Em cerimônia realizada hoje à tarde no Palácio da Cidade, no Rio de Janeiro, as Nações Unidas lançaram oficialmente o sítio de Internet em Português da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, (Rio+20), que será realizada aqui em junho de 2012.
Na abertura do evento, o jornalista italiano Giancarlo Summa, que cobriu a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92, e hoje dirige o Centro de Informações da ONU no Rio, comentou que, "em 20 anos, o mundo mudou e o Brasil mudou de modo espetacular, mostrando que o desenvolvimento sustentável é possível".
O caminho à frente foi traçado pelo subsecretário-geral da ONU para questões econômicas e sociais e secretário-geral da Rio+20, Sha Zukang. Na sua visão, a conferência "deve lançar as bases da estabilidade, do crescimento, da proteção social, da geração de empregos e da preservação dos recursos naturais".
Sha acrescentou que "é preciso combater a pobreza com desenvolvimento sustentável, mas isto não pode ser imposto de cima para baixo. Não pode ser uma desculpa para um neoprotecionismo verde nem para manter tudo como está", ou seja, continuar destruindo a natureza porque a preservação teria um custo social elevado.
"Precisamos de uma economia verde, novos meios, novos caminhos, novos roteiros", convocou o secretário-geral da Rio+20. "Temos de pensar na agenda para o desenvolvimento pós-2015", quando termina o prazo de implementação das chamadas Metas do Milênio para combater a miséria e o subdesenvolvimento.
A Assembleia Geral, concluiu, "está focada em resultados. Em 15 e 16 de dezembro, um encontro em Nova York vai decidir o formato, a estrutura e os temas da conferência. O primeiro anteprojeto de texto final deve estar pronto em meados de janeiro de 2012".
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 23 de novembro de 2011
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
ONU volta a negociar acordo pós-Quioto
Nove mil delegados de 186 países discutem nas próximas duas semanas, até 12 de dezembro de 2008, em Poznan, na Polônia, um acordo internacional para substituir a partir de 2013 o Protocolo de Quioto, que expira em 2012.
A Conferência de Poznan faz parte de um processo de negociações sobre mudança do clima iniciado na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92. Aqui, em 1992, foi aprovada a Convenção sobre Mudança do Clima.
Hoje o secretário-executivo da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, Yvo de Bör, alertou que as negociações devem estar concluídas até a próxima reunião daqui a um ano em Copenhague. E o primeiro-ministro da Dinamarca, Anders Rasmussen, manifestou a esperança de que a crise financeira global não atrapalhe o combate ao aquecimento global.
Já o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, espera que a próxima reunião de cúpula da União Européia, em 11 e 12 deste mês, chegue a um acordo para uma ação conjunta para conter o agravamento do efeito estufa.
O acordo assinado em 11 de dezembro de 1997 na cidade japonesa de Quioto é um protocolo adicional à convenção aprovada no Rio. Seu objetivo é a "estabilização das concentrações na atmosfera dos gases que provocam o efeito estufa em um nível que evite uma perigosa interferência antropogênica no sistema climático".
Para isso, propõe uma redução de 5,2% em relação aos níveis de 1990 nas emissões de gases que provocam o efeito estufa de 37 países desenvolvidos.
Essas reduções seriam de 8% na União Européia, 7% nos Estados Unidos, 6% no Japão e zero na Rússia. A Austrália conquistou o direito de emitir até 8% e a Islândia 10% a mais.
Os EUA nunca aderiram ao Protocolo de Quioto. Na Rio-92, o presidente George Bush sr. (1989-93) alegou que prejudicaria a economia americana.
Seu sucessor, Bill Clinton (1993-2001) sabia que o protocolo não tinha a menor chance de ser aprovado no Senado, onde os republicanos tinham maioria. Assinou o Protocolo de Quioto como um dos últimos atos de seu governo, jogando a bomba no colo de George Walker Bush (2001-09), que ficou com a má fama.
Claro que Bush merece. Seu governo negou validade à tese científica que atribui ao homem o agravamento do efeito estufa e resistiu o quanto pôde à mudança da matriz energética. Só no fim, aceitou o álcool combustível, compreendendo que a dependência do petróleo importado do Oriente Médio ameaça a segurança nacional dos EUA.
A Conferência de Poznan faz parte de um processo de negociações sobre mudança do clima iniciado na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92. Aqui, em 1992, foi aprovada a Convenção sobre Mudança do Clima.
Hoje o secretário-executivo da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, Yvo de Bör, alertou que as negociações devem estar concluídas até a próxima reunião daqui a um ano em Copenhague. E o primeiro-ministro da Dinamarca, Anders Rasmussen, manifestou a esperança de que a crise financeira global não atrapalhe o combate ao aquecimento global.
Já o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, espera que a próxima reunião de cúpula da União Européia, em 11 e 12 deste mês, chegue a um acordo para uma ação conjunta para conter o agravamento do efeito estufa.
O acordo assinado em 11 de dezembro de 1997 na cidade japonesa de Quioto é um protocolo adicional à convenção aprovada no Rio. Seu objetivo é a "estabilização das concentrações na atmosfera dos gases que provocam o efeito estufa em um nível que evite uma perigosa interferência antropogênica no sistema climático".
Para isso, propõe uma redução de 5,2% em relação aos níveis de 1990 nas emissões de gases que provocam o efeito estufa de 37 países desenvolvidos.
Essas reduções seriam de 8% na União Européia, 7% nos Estados Unidos, 6% no Japão e zero na Rússia. A Austrália conquistou o direito de emitir até 8% e a Islândia 10% a mais.
Os EUA nunca aderiram ao Protocolo de Quioto. Na Rio-92, o presidente George Bush sr. (1989-93) alegou que prejudicaria a economia americana.
Seu sucessor, Bill Clinton (1993-2001) sabia que o protocolo não tinha a menor chance de ser aprovado no Senado, onde os republicanos tinham maioria. Assinou o Protocolo de Quioto como um dos últimos atos de seu governo, jogando a bomba no colo de George Walker Bush (2001-09), que ficou com a má fama.
Claro que Bush merece. Seu governo negou validade à tese científica que atribui ao homem o agravamento do efeito estufa e resistiu o quanto pôde à mudança da matriz energética. Só no fim, aceitou o álcool combustível, compreendendo que a dependência do petróleo importado do Oriente Médio ameaça a segurança nacional dos EUA.
terça-feira, 11 de março de 2008
Emissões de carbono precisam ser zeradas
Para evitar um aquecimento da atmosfera capaz de causar uma escassez de água catastrófica e guerras por recursos naturais escassos, as emissões de gases carbônicos precisam ser zeradas até a metade do século, concluem pesquisas realizadas por cientistas dos Estados Unidos, do Canadá e da Alemanha.
"Se não quisermos que a Terra se aqueça mais", observa Ken Caldeira, da Instituição Carnagie, co-autor de um ensaio publicado na semana passada na revista acadêmica Gephysical Research Letters, "será necessária uma mudança muito mais radical de nosso sistema de energia do que as pessoas estão imaginando".
Embora a questão esteja sendo discutida desde a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92, que aprovou a Convenção sobre Mudança do Clima, as emissões de carbono decorrentes de atividades humanas somam cerca de 10 bilhões de toneladas por ano e estão crescendo.
No momento, isso parece impossível. Mas o Senado dos Estados Unidos está para votar um projeto destinado a reduzir as emissões de carbono em 70% até 2050.
Os candidatos democratas à Presidência dos EUA, os senadores Barack Obama e Hillary Clinton, propõem um corte de 80%. Para o candidato republicano, senador John McCain, bastam 60%.
Leia mais no jornal The Washington Post.
"Se não quisermos que a Terra se aqueça mais", observa Ken Caldeira, da Instituição Carnagie, co-autor de um ensaio publicado na semana passada na revista acadêmica Gephysical Research Letters, "será necessária uma mudança muito mais radical de nosso sistema de energia do que as pessoas estão imaginando".
Embora a questão esteja sendo discutida desde a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92, que aprovou a Convenção sobre Mudança do Clima, as emissões de carbono decorrentes de atividades humanas somam cerca de 10 bilhões de toneladas por ano e estão crescendo.
No momento, isso parece impossível. Mas o Senado dos Estados Unidos está para votar um projeto destinado a reduzir as emissões de carbono em 70% até 2050.
Os candidatos democratas à Presidência dos EUA, os senadores Barack Obama e Hillary Clinton, propõem um corte de 80%. Para o candidato republicano, senador John McCain, bastam 60%.
Leia mais no jornal The Washington Post.
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Lula propõe conferência do meio ambiente Rio+20
Ao abrir a Assembléia Geral das Nações Unidas hoje em Nova Iorque, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou para 2012 uma conferência internacional sobre meio ambiente e desenvolvimento, que chamou de Rio+20, para fazer uma análise do estado da Terra 20 anos depois da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92, e do cumprimento da Agenda 21, aprovada no Rio.
Lula admitiu que os países em desenvolvimento precisam assumir compromissos para conter o aquecimento global. Defendeu ainda o fim do protecionismo dos países ricos, com a conclusão da Rodada Doha de liberalização comercial de modo que promova o desenvolvimento dos países pobres.
Em 2012, o Protocolo de Quioto, que tenta controlar a emissão dos gases que exacerbam o efeito estufa, acaba e deve ser substituído por outro tratado internacional. Como esse processo começou com a Convenção sobre Mudança do Clima, aprovada na Rio-92, o Brasil é o país indicado para sediar a Rio+20.
Leia a íntegra do discurso do presidente Lula no site do Ministério das Relações Exteriores.
Lula admitiu que os países em desenvolvimento precisam assumir compromissos para conter o aquecimento global. Defendeu ainda o fim do protecionismo dos países ricos, com a conclusão da Rodada Doha de liberalização comercial de modo que promova o desenvolvimento dos países pobres.
Em 2012, o Protocolo de Quioto, que tenta controlar a emissão dos gases que exacerbam o efeito estufa, acaba e deve ser substituído por outro tratado internacional. Como esse processo começou com a Convenção sobre Mudança do Clima, aprovada na Rio-92, o Brasil é o país indicado para sediar a Rio+20.
Leia a íntegra do discurso do presidente Lula no site do Ministério das Relações Exteriores.
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
Quitéria Chagas reina no Sambódromo
O carnaval acabou e este é um blog de relações internacionais. Mas como a cultura é a base da identidade no mundo globalizado e ainda haverá o Desfile das Campeãs, no sábado, no Sambódromo, no Rio de Janeiro, vou declarar meu voto para Rainha do Carnaval.
Esse carnaval que passou foi marcado, entre outras coisas, pelo duelo que não houve entre as rainhas de bateria escolhidas por sua popularidade como atrizes ou apresentadoras de TV. As meninas são bonitinhas e jeitosinhas. Mas não sabem sambar.
Para ser rainha da bateria, além de ser bonita, a candidata deveria saber sambar. E aí um valor mais alto se levanta sobre grazis, julianas, sabrinas, lumas, lucianas, luizas e outras estrelas sem a menor intimidade com samba no pé: a baiana Quitéria Chagas, rainha da bateria do Império Serrano e atriz pouco aproveitada da novela das nove.
Há outras sambistas lindas e maravilhosas como Adriana Bombom, mas meu voto é para Quitéria, mais suave e mais sutil.
Quitéria é uma deusa que desfila diante das câmeras com a graça de uma verdadeira bailarina, símbolo da raça e da nação brasileira. Como diria Mário Quintana, as outras passarão; você, passarinho.
Esse carnaval que passou foi marcado, entre outras coisas, pelo duelo que não houve entre as rainhas de bateria escolhidas por sua popularidade como atrizes ou apresentadoras de TV. As meninas são bonitinhas e jeitosinhas. Mas não sabem sambar.
Para ser rainha da bateria, além de ser bonita, a candidata deveria saber sambar. E aí um valor mais alto se levanta sobre grazis, julianas, sabrinas, lumas, lucianas, luizas e outras estrelas sem a menor intimidade com samba no pé: a baiana Quitéria Chagas, rainha da bateria do Império Serrano e atriz pouco aproveitada da novela das nove.
Há outras sambistas lindas e maravilhosas como Adriana Bombom, mas meu voto é para Quitéria, mais suave e mais sutil.
Quitéria é uma deusa que desfila diante das câmeras com a graça de uma verdadeira bailarina, símbolo da raça e da nação brasileira. Como diria Mário Quintana, as outras passarão; você, passarinho.
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007
Cientistas advertem sobre catástrofe climática
Até 2100, a temperatura média da Terra vai amentar de 1,8 a 4 graus centígrados. O nível dos oceanos vai subir de 28 a 43 centímetros. Estes números podem ser ainda maiores, adverte o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, que concluiu, em relatório divulgado hoje em Paris, que a atividade humana é, sim, responsável pelo aquecimento da atmosfera.
O chamado efeito estufa vai provocar secas, quebras de safra, o degelo das calotas polares e de muitas montanhas nevadas, tempestades mais violentas, verões mais quentes e talvez mesmo ondas de frio, alerta o documento.
Se a atmosfera da Terra não retivesse parte do calor irradiado pelo sol, este planeta seria frio demais para a vida humana. A bioesfera é resultado de um delicado equilíbrio construído em bilhões de anos de evolução.
Desde a chamada Revolução Industrial, que começou na Inglaterra em 1750 e hoje se expandiu para quase todo o planeta, o homem joga na atmosfera gás carbônico produzido pela queima de combustíveis fósseis. Toda a vez que você usa seu carro contribui para o aquecimento.
Agora, 2,5 mil cientistas de mais 100 países chegaram a um consenso de que é preciso agir. O próprio presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush - que se negou a assinar o Protocolo de Quioto, que tenta militar a emissão dos gases que provocam o efeito estufa - admite que o aquecimento global é um problema.
A questão estava na pauta da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992, quando foi assinada a Convenção sobre o Clima. Mas George Bush sr., então presidente dos EUA e os países árabes impediram a tomada de medidas práticas para atacar o problema.
Chegou a hora!
O chamado efeito estufa vai provocar secas, quebras de safra, o degelo das calotas polares e de muitas montanhas nevadas, tempestades mais violentas, verões mais quentes e talvez mesmo ondas de frio, alerta o documento.
Se a atmosfera da Terra não retivesse parte do calor irradiado pelo sol, este planeta seria frio demais para a vida humana. A bioesfera é resultado de um delicado equilíbrio construído em bilhões de anos de evolução.
Desde a chamada Revolução Industrial, que começou na Inglaterra em 1750 e hoje se expandiu para quase todo o planeta, o homem joga na atmosfera gás carbônico produzido pela queima de combustíveis fósseis. Toda a vez que você usa seu carro contribui para o aquecimento.
Agora, 2,5 mil cientistas de mais 100 países chegaram a um consenso de que é preciso agir. O próprio presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush - que se negou a assinar o Protocolo de Quioto, que tenta militar a emissão dos gases que provocam o efeito estufa - admite que o aquecimento global é um problema.
A questão estava na pauta da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992, quando foi assinada a Convenção sobre o Clima. Mas George Bush sr., então presidente dos EUA e os países árabes impediram a tomada de medidas práticas para atacar o problema.
Chegou a hora!
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