sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Itália processa 26 agentes secretos dos EUA

A Justiça da Itália denunciou 26 agentes secretos da Agência Central de Inteligência (CIA), e serviço de espionagem dos Estados Unidos, pelo seqüestro do ex-imã egípcio Ossama Mustafa Hassan Nasser, também conhecido como Abu Omar, em 17 de fevereiro de 2003, nas ruas de Milão.

Ao todo, são 35 acusados, entre eles seis italianos, inclusive o general Nicolo Pollari, antigo chefe dos serviços secretos militares italianos, e seu segundo, Marco Mancini. O processo será instaurado em 8 de junho.

É a primeira vez que um número tão grande de agentes americano é denunciado pela Justiça de um país amigo. O caso faz parte do escândalo dos mais de mil vôos clandestinos da CIA em território europeu para levar suspeitos de terrorismo seqüestrados na Europa para países que praticam a tortura.

O primeiro-ministro Romano Prodi já anunciou que seguirá a política de seu antecessor, Silvio Beslusconi: não vai pedir a extradição para não criar um atrito com Washington. Não existe a menor chance dos EUA extraditarem um agente seu acusado de cometer excessos na guerra contra o terrorismo.

Suspeito de terrorismo, o ex-imã foi seqüestrado por um comando da CIA em Milão e levado para a base americana de Aviano, na Itália, e em seguida levado para o Egito, onde foi preso e torturado: "Eles me obrigaram a andar de pés amarrados, eu caía e eles riam. Levei choques elétricos, fui espancado. Me mostraram fotos de tunisianos, marroquinos, egípcios e argelinos que vivem na Itália. Foi interrogado durante seis meses, até 14 de setembro de 2003.

Libertado no dia 11 de fevereiro pelas autoridades egípcias, Omar declarou que pretende processar o ex-primeiro-ministro Berlusconi. Quer uma indenização de 10 milhões de euros "por sua implicação no seqüestro como chefe de governo na época e por ter permitido à CIA que me capturasse".

Preços no atacado caem nos EUA

O índice de preços ao produtor nos Estados Unidos caiu 0,6% em janeiro por causa da redução nos preços do petróleo, mas o núcleo da inflação no atacado, excluídos os preços de energia e alimentos, subiu 0,2%. Ambos os dados estavam de acordo com as previsões dos economistas.

Num sinal de fragilidade da economia americana, o índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan caiu em fevereiro em relação a janeiro.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Bush quer ofensiva da OTAN no Afeganistão

O presidente George Walker Bush pediu hoje ajuda aos aliados europeus para reforçar as tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão: "Quero ver uma ofensiva da Otan no Afeganistão, e não uma ofensiva dos talebã", declarou o presidente dos Estados Unidos na Casa Branca.

A expectativa é que a milícia dos Talebã (estudantes), que governou o Afeganistão de 1996 a 2001, lance uma ofensiva na primavera do Hemisfério Norte. Bush quer se antecipar ao inimigo.

Um dia depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, os países da OTAN invocaram o artigo 5 da carta da instituição, que considera um ataque contra qualquer país-membro um ataque contra todos, deram solidariedade aos EUA e ofereceram suas Forças Armadas.

O problema é que depois do Afeganistão Bush invadiu o Iraque, sem o apoio da comunidade internacional. Agora aliados europeus como a França e a Alemanha, que se opuseram à guerra no Iraque, não querem se associar ao esforço de guerra dos EUA no Afeganistão com medo de retaliações e ataques terroristas.

Hillary exige voto do Congresso para ataque ao Irã

Sob pressão entre os democratas por ter votado a favor da invasão do Iraque, a senadora, ex-primeira-dama e candidata à Presidência dos Estados Unidos Hillary Clinton advertiu hoje o presidente George Walker Bush a não atacar militarmente o Irã sem a aprovação do Congresso.

"Se o governo acredita que qualquer uso de força contra o Irã seja necessário, o presidente deve pedir autorização ao Congresso", declarou em discurso a senadora pelo estado de Nova Iorque nesta quarta-feira.

"Seria um erro de proporções históricas se o governo acreditasse que a resolução de 2002 autorizando o uso da força contra o Iraque foi um cheque em branco para autorizar o uso da força contra o Irã sem nova autorização congressual", acrescentou Hillary.

A candidata à Casa Branca disse ainda que a resolução de 2001 autorizando a retaliação contra os responsáveis pelos atentados de 11 de setembro também não autoriza o uso da força contra o Irã: "Continuamos sofrendo as conseqüência da ação presidencial sem controle. Permitiu-se que o presidente cometesse um erro grave depois do outro durante muito tempo, sob a cobertura da sombra oferecida pelo Congresso de maioria republicana".

O Partido Democrata venceu as eleições intermediárias de 7 de novembro. Desde janeiro, tem maioria na Câmara e no Senado.

Indústria dos EUA tem maior queda desde Katrina

A produção industrial caiu 0,5% em janeiro nos Estados Unidos, em parte por causa dos cortes de produção na indústria automobilística. É a maior queda desde que o furacão Katrina atingiu o Golfo do México, em setembro de 2005, arrasando a cidade de Nova Orleans e afetando a produção de petróleo na região. Nos últimos 12 meses, houve uma alta de 2,6%.

O uso da capacidade instalada caiu de 81,8% para 81,2%, abaixo das previsões dos economistas, que eram de 81,6% para utilização da capacidade instaladas e de 0,1% para a queda na produção industrial.

Primeiro-ministro palestino renuncia

O primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh, do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), anunciou hoje oficialmente sua renúncia ao cargo para permitir a formação de um governo de união nacional com os principais partidos do movimento nacional que luta pela criação de um Estado palestino independente. Haniyeh deve ser convidado pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, da Fatah, para chefiar o próximo governo.

Na semana passada, o rei da Arábia Saudita negociou a paz entre os grupos palestinos Hamas e Fatah, depois de mais de 100 mortes na luta interna palestina na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. O movimento palestino enfrenta um boicote internacional desde a vitória do Hamas nas eleições legislativas de 25 de janeiro de 2006 porque o partido não abandonou a luta armada nem reconhece Israel.

Como o Hamas nega-se a reconhecer Israel, o governo israelense nega-se a negociar com o Hamas. A secretária de Estado, Condoleezza Rice, tentará relançar as negociações israelo-palestinas num encontro com Abbas e o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, na próxima segunda-feira, em Jerusalém.

Japão cresce num ritmo anual de 4,8%

O Japão, segunda maior economia do mundo, cresceu 1,2% no último trimestre de 2006 em relação ao trimestre anterior, superando a previsão do mercado, que era de 0,9%.

A taxa projeta um crescimento anual de 4,8% para a economia japonesa. Torna provável um aumento da taxa básica de juros do Banco do Japão de 0,25% para 0,5% ao ano na próxima quarta-feira, 21 de fevereiro.

Diante da boa notícia, o índice Nikkei da Bolsa de Tóquio subiu 0,81%, fechando em 17.897,23, o nível mais alto em sete anos.
E a moeda japonesa, o iene, subiu 1%, sendo cotada a 119,5 ienes por dólar e 156,9 ienes por euro.

Na última reunião dos ministros das Finanças do Grupo dos Sete (maiores potências industriais, sem a China: EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá), o Japão foi pressionado a valorizar o iene.

Como os países asiáticos, manipulam o valor de suas moedas para aumentar a competitividade de suas exportações, comprando dólares e euros, e acumulando reservas, o euro paga o custo do ajuste do dólar. Isto prejudica as exportações européias.

Agora, com mais um sinal consistente da recuperação japonesa, o iene tende a subir.

Padre Lugo lidera pesquisa no Paraguai

O padre e bispo demissionário Fernando Lugo lidera as pesquisas para a eleição presidencial de 2008 no Paraguai.

Em pesquisa divulgada ontem, 63% disseram ter uma imagem boa ou muito boa do padre. O general Lino Oviedo, que cumpre pena numa prisão militar por tentativa de golpe e não pode se candidatar, aparece em segundo, com 38% de opiniões positivas. Em terceiro, vem a ministra da Educação, Blanca Ovelar, do Partido Colorado, no poder há mais de 60 anos.

O presidente Nicanor Duarte, que não pode se candidatar à reeleição pela Constituição do Paraguai, ficou em décimo lugar com apenas 20%, atrás do vice-presidente Luis Castiglioni (24%) e de Alfredo Goli Stroessner, neto do ex-ditador do mesmo nome.

Lugo era bispo da Diocese de São Pedro, a região mais pobre do Paraguai, e organizou o movimento pela reforma agrária. O Vaticano não aceitou sua renúncia para ingressar na política. Mas ele já é visto como o grande fenômeno e a grande novidade política no Paraguai, comparado ao presidente Lula e ao caudilho venezuelano Hugo Chávez.

Argentina pede extradição de Isabelita Perón

O Ministério das Relações Exteriores da Argentina pediu ao governo da Espanha a extradição da ex-presidente Maria Estela Martínez de Perón (1974-76), a Isabelita, acusada em dois processos de desaparecimento de pessoas.

Na província de Mendoza, o juiz Héctor Acosta acatou denúncia contra a ex-presidente pelo desaparecimento de um militante político e a detenção de um menor durante seu governo, que precedeu a última ditadura militar argentina (1976-83). Em outro processo, a viúva do general Juan Domingo Perón é processada pelo juiz Norberto Oyarbide por assassinatos cometidos pela Aliança Anticomunista Argentina, a sinistre Triple A, organização de extrema direita liderada por seu ministro do Bem-Estar Social, José López Rega, el Brujo.

Isabelita foi detida em janeiro em Madri, a pedido das autoridades argentinas, e está em liberdade provisória. Foi operada no último fim de semana depois de uma queda em casa em que quebrou o cúbito e o rádio, dois ossos do antebraço direito.

Embora não tivesse nem de longe o charme de María Eva Duarte de Perón, a Evita, que morreu jovem de câncer em 1952, Isabelita foi indicada vice-presidente na chapa do general Perón, quando ele voltou à Argentina em 1973, depois de ser deposto por um golpe em 1955.

Quando Perón morreu, em 1974, ela herdou a chefia do governo. Mas não tinha estatura para dominar um movimento tão diverso como o peronismo, que ia do movimento guerrilheiro Montoneros, de extrema esquerda, à Aliança Anticomunista Argentina, a Triple A, de extrema direita. O conflito interno do peronismo ajudou a insuflar o sangrento golpe de 24 de março de 1976.

Seguiu-se uma onda de terror com 30 mil mortes. A fracassada ocupação das Ilhas Malvinas, em 1982, com a derrota da ditadura na guerra contra a Grã-Bretanha, desmoralizou os militares argentinos. No ano seguinte, eles entregaram o poder aos civis.

Depois de ficar presa por vários anos, Isabelita refugiou-se na Espanha em 1981, onde agora, aos 76 anos, aguarda o julgamento do pedido de extradição, no momento em que outro casal, Néstor e Cristina Fernández de Kirchner, ocupa em nome do peronismo o primeiro plano da política argentina.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Dow Jones bate recorde após fala de Bernanke

O Índice Dow Jones, o principal da Bolsa de Valores de Nova Iorque, fechou hoje novamente em nível recorde, pela primeira vez acima de 12.700 pontos, em 12.741,85, graças ao depoimento de Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve Board, o banco central americano, no Congresso dos Estados Unidos.

Bernanke começou a falar às 10h na Comissão de Bancos do Senado, em Washington. Disse estar satisfeito com a atual taxa básica de juros, de 5,25% ao ano, e que os riscos inflacionários estão diminuindo: "Até agora, os dados apóiam a visão de que a atual política deve estimular um crescimento econômico sustentável e uma queda gradual do núcleo da inflação". Mas advertiu que o Fed está "preparado para agir" se houver ameaça de inflação. Imediatamente, as ações passaram a subir em ritmo mais forte.

Na Bolsa Mercantil de Nova Iorque, o petróleo subiu 2,2%, fechando em US$ 58 por barril.

Chrysler promove massacre do Dia de São Valentim

Hoje é Dia dos Namorados nos Estados Unidos. Mas o presente que a fábrica de automóveis Chrysler - uma das três grandes de Detroit, da velha indústria automobilística americana, ao lado da General Motors e da Ford - dará a seus funcionários é uma lista de 13 mil demissões, no que está sendo chamado de Massacre do Dia de São Valentim.

Sob intensa pressão da concorrência das fábricas asiáticas, a Chrysler, controlada pelo grupo alemão Daimler-Benz, pretende reduzir em mil dólares o custo de cada carro. Vai fechar fábricas e parar de produzir modelos que não estão vendendo bem, como seus utilitários esportivos, na esperança de voltar a dar lucro em 2008.

As três grandes de Detroit são exemplos de gigantes da era industrial que não tiveram a flexibilidade necessária para se adaptar ao mundo globalizado. Hoje lutam para sobreviver. A GM tem mais chance. Quanto à Chrysler, a Daimler-Benz deixou claro que pretende vendê-la.

O verdadeiro Massacre do Dia de São Valentim aconteceu em Chicago em 14 de fevereiro de 1929, quando sete rivais da gangue de Al Capone foram assassinados.

Publicidade cresceu 22% na China em 2006

Por conta da concorrência entre bancos e de eventos esportivos como a Copa do Mundo e a Olimpíada de Beijim, em 2008, o mercado publicitário chinês cresceu 22% no ano passado, depois de expansões de 18% em 2005, 22% em 2004 e 39% em 2003.

A China disputa hoje com o Reino Unido o terceiro lugar entre os maiores mercados publicitários do mundo, depois dos Estados Unidos e do Japão. Em 2006, os anunciantes chineses gastaram US$ 36,9 bilhões.

Os maiores anunciantes são as indústrias farmacêutica e de produtos de higiene e beleza. Houve ainda um grande avanço do setor automobilístico.

O mercado publicitário na China cresceu muito mas ainda representa apenas 1,4% do produto interno bruto chinês, em comparação com 3% nos EUA. Ou seja, pode crescer muito mais.

Iraque fecha fronteiras com Síria e Irã

O governo do Iraque anunciou ontem o fechamento das fronteiras com a Síria e o Irã por 72 horas, e a ampliação do horário do toque de recolher noturno em Bagdá. Agora, fica proibido circular na capital das 20h às 6h; antes o toque de recolher começava às 23h.

As medidas fazem parte da nova estratégia americana para tentar controlar a segurança no país ocupado. Foram anunciadas em mais um dia de violência. Um carro-bomba explodiu junto a uma faculdade particular, o Colégio de Ciências Econômicas, matando 18 pessoas na capital iraquiana.

Ao fazer o anúncio na televisão, o general iraquiano Abud Kanbar, responsável pelo plano de ação, advertiu: "Todos os que violarem os termos deste decreto serão julgados com base na lei sobre terrorismo pelo Tribunal Superior de Justiça, que fará sessões especiais com este propósito".

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Eurozona cresceu 2,7% em 2006

Os 12 países da União Européia que adotavam o euro como moeda única tiveram um crescimento médio de 0,9% no último trimestre do ano passado, fechando 2006 com uma expansão de 2,7%, acima da expectativa média do mercado, que era de 2,5%, e do índice do ano passado, que foi de 1,4%. A UE como um todo cresceu 2,6%.

A Alemanha, maior economia européia e terceira do mundo, avançou 2,7% em 2006, seu melhor resultado desde 2000. Na França, segunda maior economia da eurozona, o crescimento foi de 2%. A Espanha expandiu-se em 3,8%.

Este crescimento aumenta a possibilidade de alta na taxa básica de juros do Banco Central da Europa, atualmente em 3,5% ao ano. No Reino Unido, com a queda da inflação de 3% para 2,7%, os analistas acreditam que o Banco da Inglaterra não subirá sua taxa básica de juros, hoje em 5,25% ao ano.

Déficit comercial dos EUA sobe após quatro meses

A alta dos preços do petróleo inflou as importações americanas em dezembro, aumentando o déficit comercial em 5,3% para US$ 61,18 bilhões, acima das previsões dos analistas.

No ano inteiro, o comércio dos Estados Unidos registrou um saldo negativo recorde de US$ 763,59 bilhões, dos quais US$ 232,55 bilhões com a China.

Coréia do Norte aceita parar programa nuclear

A Coréia do Norte aceitou em princípio fechar sua principal central nuclear em troca de uma ajuda energética e alimentar maciça. Não foram revelados muitos detalhes.

Pelo acordo, a Coréia do Norte deve fechar em 60 dias a usina nuclear de Ionguibiom, provável fonte do plutônio usado no teste nuclear de outubro passado, e autorizar a volta ao país de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão das Nações Unidas. Eles foram expulsos em 2003, quando os Estados Unidos acusaram o regime stalinista norte-coreano de violar um acordo firmado em 1994, durante o governo Bill Clinton.

Um ano e meio antes, o presidente George W. Bush tinha colocado a Coréia do Norte no que chamou de Eixo do Mal, ao lado do Irã e do Iraque. Ao atacar o Iraque, os EUA colocaram a Coréia do Norte e o Irã em estado de alerta para uma invasão americano.

Como disse o ex-ministro da Defesa da Índia Jaswant Singh, a grande lição da Guerra do Golfo de 1991 é que o país que quiser enfrentar os EUA precisa ter armas nucleares.

A demonização implícita no conceito de eixo do mal empurrou os dois países declarados inimigos por Bush para posições mais radicais, incentivando-os a desenvolver armas nucleares, como aliás observou o presidente da Rússia, Vladimir Putin, domingo passado, na Conferência de Munique, num discurso que lembrou o tempo da Guerra Fria.

Em troca do fechamento da usina de Ionguibiom, a Coréia do Norte vai receber uma ajuda em alimentos e energia equivalente a 50 mil toneladas de óleo combustível pesado, num total estimado em US$ 300 milhões. As negociações incluíram as Coréias, a China, os EUA, o Japão e a Rússia.

Para o negociador americano, Christopher Hill, o anteprojeto de acordo como "excelente". Mas o ex-embaixador americano na ONU, o linha-dura John Bolton, reclamou na TV CNN que a Coréia do Norte está sendo recompensada com maciças quantidades de óleo combustível em troca da paralisação apenas parcial de seu programa nuclear: "Isto manda o recado errado para os proliferadores no mundo inteiro".

A secretária de Estado, Condoleezza Rice, defendeu o acordo, dizendo que manda um sinal claro ao Irã de que a diplomacia funciona. Para os partidários do acordo, ele ainda não acaba com o problema, já que a Coréia do Norte não foi obrigada a se desarmar. Ficaram outras questões para serem negociadas no futuro, dentro dos mesmos parâmetros.

A chantagem nuclear da Coréia do Norte continua. Os negociadores têm a esperança de pouco a pouco irem desmantelando o programa nuclear norte-coreano.

Bomba iraniana é irreversível, admite UE

O Irã terá condições de enriquecer urânio para uso em armas atômicas e não há quase nada a fazer para impedi-lo, conclui um documento interno da União Européia revelado hoje pelo jornal Financial Times, de Londres. Até agora, as ambições do programa nuclear iraniano foram retardadas por problemas técnicos. A ação diplomática não deu o menor resultado prático, o que reforça a posição dos defensores de uma ação militar.

“Em algum estágio, devemos esperar que o Irã adquira capacidade para enriquecer urânio no teor necessário para armas atômicas”, diz o documento de 7 de fevereiro, distribuído aos 27 países-membros da UE antes de uma reunião do Conselho de Ministros do Exterior realizada no domingo.

“Na prática, os iranianos desenvolvem seu programa nuclear no seu próprio ritmo, tendo como fator limitante as dificuldades técnicas e não resolução da ONU ou da Agência Internacional de Energia Atômica”, reconhecem os europeus. “Os problemas com o Irã não serão resolvidos apenas com sanções econômicas”.

Isto inquieta ainda mais os estrategistas dos Estados Unidos e de Israel, que examinam a possibilidade de um bombardeio aéreo contra as principais instalações nucleares do Irã. A julgar pelo documento da UE, um ataque retardaria mas não impediria a fabricação da bomba iraniana. O país já teria o conhecimento tecnológico necessário. No ritmo atual, faria a bomba em dois a três anos, afirmam os falcões.

Leia a íntegra em minha coluna de política internacional no Baguete.com.br

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Bombas matam pelo menos 90 pessoas em Bagdá

Três ataques a bomba contra feiras de rua do centro da capital do Iraque mataram pelo menos 90 pessoas hoje, quando os iraquianos lembram o primeiro aniversário de um atentado contra um sanuário xiita na cidade de Samarra que deixou o país à beira da guerra civil.

Desta vez, no pior ataque, duas bombas explodiram uma após a outra na feira atacadista de Shorja, matando mais de 60 pessoas e ferindo outras 150. O Ministério do Interior disse que as explosões foram de um carro-bomba e de uma bomba deixada ao lado da estrada.

As explosões ocorreram no momento em que o primeiro-ministro Nuri al-Maliki e outras autoridades participaram de uma solenidade em homenagem às vítimas do ataque contra a mesquita de Samarra, em 22 de fevereiro do ano passado pelo calendário gregoriano, que completou um ano pelo calendário muçulmano. O atentado foi atribuído à rede terrorista Al Caeda, que é sunita.

Obama bate boca com líder da Austrália

O senador Barack Obama, candidato à Presidência dos Estados Unidos, contra-atacou ontem o primeiro-ministro da Austrália, John Howard, que o acusara de fazer o jogo dos terroristas ao defender a retirada de todas as tropas de combate americanas do Iraque até março de 2008.

Howard, um conservador, é um fiel aliado do presidente George W. Bush e mantém mais de mil soldados australianos no Iraque. Obama lançou sua candidatura no sábado como um político de centro-esquerda contra a guerra.

Sua principal adversária na disputa da candidatura democrata à Casa Branca, a senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton, justificou seu voto a favor da guerra e sua atual oposição alegando que o governo Bush distorceu as informações dos serviços secretos dos EUA para defender a invasão do Iraque. A culpa seria de Bush, e não de Hillary.

Diversos democratas criticaram o primeiro-ministro australiano por dar palpite sobre a eleição presidencial de 2008 nos EUA. Mas alguns republicanos argumentaram que, como um aliado que enviou tropas para o Iraque, Howard tem todo o direito de fazer comentários sobre a condução da guerra.

Negociação com Coréia do Norte está perto do colapso

As negociações sobre o programa nuclear da Coréia do Norte estão à beira do fracasso por causa das exigências de ajuda energética feitas pelo regime comunista de Pionguiangue para abrir mão da energia atômica.

Desde quinta-feira, os seis países envolvidos nas negociações - Coréia do Norte, Coréia do Sul, China, Estados Unidos, Japão e Rússia - tentam retomar um acordo fechado em setembro de 2005, quando Pionguiangue prometeu abandonar o desenvolvimento de armas nucleares em troca de ajuda econômica e energética. O problema agora está no volume da ajuda energética.

A Coréia do Norte está exigindo 2 milhões de quilovates de eletricidade, o que teria sido gerado pelos dois reatores prometidos no acordo firmado com os EUA em 1994, e mais 2 milhões de toneladas de óleo combustível pesado.

O Japão considerou as exigências "excessivas", acusando-as de "criar uma atmosfera de tensão".

Um jornal ligado ao regime stalinista norte-coreano disse que os EUA teriam concordado em suspendar as sanções financeiras como parte das medidas para convencer Pionguiangue a suspender a fabricação de bombas atômicas.

A Coréia do Norte realizou um teste nuclear com sucesso parcial em 9 de outubro de 2006.

"Uma Guerra Fria é suficiente"

O novo secretário da Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, usou de ironia para rebater as acusações do presidente da Rússia, Vladimir Putin, de que as ações "ilegais" e "unilaterais" de Washington jogaram o mundo num "abismo de conflitos permanentes".

"Uma Guerra Fria é suficiente", reagiu com humor o novo chefe do Pentágono, conhecido falcão do tempo da confrontação entre os EUA e a União Soviética, quando foi diretor da Agência Central de Inteligência (CIA). Gates teria sido um dos últimos a acreditar nas reformas de Mikhail Gorbachev. "Como um guerreiro frio, as declarações de ontem quase me deram nostalgia de uma era menos complexa. Quase".

Como ex-diretor da CIA, comentou, "acredito que velhos espiões têm o hábito de falar bruscamente. No entanto, estive num campo de reeducação. Passei quatro anos e meio como presidente de uma universidade".

EUA acusam Irã de armar iraquianos

O comando militar dos Estados Unidos no Iraque apresentou ontem o que considera provas de que um grupo de elite do Irã sob o controle direto do supremo líder espiritual da revolução islâmica, aiatolá Ali Khamenei, é responsável pelas bombas que mataram 170 soldados americanos.

Para os generais americanos, o uso de explosivos penetrantes contra as tropas dos EUA só é possível por causa do apoio iraniano a milícias xiitas iraquianas. Alguns morteiros de 81 mm também seriam de origem iraniana. Teriam sido entregues por membros da Guarda Revolucionária Iraniana, que responde diretamente a Khamenei.

Desde a invasão do Iraque, em março de 2003, 3.114 soldados americanos foram mortos no país. Neste mês, 38 americanos foram mortos nos primeiros dez dias.

Maioria das guerras é interna, étnica ou religiosa

Desde 1989, ano da Queda do Muro de Berlim, marco do final da Guerra Fria, as guerras entre países se tornaram obsoletas, afirma o professor Edward Kaufman, diretor adjunto do Centro de Desenvolvimento Internacional e Gerenciamento de Conflitos da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. Houve uma queda de 60% nos conflitos.

A imensa maioria das guerras é interna, provocada por questões étnicas ou religiosas. O problema, ressalva o pesquisador, que participou no início do mês do 3º Encontro do Grupo de Análise e Prevenção de Conflitos da Universidade Cândido Mendes, é que “os conflitos domésticos geralmente são mais longos e mais difíceis de resolver”.

Kaufman, judeu argentino naturalizado americano, não aceita a tese do choque de civilizações: "É uma maneira de estereotipar sociedades. Em todo país, há uma sociedade civil que pensa que nem nós".

De 161 países pesquisados, mais da metade são democracias e 55 foram atingidos pela violência desde 1990: dois terços enfrentaram conflitos armados e 31 estão sob risco.

As guerras de libertação nacional atingiram o pico no início dos anos 90, observa o professor Kaufman. “O terrorismo mudou o panorama internacional. As novas políticas de segurança afetam os direitos humanos: prisão de Guantânamo, tortura, repressão, discriminação a muçulmanos, prisões ilegais”.

O discurso antiterrorista desqualifica o inimigo, tornando difícil negociar.

Desde 1945, com as promessas de “genocídio nunca mais” depois da queda do nazismo e da libertação dos campos de concentração, a questão dos direitos humanos entrou na agenda internacional. Durante a Guerra Fria, lembra Kaufman, usava-se a expressão “Holocausto nuclear”. Nos 1970s, com a détente entre as superpotências e os acordos de Helsinque, o tema tornou-se ainda mais importante.

Hoje a intervenção por razões humanitárias é, além da legítima defesa, a única guerra legitimada pela Carta da ONU. “Não há soberania para tiranos”.

Já o professor Jacques d'Akesky, coordenador do Programa de Direitos Humanos do Centro de Estudos das Américas da UCaM, ao discutir Direitos Humanos e Ingerência Humanitária, ressalvou que "o direito de intervenção humanitária flexibiliza, se não solapa, o princípio de soberania nacional".

Outra característica da guerra pós-moderna é que é cada vez maior a porcentagem de civis mortos. Na Primeira Guerra Mundial, apenas 10% dos 20 milhões de mortos eram civis. Na Segunda Guerra Mundial, metade dos 55 milhões de mortos era civil. Na última década, 80%-90% dos mortos em guerra foram civis.

A guerra pós-moderna viola assim o princípio básico da guerra justa que é poupar civis inocentes, distinguindo combatentes e não-combatentes.

Kaufman diz que a solução de conflitos começou durante a Guerra Fria por iniciativa de cientistas dos EUA e da União Soviética que temiam a corrida armamentista nuclear. É uma diplomacia cidadã. Havia 500 ONGs dedicadas à paz na última Assembléia Geral da ONU, no ano passado.

Na prática, observa o professor argentino-americano, “um conflito entre as abordagens das ciências sociais e jurídicas, paz x justiça. Na abordagem dos direitos humanos, a justiça é inegociável, então os violadores dos direitos humanos devem ser excluídos. Mas a abordagem tradicional de solução de conflitos é conciliatória e inclusiva.

Entre suas conclusões, a professor da Universidade de Maryland citou:
- a mudança no conceito de soberania;
- há maior transparência e prestação de contas;
- estamos indo de um mundo centro em Estados para um mundo com muitos centros;
- se quase não há mais guerras internacionais, os conflitos domésticos são longos e difíceis de resolver;
- há o risco de uma corrida armamentista, com Estados e grupos não-estatais querendo ter acesso a armas de destruição em massa;
- há uma queda nos gastos militares;
- em 2000, o total de mortos e feridos em guerras foi de 300 mil, muito menos do que o 1,2 milhão de mortos no trânsito;
- a opinião pública democrática é cada vez menos tolerante com mortes em guerras;
- há um grande aumento nas missões de paz;
- meios pacíficos levam a fins pacíficos;
- os civis precisam controlar os militares;
- há um fracasso da Pax Americana?

Democracia dá segurança mas pode gerar conflitos

A democracia é importante para a segurança humana e a prevenção de conflitos, mas a transição gera conflitos, ao libertar forças políticas reprimidas por regimes autoritários, observa o pesquisa brasileira Valérie de Campos Mello, do Fundo das Nações Unidas para a Democracia. Durante o 3º Encontro do Grupo de Análise e Prevenção de Conflitos da Universidade Cândido Mendes, realizado em 1 e 2 de feveriro no Rio de Janeiro, ela lamentou ainda o impacto geopolítico da doutrina de guerras preventivas do governo George W. Bush.

O ponto de partida do trabalho do Fundo é a teoria da paz democrática, proposta inicialmente pelo filósofo alemão Immanuel Kant no seu Tratado para uma Paz Perpétua (1795): Sua idéia central é que a maioria dos cidadãos é contra a guerra, por isso as democracias raramente entram em conflito entre si.

Entre os exemplos clássicos, estão o Japão e a Alemanha. Os países que provocaram a Segunda Guerra Mundial foram ocupados e democratizados. Hoje são aliados dos EUA e a segunda e a terceira maiores economias do mundo.

O argumento contrário é que as democracias podem ser tentadas a se engajar em “cruzadas democráticas”, provocando “instabilidade regional, já que o uso da força não bons resultados”, afirma Valérie. “Outros autores entendem que autocracia dá mais estabilidade, que a democracia libera conflitos”.

“A democracia é um sistema político de negociação e solução pacífica de problemas”, define a pesquisadora da ONU, abalada hoje por “crises de representatividade, baixa participação político-eleitoral e corrupção”.

Para a ONU o desafio é criar o ambiente necessário para o florescimento da democracia, a preparação de eleições e a construção das instituições do Estado de Direito.

A ONU entende que boa governança, direitos humanos, paz e democracia estão interligadas. Um problema é que a ONU é uma organização intergovernamental e boa parte dos países-membros não é democrática.

“A democracia não é um dos objetivos da Carta da ONU”, admite Valérie. “Só em 2005, a democracia foi declarada um valor universal, que não é monopólio de ninguém. A democracia não é um luxo. É preciso reduzir o déficit democrático”.

Mesmo assim, o Fundo, que desenvolve 125 projetos em 110 países, só faz isso a pedido destes países. “A ONU concentra-se nas atividades básicas”, resume a pesquisadora:

1. Boa governança: o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) vai cuidar do fortalecimento das instituições democráticas.
2. Assistência eleitoral: preparação e fiscalização de eleições.
3. Fortalecimento da sociedade civil: estimular a participação do setor privado e de organizações não-governamentais.
4. Apoiar o diálogo político: criação de comissões para resolver questões étnicas, por exemplo.

“A prioridade é a inclusão social”, explica Valérie de Campos Mello. “A violência pode resultar de exclusão política e na distribuição da riqueza”. Daí surge outra questão: quem deve ser incluído depois da luta armada?

“Há um nexo entre democracia e conflito”, diz Valérie. “São necessárias instituições e participação para prevenir conflitos, voz e reconhecimento.”

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Estados falidos ameaçam a paz

Uma das maiores preocupações na prevenção de conflitos hoje em dia é a ameaça dos Estados Nacionais frágeis, países que podem entrar em colapso, observa o jornalista inglês Ivan Briscoe, pesquisador sênior da Fundação de Relações Internacionais e Diálogo Exterior (Fride), que participou no início do mês do 3º Encontro do Grupo de Análise e Prevenção de Conflitos da Universidade Cândido Mendes.

“Durante a Guerra Fria, havia países extremistas ideologicamente”, lembra Briscoe. “Hoje, resta só a Coréia do Norte. A maior preocupação é com Estados frágeis e sociedade incivilizadas que provocam desastres humanitários.”

Quando um Estado entra em colapso, atinge toda a região. “Um sexto da população mundial vive em Estados falidos, na África, no Afeganistão, no Haiti”, adverte o pesquisador. “O alarma veio com os atentados de 11 de setembro. Eles podem ser foco de terrorismo, criminalidade, epidemias. Mas apenas alguns são perigosos: Somália, Sudão, Afeganistão, por exemplo”.

Briscoe acredita que “o Afeganistão e o Haiti exigem pelo menos 20 anos de missão de paz, um longo compromisso internacional adaptado às demandas domésticas”.

A preocupação e a prevenção de conflitos devem-se a razões humanitárias e a riscos para a segurança internacional. Sem um Estado que funcione, é grande o risco de retorno da violência; 44% dos países pacificados retornam à violência dentro de cinco anos.

No final da Guerra Fria, nos anos 80 e 90, no Camboja, no Sul da África e da América Central, a fórmula era eleições livres e economia de mercado. “A versão madura tem muito mais cuidado com as questões políticas, o impacto da economia de mercado, a necessidade do processo ser conduzido por lideranças locais”, acrescenta Briscoe.

“Desde 2001, a União Européia transformou a prevenção num ponto central de sua política exterior”, diz o jornalista mas os recursos ainda são muito limitados. “Os países preferem ficar com seus próprios recursos. Alguns preferem dar apoio depois dos conflitos, não entendem a prevenção, como construir a paz e as instituições”.

A expansão da UE é um mecanismo de prevenção de conflitos, já que a promessa de associação futura serve para controlar crisis. Uma paz estável depende da construção de um Estado que funcione.

No caso de uma intervenção estrangeira, a estabilização ganha precedência sobre as mudanças necessárias para resolver as injustiças sociais que provocaram o conflito. No Afeganistão, por exemplo, houve uma mudança política mas não foi criado um verdadeiro Estado de Direito. As facções locais estão convencidas de que a intervenção estrageira não vai durar muito tempo.

Irã negocia mas não pára programa nuclear

No aniversário de 28 anos da Revolução Islâmica, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, admitiu negociar a questão nuclear mas rejeitou a suspensão do programa atômico como precondição. Os Estados Unidos acreditam que o regime fundamentalista iraniano acena com negociações só para ganhar tempo enquanto desenvolve armas nucleares.

"Se querem negociar, por que temos de suspender o programa?", perguntou o presidente iraniano. "Vamos conversar sobre o quê?"

O Irã insiste em que seu programa nuclear tem fins pacíficos. Nega-se a suspendê-lo, como exige o Conselho de Segurança das Nações Unidas, e a submetê-lo a inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Como o país é um dos maiores produtores mundiais de petróleo, os Estados Unidos acusam seu regime fundamentalista muçulmano de estar desenvolvendo bombas atômicas.

Em Munique, na Alemanha, durante uma conferência sobre segurança internacional, a mesma em que o presidente russo Vlaidimir Putin acusou os EUA de incentivar a proliferação nuclear, o principal negociar iraniano para o tema, Ari Larijani, declarou que seu país não ameaça ninguém: "Não ameaçamos Israel. Não temos intenções agressivas contra nenhum país".

Como o presidente radical Ahmadinejad já ameaçou "varrer Israel do mapa", a possibilidade de que o regime dos aiatolás tenha bombas atômicas preocupa seriamente o governo israelense.

Putin acusa EUA pela proliferação nuclear

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, responsabilizou o "uso quase incontido da força" pelos Estados Unidos de incentivar outros países a desenvolver armas atômicas: "Ações unilaterais e ilegítimas não resolveram nenhum problema, tornaram-se fontes de novos conflitos. Um país, os EUA, ultrapassou suas fronteiras nacionais em todos os sentidos".

Em Washington, o governo americano manifestou "surpresa e desapontamento". A Casa Branca não respondeu diretamente. Disse apenas que espera "continuar cooperando como a Rússia em questões importantes como contraterrorismo e para conter a proliferação de armas de destruição em massa.

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Globalização não reduz desigualdade e pobreza

O relatório Mundo Plano, Grandes Desigualdades, lançado hoje pelas Nações Unidas, concluiu que a globalização econômica não está ajudando a reduzir a pobreza e as diferenças sociais no mundo. A questão está sendo discutida na 45ª reunião da Comissão sobre Desenvolvimento Social, que revisa a implementação das decisões da reunião de cúpula mundial focada na questão social, realizada em 1995 em Copenhague, na Dinamarca.

Houve redução da pobreza na China e na Índia, dois países com mais de um bilhão de habitantes cada que crescem rapidamente, a taxas perto de 10% ao ano. Mas além de suas estratégias de desenvolvimento acelerado terem um custo ambiental elevado, a distribuição da riqueza em geral pelo mundo piorou e os índices de pobreza não foram alterados fundamentalmente desde 1980.

Como todo o desenvolvimento é desigual, já que alguns países, empresas e indivíduos ganham mais do que outros, o aumento da concentração da renda é compreensível. Mas a expectativa dos defensores da globalização era de que, diante do formidável aumento da riqueza, a pobreza tivesse diminuído.

Uma questão central é o emprego. Pela primeira vez na História da Humanidade, o crescimento econômico não vem obrigatoriamente acompanhado de um aumento na oferta de empregos porque os computadores estão substituindo o homem com vantagem em diversas atividades.

No Oriente Médio e no Norte da África, menos atingidos pela globalização, a desigualdade não mudou. No maioria dos outros países em desenvolvimento, piorou.

Com a liberalização financeira, em vez do capital ir dos países pobres para os países ricos, aconteceu o contrário. Os países em desenvolvimento financiam hoje os déficits orçamentário e comercial dos Estados Unidos.

Obama lança candidatura à Casa Branca

O senador democrata Barack Obama lançou hoje oficialmente sua candidatura à Presidência dos Estados Unidos. Filho de pai queniano, ele pode ser o primeiro americano de origem africana a chegar à Casa Branca. Antes, Obama precisa conquistar a candidatura do Partido Democrata.

Sua maior rival é a senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton. No momento, Hillary lidera as pesquisas entre o eleitorado afro-americano. Os partidários de Obama acreditam que esta situação pode mudar na medida em que ele se torne mais conhecido.

Obama se define como um político de centro-esquerda, preocupado com questões sociais, como previdência social, saúde e meio ambiente. Defende a retirada imediata das forças americanas que ocupam o Iraque.

Polícia israelense enfrenta palestinos em Jerusalém

A polícia de Israel enfrentou ontem manifestantes palestinos que protestavam contra escavações realizadas perto da mesquita de Al-Acsa, em Jerusalém, a terceira cidade mais sagrada do islamismo, depois de Meca e Medina. Do outro lado da chamada Esplanada das Mesquitas fica o Domo da Rocha, uma mesquita de cúpula dourada.

O problema é que no local, que os israelenses chamam de Monte do Templo, também fica o Muro das Lamentações, única parede que resta do templo histórico de Jerusalém, que os judeus ortodoxos querem reconstruir. Cada vez que há uma obra na esplanada, os árabes suspeitam que seja um plano para alabar os alicerces das mesquitas e derrubá-las para a reconstrução do templo.

É um lugar que evoca paixões políticas muito fortes. Está no centro do debate sobre o futuro de Jerusalém, já que fica no setor oriental ou árabe da cidade sagrada de três religiões.

Uma visita do então líder da oposição israelense Ariel Sharon ao Monte do Templo em 28 de setembro de 2000 provocou o início da Segunda Intifada, enterrando de vez o processo de paz iniciado em Oslo, na Noruega.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

França tem déficit comercial recorde

A França, sexta maior economia do mundo, apresentou um déficit comercial recorde em 2006, de 29,211 bilhões de euros, bem superior aos 23,1 bilhões de 2005.

Em entrevista de rádio hoje de manhã, a ministra do Comércio Exterior da França, Cristine Lagarde, que esteve na semana passada no Brasil, atribuiu o saldo negativo à alta dos preços do petróleo. Sem o petróleo, disse a ministra, o país teria superávit. Ela destacou o crescimento das exportações, que bateram recorde, chegando a 387 bilhões de euros.

Só para comparar, a vizinha e aliada Alemanha, terceira maior economia do mundo, teve no ano passado um saldo positivo de 161,9 bilhões de euros, superando os 158 bilhões de 2005. A Alemanha é a maior exportadora de produtos manufaturados mas deve ser superada pela China em breve como maior exportadora e em 2008 como terceira maior economia mundo.

As exportações alemãs cresceram 13,7%, chegando a 893,7 bilhões de euros. As importações aumentaram 16,5%, atingindo 731,7 bilhões de euros

Padre é candidato a Chávez do Paraguai

A próxima eleição presidencial no Paraguai está marcada para abril de 2008. Mas o monopólio de poder de 60 anos do Partido Colorado já está ameaçada. O candidato mais popular da oposição é o padre Fernando Lugo, um admirador dos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Bolívia, Evo Morales.

Para a revista inglesa The Economist, que o apresenta como o próximo Chávez ou o líder messiânico que empolga o Paraguai, o padre adquiriu status de pop star.

Como a vizinha Bolívia, o Paraguai é pobre, não tem saída para o mar e tem uma grande população indígena ou mestiça marginalizada. Durante 11 anos, o padre Lugo trabalhou em regiões rurais pobres organizando movimentos de luta pela terra e pela reforma agrária, uma necessidade num país onde mais de 40% dos 6 milhões de habitantes vivem no campo e a propriedade da terra é extremamente concentrada.

No ano passado, padre Lugo mobilizou 50 mil pessoas num protesto contra a corrupção.

Pressionado pelo Vaticano, ele largou a Igreja para ser candidato mas até agora isto não foi aceito. O padre fundou o movimento Teko joja (Igualdade e Justiça, em guarani). Promete aplicar os princípios da caridade cristã à política para construir "um país diferente, sem discriminação".

Como a Constituição do Paraguai proíbe tanto a reeleição quanto a candidatura de religiosos, o presidente Nicanor Duarte está propondo uma emenda constitucional para que os dois possam concorrer.

China defende política para a África

O presidente Hu Jintao defendeu nesta semana a política de investimentos da China em petróleo, cobre e outros recursos naturais da África, afirmando que não é uma nova onda de colonialismo porque a China "não fará nada capaz de prejudicar os interesses da África e de seus povos".

Este comentário foi feito em Pretória, capital da África do Sul, sexta escala de uma viagem por oito países (África do Sul, Camarões, Libéria, Moçambique, Namíbia, Ilhas Seicheles, Sudão e Zâmbia), a terceira de Hu à África.

Os críticos acusam a China de inflacionar o mercado de produtos primários e de destruir a incipiente indústria manufatureira africana. Apesar de comprar petróleo em grandes quantidades de Angola, da Nigéria e do Sudão, o comércio de bens industriais dá amplo saldo favorável aos chineses.

Hu tentou dizer que a China é diferente por também ter sofrido nas mãos do colonialismo ocidental: "Por mais de 100 anos da moderna História da China, o povo chinês esteve submetido à agressão colonial e à agressão por potências estrangeiras. Passou por um sofrimento e uma agonia similares às que a maioria dos países africanos suportaram", declarou o presidente chinês quarta-feira na Universidade de Pretória. "A China nunca impôs sua vontade ou práticas desiguais a outros países e nunca fará isso no futuro".

Com seu crescente poder econômico, na última década a China tornou-se uma parceira importante da África. Empresas chinesas constroem estradas, portos, estações de tratamento d'água, sistemas de telecomunicações, muitas vezes subsidiando os projetos ou batendo a concorrência com preços mais baixos. A China comprou áreas de prospecção de petróleo na Nigéria e minas de cobre na Zâmbia, e deu bilhões de dólares em empréstimos e ajuda.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Rigoberta Menchú será candidata na Guatemala

A líder indígena guatemalteca Rigoberta Menchú, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz 1992, será candidata à Presidência na eleição de setembro. Seu pai, um defensor dos direitos dos índios, morreu queimado num ataque da polícia contra a Embaixada da Espanha em 31 de janeiro de 1980.

Bancos centrais europeus mantêm taxas de juros

O Banco Central da Europa decidiu hoje manter sua taxa básica de juros dos países que adotem o euro como moeda em 3,5% ao ano. Mas sinalizou que o crescimento e as pressões inflacionárias devem provocar uma alta em março. Os diretores do banco estariam aguardando uma avaliação melhor do impacto dos últimos aumentos de juros.

Em Londres, o Banco da Inglaterra manteve a taxa básica de juros do Reino Unido em 5,25%, apesar de dados recentes sobre a expansão da indústria, que levaram alguns analistas de mercado a prognosticar uma alta de juros. Com a decisão, a libra esterlina caiu.

Economistas querem imposto contra efeito estufa

A melhor maneira de promover o desenvolvimento de fontes alternativas de energia é criar um imposto sobre combustíveis fósseis, disseram economistas entrevistados num sondagem da edição online de The Wall Street Journal . Mas isto não está nos planos do governo George W. Bush.

Dos 47 economistas ouvidos, 40 são a favor de um imposto. "Em geral, os economistas preferem uma solução de mercado, mas há momentos em que é preciso intervir", reconheceu David Wyss, do grupo Standard & Poor's. "Já estamos numa zona de perigo" por causa da perspectiva de suprimento de petróleo e do aquecimento global.

Na opinião da maioria dos economistas, o imposto é a melhor maneira de estimular o uso de novas fontes de energia. Ao aumentar o preço dos combustíveis fósseis, daria mais competitividade às alternativas.

Outros resultados da sondagem:

• Os economistas ajustaram para mais suas previsões de crescimento da economia dos EUA para o primeiro trimestre de 2007. Com alta de 0,3 ponto percentual, a expectativa agora é de aumento do PIB num ritmo anual de 2,5%.

• A maioria é cética em relação à promessa do presidente Bush de equilibrar o orçamento público federal dos Estados Unidos em 2012. A propabilidade é de 32%.

• Quanto à taxa básica de juros do Federal Reserve Board (Fed), o banco central dos EUA, 69% acreditam que o próximo movimento será de queda enquanto 31% apostam na alta. A maior parte espera estabilidade.

• O sentimento no mercado imobiliário melhorou. Na média, os economistas esperam que o preço da casa própria tenha subido 3,52% em média no ano passado. A estimativa anterior era de 2,76%. Para este ano, a média das previsões é de queda de 0,18%. Se descartado um economista que previu queda de 20%, a expectativa é de uma pequena alta.

Palestinos anunciam governo de união nacional

Em reunião na cidade sagrada de Meca promovida pelo sultão da Arábia Saudita, os dois principais partidos palestinos - a Fatah (Luta) do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) do primeiro-ministro Ismail Haniyeh - anunciaram o fim dos conflitos que deixaram 100 mortos nas últimas semanas e a formação de um governo de união nacional. O Hamas disse que respeita os acordos firmados entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Mas não reconhece o direito de existência de Israel.

O movimento palestino está em crise desde a vitória do Hamas nas eleições parlamentares de 25 de janeiro de 2006, que provocou um boicote internacional dos Estados Unidos, da União Européia e de Israel, que consideram o Hamas um grupo terrorista, exigem que abandone a luta armada e que reconheça Israel.

As negociações partiram do chamado Documento dos Prisioneiros, discutido por militantes do Hamas e do Fatah detidos em prisões israelenses. Ele propõe a criação de um Estado palestino com território na Cisjordânia, Gaza e no setor oriental de Jerusalém, áreas ocupadas por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Assim, o Hamas se aproxima da fórmula criação do Estado palestino em troca do reconhecimento de Israel nas fronteiras anteriores à guerra de 1967.

Pelo acordo, o Hamas terá a chefia do governo e sete ministérios: Educação, Bens Islâmicos, Trabalho, Municípios, Juventude, Justiça e Comunicação. Nomeará ainda três ministros independentes, do Interior, do Planejamento e do Estado.

A Fatah fica com os Ministério da Saúde, de Assuntos Sociais, das Obras Públicas, de Transportes, da Agricultura e de Assuntos de Prisioneiros. Indicará o ministro de Exteriores e um ministro de Estado que não pertençam aos dois grandes partidos.

Os pequenos partidos com representação no Conselho Legislativo Palestino, como a Frente Popular para a Libertação da Palestina, a Frente Democrática para a Libertação da Palestina, a Terceira Via e a Palestina Independente, ganham um ministério cada. O ministro das Finanças será Sallam Fayad, da Terceira Via.

Não é o acordo ideal porque o Hamas ainda se nega a reconhecer Israel, que usa isso para se recusar a negociar com o movimento islamita palestino. Agora, o rei Abdullah, da Arábia Saudita, precisa convencer seus aliados americanos de que foi o acordo possível. Caberia então aos EUA pressionarem seu principal aliado no Oriente Médio, Israel a começar as negociações.

Como o primeiro-ministro de Israel, Ehud Omert, anunciou ontem que a secretária de Estado, Condoleezza Rice, vai se encontrar em Jerusalém dia 19 de fevereiro com o presidente palestino, é um sinal de que os EUA querem relançar o processo de paz entre israelenses e palestinos.

A ocupação de territórios árabes por Israel desde 1967 é uma das principais causas do ressentimento do mundo árabe em relação aos EUA e ao Ocidente. Um acordo de paz melhoria a imagem dos EUA no Oriente Médio, ajudando na estabilização do Iraque.

Ministro iraquiano é preso por ligação com milícia

Numa operação conjunta, forças dos Estados Unidos e do Iraque prenderam hoje da manhã em Bagdá o secretário-geral do Ministério da Saúde iraquiano, Hakem Abbas al-Zamili, ligado ao aiatolá rebelde Muktada al-Sader e seu Exército Mehdi, a maior milícia xiita do país.

O ministro Ali al-Shammari criticou a ação, considerando humilhante o modo como o ministério foi invadido. Ele disse que teria colaborado, se a operação tivesse seguido os trâmites legais.

Em comunicado oficial, o comando militar americano declarou que "o suspeito está implicado nas mortes de diversos funcionários do Ministério da Saúde. Ele acusava e intimidava abertamente quem discordasse e questionasse suas ações".

Uma das grandes dúvidas quando o presidente George Walker Bush anunciou sua nova estratégia para o Iraque era se o governo do primeiro-ministro Nuri al-Maliki, um xiita, enfrentaria as milícias xiitas, já que os partidos xiitas o apóiam. A operação de hoje é um primeiro teste.

Diversos ataques mataram pelo menos 35 pessoas e feriram outras 100 hoje no Iraque.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Condenação de Bové é confirmada

Um tribunal de apelação da França confirmou hoje a condenação do líder camponês José Bové a quatro meses de prisão pela destruição de uma plantação transgênica em Menville, em junho de 2004. Ele acaba de se lançar candidato à Presidência da França nas eleições de abril e maio próximos, com uma plataforma antiliberal, anticapitalista e antiglobalização.

Bové também participou de um ataque contra uma produção de organismos geneticamente modificados no Rio Grande do Sul, quando participava do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, em 2002. É um defensor do protecionismo agrícola europeu em nome da preservação do estilo de vida camponês.

Se o protecionismo fosse apenas para propriedades familiares e agricultura orgânica (sem agrotóxicos), ainda seria aceitável, em nome da defesa do meio ambiente e do estilo de vida do camponês europeu. Mas os grandes beneficiários dos subsídios agrícolas que consomem quase a metade do orçamento da União Européia terminam sendo grandes empresas agroindustriais.

Esta é uma distorção do comércio internacional que se tornou inaceitável para o Brasil. A agricultura ainda é o grande obstáculo para o avanço das negociações de liberalização comercial da Rodada Doha da Organização Mundo do Comércio. As negociações foram retomadas no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, no final de janeiro. Mas como disse aqui, nenhum dos grandes atores (Estados Unidos, UE, Japão, China, Índia, Brasil, o Grupo dos Vinte) está disposto a fazer as concessões necessárias para se chegar a um acordo,

Produtividade cresce 3% nos EUA

A produtividade da economia americana cresceu a um ritmo anual de 3% no último trimestre do ano passado, depois de uma queda de 0,1% no terceiro trimestre.

O custo da mão-de-obra, um item fundamental nas estimativas inflacionárias do Federal Reserve Board, o banco central dos Estados Unidos, aumentou a uma taxa anual de 1,7%. Assim, não estaria exercendo pressão sobre os preços.

Com aumento de produtividade e custos trabalhistas contidos, a perspectiva é favorável para a maior economia do mundo, que cresceu 3,4% em 2006.

Rebeldes derrubam mais um helicóptero dos EUA

Os rebeldes que lutam contra a invasão do Iraque pelos Estados Unidos derrubaram hoje mais um helicóptero, o quinto em três semanas, matando sete militares americanos. Suspeita-se que eles tenham obtido um novo equipamento.

Plano para pacificar Bagdá entra em ação

O plano conjunto de americanos e iraquianos para controlar a segurança em Bagdá está em "pleno andamento", anunciou hoje o porta-voz das forças dos Estados Unidos no Iraque, general William Caldwell. Participam 85 mil soldados, 50 mil iraquianos e 35 mil americanos, numa tentativa de conter a violência na capital iraquiana, que matou cerca de 17 mil pessoas, segundo dados das Nações Unidas.

Foram instaladas barreiras para revistar carros e serão instalados postos de polícia por toda a cidade. Pelo menos 2 mil americanos foram utilizados nas primeiras ações.

Índia projeta crescimento de 9,2% neste ano

A economia da Índia, um dos países que mais crescem no mundo, deve se expandir num nível recorde de 9,2% no ano fiscal que termina em 31 de maio, um pouco acima dos 9% do ano anterior, revelou hoje em Nova Déli a Organização Central de Estatísticas. O principal índice da Bolsa de Valores de Mumbai (ex-Bombaim) subiu 44% nos últimos 12 meses.

O maior crescimento do crédito em três décadas, de 30% ao ano nos últimos três anos, e os aumentos salariais reais de 7%, em média, aumentam a demanda por automóveis, eletrodomésticos, telefones celulares e outros bens de consumo associados à classe média. Este crescimento do consumo impulsiona a indústria, que cresceu 11,3% em um ano, um recorde para o país. Os serviços financeiros cresceram 11,1%, e os transportes e comunicações, 13%.

Pelos cálculos do Fundo Monetário Internacional, a Índia deve superar a Coréia do Sul, tornando-se a terceira maior economia da Ásia, depois do Japão e da China.

A expansão da economia indiana, de US$ 854 bilhões, está sendo alimentada por uma alta taxa de poupança interna (32,4% do PIB), gastos em estradas, portos e outras obras de infra-estrutura, e investimentos externos diretos. A taxa de investimentos é de 33,4%.

"A fase de decolagem do desenvolvimento econômico há muito é associada com taxas de investimento e poupança acima de 30% do PIB", observou Stephen Roach, analista sênior do banco de investimentos Morgan Stanley conhecido por suas opiniões pessimistas. "A Índia está em movimento e pode bem ser uma das mais excepcionais histórias de desenvolvimento econômico dos próximos três a cinco anos".

O governo do primeiro-ministro Manmohan Singh planeja investimentos de US$ 320 bilhões até 2012 para melhorar a infra-estrutura, criar um ambiente favorável a investimentos privados, gerar empregos e manter o crescimento numa taxa de 9% ao ano. A China cresceu 10,7% em 2006, acima do esperado, causando temores de aumento da inflação.

Na Índia, a inflação anual subiu para 6,11% ao ano. Desde setembro, está acima dos 5% considerados ideais pelo banco central. Na semana passada, pela primeira vez em 14 anos, a economia indiana ganhou avaliação de grau de investimento pela agência de classificação de risco Standard & Poor's por causa das perspectivas favoráveis. O Brasil sonha com isso há anos.

Governo Kirchner manipula índice de inflação

A divulgação do índice de preços ao consumidor com atraso e depois de vários adiamentos está provocando duras críticas ao governo Néstor Kirchner, que estaria manipulando os números tendo em vista a eleição presidencial de outubro na Argentina. Enquanto alguns técnicos estimam que o índice real da inflação de janeiro seria 2,1%, o governo divulgou oficialmente 1,1%. A cesta básica subiu 2,6%.

Economistas e oposicionista acusam Kirchner de manipular os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). A controvérsia foi provocada quando o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, trocou a diretora de Preços, Graciela Bevacqua, por Beatriz Paglieri, funcionária de sua confiança.

No passado, houve produtos que entraram ou saíram do índice para evitar variações muito grandes. Mas jamais teria ocorrido uma manipulação direta do número final. "Ao se perder a credibilidade das cifras publicadas, fica ao arbítrio da imaginação de cada pessoa o verdadeiro nível de inflação", declarou em editorial o jornal La Nación.

Kirchner, que vive às turras com a imprensa, afirmou: "Não me vão botar para correr por causa de duas capas de jornal".

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Rei da Arábia Saudita pede paz a facções palestinas rivais para que não "desperdicem sua longa luta"

Para promover paz entre grupos palestinos rivais, o sultão Abdullah, da Arábia Saudita, defendeu a unidade para "conquistar as aspirações do povo palestino", ao se reunir separadamente com três importantes líderes palestinos na cidade sagrada de Meca: o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas; o chefe político do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), Khaled Mechal, exilado na Síria; e o primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh, também do Hamas. Hoje, haverá uma reunião com todos.

"O que está acontecendo na Palestina serve apenas aos inimigos da nação islâmica", disse o rei ao presidente Abbas, a Mechal e ao primeiro-ministro Haniyeh. "Se continuar, vai roubar dos palestinos os frutos de sua longa luta. Se o conflito entre os irmãos palestinos".

Antes do encontro, o rei recebeu mensagem do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.

Em Israel, o primeiro-ministro Ehud Olmert anunciou que Abbas vai se encontrar com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, em Jerusalém, no dia 19 de fevereiro.

Ministra do Comércio Exterior da França defende globalização mais humana e energia nuclear

RIO DE JANEIRO - É preciso colocar a globalização a serviço do homem envolvendo todos os atores responsáveis, criando um comércio mais justo e um modelo de desenvolvimento sustentável, afirmou ontem a ministra do Comércio Exterior da França, Cristine Lagarde, em palestra na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Durante sua visita ao Brasil, que também incluiu Brasília e São Paulo, ela defendeu o uso da energia nuclear para gerar eletricidade como forma de reduzir a emissão dos gases que provocam o aquecimento da Terra. A França é o país que mais usa energia nuclear percentualmente, e uma empresa estava na delegação da ministra. Cristine Lagarde visitou as obras da usina Angra 3 e lamentou que os componentes estão jogados, sem utilização.

Ela não está otimista quanto às negociações de liberalização comercial da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio, retomadas depois do Fórum Econômico Mundial de Davos. O Brasil e outros países em desenvolvimento, reunidos no Grupo dos Vinte (G-20) exigem a eliminação dos subsídios agrícolas dos países ricos, e a França é um dos países mais protecionistas do mundo.

No momento, nenhuma das partes está disposta a fazer concessões que viabilizem um acordo. A Rodada Doha, lançada em novembro de 2001 no Catar, pode se arrastar por anos, como sua antecessora, a Rodada Uruguai, que levou sete anos.

A ministra não quis se arriscar a prever quantos anos serão necessários. Fugiu da pergunta, alegando que há questões técnicas a resolver.

Mas seu tema no Rio era uma globalização mais humana. Quando se toca na questão do humanismo, no discurso, os franceses são generosos, solidários e defensores dos países pobres. Mas há uma enorme distância entre discurso e prática.

Cristine Lagarde reconheceu que "a mundialização é ambivalente: mais de 350 milhões de pessoas saíram da pobreza mas há efeitos negativos. Mais da metade dos franceses acha que ela é negativa. A mundialização é ambivalente, complexa e mal aceita. Há um desenvolvimento incompleto dos mecanismos de governança global".

Aiatolá Sistani prega união de muçulmanos

O grão-aiatolá xiita Ali al Sistani, principal autoridade religiosa do Iraque, fez um apelo à união dos muçulmanos. Em mensagem divulgada hoje o aiatolá reconhece que "a nação muçulmana está passando por tempos difíceis, enfrentando crises e enormes desafios perigosos para seu presente e seu futuro. É clara para todos a necessidade de se aproximar, abandonando a desunião, e de não incitar o conflito sectário e a discórdia confessional. Estas são disputas centenárias para as quais não houve soluções aceitáveis. É portanto inaceitável provocar o debate, a menos no contexto de uma pesquisa científica séria, especialmente quando eles estão no verdadeiro centro da religião e da ideologia do Islã".

Sistani reafirma que todos têm "uma sólida crença em um único Deus, na mensagem do profeta escolhido, no Dia do Juízo final e que o sagrado Corão, ao lado da Suna, é a fonte do direito islâmico (charia)". Estes fatores serviriam como alicerce sólido para a unidade dos muçulmanos sunitas e xiitas: "É portanto necessário focar no fortalecimento dos lações entre os filhos da nação e é igualmente importante trabalhar por uma coexistência baseada no respeito muito, evitando ao mesmo tempo as provocações e conflitos sectários quaisquer que sejam os motivos".

Desde a invasão americana, Sistani tem desempenhado um papel moderador, colaborando com o governo e tentando acalmar o país nos piores momentos.

Dante usava drogas como inspiração

O poeta Dante Alighieri (1265-1321), autor da A Divina Comédia, a obra-prima da literatura italiana, usava drogas para se inspirar em suas criações, revela a pesquisadora britânica Barbara Reynolds, uma das maiores especialistas em Dante. Em artigo sobre o último livro de Barbara, Dante: o Poeta, o Pensador Político e o Homem, o jornal Corriere della Sera revelou que o grande poeta florentino usou drogas como maconha e mescalina.

A especialista de 94 anos, famosa por ter feito a melhor tradução de A Divina Comédia para o inglês, provocou uma revolução nos estudos sobre Dante e no establishment cultural italiano com sua revelação indiscreta.

Isto explicaria por que no primeiro canto do Paraíso, a terceira parte da Divina Comédia, depois do Inferno e do Paraíso, ao subir ao céu Dante se compara com Glauco, que havia se transformado numa divindade marinha depois de se alimentar com uma erva.

Barbara Reynolds sugere que as visões do paraíso se devem em grande parte às experiências psicodélicas de Dante. Ela põe em dúvida a existência de Beatrice, a musa inspiradora e amor impossível do poeta. Apesar de alguns estudiosos indicarem que ela era uma filha de Folco Portinari, a autora acredita que a musa talvez fosse apenas fruto da imaginação fértil do poeta.

As drogas são apenas um detalhe do livro, de 500 páginas, mas virou capa do Times Literary Supplement, que abriu a manchete: "Dante drogado".

Na Itália, a intelectualidade reagiu. "É uma hipótese de pouca credibilidade", afirmou o professor Guglielmo Gorni, presidente da Sociedade Dantesca Italiana. "Há uma fastidiosa e difusa tendência de projetar sobre Dante todos os nossos vícios, até os mais inconfessáveis".

Mas o professor de literatura Giulio Leoni, autor de três novelas policiais sobre Dante, declarou que "não só é possível como provável" que o poeta maior da literatura italiana usasse drogas: "O dantismo oficial deixou na sombra muitos aspectos da vida de Dante. Ele foi reprimido pela crítica acadêmica, quase toda católica, que o quis embalsamar como o grande poeta da Cristandade".

Leoni lembra que Dante conhecia bem a farmacopéia e sabia utilizar plantas medicinais: "Em minhas novelas, mais de uma vez imaginei Dante preparando remédios para curar seus males. Quem pode excluir que ele usasse plantas para outros fins?"

Correa ameaça anular contrato da Petrobrás

Enquanto o presidente Evo Morales recusa-se a vir ao Brasil se o país não pagar o "preço político" que exige pelo gás da Bolívia, o recém-empossado presidente do Equador, Rafael Correa, ameaça romper um contrato que permite à estatal brasileira explorar petróleo em seu país, se for confirmado que a empresa violou a legislação ambiental equatoriana.

"Se foram cometidas graves irregularidades, seja pela Petrobrás ou quem quer que seja, se poderá declarar a caducidade do contrato", advertiu o novo presidente equatoriano, alinhado ideologicamente com o caudilho venezuelano Hugo Chávez, no programa de rádio O Presidente Dialoga com o Povo, que vai ao ar todos os sábados.

"Qualquer empresa", acrescentou Correa, "seja do Brasil, China, privada ou pública, que comete um atentado contra o meio ambiente no Equador, desnecessário porque sempre a exploração petrolífera terá um impacto ambiental, sofrerá as sanções da lei. A pátria não está a venda".

Chantagem atômica: Coréia do Norte quer 500 mil toneladas de petróleo para deixar energia nuclear

A Coréia do Norte exige 500 mil toneladas de petróleo por ano para abandonar seu programa nuclear, revela o jornal japonês Asahi Shimbun, citando como fontes especialistas americanos que visitaram o país a convite do governo de Pionguiangue. O regime stalinista norte-coreano alega que este foi o compromisso assumido pelos Estados Unidos no acordo de 1994.

Além de fornecer petróleo para que a Coréia do Norte não precise de energia nuclear, os EUA ficaram de construir dois reatores de água leve para substituir os reatores de grafite, que podem ser usados para fabricar plutônio, elemento artificial usado em bombas atômicas, como em Nagasaque, no Japão, destruída em 9 de agosto de 1945, três dias depois da bomba de Hiroxima.

O regime norte-coreano exige ainda ser retirado da lista do Departamento de Estado americano dos países que apóiam o terrorismo e o fim das sanções financeiras aplicadas desde novembro de 2005, quando os EUA acusaram Pionguiangue de derramar dólares falsos no mercado internacional.

Nesta quinta, as negociações de seis partes (EUA, China, Coréia do Norte, Coréia do Sul, Japão e Rússia) serão retomadas em Beijim. Será uma oportunidade para ver se Pionguiangue quer negociar para valer. É mais provável que continue com seu jogo de alternar propostas de concessões com rupturas do diálogo acompanhadas de ameaças e até de testes nucleares.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Apples chegam a acordo sobre marca

A empresa de informática Apple, fabricante dos computadores Macintosh e dos iPods, e a gravadora Apple, dos Beatles, fizeram um acordo que dá à fábrica de computadores a propriedade de todas as marcas registradas relacionadas à Apple, inclusive a imagem da maçã. Algumas marcas serão licenciadas para uso da gravadora Apple. Todas as reclamações judiciais serão suspensas.

"Amamos os Beatles. Foi doloroso estar em conflito com eles em torno de marcas", desabafou o presidente da Apple, Steve Jobs. "É ótimo resolver isto de modo positivo e a evitar futuros desentendimentos".

Em 1991, depois de um processo de 100 dias, as duas empresas assinaram um acordo sobre o uso da marca. Mas diante do sucesso do iPod e da loja de música virtual da Apple Computers, a gravadora alegou que a empresa de informática violara o acordo ao entrar no "negócio de música".

A Apple também enfrenta uma questão de propriedade intelectual relativa a seu mais novo lançamento, o iPhone, que combina o iPod com telefone celular. A Cisco System alega ter patenteado o nome.

Bush propõe orçamento de US$ 2,9 trilhões

O presidente George Walker Bush enviou à Câmara uma proposta de orçamento federal para os Estados Unidos de US$ 2,9 trilhões para o ano fiscal, que começa em outubro, sendo US$ 481,4 bilhões (17%) para Defesa. Como Bush pediu mais US$ 235 bilhões para as guerras no Iraque e no Afeganistão, o total de gastos militares dos EUA até 30 de setembro de 2008 será de US$ 716 bilhões, um recorde.

Em 2007, o déficit orçamentário projetado é de US$ 187 bilhões; para 2008, de US$ US$ 239 bilhões.

Para cumprir sua promessa fictícia de equilibrar o orçamento dentro de cinco anos, Bush quer cortar gastos sociais com saúde e previdência no valor de US$ 95 bilhões. Pelas projeções do governo, em 2010 o déficit cairia para US$ 94 bilhões; em 2012, haveria superávit fiscal pela primeira vez desde 2001, ano em que Bush assumiu.

É improvável que a oposição democrata, que controla desde o início deste ano as duas casas do Congresso, concorde com estes cortes.

Britânicos pedem negociação com Irã

Um grupo de sindicatos, organizações não-governamentais e instituições beneficentes britânicas divulgou ontem documento pedindo a abertura de dialogo com o Irã. Em ‘Hora de Conversar: a defesa de uma solução diplomática para o Irã’, os analistas argumentam que uma guerra seria devastadora:
- aumentaria ainda mais o terrorismo,
- reforçaria a determinação do regime iraniano de ter a bomba atômica,
- desestabilizaria ainda mais o Oriente Médio e
- provocaria uma forte alta nos preços do petróleo, com impacto sobre toda a economia mundial.

“O recurso à ação militar, a não ser em legítima defesa”, observa Sir Richard Dalton, ex-embaixador britânico no Irã, “é não somente improvável que funcione mas seria desastroso para o Irã, para a região e possivelmente para o mundo”.

Tanto o presidente Bush quanto o porta-voz conservador britânico para Defesa, Liam Fox, insistem em que é preciso deixar todas as opções na mesa, inclusive a ação militar, para aumentar a pressão sobre o Irã.

O IRÃ É CONFIÁVEL?
Se o presidente radical Mahmoud Ahmadinejad se mostra irredutível na questão nuclear, negando-se a suspender o programa de enriquecimento de urânio, que deve atingir escala industrial com a instalação de mais 3 mil centrífugas, a liderança khomeinista, inclusive o Supremo Líder Espiritual, aiatolá Ali Khamenei, estariam preparando a opinião pública para um recuo.

Diante do reforço da presença naval americana no Golfo Pérsico, da nova ofensiva contra os agentes iranianos no Iraque, do fracasso do Hesbolá (Partido de Deus) de derrubar o governo pró-ocidental do Líbano e da queda nos preços do petróleo, a república dos aiatolás recua.

Em artigo no The Wall Street Journal, o orientalista Amir Taheri prevê que o Irã proponha algum acordo, suspendendo o enriquecimento de urânio, como exige o Conselho de Segurança das Nações Unidas, em troca do fim das sanções. Ao mesmo tempo, haveria sinais de cooperação com a estabilização do Iraque.

Isto reforçaria a posição dos que defendem o diálogo com o Irã, inclusive o Grupo de Estudos sobre o Iraque e seus presidentes, James Baker e Lee Hamilton. Taheri pergunta o que a república dos mulas tem a oferecer, além da dissimulação. Um acordo com um regime fanático e radical poderia ser apenas uma manobra para ganhar tempo.

Afinal, a suspensão do enriquecimento de urânio não teria custo nenhum para a república islâmica, que não usa energia nuclear para produzir eletricidade porque tem petróleo em abundância. O programa nuclear poderia ser retomado assim que a pressão internacional fosse aliviada.

“O problema do regime”, sustenta Taheri, “está em sua natureza, suas ambições totalitárias e suas pretensões messiânicas. Ser inimigo dos EUA, e de todas as democracias, está em seu DNA político. Um escorpião pica porque está programado pela natureza para agir assim. Um regime que é inimigo do seu próprio povo não pode ser amigo de outros.

“A ameaça do khomeinismo à estabilidade do Oriente Médio e, além dele, à paz internacional, não será removida até que o Irã volte a ser um Estado Nacional normal com as ambições e os interesses de um país normal.”

Assim, o autor adverte que um recuo tático ou uma mudança temporária de comportamento do regime dos aiatolás não resolverá a questão. O problema só acaba quando o Irã deixar de ser um Estado revolucionário e se tornar um país normal, uma potência regional herdeira do nacionalismo persa.

Gorbachev defende multilateralismo

Diante do fracasso da guerra de Bush, erguem-se mais e mais vezes na defesa de uma solução negociada para o caos no Iraque, inclusive do ex-presidente da União Soviética e ex-secretário-geral do Partido Comunista da URSS, Mikhail Gorbachev.

Em artigo distribuído pelo jornal The New York Times, Gorbachev acusa Bush de insistir no unilateralismo: “Parece que os líderes americanos não fizeram se não esquecer os princípios – tão conhecidos, indispensáveis e testados pelo tempo – do diálogo e da cooperação para resolver os problemas internacionais, que funcionaram com perfeição para pôr fim à Guerra Fria”.

Gorbachev defende a solução do conflito palestino-israelense, com a criação de um Estado palestino ao lado de Israel, que “mudaria a equação do poder no Oriente Médio e teria um impacto favorável nas relações internacionais”. Também cobra de Bush um diálogo com inimigos como a Síria e o Irã que lhes ofereça uma alternativa construtiva.

“Os problemas de segurança regional ou global não serão resolvidos, nem o terrorismo internacional será derrotado, aferrando-se às políticas falidas do unilateralismo”, adverte o homem que ajudou a acabar com a confrontação EUA x URSS. “Os mecanismos de cooperação e associação estão disponíveis, incluem o Quarteto no Oriente Médio, as negociações de seis partes sobre a questão nuclear da Coréia do Norte, os diversos grupos de contato e organizações regionais da Ásia, da África e da América Latina, entre outras. Todos estes mecanismos deveriam ser revitalizados e utilizados plenamente”.

Como o discurso de Bush certamente desapontou muita gente na Europa, nos EUA e no Oriente Médio, Gorbachev considera importante “canalizar esta reação numa direção construtiva”. Ele alerta que não há tempo a perder, “a menos que o aumento da presença militar americana na região seja parte, desde o princípio, de um plano secreto do governo dos EUA para invadir o Irã”.

Violência no Iraque aumenta pressão para Bush negociar com o Irã e a Síria

Com a morte violenta de mais mil pessoas no Iraque na semana passada e de pelo menos 27 até agora, nesta segunda-feira, a estratégia do presidente George Walker Bush de enviar mais 21,5 mil soldados americanos está sendo cada vez mais questionada. Crescem os apelos para que os Estados Unidos abram diálogo com a Síria, o Irã e outros países do Oriente Médio para negociar uma solução política para a guerra civil entre sunitas e xiitas, que ameaça envolver toda a região.

Mas como com ironia diz o professor francês Pascal Boniface, em seu Ano Estratégico 2007, invertendo uma metáfora futebolística, “em estratégia que está perdendo não se mexe”. Bush está pedindo mais US$ 250 bilhões ao Congresso, elevando para U$ 700 bilhões o total gasto até agora no Iraque e no Afeganistão, enquanto a situação no terreno se agrava a cada dia sem que se veja nenhum sinal de que as forças de segurança iraquianas darão conta da missão.

Em um artigo interessante no jornal Financial Times, o professor Anatol Lieven, pesquisador da New América Foundation, lembra o discurso das quatro liberdades prometidas pelo presidente dos EUA Franklin Roosevelt em 1941, ao preparar o país para a guerra contra a Alemanha nazista e o Japão:
- liberdade de expressão,
- liberdade de religião,
- estar livre de passar necessidade e
- liberdade de não ter medo de guerras e da violência.

Lieven argumenta que, com uma definição mais ampla de democracia do que simplesmente a realização de eleições, a nova estratégia de Bush teria mais chances de sucesso do que a fórmula dos anos 90: eleições e livre mercado. Nota que Roosevelt não incluiu o direito de voto mas o direito de não passar necessidade. Em outras palavras, a consolidação da paz exige o desenvolvimento e uma expectativa de maior justiça social.

“O Ocidente precisa lembrar as quatro liberdades de Roosevelt, se quiser formular estratégias de desenvolvimento que ajudem a lançar as bases da democracia em longo prazo”, sustenta o pesquisador. “Igualmente importante é entender por que tantos povos ao redor do mundo estão dispostos a apoiar regimes autoritários que parecem garantir algumas destas liberdades fundamentais”.

Este é um dos aspectos centrais do atoleiro em que os EUA se meteram no Iraque. Sem atender às necessidades básicas da população de segurança, água, energia, a nova ordem imposta pela invasão americana não se consolida como um governo atuante. Não tem apoio popular.

Na realidade, como observou na semana passada no Rio a pesquisadora Valérie de Campos Mello, do Fundo das Nações Unidas para a Democracia, a guerra no Iraque, ao ser justificada em nome da democratização, prejudica o trabalho de promoção da democracia no mundo.

Neste momento, a democracia está acuada no Iraque, no Líbano e na Venezuela, e a Revolução Laranja perdeu o pique na Ucrânia. A democracia perdeu prestígio.

Para o professor Pedro Cunca Bocayuva, do Instituto de Relações Internacionais da PUC-RJ, ao invadir o Iraque os EUA reintroduziram o estado de guerra permanente nas relações internacionais. Isto desvaloriza a democracia, que é em última análise a decisão de uma sociedade de resolver seus conflitos pacificamente.

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Mil iraquianos foram mortos em uma semana

O Ministério do Interior do Iraque estima que pelo menos mil pessoas foram mortas na semana passada em tiroteios, batalhas e atentados a bomba.

No sábado, pelo menos 135 pessoas morreram e outras 300 foram feridas num ataque com um caminhão-bomba contra uma feira popular de Bagdá, num dos piores atentados desde a invasão americana, em março de 2003. Hoje, novos ataques deixaram pelo menos 14 mortos e 46 feridos.

Desde 20 de janeiro, os rebeldes conseguiram derrubar quatro helicópteros americanos. O governo iraquiano acusa a vizinha Síria de dar passagem para guerrilheiros muçulmanos que aderem à 'guerra santa' contra os Estados Unidos e seus aliados.

Maioria dos britânicos quer renúncia de Blair

A maioria dos britânicos entende que o primeiro-ministro Tony Blair deve renunciar ao cargo imediatamente. Em pesquisa do instituto ICM para o jornal Sunday Express, 56% disseram ser a favor da saída imediata do chefe de governo. Mesmo entre os eleitores trabalhistas, 43% querem que ele apresente sua demissão.

Na semana que passou, revelou-se que Blair foi interrogado uma segunda vez pela polícia no escândalo sobre a troca de doações para partidos políticos em troca de títulos de nobreza. Um dos principais arrecadadores do Partido Trabalhista, preso no final de janeiro, alegou que o responsável para indicações para honrarias é sempre o primeiro-ministro.

Blair, que completa 10 anos no cargo em 2 de maio, é o líder do Partido Trabalhista mais bem-sucedido eleitoralmente, com três vitórias consecutivas com maioria absoluta na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico. Mas seu apoio incondicional à invasão do Iraque pelos Estados Unidos a as mentiras usadas para justificar a guerra minaram sua popularidade.

Sob intensa pressão, sobretudo da esquerda trabalhista, Blair anunciou na convenção anual do partido, em setembro do ano passado, que deixaria a liderança do partido e do governo dentro de um ano. Não marcou data.

A esquerda quer que ele saia antes das eleições municipais de maio. Blair deve ser substituído pelo ministro das Finanças, Gordon Brown, extremamente popular porque a Grã-Bretanha vive, desde 1992, o mais longo período de crescimento econômico de sua História. Mas se Blair sair agora, queimado pelo escândalo Dinheiro por Honrarias, a oposição conservadora fará intensa campanha pela antecipação das eleições parlamentares, que só precisam ser realizadas em 2010.

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Surto de gripe aviária atinge fazenda britânica

Todos os 159 mil perus de uma fazenda do maior criador europeu desta ave serão sacrificados, anunciou hoje o Ministério do Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido. Desde quinta-feira, cerca de 2,5 mil perus morreram na fazenda Bernard Matthews, perto de Lowestoft. É o primeiro surto no país do vírus H5N1, que provoca uma gripe transmitida por aves que já matou 164 seres humanos desde 2003, a maioria na Ásia.

Depois de alguns casos de contaminação pelo H5N1, não havia sido registrado nenhum caso sério na Europa até a morte de milhares de gansos numa fazenda na Hungria no mês passado.

A criação de 800 milhões de aves domésticas movimenta cerca de US$ 6 bilhões anualmente. O vírus é transmitido pela migração de aves selvagens que entram em contato com animais domésticos.

O temor dos médicos é que o H5N1 entre em contato com os vírus da gripe humana, sofram uma mutação e possam ser transmitidos de pessoa para pessoa. Isto criaria o risco de uma pandemia como a gripe espanhola, que matou milhões de pessoas logo depois da Primeira Guerra Mundial.

Caminhão-bomba mata 135 e fere 300 em Bagdá

Um caminhão carregado de bombas explodiu no final da tarde numa feira de rua na capital iraquiana, matando pelo menos 135 pessoas e ferindo outras 300. A área é habitada por curdos, sunitas e xiitas.

Totalmente sobrecarregados, os hospitais próximos não estou aceitando mais pacientes. No primeiro momento, não ficou claro quem seriam autores e alvos do atentado. Mas parece ter a marca da Al Caeda: um ataque violento e indiscriminado contra civis com o objetivo de provocar o maior número de mortes possível.

Argentina e Uruguai abrem diálogo sobre papeleiras

Os governos da Argentina e do Uruguai concordaram em iniciar em diálogo mediado pela Espanha para negociar o fim do conflito gerado pela instalação de duas fábricas de celulose na margem oriental do Rio Uruguai, a chamada 'guerra das papeleiras'. Não foi marcada a data nem quem representará os dois países.

Apesar do anúncio, ecologistas e moradores das cidades ribeirinhas argentinas mantiveram a decisão de bloquear as três pontes que ligam os três países hoje das 17h às 22h.

Até agora, o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, se nega a negociar enquanto as fronteiras não forem liberadas. Um porta-voz do Uruguai ressalvou que conversar não é negociar. Os investimentos, de US$ 2 bilhões, equivalem a 15% do produto interno bruto uruguaio.

Emprego cresce abaixo do esperado nos EUA

A economia dos Estados Unidos criou apenas 111 mil empregos foram do setor agrícola em janeiro, abaixo da expectativa. O mercado esperava um número mais consistente com o crescimento econômico numa taxa anual de 3,5% registrado no último trimestre de 2006. Indicaria que a maior economia do mundo teria arremetido, retomando a curva ascendente sem passar por recessão ou estagnação. Mas ela continua dando sinais ambivalentes

O índice de desemprego subiu para 4,6%.

Violência sectária supera Al Caeda no Iraque

Os conflitos sectários entre curdos, sunitas e xiitas são hoje a principal causa de morte no Iraque, superando os atentados da rede terrorista Al Caeda, e combatê-los será uma tarefa "assustadora". Isto deixa as autoridades iraquianas "sob forte pressão para conseguir a reconciliação nacional" dentro de um ano e meio, afirma um documento dos serviços de informações dos Estados Unidos divulgado ontem. O presidente George W. Bush recebeu uma cópia na quinta-feira.

Do relatório de 90 páginas, 'Prospectos para a Estabilidade no Iraque: Um Caminho de Desafios à Frente', foi divulgado um sumário de apenas nove. A Estimativa Nacional de Inteligência não conclui se o Iraque está ou não em guerra civil, sugerindo que a situação é mais complexa. "Há xiitas atacando xiitas, ataques de insurgentes sunitas e da Al Caeda contra as forças da coalizão e criminalidade generalizada motivada pela violência".

Mas admite que há "um enrijecimento das idendades étnico-sectárias, uma grande mudança no caráter da violência, a mobilização étnico-sectária e migrações internas forçadas".

Se os xiitas, que estão no poder depois de séculos de dominação sunita, sentem-se inseguros e desconfiam da incapacidade dos EUA para conter a violência, comenta o relatório, "muitos árabes sunitas continuam não querendo aceitar seu status de minoria, acreditam que o governo central é ilegítimo e incompetente, e estão convencidos de que a dominação xiita vai aumentar a influência do Irã de uma maneira que levará à erosão do caráter árabe do Estado e aumentará a repressão aos sunitas".

No Norte, os curdos tentam assumir o controle da cidade de Kirkuk. Se a violência sectária entre sunitas e xiitas se agravar, os curdos podem partir para a autonomia, o que perturba a Turquia, o Irã e a Síria, que têm populações curdas significativas. Uma declaração de independência do Curdistão provavelmente provocaria uma invasão turca.

Uma advertência importante é que os EUA evitem uma retirada rápida. Agravaria ainda mais a situação. "A capacidade militar da coalizão, inclusive a quantidade de tropas, recursos e operações, continua sendo um elemento essencial para estabilizar o Iraque".

Sem os EUA, a situação seria muito pior. Mas sem conter a violência sectária, a tendência é piorar ainda mais.

A Síria e o Irã são acusados de apoiar os rebeldes iraquianos: "O letal apoio iraniano a grupos seletos de militantes xiitas claramente intensifica o conflito no Iraque. A Síria continua a oferecer refúgio para exilados baathistas [partidários de Saddam Hussein] e a não tomar medidas adequadas para conter a infiltração de jihadistas no Iraque".

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Viacom exige retirada de vídeos do YouTube

A Viacom, dona da MTV, exigiu na Justiça que o site YouTube remova 100 mil vídeos por não ter chegado a um acordo com o Google, dono do YouTube, sobre direitos autorais.

O YouTube, grande sucesso do momento na Internet, oferece gratuitamente vídeos colocados no site anonimamente. Fez acertos com as redes de televisão CBS e NBC mas está sendo processado também pela Fox.

Bové é candidato antiliberal na França

Diante das suspeitas de que os dois favoritos, a socialista Ségolène Royal e o ministro conservador Nicolas Sarkozy, são liberais demais, o líder camponês e antiglobalização José Bové lançou-se como candidato antiliberal à Presidência da França nas eleições de abril e maio, anunciando "uma insurreição eleitoral contra o liberalismo".

Em bate-papo no site do jornal francês Le Monde.fr, Bové criticou Ségolène como "um tanto ingênua" e defendeu uma França "secular, democrática, feminista, anti-racista e ecologista".

Cientistas advertem sobre catástrofe climática

Até 2100, a temperatura média da Terra vai amentar de 1,8 a 4 graus centígrados. O nível dos oceanos vai subir de 28 a 43 centímetros. Estes números podem ser ainda maiores, adverte o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, que concluiu, em relatório divulgado hoje em Paris, que a atividade humana é, sim, responsável pelo aquecimento da atmosfera.

O chamado efeito estufa vai provocar secas, quebras de safra, o degelo das calotas polares e de muitas montanhas nevadas, tempestades mais violentas, verões mais quentes e talvez mesmo ondas de frio, alerta o documento.

Se a atmosfera da Terra não retivesse parte do calor irradiado pelo sol, este planeta seria frio demais para a vida humana. A bioesfera é resultado de um delicado equilíbrio construído em bilhões de anos de evolução.

Desde a chamada Revolução Industrial, que começou na Inglaterra em 1750 e hoje se expandiu para quase todo o planeta, o homem joga na atmosfera gás carbônico produzido pela queima de combustíveis fósseis. Toda a vez que você usa seu carro contribui para o aquecimento.

Agora, 2,5 mil cientistas de mais 100 países chegaram a um consenso de que é preciso agir. O próprio presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush - que se negou a assinar o Protocolo de Quioto, que tenta militar a emissão dos gases que provocam o efeito estufa - admite que o aquecimento global é um problema.

A questão estava na pauta da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992, quando foi assinada a Convenção sobre o Clima. Mas George Bush sr., então presidente dos EUA e os países árabes impediram a tomada de medidas práticas para atacar o problema.

Chegou a hora!

Vendas da Amazon.com sobem 34%

A loja virtual americana Amazon.com, uma das maiores empresas de comércio eletrônico, anunciou ontem um aumento de 34% no faturamento do último trimestre do ano passado, que foi de US$ 3,99 bilhões. Mas o lucro caiu 51% em relação ao ano passado por causa do pagamento de impostos e de ofertas de descontos no preço dos livros, CDs e outras mercadorias que a empresa vende, e no transporte.

Para 2007, a Amazon.com prevê um faturamento de US$ 13 bilhões a US$ 13,7 bilhões, com lucro operacional de US$ 355 milhões a US$ 505 milhões.

Paz exige inclusão social na América Latina

Como não há guerras entre os países da América Latina desde os choques entre Peru e Equador em 1995, os conflitos armados na região estão ligados a redes transnacionais de criminosos e à exclusão social, observou ontem o pesquisador argentino Andrés Serbin, da Coordenadoria Regional de Investigação Econômica e Social (CRIES).

Serbin analisou a possibilidade de prevenção de conflitos no subcontinente no 3º Encontro do Grupo de Prevenção e Análise de Conflitos (GAPCon) da Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro.

É a região com o menor número de conflitos, uma zona desnuclearizada e há uma capacidade de diálogo. Mas na experiência latino-americana, os confitos não foram resolvidos por mecanismos institucionais mas por negociações caso a caso.

Nos anos 80, o Grupo de Contadora trabalhou pela paz na América Central. Na guerra entre Peru e Equador, foi um “grupo de amigos”. São soluções ‘ad hoc’.

A prevenção, argumentou Serbin, “requer mudanças políticas, econômicas e sociais, o fim das grandes exclusões étnicas, uma mudança cultural”.

Outra característica da América Latina é o soberanismo. Sob a permanente ameaça de uma intervenção americana, os países latino-americanos desenvolveram uma aversão a ingerências externas.

“O Estado, na América Latina, é muito sensível a ingerências externas”, reconhece o pesquisador argentino. “Há uma concepção estatista que coloca o Estado acima do cidadão”. Isto dificulta a ação de organizações não-governamentais.

Com a debilidade das instituições, a democracia não foi capaz de atender aos anseios da população, especialmente dos excluídos, e “as reformas econômicas liberais do Consenso de Washington criaram uma polarização que não pôde ser resolvida por estas instituições”. Daí o surgimento de Hugo Chávez, na Venezuela; Evo Morales, na Bolívia; e Rafael Correa, no Equador.

Para Andrés Serbin, a Venezuela está entre um regime semi-autoritário e uma ditadura: “A oposição venezuelana conseguiu 35% a 40% dos votos. Se for marginalizada, a Venezuela não será uma democracia”.

Ele faz questão de distinguir a situação da Venezuela, um país “com excesso de ingressos” por causa da renda do petróleo. “A questão é quem controle o petróleo. Na Bolívia e no Equador, há uma exclusão histórica dos indígenas. Não há mecanismos institucionais para resolver nenhum destes problemas”.

Mundo é mais seguro apesar do terrorismo

Apesar da impressão deixada pelo terrorismo internacional e a invasão americana ao Iraque, com o fim da Guerra Fria, desde os anos 90 há maior número de solução de conflitos por negociação e menos pessoas sendo mortas, declarou ontem a professora Zoe Nielsen, subdiretora do Centro de Segurança Humana da Universidade da Colúmbia Britânica em Vancouver, no Canadá.

“Houve um declínio de genocídios e politicídios”, disse a pesquisadora no 3º Encontro do Grupo de Análise e Prevenção de Conflitos da Universidade Cândido Mendes, cujo tema é Paz e Diálogo entre Civilizações. “Mas houve um enorme aumento do terrorismo internacional, três vezes mais atentados desde 2000, e um aumento ainda maior no número de mortos. A maior parte deste aumento se concentra no Oriente Médio e no Sul da Ásia” (Índia, Paquistão, Sri Lanka e Bangladesh).

Uma constatação é que democracias não entram em guerra com outros países democráticos, mas a democratização às vezes provoca conflitos longamente sufocados. Seu desafio é resolve-los pacificamente. “Durante a transição, há grande probabilidade de conflito”, observa Zoe Nielsen.

A pesquisa do Centro de Segurança Humana registra ainda que países com renda média muito baixa, de US$ 250, têm 15% de chance de se envolverem em guerras contra 2% para países com renda de US$ 2,5 mil.

Nielson apontou três causas para explicar o declínio dos conflitos armados:
1. O fim do colonialismo.
2. O fim da Guerra Fria, que era responsável por um terço das guerras.
3. Um aumento sem precedentes do ativismo internacional pela paz: as Nações Unidas estão tentando cumprir seu papel.

Desde 1998, dobrou o número de missões de paz e houve um aumento de 50% nas missões de prevenção de conflitos.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Exxon tem maior lucro da História

O companhia de petróleo americana Exxon Mobil beneficiou-se da alta dos preços do produto, chegou a US$ 78 o barril em agosto do ano passado, para fechar 2006 com um lucro recorde para empresas privadas em todo o mundo, de US$ 39,6 bilhões, depois de anunciar um ganho de US$ 10 bilhões no último trimeste do ano.

Com lucro de US$ 25 bilhões, a companhia anglo-holandesa Shell tornou-se a recordista de lucro na Europa.

Terroristas suicidas matam 61 no Iraque

Dois terroristas suicidas mataram 61 pessoas e feriram outras 150 ao detonar explosivos numa feira movimentada na cidade xiita de Hilla nesta quinta-feira. As explosões, ao lado de ataques com bombas e morteiros que mataram 11 pessoas em Bagdá, mostram o tamanho do desafio das forças dos Estados Unidos e do governo do primeiro-ministro Nuri al-Maliki para estabilizar o Iraque. Outros 30 cadáveres foram encontrados pela polícia jogados nas ruas da capital iraquiana.

Núcleo da inflação sobe 0,1% em dezembro nos EUA

O núcleo do índice de preços ao consumidor, excluídos alimentos e energia, cresceu apenas 0,1% em dezembro nos Estados Unidos, no segundo mês seguido de estabilidade de preços. A inflação plena ficou em 0,4%.

Maliki não quer fogo cruzado entre EUA e Irã

O primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, afirmou ontem que o Irã está por trás de ataques contra tropas dos Estados Unidos em território iraquiano e que não quer ficar no meio do fogo cruzado de uma guerra entre EUA e Irã.

"Todos os países vizinhos têm seus próprios interesses para intervir no Iraque", reclamou o primeiro-ministro Maliki. "Mas o Iraque não tem nada a ver com o conflito entre os EUA e o Irã. Ambos têm de respeitar a soberania do Iraque. Não aceitaremos que o Irã use o Iraque para atacar tropas americanas, nem que os EUA usem o Iraque como base para atacar o Irã".

Na terça-feira, o Pentágono informou que estava investigando o envolvimento do Irã na morte de cinco americanos em Carbalá, no Iraque. A sofisticação do ataque, com um grupo que passou falando inglês com uniformes americanos pelos postos de controle, intrigou os investigadores americanos.

Tata vence CSN na batalha pela Corus

O grupo indiano Tata comprou a companhia siderúrgica européia Corus por US$ 11,3 bilhões, vencendo a CSN brasileira. A Tata-Corus produzirão 25 milhões de toneladas de aço por ano, transformando-se na quinta maior empresa do setor. O grupo anglo-holandês Corus sofria com os custos de produção no mercado europeu.

A Comissão Européia, órgão executivo da União Européia, autorizara a aquisição, declarando que não prejudica a concorrência.

Mortande no Iraque aumenta pressão sobre Bush

Com pelo menos mais 47 mortes registradas ontem na guerra do Iraque, cresce a pressão sobre o presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush. Os dois presidentes do Grupo de Estudos sobre o Iraque, uma comissão bipartidária que propôs alternativa à fracassa estratégia de Bush, insistiram na abertura de um diálogo com a Síria, de onde viriam homens e armas para a 'guerra santa' e para a insurgência sunita.

Ao depor na Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA, o ex-secretário de Estado (no governo do pai de Bush) James Baker declarou que o diálogo com a Síria poderia levar o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) a reconhecer Israel, facilitando a paz no Oriente Médio, e cortar o suprimento de armas à milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus).

O co-presidente do grupo de estudos, o ex-deputado democrata Lee Hamilton, observou que a Síria deu vários sinais de que deseja negociar.

Em Ancara, na Turquia, o ministro do Exterior da Síria, Walid al-Moallem, defendeu "a integridade territorial, a soberania e a independência do Iraque", e apelou aos outros países da região a fazer o mesmo. Ele descreveu os problemas de segurança em Bagdá como uma ameaça para todo o Oriente Médio: "O estabelecimento de segurança e estabilidade é vital para todos os países da região".

"Invasão do Iraque pelos EUA cria estado de guerra permanente no sistema internacional"

A invasão do Iraque pelos Estados Unidos em março de 2003 mostrou que “o estado de guerra será dominante no sistema internacional”, afirmou ontem o professor Pedro Cunca Bocayuva, do Instituto de Relações Internacionais da PUC-RJ.

Ao participar do debate Estratégias de Promoção da Democracia, realizado na quarta-feira-feira, 31 de janeiro, no Centro Brasileiro de Relações Internacionais, no Rio de Janeiro, ele observou que a Guerra do Iraque trocou a legitimidade pela solução de força. “É a ONU contra um sistema hobbesiano, em que os interesses nacionais prevalecem”, analisou Cunca Bocayuva.

“Na democracia, há sempre uma tensão entre os limites legais e as tentativas de ampliação de direitos. Cabe à política a regulação das relações entre as forças.”

Para garantir os Jogos Pan-Americanos deste ano, por exemplo, “o Rio será militarizado”, constata o professor.

“As organizações não-governamentais trabalham com um novo paradigma: democracia x autocracia; ampliações x restrições, globalização x democracia, unilateralismo x multilateralismo”, disse Bocayuva, colocando algumas questões: “O excesso de demandas impede a eficácia? Há, como diz a visão conservadora, uma hipertrofia do Estado?”

Tanto as democracias quanto o socialismo real foram questionados nas revoluções de 1968, que produziram uma ruptura, lembra o professor.

Ele adverte que “a democracia revela e amplia conflitos, aumenta o poder tecnocrático e corporativo, criando um enorme risco de desqualificação da política e da crise dos partidos”. E observa que “o populismo não exclusivo”, não é apenas mais um sintoma do subdesenvolvimento político da América Latina, citando como líderes populistas os presidentes dos Estados Unidos, George Bush, e da Rússia, Vladimir Putin, e o ex-primeiro-ministro italiano.

Então nem sempre democracia rima com estabilidade. A Itália viveu crises gigantescas e sucessivas que derrubaram mais de 50 governos desde 1945. Nos EUA, a democracia está associada aos direitos civis. Na Europa, ao bem-estar social, à proteção social garantida pelo Estado. Na América Latina, completa Cunca Bocayuva, “o crescimento legitima a democracia e a autocracia. A legitimidade vem da capacidade de se modernizar”. O mesmo vale para a China.

Outra questão “é o colapso da democracia venezuelana, que na verdade era uma oligarquia. Fracassado seu golpe, Hugo Chávez entrou democraticamente, o que mostra que a democracia pode produzir o autoritarismo.”