando dizia que sentia medoao cruzar na rua com um homem negro"

Na sua mensagem de unidade, "a América tem de superar a questão racial. Esta não é uma tentativa de desculpar discursos indesculpáveis. Também não se deve desqualificar Geraldine Ferraro", declarou magninimamente, referindo-se da ex-candidata a vice-presidente em 1984 e ex-assessora da campanha de sua rival Hillary Clinton.

Geraldine Ferraro foi pressionada a se afastar depois de comentar que "o senador Obama só está onde está", na liderança da disputa pela candidatura democrata, "por ser negro. Se fosse branco ou mulher, não estaria lá". Ferraro foi acusada de jogar a cartada racial para insinuar que Obama não tem chance de virar presidente num país onde os negros são apenas 12% da população.

"São problemas que este país ainda não resolveu. É uma questão que não podemos ignorar", desafiou. "Há uma raiva que às vezes se manifesta nas igrejas. Não sou ingênuo de pensar que possamos superar isso em uma eleição e com uma candidatura. Precisamos ter fé em Deus e no povo americano. Não temos escolha se quisermos continuar na trilha da união americana. Não podemos ser vítimas do passado."

O futuro dos EUA depende, na opinião do candidato à Casa Branca, de um esforço conjunto para "termos melhores escolas e mais empregos, assumirmos a responsabilidade sobre nossas vidas. Podemos escrever nossa própria história. A sociedade pode mudar. Na visão do reverendo Wright, os EUA são uma sociedade estática, presa a um passado irrevogável".

No mundo pragmático de Barack Obama, há questões reais a serem resolvidas, como melhores escolas e mais justiça: "Seus sonhos não precisam ser realizados às custas dos meus. Não acho que a senadora Hillary Clinton esteja jogando com a questão racial nem que todos os homens brancos vão votar no senador McCain", o candidato do Partido Republicano.

"Há uma opção: podemos nos unir para consertar as escolas que estão desabando, nos juntando para cuidar delas. Eu não estaria me candidatando à Presidência se não acreditasse nessa União".

sábado, 15 de março de 2008

Pastor radical prejudica candidatura Obama

Um sermão raivoso do pastor Jeremiah Wright, que há 20 anos é o mentor do senador Barack Obama, prejudica o líder da disputa pela candidatura do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos.

Na sexta-feira, Obama foi obrigado a repudiar o discurso do pastor: "Discordo veementemente e condeno totalmente as declarações que foram objeto desta controvérsia".

Wright afirmou que o "terrorismo" dos EUA provocou os atentados de 11 de setembro de 2001 e que os negros deveriam cantar Deus dane a América em vez de Deus salve a América.

Seus últimos ataques foram contra a senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton. Wright disse que, sendo branca e fica, Hillary não é capaz de entender o que significa ser negro e pobre nos EUA, ser chamado de "crioulo" (nigger).

A direita conservadora logo se aproveitou do caso. Obama foi questionado no canal de notícias Fox News, do magnata australiano naturalizado americano Rupert Murdoch, um dos magnatas da mídia.