Depois de um ataque de rebeldes contra a capital, Cartum, o governo do Sudão rompeu relações diplomáticas com o vizinho Chade, acusando-o de apoiar o Movimento por Justiça e Igualdade (JEM, do inglês).
Centenas de rebeldes atacaram no sábado, 10 de maio de 2008, o bairro de Omdurman, na capital sudanesa. The government said Sudanese security forces successfully routed them.
"Essas forças vem do Chade. São treinadas e financiadas pelo governo chadiano", denunciou o presidente sudanês, Omar Bachir, advertindo que seu país "se reserva o direito de responder ao ataque".
Omar Bachir destacou que historicamente sudaneses e chadianos se consideram membros de uma mesma nação, dividida pelo colonialismo, "mas agora somos forçados a romper com esse regime fora-da-lei".
O governo do Chade rejeita as acusações. Em março, os dois países assinaram um pacto de não-agressão, depois de uma ofensiva de rebeldes chadianos saídos do Sudão contra Ndjamena, o capital do Chade, em 1º de fevereiro.
De 1955 a 1972, o Sudão viveu sob uma guerra civil entre o governo muçulmano e rebeldes cristãos e animistas. Essa guerra recomeçou em 1983 e foi até 2005, quando foi assinado um acordo de paz entre o regime fundamentalista de Cartum e o Exército Popular de Libertação do Sudão (EPLS).
No final das negociações, os rebeldes da Província de Darfur se rebelaram contra o acordo, abrindo nova frente de combate no Oeste do Sudão. Desde então, o governo de Cartum perpetrou um genocídio na província rebelde, onde as Nações Unidas estimam que pelo menos 300 mil pessoas foram mortas e 2,5 milhões desalojadas.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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domingo, 11 de maio de 2008
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Chade declara estado de emergência
O presidente do Chade, Idriss Déby, decretou estado de emergência aumentando os poderes por 15 dias a partir desta sexta-feira, sob o pretexto de "manter a ordem, garantir a estabilidade e assegurar o bom funcionamento do Estado", depois da ofensiva rebelde de 2 de fevereiro contra a capital, Ndjamena.
A oposição e grupos de defesa dos direitos humanos acusam Déby de aproveitar a oportunidade para prender dissidentes e adversários do regime não-envolvidos com qualquer ato de violência.
Com a derrota dos rebeldes, recomeça o envio de uma força de paz da União Européia com 3,7 mil soldados, sendo 2,1 mil franceses, para o Leste do Chade, onde devem proteger os cerca de 350 mil refugiados do genocídio de Darfur acampados na região. Eles são alvo da milícia sudanesa Janjawid, um dos tentáculos do governo fundamentalista de Cartum na luta contra a população não-muçulmana.
Por ser a maioria da força de paz da UE, a França, antiga potência colonial, é vista como fiadora do presidente Déby. O presidente Nicolas Sarkozy pressionou o aliado a libertar a oposição civil.
A oposição e grupos de defesa dos direitos humanos acusam Déby de aproveitar a oportunidade para prender dissidentes e adversários do regime não-envolvidos com qualquer ato de violência.
Com a derrota dos rebeldes, recomeça o envio de uma força de paz da União Européia com 3,7 mil soldados, sendo 2,1 mil franceses, para o Leste do Chade, onde devem proteger os cerca de 350 mil refugiados do genocídio de Darfur acampados na região. Eles são alvo da milícia sudanesa Janjawid, um dos tentáculos do governo fundamentalista de Cartum na luta contra a população não-muçulmana.
Por ser a maioria da força de paz da UE, a França, antiga potência colonial, é vista como fiadora do presidente Déby. O presidente Nicolas Sarkozy pressionou o aliado a libertar a oposição civil.
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Forças leais ao presidente do Chade reagem
Com tanques e helicópteros, tropas leais ao presidente Idriss Déby contra-atacaram os rebeldes que tomaram parte da capital, Ndjamena, e cercaram o palácio do governo. A cidade está dividida: os rebeldes dominam o Oeste e o governo controla o Leste.
O ministro chadiano das Minas e Energia, general Mahamat Ali Abdallah Nassour, acusou o vizinho Sudão de ter feito um ataque por terra e ar equivalente a "uma declaração de guerra" contra a cidade de Adra. Ela fica na região do Chade que faz fronteira com a província de Darfur, onde o governo fundamentalista sudanês é acusado de cometer genocídio contra a população não-muçulmana.
Genocídio, a tentativa de exterminar todo um povo, como os nazistas quiseram fazer com os judeus na Segunda Guerra Mundial, é um crime contra a humanidade proibido por uma convenção das Nações Unidas. Todos os países signatários da convenção têm a obrigação de intervir para impedir um genocídio.
Desde 2003, cerca de 250 mil pessoas foram mortas e outros 2 milhões fugiram de Darfur. De lá, saíram os rebeldes que invadiram no sábado a capital chadiana.
Em sua defesa, o governo do Sudão alegou que a crise é um problema interno do Chade.
O ministro chadiano das Minas e Energia, general Mahamat Ali Abdallah Nassour, acusou o vizinho Sudão de ter feito um ataque por terra e ar equivalente a "uma declaração de guerra" contra a cidade de Adra. Ela fica na região do Chade que faz fronteira com a província de Darfur, onde o governo fundamentalista sudanês é acusado de cometer genocídio contra a população não-muçulmana.
Genocídio, a tentativa de exterminar todo um povo, como os nazistas quiseram fazer com os judeus na Segunda Guerra Mundial, é um crime contra a humanidade proibido por uma convenção das Nações Unidas. Todos os países signatários da convenção têm a obrigação de intervir para impedir um genocídio.
Desde 2003, cerca de 250 mil pessoas foram mortas e outros 2 milhões fugiram de Darfur. De lá, saíram os rebeldes que invadiram no sábado a capital chadiana.
Em sua defesa, o governo do Sudão alegou que a crise é um problema interno do Chade.
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