O regime fundamentalista muçulmano do Sudão pediu à missão de paz conjunta das Nações Unidas e da União Africana que se retire do país. A tensão entre o governo sudanês e a força internacional de paz aumentou por causa de uma investigação sobre suspeitas de que tropas governamentais cometeram estupros em massa numa vila da província de Darfur.
O mandato da força de paz vai até março de 2015, mas a expectativa agora é de uma retirada até fevereiro.
A província de Darfur é uma região sudanesa do tamanho da França com cerca de 6 milhões de habitantes de 100 povos diferentes, todos muçulmanos.
Em 2003, dois grupos, o Exército de Libertação do Sudão e o Movimento por Justiça e Igualdade, se rebelaram contra o governo central de Cartum, que respondeu com a milícia conhecida como Janjaweed, responsável um genocídio.
Mais de 400 aldeias foram arrasadas, 400 mil pessoas foram mortas e 2,5 milhões fugiram de suas casas. Até hoje, cerca de 5 mil pessoas são assassinadas por mês, denuncia o Conselho de Direitos Humanos da ONU. O governo sudanês rejeita essas estatísticas e nega qualquer relação com a milícia genocida.
Em 4 de março de 2009, o presidente Omar Bachir tornou-se o primeiro chefe de Estado no exercício do cargo a ser denunciado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). Ele ainda está no poder e o genocídio continua.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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segunda-feira, 24 de novembro de 2014
domingo, 11 de maio de 2008
Sudão rompe relações com o Chade
Depois de um ataque de rebeldes contra a capital, Cartum, o governo do Sudão rompeu relações diplomáticas com o vizinho Chade, acusando-o de apoiar o Movimento por Justiça e Igualdade (JEM, do inglês).
Centenas de rebeldes atacaram no sábado, 10 de maio de 2008, o bairro de Omdurman, na capital sudanesa. The government said Sudanese security forces successfully routed them.
"Essas forças vem do Chade. São treinadas e financiadas pelo governo chadiano", denunciou o presidente sudanês, Omar Bachir, advertindo que seu país "se reserva o direito de responder ao ataque".
Omar Bachir destacou que historicamente sudaneses e chadianos se consideram membros de uma mesma nação, dividida pelo colonialismo, "mas agora somos forçados a romper com esse regime fora-da-lei".
O governo do Chade rejeita as acusações. Em março, os dois países assinaram um pacto de não-agressão, depois de uma ofensiva de rebeldes chadianos saídos do Sudão contra Ndjamena, o capital do Chade, em 1º de fevereiro.
De 1955 a 1972, o Sudão viveu sob uma guerra civil entre o governo muçulmano e rebeldes cristãos e animistas. Essa guerra recomeçou em 1983 e foi até 2005, quando foi assinado um acordo de paz entre o regime fundamentalista de Cartum e o Exército Popular de Libertação do Sudão (EPLS).
No final das negociações, os rebeldes da Província de Darfur se rebelaram contra o acordo, abrindo nova frente de combate no Oeste do Sudão. Desde então, o governo de Cartum perpetrou um genocídio na província rebelde, onde as Nações Unidas estimam que pelo menos 300 mil pessoas foram mortas e 2,5 milhões desalojadas.
Centenas de rebeldes atacaram no sábado, 10 de maio de 2008, o bairro de Omdurman, na capital sudanesa. The government said Sudanese security forces successfully routed them.
"Essas forças vem do Chade. São treinadas e financiadas pelo governo chadiano", denunciou o presidente sudanês, Omar Bachir, advertindo que seu país "se reserva o direito de responder ao ataque".
Omar Bachir destacou que historicamente sudaneses e chadianos se consideram membros de uma mesma nação, dividida pelo colonialismo, "mas agora somos forçados a romper com esse regime fora-da-lei".
O governo do Chade rejeita as acusações. Em março, os dois países assinaram um pacto de não-agressão, depois de uma ofensiva de rebeldes chadianos saídos do Sudão contra Ndjamena, o capital do Chade, em 1º de fevereiro.
De 1955 a 1972, o Sudão viveu sob uma guerra civil entre o governo muçulmano e rebeldes cristãos e animistas. Essa guerra recomeçou em 1983 e foi até 2005, quando foi assinado um acordo de paz entre o regime fundamentalista de Cartum e o Exército Popular de Libertação do Sudão (EPLS).
No final das negociações, os rebeldes da Província de Darfur se rebelaram contra o acordo, abrindo nova frente de combate no Oeste do Sudão. Desde então, o governo de Cartum perpetrou um genocídio na província rebelde, onde as Nações Unidas estimam que pelo menos 300 mil pessoas foram mortas e 2,5 milhões desalojadas.
sábado, 10 de maio de 2008
Rebeldes de Darfur atacam capital do Sudão
Os rebeldes do Movimento por Igualdade e Justiça, da Província de Darfur, atacaram neste sábado a capital do Sudão, sendo repelidos pelo Exército num bairro de Cartum.
É a primeira vez que a luta chega até a capital em décadas de conflitos no maior país africano que passou a maior parte dos últimos 50 anos sob guerras civis.
Houve tiroteio e fogo de artilharia no bairro de Omdurman, do outro lado do Rio Nilo em relação ao centro de Cartum. O governo decretou toque de recolher noturno e contra-atacou os rebeldes com helicópteros e blindados.
"O principal objetivo desta sabotagem terrorista foi provocar a cobertura da mídia e dar a impressão de que tinham a capacidade de entrar em Cartum", declarou na televisão o secretário político do Partido do Congresso Nacional, Mandour al-Mahdi. "Graças a Deus, esta tentativa foi totalmente derrotada. Alguns altos comandantes do movimento rebelde foram mortos".
Um porta-voz rebelde desmentiu a versão oficial do governo e reafirmou a intenção de derrubar o presidente Omar Bachir: "Estamos em Omdurman. Estamos no Norte de Cartum. Isto não é algo que se possa resolver em algumas horas".
É a primeira vez que a luta chega até a capital em décadas de conflitos no maior país africano que passou a maior parte dos últimos 50 anos sob guerras civis.
Houve tiroteio e fogo de artilharia no bairro de Omdurman, do outro lado do Rio Nilo em relação ao centro de Cartum. O governo decretou toque de recolher noturno e contra-atacou os rebeldes com helicópteros e blindados.
"O principal objetivo desta sabotagem terrorista foi provocar a cobertura da mídia e dar a impressão de que tinham a capacidade de entrar em Cartum", declarou na televisão o secretário político do Partido do Congresso Nacional, Mandour al-Mahdi. "Graças a Deus, esta tentativa foi totalmente derrotada. Alguns altos comandantes do movimento rebelde foram mortos".
Um porta-voz rebelde desmentiu a versão oficial do governo e reafirmou a intenção de derrubar o presidente Omar Bachir: "Estamos em Omdurman. Estamos no Norte de Cartum. Isto não é algo que se possa resolver em algumas horas".
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